Batalha de Khe Sanh

 


A Batalha de Khe Sanh aconteceu entre 21 de Janeiro e 8 de abril de 1968 durante a Guerra do Vietnã, no noroeste da província de Quang Tri, na República do Vietname (Vietnam do Sul). Os combatentes eram elementos do III Marine Amphibious Force (III MAF) do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (USMC), elementos do Exército do Vietnã do Sul e dois a três elementos do tamanho de divisão do Exército do Povo do Vietnã (Vietnã do Norte). O comando americano no Vietnã do Sul deu a defesa da base em Khe Sanh de Operação Escócia.

O comando americano em Saigon acreditava inicialmente que as operações de combate em torno de Khe Sanh durante o verão de 1967 eram apenas parte de uma série de pequenas ofensivas norte-vietnamitas, nas regiões de fronteira. Esta apreciação foi alterada quando se descobriu que o inimigo estava movendo na área forças divisionais durante o outono e inverno. A acumulação de forças dos Marines ocorreu e as ações em torno de Khe Sanh começaram quando a base americana foi isolada.

Durante uma série de ações desesperadas que duraram 77 dias, a Khe Sanh Combat Base (KSCB) e os postos de combate nos morros ao redor dela estiveram sob forte pressão do inimigo em constantes ataques de artilharia, morteiros e ataques com foguetes.

Durante a batalha de Khe Sanh uma campanha de bombardeamento aéreo massivo (Operação Niagara) foi lançada pela US Air Force - USAF para apoiar a base dos Marines. Esta campanha utilizou os mais recentes avanços tecnológicos, a fim de localizar e atacar as forças inimigas. O suporte logístico para apoiar a KSCB, uma vez que por via terrestre não era possível devido a base estar isolada, exigiu a implementação de outras inovações táticas a fim manter os fuzileiros navais abastecidos.


Em março de 1968, uma expedição de socorro por via terrestre (Operação Pegasus) foi lançada por uma força combinada Marines-US Army-Exército Sul-Vietnamita que, eventualmente, rompeu com o cerco aos fuzileiros navais em Khe Sanh. A batalha em si foi uma vitória tática para os Marines, mas a batalha não teve claras implicações estratégicas.

Antecedentes

O acampamento

A aldeia de Khe Sanh foi a sede do governo do distrito de Huong Hoa, uma área de aldeias Bru Montagnard e plantações de café, situada a cerca de sete quilômetros da fronteira com o Laos na rota 9, a estrada norte-transversal do Vietnã do Sul.

A origem da base de combate consistia na construção de aeródromo pelas US Army Special Forces em agosto de 1962 nos arredores de um antigo forte francês. O acampamento tornou-se então um posto das Civilian Irregular Defense Groups  (CIDG), cuja finalidade era vigiar as forças norte-vietnamitas em suas ações de infiltração ao longo da fronteira e para proteger a população local. Em Novembro de 1964, os Boinas Verdes mudaram seu acampamento para o PlanaltoCham Xom, o futuro local da KSCB.

Durante o inverno de 1964, Khe Sanh tornou-se o local de lançamento das operações ultra-secretas do Military Assistance Command, Vietnam Studies and Observations Group ou SOG  (o local foi criado, perto da vila e depois foi transferido para o forte francês). A partir daí, as equipes de reconhecimento, foram lançadas no Laos para explorar e coletar informações sobre o sistema logístico inimigo conhecida como trilha Ho Chi Minh.

A Khe Sanh Combat Base (KSCB)

O acampamento foi permanentemente ocupado pelos Marines durante o ano de 1967, quando se estabeleceu um posto ao lado da pista. Esta base iria serviria como o ponto de apoio ocidental das forças de Fuzileiros Navais, que tinham a responsabilidade tática sobre as cinco províncias do norte do Vietnã do Sul. Este posição fazia parte do sistema defensivo estendido abaixo da Zona Desmilitarizada (DMZ) da costa oriental, passando pela Rota 9, e indo até Khe Sanh.

Durante o ano de 1966, tropas regulares a serviço das Forças Especiais se moveram para o planalto e construiu um pequeno campo abaixo da Rota 9 em Lang Vei, cerca de metade da distância até a fronteira do Laos.

Batalhas nas Fronteiras

Durante o segundo semestre de 1967, o Vietnã do Norte promoveu uma série de ações nas regiões fronteiriças do Vietnã do Sul. Todos esses ataques foram realizados por tropas regulares do Exército do Vietnã do Norte - EVN de tamanho regimental e por forças da Frente Nacional de Libertação do Vietnã do Sul (Viet Cong), mas ao contrário da habitual tática atacar-e-correr usadas pelas forças comunistas, estas eram sustentadas e sangrentas .

No início de outubro, forças do EVN do tamanho de um batalhão intensificou suas sondagens e sustentou fogo de artilharia contra o morro de Con Thien, uma posição defensiva dos Marines no centro da linha defensiva do USMC ao sul da zona desmilitarizada no norte da província de Quang Tri. Tiros de artilharia de 122 milímetros caíram de forma aleatória, mas sem atingir a base.

Estes oficiais da artilharia do ENV são parte de uma guarnição de um canhão de 122mm. As unidades de artilharia e defesa aérea usavam na época capacetes soviéticos.

Os bombardeios de setembro variavam de 100 a 150 disparos por dia, chegando 1.190 disparos em 25 de Setembro. O comandante americano no Vietnã, o general William C. Westmoreland responderam lançando a Operação Neutralize, uma campanha de bombardeios aéreos e navais destinadas a romper o cerco. Durante sete semanas, aviões americanos lançaram entre 35.000 a 40.000 toneladas de bombas durante 4.000 ataques aéreos.

Em 27 de Outubro, um regimento do ENV atacou um batalhão do Exército da República do Vietnã (ARVN) em Song Be, capital da Província de Phuoc Long. Os norte-vietnamitas lutaram por vários dias, tiveram várias baixas e se retiraram.

Dois dias depois, o 273° Regimento norte-vietnamita atacou um um acampamento das Forças Especiais americanas, perto da cidade fronteiriça de Loc Ninh, na província de Binh Long. Tropas da 1ª Divisão de Infantaria dos EUA foram capazes de responder rapidamente. Depois de uma batalha de dez dias, os atacantes foram empurrados para trás da fronteira com o Camboja. Pelo menos 852 soldados norte-vietnamitas foram mortos durante a ação, conta 50 mortos americanos e sul-vietnamita.

A maior ação ocorreu perto de Dak To, na província do planalto central de Kontum. A presença da 1ª Divisão norte-vietnamita provocou uma batalha de 22 dias que viu alguns dos mais intensos combates aproximados de todo o conflito. Cerca de 1.200 e 1.600 soldados norte-vietnamitas foram mortos, contra 362 mortos membros da 4ª Divisão de Infantaria e da 173 ª Brigada Aerotransportada, e elementos ARVN Airborne.  

Analistas de inteligência americanos estavam completamente perplexo com esta série de ações do inimigo. Parecia haver uma lógica por trás das ações ofensivas do inimigo, que ia além de provocar baixas nas forças aliadas. Isso eles conseguiram, mas as grandes baixas dos norte-vietnamitas pareciam negar qualquer ganhos direto que poderiam ter obtido.

As batalhas de fronteira, no entanto, tiveram duas consequências importantes que foram não apreciadas na época, que era atrair a atenção do comando americano para as regiões de fronteira e desviar as forças americanas e do ARVN para longe das planícies costeiras e cidades.

Combates nas Colinas

As coisas permaneciam quietas na área de Khe Sanh 1966. Mesmo assim, o general Westmoreland insistiu que a área não só devia ser ocupada pelos fuzileiros navais, mas também reforçada. Ele foi veementemente contestado por General Lewis W. Walt, o comandante do I Corpo do USMC.

Walt acaloradamente argumentava que o verdadeiro alvo do esforço americano deveria ser a pacificação e proteção da população, não perseguindo ENV e o Viet Cong  no interior. Westmoreland ganhou, no entanto, o debate e o 1° Batalhão, do 3° Regimento do USMC (1/3) foi enviado para ocupar o campo e a pista, em 29 de setembro.

Combates em Hill 861A

Ao final de janeiro de 1967, o 1/3 foi substituído pela Companhia Bravo, do 1 º Batalhão, do 9° Marines. Uma única companhia substituindo um batalhão inteiro. Um dos mistérios que cercam a batalha de Khe Sanh foi por isso aconteceu.

Em 24 de Abril de 1967, uma patrulha da Companhia Bravo se envolveu com uma força do ENV de tamanho desconhecido ao norte da posição Hill 861. Esta ação prematuramente desencadeou uma ofensiva norte-vietnamita que visava tomar Khe Sanh.

As forças do ENV estavam no processo de aquisição de terreno elevado antes do lançamento do ataque principal. Os 2° e 3° Batalhões do 3° Regimento dos Marines, sob o comando do coronel John P. Lanigan, reforçaram a KSCB e lhes foi dada a tarefa de empurrar os norte-vietnamitas para fora da Colinas 861, 881 Norte, e 881 Sul. As forças norte-vietnamitas foram expulsas da área em torno de Khe Sanh, após sofrerem 940 baixas.

Os fuzileiros sofreram 155 mortos em ação e 425 feridos.A fim de evitar a observação do inimigo da pista de pouso da base principal (e seu conseqüente bombardeamento), as colinas nas imediações de Khe Sanh Vale tiveram que ser continuamente ocupadas e defendidas por elementos separados dos Marines, assim, espalhando-se a defesa americana.

Na esteira das lutas pelas colinas houve uma calmaria nas atividades inimigas em torno de Khe Sanh. Até o final de maio, as forças dos Marines foram novamente alteradas, quando dois batalhões foram substituídos por apenas um, o 1º Batalhão do 26° dos Marines. O tenente-general Robert E. Cushman, Jr. foi substituído pelo General Walt como comandante do III MAF em junho.

Em 14 de agosto, o coronel David E. Lownds assumiu o cargo de comandante do 26° Regimento dos Marines. Houve ações esporádicas nos arredores durante o verão e início do outono, o mais grave dos quais foi uma emboscada de um comboio de abastecimento na Rota 9. Esta provou ser a última tentativa terrestre no ressuprimento de Khe Sanh até Março seguinte. Durante dezembro e início de janeiro, houveram numerosos avistamentos de tropas inimigas e atividades na área de Khe Sanh, mas o setor manteve-se relativamente calmo.

Decisões

A decisão, então tinha de ser feita pelo alto comando americano: comprometer mais dos limitados recursos humanos do I Corps para a defesa de Khe Sanh ou abandonar a base. O general Westmoreland considerar esta opção como bastante simples. Em suas memórias, ele listou as razões para um esforço contínuo:

Khe Sanh poderia servir como uma base de patrulha para bloquear a infiltração inimiga do Laos ao longo da rota 9, como uma base para operações do SOG para perseguir o inimigo em Laos, como uma pista de pouso para aviões de reconhecimento patrulharem a trilha Ho Chi Minh, como uma ponto forte ao oeste das defesas sul da zona desmilitarizada, e como um eventual ponto para se lançar as operações por terra para cortar a trilha Ho Chi Minh.

Porém muitos dos oficiais superiores dos Marines não eram todos da mesma opinião. O General Cushman, o novo comandante do III MAF, apoiava Westmoreland (talvez querendo consertar as relações com o Exército dos EUA após a partida de Walt). Os argumentos oferecidos por outros oficiais dos Marines contra as idéias de Westmoreland eram: que havia um perigo real contra o I Corpo na cidade de Quang Tri e em outras áreas urbanas, pois a defesa de um ponto forte seria inútil como uma ameaça para a infiltração, desde que as tropas do ENV poderiam facilmente contornar Khe Sanh, que a base era muito isolada e que os Marines "não tinha nem os recursos do helicóptero, tropas, e nem as bases logísticas para tais operações ... O tempo foi outro fator crítico por causa da má visibilidade e a chegada da estação das monções faziam essas operações perigosas para dizer o mínimo." O brigadeiro Lowell English (comandante adjunto da 3ª Divisão dos Fuzileiros Navais) queixou-se de que a defesa do posto avançado isolada era ridícula: "Quando você está em Khe Sanh, você não está realmente em qualquer lugar. Você pode perdê-lo e você realmente não perdeu absolutamente nada."

No que diz respeito a Westmoreland, ele estava preocupado, no entanto, tudo que ele precisava saber era que o ENV tinha reunido um grande número de tropas para uma grande batalha. E havia a possibilidade de infringir ao inimigo uma grande derrota. Uma perspectiva bem atraente era que a Base de Combate estava em uma área despovoada, onde o poder de fogo americano poderia ser plenamente exercido sem ter que se preocupar com vítimas civis. A oportunidade de engajar e destruir um inimigo antigo e indescritível que estava se movendo em direção a uma posição fixa prometia uma vitória de proporções sem precedentes.

A Batalha se inicia

Soldado raso de 1ª Classe, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA no Vietnam do Sul em janeiro de 1968, durante a Ofensiva do Tet. Ele está plenamente equipado, com uma pesada mochila, ferramenta de cavar, faca, cantis, munição e uma metralhadora M60 de 7.62mm muito usado neste conflito.

A Inteligência dos Ma, confirmou que, dentro de um período de pouco mais de uma semana, a 325ª ENV havia se mudado para os arredores da base e mais duas divisões estavam dentro do raio de e apoio. A 324ª Divisão foi localizada na zona DMZ a cera de 10-15 quilômetros ao norte de Khe Sanh, enquanto a 320ª Divisão estava a uma distância de oferecer reforço rápido vindo do Nordeste. Elas tinham um excelente apoio logístico devido a proximidade de trilha Ho Chi Minh. Como resultado dessa inteligência, a KSCB foi reforçada em 13 de Dezembro, pelo 1º Batalhão, 9º Regimento do USMC.

Em posições a oeste de Hill 881 Sul e Norte da Co Roc Ridge, na fronteira com o Laos, os norte-vietnamitas estabeleceram posições de artilharia, foguetes, morteiros para disparar sobre a base americana e para apoiar as suas operações em terra. Eles tinham o benefício do clima ruim das monções.

Durante a noite chuvosa, de 2 de janeiro de 1968, seis homens vestidos com uniformes pretos foram vistos fora da área defensiva da base principal, por membros de um posto de escuta. Eles foram atacados e cinco morreram imediatamente, enquanto o sexto, apesar de ferido, fugiu. Este evento impulsionou o General Cushman a reforçar o coronel Lownds com o resto do 2 º Batalhão, do 26° dos Marines.

Isso marcou a primeira vez em que todos os três batalhões do 26° Regimento tinham operado juntos em combate desde Batalha de Iwo Jima durante a Segunda Guerra Mundial. A fim de cobrir uma brecha perto do rio Quan Rao, as companhias Foxtrot, Golf, Hotel e H&S do 2/26 foram imediatamente enviadas para ocupar Hill 558, com a  Companhia Echo do 2/26 ocupando a Colina 861A.

Em 20 de Janeiro, La Thanh Tone, um tenente do ENV da 14ª Companhia Antiaérea, da 325ª Divisão, desertou na base e falou sobre os planos de toda uma série de ataques norte-vietnamitas. As posições de Hills 881 Sul, 861, e a base principal em si seriam atacadas simultaneamente na mesma noite. Às 00:30 de 21 de janeiro, Hill 861 foi atacada por cerca de 300 soldados norte-vietnamitas. Os fuzileiros navais, no entanto, estavam preparados. A infantaria norte-vietnamita, embora sob fogo de artilharia, ainda conseguiu penetrar no perímetro das defesas e só foi expulsa depois de duros combates aproximados.

A base principal foi então submetida a um intensa barragem de morteiros foguetes. Centenas de morteiros e foguetes de 122 milímetros se abateram sobre a base. Um dos primeiros disparos do inimigo atingiu em cheio o principal depósito de munição. Muita munição das peças de artilharia e dos morteiros armazenados foram jogadas no ar e explodiram com um forte impacto dentro da base. Logo depois outra bomba atingiu o deposito de gás lacrimogêneo e saturou toda a área. Horas após o bombardeio ter cessado, a base ainda estava em perigo. Por volta das 10:00h, o incêndio provocou a detonação de uma grande quantidade de C4 e outros explosivos, balançando a base inteira com outra série de fortes detonações. As forças do ENV, no entanto, não usou esta grande oportunidade para lançar um ataque por terra.

Simultâneo com o bombardeio em KSCB foi lançado um ataque contra o QG do Distrito de Huong Hoa. Lá, elementos do 66º Regimento, da 304ª Divisão do ENV atacaram unidades do Bru CIDGs, das Forças Regionais (FR) sul-vietnamitas, conduzidas pelos conselheiros do Exército dos EUA, e o primeiro pelotão da Companhia Oscar dos Marines, parte do Programa de Ação Combinada ou CAP-Combined Action Program. A Companhia Oscar era comandada pelo Tenente Thomas Stamper, e o O-1 era comandado pelo Sargento John Balanco. (o outro pelotão Oscar, O-2, era comandado pelo Sargento Roy Harper, estacionado no extremo ocidental da aldeia de Khe Sanh no lado Norte da Rota 9, que foi atacado simultaneamente.

O pelotão O-2 após duros combates se juntou ao O-1 no QG do Distrito HQ. O Oscar-3, que estava próximo a Base de Combate, estava em alerta, mas não foi atacado. As forças conseguiram resistir até a manhã do dia 22, quando helicópteros foram enviados para realizar a extração delas. OS americanos que faziam parte do CAP ficaram perplexos quando souberam que nenhum membro das forças CIDGs e FR com as armas seriam permitidos voltar nos helicópteros a Base de Combate. O capitão do Exército, Bruce BG Clarke, Conselheiro Chefe do Distrito de Huong Hoa, e o médico da sua equipe, SFC Jim Perry, recusaram ser evacuados nestas condições e marchou com o pessoal que formava o seu SOG, para a FOB 3 (situada próximo à Base de Combate) por uma via férrea escondida. As Forças Especiais de FOB 3 também operavam tropas Bru Montagnard no seu CIDG (Grupo Civil de Defesa Irregular) e estavam contentes em ter mais Bru com eles. Eles também receberam os Marines da CAP Oscar que ajudaram nas patrulhas ao longo do cerco.

A base de Khe Sanh sob forte barragem de artilharia inimiga

Este ataque revelou que a 304ª Divisão do ENV há pouco tinha chegado do Vietnã do Norte com todos os seus três regimentos, o 9º, 24º, 66º, e o 68B Regimento de Artilharia, e o 14º Batalhão de Antiaéreo. Anexado em seu apoio estava o 24º Batalhão de Artilharia. A divisão tomou posições no sudoeste da Base de Combate. Há uma discrepância significante, porém, sobre que unidades de infantaria da 325ª Divisão permaneceram no setor de Khe Sanh. Um documento do ENV montado depois da batalha conclui que só um regimento, o 95C, permaneceu em Khe Sanh. De acordo com o estudo, dois regimentos de outras divisões assumiram posições bloqueando a Rota 9 leste da base. Eles eram o 31º Regimento da 341ª Divisão e possivelmente um regimento da 324ª Divisão. Dois batalhões do 3º Regimento se moveram para o sul para Hue indo participar na batalha por aquela cidade durante as fases posteriores da Ofensiva de Tet.

Para eliminar qualquer ameaça ao seu, os norte-vietnamitas tomaram a decisão de atacar o Batalhão Laosiano BV-33, situado em Ban Houei Sane, na Rota 9 no Laos. O batalhão foi atcado na noite de 23 janeiro por três batalhões do ENV apoiados por sete tanques. Os laosianos foram derrotados, e muitos fugiram para o acampamento das Forças Especial em Lang Vei. Esta ação no Laos, e não o ataque de três semanas depois a Lang Vei, marcou a primeira vez que o ENV  tinha usado uma unidade blindada em combate.

Devido à chegada da 304ª Divisão, a KSCB foi reforçada com o 1º Batalhão, do 9º Regimento dos USMC no dia 22 janeiro. Cinco dias depois, os reforços finais chegaram na forma do 37º ARVN Batalhão Ranger que foi desdobrado mais por razões políticas do que táticas. A artilharia do ENV fez seu debute no campo de batalha no dia 24 janeiro, quando um bombardeio de armas de 100mm e 152mm começaram a atacar a Colina 881 Sul, passado para a Colina 861, e então atacando a base principal. Os Marines e os homens do 37° ARVN cavaram fundo e esperaram que a trégua do Tet (marcado para 29–31 janeiro) proveria algum repouso. Na tarde de 29 janeiro, porém, a 3ª Divisão dos Marines notificou a Khe Sanh que a trégua tinha sido cancelada. A Ofensiva de Tet estava a ponto de começar.

Operation Niagara

Durante o mês de janeiro, os sensores eletrônicos recentemente instalados durante a Operação Muscle Shoals (depois renomeada Igloo White), que estavam sendo testados e avaliados no sudeste do Laos, alertaram sobre uma grande movimentação de forças do ENV ao longo da trilha Ho Chi Minh no canto noroeste do Vietnã do Sul. Devido à natureza destas atividades, e a ameaça que era oferecida a KSCB, o general Westmoreland ordenou a execução da Operação Niagara I, um intenso esforço de coleta de inteligência das atividades do ENV nas redondezas do Vale de Khe Sanh.

A Operação Niagara I que fui completada durante a terceira semana de janeiro, e a próxima fase da operação, a Niagara II que foi lançado no 21º de janeiro, o dia da primeira de artilharia do ENV. O Direct Air Support Center (DASC) dos Marines, situado na Base de Combate, era responsável pela coordenação dos ataques aéreos com o fogo de artilharia. Um airborne battlefield command and control center (ABCCC), na forma de uma aeronave C-130, funcionava como forward air control (FAC). Quando as condições de tempo impediam os ataques dirigidos pelo FAC, os bombardeiros eram dirigidos aos seus objetivos radar AN/TPQ-10 instalado na KSCB ou pelas estações Air Force Combat Skyspot MSQ-77. Este sistema poderia dirigir as aeronaves aos seus objetivos em tempo ruim ou na escuridão absoluta.

Assim começou o que muitos consideraram "a aplicação mais concentrada de potência de fogo aérea na história da guerra". Em um dia comum que 350 caça-bombardeiros táticos, 60 B-52s, e 30 aviões leves de observação ou aeronaves de reconhecimento operavam nos céus perto da base. Westmoreland já tinha ordenado que o Igloo White ajudasse na defesa dos Marines. No dia 22 janeiro, os primeiros sensores tinham sido lançados e, ao final do mês, tinham sido lançados  316 sensor acústicos e sísmicos. Os sensores foram implantados por um esquadrão Naval especial, o Observation Squadron Sixty-Seven, VO-67. OS Marines na KSCB creditaram 40 por cento da inteligência disponível para a coordenação do fogo de apoio aos sensor.

Ao final da batalha de Khe Sanh, a USAF realizou 9.691 sortidas táticas e tinha lançado 14.223 toneladas de bombas conta objetivos dentro da áreas de Khe Sanh. Os pilotos dos Marines tinham voado 7.098 missões e tinham lançado 17.015 toneladas. As tripulações da Marinha dos EUA, muitas das quais redirecionadas da Operação Rolling Thunder contra o Vietnã do Norte, voaram 5.337 sortidas e lançaram 7.941 toneladas na área.

Nem mesmo esta impressionante quantidade de potência de fogo foi bastante para acalmar a ansiedade dos líderes americanos em Washington. Em 1° de fevereiro o Genrral Earle G. Wheele, chefe do Estado-Maior dos EUA, falou com Westmoreland sobre a possibilidade de se usar armas nucleares táticas se a situação em Khe Sanh se tornasse desesperadoras. Westmoreland respondeu que o uso dessas armas provavelmente não seria necessário. Porém, ele disse que se a situação mudasse dramaticamente, ele visualizava o uso de qualquer arma nuclear tática ou agentes de substância química. Westmoreland estabeleceu um grupo de estudo pequeno então para examinar as conseqüências do que se apelidou de Mandíbula Fraturara.

Enquanto as batalhas estavam se enfurecendo ao redor da Base de Combate, outros combates estavam acontecendo em Hue/Phu Bai, Saigon e no alto escalão do comando americano também. Um intenso esforço interserviço estava controlando as ações da avião não só em apoio a Khe Sanh, mas todo o esforço americano no Sudeste da Ásia estava sendo empreendido. Westmoreland tinha dado ao Comandante das Operações Aéreas, General (USAF) William W. Momyer, a responsabilidade de coordenar todos os ativos aéreos durante a operação para apoiar a KSCB. Isto causou problemas para com o Comando dos Marines que possuía seus próprios esquadrões de aviação que operaram debaixo da sua própria doutrina de apoio aéreo aproximado. Os Marines eram extremamente relutantes em renunciar sua autoridade sobre suas aeronaves para um General da Força Aérea.

O arranjo acertado de Comando e Controle arranjo para o Sudeste da Ásia foi contra a doutrina da USAF que determinava um único Conceito de Gerência Aérea. Um QG alocava e coordenava todos os ativos aéreos, enquanto os distribuía onde quer que eles fossem considerados muito necessários, e os transferindo então para outra área caso a situação requeresse. Os Marines cujas aeronaves e doutrinas eram integrantes às suas, não estavam em conformidade com a USAF. Em 19 de janeiro Westmoreland passou o controle da Força Aérea cima da cadeia de comando para o CINCPAC em Honolulu e lá ficou.

Enquanto isso, um debate aquecido surgiu entre Westmoreland, o Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais Leonard F. Chapman Jr. e o Chefe de Pessoal do Exército Harold K. Johnson. Westmoreland chegou a ameaçar demitir-se se os seus desejos não fossem obedecidos.Como resultado, no dia 7 de março, pela primeira vez durante a Guerra do Vietnã, as operações aéreas foram colocados sob o controle de um único gestor. O General Westmoreland havia vencido esta batalha.

A Queda de Lang Vei

A Ofensiva Tet foi lançado prematuramente pelo inimigo em algumas áreas, no 30 de janeiro. Na noite seguinte, uma onda maciça de ataques do ENV e dos Viet Congs  varreu todo o Vietnã do Sul, exceto em Khe Sanh. O lançamento de uma ofensiva maior pelo inimigo, não mudou o foco de Westmoreland para longe de Khe Sanh. Um comunicado de imprensa elaborado no dia seguinte (mas nunca emitido), no auge do Tet, mostrou que ele não estava disposto a se distrair.

"O inimigo está tentando confundir a questão ... eu suspeito que ele também está tentando chamar a atenção de todos nós afastando da maior área de ameaça, a parte norte do I Corpo. Estou bem cauteloso para não ser confundido." Havia é claro alguma atividade inimiga mas não foi muita (com exceção de patrulhamento), até agora, durante a batalha dos Boinas Verdes do Destacamento A-101 e suas quatro companhias Bru CIDGs estacionadas em Lang Vei.

Isso mudou radicalmente durante as primeiras horas da manhã de 7 de Fevereiro de 1968. Os americanos foram alertados de que havia blindados do ENV na área do campo de refugiados do Laos, o BV-33. Embora se soubesse que o ENV tinha dois regimentos blindados, eles ainda não tinha sido usados em campo como uma unidade de blindados no Vietnã do Sul e, além disso, os americanos consideravam impossível para eles chegarem a Khe Sanh, sem que fossem avistados pelo reconhecimento aéreo.

Os soldados das Forças Especiais dos EUA levaram um choque em Lang Vei quando 12 tanques inimigos atacaram seu acampamento. Blindados anfíbios PT-76 de fabricação soviética armados com canhões de 76.2mm D-56B do 202° Regimento de Blindados do ENV avançaram sobre as defesas, apoiados por um assalto de infantaria do 7° Batalhão, 66/ Regimento e do 4 º Batalhão do 24° Regimento, ambos elementos da 304ª Divisão.

Ataque norte-vietnamita ao Posto de Comando em Lang Vei com blindado PT-76

As tropas terrestres tinham sido especialmente equipados para o ataque com explosivos, gás lacrimogêneo e lança-chamas. Embora as principais defesas do acampamento fossem sufocadas em apenas 13 minutos, os combates duraram várias horas, durante as quais os homens das Forças Especiais e da Bru CIDGs conseguiram abater pelo menos cinco dos tanques.

Os fuzileiros navais em Khe Sanh tinham um plano para fornecer uma força de socorro no terreno apenas como uma contingência, mas o coronel Lowndes, temendo uma emboscada do ENV, recusou-se a implementá-lo. Lowndes também rejeitou a proposta de lançar uma extração via helicópteros dos sobreviventes. Durante uma reunião em Da Nang às 07:00 da manhã seguinte, os generais Westmoreland e Cushman aceitaram a decisão Lowndes.

Membro das Forças Especiais do Exército dos EUA no Vietnam do Sul em 1968. Ele está armado com um fuzil de assalto M16A1 de 5,56mm e veste um uniforme de tecido camuflado. Ele usa no ombro esquerdo o distintivo das Forças Especiais, uma adaga com três raios sobre fundo azul.

 

O tenente-coronel Jonathan Ladd (comandante do 5 Grupo de Forças Especiais), que tinha voado para a base de Khe Sanh, teria ficado espantado de saber que os fuzileiros navais, que sempre se orgulhavam de não deixar ninguém para trás, estavam dispostos a deixar que todos os Boinas Verdes fossem eliminados e simplesmente ignorar a queda de Lang Vei.

Ladd e o comandante do SOG (cujos homens e acampamento haviam sido incorporados as defesas de KSCB) propôs que, se os fuzileiros fornecessem os helicópteros, o SOG por si iria resgatar os sobreviventes. Os fuzileiros navais continuavam a opor-se a operação até que Westmoreland realmente teve de emitir uma ordem para Cushman para esse permitir a operação de resgate. Só às 15:00 horas, é que a operação de socorro foi lançada e foi bem sucedida. Dos 500 soldados CIDG em Lang Vei, 200 haviam sido mortos ou estavam desaparecidos e 75 ficaram feridos. Dos 24 americanos no campo, dez foram mortos e 11 feridos.

Colonel Lownds infuriated the Special Forces personnel even further when the indigenous survivors of Lang Vei, their families, civilian refugees from the area, and Laotian survivors from the camp at Ban Houei Sane arrived at the gate of KSCB.

O Coronel Lownds enfureceu o pessoal das Forças Especiais ainda mais quando os sobreviventes nativos de Lang Vei, suas famílias, e os refugiados civis da área, e os sobreviventes do Laos a partir do campo de Ban Houei Sane foram impedidos de passar pelo portão da KSCB. Lownds temia que infiltrados do ENV estivessem misturados na multidão de mais de 6.000. Os soldados nativos tiveram que ser desarmados e obrigados a sentar-se, sob guarda armada, nas crateras das bombas.

Sem comida ou água, muitos dos laosianos caminharam de volta para baixo em direção a Rota 9 em direção ao Laos. Os Bru foram excluídos da evacuação das montanhas por uma ordem do comandante do I Corpo ARVN, que determinou que não seria permitido que os Bru se movessem pelas planícies.  

Apoio Logístico e de fogo

O Coronel Lownds estimava que as exigências logísticas da KSCB eram de 60 toneladas por dia, em meados de janeiro e subiu para 185 toneladas por dia, quando todos os cinco batalhões estavam no local. As maiores dificuldades para a entrega de suprimentos a base era o bloqueio da Rota 9, e o clima de monção de inverno.

Desde o início da batalha, até início de março, as nuvens baixas e o nevoeiro fechavam a área desde a manhã até por volta de meio-dia. Mesmo assim, a cobertura de nuvens raramente subia acima dos 2.000 metros, fechando a pista, até para os aviadores mais intrépidos.

Para piorar as coisas, qualquer aeronave que enfrentasse o mau tempo e tentasse pousar estava sujeita a mortífera artilharia norte-vietnamita. Uma vez que a aeronave tocou o solo, ela tornou-se alvo de qualquer peça de artilharia inimiga. A tripulação tinha então que mais uma vez enfrentar o fogo antiaéreo do inimigo quando tentasse sair de Khe Sanh. Como resultado, 65% de todos os suprimentos foram entregues de pára-quedas por aeronaves C-130. A Força Aérea afirmou que, durante o cerco, 14.356 toneladas de suprimentos foram entregues em Khe Sanh por via aérea (8.120 toneladas por pára-quedas).Os Marines entregaram 4.661 toneladas em KSCB.

O reabastecimento dos numerosos postos nos montes isolados foi carregado com as mesmas dificuldades e perigos. O fogo antiaéreo do ENV cobrou um preço alto em helicópteros na suas tentativas de abastecimento. Os fuzileiros navais encontraram uma solução para o problema do "Conceito "Super Gaggle". Eles usavam 12 caça-bombardeiros A-4 Skyhawk para suprimir o fogo antiaéreo para que de 12-16 helicópteros pudessem reabastecer as colinas simultaneamente. A adoção deste conceito no final de fevereiro foi o ponto decisivo no esforço de reabastecimento. Após a sua aprovação, os helicópteros dos Marines entregaram cerca de 465 toneladas de suprimentos durante fevereiro. Quando o tempo limpou mais em março o valor foi aumentado para 40 toneladas por dia.

Quanto mais unidades de infantaria tinham sido designadas para defender KSCB, mais peças de artilharia era acrescentadas aos defensores. No início de janeiro, os defensores podiam contar com o apoio de fogo de 46 peças de artilharia de diversos calibres, cinco tanques armados com canhões de 90 milímetros e 92 Ontos montados com canhões sem recuo de 106 milímetros. A base também podia ter o apoio de canhões de 175 milímetros do Exército dos EUA pistolas 175 milímetros localizada em Camp Carrol, a leste de Khe Sanh.

Ao longo da batalha, artilheiros dos Marines dispararam 158.891 cargas mistas. Uma análise dos Marines sobre o fogo de artilharia do ENV creditou ao inimigo cerca de 10.908 disparos de artilharia, morteiros e foguetes contra posições aliadas durante a batalha.

Ataques finais

Na noite da queda de Lang Vei, três Companhias do 101D Regimento do ENV, se moveram para atacar as posições de Alpha-1, um posto avançado fora da base Combate, defendido por 66 homens do 9º do Corpo de Fuzileiros Navais.

Sob a proteção de uma barragem de morteiros, os norte-vietnamitas penetraram no perímetro e empurrou os 30 defensores restantes para a porção sudoeste das defesas. Por alguma razão desconhecida, as tropas do ENV não pressionaram mais e usando a sua vantagem para eliminar essa posição. Uma força de socorro partiu da base principal e atacou os norte-vietnamitas, enquanto os empurrava para o fogo de apoio dos tanques e de artilharia.

Em 23 de fevereiro, a KSCB recebeu seu pior bombardeio da batalha inteira. Durante um período de oito horas a base foi abalada por 1.307 disparos de artilharia inimiga, a maioria dos quais oriundos de peças de 130mm (usadas pela primeira vez no campo de batalha) e peças de artilharia de 152 milímetros localizada no Laos. As vítimas do bombardeio foram dez mortos e 51 feridos.

Aviões C-130 realizaram uma dura tarefa em abastecer Khe Sanh

Dois dias depois, as primeiras trincheiras do ENV apareceram, correndo para norte, até 25 metros do perímetro da Base de Combate. Nesse mesmo dia, uma patrulha da Companhia Bravo do 1º Batalhão, 26º Marines sofreu uma emboscada por uma força do ENV de tamanho estimando de um batalhão. Os fuzileiros navais tiveram nove fuzileiros mortos, 25 feridos e 19 foram declarados desaparecidos e provavelmente mortos.

No final de fevereiro, a inteligência americana postulou que o 66º Regimento, da 304ª Divisão do ENV estava em processo de montar um ataque contra as posições do 37º ARVN Batalhão Ranger, no perímetro leste. Na noite de 28 de Fevereiro, a Base de Combate desencadeou ataques aéreos e de artilharia sobre as possíveis dos norte-vietnamita e suas vias de avanço.

Às 21:30, o ataque veio, mas foi sufocado pelas armas de pequeno calibre dos Rangers, que foram apoiados por milhares de disparos de artilharia e ataques aéreos. Dois novos ataques realizados mais tarde na parte da manhã foram interrompidos antes que os norte-vietnamitas, finalmente, se retirassem. Mas os ENV não deu descanso as tropas do ARVN. Cinco ataques foram realizados contra esse setor das defesas durante o mês de março.

Na metade de março, a inteligência dos Marines começou a notar um êxodo de unidades do ENV do setor de Khe Sanh. O QG divisional da 325C Divisão foi o primeiro a partir, seguido pelos 95C e 101D Regimentos todos se mudando para o oeste. Ao mesmo tempo, a 304ª Divisão se retirou para o sudoeste. Isso não significou, porém que a batalha terminou. No dia 22 de março mais de 1.000 disparos foram direcionadas contra a base americana, e, uma vez mais, o deposito de munições foi atingido.

No dia 30 de março, a Companhia Bravo, 26º Marines, lançou um ataque no local da emboscada que tinha ceifado a vida de muitas de seus companheiros no dia 25 de fevereiro. Seguindo por uma barragem rolante realizada por nove baterias de artilharia, o ataque dos fuzileiros navais avançou, mas os Marines não localizaram os restos dos homens da patrulha emboscada. Os Marines reivindicaram 115 inimigos mortos enquanto as suas próprias baixas chegaram a dez mortos, 100 feridos, e dois desaparecidos. Às 08:00h do dia seguinte, a Operação Escócia foi terminada oficialmente. O controle operacional da área de Khe Sanh foi entregada a 1ª Divisão de Cavalaria Aerotransportada do Exército dos EUA para a duração da Operação Pegasus.

O número de baixas da Operação Escócia que começou no dia 1º de novembro de 1967 foi: 205 mortos em ação, 1.668 feridos, e 25 desaparecidos, provavelmente mortos. Estes números não incluem as baixas entre tropas das Forças Especiais em Lang Vei, as tripulações aéreas mortas ou perdidas na área ou as substituições dos Marines mortos ou feridos enquanto chegavam ou eram retirados da base a bordo das aeronaves. Segundo dados foram contados 1.602 corpos de norte-vietnamitas, foram levados sete prisioneiros, e dois inimigo desertaram para o lado das forças aliadas durante a operação. Segundo a inteligência americana calculasse que entre 10.000 e 15.000 soldados do ENV foram mortos durante a operação.

Operação Pegasus

O planejamento de uma operação do levantamento do cerco de Khe Sanh tinha começado já em 25 de janeiro de 1968 quando Westmoreland ordenou ao General John J. Tolson, Comandante da 1ª Divisão de Cavalaria, para preparar um plano de contingência. A Rota 9, o único modo prático de se chegar por pelo leste, era intransitável devido a seu estado de conservação e a presença de tropas do ENV. Tolson não estava contente com a tarefa, desde que ele acreditava que o melhor curso de ação, pos-Tet, era usar a divisão dele em um ataque ao Vale A Shau. Porém, Westmoreland já estava planejando à frente. A base de Khe Sanh seria aliviado e então seria usada como o ponto salto para uma "perseguição" quente de forças inimigas em Laos.

No dia 2 de março, Tolson apresentou uma instrução específica e dispôs o conceito do que foi conhecido como a Operação Pegasus. O plano operacional era simples. O 2º Batalhão, do 1º Regimento dos Marines e o 2º Batalhão, do 3º Regimento dos Marines partiriam da Zona de Pouso Stud em Ca Lu (16 quilômetros para o leste de Khe Sanh) e desceria pela Rota 9 enquanto elementos da 1ª Divisão de Cavalaria tomariam por helicóptero pontos chaves na Rota 9 para cobrir o avanço dos fuzileiros navais. O avanço seria apoiado pelo fogo de 102 peças de artilharia. Os fuzileiros navais seriam acompanhadas pelo 11º Batalhão de Engenheiros que consertaria a estrada a medida que os americanos fossem avançando.. Depois, o 1º Batalhão, do 1º Regimento dos Marines e 3º ARVN da Força-Tarefa Aerotransportada (com os 3º, 6º, e 8º Batalhões Aerotransportados) se uniriam a operação.

Fuzil de Assalto M16A1 com carregador com 20 tiros - 5.56x45mm. Esse arma foi adotada pelas forças armadas dos EUA durante a Guerra do Vietnã

O esforço planejado de Westmoreland enfureceu os fuzileiros navais, pois no seu entender a base de Khe Sanh, que a principio o USMC nem queria manter, nunca esteve realmente isolada de suprimentos ou reforços. Indiferentemente, no dia 1º de abril, Operação Pegasus começou. A oposição inimiga foi leve e o problema primário que impediu o avanço foi cobertura pesada de nuvens de manhã que reduziu a velocidade das operações com helicópteros. Como a força socorro fez um bom progresso, os Marines em Khe Sanh se mudaram das suas posições e começaram a patrulhar a maiores distâncias da base. As coisas ficaram quentes para os cavalariano do ar no dia 6 de abril, quando a 3º Brigada encontrou tropas do ENV bloqueando o caminho e se levou u dia inteiro de engajamento.

Nó dia seguinte, a 2ª Brigada da 1ª de Cavalaria Aérea capturou o velho forte francês perto da aldeia de Khe Sanh depois de uma batalha de três dias. O ponto de ligação entre as tropas de socorro e os Marines em KSCB tomou lugar às 08:00h do dia 8 de abril, quando o 2º Batalhão, da 7ª de Cavalaria entrou no acampamento. O 11º de Engenheiros declarou a Rota 9 aberta ao tráfico no dia 11 de abril. Naquele dia, o General Tolson Geral ordenou a unidade dele para fazer preparações imediatamente para operações dentro do Vale A Shau. Às 08:00h do dia 15 de abril, a Operação Pegasus terminou oficialmente. As baixas americanas chegaram a 92 mortos em ação, 667 feridos, e cinco desaparecidos. Também morreram 33 soldados sul-vietnamitas e 187 foram feridos. As estimativas de baixas no ENVforam de 1.100 mortos e 13 capturados.

O Coronel Lownds e o 26º dos Marines partiram, deixando a defesa da base para o 1º Regimento dos Marines. Westmoreland continuou exigindo que a base fosse ocupada e manteve assim até que ele partiu do Vietnã no dia 11 de junho. Seu sucessor, General Creighton W. Abrams permitiu a passagem de uma semana antes que ele ordenasse o inicio da Operação Charlie, a destruição e evacuação da KSCB. Aquela tarefa foi completada no dia 6 de julho. O coronel Lownds fez o aparecimento final dele na história de Khe Sanh no dia 23 de maio, quando ele e seu sargento regimental receberam do Presidente Johnson a Citação de Unidade Presidencial em nome do 26º Regimento do USMC.

Uma vez foram anunciada a notícia do fechamento da KSCB, a mídia americana levantou imediatamente perguntas sobre o raciocínio por trás de seu abandono. Eles perguntaram o que tinha mudado em seis meses de forma que comandantes americanos estavam dispostos a abandonar Khe Sanh em julho. As explicações distribuídas pelo comando de Saigon eram as seguintes: "o inimigo tinha mudado as táticas dele e reduzido suas forças; o ENV tinha criado rotas de infiltração novas; Os Marines tinham agora bastante tropas e helicópteros para levar a cabo operações móveis; que uma base fixa não era mais necessária".

Neste ponto no conflito, porém, a demanda dos Marines por mais mobilidade era discutível. A retirada gradual das forças dos EUA iria começar durante o ano seguinte e a adoção de vietnamização significava que, a participação dos americanos no conflito seria cada vez menor a partir de 1969.

O Enigma de Khe Sanh

O interesse de Hanói por Khe Sanh é considerada com uma das perguntas sem resposta mais intrigantes da Guerra de Vietnã. Este problema é conhecido entre historiadores como o "enigma de Khe Sanh" e foi resumido por John Prados e Raio Stubbe: " Ou a ofensiva do Tet era uma diversão que pretendia facilitar as preparações inimigas para a grande batalhão de Khe Sanh, ou Khe Sanh era uma diversão para hipnotizar Westmoreland dias antes do Tet".

Se o ENV na verdade planejou uma tentativa genuína para tomar Khe Sanh e se a batalha era uma tentativa para reproduzir o triunfo Viet Minh contra os franceses durante a Batalha de Dien Bien Phu foi por muito tempo um ponto de discussão. Westmoreland acreditava que isto era verdade, mas que podia criar um situação de um "Dien Bien Phu ao contrário". Se Hanoi estivesse disposto a amontoar suas tropas dentro de uma área geográfica limitada, as fazendo vulnerável diante da potência de fogo americana, então tanto melhor, na opinião dele.

Os que concordam com a razão de Westmoreland de que não há nenhuma outra explicação sobre por que Hanoi teria comprometido tantas forças na área em vez de destiná-las para a Ofensiva de Tet. O fato de que o Vietnã do Norte só comprometeu a metade das suas forças disponíveis na ofensiva (60.000–70.000), a maioria das quais eram parte das forças Viet Cong, é citado em favor do argumento de Westmoreland. Outras teorias discutiram que as forças ao redor de Khe Sanh simplesmente eram uma medida defensiva localizada na área da DMZ, ou que elas estavam servindo como uma reserva no caso de uma corrida americana no modelo da invasão americana a Incheon durante o Conflito coreano.

O General Abrams também sugeriu que o inimigo tentou emular Dien Bien Phu. Ele acreditava que as ações do ENV durante o Tet provaram isto. Ele citou o fato de que teria levado muito mais tempo para desalojar os norte-vietnamitas de Huê se o ENV tivesse engajado as três divisões que estava destacadas para a área de Khe Sanh (embora o ENV só comprometeu três regimentos para lutar no setor de Khe Sanh), em vez de dividir as suas forças.

Outra interpretação era que os norte-vietnamitas estavam planejando trabalhar ambos os fins contra o meio. Esta estratégia veio ser conhecida como o Jogo de Opção. Se ENV pudesse tomar Khe Sanh, seria ótimo. Se eles não pudessem, eles ocupariam a atenção dos americanos do I Corpo o que facilitaria a Ofensiva de Tet. Esta visão foi apoiada pela captura de documentos inimigos. De acordo com eles, o ENV teria tomado Khe Sanh se eles pudessem, mas havia limites no preço que eles estavam dispostos a pagar. Os objetivos principais deles era matar tropas americanas e as isolar nas regiões remotas.

Outra teoria é que a ação ao redor de Khe Sanh (e as outras batalhas de fronteira) simplesmente era um finta, um ardil que pretendia focalizar a atenção americana (e suas forças) na fronteira. O General e historiador Dave Palmer aceita esta razão: "O General Giap nunca teve qualquer intenção de capturar Khe Sanh … [isto] era um finta, um esforço de diversionario. E ele tinha realizado magnificamente o seu propósito."

O General Rathvon M. Tompkins, Comandante da 3ª Divisão do USMC, mostrou que de fato era isso que o ENV pretendia, pois eles poderiam ter tomado Khe Sanh, se tropas norte-vietnamitas tivessem cortado a fonte exclusiva de água da Base de Combate, que estava a 500 metros fora do perímetro da base. Se eles contaminassem o fluxo simplesmente, o transporte aéreo nunca teria podido prover bastante água aos fuzileiros navais.

Dados da Batalha de Khe Sanh:

 

NORTE-AMERICANOS e SUL-VIETAMITAS:

Comandante no local: David E. Lownds
Comandante do Teatro de Operações: William C. Westmoreland

Força: 6.000 homens em um dado momento

Baixas dos EUA: 730 mortos em ação, 2.642 feridos, 7 desaparecidos

Baixas dos sul-vietamitas: 229 mortos em ação, 436 feridos
 

NORTE-VIETNAMITAS:

Comandante no local: Tran Quy Hai
Comandante do Teatro de Operações: Vo Nguyen Giap

Força: 20.000-30.000 homens em um dado momento

Baixas: Desconhecido, pelo menos 1.600 mortos de acordo com fontes dos EUA. Total de mortos estimado entre 10.000 e 15.000
 

 

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