Tupolev Tu-22M3


 

Um Tu-22M3 Backfire C, dispara um míssil Raduga Kh-22, mais conhecido no ocidente pela denominação dada pela OTAN “AS-4 Kitchen”. Este é um míssil antinavio extremamente potente cujo alcance pode chegar a 500 km dependendo da versão e condições do lançamento. Este míssil é guiado por INS e por radar ativo, na fase final do ataque, tem uma velocidade de 4300 km/h e sua pesada ogiva de 900 kg de carga moldada revela o principal alvo do Kh-22; os grandes porta-aviões da marinha dos Estados Unidos. Essa ogiva representa o dobro do tamanho de um míssil antinavio convencional. O fantástico Tupolev Tu-22M3 Backfire é um bombardeiro único em seu gênero devido a suas dimensões e desempenho diferenciados. Ele não é um bombardeiro estratégico, uma vez que seu raio de ação é de 2200 km e seu armamento, também não iguala o transportado pelos grandes bombardeiros estratégico como o Tu-95 Bear, porém, sua elevada velocidade que chega a 2327 km/h o coloca como o mais veloz bombardeiro dedicado do mundo. Devido a suas características diferenciadas, o Tu-22M3 pode ser classificado como um bombardeiro intermediário.

 

Dentre todos aviões de ataque em serviço na atualidade, o Tu22M3 é o que possui o melhor desempenho e capacidade de armas, e a partir de 2013 receberá uma reforma para que permaneçam em serviço até 2030, quando está prevista a entrada em serviço do PAK-DA, o futuro bombardeiro da VVS.

O Tu-22M surgiu no final dos anos 60, como um substituto para o bombardeiro estratégico supersônico Tu-22. Apesar de ambos possuírem uma designação similar, o Tu-22M é uma aeronave totalmente diferente do antigo Tu-22.

Os modelos Tu-22M0 e Tu-22M1 foram protótipos diferentes do primeiro modelo a entrar em serviço, o Tu22M2, que possuía uma sonda de reabastecimento fixa no nariz e transportava bombas de queda livre (convencionais e nucleares) e seu principal armamento, os mísseis cruzadores supersônicos Kh-22 Burya. O Tu-22M3 não possui sonda de reabastecimento para ser considerado como um avião de ataque e não um 'bombardeiro estratégico', assim ele não entra nas limitações impostas pelo NEW START de 2010.

 

O Tu-22 também é conhecido como “assassino de porta-aviões”, já que pode levar mísseis KH-15 (código OTAN Kickback), que podem atingir grandes alturas e destruir alvos navais e terrestres a uma velocidade de Mach 5. Esses mísseis estão entre os mais rápidos armamentos antinavais do mundo. Assim, um ataque de seis Tu-22 permite lançar 24 mísseis KH-15, que podem ultrapassar os sistemas de defesa antiaérea dos porta-aviões. Os Tu-22 aparecem no filme A Soma de Todos os Medos (The Sum of all Fears, Phil Alden Robinson, 2002). Em uma cena do filme, os pilotos russos realizam um ataque coordenado contra um grupo de batalha da OTAN composto por dois porta-aviões norte-americanos (USS Saratoga e USS Nimitz) e o francês Foch. Os Tu-22 conseguem penetrar a defesa e destroem os três porta-aviões.

 

Armamento

O míssil Raduga Kh-22 Burya, que entrou em serviço em 1962 (antes do Tu-22M) foi produzido até 2007, quando o ministério da defesa da Rússia decidiu-se por iniciar a produção da família Onix/Yakhont/Brahmos, menores e de menor desempenho, mas muito mais econômicos.

 



O Kh-22 possui um propulsor de combustível líquido, que aceleram o míssil de 11,65m a uma velocidade de mach 4.6, jamais atingida por qualquer outro míssil de mesmo tamanho. A carga bélica do míssil consiste em uma ogiva convencional de 1000 kg ou nuclear, de 350 kt ou 1 mt, dependendo da missão.

O Burya mesmo pesando 5820 kg consegue atingir alvos até 600 km de distância, que é mais que o dobro de qualquer míssil antinavio ocidental lançado por aeronaves, e é o mais veloz dentre todas as armas ar-superfície da atualidade.

Devido ao tamanho avantajado, o Kh-22 não cabe na baia de mísseis do Tu-22M3, assim ele tem que ser transportado externamente, em cabides externos nas asas, ou em alguns modelos como o da foto acima, para carregar o 3º míssil, é necessária a retirada da baia de armas e em seu lugar, e instalado o Kh-22, semi embutido na fuselagem.

O Tu-22M3 já foi equipado com os mísseis hipersônicos ar-terra Kh-15, com velocidades de mach 5 e alcance de 300 km. 

 

 Mísseis hipersônicos ar-terra Kh-15
 

Mais recentemente também foram instalados os Kh-55 de cruzeiro subsônico, com alcance de 2500 km. Ambos o Kh-15 e o Kh-55 são armas de ataque ao solo, que visam além de instalações militares, em caso de guerra, podem também serem utilizados para a destruição de edifícios importantes e até cidades, se equipados com ogivas nucleares.

Assim após o tratado de redução e limitação de armas estratégicas NEW START de 2010, ambos não foram implantados nos Tu-22M3 em serviço, para que tal avião não se enquadrasse nas limitações impostas pelo tratado, porém nada impede que em caso de necessidade, o carregador rotativo do tipo 'revólver' típico dos bombardeiros estratégicos, seja novamente instalado nos aviões em serviço.

Tanto o carregador 'revólver' com capacidade para 6 mísseis como sua baía de transporte, aparentemente são do mesmo tipo (MKU 6-1) implantado nos dois bombardeiros estratégicos que a Rússia utiliza atualmente, o Tu-95MS e o Tu-160.

É provável também que o Tu-22M3 possa transportar o míssil tático Kh-65SE, com ogiva convencional de 410kg e alcance de 600km, porém nunca vi imagens do mesmo sendo transportado pelo Tu-22M3. A arma foi concebida em 2001 como uma forma de 'burlar' os tratados de limitação de armas estratégicas e ainda é controversa sua utilização.

Contudo o Tu-22M3 utiliza um ou dois mísseis Kh-22 Burya sobre os cabides das asas.

Curiosamente em suas missões de combate real, contra a Chechenia, o Tu-22M3 foi utilizado pela VVS como os EUA utilizam o B-52 Stratofortress, como bombardeiro convencional para bombas de queda livre.

 


 

Devida a sua capacidade de carga de 24.000 kg, o Tu-22M3 pode transportar qualquer bomba de fabricação russa ou soviética de queda livre. As bombas maiores, com alto arrasto aerodinâmico normalmente são transportadas internamente na baia, e as menores em cabides externos, que podem ser montados nas asas e em sua fuselagem.

Sistemas de defesa

Assim como todos aviões russos, o Tu-22M3 possui o típico lançador de chamas para despistar mísseis infravermelhos que são detectados pelo avião com um sistema interessante porém não descrito em nada que encontrei até agora na net:

 



Esse estranho dispositivo é montado no Tu-22M3 e no Tu-95MS.
 

Na torreta traseira o avião possui um canhão Gsh-23 com dois canos de 23 mm, acionados remotamente, que asseguram lhe proteção traseira contra aeronaves próximas ou mísseis IR que costumam perseguir o avião em velocidades não muito elevadas. Não sei ao certo o alcance efetivo do Gsh-23, se encontrar algo mudo o post, porém creio que deva ter um alcance efetivo médio similar ao Vulcan M-61 norte americano, que é de 2000 a 3000 metros. A taxa de fogo do Gsh é de cerda de 3.500 tiros por minuto.

 



 

Motores

O Tu-22M3 é equipado com dois turbofans Kuznetosv NK-25 de 24.000 kgf de potência cada em pós combustão máxima, tal motor tem cerca de 77% a mais de potência que seu similar norte americano GE-101 que equipa o B-1B Lancer.

 


 

O NK-25 leva o Tu-22M3 a uma velocidade máxima de mach 2,05, que chega a ser superior aos F/A-18C/D e aos F/A-18E/F da USN, que são caças e os potenciais adversários do Tu-22M3 em caso de guerra, já que o Tu-22M3 tem como alvo principal as forças tarefa norte americanas baseadas em porta aviões.

Desvantagens
O NK-25 tem a grande desvantagem de sua absurda assinatura ao radar, quando utilizado em pós combustão máxima, a chama produzida pelo motor é sem dúvidas absurda se comparado a qualquer outra aeronave, exceto o Tu-160 que utiliza motores NK-321 mais possantes ainda.

 



 

Seu enorme tamanho também é um grande problema, pois com 42 metros de comprimento e 23,30 m de envergadura mínima (a 65°), o Tu-22M3 tem quase o mesmo volume de um B-1B Lancer e é cerca de 3 vezes maior que um avião de ataque, como o F-15E Strike Eagle ou um Sukhoi Su-30 como pode ser visto na foto acima (ao lado de dois Su-27).

Tal problema foi a causa do único deles abatido em combate, durante a Guerra da Geórgia em 2008, quando um Tu-22MR (versão de reconhecimento) foi abatido pelo sistema soviético BUK-M1 usado pelas forças terrestres georgianas.


Usuários

Ao todo foram construídos 497 Tu-22M, incluindo os modelos já retirados Tu-22M, M1 e M2, além da variante de reconhecimento eletrônico (ELINT) Tu-22MR.

 



Ao total, 12 MR foram construídos e um deles foi abatido. A Rússia ainda mantém 90 Tu-22M3 na reserva, cerca de 93 na VVS (Força Aérea) e 58 na AVMF (Aviação Naval). 

Com o colapso da URSS no início dos anos 90, alguns Tu-22M3 ficaram na Ucrânia, que posteriormente em uma negociação com a Rússia e os EUA, eliminou quase todos seus Tu-22M3.

A Ucrânia ainda mantém um Tu-22M3 em condições de vôo, porém o mesmo não está ativo em serviço na força aérea. A Marinha Indiana também utilizou durante algum tempo três Tu-22M3 alugados pela Rússia, porém atualmente já não possuem mais essa aeronave.

A China quer adquirir o avião a qualquer custo, já que essa tecnologia aliada a tamanha confiabilidade é inexistente em qualquer outra aeronave de porte similar jamais construída, dos 497 somente um caiu em 2004.

Porém a negociação Rússia/China sobre o assunto está sendo empurrada com a barriga, pois a China deseja comprar não só os 35 Tu-22M3 encomendados, mas também sua linha de produção, encerrada pela Rússia em 1997. Recentemente foi divulgado que a Rússia passaria a linha de produção à China, mas não se passa de negociações, pois no Governo Russo muitos são contra essa transferência de tecnologia.

Obsolência

Muitos dos 150 aviões ativos na Rússia estão claramente desgastados, já que os modelos em uso podem ter até mais de 20 anos de serviço. 

Como sua produção foi encerrada a 16 anos, os Tu-22M3 remanescentes recebem peças canibalizadas dos M3 que já foram retirados do serviço, e que permanecem apodrecendo ao tempo nas bases russas. Mais de 200 Tu-22M apodrecem pela Rússia nos dias de hoje.

Modernização

O cockpit é típico de um avião soviético, com pouca aparelhagem eletrônica, mesmo assim, o avião voa muito bem.

 

Tu-22M3 cena do cockpit aberto, tripulantes têm assento ejetável.

Até simuladores modernos e computadorizados foram recentemente desenvolvidos para os pilotos desse avião, que ficará em serviço até 2030 com as modernizações previstas para o novo padrão M3M.

Como o Tu-22M3 foi construído em grande escala, diferentemente dos dois outros grandes supersônicos da atualidade (B-1B e Tu-160), ele possui seu próprio treinador, o Tu-134LL, que convertido a partir do Tu-134 comercial, recebeu todos aviônicos do Tu-22M3 para treinar pilotos em vôo.

Presente e Futuro

 

Em julho de 2015, o Ministério da Defesa russo anunciou a criação de um esquadrão de bombardeiros Tu-22M3 na Crimeia como "uma das medidas de resposta à construção de uma base de defesa antiaérea na Romênia". A medida reduz significativamente a capacidade do escudo de mísseis no sul da Europa.

 

As Forças Aeroespaciais da Rússia utilizaram os Tu-22M3 diversas vezes durante a operação militar na Síria. Em 12 de julho de 2016, seis bombardeiros Tu-22M3 atacaram posições Estado Islâmico em uma zona a leste de Palmira e destruíram três armazéns com armamentos e munições, 15 veículos blindados e um dos principais campos de treinamento dos terroristas.

Apesar de grande e facilmente visível aos radares inimigos, o desempenho do Tu-22M3 aliada a sua confiabilidade é de longe superior a qualquer outra aeronave de ataque existente, assim em um programa que teve início recentemente, a Rússia pretende atualizar 30 Tu-22M3 para o padrão M3M (acima), que além de atualizar seus aviônicos, prevê a instalação de novas armas guiadas e novos sistemas de defesa, que visam torná-lo menos vulnerável em combate.

Como considerações gerais, o Tu-22M3 é um potencial adversário as forças tarefa da USN, portanto mesmo com a produção e implantação do novo Sukhoi Su-34 de ataque ao solo, menor e mais econômico, o Tu-22M3 ainda é insuperável, e permanecerão em serviço até a entrada do futuro bombardeiro stealth russo, o PAK-DA, previsto para o ano de 2030. Enfim temos de concordar que o Tu-22M3 ainda é (e será por muitos anos) uma pedra no sapato do ocidente... Para muitos é uma verdade dura de ser engolida

 

 

Descrição
Tipo / Missão Bombardeiro estratégico
País de origem  União Soviética/ Rússia
Fabricante Tupolev
Período de produção 1967-1997
Quantidade produzida 497 unidade(s)
Desenvolvido de Tupolev Tu-22
Primeiro voo em 30 de setembro de 1969 (47 anos)
Tripulação 4
Especificações
Dimensões
Comprimento 42,4 m (139 ft)
Peso(s)
Peso vazio 58 000 kg (128 000 lb)
Peso carregado 112 000 kg (247 000 lb)
Peso máx. de decolagem 124 000 kg (273 000 lb)
Propulsão
Motor(es) 2 x turbofans Kuznetsov NK-25
Força de empuxo (por motor) 247,9 kgf (2 430 N)
Performance
Velocidade máxima 2 303 km/h (1 240 kn)
Velocidade máx. em Mach 1.88 Ma
Alcance bélico 2 410 km (1 500 mi)
Alcance (MTOW) 6 800 km (4 230 mi)
Teto máximo 13 300 m (43 600 ft)
Armamentos
Metralhadoras / Canhões 2x Canhão GSh-23 de 23mm montado em tail turret
Mísseis Capacidade de carregar 3x mísseis Kh-22 ou 6x Kh-15
Bombas Capacidade de carregar até 24000 kg

 

 

 

 

 

 

1. ar eletrônica de rádio baía
2. cabine
3.R-832M antena de rádio FM tipo
4. Piloto e astronautas cabine radar inércia
5.LAS-5M tipo de cobertura inflável bote salva-vidas
6.NK-25 Turbine jacto ajustável de admissão do motor
7. a tampa de entrada de ar auxiliar
8. grande dorsal
9.TA-6 tipo de unidade de alimentação auxiliar de porta de admissão
10. a entrada de ar de refrigeração do gerador
11 do estabilizador vertical
12.RSBN-20 a antena sistema de navegação rádio de curto alcance
13. o sistema de antena de piloto
14. lemes
15.TP-1 guiado por TV sonda
16. guerra eletrônica antena de rádio
17. "neon" Fire Control retrovisor radome
18,23 milímetros de cano duplo arma YK-9a- 802 pistola carruagem universal
19. O queimador posterior arrefecimento de ventilação
20. As abas
21 aileron
22. luzes de navegação
23. A frente de ripas
24. O diferencial de tudo-em movimento da cauda horizontal
25. A placa de redução de velocidade de destino
26. As lâminas em alheta
27. asa
28. superfície ar ligada Kh-22M míssil BD-45K cremalheira cantilever
29,6 MLG míssil 30.Kh-22M com abas 31 numa distância de
32 bomba baía escotilha

 

Fontes:

http://tecnologiamilitareaeronautica.blogspot.com.br/2013/02/tupolev-tu-22m3-o-mais-poderoso-aviao.html?m=1

Wikipedia

https://gazetarussa.com.br/defesa/2016/07/26/dez-fatos-sobre-o-tu-22-o-assassino-de-porta-avioes_615233

 

 


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