Kursk - União Soviética - 1943


A Batalha de Kursk, mudou os rumos da guerra na frente leste. Em 1943 os ventos da Segunda Guerra Mundial começaram a mudar para as forças do Eixo, e mudar para pior. Depois de um período glorioso de fantásticas vitórias nos desertos do Norte da África, a aventura de Erwin Rommel e seus homens do lendário Afrika Korps tinha chegado ao fim no pedregoso solo da Tunísia. Para a Alemanha nazista a luta na África foi muito dispendiosa. Era claro o crescente domínio aliado no Mediterrâneo.

Para piorar as coisas os nazistas sofreram a humilhante derrota em Stalingrado onde o 6º Exército da Wehrmacht foi perdido,cerca de 500.000 alemães e aliados. A derrota foi tamanha que o seu comandante o General Von Paulus foi capturado. Ele tinha sido promovido a “Marechal de Campo” por Hitler, quando a luta já caminhava para o seu desfecho final. Com a derrota dos alemães em Stalingrado, caiu por terra o mito da invencibilidade dos alemães e de sua famosa Blitzkrieg, que assustou o mundo inteiro de 1939. A partir deste momento a iniciativa passou para o Exército Vermelho, que nunca mais recuou e forçou os nazistas a adotarem uma posição defensiva e em permanente retirada até os portões de Berlim.

Cena dos grandes combates da Batalha de Kursk

Ao mesmo tempo, diante de uma forte pressão de Stalin, EUA e Grã-Bretanha decidiram apoiar mais firmemente a União Soviética. Na Conferência de Casablanca, os Aliados decidiram que todos os seus esforços militares,  teriam como objetivo principal a “rendição incondicional” da Alemanha nazista. Um dos pontos adotados nesse sentido foi o fortalecimento da campanha de bombardeiro contra as grandes cidades alemães e os complexos industriais inimigos. E é claro a firme decisão de se abrir uma segunda frente no front ocidental.

Porém a alegria soviética sofreu um duro golpe quando em fevereiro-março de 1943 o general Erich von Manstein conseguiu recuperar a cidade de Kharkov e estabilizar o front oriental, estendendo uma linha de frente de Leningrado, no norte, até Rostov, no sul.

Para uma máquina baseada na mobilidade de suas forças blindadas e motorizadas, o verão era a melhor estação do ano para a execução da tática da Blitzkrieg nas sua ações na Rússia, quando o clima continental russo estivesse secado suficientemente o solo para dar aos blindados uma maior mobilidade. Uma característica da frente Leste nos anos de 1941 e 1942 foi uma série de avanços alemães durante o Verão, seguidos de contra-ataques soviéticos no Inverno. Desta forma, para não fugir a regra em pleno verão de 1943, com a terra seca e o bom tempo, os alemães esperavam retomar a iniciativa da guerra.

O ataque ao norte seria desfechado pelo 9º Exército, do General Walther Model, parte do Grupo-de-Exércitos Centro. Ele contava com 6 Divisões Panzer, 1 Panzergrenadier e 15 de infantaria, além de um regimento com 90 dos novos canhões autopropulsados “Ferdinand” (656º), um batalhão de “Tigres”  (505º) e um batalhão do novo canhão de assalto “Brummbär” (216º). Ao todo, ele contava com 1.079 blindados de todos os tipos (excluindo transportes e carros blindados). O 9º Exército tinha ainda 3 companhias de veículos de demolição Borgward B.IV e 2 de “Goliaths” (usados para abrir passagem nos campos minados).

Encarregado do ataque ao ombro meridional do bolsão, o Grupo-de-Exércitos Sul, do Marechal Manstein, empregaria o 4º Exército Panzer do General Hermann Hoth e o “Destacamento Kempf”, do General Werner Kempf. Essas forças englobavam 5 Divisões Panzer, 4 Panzergrenadier e 11 de infantaria, além de uma brigada com 200 dos novos tanques “Pantera” (10ª), um batalhão de “Tigres” (503º) e um batalhão de destruidores de tanques “Hornisse” (560º), totalizando 1.581 tanques e canhões de assalto (incluindo 30 tanques lança-chamas Panzer III “Flammpanzer”). Sobre as divisões Panzergrenadier é bom destaca que elas eram as 1ª, 2ª e 3ª Divisões das SS (respectivamente, Liebstarndart Adolf Hitler - LAH, Das Reich e Totenkopf) e a Grossdeutschland, do Exército, todas de elite e contando com mais tanques que as divisões Panzer convencionais, incluindo uma companhia de “Tigres". As unidades SS eram conhecidas por sua ferocidade nos combates e também por sua total devoção ao nazismo e desprezo pelo inimigo.

Panzergranadiers da SS Panzer Division "Leibstandarte Adolf Hitler" LAH em combate em 1943 em Kursk, usam uma MG 42 contra os russos. Ao seu lado um tanque T-34 soviético abatido.

O poderio das divisões blindadas alemãs então variava muito. Enquanto a 18ª Divisão Panzer somava míseros 75 tanques (dos quais 43 obsoletos), a 3ª Panzergrenadier SS Totenkopfcontava com 183 máquinas, incluindo uma companhia  com 15 “Tigres".  Ao todo, seriam 900.000 homens, 2.700 tanques (entre esses 200 dos novos tanques Panther, 90 destruidores de tanques Elefant e vários T-34/76 capturados) e canhões de assalto (63% de todos os blindados alemães no front russo) e 10.000 canhões. A Luftwaffe tinha então cerca de 1.830 aparelhos em operação na área (inclusive todos as aeronaves de ataque ao solo Henschel Hs 129 que estavam disponíveis), divididos entre a Fliegerdivision 1, ao norte, e a Luftflotte IV, ao sul. 

Por outro lado, o Exército Vermelho não estava totalmente despreparado, já que dois anos de luta haviam forjado uma força militar que a cada dia dava demonstrações de aprender com seus erros e se mostrar tão implacável e eficiente quanto o seu inimigo. Os oficiais soviéticos passaram a demonstrar maior capacidade na condução de suas tropas e novas e melhores armas começaram a surgir no front, algumas enviadas pelos Aliados, e outras desenvolvidas pelos próprios soviéticos, como o surpreendente tanque T-34. Este era um tanque ligeiro, de sólida fuselagem e munido de um potente canhão, que o tornava muito difícil de vencer num embate direto e, por isso, era uma arma temível e para horror dos alemães estava sendo produzido em massa. Os soviéticos prepararam extensas defesas e aguardavam o esperado golpe nazista.

A ofensiva alemã
Von Manstein pressionou para uma nova ofensiva baseada na mesma linha bem sucedida que tinha acabado de perseguir em Kharkov, quando cortou fora uma ofensiva soviética demasiado estendida. Sugeriu enganar os soviéticos em um ataque no sul de encontro ao 6º Exército da Wehrmacht, que estava sendo reformado, conduzindo-os à Ucrânia ocidental. Ele poderia então retornar ao sul de Kharkov, enquanto ele abortava uma muito expandida ofensiva soviética.

O Oberkommando der Wehrmacht (OKW) não aprovou os planos de Von Manstein e, em vez disso, virou sua atenção para o inchaço óbvio nas linhas entre Orel e Kharkov. Três exércitos alemães inteiros ocuparam o campo dentro e ao redor da saliência e espremeram quase um quinto da força do Exército Vermelho. Também resultaria em uma linha muito mais reta e curta, e na a captura da estrategicamente útil cidade de Kursk localizada na principal linha ferroviária norte-sul de Rostov à Moscou.

Em março, os planos se cristalizaram, o 9º Exército de Walter Model atacaria partindo de Orel em direção ao sul, enquanto o 4º Exército Panzer de Hermann Hoth e o Army Detachment Kempf sob o comando geral de von Manstein, atacaria partindo de Kharkov em direção ao norte. Eles planejavam se encontrar perto de Kursk, mas se a ofensiva fosse boa eles teriam permissão para continuar em frente por sua própria iniciativa, com um plano geral para criar uma nova linha no Rio Don longe ao leste.

Contrário ao seu comportamento recente, Hitler deu à Coordenação Geral controle considerável sobre os planos de batalha. Nas semanas seguintes, eles continuaram a aumentar o escopo das forças anexas ao fronte, reduzindo a linha alemã inteira a algo praticamente nada útil para posicionamento na batalha emergente. Primeiro eles armaram o ataque para 4 de maio de 1943, mas eles o atrasaram até 12 de junho e finalmente até 4 de julho para dar mais tempo para que novas armas chegassem da Alemanha, especialmente o novo tanque médio Panther. Também iria estrear nos campos de batalha um modelo do blindado super-pesado conhecido por “Elephant”.

O Panther, embora depois tenha se mostrado um dos melhores blindados à disposição dos alemães, teve uma performance medíocre em Kursk. “Ele explode com muita facilidade”, criticou o general Guderian. O Elephant não se saiu melhor. Este foi um exemplo de diversos erros de cálculo cometidos pelos alemães responsáveis pela produção de armamento pesado: era dotado de um potente canhão a que nenhuma fuselagem conhecida conseguia resistir, mas era extremamente lento e difícil de manusear, o que o tornava facilmente subjugável quer por veículos mais ligeiros, quer pela própria infantaria.

 

 

Pioneiro SS da 2ª Divisão Panzer SS Das Reich, na Frente Oriental em 1943. ele está armado com um fuzil padrão Karabiner 98K, granada M1939 de fumaça e carrega uma mina "Teller Mine" 35. As unidades de combate Waffen-SS experimentaram vários padrões, incluindo o platanenmuster ("padrão de palma") de quatro cores criado em 1938 (usada nesta ilustração), sumpfmuster ("padrão de paul"), erbsenmuster ("padrão de ervilha"), e também o telo mimético usando tecido capturado das tropas italianas desarmadas em 1943 - as divisões 1.SS-Panzer-Division Leibstandarte SS Adolph Hitler e 12.SS-Panzer-Division Hitler Jugend que participaram do desarmamento dos italianos freqüentemente usaram este padrão.

Alguém poderia intuitivamente contrastar este plano como a tática tradicional (e vitoriosa) Blitzkrieg, usada até este ponto. A famosa Blitzkrieg dependia de juntar todas as tropas disponíveis em um ponto único na linha inimiga, atravessando e depois avançando tão rápido quanto possível para cortar os suprimentos e informações das tropas inimigas na linha de frente. Essa tática buscava evitar o combate direto a todo o custo: atacar um ponto forte fazia sentido, se o invasor pudesse atingir os mesmos fins, e ao invés disso atacasse os caminhões de suprimento que abasteciam o ponto forte. E a Blitzkrieg funcionava melhor atacando a localização menos esperada – uma vez que os alemães haviam atacado através da Ardenas em 1940 e em direção a Estalingrado em 1942.

A concepção do OKW para o ataque na saliência de Kursk, batizado de Operação Cidadela formou a antítese para este conceito. Qualquer pessoa com um mapa podia predizer o ponto óbvio de ataque: o plano alemão refletia o pensamento da Primeira Guerra Mundial mais que o da Blitzkrieg. Vários comandantes alemães questionaram a idéia, notadamente Heinz Guderian que perguntou à Hitler: "É realmente necessário atacar Kursk, e até mesmo no leste [naquele ano] por algum motivo? O senhor acha que alguém pelo menos sabe onde fica Kursk?". Talvez, o mais surpreendente é que Hitler respondeu: "Eu sei. A idéia de fazê-lo me revira o estômago." A Operação Cidadela incorporava um plano nada inspirador.

Os planos soviéticos
Do outro lado da linha o Exército Vermelho também tinha começado a planejar sua própria ofensiva emergente de verão e havia feito um plano que se espelhava no dos alemães. O atraso alemão em lançar sua ofensiva deu aos soviéticos quatro meses para se prepararem e a cada dia que passava eles tornavam a saliência em um dos pontos da terra mais pesadamente defendidos. Poucas vezes na história das guerras, um exército teve tanta antecipação dos planos inimigos e se preparou tanto e tão detalhadamente quanto o soviético para a Batalha de Kursk.

O Exército Vermelho plantou mais de 400.000 minas terrestres e cavou cerca de 5.000 quilômetros de trincheiras, que foram construídas por 300.000 civis convocados.  Para conter o ataque alemão, foram criadas três frentes soviéticas. E cada exército tinha três zonas defensivas – a principal, a segunda e a retaguarda. Entre elas, havia ainda zonas defensivas intermediárias extras. Atrás dessas linhas, existiam duas ou três zonas de defesa gerais. As frentes, com fossos antitanque, minas, casamatas e canhões antitanque enterrados, se aprofundavam em linhas sucessivas por até 176 km.

Dentro do bolsão, o flanco norte era responsabilidade da Frente Central, do General K. R. Rokossovsky, que contava com cinco exércitos de fuzileiros (13º, 48º, 60º, 65º e 70º), um de tanques (2º) e um aéreo (16º), além de dois corpos de tanques. A Frente Central contava com 1.647 veículos blindados de combate de todos os tipos,
dos quais 1.155 eram tanques médios e pesados. A aviação contava com 455 caças, 241 aviões de ataque ao solo e 260 bombardeiros diurnos. O flanco sul era defendido pela Frente de Voronezh, do General Nikolai Vatutin, também composto por cinco exércitos de fuzileiros (38º, 40º, 69º, 6º de Guardas e 7º de Guardas), um de tanques (1º) e um aéreo (2º), além de dois corpos de tanques de guardas, totalizando 1.843 blindados de todos os tipos, dos quais 1.621 eram tanques médios e pesados. A sua aviação contava com 389 caças, 276 aviões de ataque ao solo e 172 bombardeiros diurnos. Além disso, as duas frentes teriam o apoio do 17º Exército Aéreo da Frente Sudoeste e da Força Aérea Estratégica.

Atrás dessa formidável defesa, estavam as forças da Frente da Estepe, do Coronel-General Ivan S. Konev, destinadas a contra-atacar qualquer penetração que os alemães conseguissem ou lançar uma ofensiva própria, conforme as circunstâncias. Era composta por cinco Exércitos de fuzileiros (27º, 47º, 53º, 4º de Guardas e 5º de Guardas), um de tanques (5º de Guardas) e um aéreo (5º), além de um corpo de cavalaria. A Frente da Estepe tinha ao todo 1.701 veículos blindados, dos quais 1.380 eram tanques médios e pesados.

Toda a batalha estaria sob o controle direto do Marechal Georgi K. Zhukov, provavelmente o militar de folha de serviços mais brilhante da 2ª Guerra Mundial, sem ter uma única derrota em seu rol a partir da batalha de Khalkin-Gol, contra os japoneses, em 1939. Ao todo, estariam diante dos alemães, somente dentro do bolsão de Kursk, cerca de 1.340.000 homens, 3.300 tanques e canhões de assalto, 2.650 aviões, 13.000 canhões de campanha e morteiros, 6.000 canhões anti-tanque e 920 lançadores de foguetes (o famoso “Katyusha”)

Ataques em frente de Orel e Kharkov forçariam a linha e potencialmente levariam a uma ruptura perto do Rio Pripyat. No entanto, os comandos soviéticos tinham preocupações consideráveis sobre os planos alemães. Todos os ataques alemães anteriores deixaram os soviéticos adivinhando de onde viriam e neste caso Kursk parecia muito óbvia para que os alemães a atacasse. Entretanto, Moscou recebeu avisos sobre os planos alemães através de uma rede de espionagem na Suíça.

Stalin queria atacar primeiro. Apesar da maioria esmagadora da Stavka (Comando Geral Soviético), e notavelmente Gueorgui Jukov, aconselhar para que se esperasse para que os alemães se exaurissem em seu primeiro ataque, a opinião de Jukov não prevaleceu, e a de Stalin sim, é claro. Os alemães tinham boas informações sobre os preparativos da defensiva soviética. Porque eles então não mudaram seu alvo, continua sendo um mistério.

As Principais Armas

Os alemães depositaram grandes esperanças em suas novas máquinas. A principal delas, sem dúvida, era o Panzer VI Ausf.E “Tigre”, o tanque pesado que havia sido peça fundamental no contra-ataque de Manstein poucos meses antes. O “Tigre” I que participou da batalha de Kursk pesava 56 toneladas, tinha blindagem de até 100 mm e era armado com o canhão KwK 36 L/56 de 88 mm, além de duas metralhadoras de 7,92 mm.

O Panzer V Ausf.D “Pantera” chegou a Kursk mais como uma promessa do que como uma ameaça real, pois ele ainda sofria de sérios problemas mecânicos. Ele equipou um batalhão da Grossdeutschlande a 10ª Brigada Panzer (a 2ª Divisão SS Das Reichtambém recebeu algumas unidades dele). Era armado com um canhão KwK 42 L/70 de 75 mm e 2 metralhadoras de 7,92 mm. Seu peso era de 45,5 toneladas e sua blindagem máxima era de 100 mm.

O cavalo-de-batalha da arma blindada alemã, porém, continuava sendo o Panzer IV, então nos modelos G e H. Este era armado com um canhão KwK 40 L/48 de 75 mm e 3 metralhadoras de 7,92 mm. Pesava 23,5 toneladas e sua blindagem máxima era de 80 mm, além de placas verticais de 5 mm fixadas nas laterais do chassi e da torre, para evitar armas anti-tanques de carga oca.


Panzer IV Ausf. G da 2ª Panzerdivision, também chamada Divisão Viena (Guderian era seu comandante), em Kursk - 1943

Apesar de obsoleto, mais de 460 Panzer III ainda estavam em serviço como tanques de 1ª linha, nas versões J, L e M, armados com o canhão de 50 mm longo. De fato, a batalha de Kursk marcou o último emprego do Panzer III como tanque de batalha, sendo relegado depois apenas para a função de apoio, tendo uma versão, a N, especialmente produzida para essa função. Era armado com um canhão KwK 39 L/60 de 50 mm e 3 metralhadoras de 7,92 mm. Pesava 22,3 toneladas e sua blindagem máxima era de 50 mm, tendo recebido também placas verticais extras de 5 mm no chassi e na torre. A sua versão de lançachamas (Flammpanzer) também participou da batalha.
 
O canhão autopropulsado “Ferdinand”, baseado no protótipo recusado da Porsche para o “Tigre”, pesava 65 toneladas e sua blindagem chegava a 200 mm. Era armado com o devastador canhão Pak 43/2 L/71 de 88 mm, que podia penetrar 226 mm de blindagem a 30º à distância de 450 metros. Porém, ele não tinha armamento secundário, o que fazia dele uma presa apetitosa para os grupos de destruidores de tanques soviéticos.

Sd.Kfz. 184 Ferdinand 

O Sturmpanzer “Brummbär” era um canhão de assalto pesadamente blindado destinado à destruição de fortificações. Era armado com um obuseiro StuH 43 L/12 de 150 mm, pesava 28,2 toneladas e sua blindagem chegava a 100 mm.

Também participaram da batalha de Kursk os canhões autopropulsados de campanha “Wespe” e “Hummel”, presentes em bons números pela primeira vez, o estreante caça-tanques “Hornisse”, ao lado de modelos mais antigos como o Marder II, e o canhão de assalto StuG III. Os aviões alemães ainda eram os mesmos tipos que participaram da “Barbarossa” dois anos antes, embora em modelos mais recentes. Os caças alemães eram principalmente o Fw 190A-5 e o Me 109G-6 “Gustav”. Entre os aviões de ataque ao solo, enquanto o novo Henschel Hs 129B, avião anti-tanque, fazia a sua estréia em bons números, o veterano Ju 87 Stuka (nas versões D e G) fazia a sua despedida da função de bombardeiro de mergulho, pois ele só podia sobreviver onde a Luftwaffe tinha a supremacia aérea, o que já estava se tornando coisa do passado. Os bombardeiros de nível ainda eram o He 111 e o Ju 88, nas versões H-16 e A-4, respectivamente.
 
Do lado soviético, o T-34 foi o tanque onipresente em toda a batalha. Em Kursk, o Modelo 1942, de torre hexagonal soldada, já se fazia presente em grandes números. Ele pesava 27,8 T e era armado com 1 canhão F-34 Modelo 1940 de 76,2 mm e 2 metralhadoras de 7,62 mm. Sua blindagem máxima, na torre, era de 65 mm. O modelo 1943 também foi usado nessa batalha.

T-34/76 modelo 1943 com a sua torre modificada, o que lhe deu a oportunidade de colocar uma torre de rádio e aumentar a quantidade de munição transportada. Participou na Batalha de Kursk. Note as rodas com banda de rodagem de borracha.

Apesar de menos numeroso (cerca de 200 unidades em Kursk), o KV-1 ainda estava em serviço em meados de 1943, embora já estivessem em vias de produção o KV-85 (um KV com uma nova torre e um canhão de 85 mm) e seu sucessor definitivo, o JS. Ele pesava 42,5 toneladas, tinha blindagem máxima de 82 mm e era armado com 1 canhão F-34 Modelo 1940 de 76,2 mm e 3 metralhadoras de 7,62 mm.

Os soviéticos depositaram uma grande parcela da tarefa de deter os alemães às suas armas antitanque. Embora fossem utilizados calibres de 45 e 57 mm, o canhão anti-tanque mais importante dos soviéticos nessa ocasião era o ZiS-3 de 76,2 mm, que participou da batalha em carreta de campanha ou na versão autopropulsada, o SU-76. Este pesava 11,2 toneladas e sua blindagem máxima era de 35 mm. Equipava os regimentos de canhões AT autopropulsados e podia atuar como anti-tanque ou como apoio de infantaria.

Lançado em janeiro de 1943, o SU-122 era um canhão de assalto baseado no chassi do T-34. Inicialmente, equipou com pequenos números os regimentos de SU-76. Era excelente contra pontos-fortes, mas não tinha bom desempenho como anti-tanque. Ele era armado com 1 canhão M-30S de 122 mm, tinha blindagem máxima de 45 mm e pesava 30 toneladas.

Kursk também marcou a estréia do SU-152, um SU-122 armado com canhão de 152 mm, que esteve presente em pequena quantidade. Os soviéticos contavam também com tanques leves T-70 (inúteis contra tanques) e alguns modelos fornecidos pelos aliados ocidentais, em particular o tanque médio M3 “Lee” americano e o tanque pesado Churchill britânico. Considerados muito inferiores aos seus próprios modelos, foram mesmo assim lançados em batalhas importantes como em Stalingrado e Kursk, às vezes em unidades de Guardas. A aviação soviética finalmente começava a apresentar aparelhos tão bons quanto seu inimigo. Entre os caças, o Yak-3 fazia a sua estréia, combatendo ao lado de aparelhos como o Yak-1M, o Yak-9D e o La-5FN. O Il-2m3 “Shturmovik” era então considerado o melhor avião de ataque ao solo do mundo, armado com dois canhões antitanques de 37 mm e bombas. O versátil Pe-2 era o bombardeiro leve padrão da Força Aérea Vermelha e o Pe-8 e o DB-3F, bombardeiros de nível da Força Aérea Estratégica, também deram sua contribuição.

 

 

Soldados da 3ª Divisão Panzer SS Totenkopf demonstram cansaço durante os duros combates da Batalha de Kursk.

A Operação Cidadela
Os alemães levaram quatro meses até que se sentissem prontos. Combates preliminares começaram em 4 de julho de 1943. Naquela tarde, Junkers Ju 87 Stukas bombardearam um buraco de duas milhas de largura nas linhas de frente ao norte, em um período curto de 10 minutos e depois retornaram para casa enquanto a artilharia alemã se preparou para continuar o ataque. As pontas de lança de Hermann Hoth, o III Corpo Panzer, avançaram depois para as posições soviéticas perto de Zavidovka. Ao mesmo tempo a Divisão Panzergrenadier Großdeutschland atacou Butovo sob chuva torrencial e a 11ª. Divisão Panzer tomou o solo alto ao redor de Butovo. À oeste de Butovo os acontecimentos se provaram mais difíceis para a Großdeutschland e a 3ª. Divisão Panzer, que se deparou diante de uma forte resistência soviética e não assegurou seus objetivos até a meia noite.

No sul, o II Corpo Panzer SS lançou ataques preliminares para assegurar postos de observação e de novo encontrou uma resistência rígida, até que tropas de assalto equipadas com lança chamas limparam as posições inimigas. As 22:30, os soviéticos contra-atacaram com bombardeios de artilharia que, ajudados por uma chuva torrencial, retardaram o avanço alemão. A esta altura, Jukov tinha recebido breves relatos informando sobre o início da ofensiva ganha sobre os alemães capturados: ele decidiu lançar um bombardeio de artilharia preventiva nas posições alemãs.

A batalha verdadeira começou no dia 5 de julho de 1943. Os soviéticos, agora cientes até mesmo da hora exata da ofensiva planejada pelos alemães, começaram um bombardeio de artilharia massivo contra as linhas alemãs 10 minutos antes. Seguiu-se logo um grande ataque feito pela VVS - Força Aérea Soviética sob as bases aéreas da Luftwaffe na área, em uma tentativa de virar a mesa da velha "armadilha" alemã de varrer o suporte aéreo local dentro da primeira hora da batalha. Os soviéticos lançaram um ataque com 400 aviões contra cinco aeródromos alemães próximos a Kharkov. Mais experientes, os nazistas abateram 120 aviões soviéticos sem deixar que uma única bomba atingisse os aeroportos. Dali em diante, dispondo de superioridade aérea, a Luftwaffe cobriu os flancos de toda a operação com seus bombardeiros de mergulho Stuka.

O 9º Exército Panzer no norte estava praticamente inapto para se mover. Dentro de apenas minutos de avanço a frente eles se viram encurralados nos grandes campos minados defensivos e precisaram de unidades de engenharia para se livrar desses campos sob fogo de artilharia. O exército de Walter Model tinha menos tanques que Manstein tinha no sul. Ele também se valeu de táticas diferentes, principalmente de uma formação clássica chamada PanzerKeil, permitindo usar somente algumas unidades de cada vez. Assim, poupando outras para usar mais tarde, ao passo que os alemães freqüentemente atacavam com tudo que tinham para maximizar o efeito. Eles podiam fazer isto por causa de seu treinamento superior de oficiais de baixa patente e soldados individuais. Entretanto, por alguma razão, Model não usou esta tática.

Após uma semana a Wehrmacht tinha se movido apenas 10 km para frente e no dia 12 os soviéticos lançaram seu braço norte contra o 2º Exército em Orel. O 9º Exército teve que se retirar, acabando com sua participação na ofensiva. A sua taxa de baixas versus a do Exército Vermelho foi de cerca de 5:3 em seu favor. Entretanto, os alemães não podiam contar com o fluxo interno regular de novos soldados e material, que era quase inesgotável, e estava a disposição do Exército Vermelho.

Ao sul as coisas estavam de alguma forma melhor para os alemães. As pontas de lança do 4º Exército Panzer de Hoth forçaram seu caminho adiante e no dia 6 passaram uns 30 km além das linhas na pequena cidade de Prokhorovka. Considerando que eles tinham atacado sem o elemento surpresa contra um inimigo entrincheirado e numericamente superior, isto foi um feito bem marcante. O Exército Vermelho foi forçado a usar as tropas originalmente reservadas para a contra ofensiva. O flanco alemão, entretanto, ficou desprotegido uma vez que o 7º Exército de Guardas soviético parou as divisões Kempf, ajudado pela chuva forte, depois dos alemães terem cruzado o Rio Donets. O 5º Exército de Guardas Tanques segurava posições ao leste de Prokhorovka e começou a preparar um contra ataque quando o II Corpo Panzer SS chegou e uma luta intensa foi travada. Os soviéticos conseguiram deter as tropas SS – mas somente um pouco. Quase nada estava no caminho do 4º Exército Panzer e uma vitória alemã parecia uma possibilidade real. Os soviéticos decidiram dispor do resto do 5º Exército.

No dia 12 de julho a Luftwaffe e unidades de artilharia bombardearam as posições soviéticas enquanto as divisões da SS se preparavam para o ataque. O que se seguiu pode ser descrito da seguinte forma: O avanço alemão começou e eles ficaram espantados ao ver massas de soviéticos armados avançando sobre eles. O que seguiu foi o maior embate de tanques jamais travado, com mais de
1.500 tanques em contato próximo. As forças aéreas de ambos os países sobrevoaram o campo de batalha, mas elas não conseguiram ver nada através da poeira e da fumaça que saía de taques destruídos. No solo, os comandantes não conseguiram acompanhar os desenvolvimentos dos combates e a batalha rapidamente degenerou-se em um número imenso de ações de pequenas unidades, em lutas confusas e amargas, freqüentemente cara a cara. A luta alastrou-se durante todo dia e ao entardecer os últimos tiros estavam sendo dados enquanto os dois lados saiam de combate. As perdas alemãs totalizaram em mais de 300 tanques com os soviéticos perdendo um número similar.

Liderados por Hans Ulrich Rudel, vários Ju-87 Stukas equipados com enormes canhões de 37 milímetros, atacam tanques T-34 soviéticos em Provhorovka durante a Batalha de Kursk, em 12 de julho de 1943. Em suas caudas estão caças russos Yak-9 tentando para o ataque dos Stukas, enquanto que eles mesmo são atacados por caças FW190 da Luftwaffe. Abaixo dele, a 4 ª Divisão Panzer alemã envolve seus blindados naquela que foi a maior batalha de tanques da Segunda Guerra Mundial.

Os alemães destruíram a maioria dos tanques soviéticos em um embate longo e relativamente poucos não se envolveram na troca de tiros curtos. As unidades alemãs na verdade incorreram em baixas relativamente leves e na maior parte do dia eles lutaram em boa ordem. Os soviéticos perderam 322 tanques (mais da metade deles não podiam ir nem para o reparo), e tiveram mais de 1.000 mortos além de 2.500 perdidos ou feridos. As perdas alemãs chegaram a menos de 20% disto. Os alemães, entretanto, tinham planejado atacar naquele dia e por causa do avanço do Exército Vermelho eles perderam seu ímpeto.

A batalha global (de Kursk) ainda pende na balança. As forças alemãs na asa sul, exaustas e pesadamente em atrito, não obstante enfrentaram igualmente defesas cansadas e com excelente posição, estavam livres de trabalhos defensivos e não tinham nenhuma força entre eles e Kursk. Os generais alemães se tivessem tido forças de reforço prontas para apenas este momento, talvez tivessem conseguido ganhar a batalha.

Ataques soviéticos nos flancos alemães
Em 11 de julho de 1943, as forças dos Estados Unidos, do Canadá e do Reino Unido desembarcaram na Sicília durante a Operação Husky. Hitler chamou Günther von Kluge e Von Manstein ao seu quartel general Wolfsschanze na Prússia Ocidental e declarou sua intenção de cancelar a Operação Cidadela. Von Manstein, furioso, argumentou que um esforço final poderia ganhar Kursk. Hitler não queria nada disto, particularmente quando os soviéticos lançaram suas contra ofensivas no norte.

A própria Operação Husky foi desencadeada em perfeita coordenação entre as força aliadas com o propósito de enfraquecer a ofensiva alemã pela necessidade de deslocamento de tropas para a Sicília. Algumas unidades alemãs imediatamente partiram para a Itália e somente ataques limitados continuaram no sul, para se livrarem de uma força soviética espremida entre dois exércitos alemães.

Em meio as explosões, tanques T-34/76, apoiados por determinadas tropas de infantaria, avançam contra os alemães em Kursk

Contra-ofensiva Soviética
Apesar dos exércitos alemães permanecerem inconscientes da mudança nos planos de Hitler, os ataques alemães perto de Kursk obviamente diminuíram. Os soviéticos colocaram seus planos em ação. Em 15 de julho os ataques em Orel abriram com a soltura do Fronte Central soviético inteiro. Os alemães se retiraram para a parcialmente preparada linha de Hagen na base da saliência. As forças alemãs se transferiram do sul para o norte para ajudar a cobrir a retirada. Apesar da retirada das forças alemãs ter causado baixas severas na Wehrmacht, esta ação marcou a primeira vez que os soviéticos haviam avançado no verão, drasticamente abatendo o moral alemão.

Ao sul, o Exército Vermelho precisava de mais tempo para reagrupar-se após a severa derrota que ele tinha sofrido durante o mês de julho e não podia iniciar seu contra ataque até 3 de agosto. Ajudados pelos ataques divergentes mais ao sul, os soviéticos tomaram a cidade de Belgorod que havia sido conquistada a duras penas por von Manstein. Fogos de artifício em Moscou marcaram a tomada de Belgorod e Orel, uma celebração que daquela hora em diante se tornou uma instituição com a recaptura de cada cidade soviética. Em 11 de agosto, o Exército Vermelho conquistou Kharkov, uma cidade que Hitler havia jurado defender a todo custo. As unidades alemãs agora sofriam grandemente de fatiga, tendo lutado diariamente por várias semanas. Elas tinham escassez de força de homens e equipamentos. Em 20 de agosto todas as forças alemãs na área tiveram que se retirar.

Fim da Batalha
Em 22 de agosto de 1943, a exaustão extrema havia afetado ambos os lados e a luta (oficialmente) tendia a um fim. Os soviéticos sofreram perdas muito maiores que os alemães. Os alemães, entretanto tinham pela primeira vez perdido territórios substanciais durante o verão e fracassaram em atingir seus objetivos. Um front novo havia sido aberto na Itália, desviando a atenção de Hitler. Ambos os lados tiveram suas perdas, mas somente os soviéticos tinham uma considerável mão de obra e uma grande produção industrial para se recobrar completamente, como também a ajuda substancial dos empréstimos americanos. Os alemães nunca ganharam de novo a iniciativa após Kursk.

Mais ainda, a perda convenceu Hitler da incompetência de seus generais. Quando lhes foi dada a chance, seus generais selecionaram um plano pobre e ele decidiu se certificar de que isto não iria acontecer de novo. O oposto se aplicava a Stalin, entretanto. Após ver a intuição de seus generais justificada no campo de batalha, ele se afastou do planejamento estratégico e o deixou inteiramente para os militares.

Resultados previsíveis seguiram em ambos os lados: o exército alemão foi de perda em perda assim que Hitler tentou pessoalmente micro gerenciar as operações do dia a dia, do que logo se tornou uma guerra em três frentes, enquanto o Exército soviético ganhava mais liberdade e se tornava mais e mais fluido a medida que a guerra continuava.

Os soldados soviéticos demonstraram muita coragem e determinação em seus combates contra os nazistas

As perdas sofridas durante a batalha de Kursk variam de acordo com as fontes. A União Soviética clamava que os alemães tinham tido mais de 500 mil soldados mortos, feridos ou perdidos. Conclusões modernas estimam que 60 mil alemães morreram e outros 150 mil foram feridos. Os números das baixas oficiais soviéticas não se tornaram públicos até o colapso desta em 1991. Elas compreendiam 80 mil mortes durante a batalha em si e outras 150 mil na ofensiva nos meses que se seguiram. Os feridos e perdidos do Exército Vermelho somavam cerca de 500 mil. A União Soviética também perdeu 50% de sua força de tanques durante toda a operação em Kursk.

Depois desta Batalha de Kursk, a Wehrmacht não mais conseguiu recuperar uma posição ofensiva na “frente Leste” e perdeu toda a sua iniciativa de ataque. Kursk não foi o fim, mas para muitos foi o começo do fim. A iniciativa passaria, em definitivo, para o Exército Vermelho que não mais pararia daí em diante. Formou-se o famoso “rolo compressor russo”, que nada conseguiria deter até conquistar Berlim, no começo de Maio de 1945, precipitando a rendição incondicional de todas as forças militares germânicas.

 

Fontes:

Wikipédia

http://www.clubesomnium.org

http://avidanofront.blogspot.com.br/2013_07_01_archive.html

 

 

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