Perfil da Unidade

 

Estado Livre de Orange 

 

 Transvaal

Boer Commando


Antecedentes históricos dos conflitos na África do Sul

Em 1487, D. João II, Rei de Portugal, incumbiu o navegador Bartolomeu Dias de costear o lado ocidental da África, que já era conhecido até o começo da Namíbia, e ir além para descobrir uma passagem para o oriente. Bartolomeu Dias passou pela Namíbia e continuou navegando para o sul. Quando chegou ao extremo da África, uma tremenda tempestade levou os navios mais para o sul e ninguém percebeu que já tinham ultrapassado a ponta do continente africano. Como não viam nenhuma terra, passaram a navegar para o norte. A costa que passaram a avistar já era a oriental. Ao chegaram à altura do atual Port Elizabeth, os tripulantes, ainda assustados com a tempestade, não quiseram prosseguir. No caminho de volta, o tempo estava bom e o céu claro. Só então viram o majestoso Cabo. Bartolomeu Dias voltou a Portugal e fez ao Rei o relato da descoberta do Cabo das Tormentas. O Rei atalhou-o e disse que o nome certo seria Cabo da Boa Esperança, com vistas à descoberta do caminho marítimo para as Índias. Dez anos depois, já em tempos do Rei D. Manuel, partiu de Lisboa, no dia 08 de março de 1497, uma esquadra com a missão de chegar às Índias. A expedição passou além de Port Elizabeth. Mais adiante, foi avistada uma longa costa. Era o dia 25 de dezembro de 1497. Vasco da Gama, que era o comandante da esquadra, deu ao lugar o nome de Natal.

Chegam os holandeses

Quando as viagens às Índias se tornaram mais freqüentes, os portugueses instalaram, na região do Cabo, postos de abastecimento. O mesmo fizeram os holandeses, dois séculos depois, em nome da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Em 1647, uma embarcação holandesa encalhou na Baía da Mesa. Os tripulantes só foram resgatados um ano depois. Gostaram daquela terra e sugeriram à direção da Companhia que estabelecesse ali uma base permanente.
Em 1652, lá chegou uma expedição holandesa comandada por Jan Van Riebeck. Riebeck tinha 32 anos, era muito inteligente e ativo. Mandou construir um pequeno estaleiro para reparos nos navios, um hospital e um Castelo Fortificado (o governador Zacharias Wagenaar demoliu a construção primitiva e substituiu-a por outra maior, mais fortificada e em alvenaria). Nas cercanias do Castelo, Riebeck mandou plantar árvores frutíferas, videiras e hortaliças.
Foi nesse lugar, um pouco ao norte do Cabo da Boa Esperança, que se ergueu a Cidade do Cabo.

Os nativos

Antes da chegada dos europeus, o sul da África estava habitado por numerosas tribos de negros, pertencentes a duas etnias: khoisans e bantos. Os vizinhos mais próximos dos holandeses eram os khoisans, com os quais viviam em paz. Os holandeses eram fazendeiros, bôeres, em holandês. Alguns desses fazendeiros viajavam em busca de novas terras e pastagens. Eram chamados treckbôeres (fazendeiros viajantes). Com o passar do tempo começaram a se atritar com os khoisans. Estes foram quase exterminados ou empurrados para regiões inóspitas como o deserto de Kalahari.

Da etnia banto, as tribos xhosas e zulus foram as de maior presença na história. Tanto xhosas como zulus tiveram muitos embates com os bôeres. A língua xhosa, com seus inúmeros dialetos, é a mais falada. O mais famoso falante da língua xhosa é Nelson Mandela. Os zulus, que têm sua própria língua, enfrentaram não só os bôeres como também os ingleses. Ao final, os bôeres e os ingleses foram vitoriosos, mas perderam várias batalhas. Na batalha de Isandehlwana (22 de janeiro de 1879) os zulus dizimaram uma expedição britânica. Nessa batalha morreram mais oficiais ingleses do que em Waterloo.

A Grande Jornada

No século XVIII, o poderio holandês já estava em declínio e o poder britânico era cada vez maior. No começo do século XIX, precisamente em 1806, a Colônia do Cabo foi ocupada por tropas britânicas. Em 1814, o tratado de Londres ratificou a ocupação. Entre a chegada dos holandeses e a ocupação britânica, se haviam passado 154 anos. Os descendentes dos holandeses tinham desenvolvido uma nova cultura. Falavam “africâner” (derivado do holandês) e estavam mais ligados à África do que à Europa. Fundaram uma nova Igreja: a Igreja Holandesa Reformada da África do Sul. Além de serem conhecidos como bôeres, passaram a ser conhecidos como “africânderes”.

A convivência com os ingleses tornou-se cada vez mais insustentável para os bôeres (cada vez mais conhecidos como “africânderes”). Eles queriam viver sob suas próprias leis e não sob a legislação inglesa. Um dos pontos de conflito era a questão racial. Tanto os ingleses como os bôeres eram racistas, mas as práticas diferiam. Os ingleses eram menos intolerantes e os “africânderes” mais radicais. Eram a favor da violência para impor e manter medidas discriminatórias e segregacionistas.

Os treckbôeres eram conhecidos há muito tempo no Cabo. Porém, na Grande Jornada (Great Trek) não se tratava de alguns grupos; foi um verdadeiro êxodo. Uma grande parte da população se deslocou em massa. Piet Retief, um dos líderes dos treckbôeres, escreveu um manifesto explicando porque deixavam o Cabo. Queriam fundar uma comunidade livre e independente. Tendo-se em mente a ideologia “africânder”, é patente que Retief se referia à liberdade e independência para os brancos. A grande jornada ocorreu entre 1834 e 1838 e ocasionou a colonização de grandes partes do leste da África do Sul. Os bôeres que transpuseram o Rio Vaal fundaram a República do Transvaal; os que se localizaram às margens do Rio Orange, criaram o Estado Livre de Orange; os que se dirigiram para a região costeira , deram origem à República de Natal. Em 1834, centenas de carroções, semelhantes aos dos pioneiros americanos, deixaram a Colônia do Cabo e se dirigiram para o leste.

Os treckbôeres foram para o leste ocupar as terras das tribos negras.Os treckbôeres tinham um pensamento de que os brancos eram a raça superior que, no plano de Deus, estava destinada a dominar o mundo. Em 1838, depois de muitas lutas com os zulus, na região de Natal, os bôeres fizeram um acordo com eles: dividiram a região ao meio. Na metade norte ficou a Zululândia e na metade sul os bôeres instalaram a República de Natal.

Em 1843, os ingleses, que consideravam aquela região costeira muito estratégica para ficar em mãos inimigas, anexaram a República de Natal. A Grã-Bretanha reconheceu a independência dos estados interiores de Orange (convenção de Bloenfontein, em 1854) e Transvaal (convenção do Rio de Areia, em 1852), por serem de menor valor estratégico e não apresentarem, na época, nenhum atrativo econômico.


 

Diamantes e Ouro

Em 1867, descobriram diamantes no Rio Vaal, a alguns quilômetros acima da sua confluência com o Rio Orange. Eram diamantes de aluvião, que vinham misturados com cascalho. Porém, pouco depois foi descoberta uma mina de diamantes, junto à cidade que foi batizada com o nome de Kimberley e ficava na Colônia do Cabo, bem próxima da fronteira de Orange. Enquanto para extrair os diamantes de aluvião bastavam equipamentos primitivos, a extração das minas exigia técnicas sofisticadas. Milhares de prospectores, engenheiros e aventureiros sem preparo rumaram para os campos diamantíferos. Veio gente não só das localidades próximas, mas também da Europa, dos Estados Unidos e da Austrália.

Em pouco tempo, Kimberley se havia tornado a segunda cidade mais importante da África do Sul, perdendo o lugar de honra apenas para a Cidade do Cabo.
Entre as pessoas que foram atraídas a Kimberley, estava um jovem plantador de algodão, com 19 anos de idade. Ele converteu 3.000 libras, que um tio lhe havia dado para o cultivo de algodão, em licença para explorar uma mina de diamantes. Esse jovem, que se chamava Cecil Rhodes, ficou com todas as licenças que lhe ofereceram e se tornou riquíssimo ao descobrir cada vez mais minas de diamantes. Em abril de 1880, fundou, com dois sócios, a De Beers Mining Company. Em 1885, já controlava mais de 50% da economia de Kimberley.

Um típico Boer e suas armas e apetrechos em 1881

Cecil Rhodes chegou a ser Primeiro-Ministro da Colônia do Cabo e levou o imperialismo britânico mais para o norte, criando as condições para o estabelecimento de duas grandes colônias inglesas que receberam o nome de Rodésias. A Rodésia do Sul é hoje o Zimbabue e a Rodésia do Norte é a atual Zâmbia.

Em 1886, descobriu-se ouro no Transvaal, mais propriamente em Witwatersrand que é uma extensão de uma cadeia de montanhas. A palavra Witwatersrand vem do “africâner” e significa “o cume das águas brancas”. O “Rand”, como Witwatersrand é conhecido, é fonte de 40% do ouro explorado no mundo. A área de exploração se estende por mais de 100 km e as minas podem atingir, em alguns lugares, 3,6 km de profundidade. A moeda sul-africana, o rand, foi nomeada em homenagem ao local. O ouro chegou a ser explorado na periferia de Johanesburgo que se tornou uma cidade muito rica e importante. Ainda hoje, Johanesburgo é o centro financeiro da África do Sul.

A defesa dos Boers

Quando em 1658, eclodiu uma guerra entre os colonos holandeses da Colônia do Cabo e os Khoi Kho, para se protegerem os colonos determinaram que todos os homens capazes fisicamente deviam ser recrutados. Após a conclusão desta guerra, todos os homens da colônia eram responsáveis em prestar o serviço militar e estava prevista uma mobilização de curto prazo. Este método de defesa não era uma idéia nova, e foi utilizado com sucesso na Europa e América. Em 1700, o tamanho da colônia aumentou imensamente e foi dividida em distritos.

A pequena guarnição militar estacionada em Castle de Goede Hoop não podia ser acionada para reagir rapidamente nos distritos de fronteira, por isso um sistema de commandos foi formalizado. Cada distrito tinha um Comandante que era responsável em convocar  todos os cidadãos em momentos de necessidade. Em 1795, com a primeira ocupação britânica e novamente em 1806 com a segunda ocupação britânica, os commandos foram chamados para defender a colônia do Cabo. Na Batalha de Blaauwberg (06 de janeiro de 1806), o Commando Swellendam manteve as tropas britânicas afastadas tempo suficiente para o resto do exército recuar para a segurança.

Durante a Grande Jornada , este sistema foi utilizado e permaneceu em uso nas repúblicas Boer . Ambas as repúblicas emitiram leis de commando, fazendo com que o serviço de commando fosse obrigatório em tempos de necessidade para todos os cidadãos do sexo masculino com idades entre 16 e 60. Durante a Segunda Guerra Anglo-Boer (1899-1902) o Comando Boer formou a espinha dorsal das forças Boer. A força de Boer é o exemplo clássico de um exército de cidadãos, porque praticamente toda a população branca do sexo masculino das duas repúblicas, compreendida entre os 16 e 60 se apresentou para o serviço militar não remunerado.

Pelo menos durante a Segunda Guerra Boer cada commando era anexado a uma cidade, e era conhecida pelo nome desta mesma cidade (por exemplo, Bloemfontein Commando). Cada cidade era responsável por um distrito, que por sua vez era dividido em alas. Um comandante estava frente de cada commando cada distrito tinha a liderança de um a veldkornet ou corneteiro de campo (o equivalente a um alto NCO). Um Commando poderia consistir de dez ou dez mil homens e equivaleria a um regimento britânico.

Os burgueses eram eleitos os oficiais, incluindo o Comandante-em-Chefe do Transvaal. Quando mobilizado, um burguês tinha que estar preparado com o seu cavalo, rifle e 50 (depois 30) cartuchos de munição e alimentos suficientes para durar oito dias, após o qual o governo iria abastecê-lo.

Durante os conflitos contra os britânicos foram para a região da África do Sul vários voluntários para lutarem ao lado dos Boer, ou foram formadas unidade de estrangeiros. A imagem 3 mostra um voluntário pertencente a Blake Brigade, formada por irlandeses de Chicago, ele usa um uniforme caqui similar ao usado pelo US Army. Muitos negros lutaram ao lado dos Boer como esclarecedores e em serviços gerais, quebrando o mito de que esse foi um conflito só de brncos.

Na verdade em meados do século XIX quase todas as cidades nas duas repúblicas tinham um Commando e, uma vez que a guerra era iminente, outros, incluindo os irlandeses, escandinavos, alemães e muitos outros formaram commandos.

Commandos do Transvaal : Amesterdão; Bloemhof; Bethal; Boksburg, Carolina; Christiana; Elandsfontein; Rio Elands; Ermelo; Fordsburg; Germiston; Heidelberg; Jeppestown; Joanesburgo; Klerksdorp; Krugersdorp; Lichtenburg; Lydenburg; Marico, Piet, Retief Middelburg; Potchefstroom; Pretória; Standerton; Rustenburg; Suazilândia; Utrecht; Wakkerstroom; Vryheid; Waterberg; Zoutpansberg; Wolmaransstad; Zwartruggens. Todas essas unidades foram sob o comando de Joubert PJ Comandante-Geral.

Commandos do Estado Livre de Orange: Belém; Bethulie; Bloemfontein; Boshof; Brandfort; Bothaville; rio Caledon; Edenburg; Fauresmith; Frankfort; Ficksburg; Harrismith; Heilbron; Hoopstad; Jacobsdal; Ladybrand; Kroonstad; Lindley; Parys; Philippolis; Rouxville; Senekal; Smithfield; Nchu Thaba; Ventersburg; Vrede; Vredefort; Wepener; Winsburg.

Comandos Estrangeiros: Americanos; Alemães, Franceses, Holandeses, Irlandeses, Italianos; Escandinavos, Russos, Suíços.

Outras unidades: Boksburg Polícia; de Scouts Edward; de Scouts Fichardt; de Scouts Hassell, Joanesburgo Polícia; de Scouts Jooste; de Scouts Kirsten; Pretoria Mounted Rifles, Pretória Polícia; de Scouts Ricchiardi; de Scouts Runck; de Scouts Scheeper; Suazilândia Polícia; de Scouts Theron, de Scouts Theunissen; Transvaal Polícia; Scouts Von Goeben's; Zarps, Joanesburgo e Pretória Polícia; Staats Artillerie Artilharia e Estado Transvaal.

O veldkornet era o responsável não apenas para convocar os cidadãos, mas também para prover o policiamento, coleta de impostos, emissão de armas de fogo e outros materiais em tempos de guerra. Teoricamente, um distrito era dividido em corporalships. Um corporalship normalmente era composta por cerca de 20 homens. Às vezes, famílias inteiras (pais, filhos, tios, primos) preenchiam um corporalship.

O veldkornet respondia ao Comandante, que por sua vez, era responsável perante um general. Em teoria, um general era responsável por quatro commandos. Ele por sua vez, estava subordinado ao comandante-em-chefe da República. No Transvaal, o Comandamte-em-Chefe era chamado de Comandante-Geral e no Estado Livre de Orange era chamada de Hoofdkommandant (Comandante-Chefe). O C-em-C era subordinado ao presidente. No Transvaal, o C-em-Cele eleito para um período de cinco anos por voto geral de todos os cidadãos, no Estado Livre de Orange, o presidente era o chefe militar e só em caso de guerra um C-em-C era eleito. Havia seis níveis de hierarquia, o Comandante-em-Chefe, Assistente Geral, General de Combate, Comandante, Corneteiro de Campo e Assitente de Corneteiro de Campo.

Outros postos auxiliares foram criados em tempo de guerra, como o vleiskorporaal, responsáveis pela emissão de rações. O commando era formado por voluntários, todos os oficiais eram nomeados pelos membros do commando, e não pelo governo. Isso deu a chance para alguns comandantes de aparecer, como o General de la Koos Rey e o General CR de Wet, mas também tinha as suas desvantagem de, por vezes, colocar comandantes ineptos responsáveis pelas tropas. A disciplina também era um problema, como não havia nenhuma maneira real de aplicá-la.

Desde os primeiros dias dos comandos o governo provia as armas de fogo. Os alistados eram obrigados a manter essas armas reparadas e prontas para uso a qualquer momento. Na Segunda Guerra Anglo-Boer, a maioria dos boers usavam o moderno rifle Mauser. Antes da Guerra dos Bôeres, as duas repúblicas Boer já eram dotadas de unidades permanentes de artilharia (por exemplo, o Staatsartillerie Transvaalse ), equipadas com canhões Krupp ou Creusot.

O Boer era por natureza um homem de família e tinha um intenso desagrado por estar longe de casa e, se ele tinha que passar por qualquer período longo de tempo, ele sempre levava parentes com ele. Foi isto o que exatamente a maioria deles fez quando chamado para lutar levando seus filhos e, em alguns casos, netos.

Havia aproximadamente 15.140 commandos na fronteira de Natal, 4.140 a partir do Estado Livre e 11.000 do Transvaal, incluindo baterias de artilharia. Nos primeiros estágios do conflito, o commandos fizeram uso extensivo de transporte ferroviário, o que lhes dava maior mobilidade. Uma vez que desembarcavam dos trens usavam cavalos para adicionar velocidade aos seus movimentos. O Exército Britânico porém continuava marchando com sua infantaria para a guerra a pé e usava suas ferrovias basicamente para o transporte de equipamentos. Os comandos ainda tinha uma impressora governamental e um hospital nos trens.

Primeira Guerra Boer - 16 de Dezembro de 1880 a 23 de Março de1881.

Em 1867, Lord Carnarvon, Secretário de Estado para as Colônias, propôs convidar representantes das várias partes da África do Sul, para uma conferência em que se estudaria a criação de uma federação de todas essas partes. A conferência, realizada em Londres, em 1876, não atingiu seu objetivo. Lord Carnarvon decidiu então tomar outro caminho e anexar o Transvaal. Deu ordem a Theophilus Shepstone, que foi legado de Natal na conferência de Londres, para levar a cabo a anexação. Shepstone se entendeu com Sir Bartle Frere, governador da Colônia do Cabo. Por sua posição, Frere seria o chefe da missão.

Shepstone, com uma pequena cavalaria, entrou no Transvaal e dirigiu-se a Pretória, no dia 4 de janeiro de 1877. Conferenciou com a Assembléia do Transvaal durante quatro meses e, no dia 12 de abril de 1877, proclamou a anexação do Transvaal ao Império Britânico. Quando Shepstone anexou o Transvaal, o Vice-Presidente desse país, Paul Kruger (eleito Presidente em 1881) foi um dos poucos que protestou. Quando seu protesto não foi atendido, formou um triunvirato com Piet Joubert e Marthinus Pretorius, com o expresso fim de resistir aos britânicos.

Forças Boer atacam tropas britânicas em 1881 durante a Batalha de Laing´s Nek

A primeira guerra bôer começou em 1880. Os bôeres sitiaram Pretória, Potchefstroom e Lydenburg. Derrotaram os britânicos em Laing’s Nek e Manjuba. A captura de Manjuba teve muita repercussão. Foi grande o entusiasmo no Estado Livre de Orange e entre os “africânderes” que viviam na Colônia do Cabo.

Antes da Primeira Guerra Boer, o Exército britânico respirando ainda a atmosfera vitoriana tinha se envolvido em muitas campanhas contra irregulares coloniais que eram inferiores em armamento, organização e disciplina. A experiência de Boer, portanto, veio como uma surpresa fatal para muitas unidades.

Na primeira Guerra Boer, os uniformes britânicos consistiam de uma sobrecasaca de sarja, que era vermelha para a infantaria e engenheiros, verde-escuro para os fuzileiros e azul para todos os outros. a calça azul escura era usada com um debrum vermelho por baixo da costura para a infantaria e uma faixa larga vermelha para a artilharia, com botas de couro preto. Os regimentos Highland usavam kilts de tartan, em vez de calças. Assim sendo os uniformes britânicos  contrastavam muito com a paisagem africana, o que permitia aos Boers, facilmente identificá-los e atingir as tropas britânicas à distância. Já os Boers estavam vestidos com as suas roupas civis de trabalho, normalmente em tons escuros, que utilizavam nas suas fazendas, as quais consistiam numa calça, jaqueta e chapéu.

Isso começou a mudar quando o 92º Highlanders chegou à África do Sul com túnicas caqui, em vez das escarlate. Khaki foi finalmente aprovado em 1897, como padrão para o serviço no exterior, de modo que o soldado britânico da Segunda Guerra Boer, estava vestido de caqui. 

Uniformes do Exército Britânico em 1881 na Primeira Guerra Boer

Uniformes do Exército Britânico, devidamente adaptados ao caqui, entre 1901/1902 na Segunda Guerra Boer

Crescendo nas fazendas com um rifle sempre em suas mãos os boers eram atiradores geralmente muito bons, com a capacidade de julgar a distância do alvo com precisão. Uma vez que o inimigo era localizado por esclarecedores eficientes, o commando se aproximaria sorrateiramente, a fim de obter um bom campo de tiro. Então os homens desmontavam de seus cavalos e abriam fogo individual.

Eles eram muito eficientes nas táticas essenciais de concentração de fogo e velocidade de ataque. Seu sistema de comando incentivava a iniciativa e a autoconfiança, que eram essenciais numa guerra irregular quando os homens estavam muito dispersos e a comunicação entre as tropas era limitada. Embora os commandos tivessem sucesso contra as tribos nativas dentro de suas fronteiras, eles foram provados ao máximo em sua coragem nas guerras contra os ingleses.

Após a humilhante derrota, o governo inglês, cujo Primeiro Ministro era Gladstone, optou pela negociação. Em 5 de abril de 1881, foi assinada a convenção de Pretória. Por ela, a Grã-Bretanha reconhecia a independência do Transvaal. Por outro lado, o Transvaal reconhecia a suserania da Grã-Bretanha, simbolizada por um residente britânico em Pretória. Em fins de 1883, o Presidente Kruger viajou para Londres a fim de negociar. Seu objetivo era a independência completa do Transvaal. Ele conseguiu o que queria na Convenção de Londres, de 27 de fevereiro de 1887. Com ela, eliminou-se a suserania e o residente retirou-se de Pretória.

Segunda Guerra Boer - de 11 de outubro de 1899 a 31 de maio de 1902.

Em 1887, prospectores descobriram o maior campo de ouro do mundo em Witwatersrand ("The Rand"), com uma área de 60 milhas de leste para oeste a 30 milhas a sul de Pretória. Todo este potencial e beneficio pode ser entendido nas palavras do Presidente do Transvaal Paul Kruger quando disse "Todo o regozijo que vocês podem ter, com este ouro será porventura por ele que o nosso país será mergulhado em sangue."

Com a descoberta do ouro no Transvaal, milhares de colonos britânicos passaram a fronteira da Colônia do Cabo. A cidade de Johannesburg cresceu e ao pé das minas os pobres uitlander, estrangeiro em afrikaans, fizeram crescer bairros degradados. Havia pouca afinidade entre os dois grupos populacionais: o antigo e o novo. O primeiro constituía-se de famílias grandes, tradicionais e religiosas; o outro de jovens aventureiros, geralmente solteiros e sem religião. A sociedade bôer era agrária e quase autárquica. Os uitlanders, vinculavam-se às minas e suas indústrias associadas. Paul Kruger, antevendo que em um futuro próximo haveria mais uitlanders do que bôeres, nunca lhes deu o direito de voto.

Os uitlanders rapidamente ultrapassaram em número os Boers no Rand, mas permaneciam em minoria no Transvaal. Os Afrikaners, nervosos e receosos com a presença dos uitlanders, negaram-lhe o direito de votar como visto acima e taxaram a indústria do ouro pesadamente. Em resposta, os uitlanders  pressionaram os proprietários da minas para derrubarem o governo Boer. Em 1895 Cecil Rhodes apoiou uma fracassada tentativa de golpe de estado apoiada por uma incursão armada, a Jameson Raid.

O fracasso para ganhar direitos para bretões foi usado para justificar uma maior concentração militar no Cabo, muitos líderes coloniais britânicos eram favoráveis à anexação das repúblicas Boers. Esses líderes incluíam o Governador da Colônia do Cabo Sir Alfred Milner, O Secretário Colonial Britânico Joseph Chamberlain e os sindicatos do proprietários das minas (golg bugs) tais como Alfred Beit, Barney Barnato e Lionel Phillips. Confiantes de que os Boers seriam rapidamente derrotados, tentaram assim precipitar a guerra.

O Presidente Marthinius Stevn do Estado Livre de Orange convidou Milner e Kruger para uma conferência em Bloemfontein a qual começou a 30 de Maio de 1899, mas as negociações falharam. Em Setembro de 1899 Chamberlain enviou um ultimato exigindo direitos iguais para os residentes britânicos no Transvaal.

Kruger, tendo a certeza de que a guerra era inevitável, simultaneamente enviou o seu próprio ultimato a Chamberlain. Dando 48 horas aos britânicos para retirarem as tropas da fronteira do Transvaal, de outra maneira o Transvaal, aliava-se com o Estado de Orange, e entraria em guerra contra os britânicos.

 

A guerra foi declarada em 12 de Outubro de 1899, e os Boers atacaram primeiro invandindo a Colónia do Cabo e do Natal entre Outubro de 1899 e Janeiro de 1900. Isto foi seguido por algumas acções militares bem sucedidas contra o inexperiente General Redvers Buller. Os Boers estavam prontos apara sitiar as cidade de Ladysmith, Mafeking(defendidas pela tropas de Robert Baden Powell), e Kimberley.

O cerco foi combatido por soldados e civis nas cidades de Mafeking, Ladysmith, and Kimberley onde a comida começou a escassear em poucas semanas. Em Mafeking, Sol Plaatje escreveu na altura,"Eu vi carne de cavalo pela primeira vez ser consumida por humanos." As cidades sob cerco também eram bombardeadas por tiros constantes de artilharia, fazendo das ruas um lugar perigoso. Perto do fim do cerco de Kimberley, era esperado que os Boers intensificassem o seu bombardeamento, então a noticia levou as pessoas das cidades para o interior das minas para se protegerem. As pessoas em pânico refugiaram-se nas minas durante 12 horas. contudo o bombardeamento esperado nunca chegou a acontecer, mas isto não fez diminuir a aflição dos civis.

A meio de Dezembro foi difícil para o exército britânico. No período que ficou conhecido como Semana Negra (Black Week 10-15 de Dezembro de 1899), os britânicos sofreram uma série de perdas devastadoras em Magersfontein, Stormberg, e Colenso. Na Batalha de Stormberg em 10 de Dezembro, O General Sir William Gatacre, que estava no comando de 3,000 tropas para derrotar as ofensivas Boer na Colônia do Cabo, tentou recapturar a linha de caminho de ferro a cerca de 50 milhas a sul do Rio Orange. Mas Gatacre escolheu assaltar as posições dos Boers do Estado de Orange no qual ele perdeu 135 homens entre mortos e feridos, assim como dois canhões e 600 tropas capturadas, Na Batalha de  Magersfontein a 11 Dezembro, 14.000 tropas britânicas, sob o comando de Lord Methen, tentou lutar para socorrer Kimberly. Os comandantes Boers, Koos de la Rey e Piet Cronie, elaboraram um plano para abrir trincheiras num lugar não condicional para baralhar os britânicos e para dar aos seus atiradores um grande alcxance de tiro. O seu plano funcionou. Os britânicos foram derrotados, sofrendo 120 baixas mortais e 690 feridos, que pretendiam socorrer Kimberley e Mafeking. Mas o auge da Semana Negra foi a Batalha de Colenso a 15 de Dezembro onde 21.000 tropas britânicas, sob o comando de Redvers Buller, tentaram atravessar o Rio Tugela para socorrer Ladysmith onde 8,000 Boers do Transvaal, sob o comando de Louis Botha, os esperavam. Através da combinação da artilharia e tiro de precisão, os Boers deitaram por tera as tentativas britânicas de atravessar o rio. Os britânicos sofreram mais de 1,127 baixas, e durante a retirada, deixaram para trás 10 peças de artilharia que foram capturadas pelos Boers que depois da batalha apenas tinham sofrido 40 baixas.

Soldados britânicos durante a Batalha de Colenso em 1899.

Montado a cavalo, um soldado do 1st Royal Dragoons e a pé um soldado do 2nd. Royal Irish Fusiliers

Os britânicos sofreram várias derrotas nas suas tentativas de ajudar Ladysmith na Btalha de Spionkop em 19 a  24 de Janeiro de 1900 onde Redvers Bullers tentou mais uma vez atravessar o Tugela a oeste de Colenso e foi derrotado outra vez por Louis Botha depois de uma grande batalha da qual resultaram 1,000 baixas britânicas e perto de 300 Boers. Buller atacao Botha outra vez em 5 de Fevereiro em Val Krantz e foi novamente derrotado. 

Os reforços chegaram em 14 de Fevereiro de 1900, as tropas comandadas por Lord Roberts podiam agora lançar contra-ofensivas para ajudar as guarnições. Kimberley foi alcançada em 15 de Fevereiro pela divisão de cavalaria do General John French. Na Batalha de Paardeberg em 18-27 de Fevereiro de 1900 Lord Roberts finalmente derrotou os Boers e forçou á rendição do General Piet Cronie onde ele e 4,000 dos seus homens foram capturados, o que permitiu enfraquecer a força Boer que cercava Ladysmith e chegar aí no dia seguinte. A entrada em Mafeking em 18 de Maio de 1900 provocou grandes celebrações em Inglaterra. Os Britânicos tinham avançado no interior das duas repúblicas, capturando a capital do Estado Livre de Orange, Bloemfontein em 13 de Março e a capital do Transvaal, Pretória em 5 de Junho. 

Uma das grandes vantagens dos Boers era conseguir operar com uma pequena força, que apesar do tamanho era fortemente armada e tinha um poder de fogo considerável. Isto explica porque muitas vezes uma pequena força Boer derrotou tropas britânicas bem maiores. A pequena força de Boers era capaz de direcionar um volume de fogo sem igual contra o seu inimigo. Por quê? Por duas razões, primeiro, enquanto as tropas britânicas estavam limitadas pela disciplina de fogo, os atiradores Boer dispararam livremente. Em segundo lugar, os Boers carregavam seus cartuchos em clips, um clipe de cinco balas podia ser inseridos rapidamente pela pressão do polegar. O magazine dos rifles britânico tinha que ser carregado com um cartucho em um tempo e os soldados levaram suas balas em bolsas de munição. Enquanto um soldado britânico podia disparar cinco rodadas tão rápido como um Boer, o Boer podia disparar cinqüenta tiros mais rápido que o soldado britânico por causa da velocidade em que ele poderia recarregar. A superioridade do Mauser com seu disparo rápido fez uma diferença decisiva no campo de batalha.

Um Boer podia recarregar rapidamente o seu fuzil Mauser com um clipe de cinco balas que podia ser inserido rapidamente pela pressão do polegar.

Na luta contra os Boers os britânicos ainda estavam presos a velhas formas de combate em que os ataque seguiam formas rígidas mais adequadas a época das Guerras Napoleônicas. Contra um inimigo entrincheirado cujas posições eram invisíveis (devido ausência de fumo emitido pelos velhos fuzis), oculto (como no caso da batalha de Magersfontein, onde Cronje usado trincheiras escondidas dizimou um avanço britânico) ou altamente móvel, esta estratégia era completamente ineficaz. Os avanços tecnológicos em fogo discutido anteriormente significava que era efetivamente impossível quebrar uma linha estabelecida pelo assalto de infantaria em terreno aberto.

Os avanços britânicos contra as trincheiras dos Boers parava entre 500 e 800 metros do seu objetivo devido à precisão do de fogo dos rifles eficazmente dirigido contra eles. Os Boers eram muito móveis, tomaram posições que lhe eram vantajosas para futuros ataques, mas se ameaçados não hesitaram em abandoná-las,
geralmente em direção a um outro conjunto de defesas pré-preparados. Outra tática Boer era colocar previamente colocar pedras brancas no terreno, para determinar as distâncias de tiro, ajustando assim o fogo de sua artilharia e também dos seus rifles, aumentar a sua eficácia. 

As forças de Boer estavam mais bem equipadas, além de serem lideradas por homens de maior calibre e experiência comprovada, e melhor acostumados ao terreno e clima africano do que seus adversários.

Muitos observadores britânicos acreditavam que a guerra tinha acabado com a conquista das duas capitais. Contudo, os Boers encontraram uma nova capital Kroonstad, e planearam uma campanha de guerrilha para atingir os abastecimentos e linhas de comunicação britânicas. O primeiro uso desta forma de guerra aconteceu em Sanna Post em 31 de Março onde 1.500 Boers sob o comando de Christian De Wet atacaram o sistema hidráulico de Bloemfontein a 23 milhas a leste da cidade, e embuscaram um pesado comboio do qual resultaram a morte de 155 ingleses, 117 vagões e 428 tropas britânicas capturadas. Uma das últimas batalhas formais foi a Batalha de Diamond Hill entre 11-12 de Junho, onde o Lord Roberts tentou guiar o exército Boer até a uma pouca distância de Pretória.

A preferência dos jovens Boer era pelos rifles britânicos (capturados) Lee-Metford usados pelos homens da frente, ou o alemão Mausers, logo atrás.

Contudo Roberts levou os Boers para o monte, o comandante Boer Louis Botha não olhou isso como uma derrota, e infligiu mais baixas entre os ingleses(162 homens) enquanto ele apenas sofria 50 perdas. Esta Batalha foi o ponto final formal nas operações militares e o passo seguinte para uma nova fase da guerra. 

Os Campos de Concentração

Estes campos eram para onde eram enviados os refugiados aos quais tinham sido destruído na guerra as suas propriedades, e o termo "Campo de Concentração" não tinha o significado maléfico mas simplesmente era um campo de refugiados. Contudo a nova política de Kitchener mais foram construídos e convertidos em prisões. Esta nova idéia era essencialmente humana no seu planejamento em Londres mas veio-se a provar brutal na sua implementação. 

Existiam um total de 45 campos com tendas construídas para internar os Boers e 64 para os negros africanos. Os campos dos Boers  tinham de uma maneira geral mulheres e crianças e cerca de 28,000 prisioneiros de guerra Boers, 25,630 foram enviados para campos fora do país; mas os nativos africanos na sua maioria homens ficaram. Então quando foram forçados a sair das áreas Boers, os negros africanos não eram considerados hostis aos britânicos, e providenciavam força de trabalho remunerada 

 As condições nos campos eram humilhantes e a comida em rações era escassa. Mulheres e crianças lutam entre si para obter as pequenas rações. A pobre dieta e falta de higiene deu origem a uma série de doenças contagiosas tais como sarampo, febre tifóide e disenteria. A falta de cuidados médicos, levou a um grande número de mortes -- um relatório realizado depois da guerra concluiu que 27,927 Boers e 14,154 negros africanos tinham morrido de fome, e exposição ás doenças. Num total de cerca de 25% dos prisioneiros Boers e 12 % de negros tinham morrido.  

Uma delegada do Fundo das Mulheres e Crianças da África do Sul para a Miséria, fez publicar a desgraça dos prisioneiros após o seu regresso a Grã-Bretanha após ter visitado o Estado livre de Orange. O seu relatório de 15 páginas causou impacto, e levou uma comissão governamental, a Comissão Fawcett a visitar os campo entre Agosto e Dezembro de 1901, confirmando o seu relatório. Fizeram muitas recomendações, por exemplo melhoramentos na dieta e nos cuidados médicos. Em Fevereiro de 1902 a taxa anual de mortalidade baixou dos 6.9 % para 2%. 

 

O Fim da Guerra

Mas com o peso de um grande império que contava com maciços recursos econômicos e militares, era uma questão de tempo até que os Boers fossem dobrados diante da pressão inimiga que era exercida sobre as duas repúblicas, e o resultado não poderia ser qualquer outra coisa senão a vitória britânica.

No total, a guerra custou cerca de 75.000 vidas: 22.000 soldados britânicos (7.792 baixas em combate, e o resto de doenças) e 6.000-7.000 soldados Boer, 20.000-28.000 Civis Boers e talvez 20.000 nativos africanos. O fim da rendição Boer aconteceu em Maio de 1902 e a guerra acabou com o Tratado de Vereeniging no mesmo mês. Aos Boers foi dado £3,000,000 como compensação e a promessa de um eventual governo, o estabelecimento da União da África do Sul em 1910. O tratado acabava com a existência do Transvaal e do Orange como repúblicas Boers e colocou-as dentro do Império Britânico.  Os Boers referiam-se a estas duas guerras como Guerras de Libertação.Durante o conflito, 78 Victory Cross (VC), a mais alta condecoração nas forças armadas britânicas para bravura contra o inimigo, foi atribuída aos soldados coloniais e britânicos.

 

Efeitos da Guerra na Política Doméstica Britânica

 A guerra trouxe a luz os perigos da política britânica de "Isolamento Esplêndido". As eleições gerais, também conhecidas como "Eleições Khaki", foram ganhas pelo Primeiro Ministro, Lord Salisbury, por causa das recentes vitórias britânicas. Houve muito entusiasmo ao ponto do povo das classes mais desfavorecidas votarem no que resultou na vitória dos Conservadores para o governo. 

Contudo, o apoio público tornou-se aparente depois de verificarem que a guerra não seria fácil e que podia arrastar-se. Houve também uma condenação pública pelo uso de tácticas de terror na guerra -- como por exemplo queimar as casas dos Boers -- e as condições nos campos de concentração. Tornou-se evidente que havia sérios problemas de saúde pública: mais de 40 % dos recrutas que podiam ir para o serviço militar, sofriam de problemas médicos tais como raquitismo e outros problemas de saúde. isto tornou-se com o passar do tempo para o aumento do estado da pobreza na Grã-Bretanha. 

O uso de trabalhadores chineses, conhecidos como Coolies, depois da guerra para as novas colônias da coroa, Lord Alfred Milner, também causou muita celeuma no Reino Unido. Os trabalhadores eram mantidos em condições degradantes, recebendo somente um pequeno salário, e estavam proibidos de contactos sociais com a população local -- isto levou ao choque da opinião pública como resultado dos atos homossexuais entre eles visto estarem proibidos de usar os serviços das prostitutas. Alguns acreditam que a escravatura chinesa pode ser vista como o clímax da antipatia pública contra a guerra. 

Muitos nacionalistas irlandeses simpatizavam com os Boers, viam neles um povo oprimido pelo imperialismo britânico, muito parecido com o que acontecia com eles. Pequenos grupos de voluntários irlandeses partiram para a África do Sul para lutarem ao lado dos Boers -- isto apesar de fato de muitas tropas irlandesas lutarem ao lado do exército britânico.

A segunda Guerra dos Bôeres também teve um grande impacto sobre as táticas militares britânicas que antecederam a Primeira Guerra Mundial. A guerra tinha mostrado que os rifles modernos e artilharia proporcionavam uma maior precisão, alcance e atas taxas de fogo do já vistas antes. Isto levou à crença em uma zona de fogo de maior profundidade, e da necessidade de formações que deviam ser mais abertas. Uma das lições mais útil foi a necessidade de cobertura para os atacantes.

Durante a guerra na África do Sul, o terreno tinha sido limpo quando se procurou a ofensiva, e o terreno acidentado para a defesa. A nova ênfase em campos de fogo significou uma reversão na política. E, finalmente, depois os franceses e britânicos começaram a considerar os ataques frontais como decisivos, dando-lhes sanção oficial na regulamentação do serviço de campo de 1912. Isto marcou o maior desvio a partir da experiência da Guerra dos Boers e os ataques de flanco de Lord Roberts.

Africanos no teatro de operações

Tanto Boers como britânicos acreditavam que essa devia ser uma "guerra do homem branco", apesar disso os negros desempenharam um papel importante, e também sofreram severamente. Desde o início, as forças britânicas e Boer empregaram os negros em papéis não-combatentes. Cerca de 10.000 agterryers ("pós-riders"), acompanharam os Boers para executar pequenas tarefas pequeno suporte. Um número muito pequeno de forma oficiosa, pegou em armas ao lado dos Boer.

No exército britânico, pelo menos 14 mil negros trabalharam nas operações de transporte ferroviário. O Exército Britânico cada vez mais empregou negros em papéis combatentes, como espiões, guias e finalmente soldados. Sob o comando de Kitchener, eles estavam armados para autodefesa contra os Boers. Até o final da guerra, havia provavelmente 30 mil homens negros armados no exército britânico. A guerra trouxe muita devastação para as populações negras, que nada ganharam com este conflito.

Acontecimentos posteriores

Após a declaração de paz em 1902, os comandos boer foram dissolvidos. Em 1912, os comandos foram reformados e formaram a Active Citizen Force como parte da Força de Defesa da União. Este sistema esteve em operação até 2005, quando todos os comandos foram dissolvidos novamente.

Em 1910, os “africânderes” reconciliaram-se com os britânicos. Como resultado, o Transvaal, Orange, Natal e a Colônia do Cabo passaram a integrar um Estado unificado, a União Sul-Africana, que se vinculou à Commonwealth.

A guerra devastou os africânderes economica e psicologicamente. Isso contribuiu para a pobreza dos Boer e a urbanização acelerada. Não só a guerra, destrui as cidades e as fazendas dos Boer, como destruiu completamente o modo de vida Boer. No decorrer do século 20, os africânderes assumiram o controle da política da África do Sul, profundamente ressentidos pelos tratamento recebido dos britânicos e se sentido isolados do mundo. Por isso eles buscaram se tornar independentes da esfera de influência britânica. Existia na sociedade “africânderes” um forte sentimento nacionalista e do "patriotismo da raça", associado a um profundo medo da maioria negra, o que levou infelizmente a implantação de uma política de apartheid (segregação racial). Com a formação da República da África do Sul em 1961, a Paz de Vereeniging parecia ter sido vingada.
 


 

Fontes:

http://seculoxx.freewebpages.org/guerraboer.htm

http://www.heliograph.com/trmgs/trmgs4/boer.shtml

http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/2193243

http://www.ladysmithhistory.com/a-to-z/commandos/

http://www.bbc.co.uk/history/british/victorians/boer_wars_01.shtml

 

 

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