Perfil da Unidade

 

 

 

BOPE - PMERJ

 


O Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro é uma das unidades policiais mais experientes em combate urbano no mundo. Desde sua criação, há três décadas, o BOPE teve que desenvolver sua própria doutrina de emprego. Ainda hoje, não existem manuais militares e de segurança pública que orientem o emprego de uma tropa em operações como as realizadas nas favelas cariocas.

Vestidos de farda preta, com uma caveira na manga, os policiais do BOPE são a elite da PMERJ. Suas ações ficaram famosas nas telas de cinema, e a forma como opera chegou ao limite que separa as forças de segurança das forças de defesa. O batalhão possui um efetivo de cerca de 400 homens e está ligado diretamente ao Chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, de quem recebe suas missões. Mantém permanentemente uma companhia de sobreaviso, e para ocorrências que envolvam reféns, o BOPE possui uma Unidade de Intervenção Tática, com negociadores, atiradores de precisão e um Grupo de Resgate e Retomada.

Especializado em missões aquáticas, helitransportadas, em ambiente de selva, montanha e com o emprego de explosivos, o BOPE cumpre quase que diariamente missões de combate, onde são recebidos com fogo pesado pelos traficantes.

No portão de entrada da sede da corporação, há uma grande placa com a imagem da caveira e um aviso: "Seja bem-vindo, visitante. Mas não faça movimentos bruscos!". A sede do BOPE que ficava nas Laranjeiras (Zona Sul do Rio) vai mudar até o final de 2010 para as antigas instalações do 24º Batalhão de Infantaria Blindada do Exército, situado na Avenida Almirante Frontin, em Ramos (Zona Norte do Rio). Com a mudança, o quartel-general ficará instalado numa região próxima de três complexos de favelas: Maré, Penha e Alemão. Para o comando do BOPE, a transferência é estratégica, pois vai facilitar o patrulhamento de vias expressas como Linha Vermelha, Linha Amarela e Avenida Brasil e ampliar a segurança para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de 2016. Segundo informações, além do BOPE, o Grupamento Aéreo Marítimo (GAM) e a Companhia de Cães também serão instalados no local.

História

A primeira idéia de criação de uma Companhia de Operações Especiais na PMERJ surgiu no ano de 1971, quando era Comandante Geral da Corporação o General de Brigada Oswaldo Ferraro de Carvalho, que ficou sensibilizado com a idéia, não sendo, porém, concretizada.

Posteriormente, no comando do General de Brigada Adyr Fiúza de Castro, foi criado o DESTACAMENTO DE ATIVIDADES ESPECIAIS (DAE), mais tarde transformado em BPAE e hoje 16º BPM (Olaria). O DAE não era constituído de Policiais Militares Especializados, portanto, seus integrantes não possuíam o preparo técnico e tático inerente ao homem de Operações Especiais.

No dia 12 de Janeiro de l978, quando a Corporação era comandada pelo Coronel do Exército Mario Sotero de Menezes, o Capitão PM Paulo César Amêndola de Souza iniciou uma exposição oral ao Comandante Geral com a seguinte afirmação:

"A Policia Militar tem necessidade de uma tropa de elite, tecnicamente mais preparada e adaptada a todos os tipos de ações que lhe sejam exigidos", propondo a criação de uma companhia de Operações Especiais na PM.

 

Policial do BOPE plenamente equipado, armado com um fuzil M4 Colt e pistola 9 milímetros. O BOPE está preparando tanto para operações em morros quanto para missões de resgate de reféns e antiterrorismo.

Assim nasceu em 19 de Janeiro de 1978 o Núcleo da Companhia de Operações Especiais (NuCOE), com a finalidade de dotar a PMERJ de um órgão operacional que reunisse Oficiais e Praças voluntários, para que, através de muito treinamento e dedicação, formassem um grupamento altamente especializado e com elevado preparo técnico, tático e psicológico. Funcionando em áreas físicas do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) - 31 de Voluntários, a quem era subordinado administrativamente, ficou alojado na então Escola de Formação de Oficiais (EsFO).

Pelo Boletim da PM n° 86, de 10 de maio de 1978, permanece em Instalações físicas do CFAP, mas subordinado administrativamente ao antigo Batalhão de Policia de Atividades Especiais (BPAE), seu efetivo arranchado e alojado na EsFO e, operacionalmente subordinada ao Chefe do Estado-Maior Geral da PMERJ.

Pelo Boletim da PM n° 165, de 12 de novembro de 1979, passa a ser arranchado e aquartelado no CFAP, mantendo a subordinação administrativa ao BPAE e operacionalmente ao Chefe do Estado-Maior Geral. Posteriormente, ocupa no CFAP as instalações do antigo Centro de Educação Física e Desportos (CEFO) da PM, atual Núcleo de Recarga da Policia Militar.

Em abril de 1981 passa a ocupar parte das instalações físicas do Núcleo do 22° BPM (Benfica), a quem subordina-se administrativamente e mantém a vinculação operacional ao Chefe do Estado-Maior Geral.

No Boletim da PM n° 33, de 07 de abril de 1982, o NuCOE passa a funcionar nas instalações do BPChq, sob o comando do Coronel PM Danilo Rodrigues de Barros, como uma de suas companhias orgânicas (1° Cia), recebendo a designação de Companhia de Operações Especiais (COE) do BPChq, onde a instrução e o serviço específico da COE não deveriam sofrer solução de continuidade, podendo seus integrantes, todavia, serem utilizados em apoio à instrução do BPChq e seu material, equipamento e armamento passam a fazer parte da carga do BPChq.

Em 27 de junho de 1984, através da publicação em Boletim da PM n° 120, a COE do BPChq passou a ser novamente denominada Núcleo da Companhia de Operações Especiais (NuCOE), funcionando nas instalações físicas do Regimento Marechal Caetano de Farias, ficando subordinado apenas administrativamente ao BPChq, retornando sua subordinação operacional ao Chefe do Estado-Maior Geral da PMERJ.

Quanto a suas atribuições, o emprego do Núcleo da Cia de Operações Especiais foi regulamentado em publicação no Boletim da PM n° 86, de 10 de maio de 1978, onde delineava o emprego em operações policiais militares não convencionais, em missões de contraguerrilha urbana ou rural e, na condução de missões que venham a exigir, além de pessoal altamente especializado e com grande preparo técnico, tático e psicológico, o emprego de armamento e equipamentos Especiais, não devendo ser empregado em quaisquer modalidades de policiamento ostensivo preventivo e em missões de rotina policial militar.

Pelo Decreto Lei nº 11.094, de 23 de Março de 1988, foi criada a Companhia Independente de Operações Especiais - CIOE, com suas missões próprias em todo o Estado do Rio de Janeiro, que seriam determinadas pelo Comandante Geral.

Foi também em 1988, que o BOPE começou a ganhar fama. Os bandidos dos morros cariocas, que ganhavam muito dinheiro com a venda de cocaína, usavam o lucro para comprar armas contrabandeadas pesadas, que nem existiam aqui, como metralhadores e fuzis-AR-15. A polícia “normal” não conseguia vencer a guerra e os traficantes ganhavam força. Aí, chamaram os homens das Operações Especiais, que estrearam fazendo uma operação na favela da Rocinha, onde duas gangues rivais de traficantes brigavam pelo controle das “bocas de fumo” (locais onde os bandidos vendem drogas). Os homens da Operações Especiais foram lá e resolveram a questão. A partir daí não parou mais. Hoje trabalha 24 horas por dia e a missão mais comum e “subir o morro”, entrar em favelas, onde constantemente trocam tiros com marginais.

Finalmente, pelo Decreto nº 16.374, de 01 de Março de 1991, deu-se a criação do Batalhão de Operações Policiais Especiais - BOPE, ficando extinta a CIOE. Trata-se, pois, de uma Unidade Especial, constituída de Policiais Militares voluntários, dotados de elevado preparo técnico, tático e psicológico e equipada com os recursos indispensáveis para atuação em quaisquer operações não rotineiras de caráter policial militar. A missão do Batalhão de Operações Policiais Especiais é desenvolver Operações Especiais de Policia Militar.

Em 2000 ganhou instalações próprias, localizadas no Morro do Pereirão, no bairro de Laranjeiras, na zona sul da capital fluminense. Atualmente o emprego do BOPE em situações criticas ou missões especiais está regulado pela nota de instrução n°004/02 – EMG, estando a unidade subordinada administrativamente e operacionalmente ao Estado-Maior Geral da Corporação (Bol da PM n° 090 de 18 de maio de 2007).

O que é Operação Especial de Polícia Militar?

É toda Operação executada pelo BOPE, no Campo de Segurança Pública: caracterizada pelo desenvolvimento de ações, com objetivos específicos, para fazer frente a ocorrências que situem além da capacidade de ação das Unidades Operacionais da PMERJ, exigindo o emprego da tropa armada, equipada e especialmente treinada.

Como exemplo temos:

1 - Combate ao crime organizado, visando a captura ou neutralização de seus agentes;
2 - Captura de delinqüentes, fortemente armados e entrincheirados;
3 - Resgate de pessoas mantidas reféns;
4 - Atuação nas rebeliões de presos e estabelecimentos prisionais e nas unidades concentradoras de presos;
5 - Apoio às atividades específicas de Defesa Civil;
6 - Apoio às Operações Policiais Militares em favelas em que quadrilhas organizadas estão posicionadas e fortemente armadas,
7 - Execução de Operações Especiais de Polícia, por longo período de tempo, em áreas urbanas ou rurais, em terrenos montanhosos ou pantanosos, em zonas ribeirinhas ou costeiras;
8 - Execução de Operações helitransportadas, em missões como: Salvamento, localização de marginais entrincheirados em favelas, perseguições aéreas e similares;
9 - Apoio ao Departamento do Sistema Penitenciário (DESIPE) nas escoltas de presos de alta periculosidade;
10 - Execução de missões no Campo da Contraguerrilha Urbana e/ou Rural.

Estrutura Operacional

A partir do convênio celebrado entre o Governo Federal e o Estado do Rio de Janeiro, publicado em Diário Oficial da União, o BOPE participou ativamente de todas as Operações Militares desencadeadas em nosso Estado pelas Forças Armadas, tendo sido sua participação elogiada por todas as Corporações Militares e reconhecida como fundamental para o êxito das operações.

Atualmente, de acordo com Resolução da Secretaria de Segurança Pública nº 13, de 30 de janeiro de 1995, o BOPE está subordinado ao Comando das Unidades Operacionais Especiais (Cmdo UopE), constituindo-se em reserva tática para pronto emprego do Comandante Geral da Corporação.

 

Tropa do Grupo de Resgate e Retomada (GRR), que é a unidade de intervenção tática do BOPE. Esses homens são especialista em ações  de resgate de reféns e contra-terrorismo. Eles estão com coletes à prova de bala, fuzis Colt e pistolas 9 milímetros.

O BOPE é uma Unidade que busca em todas as missões superar-se, pois conta com homens voluntários dedicados, tecnicamente preparados e imbuídos do propósito de bem servir.

Após o seqüestro do ônibus o BOPE se especializou no regate de reféns e até 2009, 224 reféns foram resgatados com vida. Hoje o BOPE possui o GRR (Grupo de Resgate e Retomada), composto de policiais que treinam situações de resgate de reféns e outras atividades afins, contando inclusive com o apoio de atiradores sniper, que podem abater à distância um elemento que represente risco ao refém por exemplo. Nos Jogos Pan-Americanos, quarenta policiais do GRR trabalharam em conjunto com outros quarenta agentes federais na Unidade Contra-Terrorismo.

O BOPE tem 400 homens e 4 Companhias: Alfa, Bravo, Charlie, Delta. Cada uma delas tem quatro equipes com 32 militares cada, divididas em quatro frações de 8 homens. Existem ainda unidades de apoio, como a equipe de negociação, equipe anti-bombas, blindados e veículos especiais e o grupo de atires de precisão. Existe ainda o QG e o setor de inteligência.

Símbolo

O símbolo do BOPE-RJ é uma caveira. É o crânio de um esqueleto, com um punhal que a atravessa de cima para baixo e que tem, ainda, cravada em suas laterais, duas pistolas douradas. Significa, para eles, a vitória rápida (da faca) sobre a morte (a caveira). O lema da unidade:
Vitoria sobre a morte.

Para o Tenente-Coronel Pinheiro Neto que serviu no BOPE, os símbolos significam: Crânio: sabedoria;
Faca: O caráter de quem faz o ousar a sua conduta; Pistolas: O símbolo da Policia Militar; Os ramos de louro: representam a vitória sobre a morte. 

Como ingressar

Para fazer parte do BOPE é preciso ser policial militar concursado no Estado do Rio de Janeiro, ser voluntário para ingressar em um dos dois cursos do BOPE, o CAT ou o COESP, mas para isso o interessado deverá acompanhar a publicação das Normas Reguladoras e do Calendário Anual de Cursos, cuja publicação é feita no Boletim Ostensivo da PMRJ, pela Diretoria de Ensino e Instrução, o que ocorre, geralmente, no início de cada ano letivo.

· Ser Policial Militar, há no mínimo 2 anos;

· Estar enquadrado em bom comportamento;

· Passar por exame médico;

· Passar por exame médico;

· Passar por exame psicológico;

São oferecidas duas modalidades de curso para os membros do BOPE, de acordo com as duas atribuições da unidade.

Cursos do BOPE

Para ser um dos homens do BOPE é preciso passar uma temporada no inferno. Isto acontece no Curso de Operações Especiais (COEsp), com duração de três a seis meses, visando preparar o policial para intervenções em áreas de conflito e ao resgate de reféns. Este curso é reconhecido nacionalmente por todos os Órgãos de Segurança Pública, como sendo um dos cursos de maior responsabilidade ao nível de Comandos, capaz de possibilitar a seus Oficiais e Praças concludentes, executar e planejar missões especiais que venham a exigir elevado preparo técnico e psicológico, com vistas à atuação dirigida para as ações no Campo da Segurança Pública. Ele é oferecido para Oficiais e Praças da PMERJ, mas também oferece vagas para Oficiais e Praças de todos os Estados do Brasil que solicitarem, já tendo formado operações Especiais para: as Polícias Militares de Estados do Pará, Espírito Santo, Amapá, Mato Grosso, Paraíba, Bahia, Maranhão, Santa Catarina, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Alagoas, Sergipe, Distrito Federal e inclusive para os integrantes das Forças Armadas, Polícia Civil e Carabineiros do Chile.

A dureza do treinamento não é à toa. Formar-se ‘caveira’ significa atingir o mais completo nível na área de segurança pública. No currículo, constam aulas de gerenciamento de situações de risco, mergulho, rapel, negociação de reféns, montanhismo, sobrevivência, técnicas especiais de tiro, explosivos, combate corpo a corpo e em áreas de alto risco, entre outras modalidades. Cada curso é preparado com dois anos de antecedência. A estrutura conta com 80 PMs se revezando nas instruções. 

Alunos, os "aspiras", do Curso de Operações Especiais (COEsp), Antes do treinamento, recrutas passam por uma série de palestras para se ambientar ao que está por vir. Eles recebem informações sobre os exercícios e até como organizar as contas e a rotina da família durante os seis meses de ausência.

Durante duas semanas, os alunos dormem no máximo duas horas por dia. Acostumam-se a levar socos e tapas na cara e comem uma mistura de arroz, feijão, carne e massa jogada no chão. Os alunos também fazem provas escritas no escuro e em ônibus em movimento, tratam feridas com sal e passam madrugadas na água fria de uma represa. Como num ritual de iniciação de uma tribo de índios ou de uma seita religiosa, esses dias darão ao aluno outro comportamento, uma nova concepção de mundo e até outra forma de enxergar a si próprio.

Toda polícia de elite tem cursos específicos para seus novos integrantes. Geralmente duram de um a dois meses e formam policiais especializados em negociação com seqüestradores, resgate de reféns, desarmamento de bombas ou tiro de precisão.

As três badaladas fúnebres no sino representam a ‘morte’ do aluno. É o fim da linha no Curso de Operações Especiais para quem não aguentara o rigoroso treinamento ou não se sai bem nas avaliações. O ritual de quem deixa o acampamento é cercado de simbolismo, como um funeral de verdade. Em um pequeno cemitério, o ex-recruta deposita a lápide com o número de guerra. À frente dos túmulos, uma placa dispensa explicações: “Aqui jazem os fracos”.

O "Cemitério" dos aspiras mortos: quem não passa no curso deposita lá seu número de guerra. Os ‘caveiras’ gostam de espalhar a lenda de que as ‘almas’ de quem partiu ficam vagando pelo vale de Ribeirão das Lajes, até que o policial passe no curso e a resgate. “O aluno passa por um ritual de desligamento não para ser humilhado, mas para carregar dentro dele a vontade de querer voltar e fazer o seu melhor”, explicou o capitão Marcelo Corbage. As sensações são ainda mais intensas para quem volta para casa sem a missão cumprida. Os ex-alunos passam por entrevista e acompanhamento psicológico oferecido pelo Bope, para diminuir a frustração.

No Rio de Janeiro, também é assim: o Curso de Ações Táticas (CAT), e que tem duração de cinco semanas, e é uma síntese do curso de operações especiais, foi criado justamente após a trapalhada do BOPE durante o seqüestro do ônibus 174, em junho de 2000, quando o seqüestrador e uma refém acabaram mortos. Só que, enquanto os batalhões de elite do resto do Brasil e do mundo param nas operações com reféns, no Rio, o domínio dos morros por traficantes exigiu policiais ainda mais especializados. No Curso de Operações Especiais (Coesp), que dura até 5 meses, eles passam por um treinamento que a principio foi inspirado nas técnicas de combate a guerrilhas que o Exército usou nos conflitos do Araguaia, na década de 1970, além das táticas de fuzileiros navais das Marinhas brasileira e americana. “O que potencializou o treinamento do BOPE foi juntar técnicas de guerra para as operações urbanas nas favelas”, afirma Paulo Storani, secretário municipal de Segurança de São Gonçalo (RJ), ex-capitão do BOPE e um dos criadores do Coesp. Recentemente houve uma mudança de filosofia, segundo o tenente-coronel Paulo Henrique Azevedo de Moraes muita coisa mudou no COEsp nos últimos anos: “Tinha muitos reflexos da filosofia do Exército, de uma época linha-dura. Mudamos o planejamento, aumentamos o nível de conhecimento dos instrutores. Fomos buscar intercâmbio com outras forças para oferecer o que há de melhor. Temos que estar sempre um passo à frente para que o serviço prestado à população tenha qualidade máxima”.

Em 2006, de 34 inscritos, apenas 11 conseguiram se formar. Noventa por cento dos que abandonaram caíram nos 15 primeiros dias. Esse período, apelidado de Semana do Inferno, começa com uma aula inaugural em que o aluno passa por uma longa seção de tapas e socos. Depois, mesmo encharcado e com frio, o policial tem de seguir nos exercícios, que podem durar até 3 horas dentro da água. Às vezes isso acaba em tragédia: em 2003, um tenente morreu vítima de afogamento após sofrer hipotermia. Também andam horas a cavalo a ponto de ficarem com as nádegas e as pernas cheias de bolhas e feridas. Para que os ferimentos não inflamem eles sentam em bacias com água e sal grosso (salmora). Dizem que dói tanto que muitos chegam a desmaiar.

 

O braçal, o uniforme e a boina preta são motivos de orgulho dos policiais militares do BOPE.

Para o BOPE, as surras servem para duas coisas. Primeiro, dissuadir soldados pouco determinados. “A Semana do Inferno visa separar o joio do trigo”, diz o tenente-coronel Alberto Pinheiro Neto, que foi comandante do batalhão. Segundo, para que eles percam noções de hierarquia, conforto e humilhação, mantendo a sobriedade em situações- limite. A experiência de dar ou levar um soco na cara deixa de ter o significado que tem para pessoas comuns. “No curso, a auto-estima passa a valer mais que o sono e a alimentação”, diz o ex-capitão do BOPE Rodrigo Pimentel, um dos autores do livro Elite da Tropa, que inspirou o filme Tropa de Elite.

Mas a rigidez tem um efeito colateral – estimular a violência desmedida. Talvez por isso haja tantas denúncias de torturas cometidas pelo Bope (veja na página 66). E não são só ongs de direitos humanos que pensam assim. “O treino deve ser rigoroso, mas dar tapa na cara e ofender só serve para satisfazer instrutores sádicos”, diz David Ribeiro, ex-coronel da PM de São Paulo e hoje um psicólogo que estuda a mente dos policiais.

Talvez a truculência do curso possa ser explicada pelos rituais de iniciação descritos pela antropologia. Se índios pintam o corpo, os aspirantes têm o cabelo raspado e mudam de nome (passam a se chamados por números: 01, 02, etc.). “Esse é o processo de separação, em que eles perdem a identidade antiga e iniciam um período de conquista de uma nova identidade para si próprios”, diz Paulo Storani, autor de uma dissertação de mestrado sobre a construção da identidade do policial do BOPE.

Depois de deixar os costumes antigos, vem a hora de aprender um novo jeito de ser. Os alunos passam por uma jornada de aulas técnicas, quando aprendem montanhismo, mergulho e, claro, aulas de tiro em movimento, em favelas montadas com lona. “Nessa fase, o aluno também recebe os novos valores que vão identificá-lo como policial de elite, como as canções do batalhão e o jeito de falar”, diz Storani.

Com o fim do curso, o policial enfim tem direito a vestir a farda e a boina pretas e o braçal – motivo de orgulho. “Não dá para traduzir como a boina preta e o braçal são importantes para nós”, diz um policial da Rota de São Paulo, que também adota um uniforme assim. No BOPE, outro símbolo de identidade é o emblema da faca na caveira. Pode parecer infantil e estranho um grupo criado para assegurar a paz ter uma caveira como símbolo. Mas ela faz todo sentido para eles. Significa a ação vitoriosa e rápida (da faca) sobre a morte (a caveira). O símbolo também os diferencia na hora mais importante: o ataque.

 

Os membros do BOPE são profissionais extremamente bem preparados e prontos para operarem nos morros cariocas, considerados um dos cenários mais difíceis de lutar pois são densamente povoados, repletos de becos e vielas e o inimigo, fortemente armado, combate descaracterizado em meio a população civil.

Os homens que fazem o curso e aspiram uma vaga no BOPE são avaliados, durante os treinamentos, em onze critérios:

• Controle emocional

• Flexibilidade

• Agressividade controlada

• Disciplina consciente

• Espírito de corpo

• Iniciativa

• Honestidade

• Liderança

• Lealdade

• Versatilidade

• Perseverança

Estágios

Há vários estágios como o Estágio de Técnicas de Abordagens para Oficiais da Corporação, co-irmãs e de polícias estrangeiras; Estágio de Conduta de Patrulha em Áreas de Alto Risco para alunos do Curso de Formação de Oficiais da PMERJ; Estágios de Operações Especiais; Estágios de Prevenção e Repressão a Roubo em Edifícios e Residências; Estágio de Atirador de Escol; Estágio de Segurança de Dignitários para a Câmara Municipal do Rio; Palestras para o Programa Especial de Esforço contra Seqüestros, Estágio de Técnicas Especiais de abordagens para a Polícia Militar do Estado de Pernambuco e Ações Táticas para integrantes da Corporação e também para as Polícias Militares de outros Estados.

Treinamento constante

Além dos cursos COEsp e CAT, e dos estágios, os homens do BOPE estão constantemente buscando se aperfeiçoar inclusive com intercambio com outras outras unidades, inclusive estrangeiras. Segundo o tenente-coronel Paulo Henrique Azevedo Moraes o BOPE não vive na ilusão de que é  a melhor unidade policial do mundo por isso a busca por informações com outras pessoas que dominam outras áreas. Para isso a unidade está se preparando para que os homens tenham um conhecimento básico de inglês, francês e, principalmente, espanhol.

Uniforme

A farda preta é uma característica dos homens do BOPE. Em suas operações ao longo desses anos eles sempre fardas pretas, acompanhadas de sua boina da mesma cor.

Mas a partir de 2012 isto vai mudar. A faca na caveira continua lá, mas o BOPE estará adotando nova opção de camuflagem que é considerado o mais adequado ao perfil “multitarefas” da unidade, que atua tanto nas matas próximas a favelas como no ambiente urbano.. A nova padronagem camuflada é mais difícil de ser notada por bandidos em ambos os cenários, tornando o BOPE mais eficiente, pois a farda é um instrumento de trabalho. E estudos mostraram que a nova padronagem pode levar até cinco vezes mais tempo para ser notada do que a preta. São segundos que podem fazer a diferença entre a vida e a morte em numa operação. A farda negra é facilmente identificável à distância durante o dia, pelo contraste da cor com o ambiente, e até à noite, quando “faz silhueta”, expondo os PMs, porque a cor preta contrasta-se facilmente com qualquer cor à exceção dela mesma. O uso da farda preta será mais limitado, pois embora faça parte da mística dos “homens de preto”, paradoxalmente põe em risco a vida dos “caveiras”. Este tipo de farda continuará sendo usado para determinadas operações, como as noturnas e pelo Grupo de Resgate e Retomada de Reféns (GRR). A padronagem e o tecido da nova farda serão os mesmos usados fuzileiros navais dos EUA (USMC), o MarPat Woodland (Marine Pattern Woodland). O camuflado é formado por pequenos quadrados, como pixels, coloridos em quatro tons diferentes, e o tecido permite que o corpo respire, sendo portanto mais fresco, além de mais tem certa resistência ao fogo. Esses são os diferenciais em relação a uma farda camuflada em tons de verde escuro que o BOPE já possui, mas será aposentada.

Policial do BOPE com o novo padrão de camuflagem

Nem sempre os soldados do BOPE se vestiram da cor preta, só adotada em 1992. Antes – desde sua criação, em 1978, como Nucoe (Núcleo de Operações Especiais) – a farda era azul marinho. A decisão de adotar a farda preta, porém, não foi embasada em nenhum estudo. Foi baseada no uniforme do SAS (Special Air Service), tropa de elite do Exército Britânico, que invadiu a embaixada do Irã em Londres, tomada por terroristas, em 1980. Nesse caso, o uso do fardamento totalmente preto era uma arma psicológica para intimidar o inimigo, dando aos soldados o aspecto de “um ser desumano”. Mas o próprio SAS só usa seus uniformes negros em certas ocasiões especiais.

Equipamentos e Armas

A estrutura física do campo de batalha urbano afeta a utilização de armas e seus calibres, e no caso do Rio de Janeiro, este é um fator agravante, já que se luta uma guerra não declarada contra um inimigo interno por uma força de segurança pública e não militar. Pela sua regra de engajamento a polícia legitimada pelo Estado não está podendo responder com a mesma intensidade e poder de fogo que é recebida pelos traficantes. Em parte, pelo veto do Exército à aquisição de armas de calibre mais pesado como a Ponto 50, necessária à destruição das fortificações construídas pelos bandidos. Para frear a aproximação dos policiais, os traficantes têm reforçado paredes e varandas com concreto, colocando seteiras como pontos de tiros, o que justifica a necessidade de armas de maior calibre. O BOPE em suas ações utiliza basicamente os fuzis dos calibres 5,56 mm e 7,62 mm, além de carros blindados e helicópteros.



 

O Caveirão

A PMERJ se tornou referência por empregar efetivamente um veículo blindado no combate urbano no Brasil. O “caveirão” como é chamado, é uma mistura de carro-forte com ônibus blindado. Longe de ser satisfatório, é a única forma de prover segurança à tropa que patrulha as áreas conflagradas, ou em missões de resgate de policiais feridos. Oficialmente esse veículo é chamado de Veículo Blindado de Transporte de Pessoal, mas popularmente é conhecido mesmo como"Caveirão". Os veículos foram adquiridos em 2004 para ser usados contra o crime organizado nas operações realizadas nas favelas. Nesses locais a polícia costuma ser alvo fácil, pois do alto dos morros tem-se uma visão privilegiada de quem entra. Por isso, usar um veículo seguro é vital.

Os blindados têm cerca de 3 metros de altura, 5,6 metros de comprimento, e a capacidade para uma guarnição de 11 homens. Além do motorista e do que vai no banco ao lado, um fica em pé logo atrás desses dois, na torre. Ocupam o restante do veículo mais oito homens, sempre sentados: quatro virados para a lateral esquerda, quatro para a direita. O chassi utilizado nos veículos antigos era o mesmo encontrado no caminhão Ford Cargo 815, considerado inadequado por especialistas, uma vez que o peso do veículo, com a guarnição completa e armada, superava as 8 toneladas de peso bruto (o mesmo que uma baleia orca) para a qual o chassi foi projetado. Mesmo assim, pode alcançar uma velocidade de 120 km/h. Na verdade, o Caveirão é um carro-forte, como os que transportam dinheiro de bancos, adaptado para abrigar as tropas do BOPE.

Diferente do que a maioria das pessoas pensam, ele não é um carro de combate, ele é um carro de apoio. A principal finalidade dos veículos blindados é proteger a vida dos elementos da guarnição e romper as barreiras físicas utilizadas pelo narcotráfico. Os blindados são essenciais ainda no apoio ao resgate de unidades policiais encurraladas e na remoção de feridos dos cenários de confronto. . Apesar de ser criticado por entidades de Direitos Humanos, o Caveirão é defendido pelas polícias como medida de segurança aos policiais. De acordo com estimativas da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, o uso desses veículos blindados reduziu pela metade o número de mortes entre os policiais nas operações contra os narcotraficantes.

Policiais do BOPE ao lado do Caveirão

A blindagem do veículo "Caveirão" suporta fortes disparos, como os de fuzil 7.62, de submetralhadoras e de algumas metralhadoras. Entre as rodas e os pneus do veículo é instalado um anel, como se fosse outra roda, feita de aço reforçado. Essa blindagem propicia mais tempo caso seja necessária uma fuga. Mesmo se os pneus forem atingidos por tiros, o Caveirão consegue rodar cerca de 20 km, a uma velocidade de 80 km/h. A carroceria é totalmente blindada com chapas de balístico (um aço especial) e mantas de aramida. Entre os vidros há películas de substâncias bem resistentes, como polivinil butiral, policarbonato e poliuretano. Além disso, escudos de aço são baixados sobre o pára-brisa quando se está sob tiroteio. Mas como qualquer veículo blindado, não pode ficar tranqüilamente sob fogo contínuo. Mesmo com toda a proteção que ele oferece, os policiais precisam agir rápido, antes que as avarias sejam tantas que as balas comecem a entrar.



O Caveirão em corte

O Caveirão não possui armas acopladas. Os policiais atiram através de 20 seteiras, buracos protegidos por portinholas. O cano das armas se move cerca de 50 graus para cima e para baixo. Mas, como é difícil atirar com precisão,os policiais recebem treinamento para só disparar na hora H.

 

Os policiais atiram através de 20 seteiras, buracos protegidos por portinholas. O cano das armas se move cerca de 50 graus para cima e para baixo.

Nas favelas do Rio, os narcotraficantes têm cavado fossos e colocado obstáculos de concreto, trilhos de trem e pedras para impossibilitar a entrada do Caveirão. A exemplo das condições operacionais enfrentadas pelas tropas da ONU no Haiti, o BOPE teve que incorporar uma máquina escavadeira para fazer a desobstrução das vias para que os blindados pudessem passar: é a engenharia de combate sendo utilizada pela primeira vez em ações policiais no Brasil.

Os veículos se caracterizam por sua pintura preta, pelo logotipo do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar (BOPE), que apresenta uma caveira com uma adaga encravada e garruchas douradas cruzadas (daí o apelido), e pelo uso de alto-falantes que avisam a chegada do blindado. Seu uso é razão de extrema controvérsia entre setores da sociedade.

De um lado, defende-se a continuidade das operações, e mesmo sua ampliação, em razão do papel que teriam para trazer segurança aos agentes da lei. De outro lado, defende-se a abolição imediata das operações, pois as incursões seriam violadoras massivas de direitos humanos segundo estudiosos dos direitos humanos.

Veículos policiais especiais usados para intervenções nos guetos, foram inicialmente utilizados na África do Sul, entre 1948 e 1994, pelo regime do Apartheid. Esse tipo de veiculo é costumeiramente usado em países como os EUA para enfrentar bandidos fortemente armados, com os quais uma blindagem comum ou mesmo a falta dessa poderia vir a ocasionar lesões graves a policiais. Seguindo o mesmo preceito, é usado nas favelas da cidade do Rio de Janeiro devido ao armamento usado pelos traficantes: fuzis, granadas e armas antiaéreas.

Em 2010, a Polícia do Rio de Janeiro está se preparando para uma nova geração de Caveirões, menores e mais ágeis.

Além desses veículos a Unidade de Demolição do BOPE conta com pá mecânica, retroescavadeira, caminhões e trator de esteira, apelidados de "transformers". Essa é uma linha de veículos especialmente encomendados para destruir barricadas do tráfico nas favelas. Antes o BOPE usava equipamentos emprestados, que nem sempre estavam disponíveis e, caso houvesse danos, era preciso arcar com os custos.

Galeria de veículos do BOPE:

Um dos "transformers" do BOPE em operação sobe um morro. A cabine é blindada e tem ar-condicionado.

Um "transformer" usa um rompedor para quebrar obstáculos colocados pelo trafico.

Caminhão Munck do BOPE que pode facilitar o acesso dos caveiras a locais elevados como janelas de prédios.

O BOPE usa também veículos leves, como pick-ups, para rápidos deslocamentos.

Um Trailer é usado para apoio das operações

Apesar de não ter seus próprios helicópteros o BOPE tem capacidade de realizar operações helitransportadas usando para isso

helicópteros da PMERJ ou da Polícia Civil.

 

Armamento individual

Fuzil Colt de 5,56mm baseado no M16A1

Devido às exigências de sua atuação em situações especiais, é disponibilizado um armamento diferenciado aos policiais que servem no BOPE, como exemplo:
-Fuzil FAL calibre 7,62 x 51 fabricado pela IMBEL 
-Fuzil
Para-FAL calibre 7,62 x 51 fabricado pela IMBEL 
-Fuzil
Colt M16 calibre 5,56 x 45 
-Carabina Colt M4A1 calibre 5,56 x 45 
-Fuzil
AK 47 calibre 7,62 x 39 
-Fuzil
HK G3 calibre 7,62 x 51 
-Fuzil
HK PSG calibre 7.62 x 51 
-Carabina M1 calibre .30 (7,62 x 33) 
-Escopeta Benelli M3 (modelo Pump-action) 
-Pistola Taurus PT 92 calibre 9 mm 
-Pistola Taurus PT 100 calibre .40 
-Submetralhadora HK MP5 e MP5K calibre 9mm 
-Submetralhadora FN P90 calibre 5,7 x 28 
-Submetralhadora HK21 A1 calibre 7,62 x 51 
-Explosivos de uso militar 
-Granadas
 

Submetralhadora HK21 A1 calibre 7,62 x 51 de alimentação por fita de eles metálicos. É normalmente usada na torre do Caveirão, mas também pode ser utilizada por equipes em deslocamento a pé. É uma típica arma de apoio de fogo, necessária devido ao poder de fogo dos traficantes e por diversas vezes já salvou equipes do BOPE em combate.

 

Submetralhadora FN P90 5.7x28

Equipe Tática do BOPE planamente equipada com fuzis Colt, pistolas e granadas, além de capacetes balísticos

Explosivos são usados para destruir os pontos fortificados dos traficantes

Preparo físico

O preparo físico é essencial. Cada turno começa com exercícios físicos. No Rio só a Zona Sul é plana, as demais áreas. Existem cerca de doze tipos de protocolos de treinamento, um para cada tipo de terreno. Os militares do BOPE são submetidos constantemente a exercícios de reforço muscular. Isto é necessário porque os militares podem passar as próximas 24, 48 ou 72 horas em missão em qualquer terreno, só sendo substituídos três dias depois. Os homens do BOPE são submetidos constantemente ao Treinamento Físico Operacional ( Treinamento Físico para o Combate Urbano) elaborado pelo Preparador Físico Jorge Otero. Os militares realizam apoio de frente e abdominais com seus fuzis .

Artes Marciais

Devido às missões de alto risco, os membros do BOPE devem estar preparados para responder a qualquer agressão, o que inclui travar o combate corpo a corpo. Assim, este corpo de elite treina diversos tipos de artes marciais como por exemplo:

* Ving Tsun – Arte Marcial de origem Chinesa

* Jiu-Jitsu – Arte Marcial de origem Indiana e aprimorada no Brasil a partir das técnicas de Ne Waza do Judô “Brazilian Jiu Jitsu”

* Muay Thai – Arte Marcial de origem Tailandesa

* Kombato – Sistema de defesa pessoal de origem brasileira

* Krav Magá – Sistema de defesa pessoal de origem israelense

Comunicação

A comunicação durante uma missão do BOPE é fundamental. A comunicação é feita através de vários tipos de aparelhos de comunicação como rádio tático, Nextel e celulares. Os homens também se comunicam entre si através de sinais.

Planejamento das missões

Para que qualquer missão do BOPE seja bem sucedida, existe todo um trabalho de planejamento no tempo da pré-missão com o intuito de organizar todos os procedimentos, prever diversas hipóteses, escolher as melhores opções táticas e operacionais, além de buscar padronizar todas as condutas, para que durante a missão se possa maximizar a capacidade da tropa e se obtenha o máximo de rendimento, como o máximo de segurança e o mínimo de esforço, sem correr riscos desnecessários.

Para um bom planejamento pré-missão o BOPE conta com o apoio da inteligência que deverá fornecer informações sobre o terreno, rotas de acesso e fuga, capacidade bélica do inimigo, etc. São usados mapas, fotos, filmagens, maquetes, cartas cartográficas, croquis, relatórios, analises de operações anteriores, entre outras fontes para fornecer o máximo de informações. A coleta de inteligência é feita através de informantes, escuta telefônica, Disque-Denúncia, material da impressa, reconhecimento à paisana, etc.

Táticas - Progressão em favelas

O combate em ambiente urbano apresenta-se como um cenário tático complexo e desgastante. As edificações não só impedem que os soldados tenham campo de tiro e vigilância abertos, como também proporcionam ao inimigo defensivo múltiplas posições de fogo seguras. O grande número de civis na zona de ação pode gerar uma necessidade de auxílio humanitário e limitar as posições e opções da tropa. Nesse contexto, o Teatro de Operações da cidade do Rio de Janeiro é um dos mais complexos do mundo. Em um só terreno ele possui elementos de combate em localidade, selva e montanha.

 

A técnica de progressão em favelas foi desenvolvida no Brasil pelo BOPE-RJ, pela necessidade de agir no caos das ruas estreitas de favelas e morros da cidade do Rio de Janeiro.

Formar uma tropa que esteja pronta para cumprir missões nestes cenários, que saiba combater em área densamente povoada, contra um inimigo descaracterizado, fortemente armado e que tem a vantagem tática de estar no alto, é um desafio.

A técnica de progressão em favelas foi desenvolvida no Brasil pelo BOPE-RJ, pela necessidade de agir no caos das ruas estreitas de favelas e morros da cidade do Rio de Janeiro. As favelas se tornaram uma área hostil à polícia devido ao crime organizado, e era um grande obstáculo para as ações policiais, pois normalmente os criminosos possuem uma visão privilegiada posicionando-se estrategicamente nos morros. O BOPE conquistou o respeito de unidades militares estrangeiras por agir nesses ambientes urbanos de alta dificuldade.

Na hora de subir o morro, os homens do BOPE vão muitas vezes em patrulhas de 8 a 20 homens. Os mais experientes e habilidosos vão na frente e os companheiros ficam com a missão de “proteger” a retaguarda e as laterais.

Uma equipe de patrulha de 8 homens é composta dos seguintes elementos: 1º Ponta de Vanguarda, 2º Ponta de Vanguarda, Comandante (comanda a patrulha), Tarefa Especial (é quem aborda e faz a revista em algum suspeito, ele também tem a função de conduzir equipamentos especiais ou homens presos, por exemplo), Atirador, Sub-Comandante (comanda os pontas de retaguarda), 2º Ponta de Retaguarda e 1º Ponta de Retaguarda. Quando o a patrulha está saindo, o ponta de retaguarda passa a ser o ponta de vanguarda. O ponta sempre é o homem mais experiente. Todos se comunicam por gestos e o comandante se comunica com outras unidade por rádio.

Eles usam táticas especiais de combate como a conhecida por “dois por um”: quando estão nos becos das favelas um dos soldados aponta a arma para cima (o soldado fica em pé) e o outro aponta para baixo (o soldado fica abaixado). Em caso de começar uma troca de tiro com os bandidos o soldado que está agachado se deita, o que está em pé se agacha e um terceiro homem do Bope vem na cobertura.

Outra posição é a “três-meia-zero”, que consiste em fazer um círculo apontando suas armas pra frente, um círculo de 360 graus, por isso o nome da posição. O objetivo é proteger o policial que fica dentro do círculo (a Roda de Fogo) ou porque está ferido ou porque está falando no rádio e precisa da proteção dos companheiros.

Outra tática muito comum usada pelo BOPE é o “ataque surpresa”. Eles sobem, silenciosamente, pela encosta de um morro onde, do outro lado, na outra encosta há uma favela e onde querem surpreender os traficantes. Quando chegam ao topo do morro descem de rapel pela outra encosta (onde está a favela e os bandidos) chegando direto ao alvo pegando todo mundo de surpresa e realizando a ação.

O movimento mais perigoso numa ofensiva em localidade é entre posições, quando os soldados ficam expostos a atiradores e ao fogo de armas automáticas, ficando nitidamente enquadrados nas ruas e edificações.

Para proteger a tropa numa incursão na favela, os policiais são apoiados por “snipers urbanos”, que são os olhos da equipe, uma solução igualmente encontrada pelos Fuzileiros Navais brasileiros para apoiar a progressão dos seus Comandos Anfíbios durante operações no Haiti. Quando os soldados “sobem o morro” e são recebidos à bala, cabe ao atirador identificar a fonte dos disparos e neutralizá-la, para que a força possa progredir com maior segurança.

Os snipers do BOPE

Eles são uma elite dentro da elite. Os homens que compõem o pequeno o Grupo de Atiradores de Precisão (GAP) passam um treinamento de altíssimo nível que exige sempre muita perícia, disciplina e preparado físico, pois os atiradores as vezes ficam horas na mesma posição para efetuarem um único disparo. Os atiradores de elite do BOPE treinam pelo menos 4 horas por dias, mas só é considerado um atirador especializado depois de 5 anos de atuação. Normalmente as regiões do corpo que são visadas é a cabeça e a região do tronco. No BOPE existem cerca de 15 atirados de elite de prontidão. Cera vez em uma missão, usando rifles de precisão G3 os snipers do BOPE eliminaram três traficantes em 4 segundos a uma distancia de 100 metros.

O dia de um atirador de elite começa às 8h, quando vai aferir seu fuzil. No stand de tiros, o primeiro disparo não acerta com perfeição o alvo de papel a 100 metros de distância. O cano da arma ainda está frio. O segundo e o terceiro disparos são para corrigir o primeiro e os 47 demais, para se manter preciso. Uma vez por semana, os 15 atiradores de elite do Bope treinam juntos e são avaliados. Na polícia do Rio, passaram a ter mais atenção há nove anos, após o a fracassada ação no seqüestro do ônibus 174 quando refém e o seqüestrador morreram.

O objetivo de um sniper do BOPE em caso de refém é atingir área vital da cabeça entre o nariz e a boca, por isso os treinamentos são exaustivos. Se o indivíduo não for neutralizado imediatamente, se o bala não atingir o ponto certo, se ele não cair morto, pode ter tempo de atirar na vítima, e a operação de resgate fracassa.

A decisão de puxar o gatilho durante uma ação policial com refém é o último e mais arriscado recurso. Antes disso, o sniper atua como um excelente observador avançado, sempre auxiliado por um outro policial que é chamado de spoter, e esse policial que passa as coordenadas sobre distância do alvo e o clima ao atirador. Ele não pode errar com essas informações pois o sniper prepara o seu fuzil de acordo com esses dados. Como se posiciona em lugares altos, o atirador tem condições de colher informações sobre o inimigo durante os longos períodos da negociação e repassá-las por rádio para o comandante. Só ao final de todas as tentativas, quando o comandante envia o sinal, é que o sniper entra em ação. Mas na verdade quem escolhe o momento certo é o atirador

Nas operações em favela, sempre há pelo menos um sniper. Fica a cem metros do local do tiroteio, de onde consegue observar quem esteja ameaçando a vida de um colega de farda. O objetivo é neutralizar o bandido de forma definitiva, pois mesmo ferido, pode atirar num policial.

Sniper do BOPE, do Grupo de Atiradores de Precisão, com um fuzil HK G3 fuzil G3-SG1, com a excelente luneta Leopoldi que aproximava seis vezes a imagem natural.. 

Heckler & Koch G3SG/1 - 7.62x51mm NATO

Atirados do BOPE em treinamento no estádio do Engenhão, no Engenho de Dentro, zona norte da cidade do Rio.

 

O BOPE em ação

Não há muita rotina no BOPE. Os policiais desta unidade podem ter um dia no qual passam a maior parte do tempo no quartel ou no treinamento como pode ter um dia de operação full time, todo o tempo. E que excede, inclusive, o horário de trabalho deles. Não raro, os policiais do BOPE ao terminarem o horário de serviço, continuam por muitas horas.

“Quando ninguém consegue resolver, chamam o Bope”, diz o Capitão Nascimento no filme Tropas de Elite. Rodrigo Pimentel, que usou sua experiência no BOPE para escrever o livro Elite da Tropa e serviu de base para a construção do personagem Nascimento: “Os traficantes tinham invadido uma casa para se esconder. Atiravam, e acabaram acertando a perna de um PM. A polícia não conseguia mais sustentar a situação. Chamou o BOPE. Era uma favela em Niterói. Cheguei com a minha equipe de 8 homens. Os bandidos diziam que estavam com reféns... E eu não tinha levado um negociador, um policial treinado para dissuadir criminosos. Sabia que eles estavam bem armados, já que o barulho de um fuzil AK-47 é bem característico. Eram 11 da noite. Como tinha o tempo a meu favor, esperei amanhecer. Mandei o Gláucio, um soldado muito valente, ir rastejando até a casa para arremessar uma granada pela janela. Uma granada não letal, do tipo ‘luz e som’. Mas ela não entrava. Batia na janela e acabava estourando do lado de fora. Aí o Gláucio sugeriu que a gente abrisse um buraco na casa. À bala. Atiramos com os fuzis e deu para abrir um rombo do tamanho de uma bola de futebol. Então jogamos a granada. Funcionou: conseguimos invadir a casa sem matar os marginais.” O capitão Rodrigo tinha 24 anos. E esse foi só o fim de mais um dia de trabalho nos anos em que ele bateu cartão no BOPE, entre 1995 e 2000. Depois da noite em claro, acabava seu turno de 24 horas. O BOPE contabiliza diariamente em um quadro a quantidade de armas capturas e o número dos criminosos mortos.

O famoso Fuzil Para-FAL calibre 7,62 x 51 fabricado pela IMBEL 

Também rolam ações planejadas com antecedência, principalmente para invadir depósitos de armas, esconderijos de drogas e capturar foragidos. Nesses casos, o fator-surpresa é fundamental. Uma das táticas é subir morros por trás e descer de rapel para atacar o inimigo de surpresa; outra, cercar uma favela de forma ostensiva, com um monte de viaturas, dando toda a bandeira de que vão subir em busca de algo ou alguém. Aí, quando a atenção dos traficantes dos morros ao redor estiver voltada para a invasão iminente, o BOPE sobe o morro vizinho para pegar todos desprevenidos. Às vezes acontece algo mais pitoresco, como quando mandaram a PM matar os cachorros de uma favela durante o dia, dizendo que era por causa de uma epidemia de raiva, para invadirem à noite sem os latidos que alertariam os traficantes.

Na hora de subir o morro, os soldados vão em patrulhas pequenas e silenciosas, de 8 a 20 homens. O homem mais habilidoso vai na frente, guiando o grupo pelos becos das favelas. Outros ficam com a tarefa de proteger as laterais e a retaguarda. “A patrulha caminha com olhos para todos os lados”, diz o ex-capitão Paulo Storani.

Equipes do BOPE em progressão nas favelas

Se a violência é maior, pelo menos a corrupção tende a ser mais branda no caso das tropas especiais. O motivo principal é que essas tropas não fazem patrulhamento em lugares fixos e têm de agir rápido. Isso torna mais raras as oportunidades de pedir caixinha em troco de vista grossa. No Bope, a coisa virou questão de honra. Caveira não se suja com isso. Ponto. O livro Elite da Tropa até relata a execução de um soldado corrupto pelos colegas. Claro que Rodrigo Pimentel não confirma. Mas também não desmente. Apenas diz: “O BOPE abomina corrupção. Não tolera. Quando um policial novato roubou o relógio de um traficante, virou inquérito, e ele acabou afastado”.

Em off, atuais e ex-integrantes do BOPE confirmam há tortura em muitas operações. Em Elite da Tropa, surgem métodos que deixam no chinelo o onipresente saco de asfixia. “No livro, misturamos e recombinamos propositalmente cenários, fatos e personagens para que ninguém pudesse identificar as ações. Mas basta fazer um levantamento de 10 anos da crônica policial para encontrar os fatos narrados”, afirma um dos autores da obra, o antropólogo Luiz Eduardo Soares, secretário de Prevenção à Violência de Nova Iguaçu (RJ) e ex-subsecretário estadual de Segurança Pública do Rio. Porém tortura é crime, e em 1997 o crime de tortura foi definido por lei: empregar a violência para provocar sofrimento físico ou mental.

Fontes:

www;wikipedia.org
http://www.diariodeumpm.net
http://www.diariodeumpm.net/2008/03/11/conheca-as-tropas-de-elite-de-todo-o-brasil/
http://pessoas.hsw.uol.com.br/policias-de-elite.htm
http://odia.terra.com.br

 

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