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DEUTSCHE AFRIKA KORPS (DAK)- 1941/1943


No começo de 1942, na Câmara dos Comuns, Winston Churchill prestou a Rommel um tributo só muito raramente concedido a um inimigo em tempo de guerra: "Temos pela frente um adversário muito audaz e hábil, e, permitam-me dizer, de lado a devastação da guerra, um grande general". Esse tributo poderia, com idêntica justiça, ser prestado ao próprio Afrika Korps, usando o termo "grandes soldados"; que seja isto levado à luz da História.

O nome de Rommel tornou-se mais famoso que o de qualquer dos principais protagonistas na Segunda Guerra Mundial e, pela sua fama, o Afrika Korps alemão, que ele comandou nas campanhas da África do Norte, tornou-se igual­mente celebrado. Ambos estão indelevelmente gravados nas páginas da História, devido a sua espantosa carreira no deserto _ de sua chegada a Tripoli, em fevereiro de 1941, a sua derrota final, na Tunísia, quase dois anos e meio depois, em maio de 1943. 

Quando os primeiros elementos do Afrika Korps chegaram à África, em meados de fevereiro de 1941, o que restava do grande exército italiano do Marechal Graziani na Cirenaica acabava de ser isolado e capturado, em Beda Fomm, pela força mecanizada britânica, sob o comando do General 0'Connor. As forças italianas restantes, na Tripolitânia, tão abaladas se encontravam com as noticias desastrosas, que não tinham como defender o último ponto de apoio da Itália naquela região, O primeiro navio-transporte alemão chegou à baia de Tripoli no dia 14 de fevereiro, dois dias depois da chegada do próprio Rommel. Trazia apenas duas unidades avançadas, e Rommel apressou a ida destas para a frente, que no momento era defendida por um único regimento de italianos, de modo a criar o máximo de atividade possível para ocultar sua debilidade e impedir que os britânicos conseguissem expulsar os italianos da África.

Somente perto de meados de março é que o regimento Panzer da sua principal divisão desembarcou em Tripoli. Até fins de março de 1941, o restante dessa divisão, a 5ª Ligeira, mais tarde rebatizada 21ª Panzer, não havia ainda chegado. A segunda das suas duas divisões, a 15ª Panzer. só chegaria em maio.Não obstante, desfechou ele uma contra-ofensiva de sondagem, no final de março, com sua única divisão (ainda incompleta) do Afrika Korps, sentindo que os britânicos, de­pois de prolongada ofensiva pela Cirenaica, estavam exaustos e em processo de reorganização. Injetando ânimo e coragem, com essa manobra, em seus aliados italianos, conseguiu que estes o apoiassem com partes das três novas divisões que lhe foram enviadas da Itália.

Blindados do Afrika Korps desembarcam na África

O avanço de experiência mostrou-se mais bem sucedido do que ele esperava, e Rommel o explorou sem demora, e com tal efeito demolidor, que, passa­dos quinze dias, havia reconquistado aos britânicos todos os ganhos recentemente realizados na Cirenaica, exceto o porto de Tobruk, onde cercou a maior parte do que restava das tropas britânicas. 

Soldado australiano da 9ª Divisão durante o cerco a Tobruk em 1941.

Embora seus esforços para capturar Tobruk fracassassem, a balança da guerra na África começou drasticamente a pender para os germânicos.Em maio de 1941, e novamente em junho, os britânicos desfecharam renovadas ofensivas, com novas forças enviadas à África do Norte, mas Rommel e o Afrika Korps conseguiram repelir todas elas, ao mesmo tempo que mantinham o cerco de Tobruk. Em novembro de 1941, depois que Auchinleck substituiu Wavell como Comandante-em-comandante no Oriente Médio, os britânicos desfecharam ofensiva muito mais forte, a qual Winston Churchill esperava que derrotasse o Afrika Korps e expulsasse alemães e italianos da África.

As forças britânicas, agora com o nome de 8° Exército, superavam os alemães e italianos, juntos, em número de tanques, na proporção de 9 para 4, e os alemães isoladamente _ que eram "a espinha dorsal do exército inimigo", como salientava Auchinleck, em mais de 4 para 1. Na realidade, o total de tanques dotados de canhões dos britânicos era de 756, com cerca de um terço mais em reserva, ao passo que o total de tanques alemães dotados de canhões era 174 e dos italianos, 146 — de tipo antiquado. Mas nessa ação chamada Operação Crusader apenas a diferença do volume das forças em choque, depois de prolongada e arriscada luta, é que levou Rommel e suas forças a se retirarem da Cirenaica para a fronteira da Tripolitânia, de onde haviam avançado na primavera.

No dia 1° de junho de 1942, a A sudoeste do porto de Tobruk, o Afrika Korps e o 8° Exército britânico acham-se empenhados, há cinco dias, em uma sangrenta batalha. Encurralados contra os extensos campos de minas da linha de El Gazala, as forças alemães desprovidas de combustível e munição, encontram-se em gravíssima situação. Rommel, sem vacilar, ordena que seus tanques aniquilem uma brigada de infantaria britânica, entrincheirada às suas costas e estabelece contato, através do campo minado, com as unidades do 10º Corpo de Exército italiano. Assim, a crise é superada.

Enquanto as Panzer se reabastecem aceleradamente, os ingleses permanecem inativos. Uma terrível confusão reina nas fileiras do 8º Exército. Seu chefe, o General Ritchie, convencido de que a batalha está ganha, dispõe-se a lançar um último ataque para exterminar as unidades de Rommel, que “caíram na ratoeira”. No entanto, não consegue coordenar um plano definido e perde, assim, um tempo precioso. Resolve, finalmente, efetivar uma investida direta contra as posições alemães. O ataque, partindo do sudoeste, será feito por tropas de infantaria da 5ª Divisão hindu e pela 22ª Brigada blindada. Simultaneamente, a 32ª Brigada de tanques pesados intervirá também no assalto vindo do norte. A operação, designada de Aberdeen, se iniciará na manhã de 5 de junho.

A falta de ação dos britânicos possibilita a Rommel uma pausa de 4 dias, que ele aproveita procurando reorganizar suas dizimadas unidades e consolidando as defesas do perímetro que ocupa. Com serenidade e absoluta confiança na vitória, aguarda então o ataque das forças de Ritchie.

Durante a noite de 4 para 5 de junho de 1942, Rommel situou a 15ª Divisão Panzer ao sul do perímetro defensivo, com o objetivo de poder deslocá-lo livremente para o nordeste ou sudoeste, conforme a orientação do ataque britânico. De suas trincheiras, na vanguarda, os soldados do Afrika Korps podiam vislumbrar na obscuridade as massas negras dos carros blindados inimigos tomando posição para o ataque. Às 03:00 horas da madrugada, a infantaria hindu iniciou o avanço e conseguiu penetrar profundamente nas linhas alemães. Chegou o dia, porém, e com ele a derrota para os britânicos.

Pouco antes das 06:00 da manhã, e depois de uma hora de violenta preparação pela artilharia, a 22ª Brigada blindada, integrada por 156 tanques leves Stuart, deslocou-se em leque e investiu contra as linhas defendidas pela divisão blindada Ariete. No primeiro momento, o ataque britânico teve sucesso, e obrigou os tanques italianos a recuar até às linhas da artilharia alemã. Ali, os blindados ingleses caíram sob o fogo cerrado das mortíferas peças de 88 mm e sofreram enormes baixas.

Os tanques que conseguiram escapar à destruição retiraram-se aceleradamente e deixaram abandonadas, a retaguarda, as unidades de infantaria. Do sul, avançando velozmente, a 15ª Divisão Panzer e um grupo motorizado conduzido pelo próprio Rommel cortaram a retirada dos ingleses e os submeteram a um fogo devastador. Combatendo com bravura extraordinária, os tanques britânicos abriram passagem até suas linhas.

Enquanto isso, ao norte, a 32ª Brigada de tanques, composta por tanques Matilda, foi rechaçada pela 21ª Divisão Panzer e embrenhou-se num campo de minas alemão, sofrendo grandes baixas, causadas pela ação combinada dos explosivos e canhões antitanque. Ao cair da noite, o deserto se iluminou com os restos flamejantes dos tanques ingleses destruídos. Em seu fracassado ataque o 8º Exército perdeu 110 tanques. Milhares de soldados de infantaria ficaram aprisionados por trás das linhas alemães.

Tanque britânico Matilda Mk III, Líbia - 1941

Na manhã seguinte, as brigadas blindadas britânicas lançaram-se novamente ao ataque, para resgatar as unidades cercadas. Convergindo do leste e do oeste, as Panzer encurralaram os tanques inimigos e lhes causaram novas e tremendas perdas. A jornada terminou com a derrota total das forças de Ritchie. Nessa seqüência brutal de combates, o comandante britânico havia perdido 168 tanques médios, 50 pesados, quatro regimentos de artilharia, uma brigada de infantaria hindu e todo o grupo de apoio da 7ª Divisão Blindada.

Bir Hacheim

Depois de rechaçar o ataque britânico, Rommel decidiu eliminar a guarnição francesa de Bir Hacheim, que, desde 2 de junho de 1942, resistia obstinadamente aos ataques das formações alemães e italianas. A tomada desse reduto permitiria a Rommel manter limpa sua retaguarda, o que lhe daria ampla liberdade de ação para empreender o assalto final contra as forças britânicas, sediadas em torno de El Gazala e Tobruk.

A partir de 6 de junho, as tropas de Rommel realizaram repetidos e violentos ataques contra Bir Hacheim, apoiados pelo bombardeio incessante dos Stukas. Não conseguiram, no entanto, dobrar a desesperada resistência dos franceses livres, que, na noite de 10 de junho, abriram passagem através do cerco e se incorporaram às linhas do 8º Exército. Bir Hacheim ficou, assim, nas mãos de Rommel, que, na tarde de 11 de junho, colocou a totalidade de suas forças em marcha para o norte, decidido a travar sem demora a batalha final. Ao ter conhecimento da queda de Bir Hacheim, o General Ritchie procurou reconstituir a frente de combate, agrupando suas forças numa linha paralela à costa do Mediterrâneo. Dois redutos, Knightsbridge e El Adem, constituíram-se nos pontos chaves dessa posição, defendidos, respectivamente, pela Brigada da Guarda e pela 29ª Brigada hindu. O comadante britânico acreditava que podia rechaçar a iminente investida de Rommel, pois ainda contava com numerosos carros blindados (250 tanques médios e 80 Matildas). Determinou então a seus subordinados que empregassem os tanques em estreito contato com as unidades de artilharia e infantaria, para não as expor, isoladamente, a um novo choque com os Panzer.

O General Norrie, comandante do 30º Corpo de Exército, contudo, afastando-se dessa orientação, ordenou à 7ª e à 1ª Divisões Blindadas que transpusessem a linha fortificada e saíssem ao encontro das forças de Rommel. Nas últimas horas da tarde de 11 de junho, a 15ª Divisão Panzer e a 90ª leve avançaram para El Adem, sob o comando direto de Rommel. Simultaneamente, a 21ª Divisão Panzer marchou para o ataque contra o centro das posições britânicas. Levantando gigantescas nuvens de poeira, os carros blindados alemães convergiram sobre as linhas inimigas. Nessas circunstâncias, um destacamento da 90ª Divisão leve deu de encontro a uma coluna de veículos blindados na qual viajava o General Messervy, comandante da 7ª Divisão blindada. Aproveitando a confusão, o general britânico conseguiu fugir, refugiando-se no interior de um poço de água seco, onde permaneceu escondido durante o decorrer do dia 11. Ao ter notícia do desaparecimento de Messervy, o General Norrie confiou o comando da 7ª Divisão ao General Lumsden, comandante da 1ª Divisão blindada, e lhe ordenou que atacasse imediatamente, com as duas unidades, a 15ª Divisão Panzer, cujas colunas se encontravam já a 10 km a sudoeste de El Adem.

Enquanto os britânicos se encaminhavam para o ataque, Rommel deslocou a 21ª Divisão Panzer, em um movimento envolvente, e rodeou, pela retaguarda, a 7ª Divisão inglesa. Surpreendidos no meio da manobra que se preparavam para executar, os tanques britânicos, sob o violento fogo concentrado dos Panzer e das baterias antitanque, sofreram grandes baixas. Em meio à batalha, chegou Lumsden, do norte, com os tanques da 1ª Divisão. Imediatamente, compreendeu que não era mais possível realizar o ataque planejado por Norrie, e lhe propôs uma retirada imediata de todas as unidades blindadas para o reduto fortificado de Knightsbridge. Norrie, contudo, insistiu em seu plano.

A partir desse momento ficou selada a sorte das unidades blindadas britânicas. No furioso combate com os Panzer, os tanques do 8º Exército foram destruídos, um após o outro. Na manhã de 12 de junho, a 21ª Divisão Panzer e a 15ª fechavam suas pinças no leste e no oeste, enquanto as divisões italianas Ariete e Trieste pressionavam no sul.

Panzer do Afrika Korps tenta melhorar a sua blindagem frontal

No momento em que estava ocorrendo essa dramática batalha, chegou ao porto de comando de Ritchie o General Auchinleck. Os dois analisaram a situação, e consideraram, apesar das graves perdas sofridas, que deviam sustentar a frente de combate. Determinaram, portanto, que o 8º Exército prosseguisse resistindo ao logo da linha El Gazala - Knightsbridge - El Adem. Deveria ser contida a qualquer preço a penetração de Rommel para o norte!

Rommel, contudo, já havia conseguido rechaçar o resto das brigadas blindadas britânicas em direção a Knightsbridge e, ao cair da noite, irrompeu com suas forças pelo caminho que une esse posto ao reduto de El Adem. A frente do 8º Exército ficou, assim, rompida. Todas as unidades situadas a oeste, na linha de El Gazala, estavam em perigo iminente de serem cercadas pelos Panzer. Uma terrível confusão instalou-se nas fileiras britânicas. O General Norrie, comandante do 30º Corpo de Exércitos, perambulou no seu veículo através do deserto, tratando desesperadamente de reagrupar suas forças. Na cruenta luta de 12 de junho havia perdido 260 tanques.

Sem dar trégua aos ingleses, Rommel continuou, no dia 13, o seu avanço. Durante toda a manhã os canhões do Afrika Korps, bombardearam, com ruído infernal, o reduto de Knightsbridge sem conseguir sufocar a heróica resistência da brigada da Guarda. A 15ª Divisão Panzer prosseguiu convergindo para o leste, aniquilando os tanques e veículos blindados que encontrava pelo caminho. Do oeste, a 21ª Divisão Panzer completou a manobra de pinça deslocando-se, dificilmente, em meio a uma tremenda tempestade de areia. A batalha prosseguiu com fúria crescente durante o resto do dia. Ao cair da tarde, as forças blindadas do 8º Exército haviam ficado reduzidas a 70 tanques. Agora, nada podia impedir a vitória de Rommel.

Nessa noite, a brigada da Guarda abandonou suas posições em Knightsbridge, depois de ter sofrido a perda da quase totalidade de seus veículos blindados de apoio, e conseguiu incorporar-se ao grosso do 8º Exército. A evacuação desse reduto deixou a Rommel o caminho livre até a costa. Imediatamente Rommel compreendeu que devia completar, o mais rápido possível, a penetração para o norte, a fim de ganhar a costa, e bloquear a estrada que corre paralela ao Mediterrâneo. Dessa forma conseguiria cortar a última rota de fuga que restava às divisões britânicas de infantaria que ainda permaneciam entrincheiradas na linha de El Gazala.

Em meio à escuridão os Panzer do Afrika Korps iniciaram sua concentração, preparando-se para atacar. As divisões italianas Ariete e Trieste deslocaram-se velozmente sobre o flanco oriental para cobrir o avanço, e a 90ª Divisão leve alemã movimentou-se para Tobruk com a missão de cortar em profundidade a linha de retirada do 8º Exército. Sobrepujando o seu esgotamento, os soldados e tanquistas alemães e italianos subiram em seus veículos, com a jubilosa certeza de que a vitória já estava em suas mãos.

Às 10:30H da manhã de 14 de junho de 1942, Ritchie, convencido de que a batalha estava perdida, enviou um telegrama a Auchinleck, anunciando-lhe a sua intenção de retirar as tropas de El Gazala em direção à fronteira egípcia.

O General Norrie, comandante do 30º Corpo, havia ordenado ao General Gott, comandante das tropas de El Gazala, que iniciasse o movimento de retirada. Ritchie pretendia reagrupar todas as unidades sobreviventes do 8º Exército, a leste de Tobruk, e manter a resistência nessa fortaleza, mesmo quando fosse novamente sitiada. Esse plano contradizia a decisão adotada no mês de janeiro, juntamente com Auchinleck, quando se havia resolvido que, em caso de uma derrota, não se defenderia Tobruk.

Rommel, enquanto isso, se achava já em marcha para o norte. Rodando velozmente através do deserto, as colunas do Afrika Korps se dirigiam em linha reta para a estrada costeira, pela qual se retiravam aceleradamente as tropas inglesas. De improviso, os tanques se internaram num extenso campo minado, e numerosos veículos foram destruídos. O avanço ficou paralisado.

Enfurecido pelo contratempo inesperado, Rommel ordenou aos destacamentos de sapadores que procedesse imediatamente à abertura de um caminho através da barreira de minas. Os britânicos, contudo, impediram a operação, lançando uma mortífera cortina de fogo com sua artilharia. Nesse momento, desabou em violenta tempestade de areia, que permitiu aos alemães abrir passagem pelo campo minado. Não conseguindo, porém, superar as unidades inglesas, entrincheiradas na sua rota de avanço. As horas corriam e o Afrika Korps continuava detido, apesar de suas furiosas arremetidas contra as posições inimigas. Rommel decidiu, então abrir fogo com todas as suas baterias pesadas, sobre a estrada costeira, agora muito próxima de suas linhas avançadas. O estrondar dos projeteis alemães, que explodiam ao longo da estrada, se uniu ao surdo rugido das cargas de demolição, com que os britânicos faziam voar seus depósitos de combustível e munições, no porto de El Gazala.

 Ao cair da tarde, um regimento de infantaria alemão lançou um violento ataque contra as linhas inglesas, e, apesar da encarniçada resistência, conseguiu ganhar terreno. A luta prolongou-se, com selvagem intensidade, durante várias horas. Finalmente, os britânicos começaram a ceder. A noite se fechava já sobre o cenário da sangrenta batalha. Extenuados, os infantes alemães aniquilaram os últimos focos de resistência, apoiados pelo fogo dos canhões dos Panzer. Mais uma vez, os soldados britânicos haviam demonstrado sua indomável tenacidade numa luta sem esperanças, contra forças arrasadoramente superiores.

Enquanto acontecia esta batalha, as tropas da 1ª Divisão sul-africana efetuavam uma retirada forçada pela estrada costeira, em direção à fronteira egípcia, sob o fogo dos Stukas e da artilharia do Afrika Korps. Mais ao sul a 50ª Divisão de infantaria britânica, comandada pelo General Ramsden, dava início a uma audaciosa manobra. Impedida de retirar-se para o norte, lançou-se a um ataque frontal contra as forças do 10º Exército italiano, e, depois de atravessar a linha minada de El Gazala, realizou uma ampla volta para o sul e se evadiu para o Egito, pela retaguarda do Afrika Korps. A armadilha de Rommel, assim, fechou-se sobre o vazio.

Nas primeiras horas do dia 15 de junho, as unidades de vanguarda da 15ª Divisão Panzer, atravessando a estrada costeira, prosseguiram avançando até alcançar a costa do Mediterrâneo. Na estrada, como unidade de contenção, ficou unicamente um destacamento de sete tanques. Essa débil força não pôde fechar a passagem aos contingentes sul-africanos, que, em desesperada retirada, afluíam de El Gazala. Milhares de sul-africanos puderam assim evadir-se para Tobruk. Algum tempo mais tarde tornaram a convergir sobre a estrada as restantes colunas do Afrika Korps e fecharam definitivamente a brecha.

Sem dar às suas tropas, sequer, tempo de respirar, Rommel dirigiu a 21ª Divisão Panzer para apoiar a 90ª leve, cujas unidades se encontravam empenhadas numa violenta luta com as forças hindus que defendiam o reduto de El Adem, a poucos quilômetros ao sul de Tobruk. As formações Panzer, atacadas incessantemente pelos aviões da RAF, completaram seu deslocamento, e prosseguiram avançando para além de El Adem, até a localidade de Sidi Rezegh, onde, ao cair da noite, foram contidas pelos britânicos.

Auchinleck, enquanto isso, havia ordenado a Ritchie, seguindo categóricas instruções de Churchill, que defendesse Tobruk. Esta fortaleza contava com uma guarnição de 35.000 soldados, em sua maioria pertencentes à 2ª Divisão sul-africana, porém, suas defesas e campos minados se achavam num total estado de abandono. Confiados que haviam de deter Rommel na linha de El Gazala, os britânicos não haviam tomado as precauções necessárias para reparar as fortificações da fortaleza. Essa negligência haveria de custar-lhe a perda de Tobruk.

Enquanto o Afrika Korps continuava irrompendo para o oeste; os últimos contingentes do 8º Exército terminavam a sua retirada na fronteira egípcia. A derrota britânica era total.

Ataque a Tobruk

A 16 de junho de 1942 as forças de Rommel redobraram seus ataques contra os redutos britânicos, situados em torno da praça-forte de Tobruk. A 29ª Brigada hindu prosseguia oferecendo encarniçada resistência em El Adem e conseguiu rechaçar os ataques da 90ª Divisão leve do Afrika Korps. Mais para o norte, contudo, os alemães conseguiram apoderar-se dos poderosos fortes de El Duda e Belhamed. Ritchie e Auchinleck compreenderam, então, que a sorte de Tobruk estava selada.

Ao cair da noite, o comandante do 8ª Exército determinou que a 29ª Brigada abandonasse El Adem e procurasse abrir passagem através do cerco alemão. Sob o comando do General Denis Reid, os esgotados soldados hindus, montando em seus caminhões e veículos blindados, irromperam, surpreendentemente, através das linhas inimigas, retirando-se velozmente até a fronteira egípcia. Alguns destacamentos ficaram para trás, cobrindo a evasão dos seus companheiros. Finalmente, na manhã de 17 de junho, os alemães ocuparam El Adem, capturando 500 prisioneiros e grande quantidade de material de guerra.

Havia chegado o momento decisivo. Rommel reagrupou suas unidades e marchou rapidamente para o aeródromo de Gambut, situado junto à costa, a leste de Tobruk. Esta manobra tinha por objetivo eliminar as últimas forças britânicas que ainda resistiam nas cercanias da fortaleza e desbaratar as esquadrilhas da RAF, que operavam de Gambut contra as colunas do Afrika Korps. Uma vez ocupada essa base, Rommel teria as mãos livres para jogar a cartada final contra Tobruk.

Movimentando-se com velocidade através da deserto, os Panzer se aproximam do seu objetivo cobertos, na retaguarda, pelas unidades da divisão blindada Ariete. Nessa circunstância, Ritchie realizou uma última e desesperada tentativa para impedir que Rommel fechasse o cerco de Tobruk. Comandada pelo General Messervy, a 4ª Brigada blindada abandonou as posições fortificadas da fronteira e se dirigiu para o oeste, tencionando deter, mediante um ataque de flanco, de surpresa, a penetração do Afrika Korps. Integravam essa unidade 90 tanques de todos os tipos, tripulados por homens de várias brigadas britânicas que haviam sido destruídas nos combates anteriores. Com seus galhardetes tremulando ao vento, os tanques britânicos arremeteram frontalmente contra as forças alemães e, em poucos minutos, travaram uma confusa e desesperada luta com os Panzer. Os alemães, finalmente, conseguiram rechaçar o ataque, e destruíram 32 tanques ingleses. O 8o Exército perdeu assim, sua última formação de blindados.

Ao cair da tarde, Rommel ordenou à 21ª Divisão Panzer, que avançasse diretamente para o norte e, à frente de suas formações, marchou rumo a Gambut. Às 10 da noite, os tanques de vanguarda se aproximaram das defesas exteriores da base, depois de uma difícil e lenta movimentação através do campos minados. O grosso da divisão permaneceu detido, na retaguarda, no limite da barreira de minas. Com o despontar do dia, as colunas puseram-se novamente em movimento, sob os incessantes bombardeios dos aviões da RAF. Conseguiram, contudo, prosseguir o avanço, e pouco depois das 4 da tarde, cortaram a rodovia e a estrada de ferro paralelas à costa. Tobruk estava cercada!

Nessa mesma noite, um regimento de infantaria motorizada lançou-se ao ataque e ocupou Gambut. Na base, que os britânicos não evacuaram até o último momento, os alemães conseguiram apoderar-se de 15 aviões intactos e grande quantidade de combustível, com o qual reabasteceram seus veículos e tanques. Rommel empregou todo o dia 19 distribuindo e localizando suas forças para o ataque a Tobruk. As divisões italianas Pavia, de infantaria, e Littorio, blindada (esta última acabava de chegar à frente, procedente de Trípoli), postaram-se, pelos oeste e pelo sul, em frente à fortaleza, para cobrira ação do Afrika Korps e do 20º Corpo mecanizado italiano

Cai a fortaleza

Rommel planejou rapidamente a operação de assalto, pois, desejava aproveitar ao máximo a desorganização que imperava nas fileiras que defendiam a fortaleza. O 20° Corpo italiano, integrado pelas divisões italianas Ariete e Trieste, realizaria um ataque de dispersão, no sudoeste. Simultaneamente, as divisões Panzer 15ª e 21ª tentariam romper o cinturão fortificado, apoiados pela totalidade das esquadrilhas da Luftwaffe e da Régia Aeronáutica. Ao mesmo tempo a 90ª Divisão leve se deslocaria a toda velocidade até a fronteira egípcia, para aumentar a incerteza dos britânicos acerca da verdadeira orientação do ataque.

Ao alvorecer de 20 de junho de 1942, as forças do Eixo estavam prontas para desfechar o assalto. Rommel, no último instante, passou em revista seus homens e os incitou a realizar um supremo esforço. Tobruk teria que ser conquistada a qualquer preço, a fim de que ficasse, definitivamente, aberto o caminho para o Cairo. Às 5h20 da manhã, os Stukas se lançaram em picada sobre as fortificações, descarregando uma chuva de bombas. Violentas explosões e gigantescas colunas de areia sucediam-se ao longo de toda a frente. Amparadas por esse dilúvio de fogo e aço, as tropas de infantaria do Afrika Korps se aproximaram das linhas inimigas e deram início ao ataque, internando-se pelas brechas abertas nos campos minados pelos destacamentos de sapadores.

Duas horas mais tarde, depois de sustentar furiosos combates corpo a corpo com as tropas hindus e sul-africanas, entrincheiradas nos postos de vanguarda, os infantes alemães conseguiram estabelecer uma cabeça-de-ponte dentro do perímetro fortificado. Rapidamente, os sapadores se internaram pela brecha, e passaram a estender pontes sobre a profunda fossa antitanque que rodeava Tobruk. Às 08:00h o trabalho estava terminado, e Rommel ordenou aos Panzer que invadissem a toda velocidade o interior da fortaleza.

Rommel se incorporou às unidades de vanguarda da 15ª Panzer, e, depois de uma difícil travessia dos campos minados, sob o intenso fogo da artilharia inglesa, cruzou, com seu veículo de comando, o fosso antitanque. Nesse momento, apareceram de surpresa, os tanques pesados Matilda, lançados de Tobruk pelos britânicos, numa desesperada tentativa de conter a penetração. Os Panzer enfrentaram resolutamente aqueles blindados lentos e em encarniçada luta conseguiram rechaça-los, causando-lhes elevadas perdas. Rommel ordenou então às divisões italianas Ariete e Trieste, localizadas na retaguarda que cruzassem a fossa antitanque e se incorporassem ao Afrika Korps. Uma vez reunidos, os tanques alemães e italianos lançaram-se velozmente pelo terreno rochoso, arremetendo contra os Matilda que ainda ofereciam resistência. Cerca de 50 tanques blindados britânicos foram destruídos em poucos instantes. O caminho para Tobruk ficou assim, praticamente, desimpedido.

Com força total em seus motores, os Panzer avançaram, então, até o porto, seguidos pelos veículos semi-blindados carregados de soldados, e pelas baterias de 88 mm. Do oeste, as baterias do forte Pilastrino, poderoso reduto britânico, atiraram violentas descargas sobre as colunas inimigas, mas não puderam deter sua marcha. Rommel podia avistar já, à distância, os edifícios destruídos e instalações do porto de Tobruk, envoltos na fumaça e nas explosões causadas pela artilharia e pelos Stukas.

O canhão de 88 mm Flak 18/36/37/41 e Pak 43 foi uma peça de artilharia alemã utilizada durante a Segunda Guerra Mundial tanto para a defesa antiaérea como arma antitanque, sendo capaz de penetrar na blindagem de qualquer veículo aliado daquela época a grande distância. Era uma das principais armas antitanque de Rommel, e uma verdadeira obsessão das tripulações de blindados aliados. Tinha a dotação de seis homens e podia disparar 20 tiros por minuto.

Combatendo sem trégua, os alemães quebraram a resistência que opunham, encarniçadamente, os últimos redutos, na rota do seu avanço. Às 19:00h, os primeiros tanques entraram em Tobruk, e superaram os núcleos isolados de infantes sul-africanos, que, entrincheirados entre os escombros, disparavam suas metralhadoras e morteiros. Pouco depois, o forte Pilastrino capitulou. A luta, no entanto, continuou, com fúria crescente, no flanco oeste do perímetro. Ali, o General Klopper, comandante da guarnição, havia instalado o seu posto de comando. A 21 de junho de 1942, esse comandante recebeu de Ritchie autorização para a rendição da praça. Poucas horas depois, a bandeira branca foi içada no alto do QG britânico.

A sanguinária luta havia terminado. Às 05:00h da manhã, Rommel, de pé no seu veículo de comando, atravessou as ruas de Tobruk em meio às aclamações de seus soldados. Quatro horas depois, Rommel encontrou-se a poucos quilômetros a oeste da cidade, com o General Klopper. Ambos os comandantes saudaram-se cavalheirescamente, e trocaram opiniões sobre o desenrolar da batalha. Finalmente, Rommel despediu-se do general sul-africano, recomendando-lhe que tomasse a seu cargo a manutenção da ordem e a distribuição de víveres entre as tropas capturadas. No dia seguinte, Rommel recebeu um telegrama do QG do Fuhrer, no qual lhe comunicavam que, como prêmio por sua vitória, Hitler lhe havia concedido o posto de marechal.

A 1ª Batalha de El Alamein

O 8º Exército havia sido novamente derrotado e recuava. Os britânicos, que haviam começado com superioridade numérica em homens, tanques e artilharia, acabaram sofrendo um desastre: haviam perdido mais de 700 tanques e ainda o estratégico porto de Tobruk, onde a 2ª Divisão de Infantaria sul-africana reforçada (mais de 33.000 homens) havia caído prisioneira. A porta para o Egito estava aberta e parecia que os alemães em breve entrariam no Cairo e em Alexandria (de onde a esquadra britânica foi evacuada).

Benito Mussolini, ditador italiano, viajou para a Líbia, levando consigo um cavalo branco com o qual pretendia desfilar pelas ruas do Cairo, como o novo Imperador do Egito. O Comandante-em-comandante britânico, General Sir Claude Auchinleck, decidiu tomar pessoalmente o comando do desmoralizado 8º Exército. Seu combalido exército recuou para Mersa Matruh, de onde, após uma curta batalha, recuou novamente para uma linha de cristas a apenas 113 quilômetros de Alexandria, cujo ponto de referência era uma estação ferroviária junto à costa: El Alamein.

De Norte a Sul, a linha tinha 60 quilômetros e era limitada, ao Norte, pelo Mediterrâneo e, ao Sul, pelo intransponível pântano salgado chamado "Depressão de Qattara". Auchinleck não tinha forças para manter uma linha contínua e optou por pontos fortificados apoiados por forças móveis. General Sir Claude Auchinleck
Rommel sentiu que havia uma chance de penetrar nessa linha e investir para o Norte, fazendo os defensores recuarem mais uma vez, abrindo caminho para Alexandria, o Cairo e os campos petrolíferos. Mas a situação então mudara muito.

Ambos os contendores estavam esgotados, mas os britânicos estavam agora muito mais perto de suas bases e recebiam reforços continuamente. Os alemães, ao contrário, estavam a mais de 1.900 quilômetros de sua base em Trípoli e só tinham um punhado de tanques e poucos milhares de esgotados soldados.

Rommel atacou a 01 de julho de 1942, com a 90ª Divisão Ligeira pela estrada costeira e a 21ª Divisão Panzer pelo flanco do deserto. A 21ª acabou se pegando com a recém-chegada 18ª Brigada indiana em Deir el Shein, que defendeu-se tenazmente mas acabou aniquilada. Durante três dias o assalto alemão persistiu, mas sem conseguir nenhum resultado significativo. No dia 03 de julho, a 2ª Divisão neozelandesa realizou um ataque contra a divisão italiana Ariete que resultou na captura de 400 prisioneiros e de quase todos os seus canhões.

Pouco depois, a 1ª Divisão Blindada britânica expulsou a 15ª Divisão Panzer da crista de Ruweisat. A infantaria italiana começou a ocupar a linha, permitindo a retirada, descanso e concentração do Afrika Korps, visando a mais uma tentativa de ruptura da linha britânica. No dia 09/07/42, os neozelandeses abandonaram Bab el Qattara e Rommel, erroneamente, interpretou isso como o início de uma retirada e avançou com a 21ª Divisão Panzer e elementos da recém-chegada Divisão
Blindada italiana Littorio.

Porém, o recuo dos neozelandeses atendeu a necessidades táticas e nada teve a ver com uma retirada. Muito pelo contrário. Já a 10 de julho de 1942, Auchinlek começou uma série de ataques contra a infantaria italiana. A 9ª Divisão australiana destruiu a Divisão Sabratha e causou estragos à Trieste, atraindo novamente os alemães para a batalha.

A 13/07/42, Rommel tenta novo ataque, facilmente detido pelos sul-africanos. A 14 de julho de 1942, a 5ª Brigada Indiana acertou rude golpe na Divisão Pavia, enquanto a 2ª Divisão Neozelandesa pegava a Brescia. Apesar do estrago causado às duas divisões italianas, o 8º Regimento Panzer contra-atacou furiosamente, desbaratou o ataque neozelandês e fez 1.200 prisioneiros, retomando a Cota 63. A 17 de julho, os australianos novamente aplicaram dolorosa surra nas divisões Trento e
Trieste, fazendo muitos prisioneiros. Pelo final do mês, Auchinleck continuava decidido a esfolar o Afrika Korps assim enfraquecido e, a 22 de julho de 1942, lançou a 23ª Brigada de Tanques, novinha em folha, equipada com o novo tanque Valentine.

Foi um massacre. Cerca de 140 tanques foram destruídos num ataque marcado pela coragem (ou temeridade) dos seus tripulantes. Mas, enquanto os britânicos podiam se dar ao luxo de sofrer tais baixas, o Eixo estava então absolutamente sem reservas. Embora ainda houvesse combates nos dias subseqüentes,
a 1ª Batalha de El Alamein estava praticamente encerrada. Rommel fracassara em penetrar até Alexandria e Auchinleck, embora conseguisse deter Rommel, falhara em destruir o desmazelado Afrika Korps.

A chegada de Montgomery

O suicídio da 23ª Brigada foi a gota d'água para Winston Churchill, Primeiro-Ministro britânico, que decidiu ser a hora de um novo comandante assumir o 8º Exército. A 08/08/42, Auchinleck foi substituído pelo General Harold Alexander como Comandante-em-comandante do teatro de operações e pelo General Bernard Law Montgomery como comandante do 8º Exército (Auchinleck então acumulava as duas funções). General Bernard L. Montgomery. Montgomery imediatamente se empenhou em
melhorar o moral e criar um novo exército em torno de um Corps de Chasse potente em blindados (o 10º Corpo do veterano Major-General Herbert Lumsden, que recebeu três divisões blindadas 1ª, 8ª e 10ª). Montgomery também trouxe novos generais Brian Horrocks para o 13º Corpo e Sir Oliver Leese para o 30º, além de Frederick de Guingand como novo comandante de Estado-Maior do 8º Exército.

Também mudara o QG do 8º Exército para perto do QG da Força Aérea do Deserto, procurando com isso tornar mais íntimas as relações entre o Exército e a Força Aérea. Emitiu ordens de proibição de novas retiradas. Visitou as unidades, palestrando para o máximo de oficiais e praças que foi possível, causando sempre boa impressão inclusive aos calejados comandantes australianos e neozelandeses.

A Batalha de Alam Halfa

Tipicamente, Rommel decidiu experimentar o novo comandante britânico sem demora, em uma última tentativa de atingir os campos petrolíferos antes da chegada de mais reforços aliados. Pelo final de agosto, ele havia concentrado 243 tanques italianos e 226 alemães (incluindo 27 dos novos Panzer IVF2, chamado então pelos ingleses de "Panzer IV Especial", devido ao seu canhão longo de 75 mm). Mas a sua situação de suprimentos continuava precária. As ações realizadas a partir de Malta fizeram com que, em julho, apenas 6.000 toneladas de suprimentos (de um mínimo de 30.000 toneladas que eram necessárias) chegassem às suas tropas. O seu Exército vivia dos suprimentos capturados aos britânicos nas batalhas precedentes e 85% de sua frota de caminhões era composta por veículos capturados
ao inimigo.

PzKpfw IV Sd Kfz 161/1 Ausf. F2 ad 4ª Cia, 5ª Reg., 21ª Divisão Panzer - Alam Halfa, Egito, Julho de 1942 

No "outro lado da colina", o 8º Exército tinha então 767 tanques de todos os tipos, ótimo apoio aéreo e fartura de combustível e de todo tipo de
suprimento. No dia 30 de agosto de 1942, ele subitamente atacou, no que seria chamado pelos alemães de "A Corrida dos Seis Dias", e dirigiu-se para a Crista de Alam Halfa, a Sudeste de El Alamein, com o 20º Corpo Motorizado italiano à esquerda e o Afrika Korps à direita. Desde o início, ataques aéreos e campos minados
impuseram atrasos e logo o Afrika Korps perdia dois generais: seu comandante, Tenente-General Walther Nehring, gravemente ferido por ataque aéreo, e o major-general G. von Bismarck, comandante da 21ª Divisão Panzer, morto por uma mina.

Montgomery estava pronto para dar uma calorosa recepção aos atacantes. Com o 30º Corpo à direita, o 13º Corpo à esquerda e a 7ª Divisão Blindada (Os "Ratos do Deserto") no flanco do deserto, ele manteve a Crista de Ruweisat e permitiu à sua ala esquerda recuar para posições previamente preparadas voltadas para o Sul, das quais a chave era a crista de Alam Halfa. Nela, a 44ª Divisão e a 22ª Brigada Blindada estavam entrincheiradas.

Porém, a escolha da 22ª foi infeliz, pois ela estava equipada com tanques "Grant". Ora, o armamento principal do "Grant" ficava no seu costado e não na torre, de modo que, mesmo em posição de casco enterrado, a maior parte do tanque ficava exposta para que fosse possível utilizar o seu canhão de 75 mm. Como resultado,
os tanques britânicos ficaram expostos e estáticos, o que explica as pesadas baixas que sofreram.

Tanque médio Grant em El Alamain em 1942

Contudo, eles, mais a artilharia e os canhões antitanque de 6 libras, fizeram o seu papel e contra eles Rommel atirou-se em vão no dia 31 de agosto de 1942. Fez nova tentativa no dia seguinte usando apenas a 15ª Panzer, mas com menos possibilidade ainda de êxito. Com seu combustível baixo, a 2 de setembro ele retirou-se para as posições de partida.

Montgomery não contra-atacou, recusando-se a se deixar atrair para um combate aberto que era a especialidade do Afrika Korps e não fez nenhuma tentativa séria de perseguição, simplesmente reocupando suas posições originais. Um tardio contra-ataque pelos neozelandeses, visando fechar a brecha por onde os alemães procuravam recuar, foi rechaçado com pesadas baixas. Rommel havia perdido 49 tanques, 2.940 homens, 55 canhões e 395 veículos para 68 tanques, 18 canhões
antitanque e 1.640 baixas aliadas.

Rommel então se estabeleceu defensivamente diante de El Alamein, reforçando sua posição, lançando novos campos minados e incluindo a 164ª Divisão de Infantaria alemã, antes de partir para a Alemanha por problemas de saúde, deixando o General Georg von Stumme, um veterano do front russo, no comando. Na sua viagem de retorno à Alemanha, ele encontrou- se com Hitler e Mussolini, tentando desesperadamente convencê-los da importância do teatro africano, da necessidade de mais suprimentos e da ameaça de derrota iminente. Suas palavras foram simplesmente ignoradas. Pelo meado de outubro, os alemães haviam construído uma linha de 72 quilômetros, com duas linhas de campos minados (meio milhão de minas foram instaladas, na maioria antitanque) e uma profundidade de 8 quilômetros. Esses campos foram convenientemente apelidados de "Jardins do Diabo", contendo ainda muitas armadilhas.

A infantaria do Afrika Korps pega uma carona com os panzers

As forças do Eixo estavam entrincheiradas ao longo de duas linhas, chamadas pelos aliados de "Linha Oxalic" e "Linha Pierson". Na costa, estavam a 90ª Divisão Ligeira e a 164ª Divisão de Infantaria, ambas alemãs. Ao Sul, estava o 21º Corpo italiano, reforçado com batalhões de pára-quedistas alemães. Mais ao Sul, estava o 10º Corpo italiano. Na retaguarda, mas perto da frente devido à falta de combustível, estava a reserva blindada, as veteranas 15ª e 21ª Divisões Panzer e o 20º
Corpo Motorizado italiano (Divisões Blindadas Ariete e Littorio e a Motorizada Trieste), concentrados em dois grupos mistos. Para a próxima batalha, o "Panzerarmee Afrika" contava com 489 tanques, dos quais 278 eram italianos (mau armados e blindados) e apenas 30 eram Panzer IVF2 ("Especial").

Seu potencial humano totalizava 53.000 soldados alemães e 55.000 italianos. Ele possuía 522 canhões de campanha, mas apenas 24 dos temíveis canhões AT de 88 mm (todos prejudicados pela escassez de munição) e, no ar, o Eixo contava com 129 aviões alemães e 216 italianos, estes, na maioria, obsoletos.

Operação Lightfoot

Montgomery agora estava pronto. À direita, o 30º Corpo, com 5 divisões de infantaria (9ª australiana, 51ª escocesa, 1ª sul-africana, 2ª neozelandesa e 4ª indiana), se encarregaria do ataque principal. À esquerda, o 13º Corpo, com duas divisões de infantaria (44ª e 50ª) e uma Blindada (7ª), faria o ataque diversivo. Na retaguarda esperava o 10º Corpo, com duas Divisões Blindadas (1ª e 10ª), reforçadas com elementos da 8ª Divisão Blindada e da 44ª Divisão de Infantaria. Ao todo, 220.000 soldados, 1.351 tanques (incluindo 285 dos novos Shermans, 246 Grants e 421 Crusaders), 1.400 canhões antitanque (sendo 850 de 6 libras e 550 de 2 libras) e 884 canhões (sendo 52 canhões médios e 832 de campanha).

O novo Sherman M4A1

A Força Aérea do Deserto (do Vice-Marechal do Ar Sir Arthur Tedder) contava com 880 aparelhos modernos (inclusive unidades norte-americanas), os quais haviam conseguido total supremacia aérea sobre o campo de batalha. A superioridade material exigida por Montgomery havia sido conseguida. Apesar disso, ele demonstrou
ansiedade a respeito da profundidade dos campos minados inimigos, observados durante um ataque de duas brigadas, executado a 30 de setembro de 1942.

O plano de ataque de Montgomery, batizado "Operação Lightfoot*", era um primor de batalha "arrumada": esperava-se abrir dois corredores através dos campos minados do Eixo na extremidade Norte da linha, usando principalmente a sua excelente infantaria como ponta-de-lança. Seus blindados então passariam através desses corredores, ocupariam posições defensivas nas cristas do "Rim" e de Miteiriya e derrotariam os blindados alemães quando eles atacassem.

Ataques subsidiários no Sul manteriam o restante das forças do Eixo impedidas de mover-se para o Norte. Feito isso, a infantaria se encarregaria de aniquilar as
guarnições italianas ao Norte e ao Sul da penetração. Montgomery planejava uma batalha em três estágios: penetração, "dogfight" e ruptura e perseguição ao inimigo.

A "Operação Lightfoot" foi deliberadamente marcada para "Tocha menos 13" (13 dias antes da "Operação Tocha", a invasão da África do Norte por americanos e britânicos), pois considerava-se que Rommel então estaria vencido e distante e não poderia mais prejudicar de forma alguma aquela operação. A data de 23/10/42 foi mantida apesar de todas as demandas de Churchill em antecipá-la.

Os britânicos efetuaram uma série de ações de dissimulação nos meses que antecederam à batalha, na esperança de ludibriar o comando inimigo quanto ao ponto e ao momento do ataque. Essas ações receberam o nome de "Operação Bertram", que incluía a construção de um falso oleoduto mais ao Sul (construção essa deliberadamente lenta, visando a persuadir o comando inimigo de que o ataque ainda demoraria a acontecer), o uso de tanques falsos, camuflagem de
tanques verdadeiros como caminhões, etc.

Soldados aliados contra-atacam os alemães.

As 7 divisões de infantaria e as 3 blindadas formavam um formidável 8º Exército. Em seus efetivos estavam australianos, neozelandeses, maoris, indianos, gregos e franceses, bem como britânicos. Diante deles estavam 4 divisões blindadas (duas alemãs e duas italianas), duas motorizadas (uma de cada nacionalidade), 5 divisões de infantaria (4 delas italianas), uma divisão pára-quedista italiana e uma brigada pára-quedista alemã.

O ataque começou às 21:40 h do dia 23 de outubro de 1942, com um pesado bombardeio de artilharia (592 canhões, sendo 456 só na frente do 30º Corpo) e o avanço dos grupos de engenharia (apoiados por tanques Scorpion, equipados com correntes para detonar minas) para abrir passagens livres nos campos minados.

Na primeira noite da batalha, a ofensiva no corredor Sul fez bom progresso, embora os sul-africanos ainda não tivessem atingido a crista de Miteirya ao amanhecer. Os neozelandeses, porém, capturaram-na, mas foram aí detidos. Atrás deles, todavia, a 10ª Divisão Blindada hesitou em avançar, tendo sido detida por mais campos minados. Mais ao Norte, os australianos e escoceses fizeram menos progresso contra pesada resistência (os escoceses sofreram cerca de 1.000 baixas só na primeira noite), sendo detidos a cerca de 5 quilômetros da "Linha Pierson" e a 1ª Divisão Blindada acabou engarrafada entre os dois campos minados. Os tanques assim parados eram excelente alvo para a artilharia inimiga.

As comunicações alemãs haviam sido feitas em pedaços pelo bombardeio britânico e no QG do Panzerarmee Afrika o caos havia se instalado, sem que ninguém pudesse descobrir o que estava acontecendo. Na manhã seguinte, o comandante alemão, General Stumme, decidiu ir até a frente para se inteirar da situação, mas seu carro se aproximou demais da primeira linha e foi alvejado pelos australianos; na tentativa da fuga, morreu de ataque cardíaco. Em seu lugar, o General Ritter von Thoma assumiu o comando, enquanto Rommel voava para retornar à África, onde só chegou no dia seguinte.

Pelo meio da tarde do dia 24 de outubro de 1942, o corredor Norte foi finalmente aberto num ataque conjunto da 1ª Blindada e da 51ª escocesa. Também nesse dia os sul-africanos atingiram afinal seus objetivos, enquanto os australianos terminavam algumas tarefas pendentes. À esquerda, porém, a 10ª Blindada continuou detida com os neozelandeses em Miteirya.

Durante o dia, a Força Aérea do Deserto realizou mais de 1.100 surtidas, bombardeando campos de aviação, concentrações de tropas, posições de artilharia e efetivamente impediu a aviação do Eixo de intervir na batalha.

Ao fim da tarde, as reservas blindadas do Eixo finalmente deram o ar da graça, aproveitando-se do efeito ofuscante causado pelo sol poente sobre os olhos dos tripulantes ingleses. A 15ª Divisão Panzer e a Littorio partiram para o ataque com cerca de 100 tanques. Foi o batismo de fogo do "Sherman", que revelou-se um adversário poderoso e inesperado: os atacantes recuaram deixando mais de 20 tanques ardendo no deserto.

O fracasso da 10ª Blindada provocou uma crise no comando inglês, onde Montgomery ameaçou Lumsden e Gatehouse (comandante da divisão) de demissão se não cumprissem o estabelecido no plano. Mas, naquela noite, o avanço da divisão foi prejudicado por mais campos minados e um ataque aéreo inimigo, que incendiou vários caminhões de combustível, o que transformou a noite em dia e os tanques concentrados passaram a ser um alvo fácil. O comandante da 8ª Brigada Blindada pediu para se recuar, mas Montgomery convocou Lumsden e Leese naquela mesma noite e disse a eles simplesmente que a divisão podia atravessar e atravessaria!

Não haveria mais nenhuma discussão. O ataque prosseguiu, tendo a brigada sofrido pesadas baixas. Contudo, a 24ª Brigada, à sua direita, não tivera os mesmos problemas e atravessara conforme o planejado, enquanto a 9ª Brigada, à esquerda, apoiando os neozelandeses, conseguira alargar a penetração. Com isso, a primeira fase do plano havia sido concluída, embora com 24 horas de atraso.

Ao chegar, Rommel encontrou a operação aliada fazendo pouco progresso no Norte e paralisada no Sul, onde as divisões 44ª e 7ª Blindada haviam sido rechaçadas e suspenderam seus ataques. Ele decidiu que a única coisa a fazer era contra-atacar e expulsar os britânicos das posições conquistadas.

Falar é uma coisa, fazer é outra. Os contra-ataques alemães prosseguiam, sem qualquer resultado além o de sofrer mais baixas. Ao fim do dia, a 15ª Divisão Panzer estava reduzida a 31 tanques (embora muitos tanques danificados fossem logo recuperados). Montgomery decidiu então concentrar-se no ombro Norte, onde a 9ª
australiana mudaria seu eixo de ataque naquela noite para Noroeste, em direção à costa. O ataque pegou os alemães completamente de surpresa, pois os australianos subiram a Cota 29 montados em Bren Carriers e assaltaram a posição à baioneta calada, num feroz combate corpo-acorpo, matando 300 e fazendo mais de 200 prisioneiros.

Tenente da 15ª Divisão Panzer em 1942. Ele tem em seu bolso esquerdo uma Cruz de Ferro de 2ª Classe, e abaixo dela uma medalha de prata por participar de um ataque com panzers. Foram feitos uniformes de acordo com o clima para o Afrika Korps, que tiveram que ter um ajuste perfeito, principalmente o calçado, para combater a queda severa da temperatura à noite durante os meses de inverno. Foram feitas outras mudanças, como no tecido que era usado: mais duro que o de couro (que também era usado no deserto) e menos suscetível ao calor. Também foram emitidas garrafas de água maiores e óculos contra o sol que eram usado pelo exército e unidades da Luftwaffe.

À sua esquerda, a 51ª escocesa e a 1ª Blindada procuraram avançar na direção do "Rim", mas não tiveram qualquer êxito, enquanto neozelandeses e sul-africanos faziam progressos limitados destinados apenas a melhorar as suas posições. Montgomery sentiu que a ofensiva estava perdendo impulso e então decidiu reagrupar-se. Era óbvio que os alemães não se imolariam indefinidamente contra a sua cortina blindada, bem como agora eram eles que estavam montando a sua própria cortina de minas, tanques e canhões, impedindo que a penetração se transformasse numa ruptura.

Além disso, as baixas na infantaria já chegavam às 6.000 e era preciso poupar neozelandeses e sul-africanos, que tinham escassez de reposições. A 26 de outubro de 1942, ele ordenou uma pausa para reajustar seu dispositivo. A divisão neozelandesa e a 1ª Blindada sairiam de linha para descanso e a 7ª Blindada seria transferida do Sul. Nesse mesmo dia, novos ataques pela 15ª Panzer e Littorio foram mais uma vez rechaçados com pesadas baixas, o que fez Rommel se decidir por trazer a 21ª Panzer, a 90ª Ligeira e a Ariete para a batalha. Essa decisão foi verdadeiramente crítica, pois não havia gasolina suficiente para elas retornarem para o Sul se houvesse necessidade disso.

Durante a noite de 26 para 27, a 1ª Blindada conquistou a Crista de Kidney ("Rim"), onde a sua infantaria se estabeleceu com canhões antitanque, enquanto os tanques se preparavam para explorar a brecha. Porém, o amanhecer revelou que eles estavam diante de concentrações de tanques italianos e alemães. Era o reagrupamento ordenado por Rommel. Logo, o veterano Afrika Korps e o 20º Corpo Motorizado italiano iniciaram o grande contra-ataque com todos os seus blindados
contra a Crista do "Rim".

A batalha que se seguiu foi particularmente furiosa. Só a 133ª Brigada de Infantaria britânica destruiu 37 blindados inimigos, o que valeu ao comandante da brigada uma "Victoria Cross". Os alemães nada conseguiram, além de impedir os aliados de avançar mais. No dia 28, a 1ª Divisão Blindada saiu de linha e a 24ª Brigada (originalmente pertencente à 8ª Divisão Blindada) foi dissolvida para prover reposições para as demais. Nessa mesma noite, os australianos retomaram o avanço para o Norte, em parte para tentar cercar os alemães no saliente junto à costa, em parte para atrair a atenção do inimigo, enquanto o reagrupamento se efetuava.

O ataque australiano foi novamente bem-sucedido, o que fez com que Rommel concluísse ser ali que Montgomery efetuaria o ataque principal de ruptura da linha. Tendo isso em mente, deslocou a 90ª Ligeira para a costa, enquanto ordenava novos contra-ataques pela 21ª Panzer contra o saliente australiano. Apesar de tudo isso, pelo dia 29 a linha do Eixo ainda estava miraculosamente indene, embora lhe restassem então apenas 81 tanques. Na Inglaterra, Churchill cabografava ansiosamente em busca de novidades, agora que a "Tocha" era iminente. A notícia de que algumas unidades haviam sido retiradas de linha causou estupor,
pois dava a impressão de que o ataque fracassara.

O comandante do estado-maior Imperial, General Sir Alan Brooke, teve que tentar tranqüilizar o Gabinete Britânico, declarando que Montgomery venceria, por mais que demorasse (embora no mesmo dia ele registrasse no seu diário o receio de "Monty" ser derrotado). Enquanto isso, a situação do Panzerarmee piorava a cada dia, com o afundamento de mais um petroleiro ao largo de Tobruk.

Os movimentos alemães rumo ao Norte foram identificados pelos ingleses, o que fez com que concluíssem não haver mais alemães ao Sul. Monty então mudou seus planos para a nova ofensiva, mudando a direção do esforço principal mais para o Sul, na junção entre os alemães e italianos. A mudança acarretou em mais um dia
de atraso, o que fez com que ele ordenasse aos australianos que atacassem de novo, o que fizeram com sucesso, apesar de estarem dizimados e esgotados (ao fim da batalha, um dos seus batalhões estava reduzido a apenas 1 oficial e 84 soldados).

Na noite de 30-31 de outubro de 1942, os australianos capturaram o Posto Thompson, praticamente cercando dois batalhões alemães. Mais uma vez, Rommel ordenou um contra-ataque pela 90ª Ligeira e 21ª Panzer contra o saliente australiano, buscando socorrer as unidades que haviam sido cercadas. Após pesadas baixas para ambos os lados, os batalhões alemães cercados foram resgatados.

Operação Supercharge

A nova ofensiva aliada deu-se próximo à costa, visando inicialmente capturar a Trilha de Rahman e então tomar o terreno elevado de Tel el Aqqaqir. O plano previa uma ruptura pelo 30º Corpo, permitindo ao 10º Corpo atacar para o Noroeste para atrair e derrotar os Panzers de Rommel. A ponta-de-lança seria a 2ª Divisão neozelandesa, reforçada por uma brigada da 50ª e outra da 51ª, além da 9ª Brigada Blindada. O ataque começou à 1:05 h de 02/11/42, com o apoio de Valentines
da 23ª Brigada, e se abateu sobre o 200º Regimento de Infantaria e a 15ª Divisão Panzer, rompendo ambas as posições (de fato, temos aqui um equívoco do planejamento, pois o objetivo era atacar os italianos). Por volta das 5:30 h, o comandante da operação, o General neozelandês Freyberg, anunciou a conquista dos objetivos previstos, lançando então a 9ª Brigada Blindada diretamente contra Tell el Aqqaqir.

A Brigada estava anexada à 2ª Divisão Neozelandesa desde o início da batalha, mas estava descansada e reequipada, contando então 121 tanques (entre Shermans, Grants e Crusaders). Ela recebeu ordens de tomar Tell el Aqqaqir a qualquer preço (aceitava-se 100% de baixas!). No processo, a brigada perdeu 87 tanques, mas conseguiu romper a linha de Rahman, destruindo 35 canhões AT alemães. A 1ª Divisão Blindada veio atrás procurando explorar a brecha criada com tanto sacrifício pela 9ª Brigada, mas o costumeiro contra-ataque inimigo não tardou, utilizando as últimas reservas das depauperadas divisões Panzer, conseguindo conter a penetração britânica mais uma vez, no maior combate tanque x tanque de toda a batalha. Porém, as divisões italianas Littorio e Trieste já estavam em processo de desintegração, com partes delas já debandando para o Oeste. Apesar de ter conseguido deter o avanço britânico, Rommel, que estava quase sem combustível,
sabia que permanecer onde estava só poderia resultar no aniquilamento do Afrika Korps.

Ele então decidiu recuar, mas uma ordem de Hitler chegada no dia 3 o exortou a resistir até a "Vitória ou a Morte". A retirada foi temporariamente cancelada e as unidades que já haviam desengajado tiveram que voltar para a linha de frente (nesse dia, Rommel tinha apenas 35 tanques operacionais), o que serviu apenas para aumentar o desgaste do Afrika Korps.

No dia 03 de novembro de 1942, a 51ª Divisão iniciou um ataque de exploração para Sudoeste do novo saliente e fez um avanço surpreendente, sem perdas e capturando 150 prisioneiros. Era o primeiro sinal da derrota do Panzerarmee.

A linha do Eixo estava entrando em colapso, com três grandes grupos de forças separados entre si: um grupo, no Passo de Fuka, constituído por
elementos da 90ª Ligeira e alguns italianos, mantinham uma posição de retaguarda, para proteger a retirada que não houve; na frente original, milhares de soldados italianos estavam sem transporte e sem ordens, enquanto os restos da 164ª Divisão e da Brigada pára-quedista Ramcke tentavam recuar para unir-se ao Afrika Korps; a Oeste da trilha de Rahman, o que restara do Afrika Korps e da Ariete esperavam estoicamente o assalto final dos britânicos, certos de que seriam
esmagados. Mas os britânicos não vieram, em parte devido às perdas sofridas, em parte pela necessidade de reorganização das unidades e das linhas de abastecimento, após dez dias de combate ininterrupto.

Porém, na manhã do dia 4, a 51ª Divisão, reforçada por uma brigada da 4ª Divisão Indiana, conseguiu romper a linha de Rahman. Os tanques do 10º Corpo, agora englobando as 1ª, 7ª e 10ª Divisões Blindadas, romperam a frente do 21º Corpo italiano e travaram violento combate com os remanescentes da Ariete, virtualmente cercando e eliminando essa divisão. O Afrika Korps, que havia recuado para Tell el Mampsra, também não resistiu à investida dos tanques inimigos e uma brecha foi aberta. Por fim, Rommel ordenou a retirada geral às 15:30 h do mesmo dia (ironicamente, Hitler autorizou a retirada na manhã seguinte). A Rommel restavam então cerca de 40 tanques, todos em péssimas condições, cerca de 1.000 soldados de infantaria e pouco mais de 20 canhões (nenhum 88 mm). No dia 5, a 21ª Divisão
Panzer foi forçada, por falta de combustível, a travar combate com a 7ª Divisão Blindada britânica, perdendo todos os canhões e 26 dos 30 tanques que lhe restavam.

Pelo dia 6, todas as forças do Eixo estavam em franca retirada, embora milhares de italianos houvessem sido abandonados sem transporte no deserto e caíram prisioneiros (mais de 30.000 soldados, dois terços deles italianos, acabaram prisioneiros - assim como nove generais, incluindo o General von Thoma, comandante do Afrika Korps). No dia 7, blindados britânicos executaram uma grande operação de cerco sobre Mersa Matruh, mas acabaram fechando um bolsão vazio:
os alemães já haviam se retirado. Nesse dia, para ajudar os fugitivos, caiu um aguaceiro que prejudicou mais ainda a já confusa perseguição. Na estrada asfaltada, os retirantes podiam se retirar normalmente, enquanto os tanques ingleses atolavam nas areias transformadas em pântanos. No dia 08  novembro de 1942, foi lançada a "Operação Tocha", ocupando rapidamente o Marrocos e Argélia. Rommel é avisado, percebe imediatamente que a África está perdida e começa a solicitar a evacuação de seu exército.  Combatendo ferozes ações de retaguarda usando a 90ª Divisão Ligeira, Rommel foi levado a recuar sob pressão através de Tobruk a 13 de novembro e por Msus no dia 17 do mesmo mês. Os britânicos entraram em Bengazi a 20 novembro de 1942 e Montgomery deteve-se para uma pausa diante de El Agheila, onde Rommel fez uma parada em sua retirada. A 11 de dezembro de 1942, Rommel reiniciou a marcha para Oeste, evitando assim um ataque de Montgomery, que bombardeou posições vazias no dia 13. Os britânicos entraram em Trípoli, no dia 23 de janeiro de 1943, enquanto Rommel entrava na Tunísia e tomava posição na Linha Mareth. A Campanha do Deserto Ocidental estava encerrada; começava a Campanha da Tunísia.

Tunísia

Em 8 de novembro de 1942 uma força anglo-americana desembarcou na África do Norte, na chamada Operação Tocha. Diante disto, Hitler e Mussolini decidiram aumentar as suas forças na África e imediatamente reforçaram Tunis e criaram o 5º Exército Panzer, sob o comando do Coronel General von Arnim, que não tinha a simpatia de Rommel. Chegado a Túnis em meados de dezembro, Arnim só encontra no local três divisões: a Divisão Broigh, esfacelada, a 10a Panzer e a divisão italiana Superga. Duas outras chegam em janeiro: a 334a DI alemã e a divisão italiana  Imperiali; depois, em março, vem a divisão Hermann Goering. As unidades estavam desfalcadíssimas, os batalhões alemães não iam além de 400 homens, as divisões italianas contavam com seis batalhões apenas e, incluindo os não-combatentes, o efetivo do 5o Exército não ultrapassava 76.000 alemães e 27.000 italianos.

Mas o reforço veio tarde demais e diante da forte pressão de Montgomery o Afrika Korps foi forçado a realizar uma retirada de 3.600 km, até Túnis, sem ser jamais isolado pêlos perseguidores, agora em grande superioridade. Pressionados pelo Leste e Oeste o AK só caiu numa armadilha quando ficou com o mar, dominado pelos aliados, às suas costas.

A 16 de fevereiro de 1943, abandonando o último farrapo do novo Império Romano, as retaguardas alemães e italianas, a Leste (AK) e Oeste (5º Panzer) se retiram, e formam atrás da linha de Mareth. Rommel traz de volta 129 tanques, cuja metade é rebocada. Reconduz, reduzidas de dois terços, as imortais divisões do Afrika Korps, a 15a Panzer, a 21a Panzer e a 90a Ligeira, assim como a 164a, que se reunira ao exército na véspera de El Alamein, e cinco pequenas divisões italianas procedentes da guarnição de Trípoli. 30.000 alemães e 48.000 italianos vem reforçar a cabeça-de-ponte do Eixo na Tunísia.

Mas essas tropas tem no seu encalço a Leste o 8o Exército britânico de Montgomery, com sua extraordinária mescla de ingleses, escoceses, australianos, neozelandeses, sul-africanos, canadenses, indianos, malaios, gurkhas, maoris, canaques, somalis, senegaleses e franceses. A vanguarda é formada pelo corpo de exército do General Freyber, ao qual se unira a Coluna Leclerc, proveniente do Chade, através do Saara. As colunas cerradas encontram-se ainda ao redor de Trípoli e de Bengási, não dispondo de meios para entrar em ação - tem que esperar várias semanas para atacar a linha de Mareth. 

A Oeste os aliados tinham o 1o Exército britânico, possuindo até então apenas um corpo de duas divisões,  o 19o Corpo francês, com suas três divisões, e o 2o Corpo dos EUA, que apesar de ter desembarcado oito divisões, os americanos só tem formadas a 1a Blindada e a 1a de Infantaria. 

As forças do Eixo que agora ocupavam o arco de posições elevadas que cobriam Túnis e Bizerta foram reunidas num comando único às ordens do general von Arnim. O fim do Afrika Korps, como unidade combatente separada, foi simbolizado por sua incorporação às outras forças que se encontravam na Tunísia, e pela partida de Rommel da África. A longa luta pelo domínio do deserto ocidental, durante a qual Rommel mostrara suas notáveis qualidades de comando, era coisa do passado, e suas forças fundiram-se com as de von Arnim para defender o baluarte montanhoso que era seu último ponto de apoio na África.

10ª Divisão Panzer do Grupo de Exército Afrika em Tebourba, Tunísia, verão de 1943

Sua cobertura aérea é formada por aviões Stuka Ju87D e Fw 190A

Cercado na Tunísia pelo avanço convergente das tropas norte-americanas de Eisenhower e britânicas de Montgomery, o Afrika Korp, como todas as forças alemães, é obrigado a capitular. Com a proibição de Hitler de realizar uma retirada de suas tropas da África do Norte, o Eixo sofre um desastre comparável á destruição do 6o Exército diante de Stalingrado.

Em toda a campanha da Tunísia, segundo o secretário Stimson, os aliados capturaram 266.600 homens, mataram 30.000 e feriram gravemente 26.400. Suas perdas não ultrapassaram a 70.000 homens. Durante os três anos de guerra na África, que agora terminara vitoriosamente, as perdas do Eixo, segundo Churchill, foram de 950.000 mortos e capturados além da destruição de 8.000 aviões, 6.200 canhões e 2.550 tanques.

Em maio de 1943, na Tunísia todo o "Grupo de Exércitos África" (mais de 250.000 homens) tornou-se prisioneiro de guerra,
incluindo os sobreviventes do Afrika Korps.

O que o AK tinha conseguido?
Primeiro, uma reputação inigualável. Levada a efeito extraordinário pelo comando de Rommel (cujo nome e prestígio, são afinal de contas, sinônimos do Afrika Korps), esta formação única. em tempo relativamente curto, adquiriu a imagem temível que a ajudou a vencer batalhas contra forças muito mais poderosas. Ela conquistou o respeito dos seus adversários com uma atitude, habilidade e bravura que superaram tu­do quanto se viu em qualquer campo de batalha da Segunda Guerra Mundial. Não houve nenhuma onda de atrocidades premeditadas no deserto, e Rommel e o AK foram iguais aos seus adversários no trabalho de não permitir o seu aparecimento.

Em técnica e equipamento, o exército alemão na África manteve-se sempre em vantagem, em muitos aspectos, até o fim, e o fez através de improvisações as mais espantosas. Por esta razão, ele forçou as forças anglo-americanas a adaptar-se àquilo que seria comum até o fim da guerra. O 8º Exército chegou mesmo a adotar uma das canções favoritas do AK, "Lili Marlene", e a cantava em competição. Nestas condições, o balanço da guerra no deserto é altamente favorável ao AK.as dramáticas vitórias obtidas por aquela corporação são obras-primas, comparadas a tudo aquilo que as forças armadas germânicas fizeram de 1939 a meados de 1942. Depois disto, porém, as realizações do AK no Deserto Ocidental não aproveitaram às ambições nazistas, porque, pelas implicações políticas e de propaganda, elas acabaram por desviar a grande estratégia do Eixo do rumo estabelecido.Segundo Hitler, muito mais útil teria sido não ser forçado a ajudar o seu vacilante aliado. 

Por esse motivo, o AK era visto apenas como um sustentáculo político de uma organização que mal e mal se sustinha nas pernas. A menos que a Alemanha estivesse preparada para transformar a África do Norte em importante teatro de guerra, tomando a costa desde Casablanca até Port Said, ao mesmo tempo que subjugava Malta, nenhuma força terrestre de tamanho considerável poderia operar na outra extremidade, por­que lhe faltariam recursos para tal. Que Hitler poderia ter conseguido conquista de tal envergadura, em 1941 (em lugar de invadir a Rússia), não pode haver dúvida _ particularmente quando se leva em conta a escala do desempenho de último minuto na Tunísia. Se ele poderia tê-la mantido, é outra coisa. 

Mas Hitler, como Napoleão, sempre se assustava com a visão e o ruído do mar, e o Mediterrâneo o intrigava, assim como o Canal da Mancha. E, assim, o AK o arrastou relutante cada vez mais para o interior do continente africano e, pela própria expressão do êxito consignado, assinou a própria sentença de morte, tornando-se também fator importante na formação da estratégia do Eixo e britânica. A conjetura muitas vezes não passa de inútil passatempo, mas façamos isto apenas por instantes. Vamos supor que o AK tivesse no comando não um homem como Rommel, avesso ao convencional e agressivo por vocação, e se mantivesse na defensiva desde o começo, como queria Halder e como era praticado por Wavell na Cirenaica. Com os acontecimentos calamitosos na Grécia, as comoções no Oriente Médio e, depois, com a invasão alemã da Rússia, teriam os britânicos lançado seus esforços para oeste,  para Tripoli, ou, como é mais provável, procurado meios de ajudar diretamente a Rússia, pêlos Balcãs, que Churchill chamou o "ventre mole da Europa"? 

Panzer PzKpfw VI Tiger

A julgar pelo entusiasmo com que a Grã-Bretanha acorreu a Grécia e pela necessidade vital de garantir os campos petrolíferos do Oriente Médio, podemos ignorar um poderoso movimento para o oeste antes de 1943. Em seguida, suponhamos que, mais para fins de 1941, Rommel tivesse tomado a ofensiva e fracassado, sem provocar muito júbilo da parte dos britânicos. Não teriam os britânicos adotado um ponto de vista mais otimista sobre o Oriente Médio e conservado sua reserva central para uso alhures? Não é possível que o AK tenha funcionado como um imã totalmente desproporcional ao seu tamanho, e atraído recursos extravagantes da Grã-Bretanha para uma campanha que se transformou numa batalha de prestígios e de inteligências? Lembremo-nos de alguns outros grupos que, no passado, por recusarem o convencional repetidamente venceram exércitos mais poderosos que eles. Pensemos cm Davi, nos gregos e espartanos, nos arqueiros ingleses na França, nas pequeninas carroças móveis de campanha dos hussitas de João Zizka, em vários exércitos revolucionários em inferioridade numérica, desde o de Washington até o de Garibaldi _ até, na atualidade, o dos israelenses no Sinai. Finalmente, seja lembrado como desaparecem esses catalisadores uma vez diminuída sua força e tornados convencionais.Mas, em última análise, é a qualidade dos homens _ e sobretudo a do homem que está na cúpula — a mais importante. Neste aspecto, o AK foi feliz em ter Rommel como líder, e na maneira como ele neutralizou seus adversários por quase dois anos. A medida da realização do AK é que, mesmo quando enfrentando guerreiros resolutos e valentes como eles próprios, seus homens lutaram brava e limpamente até o amargo fim. 


 

PRINCIPAIS UNIDADES DO AFRIKA KORPS

UNIDADE

COMANDANTE

REGIMENTO E BATALHÕES

SÍMBOLO

15ª Divisão Panzer

General Von Vaerst

8º Regimento Panzer
104º Regimento Schuetzen 
115º Regimento Schuetzen 
15º Batalhão Kradschuetzen 
33º Regimento de Artilharia 
33º Aufklaerungs Abteilung 
33º Panzerjaeger Abteilung 
33º Batalhão Pionier 
78º Nachrichten Abteilung 

21ª Divisão Panzer

General Von Randow

5º Regimento Panzer
104º Regimento Schuetzen 
I Batalhão Schuetzen I
II Batalhão Schuetzen 
20º Batalhão Kradschuetzen 
155º Regimento de Artilharia 
3º Aufklaerungs Abteilung
39º Panzerjaeger Abteilung 
200º Batalhão Pionier 

90ª Divisão Ligeira

Ten.General Graf Von Sponek

155º Regimento de Infantaria Motorizada. 
200º Regimento de Infantaria Motorizada.
361º Regiemnto Panzergrenadieren 
288ª Sonderverband 

164ª Divisão Ligeira

Oberst Lungershausen

125º Regimento Panzer-Grenadier
382º Regimento Panzer-Grenadier
433º Regimento Panzer-Grenadier
220º Regimento de Artilharia
220º Panzer-Jäger-Abteilung 
220º Aufklärungs-Abteilung
220º Batalhão Pionier
220º Nachrichten-Abteilung

Brigada Pára-quedista  Ramcke 

Major General Ramcke

Batalhão Kroh
Batalhão  Huebner
Batalhão  Burkhardt
Batalhão von der Heydte
Batalhão de Artilharia
Regimento de Artilharia
Companhia Anti-tanque
Companhia de Sinaleiros
Companhia Pioneer

 


A RAPOSA DO DESERTO

Rommel nasceu na cidade de Heidenheim, na Alemanha, em 1891. Seu pai era matemático, e, ao contrário de muitos Generais, Rommel não pertencia a classe de Aristocratas Prussianos, nem era membro do Estado Maior, coisas que facilitavam a ascensão na carreira militar, embora sua mãe tivesse descendência de família nobre.

Primeira Guerra Mundial

Na Primeira Guerra Mundial, Rommel demonstrou-se um exímio soldado, fazendo excelentes campanhas na França e na Itália, sendo ferido em combate muitas vezes.

     Sua maior façanha foi na Itália, depois de seu batalhão ter sido transferido a fim de ajudar os austríacos na ofensiva de outono no Isonzo. Rommel capturou a posição-chave italiana no monte Matajur, transformando a batalha de Carporetto em um desastre para os italianos, capturando 250.000 prisioneiros. Por isso, Rommel recebeu a Pour le Mérite, a mais alta condecoração, normalmente reservada aos generais mais graduados.

Período entre Guerras

Retornando à Alemanha, Rommel viu um país em desordem. A monarquia deu lugar a República de Weimar, e nas ruas, comunistas e outros grupos faziam manifestações. Ex-soldados veteranos começavam a se organizar em grupos para enfrentar os comunistas. A Revolução Russa ameaçava avançar rumo ao ocidente.

O fim da guerra em nada lhe interrompeu a carreira militar. Durante os anos de 1918 e 1920 exerceu vários postos, e em 1921, foi transferido para Stuttgart e assumiu o comando de uma companhia do 13o. Regimento de Infantaria, posto que exerceu durante oito anos, sendo um dos 4.000 oficiais regulares permitidos pelo Tratado de Versalhes. Nos anos entre guerras, dominou em profundidade os procedimentos de treinamento e administração do Exército. Subiu de posto, assumindo responsabilidades crescentes e desempenhando-as com eficiência. Colegas comentavam sua inabalável dedicação e proficiência em todos os assuntos militares.

Durante os anos de 1925 até 1929, escreveu um livro intitulado "Ataques de Infantaria", um relato de sua experiência e observações pessoais. A publicação da obra, com 400.000 exemplares vendidos na Alemanha antes e durante a Segunda Guerra Mundial, valeu-lhe destaque nos círculos militares e atraiu a atenção favorável de Adolf Hitler.

Até 1938 Rommel assumiu vários cargos, até que passou a comandar o batalhão de segurança pessoal de Hitler. Acompanhou o Führer aos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia e a Praga.

Rommel e Hitler

Embora desinteressado da política, Rommel admirava o Führer. A denúncia anterior feita por Hitler ao Tratado de Versalhes transformara em entusiasmo a morna aprovação que o Exército tinha por ele. A restauração da Alemanha em uma situação de poder e prestígio no mundo mantiveram e ampliaram a confiança e a aprovação. Embora figurasse entre os que acreditavam no próprio Hitler, Rommel alimentava sérias reservas a respeito dos nazistas que o cercavam.

Por sua parte, Hitler gostava de Rommel não só por sua eficiência e atenção ao dever, mas também porque ele quase nada tinha do tipo aristocrático, que o deixava contrafeito. Sabedor da história de Rommel na Primeira Guerra Mundial e de seu desejo de voltar à luta, perguntou-lhe que posto queria. Tendo observado a BlitzKrieg em ação na Polônia, Rommel pediu uma divisão blindada. Hitler concordou.

Início da Segunda Guerra Mundial - Conquista da França

No dia 15 de fevereiro de 1940, à idade de 48 anos, Rommel assumiu o comando da 7a. Divisão Panzer, estacionada em Godesberg, no Reno. Sempre preocupado com a questão da mobilidade, ficou deliciado com a maior velocidade e raio de ação dos tanques. Ao terminar com um estrondo a "Guerra de Mentirinha" no oeste no dia 10 de maio de 1940, sua unidade estava pronta para semear ventos e colher tempestades.

Rommel lançou suas unidades em ataques devastadores infiltrando-se na retaguarda inimiga, causando assim, espanto, confusão e, eventualmente, paralisia dos inimigos. Em virtude do sucesso esmagador, porém, e em particular à sua atordoante rapidez e aparecimento inesperado no campo de luta, uma vez após outra, sua tropa passou a ser conhecida como a "Divisão Fantasma" e, ele mesmo, como o "Cavaleiro do Apocalipse". A campanha transformou-o em herói popular na Alemanha.

A caminho da França, Rommel e sua divisão Panzer avançam sobre Luxemburgo, não encontrando interferência, e logo em seguida, adentra 45 km no território belga, varrendo a ligeira oposição. Transpondo o rio Ourthre, dispersou a resistência francesa e começou a penetrar fundo em território francês. Ocupando cidade após cidade, avança vários quilômetros e chega a costa entre Fécamp e Saint-Valéry-en-Caux, encurralando aí tropas britânicas e francesas que procuravam embarcar para a Inglaterra. No dia 12 de junho, aproximadamente 20.000 soldados rendem-se, e um general francês que se entregava disse-lhe: "O senhor é rápido demais para nós."

Três dias depois, Rommel voltou ao rio Sena, cruzou-o e reiniciou o avanço para o sul e oeste. Depois de rolar por várias cidades, retoma o rumo norte se aproximando da costa em La Haye du Puits. Rodara à velocidade de 30 a 45 km por hora a fim de cobrir mais de 320 km em dois dias. Seu avanço de 240 km em um único dia foi o mais longo jamais conseguido numa guerra até aquela época.

Rommel chegou aos subúrbios de Cherburgo no dia 17 de junho e prosseguiu para o sul até Rennes. Depois, avançou até a fronteira espanhola a fim de apossar-se da costa atlântica da França. Depois disso, retornou com sua divisão até Bourdeux para prestar serviço de ocupação. Em uma campanha de seis semanas de duração, Rommel capturou o espantoso total de quase 100.000 prisioneiros e mais de 450 tanques. Perdeu 682 soldados mortos em ação, 1.646 feridos, 296 desaparecidos e 42 tanques. Ninguém conduzira a BlitzKrieg com tal segurança, equilíbrio e rapidez. A foto de Rommel apareceu em toda parte na Alemanha, e seu nome estava em todos os lábios.

Afrika Korps

O Afrika Korps foi criado por Hitler na intenção de ajudar os italianos no norte da África. Mussolini havia iniciado esse novo teatro da guerra afim de conquistar o Egito e o canal de Suez. Depois de alguns passageiros sucessos os italianos começaram sofrer derrotas e mais derrotas. O comando do Afrika Korps foi entregue a Rommel, na missão de evitar a expulsão dos italianos do norte da África.

Rommel chega a Trípoli em 12 de fevereiro de 1941. Os britânicos estavam prestes a expulsar os italianos de seu território colonial, já tendo tomado Tobruk, Derna, Benghazi, a capital da Cirenaica, e El Agheila, à entrada da Tripolitânia. Os italianos imploraram a Rommel que salvasse Trípoli. Mas Rommel planejava algo mais ambicioso e, no dia 19 de março, viaja até o quartel-general do Führer para receber de Hitler as Folhas de Carvalho para a Cruz de Cavaleiro por seus serviços na França. Alguns dias depois ele recebe instruções para preparar um plano para reconquistar a Cirenaica.

O Fieseler Fi-156 Storch (Cegonha) foi usado por Rommel como posto de comando aéreo para coordenar as ações do Afrika Korps em pleno deserto

No dia 31 de março Rommel atacou. Obrigou os britânicos a abandonar todas as suas posições até perto de Tobruk. Não foi mais longe por falta de suprimentos e gasolina. O comandante inglês Auchinleck advertiu a seus comandantes subordinados: "Nós falamos muito de nosso amigo Rommel". Queria que suas tropas deixassem de considerá-lo um mago ou demônio, mas simplesmente como um general alemão comum. Obviamente, esse não era o caso.

Os ingleses lançaram a ofensiva Crusader, obrigando Rommel recuar um pouco, com mínimas perdas. Após a Luftwaffe assegurar a superioridade aérea no Mediterrâneo, Rommel desferiu um golpe devastador sobre Tobruk. Aniquilou as defesas britânicas e tomou a fortaleza já parcialmente destruída. A notícia chegou a Churchil quando ele se encontrava com o presidente Roosevelt na casa branca, fazendo sua obsessão por Rommel chegar ao auge. Durante sua campanha no norte da África, Rommel foi apelidado pelos árabes de "O Libertador", pois estava tirando o domínio inglês da região, que se fazia presente desde 1917.

Nesse momento Rommel se encontrava na fronteira egípcia, onde tinha ordens de ficar estacionado enquanto os recursos do Eixo eram desviados para um golpe decisivo sobre a assediada ilha britânica de Malta, no Mediterrâneo. Mas uma idéia passou pela cabeça de Rommel, e também na de Hitler e Mussolini. A idéia consistia em um eventual ataque ao Egito e a conquista do canal  de Suez. Depois, o Afrika Korps avançaria rumo ao Oriente Médio e a Pérsia. Alimentada com o abundante petróleo dessa região, a máquina de guerra alemã avançaria e se juntaria as tropas na frente russa e, posteriormente, marcharia em direção a Índia, para se encontrar com os japoneses e assim selando a destruição do Império Britânico.

Rommel liderando seus homens no Deserto Ocidental

Rommel preparou planos para conquistar Alexandria. Mas no dia 1o. de julho, em Alamain, Rommel e seu desfalcado Afrika Korps encontraram um 8ª exército inglês reforçado, sob o comando direto do general Sir Auchinleck. Precisou de todos os seus recursos para manter a sua linha intacta. Escreveu ele à sua esposa: "A situação não pode continuar assim por muito tempo, ou a linha se desintegrará. Militarmente, este é o período mais difícil pelo qual já passei".

Em setembro (ocasião que o 8ª exército foi fortemente reforçado), tentou atacar mas foi inteiramente derrotado. Depois, rechaçou alguns ataques do 8ª exército, já sob o comando de Sir Bernard Montgomery.

Rommel passava por problemas de saúde. Estava com problemas estomacais e intestinais, dilatação do fígado e deficiências circulatórias, e também estava atormentado pelo desânimo com a dificuldade aparentemente insolúvel de garantir o suprimento regular de suas tropas, e preocupado sobre o aparecimento das primeiras dúvidas sobre a vitória final do Eixo, deixou o norte da África em licença de tratamento médico. Visitou Mussolini em Roma, e depois foi para a Prússia Oriental para falar com Hitler. Apresentou seus argumentos. Sugeriu uma evacuação do norte da África, a fim de resgatar as forças ali estacionadas para defender a Europa de uma invasão aliada. Mas Hitler não lhe deu ouvidos e começou a falar sobre os novos tanques Tigre e os foguetes Nebelwerfer. Depois, retirou-se para Semmering, nas proximidades de Viena, a fim de tratar do problema do fígado e da pressão arterial irregular. Enquanto repousava, manifestou à esposa as primeiras dúvidas sobre Hitler, cujas política e estratégia absurdas, segundo ele, estavam provocando a derrota.

No dia 23 de outubro de 1942, Montgomery lançou uma operação com o objetivo, como ele mesmo disse, de "eliminar Rommel". Rommel recebeu um telefonema informando que seu sucessor havia morrido na batalha. Logo em seguida, Hitler lhe telefona perguntando se ele poderia voltar. Rommel respondeu que sim.

No dia 25 de outubro, viajou para Roma, onde soube que só um mero fio de suprimentos conseguia passar pelo Mediterrâneo, e chegou a Trípoli naquela noite. Rommel visitou a frente de luta no dia 26 e ficou estarrecido. Os britânicos dominavam o ar e o mar. Avisou Hitler, Mussolini e Kelssering (General da Luftwaffe, Comandante-em-Chefe no Mediterrâneo) que esperassem uma catástrofe.

No dia 3 de novembro, Rommel assumiu posição defensiva e tentou alguns contra ataques sem resultado. O combustível já estava faltando e as unidades italianas desmoronaram, quando uma ordem de Hitler chega: "Resistir até o fim". Rommel ficou atônito com a incompreensão e frigidez de Hitler. Ordenou uma retirada total.

Rommel e o restante de seu exército foram para a Tunísia onde Hitler e Mussolini enviaram tropas para fazer um fortificada cabeça de ponte. Mas a resistência durou poucos meses, e a Alemanha teve que deixar o norte da África.

Rommel já não acreditava mais no esforço de guerra alemão no sul da Europa. Da Espanha à Turquia os aliados podiam invadir por qualquer lugar, e ele sabia que era só o primeiro soldado aliado colocar o pé na Itália que Mussolini caía. Rommel também já não acreditava mais na aliança Italo-Alemã. Era só uma questão de tempo para a Itália capitular.

Invasão da Normandia

Como Rommel previu, os aliados invadiram a Itália. Hitler nomeou Kelssering como comandante supremo na Itália e reservou para Rommel a missão de defender a costa francesa.

Rommel começou a trabalhar duro na França. Mandou construir fortificações, passar arames, barreiras, obstáculos anti-paraquedistas, colocou milhões de minas ao longo da costa, construiu uma pequena muralha que não deu tempo de acabar. E ainda, pediu reforço militar para Hitler, como duas divisões Panzer e mais unidades de infantaria.

No dia D, Rommel não estava presente na Normandia, e sim, em sua casa comemorando o aniversário de sua esposa. Hitler ordenou que as divisões Panzer ficassem atrás, como uma reserva de defesa. Rommel seguiu imediatamente para a Normandia, mas já era tarde. Os aliados haviam estabelecidos uma forte cabeça de ponte, e tinham a superioridade aérea. Era o fim para Rommel. Para ele, a Alemanha havia perdido a guerra, e o que tinha que ser feito era retornar para próximo da fronteira e organizar uma eficiente defesa.

Os historiadores militares acreditam que se Rommel estivesse lá na hora do desembarque, imediatamente ordenaria as divisões Panzer atacar os aliados, o que mudaria e muito a história como conhecemos.

A Morte de Rommel

Três dias depois do Dia-D, em 9 de junho de 1944, o carro em que Rommel viajava foi atingido por um caça aliado. Rommel sofreu ferimentos graves na cabeça, e foi levado para um hospital da Luftwaffe nas proximidades.

Um pouco antes disso acontecer, Rommel havia tomado parte de um complô para tirar Hitler do poder e prendê-lo. O que ele não sabia, era que os conspiradores queriam era matar Hitler. No dia do acidente, o golpe chegava ao seu clímax. Uma bomba explode no quartel-general do Führer, que escapa milagrosamente. Hitler manda matar os opositores e descobre, por alguns documentos, que o nome de Rommel constava como o presidente do IV Reich.

Como Rommel era conhecido como o VolksGeneral (General do Povo), e por seus serviços prestados, o Führer ofereceu duas possibilidades: Rommel poderia cometer suicídio ou ser julgado por alta traição. Optando pelo suicídio, nada seria feito contra sua esposa e filho.

Quando Rommel estava em sua casa, dois Generais bateram à sua porta levando a notícia. Rommel se despediu da família e entrou no carro junto com os Generais para tomar o veneno. Chegou já morto ao Hospital, vitima de uma embolia fatal. Os que viram o corpo comunicaram uma expressão de desprezo em seu rosto. O corpo foi incinerado, para evitar complicações posteriores quanto ao envenenamento, e Rommel teve um enterro com honras de Estado.

No dia 7 de março de 1945 o Terceiro Reich começou a esboroar-se. Frau Rommel recebeu informação do desejo de Hitler de mandar construir um monumento esmerado na sepultura do marido.

 


Operação Flipper - “A caça à raposa”

“Foi uma operação brilhante e de grande audácia”.  Rommel

No outono de 1941, uma figura havia alcançado, no teatro da guerra do deserto, uma fama que era quase uma lenda: Rommel. Auchinleck, o general britânico, dizia referindo-se a Rommel: ... Fala-se muito a seu respeito. Rommel não é, certamente, um super-homem. Mas, ainda que fosse, não seria desejável que nossos homens acreditassem em seus poderes sobrenaturais. De modo que é necessário desvirtuar de qualquer maneira a idéia de que Rommel seja algo mais que um simples general alemão...

Entre as tropas do 8o Exército britânico existia grande admiração por Rommel e suas façanhas. Em apenas dois meses, Rommel havia mudado radicalmente o curso da guerra africana, obrigando o exército do General Wavell, que atacava, a recuar, e combater na defensiva. Por isso, o General Auchinleck foi enviado para substituir Wavell. Por sua vez, o General Alan Cunningham, encarregado de dirigir a ofensiva geral contra as posições alemães a 18 de novembro, teve a idéia de eliminar previamente Rommel, mediante uma furtiva e eficaz cilada. Algo muito ousado, por certo. Se conseguirmos eliminá-lo de qualquer modo que seja - dizia - conseguiremos semear a confusão no Afrika Korps. E foi assim que, dispostos a concretizar a idéia, alguns jovens oficiais propuseram um temerário plano de ação. Sabia-se, seguramente, que Rommel tinha seu QG na localidade de Sidi Rafa, a 375 km atrás das linhas alemães, e a 18 km do mar. O acesso ao local era possível por mar ou pela estrada paralela à costa. Atacando Sidi rafa poder-se-ia destruir o QG e matar o próprio Rommel.

Cunningham aprovou imediatamente a idéia. Foi esse o começo da Operação Caça à Raposa. Um plano excepcional, de uma audácia sem par, a ser executado na madrugada de 18 de novembro. Neste ponto surgiu uma questão: Quem comandará a operação?

A resposta não demorou. Havia entre eles um autêntico adepto da caça às raposas. Era Geoffrey Charles Ticker Keyes, do 2o Regimento dos Dragões Reais. Ex-aluno de Eton, e pertencente a uma aristocrática família britânica, Keyes manifestou-se ao ser informado: - Estou certo do sucesso, se me confiarem a missão...

Dispostos os planos para a operação, determinou-se o seguinte dispositivo: interviriam, na ação, três destacamentos. O primeiro, comandado por Keyes, atacaria exclusivamente a casa de Rommel, a meio quilômetro a oeste da cidade, e o QG alemão que se encontrava em Beda Littoria. O segundo destacamento sob o comando do Tenente Southerland, assaltaria o QG italiano em Cirene, e destruiria as comunicações telefônicas e telegráficas. Havia um terceiro grupo que sabotaria as comunicações entre Faidia e Lamdula. Dois submarinos, o Tobray e o Talisman, se incumbiriam do transporte dos soldados.

Às 20 horas da sexta-feira, 14 de novembro de 1941, os submarinos deixaram o porto. Eram 22 horas, quando os homens reuniram-se na coberta do submarino. Keyes, com serenidade e sangue-frio britânico, ordenou abrir várias garrafas de champanha reservadas para a ocasião. Às 23 horas, o tempo começou a piorar. De súbito s máquinas pararam. Fez-se silêncio. Os homens subiram à ponte. A visibilidade era escassa. A praia aparecia recortada ao longe, entre as sombras.

Keyes consultou seu relógio. Era a hora estabelecida. Deviam desembarcar. Rapidamente apareceram os botes de borracha. Foram inflados com bomba de bicicleta. Depois, jogados ao mar. Cada bote tinha capacidade para dois homens. O desembarque, que nos treinamentos se efetuava em uma hora, demorou seis.

No sábado, 15 de novembro, todos permaneceram ocultos num bosque próximo à costa. Nessa mesma tarde, começou a chover. Ao anoitecer do dia seguinte, às 20 horas, conseguiram chegar a 8 km de Sidi Rafa. Decidiram pernoitar numa caverna. Ao longe, no meio de um pequeno bosque, sobre uma colina, se erguia uma construção de dois andares. Ali estaria Rommel.

No dia 17 de novembro, às 18 horas, Keyes consultou seu relógio. Faltavam seis horas para começar a operação. Ainda chovia. Todos se mantinham tensos, prontos para a aventura, preparados para a caça à raposa...

E assim esperaram a meia-noite. Quando o relógio marcou 12 horas, os soldados deixaram o refúgio, e partiram debaixo da chuva. Três deles deviam inutilizar a instalação elétrica. Cinco vigiariam do lado de fora. O resto controlariam as barracas vizinhas. Junto a Keyes marcharam Campbell, Coulthread, Drori e Brodie. Engatinharam até uma sala vazia. Várias portas abriam-se de ambos os lados. Por qual entrar?

De repente uma delas se abriu e apareceu um soldado alemão, em atitude despreocupada. Ficou imóvel. Recuperou-se imediatamente e abriu a boca para gritar. Mas Campbell, rápido como um raio, lançou-se sobre ele e o derrubou com um certeiro golpe de seu punhal, que penetrou até o cabo, no corpo do alemão. O soldado caiu sobre uma mesa, arrastando na queda, um recipiente de cristal, que se estilhaçou estrepitosamente. Keyes, compreendendo o risco do incidente, que fazia perigar todo o êxito da missão, precipitou-se para outra porta. Abriu-a rapidamente. Dentro do quarto estava um grupo de soldados alemães, displicentemente sentados ao redor de uma mesa. Não escutaram o barulho? Tanto pior para eles. Lançou uma granada que levava em sua mão direita e atirou-se no chão. Mas, nesse mesmo momento, uma descarga de metralhadora, disparada por um soldado alemão, o atingiu, matando-o.

Seu sacrifício havia sido inútil. Como também o de seus companheiros. De fato, nesse mesmo momento, Rommel se achava muito longe dali...

No dia 18 de novembro, Rommel soube do ocorrido. Imediatamente deu ordem a seu capelão, reverendo Rudolf Dalmrath, que se dirigisse a Sidi Rafa, para dar sepultura cristã a Keyes. Depois de uma viagem de 36 horas, o sacerdote, chegou a tempo para o funeral. Um oficial colocou na tumba uma pequena coroa. Depois, uma cruz improvisada com ramos de ciprestes. Sobre a cruz, um papel com os seguintes dizeres: Em nome de Rommel.

 


 

A vida no Afrika Korps

 


Um resumo sobre a vida dura no deserto e a logística empregada nas campanhas.

A guerra no Norte a África era essencialmente uma campanha dos italianos, que quase foram derrotados pelos britânicos na Abissínia (Etiópia). Os italianos eram uma fonte constante de aborrecimento a Hitler, com seus ataques à Grécia e na África, ambos terminados em derrota. Os alemães tiveram várias vezes que enviar reforços para sustentar o exército relativamente fraco da Itália.

Hitler concordou em enviar uma força expedicionária para o Norte da África em 1941, sob as ordens de Rommel, um líder capaz e competente, que durante a campanha francesa conduziu a 7ª Divisão de Panzers (A Divisão Fantasma).

A força enviada para a África, era conhecida como a "Deutsche Afrika Korps", era composta de várias divisões de batalha que incluíam as 15ª e a 21ª Divisões de Panzer como também a 334ª Divisão de Infantaria e as 5ª e 90ª Divisões Leves. Os primeiros elementos chegaram à Tripoli, na Líbia, no dia 14 de fevereiro e continuariam chegando durante as demais semanas deste mês.

Alguns dos homens destas divisões eram veteranos acostumados à guerra e as campanhas anteriores, mas estavam a ponto de entrar em um tipo de conflito totalmente novo: a guerra no deserto, que traria muitos sofrimentos e exigiria muitas mudanças no comportamento, posicionamento tático, equipamentos e hábitos pessoais. As Tropas que foram enviadas no início da campanha tiveram que passar por um exame médico, na verdade não eram diferentes dos de rotina do Exército alemão, mas recebia o título de Certificado Médico de Aptidão para Serviço Tropical e aparte os testes habituais o candidato seria vacinado contra cólera e tifo. Devido à urgência da situação a maioria passava neste exame que era bastante direto. Na maioria das vezes o certificado era abandonado devido a essas urgências.

Foram emitidos uniformes de acordo com o clima que tiveram que ter um ajuste perfeito, principalmente o calçado para combater a queda severa da temperatura à noite durante os meses de inverno. Foram feitas outras mudanças, como no tecido que era usado: mais duro que o de couro (que também era usado no deserto) e menos suscetível ao calor. Também foram emitidas garrafas de água maiores e óculos contra o sol que eram usado pelo exército e unidades da Luftwaffe.

Os homens recentemente chegados ao Afrika Korps tinham um descanso durante uma marcha de rota projetada para aclimatação, mas este luxo não ficou disponível às tropas por muito tempo quando a campanha progrediu. É interessante notar que foi concedido aos soldados do Afrika Korps um aumento de pagamento (ou mesada como era conhecido) na forma de 2 Marcos por dia para soldados rasos e 3 Marcos por dia para oficiais.

Muitas outras mudanças tiveram que ser implantadas assim como os uniformes tropicais e equipamentos como capacete e as botas. Os Veículos foram repintados nas cores de camuflagem tropical que era principalmente amarelo escuro e o símbolo da Afrika Korps, a árvore de palma e a suástica, foi colocado como sinônimo da campanha Norte africana. O tipo de veículo usado pelos alemães no deserto eram os mesmos usados em outros teatros da guerra, os tanques britânicos eram em geral inferiores às máquinas alemãs. O MK III alemão e MK IV foram muito utilizados nos confrontos com Cruzadores britânicos, Valentines e Matildas. O canhão de 88mm, armas anti-aéreas formidáveis, foram pela primeira vez usadas no deserto e podiam destruir tanques britânicos a grandes distâncias. Outros tanques como o Pzkpf I e II também foram empregados no início da operação e embora tivessem pouco poder de fogo eram rápidos e tornaram-se úteis veículos de reconhecimento.

Areia e calor afetaram grandemente os tanques, causando danos devido a areia que penetrava nas junções. Os lubrificantes, uma vez contaminados com areia, tornavam-se inúteis e às vezes poderiam causar problemas sérios para as armas dos veículos.

As condições para as tripulações dos tanques no deserto eram incômodas. As temperaturas dentro de um tanque alcançavam em algumas ocasiões mais de 70º centígrados tornando-se quase impossível a permanência dentro deles. Não é nenhum exagero quando veteranos diziam que "você podia fritar um ovo em cima de um tanque". Os aviões também eram uma ameaça constante não só para os tanques como para todas as tropas, porque desciam sobre qualquer coisa que se movesse no deserto.

As viaturas blindadas eram muito importantes para reconhecimento e agressões, onde a velocidade era vital (especialmente no deserto devido a visibilidade quase ilimitada). Estes incluíam o Sdkfz 222 com quatro rodas e o 231 (carro blindado que possuía oito rodas) que também poderiam ser usados como veículos de controle de rádio. O Sdkfz 250 e 251 foram extensamente usados na África pelos alemães e poderiam executar várias tarefas diferentes como transporte de tropas, veículos de comando (como utilizado pelo próprio Rommel) e veículo de reconhecimento. Foram empregados veículos mais pesados para rebocar armas como as 3.7cm e as PAK 40 anti-tanques. O Sdkfz 7 foi empregado para rebocar peças de artilharia maiores como a 88mm e peças de 150mm. Motocicletas (BMW e Zundapp) também foram extensamente utilizadas, normalmente armadas com um único MG34 e eram especialmente versáteis para reconhecimento e escolta. Devido à arquitetura exposta do motor da motocicleta, a areia as incapacitava freqüentemente, um verdadeiro perigo para seus tripulantes.

Como em todos os cenários da guerra os alemães fizeram grande uso de veículos abandonados e não era incomum ver tanques e veículos britânicos pintados com insígnias alemãs. Também foram apropriadas diversas ambulâncias e caminhões. Com a chegada dos americanos, em 1942, foram capturados muitos dos equipamentos deles e usados pelos alemães. A única desvantagem deste sistema era a aquisição de partes excedentes para veículos inimigos. Esta filosofia deu origem à declaração que "no deserto nada seria desperdiçado". Eram muito comuns batalhas para conquista de "cemitérios de veículos".

Novas táticas tiveram que ser inventadas e programas de treinamento tiveram que ser desenvolvidos para ajudar as tropas a adaptarem-se ao novo terreno. Movimentos de tanques e de veículos atraíam os bombardeiros e caças inimigos devido às grandes nuvens de poeira que subiam depressa e podiam ser vistas a várias milhas. Sendo assim as tropas faziam a maioria dos seus avanços a noite.


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Assunto: Afrika Korps