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(bandeira do império alemão)

 Tropas de Assalto ou Sturmtruppen ("Stoßtruppen") - 1914-1918

Nota: Em algumas publicações sobre o tema das Tropas de Assalto alemãs elas são chamadas de "Stosstruppen" em vez de Sturmtruppen "Stoßtruppen". O termo "Sturmtruppen" significa, literalmente, Tropas de Assalto, enquanto o termo "Stosstruppen", Tropas de Choque e era usado indistintamente para todas as tropas alemãs que realizavam esta função. Geralmente as publicações utilizam o termo anglo-saxão "Stormtrooper" para se referir as Tropas de Assalto alemãs, o que não parece correto, porque é uma conversão do termo original alemão para o inglês.


 As nações imperialistas européias alegremente entraram na Primeira Guerra Mundial, no intuito de obter através do peso numérico das suas intrincadas alianças uma rápida vitória sobre seus rivais. Essas nações acreditavam em uma repetição das táticas utilizadas durante as Guerras Napoleônicas: bombardeios de artilharia destrutivos, cargas de cavalaria mortíferas e ousados movimentos de flanco. Mas alguns meses depois da eclosão da guerra, a cavalaria foi barrada pelo arame farpado e os tiros mortais das metralhadoras.

A Primeira Guerra Mundial, longe de ser uma guerra de movimento tornou-se em uma guerra sanguinária de trincheira, muito semelhante ao cerco medieval. Milhares e milhares de jovens foram enviados para a morte em ataques massivos absurdos contra as trincheiras inimigas. As Tropas de Assalto ou Sturmtruppen ("Stoßtruppen") nasceram da necessidade de furar as intrincadas defesas inimigas e fora uma idéia que revolucionou completamente a tática da guerra de trincheira de sua época.

A rivalidade econômica e política que mantinham as principais nações imperialistas européias explodiu em 1914 em um conflito generalizado que se espalhou rapidamente por todo o mundo. França, Grã-Bretanha, Rússia e Sérvia enfrentaram o Império Austro-Húngaro, Alemanha e Turquia.

A Guerra de Trincheira

A guerra começou com grandes movimentos, os alemães deslocaram-se rapidamente para a França através da Bélgica, mas foram parados na famosa Batalha do Marne. No final de 1914, ambos os lados estavam escondidos em linhas que se estendiam por mais de 800 quilômetros, desde a Suíça ao Mar do Norte. A metralhadora e as trincheiras impediram que estas linhas se movessem nos próximos três anos.

Desde o final de 1914, a frente era formada por várias linhas paralelas de trincheiras, que se comunicavam entre si e eram protegidas por ninhos de metralhadoras, arame farpado e especialmente por uma artilharia mortífera instalado atrás do front.

O aparecimento desta novas "defesas em profundidade" gerou um terrível obstáculo para o soldado de infantaria regular. As táticas da época baseavam-se em ataques cerrados de infantaria, e quando próximos do fim do avanço, as tropas avançavam agrupadas em uma carga de baioneta. O armamento dos infantes foi reduzido a seu fuzil regulamentar com baioneta e, depois, com algumas granadas. Durante o assalto as trincheiras inimigas as tropas tinham de atravessar a terrível "terra de ninguém", enquanto a artilharia inimiga bombardeava a levas inimigas com fogo devastador, depois disto os infantes tinham que cruzar alambrados, enquanto o inimigo disparava ininterruptamente suas metralhadoras e morteiros. Depois de alcançar as trincheiras inimigas os soldados sobreviventes deviam "limpá-las" dos inimigos, muitas vezes, usando apenas suas facas. Depois de tudo isso, os poucos soldados ainda vivos deviam resistir às forças do inimigo que lançariam um contra-ataque imediato vindos de trincheiras localizadas na retaguarda. Tudo isso fez com que o assalto a uma trincheira fosse uma ação quase impossível de ser realizada pela infantaria regular daquela época. Diante de tanta carnificina, com o tempo surgiram informalmente entre as trincheiras inimigas acordos do tipo “ viva e deixe viver”, o que só trazia mais letargia e a quase imobilidade para a frente de batalha.

As Sturmtruppen ou Tropas de Assalto

Para superar este problema, os alemães criaram as Sturmtruppen ou Tropas de Assalto, as unidades de elite responsáveis por abrir brechas nas trincheiras do inimigo e permitir o avanço do resto do exército. O conceito das Sturmtruppen foi desenvolvido pelos alemães das táticas usadas pelos Boers na sua guerra contra o Império britânico na chamada Guerra Anglo-Boer, travada entre 1899 e 1902. Os Boers além de terem bons snipers, eram especialistas em guerra de guerrilha, realizando com sucesso ataques surpresa e emboscadas.

Durante a guerra, os Boers foram agrupados em esquadras de três ou quatro homens para atravessar as linhas britânicas, burlando a extensa rede de arame farpado e fortificações que as protegia. Uma vez no território inimigo se agrupavam em grupos maiores e se dedicavam a atacar as linhas de abastecimento do inimigo, cortar os trilhos das ferrovias ou interromper as linhas do telégrafo.

Um Sturmmann das Sturmtruppens se prepara para mais um assalto as trincheiras inimigas. Observe o seu capacete camuflado.

Após seus ataques, os Boers escapavam novamente em pequenos grupos, antes de chegarem os reforços do inimigo para a área que foi atacada. Apesar de terem sido finalmente derrotado pelo peso numérico do Império Britânico, os Boers conseguiram infligir humilhantes derrotas ao inimigo. Estas vitórias espetaculares dos Boers impactaram a Europa, principalmente os alemães, "simpatizantes" dos Boers. Os germânicos estudaram bem as táticas usadas pelos Boers para burlar o sistema defensivo britânicos e os efeitos de suas incursões na retaguarda inimiga.

Em 2 de março de 1915 por ordem do Ministério da Guerra foi criado no âmbito do 8º Corpo de Exército alemão o Sturmabteilung Calsow, ou Destacamento de Assalto Calsow, uma unidade comandada pelo Major Eugene Calsow e que estava composta por duas companhias de "pioneiros" (sapadores engenheiros) e uma seção de canhões de assalto Krupp de 37 mm. O objetivo da unidade era avançar pela "terra de ninguém" com armas de assalto, e uma vez perto das trincheiras inimigas, abrir fogo direto de cobertura nos bunkers e ninhos de metralhadora do inimigo, facilitando assim o ataque de infantaria alemão. Os homens de Calsow usavam escudos pesados e coletes de proteção nos ataques, além do novo modelo de capacete de aço, o famoso e típico Stahlhelm. Este capacete mais tarde se tornou o padrão em todas as unidades alemãs, até ao final da guerra, e um modelo modificado foi usado durante a Segunda Guerra Mundial.

No entanto, essa unidade foi usada pelo comando de divisão de maneira convencional, sendo responsável de defender com seus canhões uma linha de trincheiras na França. Esta missão era totalmente contrária aos princípios do assalto de trincheira para o qual a unidade havia sido criada, o que fez com que em junho de 1915, a unidade sofresse a perda de metade de sua força de combate de forma totalmente inútil. O fracasso que a unidade gerou fez com que o maior Calsow fosse substituído no comando, apesar de seus protestos de que a unidade não tinha sido utilizada corretamente.

Após este primeiro fracasso a unidade foi totalmente reorganizada em 8 de setembro de 1915 com a chegada do seu comandante, o experiente Capitão Willy Rohr, que em 1914 havia treinado táticas de assalto a nível de pelotão. O novo Sturmabteilung Rohr ou Destacamento de Assalto Rohr e era composto por duas primeiras companhias de engenheiros e uma seção de canhões de 37 milímetros, além de um novo pelotão com seis metralhadoras, uma seção de lança-chamas e uma esquadra dotada de pequenos morteiros. Os antigo canhões de 37 milímetros não tinham se mostrado muito úteis e foram substituídos canhões russos capturados de 76mm.

Capitão Rohr na primeira experiência com a armadura e os escudos do Destacamento de Assalto percebeu que a velocidade era melhor proteção do que a armadura. O único item da armadura mantido foi Stahlhelm. Mais tarde Rohr também proveu seus homens de um tipo primitivo de colete à prova de balas.

Tática

As novas tática de assalto as trincheiras desenvolvidas por Rohr basearam-se na infiltração por trás das linhas inimigas de pequenos grupos de três ou quatro homens com granadas e lança-chamas para permitir que eles destruíssem os ninhos de metralhadora e, assim, abrissem caminho para as outras tropas atacantes. O primeiro homem avançava a frente para cortar o arame farpado com um grande cortador de arame, os homens seguintes avançavam de trás, prontos para cobri-lo com o fogo de suas armas. Depois de atravessar as linhas inimigas as Tropas de Assalto destruiriam os ninhos de resistência do inimigo com granadas e fogo mortal de seus lança-chamas, destruindo também todos os obstáculos e facilitando o avanço da sua infantaria. Enquanto os Sturmtruppen invadiam as trincheiras inimigas, as seções de suporte, equipadas com canhões, morteiros e metralhadoras lhe davam cobertura com seu atirando contra os bunkers inimigos.

Em 12 de outubro de 1915 o capitão Rohr colocou a prova suas novas táticas em um assalto comandando por ele contra as posições inimigas na área de Vosges. Enquanto os morteiros abriam fogo contra a artilharia e as metralhadoras inimigas, a esquadra de lança-chamas avançava para ser posicionar a uma distância suficiente para usar suas terríveis armas contra o inimigo e cobrir o avanço dos outros soldados armados com granadas de mão, que limparam as trincheiras inimigas.

Cena real de um assalto das Sturmtruppens contra posições francesas. Observe um soldado francês morto a direita.

Esta demonstração foi tão bem sucedida que em meados de dezembro 1915, que metade das tropas de Rohr foram destinadas ao trabalho de formação de outros soldados para lhes ensinar suas táticas em cursos de curta duração e, assim, possibilitar o surgimento de novas companhias de assalto. Sendo assim vários Jäger batalhões começaram a serem transformados em novos batalhões de assalto. Os homens treinados por esses métodos eram conhecidos como Sturmmann (literalmente, homem de assalto ", mas normalmente traduzido como Stormtrooper).

As tropas de assalto tinham uma filosofia muito diferente das tropas regulares do Exército Alemão, seus homens permaneciam muito pouco tempo na defensiva, na retaguarda abrigados nas trincheiras fétidas, imundas e infestadas de piolhos e ratos, conseqüentemente, não padeciam, em grande parte, da desmoralização e desmotivação que as tropas regulares já experimentavam há meses e até anos. As tropas de assalto chegavam à linha de frente em caminhões e se infiltravam nas posições inimigas, sempre ao anoitecer e atacando de surpresa as posições defensivas inimigas. Ao amanhecer geralmente já estavam de volta a sua base de origem. Esse comportamento das tropas de assalto certamente “destruiam” com os acordos informais de “ viva e deixe viver” entre os inimigos, pois as tropas de assalto eram empregadas em partes diferentes do front e não raro, também, nos setores mais calmos onde eventualmente poderia estar em vigência o “acordo viva e deixe viver”.

As tropas de assalto não tinham o objetivo de serem um destaque permanente nas operações de batalhas da Alemanha, mas sim, um modelo a ser seguido pelos demais combatentes do Exército Alemão e como as tripulações de submarino ou os pilotos de caça alemães, as tropas de assalto adquiriam uma aura romântica foram amplamente divulgados pela imprensa alemã, ou seja, heróis a serem seguidos. Tanto é que o cartaz alemão de guerra de 1914, que retratava um cavaleiro medieval, passou a retratar um soldado da tropa de assalto segurando granadas prontas para serem arremessadas, essa passou a ser a nova imagem do guerreiro alemão.
Os batalhões de assalto serviram, e muito, para levantar a moral e o espírito de luta dos demais soldados do Exército Alemão, que passavam semanas horrendas enterrados em trincheiras imundas sob o fogo inimigo, sendo que e os feitos das tropas de assalto foram muito divulgadas nos jornais, o que dava alguma esperança aos soldados de que teriam alguma esperança de vitória e conseqüentemente o retorno para a casa.

Em 1º de janeiro de 1916 a tropa completa de Rohr participou de uma nova ofensiva em Vosges. Os Sturmtruppen conseguiram a vitória e abriram as condições para o avanço de dois regimentos de infantaria através das linhas inimigas. Em 22 de fevereiro de 1916 a unidade, junto com novas companhias de assalto recem criadas participou na épica batalha de Verdun. Para conseguir romper as defesas intrincada que os franceses tinham em Verdun, os alemães designaram uma companhia de assalto para cada uma das nove divisões do 5º Exército, as tropas de assalto deveriam liderar o ataque.

Após um feroz bombardeio de artilharia os Sturmtruppen conseguiu romper as as defesas inimigas nos primeiros dias da batalha, chegando a patrulha do sargento Kunze a capturar o Fort Douaumont, considerada inexpugnável, mas com uma dotação mínima de homens. Os Sturmtruppen tinham servido ao seu propósito, eles tinham capturado as posições inimigas, mas o problema para os alemães foi que infelizmente o resto da infantaria não estava a altura das tropas de assalto e os furiosos contra-ataques que se seguiram da batalha levaram a mesma a um impasse que causou uma terrível perda de vidas em ambos os lados. Os sucessos de Rohr durante esta dura batalha fez com que a 1º de abril de 1916 sua unidade fosse reforçada com duas companhias de infantaria, tornando-se o Batalhão de Assalto de Rohr ou Sturmbataillon Rohr.

Armas e equipamentos

Nessa mesma época Rohr modificou uniformes, armas e equipamentos de seus homens com base na experiência adquirida no campo de batalha. Rohr substituiu as pesadas botas de infantaria por calçados mais leves de cano curto, bem como as fardas foram reforçadas com partes metálicas ou de couro nos joelhos e nos cotovelos para proteger os homens que rastejavam sob o arame farpado. Rohr introduziu também o uso de grandes sacos de lona especificamente concebidos para o transporte de grande quantidade de granadas. O longo e incômodo rifle Mauser 98 foi substituído por uma carabina de cavalaria e os operadores dos lança-chamas foram dotados de pistolas para a sua proteção pessoal. Além disso, os homens usavam facas de trincheira e pás afiadas que usavam nos combates corpo a corpo. Posteriormente em 1918, as companhias de assalto contavam com a eficaz submetralhadora Bergman MP18 de 9mm, que aumentou em muito o poder de fogo das tropas.

No entanto, a arma mais importante era o lança-chamas dos Sturmtruppen chamado em alemão de "Flammenwerfer" e criado por Richard Fielder. Esta arma era capaz de lançar um jato de combustível em chamas a uma distância de 20 metros. Um lança-chamas a uma distância razoável podia queimar vivos os soldados inimigos, mesmo que estes estivessem protegidos dentro de uma trincheira ou abrigo. O lança-chamas chegava aonde o projétil não chegava, causando um verdadeiro terror no inimigo. Tudo isto fazia com que o efeito desta arma sobre o moral do inimigo fosse enorme e para Rohr era a arma ideal para limpar trincheiras, pois deixava o soldado inimigo perplexo e paralisado, mesmo que o inimigo quase sempre superasse os seus homens e número.


A arma mais temível dos Sturmtruppen era o lança-chamas chamado em alemão de "Flammenwerfer"

A estratégia de Oskar von Hutier e o uso dos Sturmtruppen  

Mas apesar dos esforços das tropas de assalto e as táticas de Rohr, havia a falta de algo mais para se ganhar a guerra de trincheiras e evitar os massacres desnecessários, como os de Verdun e do Somme. Curiosamente, a resposta para as deficiências estratégicas dos alemães para explorar o sucesso das táticas dos Sturmtruppen não veio da Frente Ocidental, mas da Frente Oriental e através de um dos melhores e mais jovens oficiais, Oskar von Hutier.

No início da guerra, em 1914, o major-general Oskar von Hutier estava comandando uma divisão da Alemanha na Frente Ocidental. Sua eficácia no comando foi tão executado que no ano seguinte, 1915, ele foi transferido para a Frente Oriental para comandar o 8º Corpo de Exército, pertencente ao 10º Exército Alemão. Por seus sucessos repetidos nas frentes da Lituânia e Rússia, ele ganhou a promoção para "General de Exército" em 1917. Durante este tempo de contínuos combates Hutier observou e aprendeu as táticas usadas em ambas as frentes, e de sua experiências, por um lado, resgatou a eficácia das patrulhas de longa distância dos exploradores russos e, por outro, o desenvolvimento dos Sturmtruppen na Frente Ocidente, e assim decidiu criar seus próprios grupos de combate, mas não só a nível tático para usá-los como aríetes contra as trincheiras inimigas, mas também a nível estratégico.

Von Hutier desenvolveu uma nova estratégia baseada em uma brusca da ruptura na frente do inimigo seguida de uma rápida penetração em profundidade da retaguarda do inimigo. O rápido avanço em profundidade impediria o inimigo de cavar novas trincheiras e decidiria rapidamente o curso da guerra. Naquela época a concepção de Hutier era uma revolução, visto que naquela época os exércitos sempre se moviam lentamente, com tropas cobrindo os flancos e ocupando cada centímetro de terra, não deixar os inimigos atrás deles.

A estratégia de Hutier baseava-se precisamente no contrário: os seus exércitos deveriam avançar, independentemente dos flancos, os quais corriam sérios riscos de serem envolvidos e destruídos em um ataque de flanco. Além disso, em vez de limpar o terreno palmo a palmo, Hutier queria que seus soldados não entrassem em combate, tanto quanto possível, e se dedicassem ao avanço profundo na retaguarda do inimigo, eliminando com o seu avanço a maior parte da artilharia e dos postos de comando do inimigo, um objetivo vital que iria perturbar o "cérebro" do inimigo e não deixar que houvesse nenhuma capacidade de reação.


Tropas de Assalto alemãs avançam contra posições inimigas. Em suas bolsas estão as granadas germânicas popularmente conhecidas como "amassador de batatas".

O elemento vital para o sucesso da estratégia Hutier era a surpresa e velocidade. Normalmente nas batalhas da época era habitual que a artilharia martelasse as posições inimigas durante dias, mas, apesar do enorme impacto devastador, o inimigo tinha tempo para acumular reservas e trazer os homens para a área, e quando as tropas de infantaria avançavam acabavam encontrando um grande número de inimigos na sua frente, gerando terríveis baixas em ambos os lados e o progresso era quase nulo.

O problema era que, sem o bombardeio de artilharia não poderia haver a ruptura da frente. Para resolver a questão, aprovou a sua estratégia Hutier adaptou a sua estratégia uma nova tática de artilharia projetada pelo veterano general alemão Bruchmuller Goerg. Bruchmuller inovou as táticas de artilharia, usando concentrações de fogo em pequena escala, muitas peças de artilharia disparavam projéteis explosivos, de fumaça e de gases, sobre um único sector da frente. Esta concentração de fogo durante um tempo relativamente curto permitia destruir as defesas do inimigo e obrigava os defensores a se refugiarem. Após o bombardeio a infantaria atacaria imediatamente, antes que o inimigo poderia trazer reforços. Assim, a táctica Hutier se baseava em um bombardeio da artilharia de curta duração, mas concentrado nas defesas do inimigo um número mortal de projéteis explosivos e gás. Aproveitando esta cobertura da artilharia os Sturmtruppen deveriam se infiltrar nas trincheiras inimigas e avançar em profundidade, evitando o combater, tanto quanto possível, a fim de destruir a artilharia e os postos de comando inimigo. Após as posições do inimigo serem assaltadas, as esquadras de apoio se encarregariam de cobri as tropas de assalto e suprimir as fortificações e os ninhos de metralhadoras inimigas, usando para isso um grande número de metralhadoras e morteiros de trincheira.

A armadura alemã chamada de “sappenpanzer” apareceu na Frente Ocidental por volta de maio de 1917, mas já havia algo parecido desde fevereiro de 1916.  Segundo informações a blindagem alemã podia deter uma bala de fuzil a 500 metros, mas a sua principal utilização era contra as metralhadoras e os projéteis de baixa velocidade. O equipamento de proteção podia ser conduzido tanto de lado como no peito. A armadura vinha em dois tamanhos e não foi utilizada em ataques de infantaria por causa do seu peso, mas era usada por sentinelas, operadores de metralhadoras e homens em postos de escuta. Os primeiros exemplares capturados mostraram-se menos espessos que os posteriores, com uma espessura inicial de 2,3 mm. O material era aço de silício com níquel.

Testando a estratégia de Hutier

Em 1º de setembro de 1917 Oskar von Hutier demonstrou o êxito da sua nova estratégia ao conseguir tomar a cidade russa de Riga. A cidade antes tinha resistido a dois anos de assedio pelo exército alemão, resistindo a qualquer tentativa de assalto. Para o seu sucesso na cidade Hutier lançou uma barragem de artilharia que combinou granadas de explosivos e de gás. Enquanto a barragem de artilharia obrigava o inimigo a se proteger Hutier lançou os seus Sturmtruppen em um assalto anfíbio no Rio Dvina. Os Sturmtruppen conseguiram estabelecer uma ponte sobre o rio, que permitiu que as divisões de infantaria avançasse sobre a cidade. A operação arriscada custará somente 4.200 baixas para os alemães, para tomar a importante cidade do Báltico, mais causou cerca de 25.000 baixas ao exército russo.

O sucesso extraordinário de Hutier não serviu apenas para que o Kaiser Guillermo se lhe concedesse a Medalha de Mérito (a famosa Pour le Mérite), mas mostrou a validade da sua nova estratégia de infiltração usando barragem de artilharia e os Sturmtruppen.

A imagem das tropas de assalto alemãs era aterradora para o soldado comum, que teria que enfrentá-las.



A saída da Rússia da guerra foi selada com o Tratado de Brest-Litovsk, em março de 1918, e permitiu à Alemanha concentrar todos os seus esforços na Frente Ocidental. O General Ludendorff, comandante supremo da Frente Ocidental, transferiu do Oriente um milhão de homens e 3.000 canhões, determinado a romper com estas novas tropas o equilíbrio estratégico na Frente Ocidental, tendo um total de 199 divisões a sua disposição contra 161 divisões Aliadas. O objetivo de Ludendorff era realizar um ataque no centro da frente, com o objetivo de separar os exércitos franceses e britânicos. Uma vez separados, Ludendorff pretendia girar para o norte para envolver o exército britânico e capturar os portos de Calais e Dunquerque, privando os cidadãos franceses que estavam sob os cuidados dos britânicos de provisões, que já sofriam terrivelmente com o cerco econômico provocado pelos submarinos alemães. Sem abastecimento, os britânicos não poderiam continuar a guerra, e osos alemães poderiam transferir todo o seu poder contra a França antes da chegada dos reforços muito esperados dos EUA, que eram a maior ameaça para uma Alemanha esgotada. Ludendorff sabia que a última chance de vencer a guerra rapidamente era derrotar os franceses e os ingleses, por isso decidiu usar a tática de seu primo, Oskar von Hutier, que estava sob seu comando, em uma série de ofensivas que iria lançar em 1918.


A Operação Michel

Em 21 de março de 1918, Ludendorff lançou a Operação Michel, a estratégia de Ludendorff seria lançar uma grande ofensiva contra os britânicos, com a intenção de separá-los dos franceses e empurrá-los para os portos do Canal. A ofensiva começou com um bombardeio nunca antes vistos, com cerca de 6.000 canhões de diversos calibres lançando um ataque combinado com explosivos, granadas e gás venenoso sobre as linhas aliadas. Após o bombardeio os Sturmtruppen romperam a frente e se infiltraram atrás das linhas inimigas abrindo o caminho para o resto do exército. No primeiro dia da ofensiva, os alemães obtiveram o record de terem avançado 22 km, uma distância enorme para a época, tendo em conta os progressos medidos em metros de anos anteriores.

Durante as primeiras semanas de combates, os aliados sofreram pesadas baixas, mas a resistência tenaz dos britânicos e a rápida afluência de reforços, atrasaram e, finalmente, pararam a ofensiva alemã em 04 de abril de 1918. Os objetivos estratégicos da ofensiva não foram alcançados, os exércitos franceses e britânicos ainda estavam em contato e os portos do canal ainda estava longe de serem alcançados, mas no nível tático a ofensiva alemã havia sido um sucesso, que comprovaram a eficácia das táticas de Oskar von Hutier.

Em 1918, o sistema defensivo de trincheiras tinha mudado, aparecendo a chamada "Defesa em Profundidade". Agora, as trincheiras da linha de frente tinha menos tropas para evitar o desgaste produzido pela artilharia inimiga. Agora, a maioria das tropas ficava na retaguarda, prontas para reforçar a frente no momento do ataque. Além disso, se havia dobrado os campos minados e o número de posições camufladas de metralhadoras. Tudo isso tornou difícil o avanço das tropas de assalto, mas mesmo assim elas surpreenderam todos com seu rápido progresso e sucesso contínuo.

O problema para o exército alemão era que as outras unidades de infantaria não podia manter o ritmo dos Sturmtruppen, eram unidades formadas por jovens recrutas com pouca experiência e moral baixo pela escassez de alimentos.

Seu treinamento também era deficiente, resultado de sua chegada precipitada a frente de batalha, e conseqüentemente sofreram pesadas baixas durante a ofensiva Ludendorff, mas este, sabendo que do afluxo maciço de soldados norte-americanos e que o esgotamento econômico impediria uma vitória alemã na guerra, decidiu lançar imediatamente um novo ataque.

Em 9 de abril, os alemães foram jogados de volta à ofensiva na área de Ypres, buscando novamente separar os exércitos aliados e tomar os portos do Canal. Em apenas duas horas na frente, os Sturmtruppen abriu uma diferença de 15 km de largura na linha britânica, por onde passou a maior parte do exército alemão. Desta vez, o progresso foi tão rápido que os britânicos não tiveram tempo para trazer reforços para a área. Parecia que os alemães finalmente estavam prestes a alcançar os seus objetivos, mas em 12 de abril eles detidos às portas de Amiens pela heróica resistência da infantaria britânica. Após assaltos caros e infrutíferos, a ofensiva alemã terminou em 29 de Abril de 1918.

Os britânicos sofreram cerca de 350.000 baixas, mas os alemães tinham sofrido número semelhante de baixas, especialmente devido a teimosia de Ludendorff de continuar ordenando os ataques as trincheiras inimigas quando não havia mais nenhuma chance de sucesso. Longe de desistir de seu objetivo e vendo o aumento da deterioração da situação interna na Alemanha por falta de comida, Ludendorff lançou uma nova ofensiva em 9 de junho, desta vez contra os franceses (tendo em conta que a tenacidade defensiva britânica frustrou seus ataques anteriores), conquistando rapidamente a cidade de Soissons e avançando para Reims, mas a decidida resistência na cidade parou a nova ofensiva alemã.

Após dez dias de intensos combates para tentar conquistar Reims sem sucesso, a ofensiva Ludendorff terminou. Os alemães chegaram a 90 quilômetros de Paris, mas a falta de qualidade das tropas de reserva e o esgotamento dos Sturmtruppen impediu que os alemães conseguisse a tão sonhada vitória decisiva. A Alemanha estava esgotada, o bloqueio econômico estava matando de fome a população que havia perdido a vontade de lutar. O moral da tropa era baixo. Muitas vezes os soldados alemães paravam seu avanço e passavam a saquear as lojas de alimentos, roubando roupas e embriagando-se nos bares. Saques havia se tornado uma questão de sobrevivência para o soldado alemão.

A chegada das tropas americanas acabou por decidir a guerra para lado dos Aliados e a Alemanha foi forçada a adotar uma postura defensiva. A iniciativa militar havia sido perdida, mas ainda havia esperanças de se estender a guerra para buscar a paz benéfica, especialmente por causa das grandes perdas sofridas pelos Aliados em suas tímidas ofensivas (na Floresta Argonne os norte-americanos sofreram cerca de 100.000 baixas).

Alemanha finalmente aceitou a proposta de paz do presidente Wilson e o armistício foi assinado em 11 de novembro de 1918. O que os alemães não tinham perdido na guerra eles perderam mais tarde, quando os vencedores, tirando proveito da situação de instabilidade interna na Alemanha, impuseram  as condições draconianas do Tratado de Versalhes, que lançaram as sementes que levaria a à eclosão da Segunda Guerra Mundial.


Algumas das armas usadas pelas "Sturmtruppen"

Submetralhadora Bergman MP-18

Características

Inventor Hugo Schmeisser
Calibre 9 mm
Operação culatra aberta
Cadência do Tiro 500 tpm
Velocidade de saída do projéctil 380 m/s
Peso 4.18 kg
Comprimento total 815 mm
Comprimento do cano 200 mm
Alimentação carregadores de 32
Variantes MP18.I, SIG Bergmann 1920

Granada Stielhandgranate

Introduzida em como uma resposta às granadas de mão inglesas, recebia o seu nome devido a haste de madeira que tinha, para aumentar a distância de arremesso.  Mas era popularmente conhecida como "amassador de batatas".

Características

Modelo: Stielhandgranate M24 (granada de haste M24)
Tipo: ofensivo, defensivo (com camisa de fragmentação opcional) ou fulmigena (M39)
Peso: 480 g (ogiva)
Comprimento: 35,6 cm
Carga explosiva: 165 gramas de TNT
Área de ação: cerca de 35 metros (defensiva), cerca 5 m (ofensiva)
Retardo: 4,5 ou 5 segundos
Alcance: cerca 30 metros (lançamento manual)

Pistola Luger P08 (P08 Parabellum-Pistole)

Características
Calibre: 9 mm Parabellum
Operação: recuo curto
Velocidade de saída do projétil: 350-400 m/s
Peso: 850 g
Comprimento total: 230 mm
Comprimento do cano: 98 mm
Alimentação carregador reto de 8 munições ou carregador em tambor de 32 munições
Variantes P08, P08/14, Luger Marine 1904, Luger Marine 1904/06 e Luger Marine 1904/08

 


 

Fontes:

http://pt.wikilingue.com

http://forum.axishistory.com/viewtopic.php?f=27&t=96717

en.wikipedia.org/wiki/Stormtrooper

 

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