R E S I S T Ê N C IA

OPERAÇÃO MUSARANHOS - FICÇÃO


O destacamento do capitão Rhomulo Levy era composto por doze homens, mas no momento apenas sete estavam com ele, pois quatro dos seus homens foram enviados para participarem de um missão de resgate. Rhomulo e seus homens estavam na selva a quatro semanas, quando receberam a tarefa de destruir uma base de helicópteros de ataque SCH-5.3 do Império Askhaliano.

Na guerra de resistência que estava sendo travada na Amazônia era comum os destacamentos de combate brasileiros , que possuíam de 10 a 15 homens, usarem nomes históricos, de animais, de objetos e etc. Existiam os Cangaceiros, Kariris, Zumbis, Navalhas e Bandeirantes, entre outros. O destacamento de Rhomulo era conhecido por Musaranhos, nome que combinava bem com as missões do destacamento.

O musaranho é um dos menores mamíferos que existem, com apenas 52 mm de comprimento e uma cauda de 30 mm. Ele é um animal solitário que vive nos campos, florestas e vales. Passa o dia escondido entre as pedras, debaixo das raízes das árvores ou em pequenas tocas. À noite sai para caçar insetos, aranhas, vermes e larvas, muitos destes tendo o dobro do seu tamanho. Apesar do tamanho, é um animal valente e bastante agressivo. Quando ameaçado, o musaranho expele um cheiro forte, almiscarado, que desencoraja os predadores. 

Nos Musaranhos havia quatro índios, dois deles reservistas, pois era comum nesta época a força de resistência contar com muitos reservistas que tinham boa experiência em combate de selva, guerra urbana e guerra irregular. O sub-comandante do destacamento era o Tenente Murilo Lopes, do GRUMEC, o que era outra característica da guerra de resistência, em que as unidades especiais de combate eram formadas muitas vezes por homens das mais diversas armas e origens. Murilo tinha larga experiência em operações ribeirinhas e também era um especialista em explosivos.

Havia também entre os combatentes da resistência policiais (civis, militares e federais), bombeiros, etc. Muitos destes eram ex-militares com experiência no ambiente amazônico. Uma boa parte destes homens tinham o Curso de Operações na Selva, em suas respectivas categorias, ministrado pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) do Exército Brasileiro.

Um dos grandes trunfos destes destacamentos eram seus Caçadores e Esclarecedores. Muitos deles eram nativos da região ou homens que viviam ou serviram por muito tempo na Amazônia. Estes homens diferentemente do inimigo tinham uma grande intimidade com a selva amazônica e sabiam tirar proveito disso.

A nítida restrição à observação terrestre no Teatro de Operações da Amazônia - TOA, devido ao espesso entrelaçamento da copa das árvores que não permite a real fotografia do relevo no interior da selva, a variação na topografia de um mesmo terreno do “verão” para o “inverno”, as mudanças freqüentes nos cursos e nos leitos dos rios, bem como a variação no nível das águas da cheia para a seca, fazem com que as cartas topográficas e náuticas sejam utilizadas com restrições, obrigando que as tropas que operam no interior da selva possua esclarecedores capazes de guia com presteza a sua tropa. As vezes também eram contratados dentre a população, guias, mateiros, rastreadores e práticos de navegação. Há que se ressaltar que a atuação destes elementos era muitas vezes decisiva para a obtenção do pleno êxito das missões da resistência.

Os homens dos destacamentos especiais foram exaustivamente treinados em ambiente de selva e podiam identificar com certa facilidade ruídos de machado abatendo árvores, ruídos de facão na abertura de picadas, corte de galhos de árvores, ramas batendo na água, latidos, ruídos de galhos quebrados indicando deslocamento de tropa, ruídos provocados no carregamento e engatilhamento de armas e vozes humanas. Outro sentido que era desenvolvido por eles era o do olfato pois os odores no interior da floresta têm maior persistência e podem fornecer indícios importantes ao homem adestrado.

O arsenal dos Musaranhos, como dos outros destacamentos era leve e fácil de transportar, porém muito letal e diversificado. Os combatentes de selva podiam, dependendo da missão, usar cargas explosivas, minas, granadas, facas de combate, lança mísseis, lança rojões e lança granadas. Sempre se usava facas e o inseparável facão de mato. Os homens também usavam pistolas 9mm, escopetas calibre 12 e o fuzil Imbel Fz .308 AGLC era usado pelos caçadores/snipers.

O AGLC, de fabricação nacional, era uma arma de precisão baseada na ação Mauser, de reconhecida e inegável confiabilidade e segurança. Com um cano flutuante, tipo “match”, forjado a frio e adaptado para o tiro com luneta, e usando munição 7,62 x 51mm, sempre que era comparado como diversos tipos de fuzis de precisão de fabricação estrangeira, o AGLC se saia muito bem. Os caçadores normalmente usavam uma veste camuflada (ghillie suit).

A principal arma ofensiva eram os fuzis de assalto. Estes eram do modelo FAL e PARA-FAL todos de calibre 7,62 x 51 mm, ideais para combate em ambiente de selva, pois o calibre 5,56mm, usado pelas tropas imperiais, era inadequado para o combate neste ambiente, devido ao pequeno peso do projétil e à sua tendência de assumir uma trajetória instável ao colidir com pequenos obstáculos, como folhas e galhos de árvores. Isso acabava retirando do projétil muita energia e, conseqüentemente, poder de parada (stopping power). Logicamente que os brasileiros estavam habilitados a usar as armas capturadas do inimigo, se necessário.

O arsenal também incluía zarabatanas e balestras/bestas. Ambas lançavam dardos com veneno extraído de sapos e ambas eram muito eficientes no combate de selva, por serem silenciosas. Os modelos de balestras usados tinham grande precisão e poder de penetração, podendo atravessar um corpo humano a quase 100 metros de distância. Silenciosa e mortal, a balestras era considerada uma arma excelente para eliminar sentinelas. O mesmo se aplicava à zarabatana. Uma questão importante a ser observada era que as distâncias reduzidas dentro da selva limitam o alcance das armas de tiro direto e a necessidade da manutenção do sigilo e a possibilidade de ter que caçar para sobreviver, faziam com que os destacamentos normalmente usassem muito esses armamentos não convencionais para caçar.

Soldado brasileiro, usando uma zarabatana.

Os homens dos destacamentos usavam uma combinação bem variada de uniformes militares e roupas civis. 

Pressão Internacional

A cerca de 65 anos que o Império Askhaliano era uma potência de proporções mundiais e a quase 12 anos tinha se tornado a única superpotência do planeta, com um poderio militar e econômico inquestionável. A sua fome por mercados e territórios era notória e para implementar e manter o seu projeto de expansão continua tinha bases militares espalhadas por todo o mundo.

A Askhalia, situada no hemisfério norte, era uma nação orgulhosa do seu passado, que a 200 anos se lançará em uma expansão territorial continua. Neste período derrotou, em guerras globais, e em períodos diferentes, duas potências européias e uma asiática.

Havia muito tempo que o Império estava de olho nas riquezas da Amazônia, sua diversidade biológica e seus jazidas, e tentava por todas as formas fazer valer um projeto de "administração mundial" da região, visto que a Amazônia era, um "patrimônio global". Mediante muito pressão e altas somas de dinheiro o Império Askhaliano conseguiu estabelecer uma administração mundial das porções da Amazônia dos países fronteiriços do Brasil, sob a coordenação da famigerada Agência Imperial para Florestas Tropicais - AIFT.

Os países onde operava a AIFT não possuíam mais Forças Armadas, mas apenas forças policiais encarregadas, entre outras coisas, do combate ao narcotráfico. Mas o Brasil era diferente. Os brasileiros não cederam a pressão internacional e sempre que se divulgava "evidências" na mídia internacional de notícias sobre queimadas desenfreadas ou genocídio de índios na Amazônia, o Brasil contra-atacava, mostrando a verdade dos fatos, muitos creditavam outros não. Com o passar do tempo a paciência do Império Askhaliano se esgotou, para as sutilizas das negociações e pressões, até porque, afinal de contas, a paciência askhaliana não era assim tão longânime, pois o Império não estava acostumado a ser desafiado por tanto tempo.

Engendrando uma bem articulada campanha mundial, o Império Askhaliano convenceu a muitos países que o Brasil por pura má administração não tinha mais o direito de ser soberano sobre a sua porção amazônica. Mas não querendo obliterar o Brasil de grande parte do seu território, o Império Askhaliano sugeria que os estados de Roraima (que no plano imperial se transformaria numa grande reserva indígena) e do Amazonas ficassem sob administração direta de uma Comissão Internacional, que seria assessorada pela AIFT. Os demais Estados da região Norte brasileira, ficariam sob uma administração conjunta de brasileiros e funcionários da ONU. Diante da sumária negação brasileira a esta vil proposta, o Império Askhaliano se viu obrigado a recorrer a uma última opção: a guerra.

Ataques e Invasão

Os militares imperiais planejaram uma campanha rápida e arrasadora contra os brasileiros. Pois não gostavam de guerras prolongadas e caras em vidas e equipamentos. Primeiro houve uma fulminante série de ataques aéreos, que durou quatro semanas, em que aviões furtivos e UCAVs imperiais atacaram instalações militares por todo o Brasil. Toda a rede do SIVAM foi sistematicamente destruída. Os sistemas de radares fixos foram colocados fora de ação facilmente nos primeiros dias, atingidos por mísseis de cruzeiro e aviões invisíveis. Os radares móveis duraram mais um pouco, mas também foram destruídos.

O Império usava uma expressiva gama de aeronaves para monitorar o Brasil, como as aeronaves de Alerta Aéreo Antecipado para vigilância aérea, aeronaves com o  SCRVAA - Sistema Conjunto de Radar para Vigilância e Ataque a Alvos para vigilância terrestre, aeronaves de vigilância e reconhecimento eletrônico e aeronaves não tripuladas para reconhecimento de imagem, sendo todas apoiadas por satélites de várias funções como comunicação, navegação, reconhecimento fotográfico e eletrônico e meteorológico.

Usava-se também forças especiais com o fim da coleta de inteligência. Essas tropas podiam fazer vigilância próximo a locais suspeitos de abrigar aeronaves da FAB e detectá-las pelo som a distâncias, ficando relativamente distantes e seguras. O uso de sensores sonoros que enviavam dados para os satélites imperiais era outra opção de monitoramento. Todas as informações coletadas eram enviadas e analisadas em Centros de Comando, que faziam a designação de alvos paras as aeronaves imperiais de acordo com diretrizes superiores.

Diante desta situação de esmagadora superioridade tecnológica, os caças da FAB tinham que operar foram do TOA, em pistas de dispersão em rodovias com trechos planos reforçados, com áreas de dispersão ao redor. Essa era a forma mais barata e eficiente adotada para defender os caças brasileiros no solo. A defesa passiva (camuflagem, ocultação e despistamento) era muito mais barata e até certo ponto mais eficiente do que a defesa ativa (mísseis antiaéreos, canhões AA, pistas numerosas e hangares reforçados).

A pista de pouso e decolagem tinha as margens expandidas para segurança das aeronaves, e algumas delas permitiam, por suas condições, a operação até de aeronaves de transporte médio. A muito tempo que a FAB treinava este tipo de operação e tinha plena capacidade de operar desdobrada em aeroportos a nível de esquadrilha (4 aeronaves) e elemento (2 aeronaves).

A FAB tinham material modular em containers aerotransportados para facilitar a mobilidade aérea. Esses containers tinham tudo que uma esquadrilha dispersa precisava, como combustível, munição, alojamento, laboratório fotográfico, cozinha, peças de reposição, centros de comando e comunicação, apoio médico, etc. As aeronaves brasileiras ficavam em áreas próximas às cidades para se aproveitar da infra-estrutura existente. A proximidade da população também inibia um pouco a incursão de forças especiais de reconhecimento do Império. Apesar de todos estes cuidados, várias aeronaves da FAB, Marinha e da AVEx foram destruídas ou seriamente avariadas em terra.

Depois da intensa campanha aérea, veio a invasão propriamente dita. Seus alvos: Os Estados de Roraima e Amazonas. Tudo sob o pretexto de garantir os direitos humanos (dos índios) e o meio ambiente ameaçados. Manaus e Porto Velho foram tomadas numa grande operação aeroterrestre, em que as tropas askhalianas foram lançadas de helicópteros ou de pára-quedas sobre as duas capitais. Usando uma força militar esmagadora, o Império Askhaliano conquistaram com certa facilidade Roraima e o Amazonas. Os orgulhosos Fuzileiros Navais Imperiais tomaram de assalto a ilha de Marajó e nela foi estabeleceram uma imensa base logística e de apoio aéreo.

Um fato interessante foi que nenhum país sul-americano que tinha em seu território bases militares imperiais permitiu que elas fossem usadas ofensivamente contra o Brasil, a exceção da Colômbia. Outra exceção foi a Guiana, país fraco político e militarmente, que não tinha as mínimas condições de se opor às pressões imperiais. A Guiana não tinha bases imperiais, mas foi duramente pressionada a "ceder" seu território, para abrigar essas bases. A escolha da Guiana era a mais lógica, pois era o acesso mais curto para servir de trampolim para a tropas inimigas vindas de bases imperialistas no Caribe ou de porta-aviões. Não foram poucas as ilhas caribenhas que cederam seus portos e aeroportos para viabilizar a invasão.

Não podemos deixar de falar que o Império Askhaliano formou uma "Coalizão Global" formada pelos seguintes paises:

  • Tailândia: 450 soldados de infantaria de selva.

  • Argélia: 4 helicópteros médios, mais equipagens e pessoal de apoio.

  • Panamá: Equipe médica militar, especializada em doenças tropicais.

  • Bulgária: 1 Companhia de Policiais Militares do Exército, que estaria lotada em Manaus.

Também havia uma infinidade de Companhias Militares Privadas, quase todas askhalianas, encarregadas de inúmeras tarefas tais como: coleta de inteligência, logística, infra-estrutura, lingüística, segurança, etc.

Reação brasileira

A mais de 25 anos que o Brasil esperava uma invasão deste tipo. Analisando a história militar, o brasileiros viram que nenhum país que enfrentou em condições convencionais uma superpotência que tenha invadido o seu território, chegou a vitória. Só o combate não-convencional prolongado podia fazer frente a uma ameaça desta proporção. Por isso a resistência convencional a invasão foi quase simbólica. É claro que os imperialistas queria resolver todo o conflito com uma grande batalha convencional, onde toda a sua parafernália tecnológico-militar faria a diferença. Mas os brasileiros jamais lutariam nos termos do inimigo.

Para enfrentar o inimigo o Brasil adotou a Estratégia de Resistência. Para o Brasil a área invadida foi designada como Área de Resistência. A estratégia adotada possuía algumas características bem distintas: Quando o inimigo avançar, recue; quando o inimigo estacionar, inquiete-o; quando o inimigo evitar o combate, ataque-o; quando o inimigo retirar-se, persiga-o. O ataque podia ser mudado em defesa, e a defesa em ataque; o avanço podia ser mudado em retirada, e a retirada em avanço; forças de contenção podiam ser mudadas em forças de assalto, e forças de assalto em forças de contenção, porém sem perder a mobilidade. Também algumas coisas deviam ser observadas, como por exemplo: Todo deslocamento de forças deve ser feito sigilosa e rapidamente.

A tropas brasileiras que seriam empregadas nas ações de resistência, eram altamente flexíveis, e podiam se dispersar com a mesma facilidade com que se concentravam para o ataque. Ataque cirúrgicos e decisivos seriam desfechados de forma implacável. Os ataques diversionários que confundiam o inimigo quanto a nossa verdadeira intenção, deviam ser muitos. No interior da Área de Resistência, foram delimitadas áreas de combate onde atuariam as tropas, no máximo com o valor de uma companhia de fuzileiros de selva ou ainda unidades menores, que efetivamente realizariam as ações de resistência contra as forças inimigas. O Brasil treinou os seus militares para operarem em uma guerra de resistência prolongada, tanto na selva, quanto em ambientes urbanos.

Enquanto o inimigo fazia a sua dança da guerra, meses antes de começar a guerra, começamos a retirar as nossas aeronaves para lugares secretos e a deslocar pequenas unidades para locais onde elas iriam operar durante o conflito, locais esses que com o avanço inimigo se constituiriam na retaguarda imperial.

O problema do apoio logístico seria resolvido de forma descentralizada com o uso de processos clandestinos de ressuprimentos e o uso de depósitos subterrâneos de suprimentos (armas, munição, medicamentos, rações e outros itens fundamentais às frações de tropa), tanto na selva (inclusive ao longo dos afluentes de vários rios), quanto nas cidades.

Na selva esses depósitos eram chamados de "cachês". O pré-posicionamento dos suprimentos garantiria a manutenção do poder de combate da tropa internada. Os "cachês" eram enterrados em locais de difícil acesso e percepção pelo invasor, mas de fácil abordagem pela tropa interessada.

Os buracos eram resistentes a intempéries, forrados por madeiras nas laterais e com drenagem no fundo, sendo usados para acondicionar containers de fibra de vidro com suprimento para pequenas frações (10 a 15 homens). A camuflagem dos “cachês” era tão eficiente que não eram percebidos por animais ou nativos desavisados. Durante o conflito estes depósitos seriam ressupridos, quase sempre, pela população civil.

Por falar nos civis, parte da população civil, na região de conflito, foi treinada pelo 1º BFEsp - Batalhão de Forças Especiais do EB e preparada para funcionar como uma força armada na proteção de aldeias e pequenas cidades. Milhares de carabinas, modelo Winchester, calibre .38, de ação por alavanca, foram distribuídas. Essas armas tinham algumas vantagens: Eram fabricadas nacionalmente, além de serem de fácil manuseio e relativamente baratas e  precisas. Essas carabinas podiam ser precisas em distâncias superiores a 100m, e bons atiradores, o que não faltava entre caçadores amazônicos, podiam conseguir tiros precisos a quase 200m. É bom lembrar que 100 metros pode ser a largura de uma margem a outra de um rio, separando o atirador com uma dessas carabinas, de uma fração de tropa inimiga. O 1º BFEsp também ficou encarregado de organizar vários grupos paramilitares de resistência (formados especialmente por reservistas e policiais). Esses grupos seriam grupos de ataques e não de defesa, e seriam armados com fuzis de assalto, granadas e explosivos, para operarem tanto na selva quanto nas cidades da região.

Muitos dos militares do EB (especialmente das Brigadas de Selva, Brigada Pára-quedistas e Brigada de Operações Especiais), Fuzileiros Navais e PARA-SAR, já tinham deixado seus cabelos e barbas crescerem e tinham sido enviados para região amazônica. Ao todo o Brasil tinham cerca de 32.000 militares treinadores excepcionalmente para o combate de selva.

Todos os reservistas com experiência em operações de selva ou guerra urbana, todos devidamente cadastrados, tinham sido convocados, reciclados, anexados as suas novas unidades e enviados para os seus locais de combate.

As unidades de guerra psicológica realizaram um excelente trabalho junto as populações civis que se veriam envolvidas em regiões de combate, fortalecendo nas mesmas o senso de patriotismo e a importância de resistir ao inimigo e a não colaborar com os imperialistas de forma alguma.

No resto do país todos os meios de comunicação foram mobilizados e todos os brasileiros se sentiram responsáveis pela defesa do seu país. A maior emissora de televisão do país, campeã de audiência, rapidamente montou e lançou uma mini-série que fez muito sucesso chamada Guararapes, que narrava uma história de amor entre uma escrava liberta e um jovem pernambucano, que lutavam contra a invasão holandesa. Um dos personagens de maior destaque na mini-série era o Sargento-Mor Antônio Dias Cardoso, que organizou militarmente a resistência pernambucana contra os holandeses.

Um fato interessante foi que tendo por alvo as populações ribeirinhas da região amazônica, a Rádiobras lançou uma novela chamada Quilombos, Vida e Liberdade, que narrava a luta dos escravos fugitivos contra a escravidão e a opressão. Milhares de radinhos de pilhas foram distribuídos gratuitamente antes da invasão as populações ribeirinhas da Amazônia. Esta novela radiofônica fez muito sucesso e depois de cada capítulo eram transmitidas notícias sobre a guerra. Os militares da área das operações psicológicas ajudaram também na confecção de chamadas (spots) em estações de rádio, filmetes para a televisão, cartazes, panfletos e outdoors.

Quando as tropas do Império Askhaliano desembarcaram aqui, tiveram que enfrentar unidades altamente aguerridas, motivadas e capacitadas para operações militares em todos os ambientes amazônicos. A antipatia dos civis pelos invasores era bastante clara.

Fracassos

A satisfação do Império Askhaliano em seu avanço rápido e quase desimpedido por Roraima e o Amazonas durou pouco. Quando as tropas invasoras tiveram que parar, após 10 dias de combates, perceberam que na retaguarda, sua linha de suprimentos estava toda "furada". Seus comboios fluviais eram atacados e vários de seus helicópteros abatidos.

O pior é que os combatentes brasileiros tinham o mal hábito de não fazerem prisioneiros, a não ser para interrogatório, e os corpos dos soldados imperiais mortos, quando eram encontrados, normalmente estavam mutilados. Os brasileiros tinham uma intimidade "incomoda" com facas de combate e facões de mato. Uma tática muito usada pelos brasileiros no interior da selva era simplesmente ferir um ou dois soldados imperiais e simular uma retirada. Quando um helicóptero ou um barco vinha para retirar os feridos em plena selva, eram alvos de mísseis ou armas antitanque, e normalmente destruídos.

Um fato marcante nesta guerra foi que o apoio aéreo a Estratégia de Resistência foi bem restrito diante da superioridade tecnológica do inimigo. Nas áreas brasileiras adjacentes aos Estados do Amazonas e Roraima foi estabelecida uma zona de exclusão aérea pelo inimigo, que foi imposta na forma de raides constantes e muita vigilância aérea.

Basicamente os brasileiros usaram helicópteros para apoiar as forças de resistência. As aeronaves da AvEx, da MArinha e da FAB realizaram inúmeras missões de infiltração, exfiltração e ressuprimento, muitas delas a noite usando sistemas de visão noturna. Os pilotos eram muito experientes e foram treinados para voarem até sem a ajuda de instrumentos, aprendendo a conduzir seus helicópteros no meio de uma paisagem traiçoeira, que se repete por centenas de quilômetros. Os desembarques de tropas eram sempre muito rápidos, para que ninguém ficasse exposto a contra-ataques. As operações aéreas eram muita arriscadas e várias aeronaves foram perdidas.

A Estratégia de Resistência também lançou mão de muita criatividade. No quesito comunicações, por exemplo, foram usadas novas formas de comunicação, como o uso de pombos-correios - permitindo que mensagens escritas fossem enviadas até a distância de mil quilômetros, no prazo de 10 horas - e o uso de militares brasileiros, com domínio de idiomas indígenas, como radioperadores.

Mesmo sabendo teoricamente que o ambiente amazônico não se prestava ao emprego centralizado de grandes unidades, de grandes efetivos, o Império Askhaliano insistiu nisso por muito tempo. Por seu lado, os brasileiros sempre realizaram operações descentralizadas, com pequenas unidades táticas de emprego. Os brasileiros sabiam muito bem que no TOA não se configuravam linhas de contato, e o controle do território é o controle de núcleos populacionais e de suas vias de acesso e atacavam o inimigo neste pontos. A articulação das forças em terra se realizava pelos rios ou pelo ar, o que restringia a logística de grandes unidades. O Brasil sabia que o TOA é sem sobra de dúvida o espaço adequado para uma guerra prolongada, onde se podia aplicar uma estratégia de resistência.

A guerra não se restringia ao TOA é claro. Ela também acontecia em outros lugares do país onde houveram ações das forças especiais inimigas, ataques aéreos imperiais, ações no mar e até no ciberespaço.

Neste último, nós levamos vantagem de cara. Os hackers brasileiros, mundialmente conhecidos por sua capacidade técnica e inventividade, atacaram com tudo os servidores e sites governamentais ou não, do Império Askhaliano. Alguns dos hackers brasileiros eram militares treinados para a ciberguerra, mas a sua imensa maioria era na verdade civis, muitos, apenas adolescentes. Vários hackers de outros países se juntaram aos hackers brasileiros na sua luta e jamais o Império conseguiu vantagem nesta frente de combate.

Na Internet haviam vários sites que narravam a guerra, com visões de ambos os lados. Os combatentes brasileiros sempre filmavam ou fotografavam suas missões e parte deste material, depois de checado, era distribuído para sites oficiais ou não. Sendo assim o mundo inteiro, inclusive os cidadãos do Império Askhaliano, ficavam sabendo das agruras que passavam o invasores nas mãos da resistência brasileira. 

Um dos maiores feitos dos hackers brasileiros, realizado pelos Carcarás, grupo formado por garotos de 18 e 19 anos, foi trocar a página inicial do principal jornal do Império em sua edição dominical, por uma página falsa com a manchete: BATENDO EM RETIRADA - Diante de baixas insuportáveis, as tropas imperiais saem da Amazônia. Na página tinha uma fato real de corpos mutilados e empilhados de soldados imperiais mortos em uma emboscada no interior de Roraima, e uma texto que explicava porque as tropas imperiais estavam saindo do Brasil, na língua nativo do invasor.

Com o passar do tempo a invasão da Amazônia por parte do Império Askhaliano começou a exigir uma mobilização grandiosa de recursos humanos e materiais, e suas operações começaram a naufragar. O TOA tinham um terreno inóspito, que criava problemas consideráveis ao apoio logístico, sem falar na sua dimensão continental e nas condições climáticas e sanitárias desfavoráveis. Passados oito meses de conflito, os generais do Império, e seus políticos também, começaram a ficar nervosos e passaram a se questionar, publicamente ou não, se conseguiriam alcançar os resultados esperados, e se afinal de contas eles valeriam a pena, depois de tantas perdas humanas e humilhações para um inimigo que se mostrava determinado e implacável.

No TOA era difícil para o Império Askhaliano usar toda a sua capacidade tecnológica. A vegetação, as condições de luminosidade e as condições meteorológicas (calor, chuvas intensas e grande umidade relativa do ar) limitavam drasticamente a operacionalidade dos equipamentos de observação, busca de alvos, sensores, visores noturnos e sistemas digitais de posicionamento por satélites. Coisas que os militares do Império Askhaliano já estavam acostumados a usar para "dobrar" os seus inimigos.

Os equipamentos rádio, particularmente em FM, sofriam grande variação em suas características originais, principalmente o alcance, devido à vegetação e às condições climáticas e meteorológicas. Os dispositivos de visão noturna, com seus intensificadores de luz residual, perdiam significativa eficiência diante: da total escuridão no interior da selva, do alto grau de umidade e da dificuldade de manutenção adequada.

As operações militares brasileiras eram muito dissimuladas e plenamente apoiadas pela população, fazendo com que o invasor tivesse dificuldades de obter informes sobre o inimigo. Isso aumentava o grau de risco no planejamento das operações defensivas e ofensivas, acarretava a sensação de insegurança na tropa, aumentava a tensão e favorecia a proliferação de boatos entre os soldados, especialmente um, sobre caçadores de cabeças.

O soldado imperial askhaliano acostumado a ir para o combate usando pesados coletes a prova de bala, capacetes balísticos e kits utilitários, se sentia quase "nu" sem eles dentro da selva, pois todos o seu equipamento era pesado demais e dificultava a mobilidade no interior da floresta. Ter que entrar na selva só com a "roupa do corpo", sem ao menos contar com os sempre presentes blindados ao seu lado, não era nada agradável para esse soldado. Sem falar que muitas vezes, como já observado, os rádios, neste caso os individuais, não funcionavam bem durante as tempestades tropicais, o que dificultava a coordenação da tropa e os brasileiros atacavam com ou sem chuva. Na selva, os caríssimos aviões futuristas inimigos tinham dificuldades em operar. O forte calor e a umidade interferiam no seu funcionamento, e as equipes de manutenção preferiam ficar em seus alojamentos com ar-condicionado, do que ter que derreter lá fora em um ambiente tropical.

A quantidade de soldados askhalianos nas Forças Especiais chegava a quase 37.500 de todas as armas. Cerca de 6.000 deles, inclusive os seus batalhões Rangers, tinham treinamento em guerra de selva. Como a área de combate era muito extensa e muitos destes operadores já estavam envolvidos em missões por todo o mundo, o Império Askhaliano teve que usar soldados de infantaria com pouco ou quase nenhum treinamento em combate de selva para realizar muitas de suas operações de guerra no Brasil, no interior da floresta. O que foi pior para eles.

A perspectiva de combater e viver na selva ocasiona fortes tensões, decorrentes do medo condicionado, nos soldados não familiarizados com o meio ambiente. A aparência da selva, o seu aspecto monótono e ilusoriamente sempre igual, o calor opressivo, a umidade e a depressiva sensação de solidão que qualquer pessoa experimenta ao penetrar no seu interior, agravam o já existente receio do desconhecido. O homem desorientado na selva sofre violentas reações psicológicas, que ultrapassam o medo e levam ao pânico. No interior da selva, o homem está submetido a um desgaste físico intenso em conseqüência do calor excessivo. A transpiração abundante pode levar a uma rápida exaustão. 

Mesmo com toda a organização para se viabilizar a invasão da Amazônia, uma quantidade expressiva dos soldados imperiais enviados para lá não passou por uma sistemática e completa preparação psicológica, a fim de eliminarem o medo, desenvolverem o autodomínio e aprenderem a respeitar a selva, de modo a fazer dela uma aliada. Apesar de muitos cuidados médicos, não foram raras as tropas que conduzidas pela primeira vez ao interior da selva amazônica e expostas a um clima com o qual não estavam acostumadas, ficaram sujeitas as doenças peculiares da região e, particularmente às chamadas doenças do calor. Muitas foram as baixas inimigas por problemas psicológicos.

Além, disso os brasileiros conseguiram provar com vídeos e fotos que o Império Askhaliano era hipócrita em seu discurso preservacionista. Em seu desespero para derrotar os brasileiros, usava agentes desfolhantes para negar abrigo aos resistentes no interior da selva, desmatava grandes áreas de floresta para construir suas bases de helicópteros, de logística ou de artilharia e chegaram a destruir algumas aldeias de índios, e matar vários deles, os mesmo que eles queriam "preservar".

Posto de Observação

Cinco dias antes de Rhomulo ser informado que atariam os helicópteros SCH-5.3 do inimigo, uma patrulha de reconhecimento, composta por quatro homens, foi previamente enviada, pelo comandante (um Coronel do EB) da área de operações ZETA-3, para monitorar e levantar informações sobre um importante alvo inimigo: a base imperial de helicópteros de ataque que ficava a 6km da pequena cidade de Barrinhos Novos.

Na patrulha cada homem tinha uma função, com o objetivo de potencializar o máximo a obtenção de inteligência sobre a base inimiga. Os homens normalmente trabalhavam em dupla. A patrulha tinha montado um Posto de Observação (PO) bem camuflado, que não chamava a atenção, que oferecia uma boa visão do alvo e que também tinha várias opções de fuga. No PO sempre ficavam no mínimo dois homens. Normalmente um homem descansava e o outro vigiava.

Existiam muitas dessas pequenas patrulhas, espalhadas por toda a Amazônia. Além de armas, munições, kits de primeiros socorros e rações, as patrulhas normalmente levavam rádios e baterias sobressalentes. Eles deviam ser auto-suficientes e se necessário prover o seu próprio alimento por muitos dias, as vezes semanas. A rotina em um PO era muito dura e monótona, porém não deixava de ser arriscada, e era muito difícil para os homens se manterem alertas e prontos o tempo todo para qualquer reação. No PO os homens só se comunicavam por sinais ou no máximo por sussurros, e normalmente passavam a maior parte do tempo imóveis. Quando se movimentavam para realizar reconhecimentos ou para a troca do pessoal de vigilância, os brasileiros sempre eram muito cuidadosos, para não fazerem barulho, espantar animais, deixar marcas no chão, cortar ou quebrar alguma vegetação em volta.

Um buraco no chão servia como latrina. Era impossível cozinhar porque o cheiro podia chamar a atenção de animais e do inimigo. Normalmente se bebia ou comia algo quente só nos primeiros dias quando se trazia comida da base operacional, no resto dos dias o alimento era ingerido frio mesmo. O tempo sempre era instável e normalmente chovia. Sempre fazia muito calor. Muitas vezes, dependendo do tamanho e importância do alvo, as equipes de observação brasileiras montavam mais de um PO. As vezes se fazia necessário não só observar o alvo, mas também investigá-lo, entrar dentro dele, e essa era uma das situações mais difíceis e perigosas.

Na base em Barrinhos Novos existiam oito helicópteros de ataque, mais seis helicópteros médios de transporte, muito parecidos com os nosso velho Sapão, além de todo o pessoal de apoio. Quando ficavam na área de estacionamento, ficavam protegidos por muros de sacos de areia. A área de responsabilidade desta base era relativamente calma e os SCH-5.3 realizavam basicamente patrulhas de vigilância aérea. Na verdade os militares ali tinham visto pouca ação nas últimas semanas, e os askhalianos, boa parte deles reservistas, já demonstravam uma certa atitude desleixada quanto a segurança.

Apesar deste comportamento, o sistema de defesa da base era bem estruturado. Possuía dois perímetros, um interno, dentro do qual se localizam as aeronaves e as instalações, e um externo, dotado de postos de escuta, rede de sensores, patrulhas armadas, etc. Os próprios helicópteros de ataque auxiliavam as vezes nas patrulhas. Existiam também campos minados e armadilhas explosivas ao redor da base. A patrulha de observação já tinha meticulosamente investigado e sondado a posição inimiga e descoberto brechas em suas defesas, brechas essas que poderiam ser usadas futuramente como rotas de aproximação ou fuga de força de ataque contra a base.

Após conseguir todas as informações necessárias sobre o objetivo, dois homens da patrulha de reconhecimento voltaram para a sua base operacional, onde passaram todas as informações obtidas. Os outros membros da patrulha ficaram no PO para monitorar qualquer alteração no quadro de informações levantado. Os dois homens que voltaram a base (um sargento e o tenente Pinheiro - que era o comandante da patrulha) foram exaustivamente interrogados pela Sessão de Informações (S2), na busca de um eventual detalhe que passou despercebido. De posse do relatório detalhado da patrulha e das informações da S2, o comandante da área de operações, com o auxilio de seu oficial de operações, montou um plano de ataque com características específicas para a missão. Como dito antes, o Destacamento dos Musaranhos, que estava descansando na base,  foi o escolhido para o assalto. O Capitão Rhomulo e seus homens deveriam destruir os helicópteros. Rhomulo receberia o reforço da equipe de observação no ataque. No ataque a base, se fosse possível, o alojamento dos pilotos e seus ocupantes, também deveria ser eliminado.

A opção de se usar lança-rojões no ataque foi descartada porque eles simplesmente não estavam disponíveis no momento. O uso de cargas explosivas exigia que os homens entrassem na base, o que era muito arriscado, pois o perímetro era bem protegido e a base de tamanho considerável, o que exigia uma força de assalto bem maior, e não havia tantos homens disponíveis no momento. Por isso se optou pelo uso de fogo de morteiro de 60mm para destruir os helicópteros. O ideal para a missão seria o morteiro de 81mm, mas o morteiro de 60mm servia para a missão, pois a distancia de tiro não seria muito grande (720m). A munição do morteiro de 60mm se prestava bem para esse tipo de ação. Transportar cargas pesadas pela selva a dentro não é nada fácil. Em deslocamentos, a velocidade é limitada pelo homem mais pesado. Além do mais a equipe do morteiro ainda precisava levar seu próprio armamento e dotação de munição (300 tiros cada um).  E isto era um peso considerável. Outra ponto levantado foi que o tubo e a placa do 60mm são menores que os do 81mm, o que facilita o seu transporte por meio de trilhas e vegetação espessa.

Preparativos

Os homens do Musaranhos, sairiam cedo da base, por volta das 05:45h. O horário do ataque foi marcado para 17:40, pois os brasileiros teriam a cobertura da noite em sua retirada. Um dado importante levantado pela patrulha de reconhecimento foi que os helicópteros de assalto simplesmente não voavam a noite, apesar de poder perfeitamente fazê-lo, e todos eles retornavam a base no mais tardar por volta das 17:15. Sendo assim no momento do ataque, todas as aeronaves já deveriam está no solo com suas respectivas tripulações.

O Capitão Rhomulo dividiu o seu pessoal da seguinte forma para o deslocamento e transporte das cargas:

  • Um homem transportaria o morteiro de 60mm e dois projeteis de morteiro. Estaria armado com PARA-FAL.

  • Um homem transportaria a placa-base do morteiro e estaria armado com PARA-FAL.

  • Um homem transportaria o tripé do morteiro e estaria armado com PARA-FAL.

  • Cinco homens transportariam 4 projeteis de morteiro cada um e estariam armados com PARA-FAL.

  • Um homem estaria armado com uma MAG, com uma fita de 250 tiros.

  • Um homem transportaria mais munição para a MAG e estaria armado com PARA-FAL.

A progressão até o local de reunião com a equipe de observação foi lenta e cuidadosa, pois uma forte tempestade tropical se abatia sobre aquela área. A destruição dos SCH-5.3 estava dentro de um contexto operacional que envolvia um assalto, realizado por uma companhia do Batalhão Toneleiro do Corpo de Fuzileiros Navais, contra a principal cidade daquela região, com o objetivo de destruir ali uma base de embarcações fluviais. Fatalmente as aeronaves SCH-5.3 fariam falta ao inimigo na sua ação de rechaçar o assalto da resistência. Todos chegaram ao ponto de reunião por volta das 14:50. Lá os dois homens que tinham ficado no PO foram entrevistados pelo capitão Rhomulo e lhe passaram as últimas informações sobre a posição inimiga. Felizmente não chegaram reforços a guarnição, a segurança na tinha sofrido alterações e, para supressa e alegria geral, todas as aeronaves inimigas já estavam no solo.

Mesmo debaixo de chuva os detalhes do ataque foram mais uma vez repassados e tiradas todas as dúvidas sobre a operação. Rhomulo disse que seria bom atacar com a chuva, pois o inimigo não estaria esperando algo desse tipo. Disse que perto de anoitecer e com aquela chuva toda, seriam muito bom, e que os sensores de som eram praticamente inúteis naquela situação. Desejou sorte a todos e disse que o pessoal da equipe de reconhecimento funcionaria como guias.

Após todos os esclarecimentos os homens pegaram os seus equipamentos e se direcionaram para os locais designados. O tenente Pinheiro e seus homens guiaram a equipe para suas posições de combate. Todos estavam em completo silêncio e só se comunicavam por sinais. Estava um pouco escuro, e os relâmpagos da tempestade brilhavam ocasionalmente na floresta.

O morteiro de 60mm foi montado no PO e devidamente apontado para os helicópteros. Dois homens ficaram encarregados de operar essa arma. O apontador do morteiro traçaria uma linha de tiro contra os helicópteros, que estavam lado a lado, e depois faria ajustes no aparelho de pontaria para ir atingindo os alvos desde o inicio da linha até seu final. Os dez homens restantes ficaram encarregados de montar uma emboscada contra a patrulha de defesa do perímetro (cerca de 6 ou 7 homens - todos da Infantaria da Força Aérea Imperial), que poderia ser redirecionada para atacar a posição do morteiro, tão logo este começasse a disparar. Na verdade o ataque a base podia ser realizado sem a necessidade da emboscada, se fosse rápido e preciso, além disso caso a patrulha askhaliana tentasse atacar a posição do morteiro seria rechaçada, por uma equipe de segurança. Mas a questão não era só essa. O Comando da Resistência queria mostrar ao inimigo que sempre era perigoso para os askhalianos saírem em patrulha pela selva. Que sempre haveria para eles, o perigo da morte.

A patrulha de reconhecimento descobriu que a patrulha de defesa askhaliana realizava rondas regulares apenas de dia e a segurança era reforçada a noite com patrulhas internas. Se descobriu também que a patrulha inimiga sempre passava perto de um pequeno riacho quando saia ou voltava de uma ronda. Sempre havia apenas uma patrulha fora do perímetro. Entre 17:15 e 17:35 a última patrulha, que tinha saído por voltas das 14:00, retornava para a base. Na volta a base os homens sempre estavam cansados e até displicentes quanto a segurança. Na verdade nunca as patrulhas tinham sido atacadas, ou se chegou a atacar alguém, e a idéia de se embrenhar na selva nunca agradava aos askhalianos, sendo isso sempre motivo de tensão e stresse. Desta forma, ficou decidido que se atacaria a última patrulha quando essa voltasse para a base no fim de seu turno.

A emboscada foi sincronizada com o ataque do morteiro. Assim que o tiroteio tivesse inicio, começariam os disparos de morteiro. E assim que o morteiro cessasse os seus disparos, a emboscada já deveria ter terminado e a equipe responsável por esta ação retraído.

Ficou determinado que a retração ocorreria da seguinte forma: o atirador da MAG, juntamente com quatro homens recuariam até um determinado trecho e montariam uma base de tiro, fazendo a segurança. Assim que estivessem prontos, os outros cinco homens retrairiam ate a posição do morteiro e fariam a segurança. Ao estarem em posição, a equipe da metralhadora retrairia e com a unidade completa, Rhomulo e seus homens empreenderiam o retorno até a base, deixando armadilhas no itinerário de volta. Tanto o morteiro, a placa-base e o tripé seriam escondidos na selva, para não atrapalhar a unidade na fuga. Chegou-se a conclusão de que a perda do morteiro era um preço pequeno a pagar em relação a destruição dos helicópteros. Como não tinham muito intimidade com a selva, e muito menos a noite, a possibilidade do inimigo partir em perseguição aos Musaranhos, selva a dentro, durante a noite, era muito remota. Como os brasileiros conheciam bem a rota até a sua base, a retirada, mesmo a noite, não apresentariam maiores dificuldades, apesar de Rhomulo não descuidar da segurança e dos detalhes, pois a prepotência leva a morte.

Emboscada e Ataque

Como foi comentado, as patrulhas inimigas sempre cometiam o erro de repetir o itinerário quando de seus deslocamentos. Sendo assim, Rhomulo colocou os Musaranhos a postos antes da última patrulha inimiga do dia, sair da base. Como estavam muito bem camuflados, em silencio e longe da trilha usada pelo inimigo, os Musaranhos não foram percebidos pelos askhalianos, quando estes passaram próximo ao riacho. Assim que a patrulha inimiga se afastou, dois homens rapidamente espalharam armadilhas e explosivos em um dos lados da trilha. Depois, a equipe dos Musaranhos dividiu-se em pequenos escalões. O homem que levava a MAG e mais quatro combatentes ficaram na chamada "Zona de Morte", ou seja, em um local previamente demarcado onde teriam a visão da maior parte da coluna inimiga. Esse era o escalão de assalto.

Dois homens ficaram a direita desse escalão, e compunham o escalão de bloqueio de vanguarda . O soldado inimigo que conseguissem escapar da "Zona de Morte", das armadilhas e dos explosivos, seria bloqueado por eles. Outros três homens ficaram a esquerda do escalão de assalto e compunham o escalão de bloqueio de retaguarda, servindo para impedir que algum inimigo na retaguarda tentasse escapar por ali. Todos se posicionaram de só um lado da trilha, pois o outro lado já estava repleto de armadilhas e explosivos.

Quando a coluna inimiga voltou no final da tarde, os seus membros demonstravam muito cansaço. Estavam todos suados, e seus movimentos eram mais lentos e desleixados. Eram seis homens, a maioria armada com fuzis automáticos e granadas. O último homem carregava uma metralhadora de 5.56mm. Um deles mancava um pouco e tinha marca de sangue na perna direita. Devia ter escorregado em alguma trilha e se machucado. 

Então, mediante um sinal previamente definido, aconteceu a emboscada, que foi realizada com bastante violência e rapidez. A patrulha inimiga foi duramente atingida por tiros e explosões. Atônitos, nem sabiam direito de onde viam os tiros. O comandante da patrulha tentou usar o seu rádio mas foi abatido a tiros de PARA-FAL. Tão rápida como começou, a emboscada terminou. Todos os soldados inimigos estavam mortos. Os corpos foram revistados atrás de informações. E um sargento tirou fotos dos corpos dos soldados inimigos. Esse material seria enviado para triagem e talvez fosse liberado para ser usado como propaganda na Internet.

A equipe do morteiro ouviu os disparos e as explosões da emboscada e começou também o seu ataque sistemático contra os helicópteros. Calma e metodicamente, os dois soldados começaram a disparar os projeteis de 60mm contra a base. Os soldados askhalianos que estavam na base ficaram bem confusos diante das explosões e do som de armas automáticas que vinha da selva. Houve um certo descontrole e todos procuraram se abrigar, enquanto todos os helicópteros eram destruídos, um a um.

Na área da emboscada, ao comando do capitão Rhomulo a equipe de bloqueio da vanguarda se juntou a equipe de bloqueio da retaguarda e após isso, o escalão de assalto começou a retrair e montar uma base de tiro. Quando este último escalão estava posicionado, os dois escalões de bloqueio se retraíram até a posição do morteiro e aguardaram a chegada do escalão de assalto para que todos, inclusive os operadores do morteiro, retornassem a base.

O retorno a base foi tranqüilo e não houve perseguição por parte do inimigo. Os Musaranhos foram entrevistados pela S2, as fotos e todo material recolhido do inimigo levado para analise e depois todos foram comer uma refeição quente e descansar. Eles teriam direito a algumas horas de sono. Seria um pausa merecida pela missão cumprida. Mas todos sabiam que o descanso não era permanente, pois havia um inimigo lá fora que tinham que ser expulso do Brasil.

Como prova disto, enquanto os homens de Rhomulo dormiam, um caçador armado com seu fuzil AGLC, e seu observador, foram enviados de volta as cercanias da base inimiga, para avaliar o resultado do ataque com morteiro contra os helicópteros, e se houvesse oportunidade, eliminar o comandante da base ou algum outro oficial superior, com um tiro certeiro, pois a guerra de resistência continuava...


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Assunto: Operação Musaranhos - Resistência