OPERAÇÕES DA III GUERRA MUNDIAL - FICÇÃO 

 

Operação Gládio
Operação Iron Mountain
Operação Licorne
Operação Red Castle

 


A invasão do Pacto de Varsóvia - Razões

 

O dia 4 de agosto de 1985 ficará para sempre na história da humanidade, pois foi neste que se iniciou a Terceira Guerra Mundial, com a invasão da Europa Ocidental pelas tropas do Pacto de Varsóvia.

As para essa invasão hoje ficaram mais claras. A reeleição de Ronald Reagan em 1984 não foi bem vinda em Moscou. O presidente americano se mostrava cada vez mais hostil e desejoso de impedir a todo custo o avanço comunista no mundo. Reagan não media esforços e até intervenções militares realizava para alcançar o seu objetivo. Bandeira da União das Republicas Socialistas Soviética - URSS.

A CIA estava extremamente ativa, fosse na América Central, África ou Oriente Médio. Mesmo diante de fracassos, o presidente americano não recuava, e a sua resposta era aumentar mais e mais o poderio norte-americano através de um dispendiosa corrida armamentista que estava chegando até o espaço de forma definitiva, com o sistema de Iniciativa de Defesa Estratégica (Star Wars).

Os americanos agora contavam como um novo e formidável MBT, o M1 Abrams, que justamente em 1985 estava trocando o seu canhão de 105mm por um poderoso canhão de 120mm de alma lisa, de fabricação alemã. Também estavam entrando em serviço em número cada vez maior os mortíferos helicóptero AH-64 e os veículos blindados M2 e M3 Bradley. Projetos secretos como o do caça "stealth" também pareciam estar bem avançados.

Mísseis Pershing camuflados em plena floresta

Os EUA estavam gastando cerca de 322 bilhões de dólares por ano com a sua defesa, enquanto os russos só conseguiam gastar 250 bilhões por ano. Os países europeus membros da OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte, também se comprometeram a investir a cada ano a partir de 1984 cerca de 8 milhões de dólares em infra-estrutura da OTAN, como aeroportos, abrigos antiaéreos, comunicação, etc. A continuação da instalação de mísseis mísseis Cruise e Pershing nos países membros da OTAN, para contrabalançar os SS-18 e SS-20 do Pacto de Varsóvia também era algo inaceitável. Os EUA queriam a instalação de 464 mísseis de cruzeiro (Cruise Míssils) e 108 mísseis balísticos Pershing II. O próprio Reagan identificava a URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) como o Império do Mal.

Além do mais a China, livre de um competição direta com os EUA, crescia cada vez mais em poder e riquezas. O dragão chinês estava ameaçando tomar o lugar de terceira maior economia do mundo do urso soviético. Sem falar que o front interno não estava nada bem. A invasão do Afeganistão só trazia dores de

 

Um soldado da infantaria motorizada soviética armado com um fuzil automático AKM com um intensificador de imagem passivo.

 cabeças e as mães russas não aquentavam mais receber os caixões de seus filhos mortos numa guerra se nenhum sentido patriótico. A economia ia mal e a insatisfação crescia mais e mais, dando vazão a sentimentos nacionalistas dentro da republicas soviéticas, atraídas pelo crescimento econômica chinês.  Além disso os "aliados" soviéticos estavam cada gerando preocupações.

A Alemanha Oriental ensaiava uma aproximação "construtiva" com a Alemanha Ocidental, trazendo lembranças horríveis de uma Alemanha unificada e forte num passado recente; as agitações sindicais na Polônia, apoiadas mundialmente pelo Vaticano, estavam chegando ao limite do insuportável; a Romênia estava cada vez mais independente e nem participava de todas manobras do Pacto de Varsóvia, adotando a sua própria política de defesa; O eurocomunismo se mostrava mais e mais como um opção atraente aos pobres e pressionados países satélites da Cortina de Ferro; A situação na Iugoslávia era preocupante. Diante de toda essa pressão, da ameaça militar americana, da fuga de parceiros, do colapso financeiro, da suplantação por parte dos chineses e da ameaça de uma possível desintegração do império, a alta cúpula do Politburo soviético decidiu que a única forma de se reverte este quadro seria uma invasão avassaladora contra a Alemanha Ocidental levando a OTAN a um colapso militar; eliminando a ameaça alemã; afastando os EUA da Europa, demonstrando a fraqueza americana; intimidando a China; e passando um recado ao mundo que o Império Soviético estava mais forte do que nunca.

A invasão do Pacto de Varsóvia - Plano

O plano para invadir a Europa Ocidental foi bem planejado. Certamente se esperava alguma preparação por parte da OTAN, e o envio de reforços americanos enviados por via aérea. Com certeza o AFCENT tomaria maiores precauções diante da intensa movimentação das tropas soviéticas na Alemanha Oriental Tchecoslováquia e Polônia. Os Corpos de Exército britânicos, belgas e holandeses, além dos alemães é claro seriam colocados em alerta e remanejados no NORTHAG.

Todas as defesas áreas seriam colocadas em estado máximo de alerta. Para os soviéticos e os seus aliados do Pacto de Varsóvia o setor do NORTHAG - Grupo de Exércitos do Norte era bem mais atraente para uma invasão decisiva do que o setor do CENTAG - Grupo-de-Exércitos Central, apesar da pouco profundidade desta área. No NORTHAG havia insuficiência de reservas para resistirem a uma invasão. O plano geral da invasão definia que a mesma deveria ter atingido dos os seus objetivos por volta de D+9 ou 10.

Na noite de D-1 haveria ataques de forças especiais (Pára-quedistas russos e Spetsnaz ), segundo ficamos sabendo depois haviam cerca de 400 células controladas pela KGB que apoiariam essas ações. Os principais objetivos estavam na República Federal da Alemanha.

As forças principais das Spetsnaz (funcionado como unidades de commandos) seriam lançadas simultaneamente em todas as áreas da frente de combate, enquanto as unidades de “atletas profissionais” e “homens de negócio” e do “corpo diplomático” seriam destacadas para as cidades estratégicas do inimigo, transformando esses lugares em uma frente de batalha também. As forças soviéticas das Spetsnaz que operariam no interior da Europa Ocidental perseguiriam primeiramente os seguintes objetivos preliminares alistados em sua ordem descendente de importância: Entre as missões da unidades Spetsnaz estavam:

- A incapacitação ou destruição física de ogivas nucleares e químicas da OTAN, de seus meios de transporte, comando-controle, e de elementos relacionados ao seu lançamento – podem ser estratégicos (i.e. submarinos Polaris em suas bases) e táticos (i.e. sistemas de lançamento baseados em terra). 

- O rompimento do comando, controle e comunicações da OTAN,  e de seus elementos políticos, estratégicos e táticos. Isto inclui também a eliminação do pessoal em posições chaves. 

- A incapacitação física de determinados equipamentos eletrônicos de alerta e de reconhecimento, de radares e de equipamentos de aviso antecipado, de equipamentos de defesa aérea e de vários outros tipos, e possivelmente de sistemas de alerta avançados de mísseis balísticos. 

- A captura de aeródromos chaves e de portos para impedir o reforço das tropas, particularmente os que forem enviados dos EUA; a destruição ou a neutralização operacional dos aeródromos e dos portos, não vitais para a URSS, a destruição de estradas de ferro e junções de estrada chaves, que sejam importantes nos planos de mobilização do inimigo. 

- A destruição de alvos e de instalações industriais chaves (centrais elétricas, refinarias de petróleo, indústrias militares, etc).

Logo antes das primeiras luzes do dia unidades aerotransportadas soviéticas fechariam os acessos a Hamburgo e tomariam o aeroporto de Bremen, assim como os pontos de passagens sobre o Weser. Se possível o mesmo aconteceria no Reno. A cabeça de ponte aérea de Bremen era um alvo indispensável.

Nas primeiras horas do Dia D seria realizada intensa campanha aérea usando alto explosivo alto e munições químicas, principalmente contra as bases aéreas Aliadas e seus sistemas de controle e as forças de terra do AFCENT em seus movimentos em direção as suas posições defensivas.

Os russos planejavam que ao atingirem uma posição favorável no ar e conseguido descontrolar os movimentos inimigos em terra, o maior peso do seu poder aéreo seria dirigido para apoiar uma ofensiva geral ao logo da frente do AFCENT, explorando táticas normais de ataques em massa e penetração profunda. Esta última tinha o objetivo específico de destruir toda a capacidade antitanque da OTAN. No avanço soviético seriam usadas armas químicas com certa limitação. Só seriam usadas contra forças que não dispusessem das mesmas no Teatro de Operação, como os britânicos, belgas e holandeses.

 

Operador do Spetsnaz armado com um fuzil AKS-74 de 5,45mm com cabo dobrável e carregador de 30 projéteis, uma pistola PRI e uma baioneta-faca, numa bainha especial que se usada em conjunto com outra se transforma em um alicate para corta arame.

O seu emprego seria uma decisão dos comandantes de Exército. A ênfase seria nas armas com gases nervosos, persistentes ou não persistentes. Ataques aerotransportados seriam especialmente direcionados a aeródromos, locais de defesa aérea, quartéis-generais e pontos de cruzamento. sede e cruzamentos de obstáculo continuariam. Tudo fundamentaram operações de força teriam máximo apoio de ar tático.

O II Exército de Guardas com duas divisões polonesas e algumas tropas da Alemanha Oriental atacariam ao norte do setor NORTHAG, o III Exército Choque atacaria no sul do mesmo setor, seguido pelo XX Exército de Guardas, com duas divisões da Alemanha Oriental. O VIII Exército de Guardas atacaria na frente do CENTAG, tendo Frankfurt como objetivo principal; o I Exército de Guardas Blindad, um pouco mais ao sul , teria com objetivo Nuremberg.

Uma divisão polonesa e duas divisões soviéticas se moveriam para o norte através de Schteswig-Holstein, penetrando na Dinamarca, com apoio necessário. O avanço principal contra as AFNORTH partiria do Distrito Militar de Leningrado, através de Kola inicialmente. O apoio seria mantido por via férrea através da Finlândia. Todo resistência efetiva nas AFNORTH deveria cessar por volta de D+6, muito embora o terreno difícil pudesse retardar o avanço no sentido sul da Noruega.

Nas primeiras horas de D+1 colunas blindadas deveriam alcançar o canal de Dortmund-Ems, assegurado de imediato todos os pontos de travessia do Weser, ao norte de Minden. no CENTAG a área de Giessen deveria ser tomada, e um ataque ser desenvolvido na direção do complexo de Frankfurt-Mainz, que já estaria sofrendo grande pressão do Leste.

Forças aerotransportadas lançadas da cabeça-de-ponte de Bremen deveriam assegurar os cruzamentos dos rios de acesso a Holanda, o que seria a seguir consolidado com o avanço das forças blindadas do Pacto de Varsóvia. Os soviéticos consideravam imperativo a captura intacto do complexo de rádio e televisão de Hilversum, e para isso destacam as suas melhores tropas dos Spestenaz. Os russos acreditavam que a resistência na Holanda no dia D+2 fosse mínima e toda a Holanda deveria ser conquistada até o sul do rio Waal por volta de D+6.

Enquanto continuasse a forte pressão sobre o CENTAG na direção nordeste-leste, o esforço principal da ofensiva soviética seria direcionado no sentido norte-sul ao longo da margem ocidental do Reno. Os russos esperavam que esta manobra fosse decisiva no franqueamento do CENTAG e na destruição da AFCENT. Em meio a tudo, Berlim Ocidental seria tomada. A sua capitulação era dada como certo diante do colapso do AFCENT. Os soviéticos esperavam uma forte resistência por parte da OTAN em áreas como Harz. Spessart, Schwarzwald e a Floresta Turíngia e as montanhas bávaras. Também havia grandes possibilidades de haver forte resistência nas cidades da REnânia e do Ruhr, onde deveriam ser implacavelmente eliminadas.

Os soviéticos esperavam que ao serem penetradas as suas defesas do NORTHAG esse em primeiro lugar ocupasse posições aproximadamente a leste e oeste da Floresta Teutoburga, na esperança de impedir travessias do Baixo Reno através de combates em profundidade. Os russos acreditavam que a OTAN não teria tropas suficientes para essas manobras e que os ocidentais não seriam bem sucedidos.

Os soviéticos também esperavam que ao começar a ofensiva Norte-Sul o NORTHAG viesse a se reagrupar numa tentativa de impedi-la em alguma posição perpendicular, a oeste do Reno, entre Bonn e Maastricht. Os russos acreditavam que o sucesso desta operação levaria ao envolvimento do CENTAG pelo retaguarda e ao colapso defensiva da OTAN na Região Central. Por volta do dia D+7 os russos esperavam que os únicos bolsões de resistência estivessem em Hamburgo e Berlim (se ainda não tivessem sido conquistadas) e a região dos Alpes Bávaros.

No frente italiana não se esperava muita resistência e com a França seria adota conversações em separado, lhe dando garantias de que não haveria ataques ao solo francês e pedindo que o II Exército da França se retirasse da Alemanha Ocidental. Sendo assim com o colapso do AFCENT, e a eliminação do AFNORTH e do AFSOUTH, o comando Aliado na Europa estaria bem reduzido e condenado a impotência e prestes a se desintregar a OTAN. Diante de tão horrendo quadro os EUA seriam levados a aceitar um cessar-fogo em D+8 e iria para a mesa de negociações. Assim os objetivos soviéticos seriam alcançados: O domínio da Alemanha Ocidental, a desintegração da OTAN e o isolamento dos EUA. O ataque seria marcado para o dia 4 de agosto de 1985. Esses eram os planos do Pacto de Varsóvia, mas até os melhores planos não resistem a realidade...

Correlação de forças na Europa: Pacto de Varsóvia x OTAN

O Pacto de Varsóvia tinha 16.400 tanques, contra 7.800 da OTAN. E 8.300 peças de artilharia, contra 3.000 da OTAN. No centro e norte da Europa o Pacto de Varsóvia possuía 4.700 aviões conta 2.000 da OTAN.

O principal e mais moderno tanque de batalha dos Aliados era o Abrams M1A1 americano.

Tanque Abrams M1A1 do 64º Blindado da 3ª Div dos EUA

A história do tanque Abrams começou dentro do mesmo programa modernização que resultou no Hummer e no transporte de tropas Bradley. O primeiro exemplar da série M1 ficou pronto, em 1978 produzido pela General Dynamics. Os americanos costumam dar os nomes de ex-generais aos seus tanques como: Sherman, Patton, Sheridan e entre outros, o de Creighton W. Abrams, ex-chefe do Estado Maior e comandante do 37o Batalhão Blindado. Ao todo o exército americano recebeu 3.273 unidades do M1 e 4.796 do M1A1.

O tanque Abrams tinha a principio um canhão principal de 105  mm depois substituído por um de 120 mm, e seu armamento secundário consiste de três metralhadoras (12.7 mm antiaérea e 7.62 mm giratória na torre - Ambas possuem rotação de 180 graus e podem disparar de alto a baixo, entre -30 graus e 65 graus em relação ao horizonte; e uma de 7.62 mm coaxial) e um lançador de granadas de 40 mm. Tem também uma turbina com potência de 1,5 mil cavalos. A blindagem é formada por um sistema de várias camadas de metal, para barrar os tiros, intercaladas com 3 camadas de cerâmica, para bloquear o calor dos disparos. O casulo blindado protege os quatro passageiros, o motor, o tanque de combustível e os comandos do tanque. A blindagem especial de três camadas de cerâmica, que oferece maior proteção sem aumentar o peso do veículo. Ele resiste a impactos diretos de projéteis antitanque e é vedados contra radiação e armas químicas.

Um sofisticado sistema de controle permite a esse tanque disparar em movimento, o que representa um avanço revolucionário em comparação aos tanques M60, que tinham que interromper sua marcha para abrir fogo. Graças a um moderno equipamento de visão térmica, os artilheiros podem enxergar de noite, através da poeira ou da fumaça é usar a sua mira computadorizada para engajar o inimigo.

Graças a um sistema de engrenagens acopladas à carroceria, a torre consegue girar até 180 graus, aumentando a autonomia para usar o canhão e as metralhadoras. A ligação com a carroceria é feita por meio de uma passagem onde fica o artilheiro

Em contraste com as vantagens que possui para o combate, seu tamanho e seu peso constituem sua principal desvantagem. O avião americano de maior envergadura, o C-5, só pode transportar um tanque Abrams de cada vez. Além disso, o transporte marítimo representa um deslocamento muito lento para estes equipamentos quando eles precisam ser usados em situações de emergência.

Especificações:
Comprimento: 9,8 metros
Velocidade máxima: 68 km/h

Autonomia: 426 km
Peso: 62 toneladas
Preço (2003): 4,3 milhões de dólares
 

Tripulação: 4 homens

- O comandante é o responsável pelo andamento da missão. Sua função é transmitir ordens táticas aos outros três ocupantes.

- O artilheiro é o segundo na hierarquia do tanque. É ele quem controla o canhão principal e as metralhadoras.
- O municiador mantém as armas sempre carregadas e cuida dos sistemas de comunicação.
- O piloto é quem dirige o tanque. Uma das tarefas é encontrar o caminho menos acidentado.

O ataque soviético
Os soviéticos e os seus aliados do Pacto de Varsóvia não tinham como ocultar da OTAN uma tão grande concentração de tropas, tanques e aeronaves. O ardil de uma grande manobra conhecida como OPAL 85/2 envolvendo 450.000 homens não enganou ninguém. Os ocidentais sabiam que um ataque soviético por mais terrível que fosse estava iminente, e o período de "ponto frio" foi bem agitado. 

Americanos, britânicos e canadenses removeram todo o seu pessoal civil através de uma grande ponte aérea. Muitos outros familiares de militares americanos foram levados por terra para a Espanha. Ao mesmo tempo, só que no contrafluxo, uma avalanche de material militar americano era enviado, no volume máximo possível para a Europa.

Todas as unidades militares da OTAN já tinham sido dispersas e posicionadas em suas pontos avançados, e as aeronaves enviadas para locais alternativos e poucos detalhes ainda faltavam, mas os ocidentais acreditavam que os soviéticos só atacariam por volta da primeira quinzena de setembro.
Mesmo assim quando os combates se iniciaram não foram uma grande surpresa. Os ataques começaram com ações de grupos de forças especiais e sabotadores. Muitos desses grupos eram formados por até 300 homens que haviam sido previamente infiltrados no território ocidental. Esses homens atacaram centros de comunicação civis e militares, postos policiais e de bombeiros, prédios da administração publica, estações ferroviárias e usinas de força, entre outros alvos. Ao mesmo tempo as tropas avançadas da OTAN se viram duramente atacadas por aeronaves e por fogo de artilharia ao longo de toda extensão do limite avançado da área de defesa da Região Central.

Porém os ataques realizados por forças infiltradas não lograram muito êxito. Pois era difícil coordenar tantos deles assim, e ocultar a sua preparação das forças de segurança. Muitos grupos foram descobertos com uma boa antecedência e seus movimentos monitorados pelo polícia da Alemanha Federal e suas Forças Territoriais, como também pelos serviços de inteligência ocidentais. Cerca de 75% dos ataques fracassaram, mas muitos deles causaram bastante danos e confusão na retaguarda da OTAN. O QG do NORTHAG foi penetrado, vários militares foram mortos, mas as forças de segurança derrotaram os invasores.

Para facilitar o avanço das tropas pesadas do Pacto de Varsóvia foram usadas armas químicas (com agentes químicos, normalmente mostarda ou nervoso do tipo G ou V) principalmente contra tropas britânicas, holandesas e belgas, no NORTHAG que não possuíam armas do mesmo tipo para pronto emprego, porém no CENTAG, com os americanos, essas armas não foram usadas.

 

Soldados britânicos armados com um Carl Gustav de 84mm e usando trajes NBC, enfrentando formações blindadas soviéticas no norte da Alemanha Ocidental

Porém o pesado ataque químico, contra o NORTHAG, teve um impacto variado: os americanos que tinham as armas a disposição, não precisaram usá-las, já os britânico, que não as tinham estavam tecnicamente melhor preparado para se defenderem contra este ataque, os alemães estavam em pé de igualdade, já os belgas estava no meio termo e os holandeses eram os menos preparados.

O objetivo principal dos ataques químicos era menos causar vítimas e mais dificultar a operacionalidade devido as precauções defensivas com os desconfortantes trajes NBC e as máscaras protetoras. O desempenho da infantaria de combate foi degradado devido as precauções em até 60%. A mobilidade estava reduzida evitando áreas contaminadas. A exigência para o reconhecimento de áreas suspeitas de contaminação química levava tempo e as unidades estavam freqüentemente forçadas a lutar em ambientes contaminados. Constrangimentos semelhantes foram sujeitos aos QGs, com os oficiais forçados a trabalharem com equipamento de proteção, com as luvas e respiradores, dificultando as tarefas de comando e controle.

Os soviéticos também usaram uma intensiva campanha de contra-medidas eletrônicas e anti-radar, mas sem muito sucesso pois os equipamentos de contra-medidas ocidentais eram bem superiores, e por isso só foram usados menos de uma hora antes do início da ofensiva por terra.

Após 45 minutos do inicio dos ataques preparatórios a principal onda de assalto se lançou contra as tropas da OTAN. Eram quatro poderosas colunas blindadas, cada uma sobre uma frente divisionária, lideradas por destacamentos de valor Regimento à base de armas combinadas. O primeiro escalão foi precedido por forças leves que avançavam tão profundamente quanto o permitia o terreno. O escalão do esforço principal em cada eixo era composto por Regimentos de Tanques T-72 das Divisões Blindadas, operando em frentes divisionárias de nunca mais de 8km e de nunca menos de 2km, dependendo da natureza do terreno.

O famoso T-72 soviético teve a sua produção iniciada em 1971. Foi largamente fabricado não só Rússia, mas também sob licença na Índia, República Tcheca, Iraque, Polônia, e Romênia. Cada versão sob licença tinha sua própria série de modelos e variantes. Alguns dos 18.000 T-72s produzidos estão em serviço em cerca de 29 países. O M1 Abrams, ao lado do Leopard II e do Challenger I, são os principais rivais do T-72, foram produzidos somente quase uma década depois.

Apesar de superado pelos rivais (ele é menos blindado), o T-72 é um tanque respeitável com sua silhueta baixa e esguia e o seu canhão semi-automático de 125 mm de cano liso com 23 cartuchos, que pode atingir alvos a 4.500 metros de distância, seu sistema de mira a laser e sua capacidade de visão noturna. Esse canhão é estabilizado, podendo manter o alvo com o veículo em movimento – até 25 km/h - e dispara até 8 tiros por minuto. O T-72 tem proteção NBC (nuclear-química-bacteriológica) para seus tripulantes. Usa um motor V12 a diesel com 780 cv. A versão T-72B1 usa um motor V12 multi-combustível refrigerado a ar com 840 cv, podendo queimar diesel, gasolina ou querosene. Pode levar mais 200 litros de combustível em reservatórios externos. Pode ser equipado em 20 minutos com um kit que inclui um snorkel, podendo submergir para atravessar rios e lagos profundos. Travessia de água 1,2m (sem preparação) e 5,0m (com preparação). É usado em 28 países. O seu custo relativamente baixo permite que seja produzido e comprado em grandes quantidades, o que de certa forma compensaria em número qualquer deficiência. Em ambientes sem blindados modernos ou com veículos antigos é devastador, mas em 1982, na Guerra do Líbano, os T-72 sírios foram arrasados pelos tanques Merkava 1 israelenses.  

Especificações:
Tripulação: 3
Armamento: 1 canhão de 125mm, 1 metralhadora coaxial de 7.62mm e uma de 12.7mm para uso AA.
Munição 45 x 125mm, 2.000 x 7,.62 e 300 de 12.7mm
Tipo Armadura 12.7mm x: Comprimento Aço Composto:
Largura: 6.95m
Altura: 4.75
Peso armado: 44.500 kg
Motor: V-46 V-12 diesel
Velocidade max. na estrada: 80 km/h
Raio de ação: 480 km; 550 km com tanques extras de combustível

Tanque T-72G da 9ª Panzerdivision da Alemanha Oriental

Os Batalhões de Tanques da vanguarda eram seguidos de bem perto (as vezes por distancias menores que 100m) por Companhias de Infantaria Motorizada, transportadas em veículos BMP, que tinham como objetivo a destruição das defesas antitanques. Seguindo de perto, logo atrás da Divisões Blindadas, vinham as Divisões de Infantaria Motorizada, cada uma com um Regimento Blindado e três Regimentos de Infantaria Motorizada, que estavam preparados para explorar qualquer brecha conseguida pela concentração blindada a sua frente.

As forças aéreas táticas Aliadas e a defesa antiaérea, já em alerta pleno, tinha responderam plenamente a início da ofensiva soviética. Os esforços foram concentrados inicialmente em operações defensivas e contra-ofensiva aérea inimiga  para reduzir a atividade aérea soviética, e se esforçar para ter um controle  tolerável da situação em cima do campo de batalha e atrás da área de batalha no espaço aéreo, principalmente da AFCENT.

No final da tarde de 4 de agosto o quadro era o seguinte: O aeroporto de Bremen tinha sido tomado por uma divisão aerotransportada soviética que estava ampliando a sua cabeça de ponte aérea; Uma Divisão soviética do II Exército de Guardas Blindados tinha virado para o Norte em direção a Kiel, seguida por duas Divisões polonesas. A 6ª Divisão Aerotransportada Polonesa, junto com unidades especiais de Neuruppin e tropas serviços especiais do 40º Batalhão de Pára-quedistas (Fallshirmjäger - Willi Sanger) da Alemanha Oriental tinham se concentrado no Norte; A cidade de Hamburgo, foi cercada pelo Exército Vermelho.

O avanço soviético continuou por vários dias, e duros combates foram registrados. A OTAN reagiu furiosamente, pois sabia que estava lutando por sua própria sobrevivência. A estratégia era atrasar o máximo o avanço inimigo, pois se esperava que os reforços vindos dos EUA chegassem o mais rápido possível.

Uma conseqüência direta do avanço soviético no setor do NORTHAG era a grande massa de refugiados de guerra que congestionava as estradas, apesar dos russos não demonstrarem pelos refugiados nenhuma complacência. Os russos inclusive atacaram as estradas com caças-bombardeiros que lançavam bombas de fragmentação. Na verdade a intenção não era nem tanto causar vítimas civis, mas afastar os refugiados de qualquer rodovia que os soviéticos precisassem usar. Os veículos civis eram arrastados para foram das estradas pelos blindados, para que o impulso do avanço soviético não arrefecesse. Infelizmente tanques eram dirigidos sem hesitação para cima dos grupos de pessoas que estavam nas estradas. A policia da Alemanha Ocidental tentava heroicamente, com muitos esforços organizar uma a massa caótica de pedestres e veículos.

Até o momento nenhuma arma nuclear foi usada, e houve uma declaração dos soviéticos de que só as usariam se fossem atacados primeiros. Porém a despeito desta declaração o SACEUR - Comandante Supremo Aliado na Europa, se sentiu obrigado pela incerteza da situação em reter algumas aeronaves de ataque principalmente F-111, Buccaners e Tornados, para uma possível ação nuclear.

Sem nenhuma dúvida o desenvolvimento mais importante no primeiro dia de hostilidades abertas na Europa foi a declaração pelo governo francês de sua intenção de apoiar as ações da OTAN conta a invasão do Pacto de Varsóvia. O II Corpo do Exército francês na Alemanha Ocidental, uns 50.000 homens, foi colocado sob o comando direto do SACEUR e debaixo do comando para o Comandante Supremo da Região Central (CINCENT), como primeira reserva regional em prontidão para qualquer movimento diante da Baviera. Três divisões francesas adicionais estavam a caminho e foram bem-vindos os dezoito esquadrões de caça-bombardeiros franceses da Força Aérea Tática francesa, que em primeiro estariam posicionadas somente para apoiar as ações francesas. Mais importante que qualquer outra coisa para o futuro imediato, porém, era a disponibilidade dos portos e aeródromos franceses que eram de valor inestimável para apoiar a logística da OTAN e o recebimento dos reforços vindos dos EUA.

Embora a intervenção dos franceses desse um grau de encorajamento para os Aliados, cujo importância não podia ser desprezada, a situação em terra na Região Central nos próximos dias foi muito difícil. Toas as forças de linha de frente, com exceção das que estavam a leste de Frankfurt entre
Alsfeld e Bamberg, tinham sido empurradas para trás. No norte os soviéticos iniciavam uma corrida desesperada para alcançar a sua cabeça de ponte em Bremen. Unidades de infantaria aerotransportada com apoio de blindados leves tentavam chegar ao rio Rio Weser, lutando contra uma determinada, mas nem sempre bem coordenada oposição da unidades dos Países Baixos e do II Corpo de Exército britânico.

Ao norte da Região Central estava o AFNORTH, oferecendo uma oposição bem mais dura ao Pacto de Varsóvia que muitos no Ocidente tinham esperado, talvez porque poucos tinham experiência da grande grande dificuldade de movimento de norte  sul na Noruega. No dia 4 de agosto uma Força Móvel da OTAN formada por sete batalhões com tropas de apoio foi enviada por via aérea para o norte de Narvik. Um Commando da Marinha Real chegou da Inglaterra por e outros reforços Aliados também chegaram através do mar para fortalecer e apoiar as forças nacionais norueguesas a se desdobrarem para o norte
da Noruega.

Elementos avançados de uma divisão motorizada soviética entraram na Noruega a partir da península de Kola em 4 Agosto. Uma segunda força já estava avançando pela Lapônia finlandesa se dirigido para Narvik. O fato do sistemas de estradas de ferro soviéticos e finlandeses serem integrados significou que nenhum problema de movimento impediria o avanço soviético, que planejavam enviar para a Noruega de oito a dez divisões. No ar a superioridade soviética era quase completa.

Porém mesmo com uma vantagem aérea as forças do Pacto de Varsóvia encontraram muita dificuldade diante da defesa obstinada das forças da OTAN na Noruega. Um desembarque anfíbio soviético ao sul de Bodo no dia 10 de agosto visava envolver as forças ocidentais que protegiam uma linha de comunicação ao norte de Trondelag com Nordland. No dia 15 de agosto a defesa das forças Aliadas estava firmemente estabelecida em Trondheim, e era muito improvável ser ameaçada enquanto uma ação de retardo estivesse sendo bem sucedida no norte do país.

Ao sul da região central, o QG das AFSOUTH, com um governo italiano no exílio tinha sido movido entre 6 e 7 de agosto para a Espanha. A península italiana estava agora inteiramente sob o controle soviético, mas com nenhuma grande força do Exército vermelho ali. Elementos aéreos italianos e americanos pertencentes a 5 ATAF (Allied Tactical Air Force) após a desintegração das forças no sul foram transferidas para a Espanha e sul da França, onde foram usados subseqüentemente como reserva geral  aerotática, para apoiar as operações principalmente no sul da região central.

A Holanda ficou debaixo da ocupação soviética ao sul do rio Maas em 10 agosto, e o governo foi removido para Eindhoven. Os restos das forças de defesa holandesa de fronteira tinham sido dispersados em uma ação perto de Lmgen no 8º dia, e depois disso somente as inundações causadas pela abertura dos diques e por uma resistência civil ativa tinham impedido o progresso dos invasores.

Reação

No dia 10 de agosto (D+6) os soviéticos atingiram o máximo do seu avanço. A partir dai não avançaram mais para leste. O preço foi muito alto, mas o investimento em armas e equipamentos de melhor qualidade, melhor treinamento, priorizando a iniciativa, e o uso de avançados itens de guerra eletrônica, além de satélites, surtiram efeito. Uma fator marcante para o sucesso da OTAN e deter o avanço soviético foi o uso coordenado de suas unidades aéreas.

Em meio a grandes preocupações e decisões críticas o SACEUR, tomou duas decisões que muitos consideram hoje como as mais decisivas para o resultado final do conflito no centro da Europa: primeiro era a sua recusa de endossar qualquer pedidos urgente dos chefes subordinados para o uso no campo de batalha de armas nucleares. O segundo era referente ao uso de suas reservas.

 

Pára-quedistas da 82ª Divisão Aerotransportada americana retomam o aeroporto de Bremen em Agosto de 1985.

Informado que os comboios no Atlântico Norte, vindos dos EUA, estavam conseguindo chegar a França, apesar das tentativas de bloqueios pelos soviéticos, em quantidade suficiente e que reforços (blindados, peças de artilharia, etc) já cruzavam a França debaixo de uma forte cobertura aérea, o SACEUR decidiu liberar as suas reservas para a grande contra-ofensiva na Região Central em direção a Bremen.

Ao meio-dia de 15 de agosto, quando as unidades do recém-chegado Corpo dos EUA, plenamente equipadas e prontas para ação, deslocavam-se sob uma formidável cobertura aérea pelas rodovias e ferrovias através da França, enquanto que outro lado do Atlântico mais navios estavam sendo organizados em comboios para trazer para a Europa o equipamento de outro Corpo de Exército, chegaram às AFCENT os comunicados que a ofensiva do NORTHAG tinha começado bem e estava fazendo progressos. Pela primeira vez, forças terrestres Aliadas estavam EM condições de superioridade aérea local. Uma grande parte das reservas aéreas da 4ª ATAF havia sido destacada pelo COMAAFCE para a 2ª ATAF. O CENTAG e o SOUTHAG estavam apoiados apenas pelo que restava da 4ª ATAF, com os restos da 5ª ATAF (ex-Itália) vindos da Espanha e pela Força Aerotática Francesa, esta última já liberada pelo governo francês para apoiar todos os esforços da OTAN, e não apenas para apoiar as forças francesas em terra. No momento, enquanto o esforço principal da ofensiva ocidental estava sendo lançado ao norte, isso bastava para o SOUTHAG, pois o seu momento chegaria.

O aeroporto de Bremen havia sido conquistado por tropas pára-quedistas americanos da 82ª Airborne Division e algumas unidades aerotransportadas da 101ª Airborne haviam sido levadas para lá sob rígidas medidas de segurança aérea, que se tornavam cada vez mais eficazes.

O ataque principal liderado pelos britânicos que contava com três divisões na frente e duas no apoio na retaguarda, cruzou o Lippe pouco antes do amanhecer com elaboradas ações de dissimulação que indicavam um ataque mais a oeste.

Conseqüências

Por vantajosa e encorajadora que fosse essa resposta Aliada, nem por sonhos poderia ser vista como a vitória final contra as forças do Pacto de Varsóvia que foi imediatamente anunciada, para grande constrangimento dos Chefes de Estado Maior Aliados, pela imprensa do mundo inteiro, principalmente nos Estados Unidos.

Pouco havia mudado. Na Noruega, por exemplo, as AFNORTH, com o único apoio aéreo que podia ser fornecido pelo Reino Unido e, com grandes dificuldades, por porta-aviões operando ao norte das Faroes, ainda continuavam contendo e perturbando o avanço soviético no terreno tremendamente acidentado de Troms e Nordland.

Do Skagerrak até o Gancho da Holanda, tanto a costa quanto o interior, até certa profundidade, estavam ocupadas pelas forças do Pacto sob comando polonês. A Dinamarca havia sido dominada há mais de uma semana. Hamburgo fora declarada cidade aberta, declaração essa que os russos haviam ignorado. Ela estava, no entanto, sendo deixada de lado, para ser alvo de atenções futuras.

A guarnição de Berlim, cercada por Divisões retiradas das áreas de combate na República Federal da Alemanha estava sendo quase que humilhantemente deixada em paz.

Dos Distritos Militares Soviéticos do Báltico e dos Carpatos cerca de vinte Divisões estavam-se movendo para formar, como próximo escalão, atrás das que haviam vindo da Bielo-Rússia em seguida à primeira incursão do GSFG. Mais ao sul a pequena Áustria havia sido brutalmente tirada do caminho. Duas ou três Brigadas de excelentes tropas de montanha estavam lutando junto com os franceses e alemães na Bavária e os habitantes mais velhos de Graz lembravam-se novamente de como as coisas haviam sido quando da outra ocupação por soldados russos.

As AFSOUTH, com seu QG regional agora não mais na Itália e sim na Espanha, haviam desmoronado. A dominação soviética da península itálica, embora discreta, agora era completa.  A Grécia mantinha suas tropas na fronteira com a Bulgária, ao lado da Turquia. A a parte asiática da Turquia estava sob pressão soviética do norte, embora ainda não fosse alvo de ataque de grandes proporções. A Frota Soviética do Mar Negro já havia passado pelos Estreitos, o que era suficiente para a URSS neste momento, no sudeste europeu.

A situação Aliada como um todo dificilmente poderia ser chamada de vitoriosa. Na própria Região Central estavam agora dispostas cerca de quarenta Divisões do Pacto de Varsóvia, sendo quinze Divisões Blindadas. Embora pelo menos parte dessa formidável ordem de batalha houvesse sentido os efeitos dos ataques aéreos e de mísseis dos Aliados, só a metade já tinha entrado em combate. Julgada por qualquer tipo de critério ela ainda era três ou quatro vezes mais potente em poder de fogo do que o conjunto de tropas Aliadas reunidas contra ela e, até agora, o Pacto de Varsóvia mantinha toda a iniciativa.

Mas os soviéticos foram surpreendidos pelas eficácia das armas ocidentais em especial os aviões A-10A, o tanque M1A Abrams e os mísseis antitanques teleguiados TOW.

A ofensiva Aliada de 15 de agosto, no entanto, foi a chave para mudanças de importância capital. Em primeiro lugar ela criou, nas áreas avançadas, uma nova situação operacional. O inimigo tinha agora de pensar em proteger seus flancos e retaguarda antes de tentar retomar o ímpeto total de seu avanço, que a prudência tornava conveniente diminuir, no momento.

Porém havia mais do que isso. O desafio operacional Aliado ao Alto Comando Soviético poderia, ao menos em termos, ser enfrentado e superado. As conseqüências políticas do que estava acontecendo, de cuja química vemos hoje que as ações militares de 15 de agosto foram o catalisador, não o poderiam.

O plano soviético para provocar o colapso militar da Região Central da NATO, com a ocupação da República Federal e a desintegração da Aliança, antes que houvesse tempo para que se mobilizassem maiores recursos do Ocidente, ou para que os Aliados Ocidentais chegassem a um acordo quanto ao emprego de armas nucleares, estava andando bastante mal. A intervenção dos franceses e o vigor com que ela havia sido realizada fora tão mal recebida quanto inesperada. O fortalecimento da capacidade defensiva da NA TO nos últimos anos, embora incapaz de deixar fora de cogitação uma invasão pelo Pacto de Varsóvia, havia sido suficiente para torná-Ia consideravelmente mais difícil de levar a cabo. A magnitude da superioridade em tecnologia de que gozavam os Aliados, principalmente os Estados Unidos, e a precisão de sua aplicação no campo de batalha, também fora um pesado choque. Isso, entre outras conseqüências, havia impedido a destruição das defesas antiaéreas e antitanque, de cuja eliminação as operações táticas soviéticas, tanto no ar quanto em terra, tanto dependiam. Havia reduzido, pelos graves inconvenientes impostos às comunicações que ficaram algumas vezes reduzidas a zero, as operações de formações móveis que se esperava que manobrassem em profundidade.

As operações de armas combinadas, além do mais, das quais o método de combate do Exército Vermelho dependia fundamentalmente, tinham ficado muito longe de ser um grande sucesso. Os Aliados haviam operado, por assim dizer, nos interstícios do método, separando elementos cuja força residia em sua interdependência. Os quatro elementos principais do conceito das armas combinadas manobra, apoio de fogo, defesa orgânica e apoio ao combate - raramente tiveram permissão de operar juntos em grau sequer próximo da harmonia necessária.

Por todas essas e muitas outras razões, o programa estratégico ficara tão aquém de seu objetivo que agora existia o perigo real do reforço maciço do Ocidente que fora tão importante impedir. Inexplicavelmente, os reforços de tropas pela ponte aérea dos EUA tinham continuado e a Marinha Soviética não fora capaz de impedir a chegada, a salvo, por mar, dos equipamentos pesados. Mais reforços estavam a caminho. Do ponto de vista militar, era agora necessário indagar: o que havia ainda a ganhar com um plano que já havia fracassado?

Resistência e revoltas

As conseqüências políticas do insucesso militar na Alemanha teriam longo alcance. O poder militar do Pacto de Varsóvia não havia sido quebrado. Longe disso. O que acontecera, no entanto, fora quase tão importante quanto uma derrota. O Exército Vermelho havia revelado que não era invencível. À medida que a consciência de suas limitações começou a se espalhar, as esperanças começaram a aparecer em lugares onde, até agora, apenas exibições ocasionais de infrutífera e corajosa dissidência haviam alterado a uniformidade cinzenta de uma resignação sem esperanças.

 

Um sabotador treinado pelas forças especiais britânicas em ação na retaguarda do Pacto de Varsóvia no interior da Polônia.

As revoltas nacionais ainda estavam muito longe, porém suas sementes já estavam sendo plantadas, à medida que, apesar da mais severa censura, as novidades corriam céleres de que nem tudo estava correndo bem na ofensiva do Pacto de Varsóvia na Alemanha. A partir de meados de agosto uma crescente atividade de resistência, com ampla sabotagem e desorganização de comunicações ferroviárias, nos países satélites, começou a constituir-se em problema crescente nas linhas de comunicação. Isso ocorreu primeiramente onde, do ponto de vista de abastecimento militar, tinha mais importância, na Polônia. A mesma coisa começou também a acontecer na Tchecoslováquia e, em menor escala, na Hungria e na Romênia.

A ajuda Aliada às forças de resistência, que vinha sendo preparada há alguns meses, concretizou-se imediatamente. No último ano, técnicas da Segunda Guerra Mundial, que alguns julgavam estarem totalmente esquecidas, haviam revivido. As grandes comunidades americanas de expatriados, particularmente de poloneses e tchecos mas, também, em menor escala, de húngaros, e os descendentes de poloneses nascidos na Grã-Bretanha, filhos de ex-soldados da Segunda Guerra Mundial que haviam ficado residindo lá, foram auscultados para recrutamento.

Destacamentos de algum valor estavam já em estágio adiantado de treinamento e agora, com munição, armas, equipamento de comunicação e suprimentos, estavam sendo sub-repticiamente infiltrados, por ar, em seus respectivos países. Sua principal tarefa, além de despertar esperanças agora não mais totalmente injustificadas, era a de interferir, ao máximo, com as comunicações ferroviárias e rodoviárias.

Na verdade existia também um grande plano da OTAN de criar exército secretos na Europa Ocidental para resistir a uma invasão soviética. Essa operação foi chamada de Gládio. Ela foi de início coordenada pelo Comitê Clandestino para a Europa Ocidental (Clandestine Comitee for Western Europe - CCWC), fundado em 1948. Após a criação da NATO em 1949, este foi integrado no Comitê de Planejamento Clandestino (Clandestine Planning Comitee - CPC) fundado em 1951 e dirigido pelo SHAPE - (Supreme Headquarters Allied Powers Europe), transferido para a Bélgica após a saída da França da NATO em 1966 (a operação Gládio francesa manteve-se, contudo).

Coordenados pela NATO, (os exércitos clandestinos) eram dirigidos pelos serviços secretos europeus em cooperação com a CIA e o SIS britânico (também chamado de MI6 (serviço internacional de inteligência da Grã Bretanha - MI é apenas uma sigla para "Ministry of Intelligence") que recrutariam os operacionais e este seriam treinados pelos Boinas Verdes americanos e os britânicos do SAS. Depois da Segunda Guerra Mundial o SOE - Special Office Executive foi desbaratado e as Forças Especiais britânicas na década de 1950 na forma do 22 SAS - Serviço Aéreo Especial assumiu a responsabilidade para ajudar o MI6 para montar uma rede de resistência na Europa Ocidental conta uma invasão soviética.

Os soldados clandestinos da NATO (muitos destes operacionais eram recrutados entre os anti-comunistas radicais, ex-nazistas e ex-fascistas) seriam armados com depósitos subterrâneos de armamento, prepararam-se para uma eventual invasão soviética e a ocupação da Europa Ocidental, bem como para um eventual crescimento dos partidos comunistas locais. A rede clandestina internacional cobria os países membros da NATO, incluindo a Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Noruega, Portugal, Espanha e Turquia, assim como países neutros na Europa, como a Áustria, Finlândia, Irlanda, Suécia e Suíça.

Os exércitos secretos da NATO tinham códigos de acordo com o seu país como por exemplos:

Itália - Gladio
Bélgica - SDRA8
Dinamarca - Absalon
Alemanha - TD BJD
Irlanda - Taca na hÉireann
Grécia - LOK
Luxemburgo - Stay-behind
Holanda - I&O
Noruega - ROC
Portugal - Aginter
Suíça - P26
Turquia - Counter-Guerrilla
Suécia - AGAG
Áustria - OWSGV

Infelizmente muitos membros destes exércitos secretos se envolveram em atentados terroristas em seus próprios países, como por exemplo na Itália. Porém é importante saber que nem todos esses exércitos secretos participaram em atentados e compreender o que os diferenciava, porque eles tinham duas atividades distintas. As estruturas clandestinas da NATO, no conjunto chamadas Stay Behind, estavam concebidas para levar a cabo guerrilhas em caso de ocupação da Europa Ocidental por parte da União Soviética. Um certo número de países que sofreram a ocupação alemã, como a Noruega, queriam tirar lições da sua incapacidade demonstrada de resistir ao ocupante e disseram a si próprios que, em caso de nova ocupação, deveriam estar mais bem preparados e ter um exército secreto como segunda opção, se porventura o exército clássico ficasse desfeito. Havia nesses exércitos secretos gente honesta, patriotas sinceros que queriam simplesmente defender o seu país em caso de ocupação.

O SAS e o SBS participaram ativamente do treinamento de poloneses, italianos, suíços e húngaros no período de 1983-84.  Eles eram treinados tanto em Poole quanto em Hereford em técnicas de sobrevivência, explosivos, uso de pequenas armas, espionagem, pára-quedismo e mergulho. Bauer foi o responsável direto por uma parte do treinamento de um grupo de sete poloneses, nascidos na Grã-Bretanha, que pouco antes do conflito conta os soviéticos foram infiltrados em Gdansk através de um navio de bandeira panamenha em uma operação conjunta da CIA e do MI6.

Suprimentos e Logística

Como o havia provado de forma tão espetacular a ponte aérea dos EUA, era possível a rápida substituição de pessoal por via aérea. A empresa aérea soviética Aeroflot há anos vinha sendo organizada e preparada para a tarefa de recompletamento de pessoal e, nos "exercícios" que precederam a invasão, havia sido totalmente mobilizada para tal fim. Alguma movimentação de carga, até mesmo pesada, era possível por ar, porém tonelagens muito grandes de combustível e munição não podiam ser manipuladas com tanta facilidade, e muito menos o grande número de equipamentos pesados como os tanques, os canhões autopropulsados e os BMP, que eram necessários para as reposições às tropas. Finalmente, era impossível movimentar todo o material de uma formação blindada ou motorizada que avançava para substituir outra, exausta ou reduzida pelo combate.

Movimentações rodoviárias podiam ajudar, mas, apesar de todas as desvantagens na manipulação do equipamento, o meio essencial de transporte para formações de combate continuava a ser a ferrovia. Grandes melhoramentos haviam sido introduzidos nos últimos anos no sistema ferroviário de apoio dentro do Pacto de Varsóvia. Bitolas haviam sido unificadas, equipamentos padronizados, linhas multiplicadas. Longos trechos de leito permanente, no entanto, permaneciam vulneráveis à interferência e só ficavam a salvo quando sob estreita e permanente vigilância, o que consumia um grande contingente de pessoal militar. Os ataques da resistência, nesses longos trechos, estavam-se tornando um grave e crescente problema, que absorvia nas missões de proteção um número crescente de formações que deveriam estar indo para a frente.

A União Soviética sempre gozara das vantagens de linhas terrestres de comunicação relativamente curtas entre a área provável de operações e as bases permanentes. Os Estados Unidos tinham de atravessar o Oceano Atlântico, o que implicava em distâncias muito maiores e tráfego menos seguro, em transportes de carga mais lentos e menos eficientes. O transporte aéreo havia alterado esse quadro e reduzido a desvantagem dos Estados Unidos. Mas não podia removê-Ia totalmente. Essa era uma situação que a União Soviética sempre procurara explorar em todas as discussões a respeito da redução recíproca de forças. A vantagem das rotas terrestres sobre as marítimas sempre existiria, porém a ação de resolutos membros da resistência, mantida apesar das medidas de repressão e punição cuja própria brutalidade ressaltava a importância do que estava acontecendo, já estava conseguindo reduzi-Ia.

Em termos absolutos, além do mais, a massa e o volume (para não falar no custo) de tudo o que era necessário, particularmente em combustível e munição, para manter um exército em operações de campanha em ritmo intenso contra um adversário similarmente equipado, eram agora muito grandes.

Houveram salto quantitativo desde a Segunda Guerra Mundial. A guerra do Oriente Médio dos anos 70 o havia demonstrado muito claramente, mesmo que em escala relativamente pequena. Simplesmente não era mais possível, à razão na qual os estoques eram agora exauridos, manter operações de guerra intensas por meses e meses. O número de homens ou de equipamentos não constituía mais a verdadeira avaliação de um exército. Formações de grandes números podiam ser agora mais um tropeço que uma vantagem, a não ser que pudessem ser mantidas efetivamente em ação.

A filosofia soviética de como a guerra devia ser encarada, fossem quais fossem suas origens, nas circunstâncias da década dos 80 era inteiramente correta. Ela recomendava o lançamento de uma ação ofensiva total e violenta, seguida da rápida conquista de um objetivo valioso. A posição de vantagem militar assim obtida seria, então, explorada para fins políticos. A velocidade era tudo. O corolário disso era que o fracasso na conquista do objetivo em tempo útil teria de resultar numa reavaliação total, na qual a insistência em pressionar no sentido do mesmo objetivo poderia muito bem ser o caminho menos sensato.

Nas operações na Região Central, em seu momento mais agudo na Saliência de Krefeld, o avanço do Pacto de Varsóvia jamais chegou além de Jolich. O recém-chegado Corpo americano, trazido pelo comboio CAVALRY, já estava, a 16 de agosto, concentrando-se no flanco ocidental. Isso trazia uma ameaça que, analisada em conjunto com a ofensiva em direção ao norte do Grupo de Exércitos Norte, poderia significar nada menos que uma detenção do avanço e uma mudança forçada para uma atitude defensiva (para a qual o Exército Vermelho não era bem adequado) ou, então, para uma retirada.

A Divisão francesa disposta na área de Maastricht na situação de emergência de 13-14 de agosto foi substituída tão logo o grosso das tropas americanas começou a chegar. Ela se reuniu ao restante do Grupo de Exércitos Sul, que agora estava em condições, com um pouco mais de reforço do poder aéreo Aliado, de iniciar uma contra-ofensiva na direção da fronteira da Tchecoslováquia. Esta começou no dia 17 de agosto. A essa altura a ofensiva para o norte do NORTHAG já havia reconquistado a Floresta Teutoburga, porém não conseguira abrir mais caminho pelas pesadíssimas defesas de flanco formadas a partir de um reagrupamento da retaguarda das forças do Pacto que, nesse momento, dificilmente poderia ser chamado de retirada.

Examinamos com algum detalhe as circunstâncias que levaram ao abandono do plano inicial do Pacto de Varsóvia e do reagrupamento da retaguarda que a isso se seguiu. Os acontecimentos das semanas seguintes podem ser descritos mais rapidamente. Antes de continuarmos, no entanto, alguns comentários sobre a maneira pela qual o SACEUR conduziu a batalha não ficariam deslocados.

Foi uma situação muito difícil. O Supremo Comandante estava inteiramente resolvido a evitar o uso de armas nucleares táticas se isso fosse possível, na total convicção, que compartilhava com o Presidente dos Estados Unidos, de que isso não produziria qualquer resultado senão o da rápida escalada para o pesadelo da retaliação nuclear estratégica irrestrita, com resultados que não poderiam deixar de ser desastrosos. Como Comandante do Teatro ele estava igualmente resolvido a manter em suas próprias mãos, pelo maior tempo que pudesse, as modestas reservas que constituíam o máximo de sua capacidade final para influir na batalha. Ele estava entre os dois pólos de um dilema, precisamente o mesmo dilema que trouxera tanto mal-estar nos debates quanto à "defesa avançada" da FRG. Para ser capaz de enfrentar uma força muito superior, sem ceder terreno, era necessário contar com tropas adicionais no local - ou usar armas nucleares.

Os Comandantes subordinados do SACEUR vinham-no pressionando para que fornecesse uma coisa ou outra, de forma cada vez mais urgente. Alguma ação de contra-ofensiva para aliviar a pressão no ponto vital era criticamente necessária. Foi a perspectiva da chegada do comboio transatlântico de reforço que justificou, a seus próprios olhos, poder aceitar o risco calculado (e calculável) de liberar suas únicas reservas disponíveis para essa ação, antes que novas formações para reconstituí-Ias estivessem firmes em suas mãos. Deve-se acrescentar que tal decisão fortaleceu muito sua capacidade de resistir a maiores pressões a favor da liberação nuclear.

O que se torna perfeitamente claro no presente contexto é que sem a Marinha dos EUA, auxiliada pelos Aliados Europeus, não haveria novos reforços para o Comando Aliado na Europa, a não ser em termos de unidades leves, a partir do início das hostilidades.

Os  C-141 da USAF ao lado dos C-5 foram o sustentáculo da ponte aérea sobre o Atlântico Norte

Sem o poderio aéreo Aliado a movimentação de tropas para o Teatro e a entrega a salvo do equipamento essencial seria impossível. Sem a expectativa de reforços dentro de pouco tempo, o SACEUR teria enfrentado uma escolha entre a entrega de seus últimos meios capazes de influir na batalha ou, pela obtenção da ordem de liberação de armas nucleares táticas, engajar o mundo na certeza de um futuro catastrófico. Sem a corajosa combatividade das Forças Territoriais Alemãs, somando-se ao notável desempenho das forças regulares da FRG, a contra-ofensiva Aliada poderia não ter conseguido jamais sair de sua linha de partida. Sem a potência e a flexibilidade do poderio aerotático Aliado, bem como de sua hábil exploração, a batalha pela Região Central teria sido perdida quase que antes de ser iniciada. A relação do que poderia ter ido mal é muito longa. Não há dúvida de que foi muito apertado.

Um Tornado GR.1 IDS do 17° Esquadrão da RAF em missão de interdição na retaguarda do Pacto de Varsóvia. Ele está lançando submunições de dois pods JP-233, pesando cada um 2.335kg. O pod JP233 leva 30 pequenas bombas destruidoras de pistas SG357, de descida retardada por pára-quedas e 215 minas HB875.

O movimento para a retaguarda das forças do Pacto de Varsóvia na República Federal não foi o recuo de um exército derrotado. Embora sempre sob pressão das forças Aliadas, que cresciam constantemente em número, penetrando onde podiam e jamais deixando de manter aquela intimidade de contato que era agora uma espécie de apólice de seguro contra o ataque nuclear, as forças do Pacto de Varsóvia mesmo assim continuavam a poder estabelecer superioridade local quase que à sua vontade e manter alto grau de controle tático no limite avançado do seu campo de batalha. Elas haviam, no entanto, fracassado no que tinham tido a intenção.de fazer, e a oportunidade para chegar a fazê-Io não podia ser novamente criada. Tentar fazê-Io iria tornar-se cada vez mais perigoso e difícil. O caminho mais sábio seria o da retirada.

Ocupamo-nos aqui apenas da situação militar que enfrentava o Comando Aliado na Europa. Os desenvolvimentos políticos, muito particularmente os que apareceram dentro do Pacto de Varsóvia, e que se tornariam questão de primordial importância em estágio mais adiantado, são outra questão.

Na área das AFNORTH, toda a Dinamarca e o norte da Noruega permaneciam ocupados. Um discreto movimento de elementos administrativos soviéticos, com tropas de segurança e unidades de guarda, que eram virtualmente tudo o que entrara na Itália nos primeiros dias de agosto, para abandonar a área das AFSOUTH, havia começado. No fim do mês o governo italiano, dominado pelos comunistas, estava entregue à própria sorte, para reconciliar-se da forma que pudesse com seus antigos Aliados do Tratado do Atlântico.

Na Região Central a retirada quase que imediata das Divisões soviéticas da Saliência de Krefeld, após o início da contra-ofensiva do NORTHAG a 15 de agosto, foi o início de um ordenado movimento para a retaguarda ao longo de toda a frente do Pacto de Varsóvia - com a única e possível exceção do extremo sul - sob firme controle tático soviético. Uma concentração de quatro Divisões soviéticas ao norte de Osnabrück, com frente para o sul, mantinha aberta a dobradiça sul de uma porta que poderia de outra forma ser fechada sobre as formações do Pacto que se moviam para o Leste, saindo dos Países Baixos e do extremo ocidente da República Federal, importunadas em seu caminho por ataques aéreos aliados e pela ação do II Corpo Britânico. A cabeça de ponte aérea aliada em torno de Bremen, que poderia ser a dobradiça da metade norte da porta do NORTHAG, estava sendo firmemente contida pelo inimigo; levaria algum tempo até que a limpeza de minas permitisse o acesso pelo mar. Apesar da pressão constante do sul a brecha entre a Floresta Teutoburga e o Mar do Norte jamais fora inteiramente fechada e as formações do Pacto podiam transitar por ele em direção ao leste, mesmo que fosse quase que só à noite. A artilharia Aliada provocou pesadas baixas e, apesar do ocasional estabelecimento de superioridade aérea local temporária pelas forças aéreas do Pacto, os ataques aéreos Aliados freqüentemente eram de devastadora eficácia. Uma renitente cortina de Divisões Blindadas e Motorizadas, entretanto, conseguia manter uma linha defensiva, o que, junto com contra-ataques locais, conseguia apenas impedir a ameaça do sul ao movimento para a retaguarda.

 

 Símbolo da OTAN.

O objetivo Aliado era menos o de infligir uma derrota punitiva no campo de batalha aos exércitos do Pacto de Varsóvia do que fazê-os sair, o mais rapidamente possível, da República Federal, com um mínimo de perdas Aliadas e danos colaterais. A partir da junção com o NORTHAG, que estava agora ocupando a linha que corria do norte para o leste através de Hildesheim, o CENT AG manteve contínua e pesada pressão sobre as formações do Pacto movendo-se para o leste (sem que houvesse mais nenhuma batalha de aferramento) até o sul, na junção com o SOUTHAG. A 28 de agosto não havia qualquer tropa do Pacto de Varsóvia que se encontrasse em qualquer ponto da área do CENTAG (a não ser as capturadas), a oeste da Linha de Demarcação. Ficava claro, entretanto, que qualquer avanço de tropas Aliadas através da Linha seria violentamente resistido e as ordens do Comando Aliado na Europa, naquele momento, eram para que se ficasse ali.

No norte da Alemanha a situação era um pouco mais complicada. Bremen foi libertada a 20 de agosto. A 30 de agosto as forças do Pacto consolidaram-se ao longo da Linha de Demarcação a não ser nas vizinhanças de Hamburgo. Aqui o Rio Elba era a frente. Hamburgo, a despeito de sua proclamação como cidade-livre pelo Senat, havia sido ocupada pelos russos. A fim de evitar maiores danos a uma cidade até agora muito pouco danificada, bem como a perda de vidas civis, nenhuma tentativa havia sido feita até então pelos Aliados, para retomá-Ia.

Era só no extremo sul que as operações ofensivas ainda estavam ativamente em progresso. O Grupo de Exércitos Sul, com o 11º Corpo Francês, 111º Corpo Alemão e cerca de uma Divisão de tropas austríacas, todos sob comando francês e com pesada concentração de forças aerotáticas Aliadas em apoio, havia cruzado a linha de partida entre Nuremberg e Munique a 17 de agosto num avanço dirigido a Pilsen. Ele havia entrado na Tchecoslováquia a 20 e estava agora progredindo lenta porém ininterruptamente. Das tropas que o enfrentaram nenhuma era tchecoslovaca. Ao invés, o SOUTHAG estava agora enfrentando tropas soviéticas do VIII Exército de Guardas e o XXXVIII Exército, do Distrito Militar da Carpátia.

A 21 de agosto o avanço no sul foi detido, pelo menos temporariamente, com seu flanco esquerdo, onde estava disposto o 11 Corpo Alemão, a sudoeste de Cheb. Desde então tornou-se claro que o Grupo Central de Forças Soviéticas estava preocupado com a possibilidade de uma invasão da GDR pelo sul e tinha ordens de resistir a todo custo se ela efetivamente fosse iniciada. Hoje pode ser seguramente afirmado que o impacto do avanço no sul conseguiu desequilibrar consideravelmente as operações do Pacto de Varsóvia na Região Central da NA TO e, portanto, colaborou para apressar a retirada na planície norte.

Poucas semanas se haviam passado desde aquela manhã de 4 de agosto, quando o mundo despertou para ver-se novamente com uma guerra de grandes proporções nas mãos. Apenas um bolsão, embora importante, de território Federal continuava em mãos do inimigo. Muito embora ainda envolta em guerra, a República Federal pôde dar uma olhada em volta e fazer uma primeira avaliação dos danos.

Bremen estava em ruínas, Hannover também muito danificada, particularmente a leste e ao sul. Possivelmente em função da velocidade da ação, os danos das outras cidades não eram tão grandes. Kassel, Nuremberg e Munique haviam sofrido e as grandes cidades da Renânia não tinham sido poupadas, embora ainda uma vez as torres da catedral de Colônia houvessem, surpreendentemente, sobrevivido. Porém embora o futuro fosse sombrio e a paz ainda não estivesse à vista, o pior parecia ter sido evitado, pelo menos por enquanto. A invasão da República Federal da Alemanha pelo Pacto de Varsóvia havia fracassado e a Aliança Atlântica havia sobrevivido.



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