OVERLORD - DIA D - NORMANDIA (FRANÇA) - 1944

1- A PREPARAÇÃO


1- A PREPARAÇÃO

2 - O PLANO

3 - O INIMIGO

4 - OS ALIADOS

5 - ASSALTO AEROTERRESTRE

6 - DESEMBARQUE 

NAS PRAIAS

7 - O FIM DO DIA

8 - O DIA-D 

HORA A HORA


Mesmo quando a Inglaterra estava sozinha lutando contra o Nazismo após este ter dominado quase toda a Europa em 1940, derrotando a França, Holanda e Bélgica e infligido aos britânicos a humilhação de Dunquerque e os famigerados raids da Luftwaffe sobre Londres, Churchill já sonhava com a retomada do continente através de um grande desembarque anfíbio. Para isso os britânicos criaram os comandos, ampliaram os pára-quedistas, adaptaram unidades da Marinha, realizaram inúmeros pequenos pequenos desembarques anfíbios como os comandos, com a exceção de Dieppe,  e começaram a desenvolver novos equipamentos, armas e táticas para a futura grande invasão da Europa.

 Os três grandes: Joseph Stalin, Franklin Roosevelt, e Winston Churchill, em Teerã - 1943

Os três grandes: Joseph Stalin, Franklin Roosevelt, e Winston Churchill, na cidade de Teerã em 1943.

Este sonho começou a ser tornar realidade quando na Conferência de Casablanca, em janeiro de 1943, os Aliados decidiram organizar um estado-maior interaliado para planejar a invasão da Europa. O Chefe do Estado-Maior, que se reportava ao Comandante Supremo das Forças Aliadas (a ser designado), Frederick Morgan, era inglês, e seu vice, o Major-General Ray W., era americano.

Na ultima reunião da Conferência do Cairo, a 6 de dezembro de 1943, o Presidente Roosevelt nomeara o General Dwight David Eisenhower, Comandante Supremo das Forças Aliadas para a Operação Overlord. Antes que ele assumisse suas novas funções, como generosamente reconheceu mais tarde, o Tenente-General Frederik E. Morgan já tinha "tornado o Dia D possível". Baker, era oficial do exército norte-americano. A organização tornou-se conhecida como COSSAC. Morgan recebeu suas diretrizes a 26 de abril de 1943. "Nosso objetivo", afirmavam elas, "é derrotar as forças combatentes alemãs a noroeste da Europa". Elas instruíam a COSSAC a elaborar planos para uma escalafla total contra o continente logo no início de 1944, com "uma camuflagem cuidadosa e um esquema diversionista" que se estendesse pelo verão de 1943, para mobilizar os alemães no ocidente, mantendo-lhes viva a expectativa de invasão aquele ano. No caso de derrota dos alemães, deveria estar pronto um plano para deslocar todas as forças disponíveis no Reino Unido para o Continente. 

A questão solucionada com maior facilidade foi a da zona de desembarque. A Holanda estava fora de cogitação, devido às inundações. As praias belgas foram eliminadas, por causa da violência das correntes costeiras. A Bretanha apresentava facilidades tentadoras, mas estava um pouco longe demais das costas inglesas e suas comunicações com o interior da França era defeituosas. O Pas de Calais apresentava muitas vantagens, mas estava poderosamente fortificado, e faltam-lhe, aliás, praias propícias. Restavam, na competição, a alta e a baixa Normandia: Havre-Dieppe contra Caen-Cheburgo. Morgan organiza duas equipes que trocam argumentos e contra-argumentos sobre a exposição e a acessibilidade dos litorais, o escoamento das praias, a solidez das organizações alemães, etc. A equipe baixo-normanda ganha, conquista para os Calvados e o Cotentin, o privilégio de receber o furacão de fogo e aço.  

Na Conferência Trilateral, realizada em Washington em maio de 1943, a data para a Overlord ficou estabelecida em l º de maio de 1944. A COSSAC recebeu uma lista das forças que, pensava-se, estariam disponíveis: 5 divisões de infantaria em embarcações de assalto; 2 divisões de infantaria de reforço; 2 divisões aerotransportadas e 20 divisões para serem mobilizadas na área ocupada. 

 

A tomada e desenvolvimento de portos permitiria o desembarque de divisões diretamente da América, ou de outro lugar, a uma média de 3 a 5 por mês.

As embarcações de assalto e de desembarque deveriam somar cerca de 3.300. Parece um número enorme, mas na verdade a escassez de barcaças de desembarque afetaria os o Aliados até o fim da guerra na Europa. Cerca de 11.400 aviões, incluindo 632 para operações de transporte aéreo, estavam disponíveis.

Na primeira semana de junho, o General Morgan foi informado de que teria de apresentar o esboço de seu plano a 1º de agosto de 1943. O que lhe fora possível fazer devera-se à política agressiva de Winston Churchill, o qual, mesmo antes de Dunquerque, ordenara incursões ao litoral ocupado pelo inimigo e planos para um eventual retorno à França. A pequena organização sob o General A. G. B. Bourne, os Royal Marines, encarregada desta tarefa em 1940, expandira-se sob o Almirante-de-Frota Sir Roger Keyes. Depois houve uma expansão significativamente maior sob o Vice-Almirante

Mountbatten, cujo Quartel-General de Operações Combinadas, embora ligado ao Almirantado, à Secretaria da Guerra e ao Ministério da Aeronáutica, gozava de relativa autonomia. Mountbatten, que tinha patente equivalente nos três serviços, era membro dos Chefes de Comité do Estado-Maior. Era autoridade reconhecida no planejamento e na execução de assaltos navais, tanto em incursões de, comandos como em invasões totais. O zelo e originalidade que Mountbatten imprimiu ao Quartel-General de Operações Combinadas permeou o estado-maior dos três serviços no planejamento da Overlord.

No Encontro Quadrilateral de Quebec, em agosto de 1943, depois de ser considerado pêlos Chefes do Estado-Maior Inglês e pela Junta de Chefes do Estado-Maior americano, o plano da COSSAC foi finalmente submetido a Churchill e Roosevelt pêlos seus Chefes Combinados do Estado-Maior. Foi aceito, com algumas modificações úteis. Churchill defendeu que as forças teriam de ser aumentadas em pelo menos 25% e que a frente de assalto deveria estender-se até a costa leste da península de Cherbourg. Os Chefes Combinados, embora de acordo em que a força deveria ser aumentada, se possível, não concordaram na alocação de navios e aviões.

Ao General Morgan foi então dada autoridade "para providenciar a ação executiva necessária para implementar aqueles planos aprovados pêlos Chefes Combinados do Estado-Maior". Desde então quatro meses aproximadamente se passaram antes da nomeação de Eisenhower, com Morgan trabalhando como Chefe do Estado-Maior para um Comandante Supremo desconhecido. Tudo o que se sabia era que, por sugestão de Churchill, ele seria americano, de vez que os Estados Unidos contribuiriam com a parcela maior da força aliada.

Eisenhower foi uma escolha admirável, não por sua experiência de batalha na Primeira Guerra Mundial, de que não participara, nem por habilidade estratégica fora do comum, mas por que sua falta de ambição pessoal, sua personalidade franca, calorosa e amiga tornavam-no apto a liderar uma equipe que incluía temperamentos tão idiossincrásicos quanto Patton e Montgomery. Filho de um ferroviário texano, foi criado na pobreza, roas estudou para oficial de carreira na West Point, sendo comissionado em 1913. Serviu sob o grande General Douglas MacArthur nas Filipinas e posteriormente atraiu a atenção do General George C. Marshall, que foi o principal conselheiro , militar de Roosevelt durante a guerra. Eisenhower dificilmente chegaria à estatura de qualquer daqueles gigantes, mas-era um excelente diplomata e gozava de grande popularidade junto aos ingleses. 

Como Vice-Comandante Supremo foi escolhido um inglês, o Marechal-Chefe-do-Ar Sir Arthur Tedder. Ele já tinha trabalhado harmoniosamente com Eisenhower em 1943, quando comandante-em-chefe das Forças Aéreas Aliadas no Mediterrâneo. Seu sucesso em planejar e executar operações sobre a Tunísia, a Sicília e a Itália fez dele uma excelente escolha, pois era evidente que a força aérea seria de primordial importância na campanha que estava pela frente. Eisenhower considerava-o "um dos poucos grandes militares líderes de nosso tempo". Um comentário da Luftwaffe é lisonjeiro: "Tedder tem bom relacionamento com Eisenhower, ao qual é superior tanto em inteligência quanto em energia. As operações que em seguida virão, serão em grande parte conduzidas por ele . . . Evidentemente estamos às voltas com uma das mais iminentes personalidades entre os líderes da invasão."

Naturalmente Eisenhower preferiu manter seu chefe de estado-maior de confiança, o Tenente-General W. Bedell Smith, que estivera com ele no Norte da África, na Sicília e na Itália. Embora rude, ele sabia ser diplomático. Morgan, cujo conhecimento do desenvolvimento do plano da COSSAC era inestimável, foi nomeado o vice-chefe do estado-maior.

O comandante naval foi o Almirante Sir Bertram Ramsay, o homem que recolhera a Força Expedicionária Inglesa (BEF) nas praias, de Dunquerque. Ele colaborara no plano de desembarque no Norte da África em 1942 e comandara a Força-Tarefa Naval Oriental no assalto à Sicília. Era um homem meticuloso que acreditava na atenção e no detalhe - existem azares demais no mar para se deixar as coisas ao acaso quando se está envolvido. Alguns' dos almirantes americanos criticavam o excesso de detalhes em suas ordens. Ramsay permanecia calmo e cortês.

O comando das Forças Aéreas Táticas Aliadas foi dado ao Marechal-Chefe-do-Ar; Sir Trafford Leigh-Mallory, o qual, como Ramsay, tinha qualificações especiais para essa função. Depois de comandar o 12° Grupo na Batalha da Inglaterra, ele foi o comandante da Força Aérea da Royal Air Force School of Army Cooperation e oficial comandante-em-chefe da Aeronáutica, do Comando Combatente. Fora preparado para resistir aos "barões bombardeiros".

O comando dos  exércitos aliados, o 21° Grupo do Exército, foi dado ao General Sir Bemard Montgomery. Eisenhower mostrara preferência pelo General Sir Harold Alexander, mas o governo inglês sentiu que o vencedor de El Alamein não  poderia ser deixado de lado. E Alexander tinha todas asqualida-, dês para encabeçar a equipe mista de aliados que abria penosamente seu caminho através da Itália. Assim, coube a Montgomery o comando das forças terrestres na Overlord. Tratava-se de um homem estranho, na verdade não muito amável, embora com suficiente senso de humor para se divertir com suas próprias peculiaridades, entre as quais, além dos modos bruscos, se incluía uma linha direta com o Todo-Poderoso. Conquanto mal relacionado com alguns colegas - Patton, por exemplo, o detestava - ele exercia uma influência quase mágica sobre o soldado inglês. Quando Montgomery estava no comando, as tropas se julgavam imbatíveis. Mesmo sendo um comandante de espírito forte, eficiente e incansável, não se pode dizer dele que possuísse dons especiais de estrategista. Contudo, seu maior revés, na primavera de 1944, em Arnhem, não desmereceu seu futuro. Decididamente, porém, seu caminho foi entretecido de louros. Não derrotara ele ao grande Rommel?

O comando do 1º Exército Americano, composto pelo 5o e o 7o Corpos, cada um com uma divisão reforçada, era um dos dois exércitos de assalto, caiu nas mãos seguras do Tenente-General Ornar N. Bradiey. Comissionado em 1915, Bradiey só foi feito tenente-coronel em 1936, já aos 43 anos. Durante a Segunda Guerra Mundial a promoção veio com rapidez, e na Tunísia e na Sicília ele foi um comandante de corpo. Ele e Eisenhower eram amigos desde West Point, e o último descreveu Bradiey como "habilidoso, de reputação excelente, um soldado diligente e de larga formação". Os homens de imprensa, liderados por Ernie Pyle, criaram-lhe sua inclinação, e ele tornou-se "o general dos alistados". 

O exército de retaguarda deste grupo, o 12° Grupo do Exército, era o Terceiro Exército dos Estados Unidos, sob o dinâmico e talentoso Tenente-General George S. Patton. Seu exército não tomou parte no desembarque do Dia D, mas só sua existência constituía uma fonte de aborrecimentos para von Rundstedt.

O outro exército de assalto do 21° Grupo do Exército era o 2º Exército Inglês, composto pelo 1o e o 3o Corpos, um com duas divisões, o outro com uma apenas, cujo comandante, o Tenente-General Sir  Miles Dempsey, estivera à frente de um corpo na Sicília e na Itália. Tratava-se de um comandante excepcionalmente capaz, mas, à diferença da maioria de seus contemporâneos, ele não deixou memórias, sendo, portanto, relativamente pouco conhecido hoje. De bom temperamento, firme, confiante e moderado, era tremendamente respeitado por todos os que o conheciam. Tinha uma perfeita compreensão do exército sob seu comando e o dom de dar ordens verbais claras e precisas. Sobretudo, era capaz de trabalhar com Montgomery, aparentemente sem o mínimo atrito. Mais de um general inglês de muito menos valor culminou sua carreira com o bastão de marechal-de-campo nas mãos! O Primeiro Exército Canadense, sob o Tenente-General Henry D. G. Crerar, era o exército de retaguarda do 21° Grupo do Exército. Só se tornou operacional em 23 de julho. Não obstante, sua existência tinha de ser levada em conta pêlos alemães.

Comandantes aliados:

General Bradley,, Almirante Ramsey,  Marechal Tedder, General Eisenhower, Marechal Montgomery,  

Marechal Leigh Mallory ,General Bedel Smith