OVERLORD - DIA D - NORMANDIA (FRANÇA) - 1944

4 - OS ALIADOS


1- A PREPARAÇÃO

2 - O PLANO

3 - O INIMIGO

4 - ALIADOS

5 - ASSALTO AEROTERRESTRE

6 - DESEMBARQUE 

NAS PRAIAS

7 - O FIM DO DIA

8 - O DIA-D 

HORA A HORA


4 - OS ALIADOS

Fonte: http://www.t2w.com.br/img.asp?img=images/ordembatalhaaliada.jpg

ESTADOS UNIDOS

As forças americanas do 1o Exército, do General Bradley, deviam assaltar a praia Varreville (Utah) e a praia Saint Laurent (Omaha). O 7o Corpo do General Collins devia participar, com a 4a Divisão de Infantaria, do assalto contra a praia Utah, justamente ao norte do estuário do Vire. Durante os primeiras horas da manhã do Dia D, a 82ª e a 101ª Divisões Aerotransportadas seriam lançadas sobre o setor oeste e sudeste de Sainte-MèreEglise, onde sua, missão consistiria em capturar as pontes sobre o rio Merderet, obter o linha do rio Douve como barreira, e apoiar o desembarque da 4a Divisão de Infantaria na praia. Esperava-se que, ao final do Dia D, o 7o Corpo, com as divisões aerotransportadas sob o seu comando, controlaria a zona a leste do rio Merderet, desde o sul de Montebourgo até o Douve. 

O 5o Corpo do General Gerow planejou o seu ataque a uma extensão de praia de 7.000 metros, conhecida com o nome-código de Omaha, sobre a costa norte de Calvados, perto de Saint Laurent. Uma equipe de combate da 29a Divisão de Infantaria à direita, e uma equipe de combate da 1a Divisão de Infantaria à esquerda, ambas sob o comando da 1a Divisão de Infantaria, deviam atacar na leva inicial. 

O principal objetivo do 7o Corpo, apoiado pelas divisões aerotransportadas, era cortar a península de Cotentin, para evitar o ataque pelo sul, e, avançando rumo ao norte, tomar o porto de Cherburgo, o que se esperava para o Dia D + 8.

O Exército dos Estados unidos

Após a Primeira Guerra Mundial, o exército americano saiu amadurecido e orgulhoso de que havia acabado com a guerra na Europa. Contudo, os Estados Unidos se trancaram no "isolacionismo" e se esforçaram ao máximo para se manter bem longe das querelas européias. Da mesma forma, suas forças armadas, embora conscientes de que poderia "sobrar para elas", não se empenharam em se aprimorar ou lhes faltaram os recursos para isso. Em 1939, a divisão de infantaria americana era rigorosamente a mesma que terminara a Grande Guerra: duas brigadas de infantaria, cada uma com 4 batalhões, e uma brigada de artilharia (incluindo outras unidades, a divisão contava um efetivo de 18.500 homens). Em 1939, afinal, começaram a acontecer modificações, com certeza visando a rápida expansão que seria necessária em caso de guerra. O regimento passou a contar com 3 batalhões e surgiu a chamada "divisão triangular" (12.500 homens), onde as brigadas foram extintas e a infantaria foi agrupada em três regimentos. Foi com essa divisão que os EUA lutaram na Segunda Guerra Mundial. Em 30/09/39, o US Army contava com apenas 5 divisões de infantaria e 1 de cavalaria "regulares", espalhadas em guarnições por todo o país. No papel, o Exército Regular contava com 26 divisões, mas, excetuando aquelas 6, nenhuma tinha qualquer efetivo. Não havia divisão blindada nem aeroterrestre alguma e a arma aérea ainda era uma parte do Exército, ignorando a criação da Força Aérea efetuada por outras grandes nações, incluindo Grã-Bretanha (RAF), França (L'Armée de I'Air) e Alemanha (Luftwaffe). A Guarda Nacional era formada pelos Estados e controlada por eles, embora, a partir de 1903, tivesse que se organizar e equipar conforme modelo federal. No papel, contava ela com 18 divisões de infantaria e 4 de cavalaria. Então os EUA entraram na guerra e a expansão do Exército foi vertiginosa. Chegaram à média de ativar 4 divisões por mês.

As Divisões de infantaria do US Army: A Divisão de Infantaria "Triangular" baseava-se em que seus elementos de infantaria eram organizados sempre em três: 3 regimentos de 3 batalhões de 3 companhias de fuzileiros (mais uma de petrechos pesados). Além disso, a divisão contava com 3 grupos (batalhões) de artilharia de 105 mm mais 1 de 155 mm e 1 batalhão de engenharia de combate. Durante a guerra, era normal que pelo menos um batalhão de tanques e/ou tank destroyers fosse anexado à • divisão, dependendo da missão e do terreno. A 36ª Divisão (da Guarda Nacional do Texas) só recebeu um batalhão de tanques e um de tank destroyers (753º e 636º, respectivamente) a partir da invasão da Provença (15/08/44), embora estivesse combatendo na frente italiana desde 09/09/43. No Teatro do Pacífico, raramente um batalhão desses era anexado a uma divisão, pois os tanques japoneses só muito raramente representavam uma ameaça séria. Note que a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária Brasileira foi organizada nesses moldes.

BRITÂNICOS

Ao se encerrar a Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha estava exaurida em todos os sentidos: seu potencial humano estava esgotado, sua economia em frangalhos, seu moral arruinado. Gerações inteiras estavam agora sepultadas na Flandres e qualquer um que falasse em desenvolvimento militar na Inglaterra, nas décadas de 20 e a maior parte do de 30, era ignorado ou atacado. A Grande Guerra havia sido a guerra para acabar com todas as guerras e todo mundo na Inglaterra queria que isso fosse verdade. Sendo assim, o exército britânico viveu à míngua nesse período (a ponto do futuro general Slim, conquistador da Birmânia, ter então que escrever crônicas para um jornal, sob pseudônimo, para melhorar a renda). O seu efetivo era tão pequeno que a RAF foi incumbida de fazer a guarnição do Iraque. Suas armas eram as mesmas da guerra anterior e sua organização sofrera reduções. Mas então o nazismo chegou ao poder na Alemanha e os ingleses foram lentamente acordando para a triste realidade de ter que se preparar para outra guerra.

A organização militar britânica não mudou consideravelmente de uma guerra para outra: a diferença mais marcante é que a brigada passou a ter três batalhões ao invés de quatro. A forma de recrutamento no Exército Britânico é única no mundo: o cidadão se alista no "Regimento" de seu condado. Este regimento, na verdade, não é uma unidade de combate, mas apenas um órgão de recrutamento. Ele forma batalhões que se tornam disponíveis para emprego pelo Exército como batalhões independentes ou, com outros batalhões, formar brigadas e divisões. Apenas como um exemplo, temos a composição da 231ª Brigada de Infantaria (parte da 50ª Divisão na Normandia): 2º Batalhão do Regimento Devonshire; 1º Batalhão do Regimento Hampshire e 1º Batalhão do Regimento Dorsetshire. Essa organização, por outro lado, não era rígida, fixa e nem mesmo se prendia à nacionalidade. A 3ª Brigada da 6ª Divisão Aeroterrestre continha um batalhão canadense (1º Batalhão Pára-quedista canadense).

A própria 231ª só se incorporou à 50ª DI nos preparativos para a invasão da Normandia, pois a divisão perdera uma brigada em combate na África do Norte. As divisões britânicas, além disso, tinham "títulos" honoríficos (a relação está no apêndice).

O Exército Britânico lutou a 2ª Guerra Mundial com 6 tipos de divisões: Infantaria, Aeroterrestre, Blindada, Cavalaria, Mista e Motorizada. Contudo, apenas as três primeiras realmente combateram. A única divisão de cavalaria (1ª) foi formada em 31/10/39 e serviu na Grã-Bretanha e Oriente Médio, apenas em tarefas de guarnição. Foi reorganizada em 01/08/41 na Síria e tornou-se a 10ª Divisão Blindada. A Divisão "Mista" era uma divisão composta por duas brigadas de infantaria e uma blindada, mas isso foi apenas uma experiência realizada na Inglaterra em 1942/43 e então as divisões voltaram a ter três brigadas de infantaria (embora a 2ª Divisão Neozelandesa tivesse uma organização parecida com essa na campanha italiana). A Divisão "Motorizada" (digo isso entre aspas, pois, na verdade, praticamente todas as divisões de infantaria britânicas eram plenamente motorizadas) compunha-se somente de duas brigadas (o equivalente à divisão "ligeira" alemã), mas nunca foram usadas "pra valer". As formações canadenses seguiam o padrão britânico.

Divisão de Infantaria: a Divisão de Infantaria variou muito pouco em organização durante a guerra, embora tivesse consideráveis alterações em efetivo e composição. Em setembro de 1939, ela era composta por 1 regimento* de cavalaria, 3 brigadas de infantaria, 3 regimentos de artilharia e 1 regimento anti-tanque, o que lhe dava um efetivo de 13.863 homens. Em 1941, o regimento de cavalaria foi extinto e foi acrescentado um regimento de artilharia AA. Em 1944, ela tinha um regimento de reconhecimento equipado com carros blindados e contava 18.347 homens. Contudo, com a escassez de material humano cada vez mais aguda no transcorrer da guerra, isso significava que menos divisões poderiam ser empenhadas e várias acabaram dissolvidas antes de dar um tiro.

Títulos honoríficos das divisões de infantaria britânicas: As divisões do Exército regular não possuíam esses títulos. Eles se destinavam às divisões do Exército Territorial (o equivalente à Guarda Nacional nos EUA) e se referiam às regiões do recrutamento.

São elas:

- 12ª DI - Eastern

- 15ª DI – Scottish

- 18ª DI - Não teve

- 23ª DI - Northumbrian

- 38ª DI - Welsh

- 42ª DI - East Lancashire

- 43ª DI - Wessex

- 44ª DI - Home Counties

- 45ª DI - Não teve

- 46ª DI - Não teve

- 47ª DI - London

- 48ª DI - South Midland

- 49ª DI - West Riding

- 50ª DI - Northumbrian

- 51ª DI - Highland

- 52ª DI - Lowland

- 53ª DI - Welsh

- 54ª DI - East Anglian

- 55ª DI - West Lancashire

- 56ª DI - London

- 59ª DI - Staffordshire

- 61ª DI - Não teve

- 66ª DI - Não teve

50a Divisão (Nortumbriana)

Soldados britânicos da 50a Divisão (Nortumbriana) - Todos estão usando o uniforme padrão P37/40, capacete Mark II com rede e tiras, botas e tornozeleiras Mk 37 cinto Mk 37 bolsas Mk II & III, cantis Mk 37 e ferramentas de cavar. As armas consistem na Sten SMG Mk II, o fuzil Lee Enfield Nº 4 Mk I  7,7mm e a metralhadora Bren.

Divisão Blindada: chegamos afinal ao pior da história: a divisão blindada! A composição de uma divisão blindada britânica, no transcorrer da 2ª Guerra Mundial, variou de tal maneira que não se pode definir nenhuma composição como "padrão" antes do "Dia-D". Apesar de terem inventado o tanque, os britânicos simplesmente abandonaram o seu desenvolvimento em função da crônica falta de recursos nos anos 20 e 30. Além disso, as "profecias" de homens como Fuller e Lidell-Hart a respeito da futura guerra mecanizada não eram levadas a sério e a tradicional arma da cavalaria (como em todos os exércitos do mundo) se opunha à mecanização em larga  escala. Assim, quando a Alemanha invadiu a Polônia com 6 divisões blindadas, a Grã-Bretanha mal tinha duas (e uma estava no Egito). Em 1939, a DB britânica era composta por 1 brigada blindada "leve", 1 brigada blindada "pesada" (ambos a 3 regimentos) e um "grupo de apoio", composto por 1 regimento de artilharia, 1 regimento de artilharia AA/AT e 2 batalhões de infantaria motorizada. No papel, ela teria 349 tanques, sendo 54 tanques "pesados" (Matilda). Em 1940, alguém se mancou que era muito tanque para pouca infantaria e alterou a sua composição: a DB agora tinha 1 batalhão de infantaria motorizada em cada brigada blindada (extinguiu-se os termos "leve" e "pesada") e a artilharia foi reforçada com o desmembramento dos regimentos de artilharia AA e AT.

Em compensação, o "grupo de apoio" perdeu um batalhão de infantaria. Note que essa composição só entrou em vigor em outubro de 1940, ou seja, a 1ª DB já tinha sido destruída na França. Em 1942, em função da "surra" que as divisões blindadas britânicas estavam levando do Afrika Korps, a sua organização variou nada menos que três vezes. No início do ano surgia o "grupo de brigada", uma brigada blindada com infantaria, artilharia de campanha, artilharia AA e AT. Ao terminar o ano, uma DB britânica deveria ser composta por: 1 brigada blindada (a 3 regimentos, agora equipados com Shermans), 1 brigada de infantaria motorizada (o grupo de apoio foi abolido), 2 regimentos de artilharia, 1 regimento de artilharia AA e outro AT. O seu efetivo era de 186 tanques. Em abril de 1943, a DB recebeu de volta o seu regimento de reconhecimento blindado e um dos regimentos de artilharia passou a ser autopropulsado (e, ironicamente, passou para o comando da brigada de infantaria). A brigada blindada contava com 3 regimentos de tanques, 1 batalhão de infantaria motorizada, 1 regimento AT e 1 regimento AA (ao todo, 278 tanques). Isso tudo dito acima é, literalmente (e sem trocadilhos), "para inglês ver". Na batalha de El Alamein (23/10/42), a 10ª DB tinha duas brigadas blindadas (8ª e 24ª) e a 7ª DB chegou a ter 3 em certa ocasião (4ª, 7ª e 22ª), além de ter uma brigada motorizada indiana! A verdade é que as divisões blindadas britânicas engajadas em combate entre 1941 e 1943 só o foram na África do Norte, onde todo tipo de improvisação tinha de ser feito e os meios existentes quase nunca correspondiam ao que estava escrito no papel.

Mas essa bagunça acaba com os preparativos para o "Dia-D". Em março de 1944, as três divisões blindadas britânicas (7ª, 11ª e de Guardas), a 4ª canadense e a 1ª polonesa seguiam o mesmo modelo: 1 regimento de reconhecimento blindado, 1 brigada blindada (a 3 regimentos de tanques e 1 batalhão de infantaria motorizada), 1 brigada de infantaria (a 3 batalhões), 2 regimentos de artilharia (1 rebocado e outro autopropulsado), 1 regimento AT e outro AA, além de uma companhia independente de metralhadores. A divisão agora contava com 343 tanques (incluindo tanques AA). As divisões blindadas que permaneceram no Mediterrâneo (6ª britânica, 6ª sul-africana, 5ª canadense e 2ª polonesa) eventualmente adotaram a mesma organização.  Ironicamente, a veterana 1ª DB, que lutou na França em 1940, África do Norte e Tunísia não foi mais empenhada em combate e acabou dissolvida em 11/01/45. Realmente, um fim inglório.

Sherman VC Firefly da Tropa 3 dp Esquadrão A (Northamptonshire Yeomanry), França, Agosto de 1944.

O Sheman Firefly foi uma variação do tanque americano M4 Sherman, feita pelo exército britânico com uma mudança na torre de tiro, que em vez do canhão M L/40 de calibre 75 mm do Sherman original, possuía um canhão anti-tanque (17 libras (denominação britânica que designava o peso do projectil e não o seu calibre) - 76,2mm) como armamento principal de ataque. Foi provavelmente um dos mais poderosos modelos Sherman. Ele foi o único tanque Sherman de que os alemães tinham algum receio, o que já de si dá uma ideia da opinião que os alemães tinham sobre o principal tanque dos aliados. As alterações no Firefly foram consideráveis, para conseguir colocar um canhão bastante pesado na torre do Sherman, que era relativamente pequena. Foi mesmo necessário colocar contrapesos no canhão, que era extremamente longo para poder alterar a sua configuração dentro da torre. forem produzidos cerca de 1.200 para os britâncios.

(Fonte: http://www.areamilitar.net)

 

Commandos: Embora nunca chegassem perto do efetivo de uma divisão, não obstante causaram mais danos ao inimigo. Os "commandos" surgiram após o desastre de Dunquerque e se destinavam a mostrar aos alemães (e ao mundo) que a Grã-Bretanha continuaria a lutar. Eram pequenos destacamentos de tropa especialmente treinada para efetuar incursões ao longo da imensa costa defendida pelos alemães. Os seus efeitos foram incomensuráveis, pois divisões inteiras tiveram que ser estacionadas nas costas para evitar os ataques de algumas dezenas de homens. O caso mais flagrante foi a Noruega, pois durante anos um considerável exército foi mantido lá na expectativa de uma invasão aliada que nunca aconteceria, graças, em parte, à ação dos "commandos". Já com a maré da vitória virando para o lado aliado, essas tropas super-treinadas foram utilizadas em missões especiais, particularmente no "Dia-D".

A famosa boina verde dos Commandos: Certa vem durante um se observou que a falta de uniformidade quanto a cobertura era uma questão que precisa de solução. Nos Commandos haviam homens de 79 regimentos e corpos diferentes do Exército britânico e cada um deles usava a sua cobertura da unidade de origem. Desta forma havia uma coleção considerável de quepes, chapéus e boinas (de vários modelos).  Os Commandos 2 e 9 resolveram a questão adotando de forma unificada a típica boina escocesa (conhecida como tam o'shanter). Mas unidades como o Commando 1, quase que inteiramente formado por galêses, não gostou da idéia de usar boinas escocesas. Diante do problema pensou-se em vários tipo de cobertura e terminou-se escolhendo o modelo de boina usada pelos pára-quedistas ou unidades blindada, por serem práticas e fáceis de guarda. A iniciativa de se procurar uma cobertura unificada dos Commandos foi assumida pelo Commando 1. Quanto a cor, levou-se em consideração que os pára-quedistas já tinham as suas boinas vermelhas e o regimentos blindados as suas boinas pretas. Por isso essas cores deviam ser evitadas. Como opção os Commandos olharam para as cores da insígnia que o Commando 1 usava no ombro: uma salamandra (verde), sob o fogo (amarelo e vermelho). Esta insígnia foi projetado originalmente por Richmond Herald do College of Arms. Não era necessário ser um gênio para escolher entre as três cores, pois o verde era de longe a melhor opção, além de mais a cor verde foi escolhida por causa da sua associação heráldica com a caça.

Observação: Nas armas da cavalaria, blindados e artilharia, o termo "regimento" não se refere ao que foi dito sobre os órgãos de recrutamento da infantaria. Nessas armas, o regimento é uma unidade tática de combate de tamanho equivalente ao batalhão na infantaria.

Outras Formações BRITÂNICAS

 

 

79ª Divisão Blindada 

Criada no Reino Unido a 14/08/42. Em abril de 1943, foi reestruturada para ser uma divisão de blindados especiais (“Funnies”), sem contar com nenhuma infantaria nem artilharia. Embora seus elementos participassem do “Dia-D”, a divisão só desembarcou efetivamente a 12/08/44. Ela lutou no Noroeste Europeu, participando da conquista de Walcheren, da batalha de Reichswald e da travessia do Reno. Foi dissolvida a 31/08/45. A sua composição variou muito durante a campanha do Noroeste Europeu. As seguintes brigadas fizeram parte da divisão nesse período: 1ª Brigada de Tanques (07/05/44 a 16/10/44), 31ª Brigada de Tanques- depois Brigada Blindada (04/09/44 a 28/08/45), 30ª Brigada Blindada (17/10/43 a 19/06/45), 1ª Brigada de Assalto da Real Engenharia (10/05/44 a 16/01/45), 1ª Brigada de Engenharia Blindada (26/11/43 a 26/06/45) e 33ª Brigada Blindada (18/01/45 a 21/08/45).

30a Brigada Blindada

22° Dragoons

1º Lothians and Border Yeomanry (Westminster Dragoons)

141° Regimento RAC

1a Brigada de Tanque 11º, 42° e 49° Batalhões RTR

Distribuição dos "Funnies" da 79ª Divisão Blindada nas praias britânicas

Juno: Crabs do "B" Squadron/22nd Dragoons e A.V.R.Es  do 26th e do 80th Squadrons/5th Assaut Regiment
em apoio da
3ª Divisão de Infantaria Canadense

Sword: Crabs do "A" Squadron/22nd Dragoons e A.V.R.E.s do 77th e do 79th Squadrons/5th Assault Regiment em apoio da 3ª Divisão de Infantaria Britânica

Gold: Crabs do "B" e "C" Squadron/2th C.L.Y, A.V.R.Es dos 81st e  82st Squadrons/6th Assault Regiment em apoio da 50ª Divisão de Infantaria Britânica "Northumbrian"

Os "Funnies" de Hobart

Duplex Drive-DD Sherman


A função desse tanque modificado, vestido com uma espécie de bóia era dar suporte as tropas de infantaria q iniciassem o desembarque. A opção por fazer um "tanque flutuante", em vez de desembarcar veículos via lancha, tinha um motivo simples: qualquer embarcação q carregasse 4 tanques em seu bojo seria lenta o suficiente para ser atingida pela artilharia inimiga. Com o tanque podendo "nadar" ate a praia, as lanchas de desembarque de blindados podiam solta-los a um quilometro da costa.

Os DD foram vitais para a conquista das praias. Basicamente aonde eles conseguiram chegar, a resistência foi significamente erradicada, momo na praia Juno, onde dos 29 veículos lançados, 21 chegaram a praia. Já aonde eles não conseguiram chegar, como em Omaha (praticamente todos os tanques afundaram antes de atingir a praia, por causa das ondas revoltas) as perdas da infantaria foram elevadíssimas.

AVRE - Armoured Vehicle Royal Engineers

A sigla significa Armoured Vehicle Royal Engineers, ou Veiculo Blindado dos Engenheiros Reais. O carro podia ser utilizado para varias tarefas. Este aqui era um Churchill modificado, que em lugar do canhão possuía um morteiro q, graças a trajetória elíptica de seu projétil, era muito mais eficiente na destruição de bunkers e estruturas de concreto. A única tarefa inusitada era recarregar a peca, ja q o morteiro tinha de ser recarregado pela boca, obrigando o tripulante a se expor.

A versão equipada com morteiro era devastadora quando posta em ação, sua única limitação - Comparando com o alcance de um tanque normal - Era seu raio de ação relativamente curto, não ultrapassando 200 metros.

Churchill Crocodile

A função desse blindado era desentocar os defensores das casamatas. Para isso ele manteve o canhão de 75mm na torre, mas, em vez da metralhadora, ele possuía como arma secundaria um bico de lança-chamas para matar quem estivesse nos bunkers. O combustível era levado numa carreta blindada de 6,5 toneladas, acopladas ao carro de combate. No total, 400 galões de liquido inflamável permitiam cerca de 80 "cuspidas" de fogo.

Os 800 veículos produzidos mostraram-se valiosos no campo de batalha, forçando o inimigo a se render ou recuar. A preocupação dos britânicos com esse "segredo Militar" era tanta q bastava uma unidade tornar-se incapacitada para q fosse completamente destruída (Incluindo ataques aéreos se necessários).

CRAB


Na expectativa da invasão da Normandia os alemães plantaram mais de 4 milhões de minas terrestres ao longo das mais prováveis praias de desembarque. Para limpá-las foi desenvolvida uma versão modificada dos tanques Sherman chamada Crab (caranguejo), especializado na limpeza dessas minas.

O método utilizado pelo Crab não era muito convencional. Basicamente, o veiculo possuía uma serie de correntes acopladas em uma barra de metal. Ao acionar as correntes e fazê-las girar o peso delas acionava e explodia as minas.

BOBBIN

Da família AVRE, o Bobbin era um Churchill modificado, que tinha um enorme rolo compressor na frente do veiculo. O sugestivo nome bobbin significa bobina em português.

O bobbin foi concebido para uma tarefa não ligada diretamente ao combate, mas ainda assim vital. Ele era responsável por aplainar e deixar sólida a areia da praia, para que os outros veículos que desembarcassem não atolassem no terreno.
(Fonte:http://www.batalhapelomundo.com.br

FORÇAS AEROTRANSPORTADAS

Divisões Aeroterrestres do US Army: Após os sucessos alemães com tropas aerotransportadas, os americanos concluíram que precisavam desse tipo de tropa e começaram a fazer experiências nesse sentido. A 82ª Divisão de Infantaria foi redesignada "Aeroterrestre" (Airborne) a 15/08/42, data da ativação de sua irmã, a 101ª. Originalmente teriam 1 regimento pára-quedista e 2 aerotransportados (planadores), mas a composição delas variou tremendamente ao longo da guerra, em função de anexações e transferências. Teriam ainda 3 (às vezes 4) grupos de artilharia (75 mm), 1 batalhão de engenharia de combate e 1 batalhão antiaéreo, todos aerotransportados.

Fuzil semi-automático Garand M1

Desenvolvido em 1936 nos Estados Unidos, equipando toda sua infantaria,

a exceção de um homem em cada esquadra, que usava um fuzil de ferrolho para tiro de precisão,

desta forma a infantaria americana foi a única totalmente equipada com uma arma semi-automática durante a guerra.

O general Patton disse sobre o Garand: ele foi "a maior ferramenta de combate jamais desenhada".

Modelo: M1

Calibre: 7,62 x 63 mm

Alimentação: clipe de oito cartuchos, era impossível alimentação individual de cartuchos

Velocidade inicial: 822,96 m/s

Comprimento total: 109,22 cm

Comprimento do cano: 60,96

Peso: 4,3 kg

Miras: de abertura ajustável, 100 a 1200 jardas

Método de operação: recuperação a gás

Tipo de fogo: tiro a tiro

Para a invasão da Normandia, as 82ª Airborne e 101ª Airborne foram organizadas com 3 regimentos pára-quedistas e 1 aerotransportado. Durante a Campanha da Normandia, a 101ª teve um batalhão de tanques anexado (759º) e, durante a Batalha das Ardenas, a 82ª também teve esse privilégio (740º). Além dessas, outras 3 divisões foram criadas: 11ª (atuou no Pacífico), 13ª e 17ª (Noroeste Europeu). A 13ª foi a única divisão enviada para o Noroeste Europeu que não foi engajada em combate. Existiu ainda a 1ª Força-Tarefa Aeroterrestre (FTA), uma força mista composta por uma brigada pára-quedista britânica, 1 regimento pára-quedista, 2 batalhões pára-quedistas independentes e 1 grupo de artilharia, estes americanos. Foi criada para apoiar a invasão do Sul da França e nos chama a atenção pelo regimento pára-quedista americano, o 517º: ele compunha originalmente a 17ª DAet, mas foi destacado dela em 03/44 e foi compor a 1ª FTA; depois disso, foi levado às pressas para a Batalha das Ardenas, onde foi temporariamente anexado, sucessivamente, à 30ª DI, à 7ª DB, à 82ª DAet, à 106ª DI e à 78ª DI, até ser finalmente designada para a 13ª
DAet, a 01/03/45!

Divisão Pára-Quedista do Exército Britânico: A Grã-Bretanha, como o resto do mundo, surpreendeu-se com o sucesso dos pára-quedistas alemães em 1940 e começou a desenvolver as suas próprias tropas aerotransportadas. Após experiências com "commandos" e batalhões de pára-quedistas, a 1ª Divisão Aeroterrestre foi formada em novembro de 1941. A sua irmã, a 6ª, só seria formada em maio de 1943. Contavam elas com 2 brigadas pára-quedistas, 1 brigada aerotransportada (planadores), 1 regimento de reconhecimento blindado ("Bren carriers", Jeeps e, em 1944, tanques leves), 1 regimento de artilharia aerotransportada e 1 regimento AT.

FORÇAS NAVAIS E AÉREAS

Marinha

O êxito das forças terrestres no assalto contra a fortaleza européia dependia, inicialmente, das operações da Força Naval Expedicionária Aliada, sob o comando do Almirante Ramsay. É possível compreender o esforço que as forças navais executavam, somente ao citar o número de unidades que interviriam no operação: mais de 5.000 barcos, e outras 4.000 embarcações adicionais "do barco à costa". As forças navais de ataque e proteção compreendiam um total de 8 encouraçados, 22 cruzadores, 93 destróieres, 229 escoltas de comboio de todo tipo, 200 caça-minas, 360 lanchas a motor, 4.222 navios de desembarque de diversos tipos; ao todo seriam 5.134 barcos a intervir no operação. 

As esquadras que participam desta fabulosa travessia da Mancha foram divididas entre uma Western Task Force, do Almirante Alan Kirk, geminada com o 1o Exército americano, e uma Eastern Task Force, do Almirante Sir Philip Vian, geminada com o 2o Exército britânico. Seguem, à frente de seus 213 navios, 7 couraçados (4 ingleses, 3 americanos), 23 cruzadores (16 ingleses, 3 americanos, 2 franceses, 1 polonês), 168 destróieres e fragatas (79 ingleses, 36 americanos, 3 franceses, 3 noruegueses, 2 poloneses). Dois terços desta frota sem precedentes são, pois, britânicos, depois de 5 anos de guerra e da perda de 3 couraçados, 2 cruzadores de batalha, 8 porta-aviões, 45 cruzadores e cruzadores auxiliares, 136 destróieres, etc. Prova impressionante de vitalidade e de energia. 

A maior parte das unidades de combate deve apoiar o desembarque, atirando contra os objetivos terrestres. As outras vigiam as entradas da Mancha ou estendem cortinas de segurança contra os submarinos e as veddettes inimigas. Por mais fracos que sejam os alemães no mar, não são totalmente inofensivos. Em maio, um grupo de S-Boote interveio num exercício de desembarque, pondo a pique três preciosos LST, afogando 700 soldados e marinheiros. Com os milhares de alvos que enchem a Mancha, alguns comandantes enérgicos podem causar desastres, na proporção de 1 contra 100.

Força Aérea

O Marechal-do-Ar Sir Trafford Leight-Mallory, tinha sob suas ordens 13.000 aviões operacionais, dos quais 11.590 disponíveis. A RAF e as diversas formações que lhe eram subordinadas, Royal Canadian, Australian, New Zealand, forças aéreas polonesas, francesas, belgas, holandesas, norueguesas, concorriam para esse total com 5.510 aparelhos. A 8a US Air Force, comandada pelo General Doolittle, contribuía com 6.080. Os 3.440 bombardeiros pesados noturnos e diurnos são: Halifax, Lancaster, B-17 ou Fortalezas Voadoras, B-24 ou Liberator, transportando entre 1.800 e 6.350 kg de bombas. Os 930 bombardeiros leves consistem em Mitchell, Boston, Mosquito, B-26 ou Marauder - A-20 ou Havoc. Mais de 1.500 aparelhos, pertencentes a uma dezena de categorias, representavam o reconhecimento, a coordenação, a vigilância costeira, a luta anti-submarina, o serviço sanitário, etc., e 1.360 aparelhos, mais 3.500 planadores, constituíam a frota de transportes: Hamilcar e Sterling, ingleses; C-47 ou Dakota, americanos. Enfim, a coorte dos 4.190 caças e caças-bombardeiros, Spitfire, Typhoon, P-38 ou Lightning, P-47 ou Thunderbolt, P-51 ou Mustang. O SHAEF avaliava em 15 contra 1 sua superioridade aérea. A avaliação alemã era de 50 contra 1.

A força aérea que teria a seu cargo a responsabilidade da cobertura aérea era integrada por 12 esquadrões de aviões Havoc, 32 esquadrões de Marauder, 1 de Pathfinder, 39 de Thunderbolt, 13 de Lightning, 17 de Mustang, 54 de Dakota, 2 de Boston, 4 de Mitchell, 12 de Mosquito, 29 de Spitfire, 21 de Typhoon e 2 de Tempest. Agregavam-se a estas forças, as unidades de aviação estratégica, sob as ordens do Tenente-General Doolitle e do Marechal-do-Ar Harris, dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, respectivamente. Eram, ao todo, 6.518 aviões de combate, transporte e bombardeio.

ENGANOS, PLANOS E RESISTÊNCIA

Em certo sentido, os Aliados já tinham um exército na Europa antes do Dia D - a Resistência. Na teoria, o governo constitucional era o regime de Vichy sob o velho Marechal Pétain. Sua autoridade fora grandemente reduzida, e Pierre Lavai, que garantira a colaboração desejada pêlos alemães, governava apenas com o consentimento destes. Por volta de 1944, tornou-se claro que a verdadeira voz da França era a do General Charles de Gaulle, cujo quartel-general se localizava, evidentemente, em Londres.

A Resistência Francesa fora chamada de "uma mistura de coragem e patriotismo, ambição, facção e traição". Compreendia numerosos grupos, cujo substrato político ia do comunismo e Front Populaire ao catolicismo. Em 1944, o Maquis abrangia talvez cerca de 100.000 pessoas, muitas das quais fugiram para as montanhas a fim de não serem enviadas ao trabalho forçado na Alemanha. Constituíam a matéria-prima para a guerra de guerrilha.

A Resistência Belga, o "Exército Secreto", tinha cerca de 45.000 homens. No segundo trimestre de 1944, 55 operações aéreas forneceram-lhes armas. Por outro lado, o Abwehr (serviço secreto alemão) tinha tido muito êxito em capturar agentes secretos aliados lançados sobre a Holanda, de modo que a resistência holandesa se encontrava pobremente equipada.

Uma complicada organização na Inglaterra se esforçava para controlar e armar todos esses movimentos da Resistência. Neste trabalho, a British Broadcasting Corporation e a Special Operations Executive (SOE) tiveram papel insubstituível. Os planejadores aliados, ao mesmo tempo em que concordavam em que as chamas da resistência tinham de ser insufladas por todos os meios possíveis, não confiavam em suas atividades. Qualquer sabotagem ou qualquer levante armado era considerado simplesmente como um bônus. Não é fácil quantificar-se as realizações daqueles homens e mulheres patrióticos, mas é evidente que eles, pelo simples fato de existirem, mantiveram presos milhares de soldados inimigos. Com emboscadas e atos de sabotagem, infligiram sérios atrasos às reservas alemãs mobilizadas para a batalha no verão de 1944.

 

Um típico Maquis armado com uma submetralhadora Sten Mk II.

Além dos exércitos que realmente existiam, os Aliados serviram-se de outros inexistentes. Era fundamental para o êxito da Overlord que os alemães, que ainda gozavam de grande vantagem numérica nas forças terrestres, fossem induzidos a falsas suposições. Sabia-se, naturalmente, que os comandantes alemães estavam a par dos preparativos aliados para um assalto. Ao mesmo tempo pensava-se que, graças à boa segurança, eles podiam ser enganados sobre quando e onde o desembarque teria lugar. Por essa razão era essencial que o bombardeio preliminar não fosse dirigido contra a Normandia como ponto escolhido de desembarque. Por isso, para cada alvo atacado na área de assalto, dois seriam bombardeados alhures, especialmente em Pás de Calais. Este plano de cobertura aumentou enormemente o número de investidas a ser conduzido pelas forças aéreas aliadas, e portanto suas perdas, mas seu êxito estratégico não pode ser colocado em dúvida.

Para dar uma falsa imagem de sua estratégia abrangente, os Aliados imaginaram um plano diversionista (nome de código: Bodyguard). Era suplementado pelo Fortitude, que era o plano de cobertura para a Normandia. A história que os Aliados tentavam vender era que a campanha de 1944 deveria abrir-se com a invasão ao sul da Noruega. Depois, por volta da terceira semana de julho, o ataque principal seria lançado contra Pás de Calais. Vasos de desembarque simulados foram reunidos nos portos e embarcadouros a sudeste; o tráfego do rádio, os exercícios de treinamento, etc. transmitiram a impressão desejada. Mesmo depois do Dia D, permaneceu a idéia de que o ataque à Normandia era diversionista.

A invasão fictícia da Noruega foi confiada ao Tenente-General Sir A. F. A. N. Thorne, Comandante-em-Chefe do Comando Norte. Seu "Quarto Exército", que consistia de três corpos imaginários, estava reunido na Escócia. Havia algumas tropas na Escócia, mas nem por isso o Quarto deixava de ser um exército fantasma, colocado no ar pelo tráfego do rádio a partir de um esqueleto de quartel-general. Os movimentos e exercícios de tropas, e alguns vazamentos bem calculados, apontavam para o desembarque na costa norueguesa. Este engano deveria ser mantido até julho. Hitler era sensível a qualquer ameaça à Noruega. Enfurecido pela incursão-comando que varreu a guarnição de Vaagso a 27 de dezembro de 1941, ele elevou a guarnição da Noruega para cerca de 300.000 homens. Era essencial para os Aliados que eles não fossem mobilizados para a França, onde apenas 100.000 deles teriam aumentado enormemente o poder defensivo do Grupo Ocidental do Exército. O Quarto Exército não foi, de modo algum, o menos eficiente dos exércitos que "combateram" do lado aliado na Segunda Guerra Mundial.

A invasão imaginária de Pás de Calais foi fixada para meados de julho. Uma força de assalto mítica de 12 divisões deveria crescer até 50 divisões. Havia, logicamente, muitas formações reais a leste e sudeste da Inglaterra. Isso fez com que elas aparecessem mais formidáveis do que na verdade o eram, pelo volume crescente do tráfego de rádio. Nada se negligenciou que pudesse aumentar a impressão desejada. Vazamentos oportunos através da imprensa, além daqueles através de canais diplomáticos e subterrâneos, davam realismo ao quadro. Nas regiões a sudeste, as forças - reais e imaginárias - estavam abertamente reunidas, enquanto a sudoeste não se poupou esforço para ocultá-las. Os mapas alemães que mostravam as posições aliadas na Inglaterra provam o quão longe tais enganos chegaram.

Seu sucesso deveu-se também ao fato de que Hitler estava convencido desde o início de que o assalto principal dos Aliados seria desfechado contra Pás de Calais. Na verdade, todos os líderes alemães eram de opinião de que ele teria de ser fortemente defendido. E tal ponto de vista não era desarrazoado. Tratava-se da rota marítima mais próxima entre a Irgiaterra e a França, e a rota mais curta para uma arremetida aliada ao pólo industrial de Rhur. Os líderes alemães achavam provável que os Aliados atacassem em diversos lugares, mas havia divergências quanto ao desembarque dos assaltos subsidiários. Noruega, a costa atlântica, Portugal e a costa mediterrânea da França - todas essas possibilidades foram discutidas. Em outubro de 1943, von Rundstedt fazia notar que "a Normandia com Cherbourg e a Bretanha com Brest são áreas adicionais importantes à frente do Canal", e, embora isso levasse algum tempo, parece que Hitier chegou a pensar algo assim. A 4 de março de 1944, ele as descrevia como "particularmente ameaçadas", e dois dias depois seu Chefe de Estado-Maior pessoal, o General Alfred Jodi, disse a von Rundstedt que o Führer dedicava "particular importância à Nor-mandia", em especial a Cherbourg. Isto levou ao reforço da península de Cotentin pela 91a Divisão de Terra-e-Ar, pelo 6° Regimento de Pára-quedistas e por outras unidades. Em abril, a 21a Divisão Panzer foi mobilizada da Bretanha para Caen e a Divisão Panzer Lehr da Hungria para Chartres.

As previsões de von Rundstedt das intenções dos Aliados eram tranqüilas. Em seu relatório de 15 de maio sobre a situação, ele enfatizava que os Aliados precisavam capturar portos grandes: "Lê Havre e Cherbourg, sob este ponto de vista, têm que ser considerados em primeiro lugar. Parece muito natural que Boulogne e a península de Cotentin sejam visadas na primeira fase. . ." A 29 de maio ele concluía que os ataques aéreos às pontes do Sena "poderiam indicar intenções inimigas sobre a Normandia (formação de uma cabeça-de-ponte)".

Os Aliados, de fato, tencionavam desembarcar três divisões aerotransportadas e cinco via marítima entre o rio Dives e a península de Cherbourg, e formar uma cabeça-de-ponte que incluiria as cidades de Caen, Bayeux e Saint Lò. A função das divisões aerotransportadas era guarnecer os flancos da cabeça-de-ponte, enquanto as outras divisões avançavam para o interior.

Fontes: Clube Somnium, Site Adluna, Wikipedia