EAGLE CLAW - IRÃ - 1980


 

 

Com a revolução que derrubou o Xá Mohammed Reza Pahievi e levou ao poder um governo fundamentalista muçulmano, o Ira foi tomado por uma febre de antiamericanismo. Os Estados Unidos eram odiados por terem apoiado firmemente o regime anterior. Como protesto pela concessão de asilo ao ex-xá pelo governo norte-americano, militantes islamitas ocuparam a embaixada dos Estados Unidos e o edifício do Ministério das Relações Exteriores em Teerã em 4 de novembro de 1979. Em cinco dias, o presidente Jimmy Carter autorizou a criação de uma força-tarefa conjunta para estudar a possibilidade de resgatar os 66 reféns norte-americanos tomados pêlos iranianos. 

 

Essa "opção militar" foi mantida em segredo, enquanto eram tentadas medidas diplomáticas para a libertação dos reféns. Com o passar do tempo, foi ficando cada vez mais claro que não havia perspectivas de resolução do impasse. O regime dos aiatolás demonstrava a impotência dos Estados Unidos diante do fato de dezenas de seus cidadãos estarem sendo retidos no Ira. Em 8 de janeiro de 1980, Carter declarou ao Congresso de seu pais que "qualquer medida militar visando a libertação dos reféns quase certamente resultaria em fracasso e na morte deles". Mais tarde viu-se, porém, que se tratava apenas de uma cortina de fumaça, porque o planejamento da missão de resgate estava praticamente completo, com os preparativos para a operação. chamada de "Eagie Claw" (Garra de Águia), já em andamento. Medidas pacíficas, por via diplomática, continuaram a ser tentadas até 11 de abril, sem nenhum resultado.

A Força Delta 

A unidade escolhida para tentar o resgate por via militar foi a Força Delta (1st Special Forces Operational Detachment  Delta - 1st SFOD-Delta -1SFOD-D), do Exército, baseada em Fort Bragg, Carolina do Norte. A Força Delta havia sido montada em 1977, nos moldes do SAS (Special Air Service - Serviço Aéreo Especial) britânico. Seu organizador tinha sido o coronel Charlie Beckwith, que estivera com o SAS na Malásia e com os Rangers e os Boinas Verdes no Vietnam; seu propósito era o emprego de tropas de elite "de maneira criativa e sem despertar a atenção do público", especialmente no combate a terroristas. Apesar de a maioria dos membros da força possuir, individualmente, substancial experiência de combate, a unidade enquanto tal não havia sido testada em ação. Desde o início, a missão se defrontou com muitas dificuldades. Bem poucos oficiais mais graduados e políticos sabiam da existência da Força Delta e do que ela poderia fazer; muito tempo foi desperdiçado em análises de sugestões despropositadas feitas por pessoas que ocupavam cargos elevados, masque não estavam realmente informadas do que se pretendia. 

"Uniforme" dos operadores da Força Delta, durante a Operação Eagle Claw: Gorros pretos tipo US Navy;  jaquetas de campo pretas M1965, parecida com as usadas pelos estudantes iranianos e membros da guarda revolucionária. Abaixo dessa jauqeta os homens tinham carregadores, granadas, e alguns tinham coletes balísticos; uma bandeira norte-americana bordada na braçadeira direita, coberta por um pedaço de velcro preto, para que só no momento de ação fosse retirada esta cobertura; por baixo da jaqueta esse operador usa uma camisa quadriculada azul; calças jeans Lewis, e botas de couro pretas não-engraxadas.

Ele está armado com um sub-metralhadora alemã HK-5A2.

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A Força Delta foi submetida diretamente à autoridade do Estado-Maior Combinado, para diminuir o tempo gasto com a tramitação de ordens e informações pela escala hierárquica. mas essa vantagem foi anulada pela divisão do comando da operação entre vários oficiais, nenhum deles com responsabilidade geral e absoluta sobre a missão. Havia muita falta de informações precisas e confiáveis sobre o edifício da embaixada e seus arredores, sobre a quantidade e a disposição dos militares que guardavam os reféns, e até mesmo o número e a localização precisa destes últimos. Ao que se soube, a CIA não havia deixado pessoas trabalhando para ela no Irã de modo que a Força Delta teria que selecionar e infiltrar seus próprios agentes, ou então operar em um país hostil sem informações adequadas. 

 

O coronel Charlie Beckwith tinha contratado o ex-major das Forças Especiais e Rangers Dick Meadows como consultor da Força Delta quando a unidade foi formada. Dick Meadows foi o comandante em terra ano ataque a Son Tay no Vietnam em 1970, para resgatar militares americanos.  Diante do problema de inteligência no Irã Dick Meadows se apresentou como voluntário para liderar uma pequena unidade secreta em Teerã. Com a chegada de Dick Meadows ao Irã começou a fluir uma grande quantidade de informações que permitiu a Força Delta planejar o resgate.

 

Inicialmente, a solução preferida era a infiltração da força por caminhões procedentes de território turco, mas esse plano foi rejeitado devido às desvantagens políticas de os Estados Unidos utilizarem a Turquia como base da operação. O risco de um grande número de baixas fez descartar a possibilidade do lançamento da força em pára-quedas à noite.

 

A escolha recaiu, afinal, sobre o uso de helicópteros.A determinação do tipo de helicóptero a ser utilizado foi muito difícil; foram considerados o Boeing Vertol CH-47 Chinook, o Boeing Ver-tol CH-46 Sea Knight, o Sikorsky HH-53 e o Sikorsky RH-53D Sea Stallion. Por fim,foi selecionado o RH-53D, em boa parte devido à sua grande capacidade de transportar cargas pesadas. Completamente abastecido, o RH-53D pode levar trinta pessoas e, com menos combustível, cinqüenta. Além disso, um helicóptero caça-minas não pareceria fora de lugar a bordo de um porta-aviões. 

 

Os pilotos da Marinha originalmente convocados para o resgate deixaram muito a desejar e foram substituídos por uma unidade de pilotos dos Fuzileiros Navais, comandada pelo tenente-coronel Ed Sieffert. O treinamento de vôo noturno foi realizado no deserto, próximo à base de Nellis, em Nevada, e na base de Yuma, no Arizona.

Pouca autonomia
Mesmo com tanques extras, porém, os RH-53 não tinham autonomia suficiente para voar de Orna ou de um porta-aviões até o local escolhido no deserto, próximo de Teerã; teriam de ser reabastecidos no deserto. Inicialmente, planejou-se que eles seriam reabastecidos enquanto aguardassem no solo, obtendo combustível de enormes reservatórios de borracha, lançados por aeronaves de transporte C-130. As tentativas de lançamento destes reservatórios foram demoradas e sem muito sucesso, acarretando a mudança no plano original. Ao invés de percorrer toda a distância de helicóptero, a Força Delta agora voaria até o ponto de reabastecimento a bordo de três Hércules MC-130, enquanto os helicópteros voariam até o mesmo ponto diretamente do porta-aviões, sendo reabastecidos por três Hércules EC-130. cada um equipado com reservatório de combustível de 11 3561. 

 

Os EC-130 foram obtidos junto ao 7° Esquadrão de Comando e Controle Aerotransportado, e os MC-130, junto a Esquadrões de

Reféns americanos em Teerã.

 Operações Especiais; o 1° baseado nas Filipinas, o 7° na República Federal da Alemanha, e o 8° na Flórida. Na verdade a USAF fazia um grande esforço reunindo e preparando aviões em todo o mundo, de forma casual e aleatória, para não alertar os soviéticos sobre os preparativos do resgate. A Força Delta praticava um jogo parecido. Quando a janela do satélite espião soviético estava aberta, sobre a área de treinamento da Delta numa área secreta da CIA conhecida como a "Fazenda", todas as instalações representando os locais do resgate ao ar livre eram  desmontadas e escondidas e os operadores da Delta simplesmente "desapareciam". Em Fort Bragg as tropas de apoio do 1-SFOD se desdobravam em suas funções e para simular que todos da Força Delta estavam em casa. Aos poucos, a situação de informações melhorou com valiosos conhecimentos sendo colhidos dos treze reféns libertados em novembro e dos constantes informes enviados por Dick Meadows e seus agentes infiltrados no Irã. 

 

A unidade antiterrorista da República Federal da Alemanha, o GSG-9, ofereceu-se para pôr agentes em uma equipe de TV alemã que havia sido convidada para ir à embaixada; o SÃS também ofereceu sua assistência para espionagem anterior à missão. Ambas as ofertas foram recusadas, pois não se desejava envolver governos estrangeiros. Gradualmente, no entanto, o plano de resgate tomou forma.

 

O Plano

O plano era relativamente simples. Previa algumas ações preliminares e uma operação em três fases. Em 1 de abril de 1980, Jim Rhyne, piloto de CIA, transportou para dentro do Irã, em um pequeno avião de dois motores, o major John Carney. A missão de Carney era localizar uma pista de aterrissagem no deserto iraniano, cerca de 500km de Teerã. Carney verificou toda a pista com a ajuda de uma motocicleta Honda que ele tirou d o avião. Uma vez definido as condições e tamanho do campo, ele instalou um sistema de iluminação que podia ser acionado remotamente do cockpit de um C-130 (tarefa esta que ele mesmo desempenhou na noite da aterrissagem). Esta pista seria  batizada de  Desert One.

 

Fase I: Incursão

Os RH-53D seriam a chave do sucesso da Operação Eagle Claw, mas foram o seu calcanhar de Aquiles. 

(RH-53D decolando do USS Nimitz)

A Força Delta, realizaria uma grande jornada vindo da Alemanha, passando pelo Egito, e de lá indo para o  campo de aviação Masirah, em Omã onde embarcaria nos MC-130. A seguir voaria muito baixo pelo golfo de Omã para evitar os radares, entrando no Irã pelo indo até Desert One. Lá, os seis C-130 Hércules (três para transporte  de tropas e três para reabastecimento de helicópteros) deveriam aterrissar e aguardar a chegada dos helicópteros por trinta minutos.  A Força Delta deveria transferir-se dos aviões para os RH-53D que seriam reabastecidos naquele mesmo local. Como Desert One ficava ao lado de uma estrada (que se acreditava ser pouco usada), uma equipe especializada de doze homens foi desembarcada primeiro: sua missão era interceptar e deter qualquer pessoa que passasse. 

 

Reabastecidos, os helicópteros rumariam para um esconderijo no deserto, Desert Two em um distante leito seco de rio, cerca de 80 km a sudoeste de Teerã,  chegando lá aproximadamente uma hora antes do alvorecer. Neste ponto deixariam a equipe de assalto e prosseguiriam até um esconderijo 24 km ao norte onde haveria mais proteção. No ponto de desembarque o grupo de assalto encontraria dois agentes que o guiariam até uma ravina a cerca de 8 km de distância. Homens e helicópteros ficariam em seus respectivos esconderijos durante todo o dia. Ao anoitecer, Dick Meadows levaria doze homens (motoristas com conhecimento da língua) até seis caminhões Mercedes cobertos, enquanto outro agente levaria o cel. Beckwith por uma rota de reconhecimento. Às 20h30 todos os homens seguiriam até Teerã nos caminhões, pois uma chegada de helicóptero faria muito barulho.

 

 

 

Fase II - A: O resgate na Embaixada do EUA. 

O resgate começaria entre 23 e 24 horas. Os homens da Força Delta desceriam dos caminhões estacionados em uma rua adjacente a embaixada e pulariam os seus muros. Duas equipes de metralhadoras (M-60) tinham a função de combater os iranianos que aparecessem nos portões.General James Vaught (esq) e o Coronel Charlie Beckwith (dir)

 

Depois de se livrarem dos guardas, e soltarem os reféns os Deltas chamariam os helicópteros para se dirigirem ao estádio de futebol e  abririam um buraco nas paredes da embaixada, do lado da rua que dava para este estádio. Os reféns seriam levados para o estádio através de um corredor abeto e mantido pelas equipes de metralhadoras. No estádio os Deltas colocariam os reféns e suas respectivas equipes de segurança nos primeiros helicópteros e seguiriam nos restantes em direção a pista Manzariyeh.

 

Em certo momento os norte-americanos consideraram a hipótese da retirada das forças do estádio para a base aérea abandonada em Manzariyeh, denominada Desert Three, em um Hércules equipado com sistema de decolagem auxiliado por foguete. Porém, quando a aeronave usada num teste caiu. essa idéia foi abandonada. Caso houvesse helicópteros insuficientes para transportar todos até Mansariah de uma só vez, a Força Delta, os reféns e os agentes, seria feita uma ponte aérea. A Força Delta estaria também preparada para se evadir por terra, caso fosse necessário. Neste caso eles deviam roubar veículos civis para sair de Teerã, depois seguiriam a pé até as remotas montanhas Elburz e depois cruzariam a fronteira com a União Soviética. Desta forma eles enganariam os iranianos que esperavam que os operadores Delta tentassem chegar até a fronteira da Turquia, onde uma emboscada estaria esperando pelos americanos.

 

Dois vetores Hércules AC-130E estariam, nesse ínterim, no ar: um circulando sobre o Aeroporto Internacional de Mehrabad para evitar a decolagem de dois McDonneIl Douglas F-4 Phantom da Força Aérea Iraniana, e outro circulando sobre a embaixada, pronto para deter qualquer blindado iraniano ou tropas que tentassem intervir no resgate. Depois que a embaixada tivesse sido evacuada, a segunda aeronave destruiria os edifícios. Em todas as fases da operação, a Força Delta poderia pedir apoio aéreo do USS Nimitz (CVN-68), que possuía aeronaves de ataque Grumman A-6 Intruder e Vought A-7 Corsair, bem como aviões de interferência Grumman EA-6B Prowler; a cobertura superior seria realizada por aparelhos Grumman F-14B. Uma aeronave ambulância C-9A Nightingale também estaria no ar.

 

Fase II - B: O resgate na Chancelaria da Embaixada Canadense.

Ao mesmo tempo que se desenvolvesse a Fase II - A, um Destacamento A (com treze homens) das Forças Especiais dos EUA, que estava baseado em Berlim Ocidental, assaltaria o Ministério das Relações Exteriores, resgataria os três reféns e os levaria até um parque, onde seriam apanhados por um helicóptero e também levados para o estádio de futebol.

 

Fase III: A retirada.

Enquanto a ação se desenrolasse em Teerã, a companhia C do 1º Batalhão do 75º Regimento Ranger tomaria o campo de aviação de Manzarieh, 56 km ao sul, entre Teerã e a cidade sagrada de Qom. De lá todos seriam transportados até Omã por um Lockheed C-141 Starlifter. Os helicópteros seriam abandonados em Manzarieh.

 

Comando e controle. 

O comandante das forças de terra era o coronel Beckwith, que respondia ao general James Vaught, comandante da Força-Tarefa Conjunta. O general Vaught estava no campo de aviação de Wadi Kena, no Egito, comunicando-se com Beckwith e com Washington através do sistema de terminais de satélite portáteis. Em Washington, tudo era acompanhado pelo presidente Carter e pelo general David Jones, chefe do Estado-Maior Conjunto.

A Execução

No final de 1979, seis RH-53D foram transportados à ilha de Diego Garcia, no oceano Índico. Nesse local, eles foram montados e testados em vôo antes de serem embarcados no USS Kitty Howk (CV-63) que estava prestes a partir para o mar Arábico. Em janeiro de 1980, eles foram transferidos para o Nimitz, que já trazia consigo dois outros RH-53D.

 

O presidente Carter deu o sinal verde para a missão em 14 de abril, e a Força Delta partiu para

Guarda republicano iraniano

Frankfurt em 20 de abril; lá, juntou-se a ela uma equipe de treze homens cuja função seria a de resgatar o grupo de reféns presos no edifício do Ministério das Relações Exteriores. O grupo, então, voou para Wadi Kena, no Egito, lá chegando na manhã de 21 de abril. Apesar da intenção de controlar a missão a partir do Egito, onde havia instalações de comunicação via satélite, a missão em si seria lançada de Masirah, uma ilha ao largo da costa de Orna. 

 

Àquela altura, os RH-53 a bordo do Nimitz já haviam recebido uma camuflagem cor de areia, e as aeronaves da ala aérea do porta-aviões ostentavam faixas específicas que as identificavam como participantes da operação. Idêntico tratamento foi dado aos aparelhos a bordo do USS Coral Sea (CV-43). que substituíra o Kitty Hawk na área. Permanece incerto o papel reservado a essas aeronaves na operação. Algumas fontes insinuam que elas deveriam ser utilizadas para lançar um ataque contra Teerã, para confundir e sobrecarregar as defesas iranianas. Na época, pelo menos, isso pareceu improvável, porque certamente provocaria muitas baixas civis e acarretaria um incidente internacional (não havia o precedente do ataque à Líbia que o presidente Ronald Reagan ordenaria em 1986). No entanto, um golpe punitivo contra as refinarias de petróleo iranianas pode ter sido uma opção considerada. 

 

As forças a bordo dos dois porta-aviões tinham capacidade para causar pesados danos. A bordo do Nimitz encontravam-se os A-7 Corsair do VA-82 "Ma-rauders" e do VA-86 "Sidewinders"; osA-6 In-truder do VA-35 "Black Panthers"; os F-14 Tomcat do VF-41 "Black Aces" e do VF-84 "lolly Rogers". além de numerosos aparelhos Prowler. Lockheed Viking. McDonnell Douglas Skywamor e Grumman Hawkeye. O Coral Sen levava os A-7 Corsair do VA-27 "Ro-yal Maces" e do VA-97 "War Hawks", juntamente com os.Phantom F-4N do VMFA-323. 

 

Em 24 de abril, a equipe de 132 homens embarcou em três MC-130 em Masirah. para o longo e desconfortável vôo para o norte, até Desert One. O grupo consistia em:

  •  93 componentes da Força Delta;

  • 13 homens do Destacamento A das Forças Especiais destinados ao edifício a Chancelaria da Embaixada Canadense;

  • 12 motoristas;

  • 12 rangers (entre eles alguns deltas) da uma equipe de observação de estradas e;

  • 2 generais iranianos, partidários do soberano deposto. 

 

Um MC-130, levando o coronel Beckwith estava com a Equipe Azul (uma das três frentes do grupo de assalto principal). A Equipe Branca e a equipe de controle da estrada, decolou uma hora à frente do resto do grupo, passando a sobrevoar território iraniano a 120m de altitude, a oeste de Chah Bahar. O vôo não foi fácil, mesmo com o radar de rastreio de terreno, com o sistema de navegação por inércia e com o equipamento infravermelho de visão frontal do MC-130. Até que enfim a aeronave chegou a Desert One para preparar o local e acionou um sinalizador, deixado pelo major John Carney, antes de pousar e pôr em ação a equipe de observação de estradas. 

Coronel Beckwith com operadores da Força Delta antes de embarcarem

 

Porém algo inesperado aconteceu: assim que o primeiro Hércules pousou avistaram faróis de veículos iranianos. Um ônibus com 43 passageiros civis (crianças e mulheres, inclusive) seguido por um caminhão tanque e logo atrás um pequeno caminhão. Os americanos atiraram no pára-choque do ônibus parando-o. Imediatamente os deltas entraram no ônibus. A frente da equipe que entrou no ônibus estava o comandante da equipe de controle da estrada, o major delta Logan Fitch. Ele quando se dirigia ao fim do ônibus foi abordado por um jovem iraniano que lhe deu um murro no nariz, mas imediatamente foi dominado. Os passageiros foram revistados e colocados sob guarda. 

 

Enquanto isso os Rangers perseguiam o caminhão-tanque que tentava manobrar e fugir. Na tentativa de pará-lo um Ranger atirou com um foguete antitanque M-72 que atingiu o caminhão causando uma grande explosão. Felizmente o motorista e o seu ajudante foram lançados longe e pegaram uma carona com o segundo caminhão que fugiu tão rapido que o motociclista Ranger não conseguiu alcançá-lo. Logo após este incidente o primeiro MC-130 partiu.

Atraso na chegada

RH-53D se preparam para o vôo até Desert One

Os oito RH-53D estavam programados para chegar a Desert One cerca de trinta minutos após o último Hércules pousar. Quando eles finalmente chegaram ao local, o primeiro foi o Nº 3, vindo de todos os quadrantes, registravam atrasos entre sessenta e noventa minutos. O atraso de uma hora e meia dos helicópteros deixou todos nervosos. Eles deveriam chegar ao local de aterrissagem perto de Teerã antes de o dia nascer. No todo, apenas seis helicópteros chegaram; o Nº 6 teve de fazer um pouso forçado no deserto sob suspeita de iminente ruptura de uma lâmina do rotor, o aparelho foi abandonado e a tripulação transferida para o RH-53 N° 8, e o Nº 5 retornou ao Nimitz após perder parte do sistema de controle de vôo e diversos instrumentos numa violenta tempestade de areia, este seria o único helicóptero que sobraria da missão. 

 

O resto da formação havia atravessado grossas nuvens de poeira suspensa, o coronel Sieffert, líder dos RH-53 havia pousado no deserto e aguardado vinte minutos antes de prosseguir. As dificuldades encontradas pêlos pilotos dos Fuzileiros Navais não foram amenizadas pelo fato de terem sido obrigados a depender do novo sistema de navegação inercial paletizado ao invés do Omega, ao qual estavam acostumados. Eles ainda tinham de voar com óculos noturnos passivos, com os pilotos e co-pilotos revezando-se no trabalho a cada trinta minutos. Quando o coronel Beckwith caminhou ao encontro do piloto do primeiro RH-53 (Nº 3), surpreendeu-se ao ver que não era o líder da formação, o coronel Sieffert, mas sim o major James Schaeffer, um piloto cuja habilidade o havia impressionado profundamente. 

 

O coronel Beckwith ficou chocado ao perceber que Schaeffer estava em péssimas condições, esgotado fisicamente e quase incapacitado de continuar a missão. No entanto, à medida que os helicópteros chegavam, eles eram reabastecidos para a próxima etapa da jornada. Durante o reabastecimento a tripulação do Nº 2 localizou uma falha potencialmente perigosa no sistema hidráulico. Informações contraditórias dizem que a causa foi um pouso malfeito em Desert One. ou que o problema apareceu durante a jornada. Logo tornou-se claro que o defeito não poderia ser reparado e que, se aquele helicóptero continuasse, incorreria no risco de paralisação total do sistema de controle de vôo.  Dentro do planejamento da missão 6 RH-53D era o mínimo  necessário para levar a cabo a missão. Se outra aeronave fosse perdida, uma parcela da força de resgate teria que ficar em Desert One,  e isto não era uma opção aceitável pois todos dentro da força eram essenciais para o sucesso da missão e portanto a operação Eagle Claw foi cancelada. Algumas informações sugerem que os comandantes no local pediram permissão para prosseguir. Fontes de informações em Paris disseram que israelenses que monitoravam as conversações de rádio revelaram que ocorreram debates acalorados. O coronel Charlie Beckwith era da opinião de que todos deviam ser retirados para tentar o resgate no dia seguinte. O certo é que o presidente Carter mandou suspender a missão, instruindo o Nimitz para "levar a cabo qualquer ação militar necessária para retirar as forças norte-americanas". Apesar de que, conforme o plano original, os RH-53D teriam sido abandonados em Manzariyeh, foi decidido não abandoná-los em Desert One

 

O desastre

Os Hércules, agora, já estavam ficando com pouco combustível, tendo ficado presos ao solo por mais de três horas com seus motores ligados, já que não havia fonte de alimentação auxiliar, e o primeiro dos RH-53 a chegar a Desert One agora necessitava ser reabastecido para retornar ao Nimitz. Depois de reabastecer, o RH-53 do major James Schaeffer  estava manobrando pairando em uma nuvem de poeira sendo orientado por uma lanterna para uma posição de aterrissagem. O piloto do helicóptero pensou que o homem com a lanterna era um controlador de combate, quando de fato não era. Ele simplesmente era um tripulante de um dos C-130 com uma lanterna.

 

Enquanto isso, o piloto de helicóptero estava obedecendo os comando do homem errado. Na verdade o tripulante estava tentando  fugir da tempestade de areia criada pelas lâminas do helicóptero. Esta combinação de enganos resultou na mudança de direção do helicóptero para mais perto de um dos EC-130, que em seu piso tinha um imenso tanque de combustível, foi cortado pelas lâminas do RH-53D.

 

O choque inflamou o combustível do avião criando uma grande explosão. O fogo envolveu ambas as aeronaves. Dentro do EC-130 estavam vários homens do Esquadrão B da Força Delta que felizmente conseguiram escapar antes das explosões.

 

Com o incêndio a munição detonou, impedindo a evacuação dos tripulantes que ainda estavam nas aeronaves e

Homens do Esquadrão B da Força Delta,

pouco antes do desastre da Operação Eagle Claw.

 conseqüentemente a recuperação dos corpos dos três homens da marinha que haviam morrido no helicóptero e dos outros cinco da força aérea que tinham perecido no EC-130.

 

Vários dos outros helicópteros foram danificados, e todo o pessoal foi encaminhado para os Hércules que restaram. Os RH-53D foram abandonados, pois o combustível que os EC-130 tinham àquela altura era muito pouco para permitir que aguardassem a destruição dos helicópteros.

 

A Força Delta voou de volta para Masirah, onde os homens foram transportados para aviões C-141 Starlifter e um C-9A. Dali, eles partiram com destino a Ramstein, na RFA, depois de reabastecidos em Bahrein. Foi negada permissão para um ataque aéreo que destruiria os RH-53, evitando que caíssem nas mãos dos iranianos. 

 

Os helicópteros acabaram sendo explodidos pela Força Aérea Iraniana, e isso demonstrou que o Irã preferia ficar sem peças sobressalentes para os RH-53 de sua Marinha a deixar em aberto a possibilidade de outra operação norte-americana para a recuperação das aeronaves. 

 

Em janeiro de 1981, após 444 dias de cativeiro, os reféns são libertados por meio de gestões diplomáticas da Argélia e um acordo para a devolução dos bens do Irã nos EUA.

Os RH-53D deveriam se deslocar do USS Nimitz(1) até Desert One (2), onde apanhariam os Delta que chegariam lá num C-130 e seguiriam para esconderijos(3) próximos a Teerã(4). Os helicópteros levariam os reféns para um campo de pouso(5) capturado pelos Rangers. Daí seriam levados para Masirah(6), Omã, num C-141.

 

 

PARTE TERRESTRE DA OPERAÇÃO

 

Grupo

Tipo

Força

Tarefa

Grupo de Assalto Principal: 

Equipe Vermelho 

Equipe Azul 

Equipe Branco

Força Delta

40

40

13

 

Assegurar o extremo oeste do conjunto. 

Assegurar o setor da embaixada na parte este.

Assegurar a avenida Roosevelt durante a ação principal e então cobrir as retiradas para o estádio de futebol.

Equipe de Assalto a Chancelaria da Embaixada Canadense

Forças Especiais

13

Resgatar três americanos escondidos neste local.

Equipe de Controle da Estrada

Rangers

12

A maioria Ranger, mas alguns soldados do Delta do Esquadrão B.

Equipe de motoristas Iranianos

Voluntários

12 2

6 motoristas, 6 assistentes/intérpretes, Assistência geral no local.

Agentes Dod (Dick Meadows)

 

4

Infiltrados em Teerã antes da operação; organização e atuação como guias.

Equipe de Controle Campo de Manzarieh

Rangers

Cia. C 

Tomar e manter o campo de pouso para retirada de Teerã.

Comandante da Força-Tarefa Conjunta

 

?

Localizada em Wadi Kena, Egito; Depois voa para Manzarieh durante a fase de evacuação.

 

PARTE AÉREA DA OPERAÇÃO

 

Aeronave

Tipo

Quant.

Função

MC-130E Hércules

Aviões para operações especiais com aviônicos especiais. 

3

Transportar homens e cargas de Masirah até Desert One. Dois para voltar a Masirah juntos (vazios), o terceiro para esperar a Equipe de Controle da Estrada-

RH-53D Sea Stallion

Versão para varredura de minas, escolhida por causa da sua combinação de alcance, carga útil. compatibilidade com navios e segurança

8

Voar vazios do USS Nimitz para  Desert One. Apanhar homens e cargas. Levá-los para esconderijos e depois voar para seus próprios locais protegidos. Na noite seguinte, voar para Teerã, recolher reféns/força de resgate e ir para Manzarieh.  

EC-130E Hércules

Comando e controle (conversão do C-130)

3

Transportar combustível de Masirah a Desert One para reabastecer helicópteros,

C-130E Hércules

Versão "Gunship" (armada) especializada do C-130

4

Um sobre Teerã para evitar que reforços iranianos atingissem a embaixada. Um sobre o aeroporto de Teerã para impedir a decolagem de aviões iranianos. Dois de reserva.

C-141 StarLifter

Avião de transporte militar

3

Voar para Manzarieh a fim de recolher, toda a força no fim da operação.

C-130 Hércules

Transporte tático militar

3(?)

Transportar a companhia Ranger para Manzarieh a fim de tomar e manter o aeroporto.

 

O DESASTRE EM DESERT ONE - PERDAS

 

 

8 militares americanos mortos.

1 RH-53D Destruído.

5 RH-53D Abandonados no local.

1 EC-130 Destruído.

 

Eagle_6.jpg

Eagle_7.jpg

 

Guardas republicanos iranianos observam os destroços das aeronaves.

 

Os destroços do EC-130.

Eagle_3.jpg

Esquema do acidente.

 

 

MÁQUINAS DA EAGLE CLAW

 

USS NIMITZ - CVN 68 

O Nimitz Transportava aviões:

Grumman A-6 Intruder, Vought A-7 Corsair II, Grumman EA-6B Prowler, Lockheed
S-3 Viking, Grumman E-2 Hawkeye e  Grumman F-14B. 

 

C-141

 

C-130

 

AC-130 GUNSHIP

 

CH-53D

 


 

Operadores da Força Delta se preparando para embarca para a missão de resgate no Irã

 

 

 

O "uniforme" dos operadores da Força Delta era uma mistura de itens militares e civis, além disso muitos deles estavam com barba e cabelos longos. Ao que parece alguns militares com as faces enegrecidas usam uniformes e coberturas da Guarda Revolucionária Iraniana. Alguns homens também tingiram os cabelos de preto ou marron para se fazerem passar melhor como iranianos.

 


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Assunto: Operação Eagle Claw