OPERAÇÃO GOTHIC SERPENT VII - SOMÁLIA - 1993


 

 

Dia 3 de outubro de 1993: A Missão

Poderia ter sido relativamente simples... se alguma coisa numa guerra pudesse terminar de forma simples. Uma rápida captura em um edifício alvo no centro de Mogadíscio, Somália, de dois tenentes e outros parceiros do brutal comandante militar Mohamed Farrah Aidid, líder do sub-clã dos Habr Gidr, determinado a se manter no poder de um país cada dia mais dominado pela anarquia, mesmo pelo preço da fome e morte de seus compatriotas somalis.

Operadores da Força Delta se preparam para descer de helicópteros MH-6 Little Birds nas ruas de Mogadíscio (Cenas do Filme Black Hawk Down).

 

Soldados americanos estavam na Somália como parte de uma força multinacional das Nações Unidas que tentava manter alguma forma de paz e prevenir a fome em massa que tinha tomado conta das nações do leste africano, matando cerca de 300 mil pessoas - parcialmente de fome e em parte por causa de líderes militares como Aidid que escondiam os alimentos entregues pelos pacifistas, matando seu próprio povo que tentava recolher os

 pacotes de ajuda alimentar. Uma das respostas do clã de Habr Gidr aos esforços das Nações Unidas foi uma emboscada contra 24 soldados paquistaneses que tiveram suas vísceras retiradas pelo grupo.


Ao capturar os tenentes comandados por Aidid, os Estados Unidos tinham o objetivo de cortar pela raiz a ação do líder rebelde, eliminado aos poucos o seu poder. Deste modo, sob o comando do general William F. Garrison, uma missão incumbida de capturar os líderes do clã que estariam reunidos em uma casa próxima ao hotel Olympic, na avenida Hawlwadig, no centro de Mogadíscio.

 

Aproximadamente 75 soldados dos US Army Rangers divididos em quatro grupos desceriam no local por meio de cordas lançadas de quatro helicópteros Black Hawk do 160th SOAR (A) para dar cobertura a uma investida de cerca de 40 homens da Força Delta que invadiriam o prédio, retirariam os principais integrantes do clã e os trariam para um comboio de 12 Humvees e caminhões que seguiriam para Hawlwadig para pegar os prisioneiros e retorná-los à base americana localizada a três milhas da cidade, próximo ao Oceano Índico.  A missão estava prevista para começar às 15h 42m e duração de, talvez, 45 minutos a uma hora.

 

Óculos para visão noturna e outros equipamentos especiais foram esquecidos na base americana a três milhas, próximo ao Oceano Índico... eles não seriam necessários. Mas quando os helicópteros Black Hawk Super 61 e em seguida o Super 64 foram abatidos numa diferença de tempo de 20 minutos, a investida, em vez de ataque, se transformou em uma missão fatal de resgate. A cidade parecia com um ninho de marimbondos quando os soldados americanos, em terra, se encontraram sob forte tiroteio dos bem armados civis somalis. A batalha prosseguiu durante toda a noite com fúria até a manhã seguinte do dia 4 de outubro, resultando em 18 americanos mortos, 73 feridos e grande número de perdas entre os somalis que travaram uma guerra feroz contra soldados que eles consideraram como inimigos e invasores.
 

Cronograma da missão - 3 de outubro de 1993

14h49m - Os principais alvos, líderes do clã Habr Gidr, são localizados em um edifício na Avenida Hawlwadig, no centro de Mogadíscio.

15h32m - A força é iniciada com 19 aviões, 12 veículos e 160 homens.

15h42m - Começa o ataque com quatro Rangers descendo por cordas de quatro helicópteros Black Hawk e soldados da força Delta que ocupavam helicópteros Little Bird.

Um Ranger, o soldado Toddy Blackburn, não consegue segurar a corda e cai na rua de uma altura de 18 metros.

16h - Forças armadas da milícia da Somália dirigem-se de diversas partes de Mogadíscio para o alvo do

Rangers descem de rapel dos Black Hawk em  Mogadíscio (Cenas do Filme Black Hawk Down)

 ataque.

16h02m - Forças de ataque anunciam que os dois líderes do clã e cerca de 21 outros homens foram presos. Quando a tropa prepara-se para partir, três veículos são destacados para socorrer o soldado Blackburn ferido levando-o de volta para a base.

16h15m - Luta e confusão atrasam o transporte dos prisioneiros e a retirada.

16h20m - O Black Hawk Super 61, pilotado pelo Oficial Chefe de Ordem, Cliff Wolcott, conhecido por seus amigos como "Elvis", é atingido por uma granada e cai a cinco quarteirões ao nordeste do prédio alvo.

16h22m - Uma multidão de somalis se dirige ao local do acidente. Os prisioneiros, o comboio e forças terrestres começam a seguir em direção ao helicóptero abatido. O Black Hawk Super 64, pilotado pelo Chefe de Ordem Mike Durant se dirige para o local do outro helicóptero abatido.

16h28m - Uma equipe de busca e resgate segue para auxiliar no socorro.

16h35m - O comboio americano erra o itinerário e começa a vagar perdido no labirinto de ruas da cidade de Mogadíscio, encontrando barricadas a cada curva sofrendo muitas perdas.

16h40m - O Black Hawk, de Mike Durant, o Super 64 também é atingido caindo a cerca de dois quilômetros a sudeste do prédio alvo. Multidões hostis vão em direção do helicóptero abatido.


16h42m - Dois snipers da Força Delta, os sargentos Randy Shughart e Gary Gordon se prontificam a ir de helicóptero para o local do segundo acidente para ajudar a proteger Durant, que se encontra ferido, e sua tripulação.

16h54m - O chamado "Comboio Perdido" , com mais da metade de sua força ferida ou morta, abandona a busca ao primeiro Black Hawk abatido e começa a lutar para voltar à base americana, na costa do Oceano Índico.

17h03m - Um comboio menor para emergência é despachado para tentar resgatar os homens presos no local do acidente do helicóptero de Durant. O comboio encontra fogo, barricadas e outros obstáculos.

17h34m - Ambos os comboios de homens exaustos e sangrando se unem e desistem da tarefa de chegar ao local do segundo acidente. O restante das forças dos comandos Ranger e Delta voltam-se para o local do primeiro acidente sofrendo várias perdas.

17h40m - Uma multidão de somalis ocupa o local do acidente do helicóptero de Durant, matando Shugart e Gordon e o resto da tripulação do Super 64, exceto Durant, que está ferido, e é levado como refém pela milícia somali.

17h45m - Ambos os comboios retornam à base. Noventa e nove homens permanecem presos e cercados na cidade no local do primeiro Black Hawk abatido, lutando por suas vidas.

22h - Um comboio gigante, com duas companhias da 10ª Divisão de Montanha, auxiliado pelo restante da Força Tarefa Ranger - como também tanques paquistaneses e veículos armados da Malásia fazendo parte da força de paz das Nações Unidas - se organiza para resgatar os soldados detidos.

23h23m - Um imenso comboio de resgate parte em direção à Mogadíscio.

4 de outubro de 1993

 01h55m - O comboio de resgate alcança a força Ranger encurralada. A noite é dos conhecidos "Nighttalkers" americanos - pilotos do 160º SOAR - que fazem inúmeros bombardeios pesados com helicópteros Little Bird para proteger seus camaradas que se encontram embaixo, nas ruas.

03h00m - As forças lutam para remover o corpo crivado de balas de Cliff Wolcott, piloto do Super 61, determinadas a levar a cabo o lema de não deixar nenhum homem para trás, vivo ou morto.

 


Deltas e Rangers lutam lado a lado em Mogadíscio (Cenas do Filme Black Hawk Down)

 

05h30m - O corpo de Wolcott é finalmente recuperado e o comboio de resgate começa a se retirar da cidade. Mas com os veículos abarrotados com homens da 10ª Divisão de Montanha e forças das Nações Unidas, os Rangers são incumbidos a correr a conhecida "Milha de Mogadíscio", sob forte tiroteio atrás do comboio.

06h30m - A força retorna à segurança das Nações Unidas, em um estádio esportivo, com um total de 18 mortos e 73 feridos. As perdas entre os somalis nunca foram confirmadas mas acredita-se que foram de aproximadamente 500 mortes e um número muito maior de feridos.

Outro relato sobre o episódio...

 

No meio da tarde do dia 3 de outubro de 1993, uma força de 17 UH-60 Blackhawks levando 75 Rangers e 40 membros da Força Delta apoiados por 8 M/AH-6 Little Birds de ataque decolaram para uma operação "quase de rotina". Enquanto os Delta capturavam seus objetivos, os Rangers deveriam organizar e manter um perímetro de segurança, enquanto um comboio de 12 veículos Humvee e caminhões deveria percorrer um trajeto de não mais do que 5 km até o perímetro, embarcar os  prisioneiros, os Delta e Rangers e retornar para a área mantida pelas forças dos Estados Unidos na periferia da cidade de Mogadishu.

 

Os veículos Humvee dos US Rangers eram blindados

 

Enquanto os helicópteros OH-6 Little Birds da Força Delta circulavam procurando alvos de ocasião, os Delta desembarcavam de seus UH-60 e atacavam a casa onde se encontravam reunidos os principais líderes dos Habr Gidr, capturando todos os que tinham ido buscar. Começa o desembarque dos Rangers para criarem o perímetro defensivo, enquanto esperam pelos Blackhawks que irão retirá-los. Neste momento, o Ranger Todd Blackburn atrapalha-se ao descer e cai de uma altura de 10 metros. O soldado Mark Good, médico do Pelotão Ranger Chalk Four desce em seguida, e após rápido exame, avisa que Blackburn está seriamente ferido, e se não for evacuado imediatamente ao hospital da Base, vai morrer.

Operadores Delta descem na  na Avenida Hawlwadig, no centro de Mogadíscio.

(Cenas do Filme Black Hawk Down)

 

 

O resto do Pelotão já desembarcou e começa a receber fogo esporádico de atiradores somalis, alertados pelo movimento inusitado dos helicópteros. Arrastam o ferido para uma precária proteção atrás de dois carros estacionados. Contatam via rádio o Major Mike Steele, Cmte. do Batalhão Ranger,  que desembarcou com seu grupo ( Chalk One ) duas quadras ao sul do perímetro original. O rádio  subitamente silencia. Recebeu uma bala de um sniper somali. O fogo de AK-47 torna-se mais intenso, e os oficiais que acompanham o combate a bordo de AWACS circulando a cidade, descobrem que os Rangers meteram-se num ninho de vespas. As camêras montadas em AWACS e helicópteros mostram multidões de somalis erguendo barricadas para impedir a chegada de reforços. Eles correm aos bandos em direção ao local onde  os helicópteros orbitando tentam dar algum apoio aos Rangers encurralados. E todos parecem estar armados...


O Pelotão Chalk Four já atira em todas as direções, tentando manter os somalis à distância... Embora os Rangers tenham recebido estritas ordens para não atirar em ninguém que não esteja apontando-lhes uma arma, a situação começa a ficar irreal...Mulheres com crianças nos braços disparam pistolas, e garotos de dez anos disparam AK-47 de todos os lados...E mais gente chega para assistir a batalha... Até mesmo velhos e enfermos aproximam-se aparentemente sem medo dos precisos disparos dos Rangers... 


O Ten. Perino, oficial de Operações do Btl. Ranger ( Chalk One ) informa que o comboio de resgate ainda não começou a deslocar-se, e eles tem que agüentar até a sua chegada. O ferido piora a cada momento. Eles resolvem mudar de posição, e transportando uma maca com o ferido, começam uma  corrida desesperada rua abaixo, correndo um pouco, largando a maca para responder ao fogo, correndo mais alguns metros, outra vez parando para responder ao fogo...


Após a saída dos helicópteros, o Sgt. Jeff Struecker aguardou a ordem de sair com o comboio de resgate para recolher os Delta e Rangers, que estão a apenas 5 min de distancia da base...Mas serão os 5 min mais longos da história... Struecker, um rapaz de 24 anos não consegue entender o que os Estados Unidos fazem na Somália, um pais miserável onde ninguém gosta deles ou quer sua ajuda...Mas é um soldado, e sua missão é liderar o comboio, recolher os prisioneiros somalis, os Delta e Rangers e voltar 
correndo...


Dois minutos após iniciar seu deslocamento, o comboio está totalmente  perdido nas ruelas de Mogadishu...

 

Guerrilheiro somali em Mogadíscio. 

Struecker fez uma curva errada, metade do comboio o seguiu, a outra metade virou noutro sentido e agora ninguém sabe onde está...E pior : começam a receber fogo cerrado de AK-47 e RPG de todos os lados...


Um grupo de três Humvee transporta um pelotão formado por homens da Força Delta  e dos
US Navy Seals, a unidade de elite da Marinha americana. Eles correm adiante do comboio para unirem-se à força principal, que tem 24 somalis prisioneiros para serem  algemados. Quando se aproximam da casa começam a receber fogo de AK-47, que atinge vários a bordo.


O Sgr. Tim Martin da Força Delta é salvo pela faca de combate no seu cinto, que absorve um impacto a queima-roupa...

 

Eles encontram os Rangers encurralados com  vários feridos, embarcam-nos num Humvee e este parte à toda de volta para a Base por ruas agora cobertas por pesado fogo inimigo...


O veículo abre caminho a bala, usando um lança-granadas Mk19 40 mm e uma .50 que literalmente arranca do chão os somalis atingidos por seu fogo...


Mas as coisas andam mal... Quase imediatamente o operador da .50 é atingido na cabeça por um somali que simplesmente pulou dentro do Humvee...

 

Ambos morrem imediatamente, mas a pesada metralhadora agora está silenciosa...

 

Operadores Delta encurralados nas ruas de Mogadíscio (Cenas do Filme Black Hawk Down)

 

E mais somalis atiram a queima-roupa nos soldados americanos enquanto estes correm para o perímetro da Base...


Ao chegarem, o Humvee está coberto de sangue, com dois mortos a bordo, o metralhador e o somali, e vários feridos, além do soldado Blackburn...


Enquanto os Rangers do Pelotão Chalk Four e os Delta lutam por suas vidas, e o comboio perdido gira sem cessar por ruas cada vez mais perigosas, os UH-60 e OH-6 tentam criar um perímetro protetor usando suas armas de bordo...


Neste momento, o UH-60 Blackhawk código Super 61 pilotado pelo Capt. Cliff Woolcott recebe um  disparo de RPG que arranca o rotor traseiro... A nave gira subitamente sem controle, e cai sobre algumas casas, a cerca de 1 km do perímetro mantido pelo Chalk Four...


Todos os Blackhawk transportam além da tripulação de quatro homens mais dois membros da força Delta como proteção...


No impacto com o solo, Woolcott e seu co-piloto morrem instantaneamente, mas os outros tripulantes e os Delta sobrevivem apenas levemente feridos...


Um outro pelotão Ranger ( Chalk Two ) corre até o local e resgata os feridos, mas tem problemas para retirar os corpos de Woolcott e seu co-piloto dos destroços...E os somalis avançam em ondas, contidos pelo fogo dos Rangers e dos dois Delta...


Finalmente conseguem retirar os corpos e correm até uma casa nas proximidades, onde buscam abrigo...Um OH-6 consegue pousar num exíguo espaço entre as casas e resgata os mortos, decolando no último momento sob fogo cerrado...

 

Enquanto isso,  o comboio perdido gira pelas vielas da cidade, recebendo sem cessar fogo de armas leves e RPG, transportando já vários mortos e feridos...


Embora os homens no comboio ainda não saibam, acabam de receber novas ordens. A missão básica ainda continua a ser recolher os Rangers, os Delta e seus prisioneiros...

 

Mas ao invés de retornar à Base, eles agora devem seguir até o local da queda do primeiro Blackhawk e recolher Woolcott e sua tripulação...


Perdidos e vagando pelas estreitas ruelas de Mogadishu, eles são dirigidos por oficiais que observam a cena de aeronaves AWACS orbitando no céu...

 

Mas o que os oficiais não conseguem ver é que o comboio está cada vez mais debilitado e precisando ele próprio de socorro...


O Ranger Ben Ohtic maneja uma .50 no topo de um Humvee...

 

Ele acabou de ver uma granada de RPG atingir um caminhão de 5 ton, e levar as pernas do Sgt. Dave Wilson, que corria ao lado do veículo...

 

Seus colegas  apanham e jogam-no no caminhão. Ohtic também é ferido quase imediatamente, bem como os Sgts. Bob Gallagher  e Bill Powell. Não existem suficientes veículos para transportar todos os Rangers e Delta, e os ilesos devem correr ao lado dos veículos. De alguma maneira, os Rangers conseguem juntar-se aos Delta e seus prisioneiros, e ocupam algumas casas...

 

Pedem sem cessar evacuação mas é impossível pousar um helicóptero naquele labirinto infernal...

 

Eles têm que agüentar...

 


Homens morrem e mais homens são feridos enquanto a tarde avança e os soldados se dão conta subitamente que vão passar a noite naquele inferno...

 

E a maioria deles deixou na Base seus coletes a prova de balas devido ao calor sufocante, e também deixaram para trás os equipamentos de visão noturna...

 

Afinal, era apenas uma missão de rotina...        

                               
De repente, outro Blackhawk ( código Super 64 ) é atingido por RPG e estatela-se no chão...

 

O piloto, Mike Durant, é seriamente ferido mas consegue sair da nave sinistrada. Sua tripulação, ilesa, forma um perímetro em volta do local da queda, mas aos poucos vão sendo mortos pelos somalis...

 

Finalmente Durant está só...

 

Um grupo de somalis chega e começa a espancá-lo, enquanto arrancam suas roupas...

 

Ele desmaia e é levado para um casebre...

 

Um trunfo valiosíssimo : um oficial americano prisioneiro...!!!    


A noite chega e os Rangers e Deltas, reunidos num perímetro apertado, entre algumas casas meio destruídas, aguardam um resgate que parece nunca chegar...


Começam a surgir atritos entre eles...

 

Os Deltas, soldados altamente profissionais, e acostumados a este tipo de situação, obedecem apenas aos seus próprios líderes, não levando em consideração o Capt. Mike Steele, Cmte. dos Rangers, que juntou-se a eles no perímetro...

 

Acham que os Rangers são pouco mais do que adolescentes em uniforme, pois a idade média é de 19 anos...


Finalmente, o comboio alcança o perímetro, e o Sgt. Matt Eaversmann começa a carregar os pesadamente danificados veículos com seus feridos e mortos, os feridos e mortos do perímetro e os prisioneiros...


Mais uma vez não há lugar a bordo para os ilesos, e eles começam a deslocar-se a pé sob pesado fogo de snipers. Num dos Humvees o Ranger Eric Spalding maneja uma .50 com efeitos devastadores...

 

De repente, uma mulher somali corre para o veículo com uma criança de colo nos braços...

 

Spalding suspende o fogo apenas para ver horrorizado a mulher erguer uma pistola para eles... Ele fecha os olhos e aperta os gatilhos da Browning...

 

Humvee treme com o recuo da pesada arma...

 

O soldado não olha para trás...


O SEAL John Gay e o Delta Matt Rierson não sabem para onde o comboio se dirige...

 

A única coisa que sabem é que o Cmte. Ten-Cel Danny McKnight não tem experiência neste tipo de combate, e detém o comboio em cada esquina, como se aguardasse o sinal ficar verde...

 

E cada vez que isto acontece, mais homens e veículos são atingidos, pois é nas esquinas que os somalis ficam emboscados disparando RPGs e AKs...


O Sgt Ranger Casey Joyce protege-se ao lado de um muro baixo, e logo nota o Spec. SEAL Jim Telscher fazendo-lhe frenéticos sinais para sair dali, pois muros são altamente perigosos por causa de ricochetes...

 

Um segundo depois, um projétil de AK ricocheteia no muro e atinge Joyce na coxa...

 

Mais um segundo e outro projétil arranca-lhe uma bochecha...

 

Ele cai e o SEAL corre até ele, arrastando-o para lugar seguro...


Finalmente Eaversmann consegue dirigir o semi-destruido comboio de volta à BaseUm segundo comboio saiu da Base para tentar alcançar o local da queda do segundo Blackhawk, e quase imediatamente também acha-se sob fogo cerrado...


Somente os experientes Delta mantém a cabeça fria e tentam controlar a situação...

 

Cada vez que alguém é ferido, eles o colocam nos veículos e seguem correndo a pé ao lado, disparando sem cessar e literalmente " abrindo caminho a bala", enquanto ambos os comboios agora seguem rotas convergentes...


Alguns dos veículos estão quase sem munição...

 

Foram disparados milhares de tiros de vários calibres...

 

Os comboios agora abandonaram suas missões originais e apenas lutam por suas vidas e para voltarem à Base...

 

Operadores Delta resgatam pessoal de um Black Hawk abatido

(Cenas do Filme Black Hawk Down)

 

Mas ainda falta muito...


Num Humvee o Ranger James Cavaco maneja um lança-granadas M19 com mortífera precisão... As granadas de 40mm projetadas para perfurar duas polegadas de concreto explodem entre a multidão somali, causando verdadeiros massacres...

O Ranger Kowalewski e dividido ao meio por um projétil de RPG que atravessa o caminhão que dirigia, sem explodir, pois havia sido disparado a queima-roupa...

Seus colegas arrastam as duas partes do amigo e alguém salta para o assento ensopado de sangue e vísceras, e segue dirigindo...

Finalmente ambos os comboios encontram-se...

 

A cena é fantástica...

 

O Humvee líder fumega e todos os pneus estão arrebentados. Todos os outros veículos parecem estar na mesma situação, e o mais chocante é que estão cheios de mortos e feridos...


O Sgt. Scott Galentine, normalmente um sujeito risonho, cambaleia em choque com uma mão quase arrancada; o duro e veterano Sgt. Tim Martin, quase dividido ao meio por uma explosão de RPG, continua, de alguma maneira, vivo...

 

O Ranger Rodriguez é uma massa sanguinolenta e gemente; o ex-boxeador Sgt. Lorenzo Ruiz, com um tubo de plástico enfiado nos pulmões para seguir respirando, parece pequenino e frágil...

 

E a lista continua...


Eles começam a viagem de volta à Base... 


Num Humvee o Ranger Galewsky está furioso...

 

Ele agora não liga mais para as instruções sobre procedimentos de fogo...

 

Atira em tudo o que se move com sua poderosa Browning .50...

 

Não importa se são homens, mulheres ou crianças...Todos atiram nele e em seus amigos e ele atira de volta...

 

Aqueles Rangers mortos e morrendo são seus amigos, seus melhores amigos, mais próximos dele do que sua própria família, e ele vai fazer o possível para que possam voltar para casa. Um novo comboio, desta vez formado por quatro M-60 paquistaneses, 28 M-113 malaios e 250 Rangers em caminhões e Humvee sai da Base para encontrar e escoltar os restos dos comboios anteriores...

 

Vai também receber sua parte de fogo mas alcança e escolta os remanescentes dos dois comboios anteriores de volta ao perímetro...


As cenas na Base são aterrorizantes : dezenas de feridos e mortos espalhados pelo chão, sendo atendidos por médicos e enfermeiros, e Rangers sobreviventes vagando entre eles, em choque e chorando abertamente...


Num canto do perímetro, os Delta sobreviventes, faces fechadas e olhos secos, recolhem munição e suprimentos e apresentam-se a seus oficiais superiores para saírem outra vez...

 

Talvez a diferença entre garotos e homens esteja aí...


Um APC saudita encontra na cidade uma multidão somali que arrasta pela rua o corpo mutilado de Bill Cleveland, o co-piloto de Woolcott...


Questionados pelos sauditas porque agiam desta forma, pois não era permitido pelo Corão ( ambos povos são muçulmanos ), recebem ordem de seguir se não quiserem o mesmo destino...

 

Os sauditas partiram...


Em Washington, o Pres. Clinton está indignado. Ele não havia sido informado desta missão e está furioso com a situação. Uma contagem prévia indicou 18 soldados americanos mortos e 73 feridos. Centenas de somalis foram mortos e milhares estão feridos. Numa reunião no Salão Oval estão Clinton, seu porta-voz Samuel Berger e a representante dos EUA na ONU, Madeleine Albright. Junta-se a eles o ex-embaixador na Somália Robert Oakley, o Secretário de Defesa Christopher Waren e os Chefes das Forças Armadas.. Oakley recebe ordens pessoais do Pres. Clinton para dirigir-se a , contatar o líder dos Habr Gidr, Mohammed Aidid, e exigir a libertação imediata de Durant, sem condições.


Oakley leva a seguinte mensagem : O Presidente dos Estados Unidos quer o piloto Durant libertado. Agora. Ele transmite seu recado e acrescenta : a força americana agora é formada por um porta-aviões, uma Brigada de Marines, tanques, helicópteros de ataque...Uma força capaz de mandar pelos ares a  Somália inteira...


Aidid recebe a mensagem e age rapidamente. O prisioneiro é imediatamente liberado e recebido com festa em Washington. O pesadelo terminou...

 

Em poucas semanas não haverá mais um único soldado americano na Somália.


Muita coisa ainda será escrita sobre estes acontecimentos, mas uma coisa ficou gravada de forma indelével : mesmo uma força bem treinada, quando enfrentada com decisão e ferocidade, pode ser vencida e expulsa. Os US Rangers que o digam...


 

Mike Durant quando estava prisioneiro dos somalis

 


 

Esquema dos combates

 


Em 3 de outubro de 1993, há exatamente 15 anos, ocorreu aquele que foi considerado, até então, o combate urbano em curta distancia mais violento desde a Guerra do Vietnã, envolvendo unidades de infantaria
Equipes da Força Delta, e elementos do SEAL, com a cobertura dos Rangers e apoio de Pararescues da USAF, foram enviados ao centro de Mogadíscio para capturar o General Muhammed Farah Aideed, líder de uma das facções políticas, a Aliança Nacional Somali (SNA), que estava em luta na Somália.

Alguns eventos que antecederam a ação
Em 5 de junho de 1993, forças da SNA de Aideed emboscaram soldados paquistaneses que integravam a UNOSOM II, matando 24 e ferindo outros 44 homens. O Conselho de Segurança da ONU baixou a Resolução 837, que adota uma postura militar mais agressiva em relação a Aideed. Entre outras medidas, entre 7 de junho e 14 de julho foram usados quatro gunships AC-130 Spectre, que voaram um total de 32 missões de interdição, reconhecimento e operações psicológicas, sendo oito dessas sortidas de combate sobre as ruas de Mogadíscio, usando seus canhões de 105 mm e 40 mm, destruindo inclusive dois depósitos de armas e a Rádio Mogadíscio, usada para propaganda de Aideed.

Em 17 de junho, foi autorizada a detenção de Aideed e oferecida uma recompensa de US$ 25.000, o que só serviu para piorar o clima político, com aumento de choques de tropas da ONU e dos EUA, com a sua milícia. Em 12 de julho, a Força de Reação Rápida atacou QG de Aideed com helicópteros de ataque. Depois desse ataque a multidão hostil matou quatro jornalistas ocidentais que cobriam a ação, mostrando seus corpos para o mundo ver. Imediatamente o Comando da Força da ONUSOM II colocou a sua inteligência e capacidade operacional para localizar, capturar e deter Aideed e qualquer um de seus apoiadores, que foram responsabilizados pelos ataques de junho e julho.

A FT 3-25 (Aviação) do U.S. Army foi designada o elemento de Comando e Controle e estabeleceu três equipes para realizar as operações de captura: Team Attack, Team Snatch, e Team Secure. Formada por helicópteros de Ataque, Escolta e Transporte com snipers e um pelotão de escolta que realizariam uma vigilância continua, executando um ataque a seu comboio e escolta quando ele estivesse trafegando pela cidade e mais vulnerável. O Team Attack destruiria os veículos líder e de retaguarda do comboio, o Team Snatch então capturaria Aideed e a equipe Secure criaria um perímetro para impedir a entrada de civis e a fuga dos alvos do local da emboscada. Alerta o General passou a ser mais discreto nos seus deslocamentos pela cidade.

Em 8 de agosto, uma viatura da Policia Militar foi destruída por uma mina, na rua Jialle-Siaad, matando quatro militares americanos a bordo. A situação piorou, e o Secretário-Geral da ONU Boutros-Boutros Ghali pediu ao Presidente Bill Clinton, recém empossado, ajuda para capturar Aideed.

Em 28 de agosto, começou a chegar à Somália a Força-Tarefa Combinada de Operações Especiais (JSOTF) ou Força-Tarefa Ranger, sob o comando do Major-General William F. Garrison. A FT era formada por elementos da Força Delta, do 2º Batalhão do 75º Regimento de Rangers (2/75), dos ParaRescue da USAF e SEAL da Marinha.

Em 8 de setembro, soldados americanos e paquistaneses estavam retirando bloqueios das ruas em um lugar conhecido como Fabrica de Cigarros, quando foram atacados pela milícia usando canhões sem recuo de 106mm, RPG e armas portáteis.

Em agosto e setembro, realizaram seis missões em Mogadíscio, todas com sucesso. Em 21 de setembro, numa dessas incursões, foi capturado Osman Atto um dos assessores mais próximos de Aideed, A ação ocorreu sem sobressaltos, mas os homens da Força-Tarefa enfrentaram pela primeira vez fogo pesado de armas portáteis e de RPGs. O fogo foi devolvido por unidades em terra e no ar. Mais tarde, no mesmo dia, essa unidade foi novamente atacada pela milícia, usando uma multidão de cerca de 1000 pessoas como escudo. Seis homens da UNOSOM II foram feridos.

Outros soldados que estavam desbloqueando as ruas foram atacados nos dias 16 e 21 de setembro. No ataque do dia 21, os paquistaneses perderam um VBI e sofreram nove baixas, entre elas, dois mortos.


Em 25 de setembro um helicóptero UH-60 Black Hawk americano foi abatido, causando a morte de três homens, um do 25º Regimento de Aviação (10ª Div) e dois do 101º Regimento de Aviação (101ª Div), forças americanas e paquistaneses garantiram o local da queda e evacuaram as baixas sob fogo. O que causou preocupação aos americanos, foi o fato dos somalis terem derrubado o helicóptero usando um simples RPG, normalmente usado para atacar veículos blindados. Isso não era um bom prenúncio para incursões da FT Ranger usando helicópteros.

 

Operação GOTHIC SERPENT
Em 3 de outubro de 1993, a Força-Tarefa Ranger lançou sua sétima sortida, desta vez contra uma das fortalezas de Aideed numa favela do bairro Mar Negro, nas proximidades do Mercado de Bakara, para capturar dois colaboradores do general. Helicópteros transportando a força de assalto (Delta) e a força de bloqueio (Rangers) foram lançados da base localizada no Aeroporto de Mogadíscio, e uma coluna motorizada saiu da base três minutos mais tarde. Às 15:42h, a coluna motorizada chegou à área do alvo, próximo ao Hotel Olympic. Os Rangers estabeleceram um perímetro de defesa, enquanto os Deltas procuravam os apoiadores de Aideed. Ambas as forças ficaram sob intenso fogo inimigo. Os Deltas capturaram vinte quatro somalis e quando estavam começando a embarcar os prisioneiros nos caminhões para sair da aérea, um MH-60 Black Hawk de callsign “Super 61”, que estava dando cobertura foi atingido por RPG e caiu a três quarteirões da área do alvo. Imediatamente, uma esquadra de Rangers, um helicóptero de escolta MH-6 Little Bird e outro MH-60 com quinze homens de uma equipe C-SAR, seguiram para o local da queda. Os tripulantes do MH-6 chegaram primeiro à cena de ação e pousando em um beco no meio do tiroteio, evacuaram dois feridos para um hospital de campo. Na seqüência, chegaram os Rangers e o helicóptero de CSAR. Quando desciam por fast hope os dois últimos homens da equipe de busca e salvamento, essa aeronave também foi atingida por RPG, o piloto manteve o controle da aeronave até o final do desembarque e retornou para base.

Dois MH-60 atingidos
A situação continuou a piorar, e foram atingidos outros dois MH-60, um deles conseguiu retornar para base, o outro, de callsign “Super 64”, pilotado pelo Warrant Officer de 3ª Classe (Suboficial) Michael Durant, caiu a cerca de 1.5 Km do “Super 61”. A multidão foi para o local, e a despeito da heróica defesa, matou todos os tripulantes, exceto o piloto que foi pego como refém. Dois defensores do local da queda os MSgt Gary Gordon e Sfc Randall Shughart, foram postumamente agraciados com a Medalha de Honra.

Na área alvo, depois de embarcar os detidos no comboio, os remanescentes das forças de assalto e bloqueio seguiram para o local da queda do “Super 61”, abrindo caminho sob intenso fogo das milícias e assumindo posições a sul e sudoeste da aeronave abatida. Estabelecidos em posições defensivas, os soldados trataram os feridos e mantiveram fogo supressivo para manter os somalis afastados, enquanto eram realizadas as primeiras tentativas para retirar os corpos dos tripulantes do “Super 61”. Já a coluna com os detidos, comandada pelo TCel. Danny McKnight, comandante do 3º/75º Batalhão de Rangers, também tentou chegar ao local da primeira queda por outro caminho. Não foi possível encontrar o caminho entre as ruas estreitas e sinuosas, e depois de sofrer muitas baixas, perder dois caminhões de 5 toneladas e ter diversos outros veículos avariados o comandante resolver retornar a base no aeroporto.

No caminho de volta, a coluna encontrou outra com elementos da Força de Reação Rápida com Rangers e equipes das Forças Especiais que estavam seguindo para o local da queda do “Super 64”. As duas colunas retornaram a base com os feridos. Nesse meio tempo, outra Força de Reação Rápida americana que servia com a UNOSOM II, mandou uma companhia do 2º Batalhão do 14º Regimento (10ª Div), para tentar chegar ao “Super 64”, mas ela foi detida pelas milícias nas proximidades da rotatória K-4. O comandante da Força de Reação da UNOSOM II mandou então essa unidade, sobrepujada em poder de fogo, seguir pára o aeroporto afim de reagrupar e coordenar os esforços de resgate com a FT Ranger.

Enquanto as forças que tentavam prestar apoio no local das quedas eram submetidas a idas e vindas, frente à confusão, os bloqueios e a resistência nas ruas, os homens que já estavam no local da primeira queda estavam ficando sem os suprimentos básicos. Eles receberiam água e munição de um MH-60 durante a noite, mas a aeronave também acabou foi atingida por RPG e também foi posta fora de combate.

Uma coluna de resgate foi formada no Aeroporto e seguiu para área do Porto Novo. Houve um pouco de demora até serem preparados os Carros de Combate e as Viaturas Blindadas, fornecidos pelas forças aliadas do Paquistão e da Malásia, que eram as mais próximas do local. Essas forças foram integradas com o 2º Batalhão do 14º Regimento de Infantaria. O tempo gasto com a coordenação foi essencial devido a complexidade de uma operação multinacional como esta. A presença dos blindados era muito importante devido a presença de bloqueios nas ruas e o uso intenso que as milícias estavam fazendo dos foguetes do tipo RPG.

Chega o reforço
Finalmente, depois de algumas horas para planejamento e agrupamento de forças, uma coluna de mais de sessenta veículos da 10ª Divisão e forças agregadas, tendo à frente carros de combate paquistaneses seguiu para o norte com destino a National Street. Acompanhada por helicópteros de ataque AH-1 Cobra, de reconhecimento OH-58 Kiowa Warrior e o pelo UH-60 Black Hawk encarregado do C 2, a coluna percorreu a National Street com cautela até o local das quedas. Dois blindados malaios, com soldados do 2º Pelotão da Cia Delta do 2º/14º Batalhão de Infantaria, tomaram um caminho errado na National Street e foram emboscados. Os soldados rapidamente procuraram abrigo nas construções a sua volta, onde tiveram que permanecer por quatro horas até serem resgatados.

O resto do comboio prosseguiu pela National e virou para o norte em direção ao local da primeira queda, aonde chegaram já às 01:55h da madrugada do dia 4 de outubro. Essa força combinada de Rangers, Forças Especiais e Infantaria da 10ª Div. trabalhou até o amanhecer para retirar os corpos dos pilotos de dentro do destroços do “Super 61”, recebendo, enquanto isso, intenso fogo de armas leves e granadas durante toda a noite. Helicópteros AH-1 e MH-6 deram cobertura, inclusive disparando foguetes de 2.75 polegadas, o que ajudou a manter os somalis a certa distancia.

A Cia Alfa do 2º/14º Batalhão de Infantaria, alcançou o local da segunda queda (Super 64), mas não foram encontrados vestígios dos soldados e pilotos perdidos. Logo pela manhã, todos os mortos do “Super 61”, foram colocados nos blindados e o resto da força seguiu a pé para o sul ao longo da Shalalawi Street e da National, com os blindados fazendo uma cobertura móvel. Os Rangers e os Deltas foram abrindo caminho atirando e correndo, naquilo que ficou conhecido como a Milha de Mogasdício.

O corpo principal da coluna de resgate seguiu para o Estádio onde estavam baseadas as forças paquistanesas, a nordeste da cidade onde chegaram as 06:30h. Os médicos deram tratamento de emergência aos feridos mais graves, que foram depois encaminhados para o hospital ou para o aeroporto.

A contagem das perdas
As perdas foram elevadas, a FT Ranger teve 16 mortos e 57 feridos nos 3 e 4 de outubro, além de um morto e 12 feridos, em um ataque com morteiros ao hangar onde ela estava baseada no dia 6 de outubro. No 2º Batalhão do 14º Regimento de Infantaria (10ª Divisão de Montanha) foram 2 mortos e 22 feridos. Entre os parceiros da coalizão foram mortos 2 malaios e feridos outros 7 e os paquistaneses tiveram 2 feridos. O Exército dos EUA estima que foram mortos entre 500 e 1.500 somalis, entre milicianos de Aideed e populares inocentes que foram usados como escudos humanos ou pegos no fogo cruzado.

Os combates de 3 e 4 de outubro foram um divisor de águas no envolvimento americano na Somália. A já complexa e difícil missão sofreu uma reviravolta com esses acontecimentos. A situação exigiu muita inovação e rapidez na tomada de decisões por parte de todos os escalões envolvidos, em condições que não permitiam aos soldados americanos tirar partido de sua superioridade tecnológica. A experiência, o senso comum, coesão da tropa, e o treinamento tático superior foram as virtudes que tornaram possível a sobrevivência nesse novo ambiente de combate.

Em 14 de outubro de 1993, depois de intensas negociações, Aideed libertou o Suboficial Michael Durant, piloto e único sobrevivente da queda do “Super 64” e um soldado nigeriano das forças da ONU, capturado anteriormente, como um gesto de “boa vontade”.

 

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Assunto: Operação Gothic Serpent