OPERAÇÕES BRAKEET E MAD SHARK - FICÇÃO

Atenção: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas, nomes e obras é mera coincidência.


O serviço religioso na sinagoga de Beth Israel localizada em Lyon, França, durante o Shabat já tinha terminado a cerca de meia hora, mas ainda havia muitas pessoas do lado de fora conversando, e como que por um único comando, todas foram tragadas por uma onda de choque, fogo e destroços.  

A explosão foi mortífera e a camionete onde estava a bomba ficou totalmente destruída. Como as autoridades locais vieram a descobrir algum tempo depois a carga foi acionada por controle remoto. O atentado matou treze civis e dois policiais franceses que estavam fazendo a ronda no local. Felizmente, mesmo com toda a força da explosão, o número de feridos foi pequeno: dez pessoas ficaram feridas, inclusive os dois seguranças israelenses da sinagoga.

A explosão foi tão forte que destruiu carros próximos e as vidraças das edificações vizinhas. Após a onda de choque o que se seguiu foram muitos gritos, choro e um corre-corre desenfreado, as pessoas indo de um lado para outro completamente desorientadas. Mas não todas. Mesmo ferido na perna direita, um dos seguranças israelenses imediatamente ligou do seu celular para os serviços de emergência e também para outros lugares, controlados por Israel. 

Havia muito sangue e destroços espalhados pelo local e as equipes de resgate chegaram imediatamente, um helicóptero da policia começou a sobrevoar a área. A imprensa veio logo depois em seus carros com suas câmeras de TV e máquinas fotográficas.

Investigações

Imediatamente os franceses iniciaram investigações sobre o atentado e seus possíveis realizadores, acionando não só a polícia, mas também agentes da DST (Direção da Vigilância do Território), o órgão interno francês de contra-espionagem. Os principais suspeitos eram a Al-Qaeda e/ou o Grupo Armado Islâmico (GIA). Os americanos e britânicos ofereceram ajuda, prontamente aceita e Israel pediu para enviar seus próprios investigadores, o que foi negado, mas os israelenses tinham permissão de ter um adido da embaixada acompanhando o caso, como observador.

O empresário Amós Levy (ele tinha cinco concessionárias da Renault na França com sua matriz em Lyon) era um judeu francês, com muito orgulhou. Ele amava a França, seu país, e apoiava ardentemente Israel. Seus avós tinham lutado bravamente na resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e vários de seus tios-avós foram morar em Israel em 1947 e lá lutaram várias guerras. Quando criança Amós morria de medo das histórias de antigos parentes que foram mortos pelos nazistas nos campos de extermínio. Por isso, mesmo sendo um cidadão francês, Amós estava decidido a nunca mais permitir que os judeus fossem exterminados em qualquer lugar do mundo ou que a nação de Israel deixasse de existir.

Nos últimos meses Amós enfrentava um problema. Três clientes e um fornecedor tiveram seus carros arrombados quando estacionaram na rua lateral de sua matriz. Normalmente o estacionamento reservado para os clientes estava sempre lotado com outros clientes, e muitos deles tinham que estacionar na rua lateral. Como medida para evitar futuros roubos Amós mandou instalar uma moderna câmera de segurança, chamada de Nº 3, que vigiava mais a rua do que a concessionária. 

Coincidentemente, era nesta rua, a Rue Vauban, que ficava a sinagoga Beth Israel, localizada a poucos metros da concessionária de Amós. Para supressa de Amós a sua Nº3 filmou toda a cena do atentado e para surpresa sua também, as autoridades francesas não tinham se apercebido da existência desta câmera. Amós viu as filmagens na manhã seguinte do atentado, depois que foi informado por seu segurança do conteúdo da câmera, que era sempre gravado no HD do computado da segurança.  

Rapidamente Amós foi tomado por um arrepio quando viu o conteúdo das filmagens. Imediatamente, levado por seus instintos, mandou fazer uma cópia em CD-ROM e ligou para um telefone que tinha em seu palmtop. Alguns minutos depois saiu da concessionária e se encontrou em um bar com Pini Raviv, comerciante da área de informática, na verdade agente do Mossad, que encaminhou o conteúdo do CD-ROM imediatamente para a sede do serviço secreto externo israelense em Tel-Aviv. Três dias depois Amós avisou as autoridades francesas da existências de uma gravação de vídeo que podia auxiliar nas investigações. Mas ai, os israelenses já estavam na frente.

Operação Brakeet (Raio)

Investigações

Em Tel-Aviv os analistas de inteligência do Mossad e do Shin Bet (serviço de segurança interna de Israel/contra-inteligência), viram as imagens do atentado. Na gravação era vista uma jovem de cerca de 23 anos, com fisionomia árabe, estacionar uma camioneta em local proibido, próximo a sinagoga, e sair rapidamente em direção a outro veículo. Logo depois ocorre a explosão.

Imediatamente, depois de uma reunião de emergência como o primeiro-ministro, o diretor do Mossad foiMossad. autorizado a acionar as várias redes de espionagem israelense na Europa, em especial a seção da França para tentar encontrar a terrorista. Os israelenses tinham muitos agentes e informantes na Europa, pois foi ali que 6 milhões de judeus foram mortos e o anti-semitismo nunca tinha ido embora de verdade. Os países europeus sempre foram mais simpáticos aos árabes do que os americanos e para Israel era sempre bom "ver de perto" o que estava acontecendo. Por isso agentes israelenses se infiltravam em todas as áreas para manter Tel-Aviv a par de tudo.

A França era um caso especial para os serviços de inteligência israelenses. Lá o sentimento anti-semita era fomentado por muitos partidos de extrema-direita e na França também vivia a maior comunidade islâmica da Europa, que em seus porões guardava muitos radicais.

Apesar dos americanos terem dificuldades de se infiltrarem entre os radicais árabes, os israelenses nunca tiveram o mesmo problema, em especial com os palestinos e até na França isso não era diferente. Assim que recebeu suas instruções vindas de Israel, Rafael Yakhin, agente do Mossad, acionou sua rede de informantes, entre eles estava o palestino Nabil Mazen.

Nabil Mazen, 35, trabalhava para os israelenses a cerca de seis anos. Ele tinha sido preso pelo Shin Bet, juntamente com três outros amigos quando tentavam jogar pedras em um veículo israelense na Cisjordânia. Os agentes israelenses torturaram os quatro mas só Nabil Mazen disse quem era o mentor que estava organizando os últimos ataques contra os militares israelenses. 

Seu nome era Abdel Asfour, um dos líderes do Hamas. Mazen também indicou onde estava o seu esconderijo na cidade de Nablus, na Cisjordânia. Pouco tempo depois o esconderijo ia pelos ares, quando um helicóptero Apache AH-64D israelense lançou dois mísseis contra o local. Os israelenses atribuíram a informação a outro palestino, que era um agente duplo, logo depois este agente foi justiçado pelo Hamas. Agentes israelenses prendem manifestante palestino.

Como o depoimento foi gravado em vídeo, Mazen ficou nas mãos dos israelenses que ameaçaram revelar as filmagens para o Hamas, o que não seria nada bom para a sua saúde. Depois de um tempo preso Mazen foi libertado e "conseguiu' um visto para a França, onde iria estudar. O interessante é que nenhuma acusação criminal contra Mazen ficou registrada. Na França Mazen se envolveu com árabes radicais, especialmente argelinos e libaneses. O seu passado "terrorista" na Cisjordânia e a fama de ter "agüentado" a prisão sionista de boca fechada, lhe valeram muito status.

Certa vez quando Mazen pensou em desistir de dar infamações aos israelenses, pouco tempo depois o táxi do seu irmão mais novo foi roubado, o irmão espancado pelos ladrões, e uma rajada de AK-47 foi disparada contra a casa de seus pais. Mazen voltou atrás e "milagrosamente" o carro do seu irmão foi encontrado, apesar deste ter tido alguns dentes quebrados.

Yakhin mostrou a Mazen as imagens do atentado e pediu para que ele procurasse identificar a moça. Alguns dias depois Mazen se encontrou com o agente israelense. Mazen disse que não sabia nada sobre o ataque até a sua realização porque era uma operação da Al-Qaeda, mas descobriu com alguns contato que o nome da moça era Samira Yahya, uma libanesa de 23 anos, que morava a 2 anos em Paris. Segundo Mazen só havia no momento dois lugares seguros onde os radicais islâmicos na França podiam esconder terroristas. Um ficava em uma casa nos arredores de Paris e o outro ficava em um apartamento na cidade de Rouen. Mazen. Disse que esses lugares eram compartilhados entre a rede de terroristas que estava sendo montada pela Al-Qaeda na França.

De posse dessas informações Rafael Yakhin imediatamente entrou em contato com Israel, que passou a checar o nome Samira Yahya com seus contatos no Líbano. Israel também enviou um esquadrão de extermínio, que já estava de sobreaviso,  para a França para apoiar os agentes locais na caçada que ia se iniciar. A essa operação foi dado o nome de Brakeet.

No dia seguinte ao envio da  mensagem de Yakhin chegava a Paris vindos de vários lugares 8 "estrangeiros" (1 belga, 2 austríacos,  2 russos e 3 canadenses, segundo seus passaportes). Todos vieram em vôos diferentes e eram comandados pelo ex-Major dos pára-quedistas israelenses Benjamin Harel, agora agente do Mossad. Que neste momento se chamava Eduard Thomas, em seu passaporte canadense. Todos eram operadores e agentes altamente treinados em operações antiterroristas e a metade fazia parte do Sayeret MATKAL, unidade antiterrorista do Exército israelense responsável por operações fora das fronteiras de Israel.

Harel e se equipe se encontraram com Yakhin em uma fazenda próxima a Paris onde foram traçados os planos de ação. Haviam dois lugares para serem investigados: a casa nos arredores de Paris (ponto Yellow) bem perto de onde eles estavam e o apartamento em Rouen (ponto Blue). Harel dividiu a sua equipe em duas (quatro homens cada) que cuidariam da vigilância dos locais, até determinar em qual deles estava Samira Yahya. Ambas as equipes usariam um carro de passeio e uma van com equipamentos de escuta e câmeras equipadas com lentes de longo alcance para monitorar os locais. Tudo tinha que ser feito na maior discrição para não alertar os terroristas e nem as autoridades locais, em especial o serviço de contra-espionagem francês, o DST.

Acerto de Contas

Depois de três dias vigília a equipe Blue, teve sorte. Por voltas das 07:00h, a própria Samira, que nunca tinha aparecido, colocou o rosto entre as cortinas da janela do apartamento que ficava no quarto andar de um velho edifício de tijolos aparentes, selando a sua vida. O capitão David Olmert, comandante da equipe Blue avisou o major Harel que imediatamente se dirigiu de carro com a equipe Yellow para o local. Harel tinha constatado que o ponto Yellow estava servido de esconderijo para terroristas turcos, informação que Israel passaria para a Turquia no seu devido tempo.

Quando Harel chegou com a sua equipe já era quase noite e foi informado que o local não tinha guardas. Segundo o capitão Olmert quatro pessoas estavam no apartamento, mas só uma, um argelino, saia para fazer as compras. Os terroristas passavam o dia inteiro assistindo televisão, ouvindo rádio e comendo sanduíches ou pizzas e parecia que um deles gostava de Samira, mas não era correspondido, segundo as escutas. Os terroristas tinham algumas pistolas e dois ou três AK-47, mas não tinham granadas ou explosivos segundo o que a equipe Blue pode constatar com seus potentes microfones. O estado de alerta era quase nulo e ninguém ficava de guarda de madrugada. Por isso eles invadiriam apartamento por voltas das 03:00h, passando sem problemas pela portaria, que nesse horário não tinha ninguém.

Na hora marcada as duas equipes se preparam para o assalto ao apartamento. A equipe Blue lideraria o ataque. Dois homens da Yellow ficariam nas escadas, um deles o major Harel, para dar cobertura e outros dois, fazendo a segurança externa, estariam a postos nas duas vans que seriam usadas para retirar os israelenses e os terroristas do local.

Todos estavam armados com as novas submetralhadoras H&K MP5/10A3 (10mm) com silenciador  e cada um ainda estava armado com uma Glock 20 (10mm). Todos usavam coletes a prova de balas e rádios portáteis com fones nos ouvidos.

A movimentação na rua era nula e como previsto entrar no prédio foi fácil. Os israelenses subiram os lances de escada e colocaram uma mini-câmera por debaixo da porta. Nenhum movimento, todos dormindo. Através da mini-câmera descobriram também que só havia uma pequena tranca na porta e que não seria preciso usar o primacord. O primacord, é um explosivo em forma de corda, com um núcleo explosivo de alta velocidade - a Nitropenta. Ele é envolto por um revestimento de polipropileno e PVC, que lhe confere resistência, flexibilidade e é à prova d’água. Pode ser acionado pelo impulso elétrico de um detonador, ou então pela queima de um pavio comum atado ao cordel. Normalmente se usa o primacord nas áreas de sustentação das portas ou janelas para arrombá-las. Não usar o primacord foi um alívio para a equipe Blue, pois naquela hora da madrugada faria um grande barulho, muito além do que seria realmente necessário, o que chamaria a atenção de muita gente. Por isso um forte ponta-pé na porta resolveria o problema.

Como procedimento avançado de reconhecimento, dois dias atrás dois agentes israelenses conseguiram entrar em um apartamento do segundo andar, que seria desocupado dali a duas semanas. Com a desculpa de que queriam alugá-lo falaram com os inquilinos e foram ver o imóvel. Os apartamentos eram pequenos, dois quartos, sala, cozinha e banheiro. Enquanto um agente distraia os inquilinos, o outro tirava fotos do imóvel com um micro-câmera. As fotos foram muito importantes para se montar uma idéia do espaço dentro do apartamento.

Na hora marcada o sargento Ariel Natan, do Sayeret MATKAL, deu um forte ponta pé na porta. Natan entrou imediatamente no apartamento em foi em direção ao terrorista que dormia no sofá. Este tentou pegar a sua arma que estava no chão, mas levou dois tiro no ombro direito que praticamente o imobilizaram por causa da dor. 

Natan podia muito bem matá-lo facilmente acertando a sua cabeça, já tinha feito isso outras vezes, mas as ordens eram de se fazer prisioneiros. Natan deu uma coronhada no terrorista Nº 1e este desmaiou.

Bem atrás de Natan vieram o sargento Tamber e o capitão David Olmert, que gritavam em árabe: mãos na cabeça, mãos na cabeça! Os dois entraram no quarto onde estavam os outros dois terroristas (N° 2 e N° 3) e quando um deles tentou pegar a sua arma recebeu um tiro certeiro bem na mão direita. Rapidamente os dois israelenses imobilizaram os terroristas com golpes de Krav Magá.

Simultaneamente a tudo isso, o quarto membro da equipe Blue passou como um raio em frente a porta do quarto onde estavam Tamber e Olmert. A sua missão era capturar Samira. A terrorista acordou com o barulho e meio atordoada viu a sua porta ser arrombada. A seu cérebro sonolento não compreendeu bem o que viu, mas também não teve tempo, pois foi nocauteada pela tenente Yanna Dubinsky.

Yanna Dubinsky era uma imigrante russa, de 28 anos, natural de Moscou. Ela e seus pais moravam em Israel a seis anos. Yanna já sabia falar iídiche quando chegou em Israel por causa de seu avó materno. Assim que chegou Yanna se alistou nas Forças de Defesa de Israel (FDI) onde serviu a principio na Brigada Golani, fazendo depois curso para oficial, e depois passando a servir no  Sayeret MATKAL, onde muitas vezes operava como sniper. 

Depois de imobilizados os terroristas tiveram as suas mãos amarradas, suas bocas fechadas com fita adesiva e sobre suas cabeças colocados capuzes. Eles praticamente foram arrastados para fora em direção as vans. O inquilino que colocava a cabeça para fora no corredor, ouvia em francês, dos israelenses, que aquela era um operação policial contra traficantes de drogas e que todos deviam ficar trocados em seus apartamentos por causa de balas perdidas. Dois agentes da equipe Yellow (Harel e Dallal) vasculharam o apartamento rapidamente e pegaram todos os documentos e disquetes que haviam ali e foram embora também.

Descobertas

Os terroristas foram levados para uma fazenda, que era usada pelo Mossad como esconderijo a cerca de 250km ao sul de Rouen. Era uma propriedade muito afastada e quando as duas equipes chegaram ao local foram recebidas por Rafael Yakhin e outros dois agentes. Os quatro terroristas foram separados em compartimentos diferentes e por volta das 10:00h começaram os interrogatórios. Os israelenses não são conhecidos por suas sutilezas nos interrogatórios e em poucos dias eles conseguiram levantar tudo que era possível com aqueles terroristas.

O DST e a polícia francesa chegaram a descobrir que a moça nas imagens era de fato Samira Yahya, que no momento estava desaparecida. Na verdade os franceses nunca mais a encontrariam, pois depois dos duros interrogatórios, como não podiam transferir os terroristas para Israel, o pessoal do Mossad/Sayeret MATKAL matou todos eles e cremou os corpos.

Os israelenses descobriram que de fato os terroristas faziam parte da Al-Qaeda e estavam sob o comando de um engenheiro eletrônico argelino-paquistanês, conhecido por Ayman Mohammed. Rapidamente os israelenses levantaram a ficha dele. Mohammed até 2001 fazia parte do terceiro escalão da Al-Qeda. Não tinha lutado no Afeganistão contra os russos, porque não tinha para isso, porém recebeu treinamento terrorista em um dos campos da Al_Qaeda no Afeganistão.

Com o início da Guerra ao Terror dos americanos, vários líderes da Al-Qaeda foram mortos ou capturados e os comandantes de escalões menores foram sendo promovidos na hierarquia, e este foi o caso de Ayman Mohammed, que hoje era um dos homens do primeiro escalão da Al-Qaeda.

Ayman Mohammed foi destacado pela rede terrorista para operar no Oriente Médio e África, e era um dos principais homens da rede no uso da Intrernet. Ele tinha muitos contatos com vários grupos radicais tanto na  Argélia, Paquistão, quanto na própria França. Também tinha contatos com o pessoal do Hizbollah no Líbano, e foi no Líbano que ele recrutou Samira em 2002 e a enviou para a França depois desta ter recebido treinamento especializado em um campo terrorista perto do Vale de Bekaa.

Segundo os terroristas eliminados Ayman Mohammed não estava mais na França, Líbano ou Argélia. Depois de muita pressão um deles disse que Mohammed, depois de ter preparado o ataque a sinagoga em Lyon e ter iniciado os preparativos de outro contra o metrô de Paris, estava agora montando um campo de treinamento na Mauritânia. Bandeira da Mauritânia.

A Mauritânia, país árabe, com maioria muçulmana, oferecia muitas vantagens para uma base da Al_Qaeda. Ali existia por assim dizer muitas "terras de ninguém" e a maioria da população islâmica se mostrava simpatizante da Al-Qaeda. As fronteiras eram porosas e as forças de segurança despreparadas. Além disso células da Al-Qaeda atuavam a muito tempo na área. A Mauritânia também tinha séculos de comércio e laços culturais com o Oriente Médio.

Enquanto o foco dos americanos na África estava centrado no Chifre da África, tendo inclusive os EUA colocado forças especiais permanentes numa base francesa em Djibouti, de olho na Somália, Sudão e Iêmen, Ayman Mohammed em segredo, inclusive de outras células da Al-Qaeda, instalou uma base de treinamento na região desértica da Mauritânia.

Compartilhando Dados

Todas essas informações a respeito do campo terrorista na Mauritânia os israelenses passaram para os franceses e americanos, apesar de não revelarem suas fontes, que nesse momento estavam bem mortas. Se Ayman Mohammed realmente estivesse por lá, os americanos podiam pegá-lo e os EUA tinham mais recursos do que Israel para fazer isso. E todos sabem como os israelenses são pragmáticos.

Da sua parte Israel se dera por satisfeito: tinha matado os terroristas que praticaram o atentado contra a sinagoga; tinha a confirmação de que um campo de treinamento suspeito no Líbano de fato estava ligado a Al-Qaeda (e este seria em breve, completamente destruído por aviões F-16I); e entregou de bandeja o novo campo terrorista de Ayman Mohammed na Mauritânia aos americanos e franceses, que certamente iam cuidar do caso.

Operação Mad Shark 

Os americanos não só caçavam Mohammed por um dos atentados terroristas contra o consulado americano em Karachi, no Paquistão, em que morreu um agente do FBI, mas também por ele ser um dos principais articuladores da Al-Qaeda no uso da Internet. Mohammed usava a rede para vários fins. Os americanos descobriram que Mohammed usava a net:

Tão logo recebeu as informações de Israel, os americanos acionaram o National Reconnaissance Office (NRO), a agência americana responsável pela espionagem a partir do céu. A NRO reprogramou um satélite espião para checar um certo campo na Mauritânia. Não era novidade que os americanos, em especial a CIA, confiava muito na coleta de dados através da SIGINT (SIGnal INTelligence) em detrimento da HUMINT (HUMan INTelligence), mas isto estava mudando.

Os satélites espiões são, na prática, câmeras de vídeo/fotográficas circulando na órbita da Terra. Eles recolhem imagens em movimento da superfície, quase em tempo real. O "quase" deve-se ao fato de as imagens não serem enviadas para a Terra diretamente, mas serem antes enviadas para um outro satélite de comunicações e apenas daí enviadas para estações terrestres.

Além das câmeras de alta definição, contam com sensores térmicos, infravermelhos, e captam outros tipos de radiação eletromagnética. Isso permite medir a temperatura dos locais fotografados e obter imagens durante a noite. E saber por exemplo se um campo terrorista está sendo usado ou não. Os satélites também servem para guiar as chamadas “bombas inteligentes”, que viajam dezenas de quilômetros até atingir seu alvo.

O primeiro satélite espião, chamado KH-1 (“key hole”, ou seja, “buraco da fechadura”), foi posto em operação pela CIA em 1960. Os modelos da época apenas tiravam fotografias. Quando o rolo de filme acabava, o satélite deixava-o cair de pára-quedas e ele era recolhido em terra.

Os exemplares americanos mais sofisticados são os KH-12. Os KH-12 ou Ikon,(que são na realidade apenas uma versão melhorada do KH-11(também com a designação de código Kennan e Crystal) e não uma tecnologia nova, razão por que também deram pelos nomes de KH-11B e Improved Crystal, conseguem obter imagens com uma resolução de 10 centímetros. Uma das suas novas funcionalidades é um espelho móvel que permite que a câmara capte imagens com diferentes inclinações, podendo fotografar um objeto situado a centenas de quilômetros da vertical do lugar onde se encontre.

Os KH-12 voam a uma altitude que varia entre os 960 e os 240 quilômetros e possuem sensores infravermelhos, que permitem medir a temperatura dos locais fotografados e obter imagens durante a noite (se uma fotografia é uma medição da luz, a termográfica é uma medição da temperatura e os objetos emitem calor mesmo quando não há luz). Para mais, os satélites incluem um sistema chamado Improved Crystal Metric System (ICMS) que insere com grande rigor coordenadas nas imagens captadas, o que permite integrá-las e compará-las com imagens obtidas de outras fontes. A sua vida útil, muito superior à dos KH-11, é de oito anos. O primeiro KH-12 foi lançado a 28 de Novembro de 1992, o segundo a 5 de Dezembro de 1995, o terceiro a 20 de Dezembro de 1996, sempre da Base Aérea Vanderberg, na Califórnia.

É bom lembrar que os KH não são as únicas opções de que dispõe o NRO. Os satélites Lacrosse são outros dos seus trunfos. A sua grande vantagem é a capacidade de captar imagens através das nuvens, graças aos seus radares. O projeto de desenvolver satélites espiões com radar remonta a 1982 e foi a CIA quem tomou a sua iniciativa. O projeto passou sucessivamente pelos nomes Indigo, Lacrosse e Vega. Lacrosse continua a ser a designação preferida pelos media, mas todos eles se referem ao mesmo sistema. Não há muita informação publicada sobre o Lacrosse, mas pensa-se que a sua resolução é inferior a um metro. O Lacrosse ou Vega 1 foi lançado em 2 de Dezembro de 1988 pelo vaivém Atlantis, o segundo a 8 de Março de 1991 e o terceiro (que substituiu o Lacrosse 1) no Outono de 1997. Hoje em dia, ainda que o NRO já tenha existência oficial - o NRO só deixou de ser secreto a 18 de Setembro de 1992 - as suas atividades continuam a ser muito discretas. Às vezes até fazem "press releases" quando lançam um novo satélite, mas são sempre muito lacônicos. Nunca há informações sobre os aparelhos lançados e nem o seu nome é divulgado. São todos apenas "satélites do NRO"

Informações vindas do céu e da terra

O satélite em suas várias passagens pelo campo terrorista, agora batizado de Camp-197, mostrou que de fato ele estava sendo usado. As várias imagens do satélite mostravam muita atividade ali.

Diante desta informação o secretário da Defesa acionou o US European Command (USEUCOM), que é o responsável pelas operações militares americanas em uma vasta zona que engloba toda a Europa, passando por Israel, Líbano e Síria e a maior parte da África, para enviar ao local uma equipe de reconhecimento das forças especiais.

Os americanos que tinham na costa africana (Libéria - por causa de alguns distúrbios naquele país) o grupo de batalha do USS Richard Nixon, juntamente com USS Iwo Jima, que transportava um contigente de fuzileiros navais e duas equipes do Naval Special Warfare Development Group - NSWDG - DEVGRU. O DEVGRU tinha substituído o Seal Team 6 (antiterrorista), desbaratado na década de 1990. O DEVGRU é a contra-partida da Marinha da Força Delta, do Exército americano, e como seu irmão do US Army, altamente secreto e especializado em operações estratégicas e contraterroristas.Al-Qai'da Watch photo of Al-Qai'da terrorist training camp

Os americanos enviaram quatro homens do DEVGRU para realizarem o reconhecimento do Camp-197. O restante desses opeadores começou a se preparar para um possível ataque ao campo terrorista. A equipe de reconhecimento foi transportada por um Sikorsky CH-53E Super Stallion. O Ch-53E era o helicóptero pesado da USN e dos USMC. Tinha três motores GE T64-GE-416 (4.380 shp), podendo levar até 33.340kg, com alcance máximo de 2.075km (podendo ainda ser reabastecido no ar), com teto de serviço de 5.640m. Sua velocidade de cruzeiro era de 278km/h. O Ch-53E tinha uma tripulação normal de 4 homens e estava armado com metralhadoras de 7.92 mm ou 12.7 mm nas portas e na rampa traseira. Este helicóptero podia levar 55 soldados equipados ou 24 macas. O CH-53E voava em qualquer tempo e condição, inclusive a noite. Ou seja era o helicóptero ideal, robusto e confiável, para operações especiais a longa distância.

Imediatamente após chegar ao local, a equipe de reconhecimento começou o seu trabalho. Os homens instalaram dois postos de observação para melhor monitorar o local. Os operadores da equipes de reconhecimento (dois deles falavam árabe e um farsi) estavam munidos de aparelho de escuta, câmaras com teleobjetivas, inclusive com visão noturna e podiam, usando um terminal remoto AN/PSC-5 Spitfire UHF e um computador laptop,  passar todo o seu material coletado (imagens, relatórios, etc) via satélite, diretamente para o USEUCOM.

Após três dias os americanos confirmaram as informações recebidas do satélite espião. O Camp-197, estava sendo ocupado por terroristas, num total de 35, apoiados por 10 guardas mauritanos, mais 2 caras que cuidavam do rancho. Pelas conversas, existiam três instrutores, o comandante do campo e 30 "recrutas". Esses estavam divididos em três turmas de 10 com um "xerife" cada. 

Os guardas e os cozinheiros ficavam em um alojamento, que funcionava como casa da guarda. Os alunos ficavam em um alojamento separado e os instrutores ficavam em uma outra edificação. O comandante do campo estava alojado em uma edificação modesta que ficava em uma pequena elevação. Porém nenhum sinal de Mohammed.

Os turnos da guarda eram tirados por 4 homens. Um ficava no portão principal armado com um AK-47, outro, armado com uma metralhadora russa DShK de 12.7mm fixada em um suporte antiaéreo, ficava em uma guarita próxima ao portão, mas recuada uns 10m, e os dois outros guardas faziam a ronda no perímetro, sempre internamente. As vezes os alunos eram usados como guardas também.

No final da manhã do quarto dia de observação os operadores americanos foram surpreendidos com um boa notícia: um velho helicóptero Alouette III trouxe Mohammed para o campo de treinamento. O helicóptero pousou fora do campo, perto do portão de entrada e o terrorista foi recebido pelo comandante do campo e os instrutores. Um dos instrutores pegou duas mochilas que Mohammed trazia com ele. Os alunos rapidamente entraram em forma para receber Mohammed, que aparentemente não era esperado.  

Imediatamente os operadores da equipe de reconhecimento informaram ao comando do USEUCOM sobre a chegada de Mohammed ao campo terrorista, e isto foi a diferença entre enviar uma saraivada de mísseis Tomahawk ou uma equipe de busca/seqüestro e destruição do DEVGRU. Durante todos os dias em que a equipe de reconhecimento esteve observando o campo terrorista, os operadores a bordo do Iwo Jima também receberam os informes da equipe de reconhecimento além dos dados enviados pelo satélite espião que continuavam chegando.

Os americanos informaram os franceses dos dados coletados sobre o campo, na noite do terceiro dia, mas não de todos os dados. A França tinha tropas (legionários) no Senegal, que fazia fronteira com a Mauritânia, e que podiam atacar o campo terrorista, porém os americanos queriam fazer isto eles mesmo na noite do quarto dia de observação e não deram aos franceses dados suficientes para que eles mesmos realizassem um ataque sem muitos riscos. Os franceses, enviaram o seu próprio satélite espião e queriam pelo menos mais 5 dias para preparar o assalto, inclusive disseram que podiam enviar para o Senegal tropas especialmente treinadas em antiterrorismo. Mas o americanos, que já tinham colocado seu pessoal em "terra inimiga", disseram que não tinham este tempo todo e que se demorassem muito iriam perder a chance de capturar Ayman Mohammed. 

Com a possibilidade de nem chegar perto do campo terroristas, apesar dos americanos garantirem de que todo material encontrado no local seria compartilhado, os franceses optaram em montar um força de apoio que estaria na retaguarda em helicópteros prontos para auxiliar os americanos no assalto, se necessário. Se não fosse usada durante o assalto, a força francesa desceria no campo após os combates. Imediatamente os americanos mandaram um oficial de ligação, um major dos UMSC, para o Senegal com o objetivo de coordenar a ação com os franceses.

O ataque ao campo terrorista seria coordenado diretamente a partir da grande base naval de Norfolk, Virgínia, nos EUA, no Centro de Guerra Conjunta (Joint Warfighting Center — JWFC) do Comando de Forças Conjuntas dos EUA (U.S. Joint Forces Command — USJFCOM). Os comandantes americanos estariam em conexão direta com a equipe de assalto do DEVGRU através de satélite. 

De acordo com o planejamento o ataque foi marcado para às 02:30h. Os americanos enviaram mais 14 operadores do DEVGRU em um Sikorsky CH-53E Super Stallion, que se juntariam a equipe de reconhecimento, para formar a equipe de assalto. O helicóptero fez um vôo direto até a Mauritânia, sem nenhum problema. Na Zona de Lançamento, a 1km do campo terrorista, o CH-53E ficou pairado no ar, a cerca de 20 metros do chão, somente o tempo suficiente para que os operadores do DEVGRU saíssem da aeronave usando a técnica fast-rope.

O comandante da operação em terra era o tenente (O3) Charles Mackenzie, 29 anos. Ele já tinha participado de outras operações antiterroristas no Afeganistão, Iraque e Sudão. Estava no DEVGRU a quatro anos. A equipe do DEVGRU foi deixada a cerca de 1km do objetivo e o alcançou cerca de 20 minutos depois. Todos usavam capacetes de Kevlar, óculos de visão noturna, rádios portáteis, equipamentos de comunicação via satélite, coletes a prova de bala, Colt M-4 ou M-60E3, pistolas Sig Sauer, granadas de fragmentação, granadas de fósforo branco, mochilas (munição extra, água, comida e kit de primeiros socorros) e cargas explosivas de C4. Assim que se aproximou do campo Mackenzie entrou em contato com a equipe de reconhecimento.

- Shadow One para Hunter Four, estamos a 5 minutos do objetivo.

- Hunter Four para Shadow One, equipe Hunter em posição e aguardando.

- Ok Hunter Four, se prepare para o grande show.

- Roger.

O plano do assalto consistia em se usar 5 equipes para atacar o campo:

Poucos minutos depois da atingir a sua posição, Mackenzie que comandava a Shadow One começou a receber os informes em seu intercomunicador:

- Equipe Hunter Four pronta.

- Equipe Shadow Four em posição.

- Equipe Shadow Three em posição.

- Equipe Shadow Two em posição.

Eram 02:37 e Mackenzie ordenou o ataque.

- Equipe Hunter Four, aqui Shadow One, iniciar o ataque.

- Roger.

Como num balé macabro os quatro guardas do campo se contorceram e caíram sem vida após serem atingidos quase simultaneamente com um tiro na cabeça. O veterano Chief Petty Officer-E7 (o equivalente ao nosso 1º Sargento) Kilmer (Bósnia, Kosovo e Afeganistão) viu pela sua mira quanto o seu alvo desapareceu quando foi abatido na cabeça e a nuvem cor-de-rosa que jorrou do buraco por onde saiu o projétil disparado por seu M25.  

- Shadow One, aqui Equipe Hunter Four. Fase 1 completa - Disse Kilmer

- Equipes Shadow, movam-se, movam-se - Disse Mackenzie.  

As equipes Shadow que já estavam a postos, com todos os seus membros usando óculos de visão noturna, começaram a avançar pelo perímetro do campo terrorista, indo cada uma em direção ao seus alvos. Os dispositivos de segurança do campo (extremamente simples) foram rapidamente desativados. Os operadores andavam em fila indiana e em completo silêncio.

As equipes Shadow Four e Shadow Three colocaram respectivamente as suas potentes cargas explosivas de C-4 na casa da guarda e no alojamento dos recrutas terroristas. Ambas informaram ao líder da Shadow One com um duplo clique em seu fone de ouvido. O líder da Shadow Two, também com um duplo clique informou que estava pronto para invadir o alojamento dos instrutores. Como também estava em posição para invadir a casa do comandante do campo e capturar Mohammed, Mackenzie deu o sinal para o ataque através de três cliques pelo rádio.    

O que aconteceu depois foi muito rápido. A casa da guarda e o alojamento dos recrutas foram completamente destruídos com as explosões das cargas de C-4. As equipes Shadow One e Two entraram nos alojamentos a elas destinados como um verdadeiro tufão. Divididas em duplas, cada homem da equipe sabia muito bem aonde se posicionar dentro do recinto. Todos os terroristas estavam dormindo, e o curto tempo que levaram para entender o que estava acontecendo não foi suficiente para que eles esboçassem uma reação. Quando menos esperaram os americanos os estavam amarrando. Nenhum tiro foi disparado dentro desses alojamentos, ao contrário do que aconteceu na casa da guarda e no alojamento dos recrutas, onde os operadores do DEVGRU amaciaram o local depois das explosões com suas armas.

Pouco tempo depois o tenente Mackenzie recebeu em seu fone os informes das outras equipes:

- Shadow Four para Shadow One, todos "bandidos" eliminados.

- Shadow Three para Shadow One, todos "bandidos" eliminados.

- Hunter Four para Shadow One, perímetro seguro.

Neste instante o tenente Mackenzie, olhando para Mohammed amarrado, amordaçado e encapuzado aos seus pés, envia a mensagem para o Centro de Guerra Conjunta.

- SkyMaster aqui Shadow One, Six Pack pronto para entrega, com porções extras, repito, Six Pack pronto para entrega, com porções extras.

Todo o ataque durou 10 minutos.

Diante desta mensagem os comandantes militares americanos e os oficiais da inteligência que estavam em Norfolk, viram em uma imagem mais ampliada do satélite, o CH-53E se aproximar do campo terrorista. Durante o desenrolar da operação os americanos convenceram as tropas francesas a voltarem para o Senegal. 

Quando o CH-53E pousou os americanos já tinham revistado todo o campo e colhido muitos dados da Al-Qaeda. Foi inclusive encontrado um laptop de Mohammed, com muitos planos e dados secretos dentro. Com todos os "passageiros" devidamente preparados para serem levados juntamente com os operadores do DEVGRU de volta para o USS Iwo Jima, o CH-53E decolou, deixando parta trás o que sobrou do Camp-197.  

No dia seguinte o governo da Mauritânia foi informado do ataque em seu território e recebeu um incentivo financeiro dos americanos por ter "cooperado" nessa missão antiterrorista. As notícias que saíram nos principais jornais do mundo alguns dias depois diziam que forças militares da Mauritânia atacaram um acampamento de rebeldes, onde provavelmente existiam possíveis seguidores da Al-Qaeda. O acampamento foi completamente destruído, porém alguns rebeldes conseguiram escapar. As noticias ainda diziam que "segundo funcionários graduados" americanos, assessores militares dos EUA auxiliaram os militares da Mauritânia com logística e inteligência.


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