OPERAÇÃO GOTHIC SERPENT VII - SOMÁLIA - 1993


A Operação Serpente Gótica foi planejada inicialmente para ser um ataque simples do tipo missão “grab and snatch” para capturar dois dos principais tenentes Aidid (chamados de Salada e Awale). Mohamed Farrah Aidid, era o líder do clã Habr Gidr e principal alvo das forças da ONU estacionadas na Somália. Infelizmente, para os americanos, a missão se transformou em um grande tiroteio que se arrastou por cerca de 14 horas e teve profundas implicações sobre a mente do público americano. Esse episódio ficou conhecido como a Batalha de Mogadíscio (em inglês: Battle of Mogadishu), também conhecida como Batalha do Mar Negro (Battle of the Black Sea) e Black Hawk Down na cultura popular americana, e pelos somalis como O Dia dos Rangers (em somali: Maalintii Rangers).

 

Na verdade, a batalha de Mogadíscio e suas consequências afetou a política externa de Washington por anos, especialmente na África. O ataque teve inicio com a confirmação de um agente somali, recrutado localmente, da identificação do prédio onde estavam os dois tenentes de Aidid que participavam de uma reunião.

 

Alguns eventos que antecederam a ação
Em 5 de junho de 1993, forças da SNA de Aidid emboscaram soldados paquistaneses que integravam a UNOSOM II, matando 24 e ferindo outros 44 homens. O Conselho de Segurança da ONU baixou a Resolução 837, que adota uma postura militar mais agressiva em relação a Aidid. Entre outras medidas, entre 7 de junho e 14 de julho foram usados quatro gunships AC-130 Spectre, que voaram um total de 32 missões de interdição, reconhecimento e operações psicológicas, sendo oito dessas sortidas de combate sobre as ruas de Mogadíscio, usando seus canhões de 105 mm e 40 mm, destruindo inclusive dois depósitos de armas e a Rádio Mogadíscio, usada para propaganda de Aidid.

Em 17 de junho, foi autorizada a detenção de Aidid e oferecida uma recompensa de US$ 25.000, o que só serviu para piorar o clima político, com aumento de choques de tropas da ONU e dos EUA, com a sua milícia. Em 12 de julho, a Força de Reação Rápida atacou o QG de Aidid com helicópteros de ataque. Depois desse ataque a multidão hostil matou quatro jornalistas ocidentais que cobriam a ação, mostrando seus corpos para o mundo ver. Imediatamente o Comando da Força da ONUSOM II colocou a sua inteligência e capacidade operacional para localizar, capturar e deter Aidid e qualquer um de seus apoiadores, que foram responsabilizados pelos ataques de junho e julho.

A FT 3-25 (Aviação) do U.S. Army foi designada o elemento de Comando e Controle e estabeleceu três equipes para realizar as operações de captura: Team Attack, Team Snatch, e Team Secure. Formada por helicópteros de Ataque, Escolta e Transporte com snipers e um pelotão de escolta que realizariam uma vigilância continua, executando um ataque a seu comboio e escolta quando ele estivesse trafegando pela cidade e mais vulnerável. O Team Attack destruiria os veículos líder e de retaguarda do comboio, o Team Snatch então capturaria Aidid e a equipe Secure criaria um perímetro para impedir a entrada de civis e a fuga dos alvos do local da emboscada.

Em 8 de agosto, uma viatura da Policia Militar foi destruída por uma mina, na rua Jialle-Siaad, matando quatro militares americanos a bordo. A situação piorou, e o Secretário-Geral da ONU Boutros-Boutros Ghali pediu ao Presidente Bill Clinton, recém empossado, ajuda para capturar Aidid.

Em 28 de agosto, começou a chegar à Somália a Força-Tarefa Combinada de Operações Especiais (JSOTF) ou a Força-Tarefa Ranger (TFR), sob o comando do Major-General William F. Garrison. A TFR era formada por elementos da Força Delta, do 2º Batalhão do 75º Regimento de Rangers (2/75), dos ParaRescue da USAF e SEALs da Marinha.

Em 8 de setembro, soldados americanos e paquistaneses estavam retirando bloqueios das ruas em um lugar conhecido como Fabrica de Cigarros, quando foram atacados pela milícia usando canhões sem recuo de 106mm, RPG e armas portáteis.

Em agosto e setembro, realizaram seis missões em Mogadíscio, todas com sucesso. Em 21 de setembro, numa dessas incursões, foi capturado Osman Atto um dos assessores mais próximos de Aidid. A ação ocorreu sem sobressaltos, mas os homens da Força-Tarefa enfrentaram pela primeira vez fogo pesado de armas portáteis e de RPGs. O fogo foi devolvido por unidades em terra e no ar. Mais tarde, no mesmo dia, essa unidade foi novamente atacada pela milícia, usando uma multidão de cerca de 1000 pessoas como escudo. Seis homens da UNOSOM II foram feridos.

Outros soldados que estavam desbloqueando as ruas foram atacados nos dias 16 e 21 de setembro. No ataque do dia 21, os paquistaneses perderam um VBI e sofreram nove baixas, entre elas, dois mortos.

Em 25 de setembro um helicóptero UH-60 Black Hawk americano foi abatido, causando a morte de três homens, um do 25º Regimento de Aviação (10ª Div) e dois da 101ª Div., forças americanas e paquistaneses garantiram o local da queda e evacuaram as baixas sob fogo. O que causou preocupação aos americanos, foi o fato dos somalis terem derrubado o helicóptero usando um simples RPG, normalmente usado para atacar veículos blindados. Isso não era um bom prenúncio para incursões da FT Ranger usando helicópteros.

 

Operação Gothic Serpent

A missão teria a participação dos US Rangers e dos operadores da Delta Force (também chamados de “D-boys”), apoiados pelos helicópteros do 160 SOAR, também conhecidos como "Nighttalkers". Essa força enviada especialmente ao Somália para caçar o líder somali, era chamada de Task Force Ranger (TFR). Na verdade a Força-Tarefa Ranger (Task Force Ranger), consistia de uma força de assalto formada por equipes da Delta Force (Esquadrão C) do Exército Americano e dos US Army Rangers, um elemento aéreo do 160º Regimento de Aviação de Operações Especiais (160.º SOAR), cinco operadores Navy Seals do SEAL Team Six, membros dos Pararescue da Força Aérea Americana e controladores da Equipe de Controle de Combate.

 

Operadores Delta (coletes balísticos e capacetesnegros) e Rangers em Mogadíscio em 1993.

 

No máximo, a missão podia durar entre 35-40 minutos do início ao fim. Os Rangers e os Deltas tinham realizado missões semelhantes no passado, embora o veterano Major General William F. Garrison tivesse algumas preocupações. Ele acreditava que se a missão durasse ou mais de 30 minutos no mercado Bakara, os partidários de Aidid podiam ser mobilizados e se envolverem em uma luta prolongada com os americanos.

 

"Irene": Indo para o "Mar Negro"
As 15:23hrs, a TFR recebeu aprovação para iniciar a operação. O Rangers começaram se mover. Dois pelotões da Companhia B, 3º Batalhão, 75ª Regimento Ranger, comandado pelo Capitão Mike Steele, iriam ser transportados em quatro MH-60Ls  do 160 SOAR para formar bloqueios nas esquinas do prédio alvo. Um terceiro pelotão, sob o comando do Ten. Coronel Danny McKnight (comandante do Batalhão Ranger), operaria o comboio que seria enviado ao local para extração dos prisioneiros e, potencialmente, de todos os Rangers e Deltas. Operadores Delta e outros membros do SOF começou a embarcar nos MH-6s (transporte com bancos nas laterais que serviam para transportar tropas) e AH-60s (artilhados).

 

Todos os elementos da TFR tinham muita prática em rapidamente se prepararem para um ataque de helitransportado  e todos estavam embarcados para a sua missão por volta das 15:29hrs. Pela primeira vez durante a sua implantação na Somália, Garrison ordenou que os AH-6s fossem armados com lançadores de foguetes de 2.75in pods, um mau sinal dq resistência esperada. Os americanos iriam no movimentado mercado de Bakara em uma área chamada de "Mar Negro" - um aglomerado de barracos e prédios ocupados por partidários Aidid, que mataria qualquer soldado da ONU ou dos EUA por uma recompensa da Aliança Nacional Somali, liderada por Aidid.

 

Mogadíscio parecia uma colcha de retalhos, formada de barracos com uma confusa e indescritíveis matriz de vielas e estradas. Durante os preparativos do ataque, os Rangers determinaram que tipo de equipamento e suprimentos eles iam transportar durante a missão. Muitos deles acreditavam que iriam voltar logo antes de escurecer. Já que os Rangers iam operar em plena luz do dia e retornar antes pôr do sol, nenhum deles se importou em levar seus óculos de visão noturna. Outros não se deram ao trabalho de transportar água ou ração. Os Rangers também carregaram uma carga mínima de munição. Outros equipamentos também ficaram para trás. Por causa do calor, e devido a previsão de que a missão seria de curta duração, e de haver uma pequena chance de um intenso tiroteio, os soldados tiraram as suas placas blindadas de seus coletes balísticos.

 

Nem todos os soldados do 3º Batalhão foram destacados para o ataque. Parte do batalhão permaneceu no aeroporto, onde estava a base da TFR, para montar guarda e executar outras funções. Uma vez que a mobilização foi mantida a um nível mínimo de soldados, havia relativamente poucos soldados disponíveis para a missão. Existia uma pequena reserva pronta a responder a qualquer contingência imediata com exceção de uma equipe disposta em um helicóptero CSAR que iria pairar nas proximidades, o comboio terrestre que seria usado na viagem de retorno, e a infantaria leve de uma Cia. QRF.

 

Cena do filme Black Hawk Down de 2001 mostra os MH-6s transportando operadores O pessoal da produção do filme Jerry Bruckheimer, Ridley Scott, Mike Stenson, Chad Oman, Branko Lustig e outros dirigentes de Falcão Negro em Perigo conseguiram que o governo marroquino e o Departamento de Estado dos Estados Unidos e Departamento de Defesa chegassem a um acordo que autorizasse aproximadamente 100 Rangers americanos, quatro Black Hawks, quatro Little Birds e seus respectivos pilotos do 160º SOAR - e todo o pessoal de apoio que os acompanha - para que cruzassem o Atlântico para ajudar a produção a recriar os primeiros minutos e outros momentos cruciais da missão com verossimilhança.

 

As forças da ONU (UNOSOM II) poderiam ajudar, mas era problemático organizar e coordenar essas forças, e movê-las a tempo, pois cada unidade necessitava de uma aprovação de suas autoridades nacionais. Além do mais a postura americana era bem autônoma e nem sempre simpática com as demais nações. Uma vez que tudo estava pronto para a ação, Garrison autorizado o lançamento do codinome "Irene" e a sétimo missão da TFR começou. Os oito MH-60, quatro MH-6, e quatro AH-6 partiram as 15:32hrs. Os helicópteros só tinham que atravessar três milhas de terra para alcançar o edifício-alvo, ou seja no máximo dois ou três minutos de voo. Os MH-60 estavam assim distribuídos: dois com os atacantes Delta, quatro com os Rangers para o bloqueio (nessas aeronaves os bancos foram retirados para dar mais espaço), um transportando a excelente equipe CSAR, e um transportando os dois comandantes da missão, o Tenente-Coronel Tom Matthews, que iria coordenar todo as aeronaves do 160 SOAR e Tenente-Coronel Gary Harrel da Delta, responsável pelos homens em terra.

 

As aeronaves se aproximaram da área alvo do norte e do sul. Enquanto isso, as 15:35hrs, McKnight e o seu comboio de 12 veículos deixou o aeroporto para posicionar-se ao sul do alvo, de modo que eles estariam próximos o suficiente para recuperar os Rangers (a força de bloqueio), os Deltas (a força de assalto) e os seus prisioneiros rapidamente.

 

Enquanto todo esse grande balé se desenvolvia, observadores somalis a serviço do clã Habr Gidr monitoravam tudo dentro e fora do aeroporto. A única questão para os somalis era se a ação da TFR era mais um dos seus numerosos exercícios de treinamento ou uma missão real para capturar Aidid.

 

Cena do filme Black Hawk Down - Os Black Hawks avançam para Black Sea

 

McKnight, ordenou que o seu comboio tomasse a direção da  uma estrada em direção nordeste da 21 October Triumphal Arch. Depois McKnight se moveu para o norte da Via Lenin. Os HMMWVs e os caminhões começaram a trafegar na National Street e depois em direção ao Hotel Olympic. Não houve grandes incidentes na viagem de McKnight até ele entrar na área alvo.

 

Orbitando acima deles havia um OH-58D e mais acima um avião EP-3E agindo como como os "olhos" do comboio para guiá-los através da teia de estradas, ruas, becos, e obstáculos de Mogadíscio. Infelizmente, o EP-3E não podia diretamente se comunicar com o comboio terrestre por causa das regras processuais. A tripulação do EP-3E teria, portanto, que transmitir suas informações para o QG de Guarnição e este para o combio, o que acarretaria uma perda de tempo na transmissão.

Como o combio de McKnight era apenas um dos vários elementos no ataque, e Garrison tinham que tomar decisões com base no impacto de toda a missão, não apenas com o que acontecia com o comboio. O QG de Garrison decidiu passar então as informações transmitidas pelo EP-3E o MH-60 que servia de C2 e este as retransmitiria para McKnight. Este processo tinha suas falhas, pois quando uma informação sobre um obstáculo chegava ao comboio de McKnight, os veículos já tinham passado por ele, ou quando eram ordenados a dobrarem a direita ou esquerda em uma esquina, eles faziam isso, mas na esquina errada, pois a certa tinha ficado para trás. Foi isso que aconteceu no calor da batalha, onde certas decisões tinham que ser tomadas com rapidez. A força de reconhecimento aéreo avisou previamente McKnight de dois bloqueios montados com queimas de pneus durante a sua viagem para a área alvo. No calor dos combates os somalis montaram outros bloqueios.

McKnight levou o seu comboio para uma área cerca de 200 metros ao sul do edifício-alvo e esperou a chamada para sair da área. Seu comboio foi estacionado perto do Hotel Olympic as 15:45hrs. Os Planejadores da TFR pensavam que 160 homens (entre esses 40 Deltas e 75 Rangers), 12 veículos terrestres e 19 helicópteros e aviões para a missão eram suficientes.

 

A missão era simples:  Enquanto os Delta capturavam seus objetivos, os Rangers deveriam organizar e manter um perímetro de segurança, enquanto um comboio de 12 veículos Humvee e caminhões deveria percorrer um trajeto de não mais do que 5 km até o perímetro, embarcar os prisioneiros, os Delta e Rangers e retornar para a área mantida pelas forças dos Estados Unidos na periferia da cidade de Mogadíscio.

 

 

Dando início à missão os MH-6s desembarcaram a força de assalto. O Capitão Scott Miller comandava a unidade Delta, e alguns AH-6 acompanhavam de perto os MH-6s para prover apoio aéreo aproximado. Enquanto isso os MH-60s transportando os Rangers avançavam em formação. Os 1º e 2º Pelotões da Companhia B, comandados pelos  Primeiros Tenentes Thomas Di Tomasso e Larry Perino (oficial de Operações), iam nos helicópteros. O 1º Pelotão  tinha responsabilidade pelos Chalks 1 e 3 e o 2º Pelotão pelos 2 e 4. Cada Chalk tinha entre 12 e 15 soldados, liderados por um oficial ou por um oficial não-comissionado (NCO). Um único helicóptero iria transportar todos os Rangers de um Chalk.. O Capitão Mike Steele (comandante dos pelotões) era o comandante da força de bloqueio e acompanhava seus homens na missão - ele também seria responsável de proteger o perímetro exterior de um bloco em cada sentido.

 

As equipes Delta tinham a responsabilidade de tomar sozinhas o edifício-alvo. A missão tinha na verdade dois comandantes, Miller, o comandante da força de assalto, e Steele, o comandante da força de bloqueio, de forma que não havia nenhum único comandante da missão no chão para esta missão da TFR.

 

A tarefa dos Ranges era estabelecerem bloqueios nas quatro esquinas do quarteirão do prédio alvo para formar um perímetro defensivo. Eles desceriam por cordas grossas em suas posições após os Deltas serem desembarcados para invadirem o prédio. Enquanto uns Deltas entravam no edifício, outros mantinham o prédio seguro e impediam qualquer membro do clã Habr Gidr de escapar. Pelos cálculos dos americanos, tanto o bloqueio quanto a captura dos tenentes de Aidid levariam apenas alguns minutos.

 

Cena do filme Black Hawk Down - Uma visão de Black Sea

 

Porém essa missão coreografada enfrentou alguns obstáculos. Os fios das linhas de energia e de telefone, os veículos velhos e enferrujados largados na rua, detritos e poeira tornavam um risco o desembarque de tropas e ataques usando helicópteros. Sendo assim os MH-60 dos Rangers não pousariam e sim ficariam pairados sobre o local onde os soldados deveriam estabelecer os seus bloqueios. Os Rangers desembarcariam usando suas grossas cordas. Era uma descida de quase 14 metros em meio a muita poeira e o lixo levantados o que poderia levar a perda de visão e orientação.

 

Normalmente, depois de estabelecer um perímetro, os Rangers abririam um espaço para uma zona de aterragem para permitir que os MH-60s pudessem resgatá-los após a conclusão da missão. Infelizmente, as grandes quantidades de lixo e terra, além do aumento crescente das multidões de civis tornaram isso impossível. Também havia se formado uma turba armada e hostil que poderia facilmente danificar ou mesmo destruir um helicóptero no chão. Todos os presos somalis bem como os americanos teriam que voltar para a base com o comboio de McKnight.

 

Às 15:40hrs, um AH-6 varreu o topo do edifício alvo para garantir que não haveria nenhuma oposição que poderia interferir com o ataque. Enquanto isso dois AH-6 (Barbers 51 e 52) circulavam a cerca de 90 metros acima do prédio-alvo, no caso de os Deltas ou os Rangers necessitarem do apoio de fogo de seus foguetes ou de suas miniguns de 7,62 milímetros. Quatro MH-6s então pousaram perto do alvo. O assalto começou por volta das 15:42hrs - os operadores Delta começaram a assegurar o prédio, e mais reforços Deltas chegaram. Um MH-60L - Super 61 - pilotado por Cliff Wolcott, conhecido por seus amigos como "Elvis", entregou comandos Deltas adicionais para apoiar o ataque inicial. Levou apenas 45 segundos para os passageiros de Wolcott sairem do seu helicóptero. Então o Super 61, como outros MH-60Ls, permaneceram na área para servir como um meio para extrair qualquer membro da TFR, disparar seus dois miniguns para manter a multidão afastada, ou atirar em qualquer homens armados, especialmente aqueles que transportavam RPGs. Nem todos os passageiros de Wolcott tinham deixado o Super 61, no entanto. Atiradores de elite Delta permaneceram a bordo para eliminar homens das milícias ou outros alvos.

 

Um lança-rojão de fabricação russa RPG-7

 

Os bloqueios tinham começado a se formar. Os Rangers cairam fora de seus helicópteros para criar posições de bloqueio em quatro áreas ao redor do alvo. A missão transcorria conforme o planejado até que houve um acidente. Quando os Rangers em Chalk quatro estavam deixando o seu helicóptero, um jovem Ranger, o Soldado de Primeira Classe Todd Blackburn, caiu de cerca de 12 metros no chão ao tentar descer de fast-rope na sua posição de bloqueio.  O soldado Mark Good, médico do Pelotão Ranger desce em seguida, e após rápido exame, avisa que Blackburn está seriamente ferido, e se não for evacuado imediatamente ao hospital da Base, vai morrer.

 

Cena do filme Black Hawk Down - Rangers são inseridos através da técnica de fast-rope nos bloqueios

 

O Sargento Matt Eversmann, o líder do pelotão, solicitou uma evacuação médica imediata para o seu soldado que estava inconsciente. Ele estava sangrando pelo nariz, orelha e boca. Os médicos no local estabilizaram a sua condição, mas os Rangers não podiam limpar uma zona de pouso e deixar qualquer MH-60 ou MH-6 pousar. Por isso os Rangers teriam que esperar pelo comboio de McKnight. Blackburn foi a primeira das várias vítimas que a TFR sofreria nas próximas horas.

 

Os voos rasantes dos Black Hawks e dos Little Birds agitaram a população. Eversmann e outros Rangers estavam agora tomando fogo de todas as direções. No momento em que os Deltas e Rangers começaram a aparecer, os moradores do Mar Negro alertaram os homens de Aidid do ataque. Então os somalis começaram a se mobilizar e armar-se. Giumale, o comandante da milícia de Aidid em Mogadíscio, começou a orquestrar uma resposta à incursão da TFR em seu território. Um de seus principais objetivos era o de isolar os americanos.

 

Bloqueios de áreas, a criação de armadilhas, a destruição de veículos e a derruba de helicópteros poderia ajudar com este objetivo. Por rádio, Giumale notificou os comandantes do seu setor para mover a milícia para lutar contra os norte-americanos. Os milicianos organizaram emboscadas ao longo das rotas mais prováveis ​​de serem tomadas pelos veículos americanos do aeroporto de Mogadíscio aeroporto ou da base da 10ª Divisão de Montanha dos EUA. Outros milicianos, junto com moradores da cidade, reagiram à tiros e correram para o edifício-alvo. Milicianos e civis de todos os lugares se dirigiam para o local com uma variedade de veículos ou avançavam a pé mesmo.

 

Combatentes somalis em pelotões organizados e esquadrões de seis ou sete se posicionavam entre os edifícios, portas, muros e árvores para evitar os AH-6 e MH-60Ls. Este ataque aconteceu praticamente no centro das forças de Aidid, por isso não houve nenhum problema para mobilizar um grande número de combatentes para lutarem contra os americanos.

 

Apesar dos americanos terem enviado algumas das suas melhores tropas de combate, senão as melhores, e contarem com equipamentos (óculos de visão noturna, rádios avançados, etc) e armamentos de ponta, como os MH-60, os A\MH-6, os OH-58D e até os secretos EP-3E, além de veículos blindados Humvee, Giumale possuía números de homens e vantagens territoriais que poderiam garantir uma vitória.

 

Aliados das milícias de Aidid começaram a disparar contra os elementos da TFR e as multidões apareceram em torno da força de assalto e dos bloqueios. Cada um dos bloqueios estava cerca de um quarteirão do edifício alvo, exceto o de Eversmann. Ele estava a duas quadras desde que o seu helicóptero tinha desembarcado os seus homens um quarteirão mais distante. Os Rangers nos bloqueios procuraram veículos abandonados e cobertura dos prédios para evitar atiradores inimigos e retornar o fogo de uma posição mais protegida.

 

Existia na Somália, como em muitos outros países falidos da África uma considerável quantidade de fuzis automáticos AK-47 disponíveis. Essa era uma arma que existia em abundância no mundo, era relativamente barata, robusta, confiável e de fácil manutenção. Naquele dia muitos somalis estavam armados com AK-47 e as tripulações dos helicópteros viram também alguns indivíduos armados com lançadores de rojões RPGs indo para a área de combate. Os homens de Aidid e seus simpatizantes se mantinham misturados com a multidão e disparavam contra os bloqueios dos Rangers, os helicópteros e o comboio. Eles faziam isso porque usavam a multidão como um escudo contra o fogo de retorno dos americanos.

 

A força de ataque tinha capturado os dois tenentes de Aidid, Salada e o Coronel Abdi Hassan Awale (ministro do interior da SNA), e 24 outros membros da Somali National Alliance (SNA), que era o nome oficial da milícia de Aidid. Os operadores Delta algemaram todos os prisioneiros com algemas flexíveis e ficaram aguardando a chegada do comboio de McKnight, chamado de o "Comboio Perdido", para a evacuação. O pessoal da TFR guardava os prisioneiros no pátio do prédio onde podiam melhor controlá-los e evitar colocá-los na rua onde eles poderiam ser baleados. As tropas Delta, Rangers e os pilotos dos helicópteros aguardavam o o sinal de "Laurie" para iniciar a evacuação para o aeroporto. Quando esse comando fosse dado os Rangers nos bloqueios iam ordeiramente se deslocarem de suas posições para perto do prédio o alvo onde seria criada uma área de retirada.

 

Miller da Força Delta chamou seu comandante de esquadrão e afirmou: "Estamos prontos para sair de Dodge." A TFR tinha cumprido a missão em cerca de 15 minutos com 20 membros Delta que havia invadido o prédio e capturado seus alvos. Com a exceção da lesão de Blackburn, o ataque foi um grande sucesso.

 

Cai o Super 61

Grupos e mais grupos de milicianos somalis se direcionavam para a área do Hotel Olímpico, armados principalmente com armas automáticas e RPGs, eles superavam em muito os americanos em número e podiam envolvê-los em um cerco mortal. Mas antes de tudo eles precisavam neutralizar a grande vantagem do seu adversário, os seus helicópteros.

 

Um MH-60L não era um alvo fácil de acertar. Os helicópteros principalmente voavam só com o piloto e o co-piloto, mas os MH-60Ls tinham dois chefes de tripulação que operavam suas miniguns em cada uma das portas e muitos deles tinham atiradores de elite das forças especiais a bordo. Se um AH-6 avistasse um somali com um RPG carregado, ele atacaria o insurgente instantaneamente com suas metralhadoras e foguetes. Relatórios enviados a Garrison, no entanto, indicavam que os helicópteros estavam enfrentando muitos somalis disparando seus RPGs. Os pilotos do 160 SOAR operavam as vezes com seus helicópteros em altitudes de apenas de 60 metros para fornecer apoio de fogo, uma posição que também fazia deles um alvo para pequenas armas de fogo.

 

Wolcott, piloto do Super 61, navegou no bairro Mar Negro a menos de 30 metros e tentou fazer o seu trajeto de vôo errático para evitar ser um alvo fácil, e para confundir qualquer operador de RPG. Apesar destes esforços, seu helicóptero começou a receber fogo do chão. Wolcott e todos os pilotos do 160 SOAR tinham ciência de que a queda do Courage 53, um UH-60 da Quick Reaction Force (QRF) foi provavelmente causada pelo disparo de um RPG somali em 25 de setembro último.

 

A aeronave de Wolcott e outro Black Hawk estavam provendo apoio de fogo, quando viram que as trilhas de fumaça de RPG disparados para o céu começaram a aumentar ao redor do prédio alvo. Por volta das 16:20hrs, um único RPG bateu fatalmente no Black Hawk de Wolcott. O piloto tentou controlar o danificado MH-60, mas não adiantou - o helicóptero estava em uma rotação descontrolada.

 

Alguns dos Rangers nos bloqueios assistiram o MH-60L cair em espiral perto da Marehan Road. Wolcott não podia fazer nada, mas procurava tentar pousar sua aeronave de tal forma que pudesse salvar todos a bordo.

 

Os pilotos dos helicópteros, o pessoal no QG e outros ouviram a voz angustiante do piloto dizendo que o "Super 61 está caindo." O helicóptero caiu a nordeste do edifício-alvo a cerca de três quarteirões, ou cerca de umas poucas centenas de metros de distância. O Black Hawk agora estava amassado como um casco quebrado entre Marehan Road e a Avenida da Liberdade.

 

Neste momento o impensável aconteceu. A SNA estava tentando cercar os homens de Garrison que estavam em uma posição muito vulnerável. A TFR sempre usou a vantagem da velocidade e da surpresa para cumprir as suas missões. Mas agora o cenário estava ficando crítico e com a queda do Super 61 os americanos perderam seus trunfos.

 

Cena do filme Black Hawk Down - Momento em que o Super 61 é atingido por um rojão de RPG-7

 

Correndo ou usando veículos, os somalis podiam muito bem chegar rapidamente ao local da queda do helicóptero antes das forças da TFR, e tomar os tripulantes como reféns ou até mesmo massacrá-los como fizeram com alguns paquistaneses no passado. Vivos ou mortos, as forças da SNA faria um grande espetáculo público da tripulação capturada diante da mídia, se eles os pegassem. Aidid poderia usar a cobertura da imprensa para transformar a opinião do povo americano que estava relativamente desinteressados da situação na Somália e pressionar o Congresso para uma retirada do apoio americano na Somália.

 

Garrison sabia que tinha perdido a iniciativa no ataque e que a iniciativa estava lentamente mudando para o lado dos somalis. Com a queda do Super 61 o caráter da missão se alterou drasticamente. A missão relativamente simples de capturar os tenentes de Aidid em um prédio sem proteção tinha agora mudado para um dramático resgate do pessoal do Black Hawk abatido. Em vez de se prepararem para uma rapida extração de volta à base, Garrison, e os planejadores da TFR agora tinham que enviar tropas que estavam no local para chegarem rápido ao Super 61.

 

Cena do filme Black Hawk Down - Rangers no combate de rua

 

Os planos de contingência incluía três elementos: O helicóptero CSAR podia ser imediatamente acionado; A QRF podia ser chamada, ou os Rangers e os Deltas disponíveis no local podiam ser enviados ao local do acidente.

 

O helicóptero CSAR - Super 68 - se direcionou logo para a cena do acidente. Além da sua tripulação ele transportava cinco operadores Delta, sete Rangers, e dois PJs pararescue da Força Aérea dos EUA, além de um Controlador de Combate (CCT - Combat Control Teams). Os Deltas e os Rangers proveriam a segurança da área. O PJ e um paramédico Ranger podiam dar a assistência médica imediata a todos os membros da tripulação que estivessem feridos, enquanto o CCT podia coordenar o apoio aéreo aproximado.

 

A QRF da 10th Mountain Division exigiria um certo tempo para ser organizada e se deslocar para o local do acidente. Essa força mesmo posicionada a apenas alguns quilômetros de distância do local da queda tinha que realizar uma viagem pela cidade iria levar tempo pois qualquer comboio da QRF teria que penetrar numa zona sob fogo inimigo. A Cia. C que estava em alerta como QRF iria tentar se mover em direção ao local do acidente partindo de sua base que ficava perto do antigo complexo da Universidade Nacional da Somália, que ficava ao  lado da Embaixada dos EUA.

 

A força mais próxima no solo da TFR era os homens sob o comando de Di Tomasso (Chalk 2). Ele estava a menos de 400 metros de distância do local. Ele viu muitos somalis tentando se mover em direção ao Super 61, que estava a cerca de dois quarteirões e ele sabia ele que tinha ir o mais rápido que pudesse para a posição do Super 61 antes do inimigo. Seus Rangers começaram a se mover para o local, mas Di Tomasso deixou alguns membros para protegerem o bloqueio. Dois outros bloqueios dos Rangers também começaram a se mover para o local do acidente. Eversmann e seus homens permaneceram no local para guardar o ponto de encontro com McKnight, que iria recolher os prisioneiros e depois todos iriam até o local do Super 61.

 

Eversmann se mudou para o edifício alvo depois que ele ouviu o a palavra-código para a extração. McKnight estava se movendo em direção ao prédio alvo também. A tripulação do Super 68 CSAR estava se preparado para a ação. Os helicópteros Super 61 e Super 62, estavam sobre o local do acidente fornecendo apoio de fogo para manter as multidões a distância. Ninguém na TFR sabia se tripulação do Super 61 e os passageiros estavam vivos ou mortos, mas os pilotos os TFR não queria ter uma chance de repetir o destino da tripulação do Courage 53 para o Super 61 - somalis haviam mutilado os corpos dos tripulantes uma semana antes. Antes que o Super 68 CSAR pudesse alcançar o local do acidente, um MH-6, o Star 41, fez um pouso incrível por trás do rotor da cauda de Wolcott. Eles tentaram resgatar os feridos da tripulação. Os rotores principais do MH-6 mal cabiam na rua estreita, mas ele conseguiu pousar às 16:24hrs. Os tripulantes do Star 41 (os primeiros-subtenentes Keith Jones e Karl Maier) puxaram os operadores Delta feridos, enquanto os homens no Super 68 CSAR se preparavam para descer no local atrás de fast-rope. Maier ficou no MH-6 disparando a sua arma para deter a multidão somali enquanto Jones saiu do helicóptero para ajudar os feridos a chegarem no Little Bird. Di Tomasso chegou ao local do acidente para testemunhar o heroico evento. O Star 41 decolou imediatamente e deixou os membros da Delta no aeroporto. Infelizmente, um dos feridos morreu.

 

A equipe CSAR desembarcou ao lado do Super 61. Enquanto os membros das forças especiais deixavam o MH-60L, um RPG atingiu o Super 68 por trás da área de carga na principal seção do rotor, quando o último homem tinha saído do helicóptero. O piloto manteve o helicóptero estável, da melhor forma possível, até que o último homem tocou o chão com segurança. A tripulação pensou que o destino do Super 68 seria o mesmo do Super 61, uma vez que o RPG atingiu a área do motor, que estava soltando muito fumaça. Estilhaços tinham danificado as pás do rotor principal. Felizmente, a equipe cuidou da parte de trás da aeronave voltando para o aeroporto. A tripulação imediatamente embarcou em um MH-60L reserva e voltou para a batalha.

 

A equipe CSAR encontrou Wolcott e seu co-piloto, subtenente chefe Donovan Brilley, mortos. Tanto o piloto como o co-piloto pareciam ter empurrado o nariz do Super 61 para baixo intencionalmente para tirar o peso da força do impacto. Isso os matou mas esta ação poupou os passageiros de mais prejuízos. Corpo de Wolcott estava entalado nos destroços e a equipe não poderia removê-lo. Apesar do fogo inimigo dirigidos para o local da queda do MH-60L, o pessoal médico da TFR e outros soldados continuaram ajudando os feridos no Super 61, os dois chefes de tripulação e os outros dois atiradores de elite da Delta que estavam no helicóptero.

Membros da Delta que chegaram estabeleceram um perímetro de segurança, com os Rangers de Di Tomasso, em volta do helicóptero. Os médicos criaram um Casualty Collection Point (CCP) onde o Super 61 caiu. A área proveria proteção temporária onde os médicos podiam tratar de qualquer ferido. Outros elementos dos bloqueios e da equipe de assalto Delta finalmente chegaram à área do acidente por volta das  17:26hrs. Haviam 99 membros da TFR no local do acidente e os somalis os rodeavam.

 

Uma vez que a Força Delta tinha capturado e garantido os seus prisioneiros, McKnight ouviu o sinal de "Laurie", informando-o de que a força de assalto tinha alcançado seu objetivo e estava pronta para sair. McKnight avançou pela Estrada Hawlwadig para pegar os prisioneiros no edifício-alvo. O Rangers e os Deltas começaram a preparar os prisioneiros para sair. McKnight tinha decidido que enviaria Blackburn de volta para o aeroporto imediatamente. Ele recebeu a aprovação do helicóptero C2. O comboio de McKnight tem dificuldades em avançar e um grupo de três Humvee transportando um pelotão formado por Deltas e SEALs, a unidade de elite da Marinha americana. Eles correm adiante do comboio para unirem-se à força principal, que tem 24 somalis prisioneiros para serem algemados. Quando se aproximam da casa começam a receber fogo de AK-47, que atinge vários a bordo. O Sgr. Tim Martin da Força Delta é salvo pela faca de combate no seu cinto, que absorve um impacto a queima-roupa. Eles encontram os Rangers encurralados com vários feridos, embarcam-nos num Humvee, inclusive Blackburn, e este parte à toda de volta para a Base por ruas agora cobertas por pesado fogo inimigo.

 

As novas ordens de McKnight era para reunir todos os prisioneiros e os americanos e avançar para o local do acidente com menos três dos seus HMMWVs, que partiram com Blackburn. Com isso McKnight simplesmente adicionou os outros Rangers, os Delta, a equipe CSAR, e a tripulação dos feridos do Super 61em sua coluna.

 

McKnight pediu ajuda da QRF. Durante os 30 minutos que levou para carregar os prisioneiros nos veículos, o fogo inimigo se intensificou. Um somali armado atirou no artilheiro do lançador de granada Mk 19 um HMMWV que morreu. O comboio continuava a atrair o fogo de todas as direções e os Rangers respondiam com vigor. Um RPG atingiu e destruiu um dos caminhões de 5 toneladas. O comboio de McKnight sofreu mais baixas. O comboio finalmente deixou o local do prédio-alvo, mas os somalis continuaram a alvajar os veículos com fogo de pequenas armas de fogo e RPGs.

 

Agora o comboio de McKnight era composto por cerca de 75 americanos e prisioneiros. Os três HMMWV com Blackburn abrem seu caminho de volta a base a bala, usando um lança-granadas Mk19 40 mm e uma .50 que literalmente arranca do chão os somalis atingidos por seu fogo. Mas as coisas andam mal. Quase imediatamente o operador da .50 é atingido na cabeça por um somali que simplesmente pulou dentro do Humvee. Ambos morrem imediatamente, mas a pesada metralhadora agora está silenciosa. E mais somalis atiram a queima-roupa nos soldados americanos enquanto estes correm para o perímetro da Base. Ao chegarem, o Humvee está coberto de sangue, com dois mortos a bordo, o metralhador e o somali, e vários feridos, além do soldado Blackburn.

 

Os soldados no aeroporto começaram a se preparar também - muitos queriam sair logo para ajudar seus companheiros. Enquanto isso, McKnight estava tendo problemas para navegar pelas ruas ao norte e leste do edifício-alvo. O helicóptero C2 tentou enviar a coluna em direção ao local do acidente em primeiro lugar, mas o comboio se perdeu e se viu vagando pelas ruas de Mogadíscio tentando evitar barricadas e emboscadas. O trajeto do comboio era confuso em meio a tiros, fumaça e bloqueios. McKnight e os seus veículos perderam o local do acidente, quando eles estavam a cerca de dois quarteirões do Super 61. O comboio seguiu para o norte para tentar chegar ao local novamente, mas tomou um rumo errado e começou a se dirigir para o sul em direção ao edifício-alvo em vez da posição de Wolcott. A área estava agora cheia de homens da milicia da SNA, e seus partidários estavam prontos para o combate quando o comboio reapareceu.

 

Depois de passar pelo Hotel Olympic, o comboio de McKnight teve de fazer uma inversão de marcha para o norte novamente. O comboio tinha agora sete veículos,  um veículo foi colocado fora de ação pelo fogo inimigo.E quanto mais o tempo passava mais Rangers eram mortos ou feridos. Garrison ordenou que o comboio voltasse logo para o aeroporto em meio aos relatos de McKnight de que ele tinha muitas vítimas e sua força estava se tornando ineficaz para o combate, pois o mesmo não poderia mais ajudar o local da queda do Super 61.

 

Cena do filme Black Hawk Down - Deltas e Rangers tentam repelir as multidões somalis

 

Depois de rodar mais um pouco o comboio passou perto do local do Super 61 novamente rumo ao norte em direção a Armed Forces Road. Ao longo da viagem, os caminhões e HMMWVs McKnight  tomavam fogo de ambos os lados da rua enquanto eles corriam. Apesar dos EUA terem helicópteros para orientar o comboio através de Mogadíscio, a fumaça e a confusão criou condições em que os motoristas se perdiam facilmente. Mais cedo, os caminhões tinham colocado em seus tetos painéis laranjas de alta visibilidade para sua identificação, que o helicóptero C2 poderia acompanhar. Mesmo estes painéis eram difíceis de se ver, depois que a região ficou turva de fumaça de pneus e lixo queimado. McKnight tinha que acionar um marcador de fumaça roxa para identificar sua posição para os helicópteros sobre a sua cabeça em certa ocasião. Durante a sua viagem de regresso, McKnight manteve contato com um grupo de 27 homens da TFR viajando em sete HMMWVs que tinha sido enviado do aeroporto por Garrison como uma coluna de alívio para o segundo helicóptero que caiu, o Super 64. Essa coluna era formada basicamente por funcionários administrativos, cozinheiros, pessoal de apoio e manutenção, outros Rangers disponíveis para o serviço, e os homens que tinham trazido Blackburn.

 

A força de resgate rumou para a batalha pelo mesmo caminho que o comboio de McKnight tinha adotado e se envolveu em uma luta feroz perto da Rotatória K-4. Enquanto tentava chegar ao local, eles enfrentaram uma barricada de pneus queimados que bloqueava seu caminho. McKnight os mandou de volta para o aeroporto, já que parecia que eles não poderiam romper a barricada. Dado o nível de oposição somali, a coluna de alívio de McKnight teria que enfrentar um sério desafio para chegar a posição do Super 61. Antes de voltarem juntos para o aeroporto, McKnight ordenou que os prisioneiros e feridos fossem colocado nos HMMWVs intactos para a conclusão de sua viagem de volta.

 

McKnight tinha perdido um HMMVV e dois caminhões de 5 toneladas. Um caminhão, transportando os prisioneiros somalis, perdeu seu motorista quando um RPG o atingido e o decapitou. Dezenas de feridos americanos e somalis estavam nos veículos. Cada Ranger e Delta respondia ao fogo com todas as armas disponíveis. Com seus soldados com pouca munição, força de McKnight teria tido uma tarefa muito difícil para romper o bloqueio e reforçar os homens no local do Super 61. Entre o momento do carregamento dos prisioneiros no edifício-alvo, suas duas voltas na área do Mar Negro, e o seu retorno para o aeroporto, metade dos homens de McKnight tinha recebido ferimentos. Alguns dos soldados tinham sofrido ferimentos mortais e três dos 24 presos também morreram. Pelo menos Salada e Awale ainda estavam vivos.

 

Cai o Super 64
O Super 64 pilotado pelo Chief Warrant Officer Michael Durant, já havia entregue o capitão Steele, o tenente Perino, e seus Rangers para a sua posição de bloqueio. Sem qualquer outro passageiro, o Super 64 ficou em estado de prontidão voando em volta da área para fornecer assistência às forças terrestres. Quando Super 61 bateu no chão devido o impacto do rojão do RPG, o Black Hawk C2 ordenou a Durant para substituir Wolcott na sua posição. Durant passou a ter a tarefa de fornecer fogo supressivo com suas miniguns contra a multidão hostil crescente dos somalis se movendo em direção ao local do acidente do Super 61.

 

Além disso, os chefes de tripulação a bordo do Super 64 também abriram fogo contra qualquer um tentando matar os D-boys e os Rangers, que seguiam em direção ao helicóptero acidentado. O Black Hawk C2 e o EP-3 observavam os soldados da TFR se moverem através das vielas e ruas de barracos na área do Mar Negro, tentando chegar até a posição de Wolcott. Durant sabia que o Super 61 foi abatido e que o Super 68 tinha sofrido um ataque de RPG ficando fora de combate. Ele se mudou para a posição sobre Wolcott e assumiu um “low CAP” (combat air patrol) para responder a pedidos de apoio aéreo aproximado.

 

Um raio as vezes cai no mesmo lugar duas vezes. Ás 16:40hrs, um dos muitos RPGs somalis disparados contras as forças da TFR atingiu o rotor de cauda do Super 64. O helicóptero parecia funcionar corretamente e Durant ainda era capaz de manobrar. Durant tentou voar em direção ao aeroporto. Dentro de alguns minutos, no entanto, a cauda do rotor desmoronou e o controle tornou-se impossível. O Super 64 começou a vazar óleo e a soltar muita fumaça. Se o helicóptero pudesse ficar no ar por mais três ou quatro minutos, Durant poderia colocá-lo  no aeroporto como aconteceu com o Super 68 ou pelo menos chegar a uma área mais amigável sob controle americano ou da ONU.

 

Em vez disso, o Super 64 começou a girar descontroladamente para a direita, tanto o Super 62,  quanto o helicóptero C2, aconselhou-o a tentar pousar o helicóptero imediatamente. O MH-60 estava prestes a falhar. O helicóptero de Durant estava a 30 metros em queda em linha reta para o chão. O Black Hawk pousou a sudoeste de posição Super 61, cerca de um quilômetro de distância. A tripulação tinha tomado várias precauções para reduzir a chance de capotar ao desligar os dois motores. O Black Hawk caiu perto de uma coleção de barracos, e alguns foram danificados pelo impacto. Peças do helicóptero voaram em todas as direções ferindo muitos somalis.

O Super 62 voou sobre a localização de Durant. Havia sinais de vida, as tripulações dos helicópteros viu movimento no cockpit. A tripulação de quatro homens sobreviveu a queda, apesar de estarem feridos, e estavam tentando sair dos destroços. Moradores da área tinha visto o acidente e uma multidão começou a se dirigir para o Super 64. Os americanos tinham destruído parte de sua casas e tinham ferido alguns dos locais, e os somalis queriam vingança.

 

Além dos dois pilotos, o Super 62 tinha dois chefes de tripulação que operavam as duas miniguns e três atiradores Delta. Algumas das equipes dos Little Bird também se ofereceram para pousar nas proximidades e permitir que um dos dois membros da tripulação pudessem garantir a área até que os reforços chegassem. O tamanho crescente da mobilização, a distância a partir do suporte mais próximo no solo, a perda de três helicópteros, e o volume crescente do fogo de armas leves dos somalis convenceram os controladores do helicóptero C2 para impedir qualquer tentativa de resgate por via aérea. Eles não precisavam de outra aeronave abatida, com mais vítimas e mais membros da TFR mortos ou feridos. Mesmo assim todos nos helicópteros, sentiram que um resgate rápido era necessário, especialmente com uma multidão raivosa se formando e indo em direção ao local onde estava o Super 64.

 

 

  

O Sargento de Primeira Classe Randy D. Shughart e o Sargento Gary I. Gordo, os dois snipers da Delta no Super 62.

Sendo assim o Sargento Gary I. Gordon e o Sargento de Primeira Classe Randy D. Shughart, dois snipers da Delta no Super 62, insistiram em ajudar a tripulação do Super 64. Sabendo que o seu próprio resgate seria problemático com uma multidão ensandecida ao redor do local do acidente, Gordon e Shughart pressionaram por uma autorização imediata para ajudar Durant. Os operadores no helicópteros C2 concederam o seu pedido depois de consultados os dois atiradores sobre a situação e reconhecimento de que eles estariam por conta própria lá no solo por um longo tempo.

 

O local da queda de Durant era em um bairro com numerosos edifícios e barracos. O Super 62 foi capaz de pairar suficientemente baixo para que os dois snipers pudessem saltar da altura de 1,5 metro para fora do helicóptero em vez de usarem o fast-rope. Eles teriam que se mover para o norte, a menos de 100 metros, para chegar até Durant. Um AH-6 havia chegado para proporcionar apoio de fogo para manter os somalis a distância do Super 64. Os dois snipers da Delta Force tiveram problemas para se guiarem até a área da queda, mas foram auxiliados por uma marcador de fumaça lançado por um helicóptero. O tempo estava do lado dos somalis. A SNA tinha ao seu favor uma massa de milícianos, que apesar do apoio dos helicópteros da TFR, poderia facilmente engolir o local do acidente, juntamente com Gordon e Shughart. Outro perigo também espreitava - somalis armados com RPGs estavam perto da área prontos para golpear outros helicópteros.  A multidão hostil cambaleou em direção ao helicóptero de Durant. Gordon e Shughart haviam ajudado alguns dos membros da tripulação da melhor forma que podiam, mas tinham de proteger a área em torno do helicóptero abatido. Todos estavam feridos e necessitavam de ajuda imediata. Os dois atiradores Delta tinha levado Durant para fora do helicóptero e o colocado na parte traseira do MH-60L. Eles também tiraram o resto da tripulação. Durant sofreu uma fratura exposta na parte superior da perna direita e uma lesão grave nas costas, e ele mal podia se mover.

 

Apesar de intenso fogo inimigo, a dupla de atiradores mantiveram a multidão à distância com tiros precisos e disciplinados. Durant tinha uma MP5K e protegia sua tripulação e a retaguarda de Gordon e Shughart. A multidão crescente tornou cada vez mais difícil para os norte-americanos parar seu movimento. As tripulações dos helicópteros davam apoio disparando com seus M-16, miniguns e outras armas para tentar parar a multidão, mas não foi o suficiente. Durant tinha somente dois carregadores de munição, que logo acabaram. Primeiro Gordon, e então Shughart, foram mortos a tiros, juntamente com os outros três tripulantes do Super 64. Shughart, antes de morrer pediu a Durant se havia alguma arma no Super 64. Durant mencionou que havia um M-16 dos chefes de tripulação. Shughart retornou e deu a Durant o CAR-15, de Gordon. Durant tinha ouvido Gordon gritar antes que ele tivesse sido atingido, e então houve um silêncio. Shughart disparou em defesa até que o fogo de armas leves dos somalis o abateu.

 

Durant tinha usado todas as suas balas do CAR-15, e ele só tinha a sua arma, uma pistola, para se defender, mas parecia impossível. Logo os somalis cercaram Durant. Não havia nenhuma maneira dele fugir. Um homem golpeou o rosto de Durant com uma coronhada, e outros começaram a bater nele. Apesar de ter uma pistola, Durant tinha decidido não resistir desde que ele pensou que ele estava morto de qualquer maneira, mas isto não aconteceu.

 

Cena do filme Black Hawk Down - Somalis dominam a posição do Siper 64

 

Yousef Dahir Mo'alim, um líder de bairro da SNA, decidiu poupar a vida de Durant e reivindicou-o como um cativo de Aideed. Ninguém ousou continuar a bater em Durant. Antes de mover Durant, os somalis tiraram o seu Personnel Locator System, um dispositivo para localizar membros da tripulação em uma missão de busca e salvamento. Apesar de ter sido salvo da turba, Durant necessitava de tratamento para a perna e suas costas, e os somalis conseguiram um médico. O piloto dos EUA era um prêmio valioso para a liderança da SNA que podiam desfilar com ele diante dos meios de comunicação globais, e ele foi forçado a fazer um vídeo de propaganda. Aideed manteve Durant cativo por 11 dias, antes que ele acabasse sendo liberado para a Cruz Vermelha Internacional.

 

Local da queda do Super 64.

 

Enquanto isso, Garrison e a TFR não tinha ideia do que tinha acontecido com Durant, a sua tripulação e os atiradores Delta. O fogo RPG enchia o espaço aéreo em torno do local do acidente. O Black Hawk C2 ordenou que as tripulações restantes mantivessem distancia pois aquele espaço aérea estava ficando muito perigoso em torno de Super 64. O Star 41 tentou um resgate semelhante ao realizado no acidente Super 61. Mas não deu certo. O Super 62 manteve o seu fogo de suporte para apoiar Gordon e Shughart, mas tornou-se um ímã para o fogo dos RPGs também. A sorte do helicóptero acabou quando um RPG atingiu o Black Hawk do seu lado direito na posição da sua minigun.

 

O atirador Delta restante no helicóptero substituiu um chefe de equipe ferido, cuja perna tinha sido atingida pelo RPG que explodiu. O co-piloto também sofreu ferimentos e ficou fora de combate. O piloto pensou que eles estavam indo em direção a multidão somali, mas ele conseguiu voar em segurança para a área de New Port. Garrison ordenou ao Super 68 para a voar para New Port para transferir os feridos do Super 62 para o aeroporto para obter ajuda médica.

 

Garrison não pude ajudar o Super 64 Super, apesar de um resgate com uma equipe QRF estar se preparando para romper com o bloqueio. Tropas Rangers e Delta tinham chegado até o Super 61, mas não tinha os meios para alcançar Gordon e Shughart. O comboio de McKnight e a coluna de alívio só tinha capacidade de defesa suficiente para dirigir de voltar para o aeroporto. McKnight necessitava de apoio médico para os seus feridos, entregar os prisioneiros, adquirir mais munição, e encontrar substitutos. As substituições disponíveis só poderiam vir da diminuição do contingente da TRF, ou das companhias da 10ª Divisão de Montgomery ou das unidades da ONU. Reunir estes homens levaria tempo para planejar, organizar e executar um resgate.

 

A Cia . C da 10 ª Divisão tinha recebido a notificação para ficar de prontidão às 16:30hrs para prover apoio a TFR o mais rapidamente possível. Os soldados se armaram além de suas armas portáteis com LAWs e AT-4. A Cia. C e o comando tático do 2º Batalhão deixaram a sua base o mais rápido possível. Essa QRF se dirigiu para o aeroporto, com 150 soldados em 12 HMMWVs e nove caminhões de 2½ toneladas às 17:10hrs. Junto com a Companhia de Infantaria, a força incluída um esquadrão de engenheiros e uma equipe médica com o cirurgião do batalhão. Ela também levou munição extra, cerca de 50 por cento a mais do que a carga normal. Quando a QRF estava pronto para ir ao local da queda de Durant era 17:35hrs. Esse foi um esforço independente da QRF para resgatar a força do Super 64.

 

O Staff de Garrison acreditava que poderia inicialmente lidar com a situação com apenas um Black Hawk abatido, mas com a queda do Super 64 de Durant a situação estava além da sua capacidade. A força da 10ª Divisão da montanha rumou via norte pela Via Lenin, mas encontrou forte resistência na Rotatória K-4 da milícia da SNA e de outros somalis. A QRF fez um pedido de apoio aéreo e os AH-1s da 10ª Divisão vieram em seu apoio. Seguiu-se um tiroteio que durou meia hora. A oposição somali era muito forte e a QRF não pode avançar mais.

 

O Coronel Lawrence Casper, comandante da força QRF, ordenou que a coluna voltasse para o aeroporto. Sua tentativa de ajudar no resgate de Durant não foi possível e neste momento a multidão somali dominava Gordon e Shughar. A QRF permaneceria no aeroporto para outra tentativa de resgate, mas Montgomery também teria que ativam as Cias A e B para apoiar os esforços de resgate. Ambas estavam prontas para entrar em Mogadíscio. Ele também precisava de veículos blindados, pois armas leves e RPGs tinha rasgado muitos dos HMMWVs da TFR e seus caminhões. Garrison e Montgomery não tinham a sua disposição esse tipo de transporte no momento. As únicas forças com tanques e blindados para proteger a TFR eram as forças da UNOSOM II.

 

Protegendo o Super 61
O Tenente Di Tomasso foi um dos primeiros elementos em  terra da TFR a chegar no local da queda do Super 61. Ele começou a dirigir sua equipe da metralhadora M60 para definir uma posição para manter a multidão longe. Ele enviou outros Rangers para nordeste da localização do MH-60. Eles, juntamente com a equipe CSAR deveriam criar uma posição defensiva perto do Super 61. Os membros da TFR poderiam usar os edifícios para entrincheirar-se. Quando ele chegou a localização de Wolcott, Di Tomasso tinha visto o desembarque da equipe CSAR n a área. Di Tomasso também ordenou para que os membros da equipe que ele havia deixado na posição do bloqueio original começarem a se mover em direção a sua nova posição. Uma vez que a equipe atingiu a área do Super 61, Di Tomasso ordenou que aos Rangers para configurar a sudoeste um perímetro de defesa. Ele enviou uma equipe M60 para reforçar a posição de defesa do nordeste para afastar qualquer somali que tentasse flanquear os americanos.

 

Apesar disso, os esforços para assegurar o perímetro do CSAR e dos Rangers nãoque eles ficassem sob contínuo ataque da milícia somali e de outras forças irregulares. A defesa da área implicou num gasto enorme de munição. Os membros Delta e os Rangers enfrentaram os somalis, que enfurecidos avançavam para a frente de todas as posições americanas. A massa de fogo da SNA também era considerável e atingiu vários membros da TRF. Por exemplo, a seção de bloqueio de Perino, que tinha avançado para o local do acidente, iria eventualmente, sofrer 10 baixas entres seus 13 homens. Outros grupos sofreram semelhante condições. Os feridos tinham que ajudar a afastar as ondas de somalis.

 

Cena do filme Black Hawk Down - Os AH-6s disparam as suas miniguns em apoio as tropas em terra

 

Apesar de seu esforço corajoso, os soldados da TFR estavam em uma situação perigosa. A TFR tinha se preparado para uma missão rápida a luz do dia; ela devia capturar homens da SNA e removê-los rapidamente, algo que levaria alguns minutos e voltar para a sua base. As tropas Delta e Rangers não esperava lutar em um grande engajamento. Garrison enfrentava agora uma missão completamente diferente.

 

De uma missão de captura, a operação tinha mudado radicalmente para um resgate de combate imediato. Infelizmente, haviam poucos recursos disponíveis. O Comboio de McKnight tinha sofrido numerosos mortos e feridos. Os helicópteros do 160 SOAR sofreram vários danos  e  dois dos seus MH-60Ls abatidos. O contingente da TFR tinha usado a sua força de contingência e agora enfrentava uma grande luta contra centenas de combatentes somalis. A questão da água também tinha se tornando um problema, uma vez que poucos soldados levaram seus cantis para a batalha. A disponibilidade de suprimentos médicos também era crítica. O tempo estava passando e a escuridão logo chegaria. A falta de óculos de visão noturna iria fazer falta nos combates, inclusive para identificar alvos para os ataques dos AH-6s. Pior, todas as tentativas da TFR e da QRF para resgatar os americanos no local do Super 61 tinham sido infrutíferas. Garrison precisava acionar as forças da ONU para ajudar no resgate.

 

Os soldados no local do Super 61 teriam que esperar muito mais tempo por qualquer resgate. Eles teriam que depender apenas de suas próprias habilidades táticas, liderança e poder de fogo para deter os somalis em Black Sea. Se Garrison pudesse reabastecê-los com munição, água, e médicos, então eles poderiam aguentar mais tempo. Apesar de tudo os norte-americanos ainda tinha uma grande vantagem - eles ainda podem chamar os seus helicópteros. Embora o 160 SOAR tenha sofrido duas derrotas devastadoras, ele ainda possuía uma grande vantagem, os AH-6. Os Little Birds continuavam a demonstrar o seu poder de fogo superior durante o dia e iria se mostrar melhor ainda de noite. A QRF trouxe seus AH-1F Cobra também. Estes helicópteros de ataque também podiam operar à noite com suas miniguns, mísseis e foguetes. Além disso, Garrison poderia empreender uma missão de reabastecimento aéreo com seus MH-60s.

 

Os Rangers atiram em todas as direções, tentando manter os somalis à distância. Embora os Rangers tenham recebido estritas ordens para não atirar em ninguém que não esteja apontando-lhes uma arma, a situação é irreal. Mulheres com crianças nos braços disparam pistolas, e garotos de dez anos disparam AK-47 de todos os lados. E mais gente chega para assistir a batalha. Até mesmo velhos e enfermos aproximam-se aparentemente sem medo dos precisos disparos dos Rangers.

 

Mais uma operação de resgate
O local do acidente do Super 61 agora continha um contingente considerável formado pelos homens da equipe CSAR, operadores Delta e Rangers para proteger a área. Os soldados estavam espalhados na área ao longo de dois blocos na Marehan Road na forma de um "L" de cabeça para baixo. No topo do "L" estava a fuselagem do Super 61. As equipes de resgate originais tinha criado um bom local para observar e proteger os feridos. Entre os feridos estavam membros da tripulação do helicóptero, e elementos da equipe CSAR, e algum Rangers do contingente de Di Tomasso. Descendo na Marehan Road estavam Miller e alguns homens da força de assalto Delta. Eles tinham estabelecido uma equipe de fogo e o QG da sua seção. Prosseguindo para o sul estava Perino e outra equipe Delta. No segundo bloco, uma equipe Delta se preparava para defender a área próxima a um edifício que abrigava Steele com os demais Rangers. A TFR se espalhou ao longo a estrada, o que tornava difícil concentrar fogo para defender o helicóptero.

 

 

Imagem de satélite de Mogadíscio no momento do ataque de 3 de Novembro de 1993: grandes colunas de fumaça podem ser vistas pairando sobre vários lugares no noroeste da parte da cidade. As bases americanas estão posicionadas ao redor do aeroporto internacional, que está abaixo no canto inferior esquerdo desta fotografia (fora do quadro).

A QRF parecia oferecer a melhor esperança de resgate da forças em torno do Super 61. Garrison não sabia o destino Super 64 e ele precisa enviar alguém para fazer um reconhecimento da área para verificar o status da equipe do helicóptero. O benefício de usar a QRF era que seus soldados tinham treinado com as forças da II UNOSOM. Embora não totalmente familiarizados com as capacidades de cada país, os soldados de Montgomery procuravam pelo menos tentar entender suas operações. Em 03 de outubro, a Companhia A tinha programado uma missão de treinamento com os paquistaneses e malaios perto do aeroporto para praticar a tomada de postos de controle dos clãs dentro da cidade. Mas a missão de treinamento não aconteceu.

 

Para salvar os seus homens Garrison iria precisar da ajudar de contingentes das tropas UNOSOM II. Haviam quatro países com capacidade de combate suficiente e transporte para ajudar - os italianos, indianos, paquistaneses, e malaios, pois todos tinham veículos blindados. Os italianos e indianos necessitavam de aprovação de suas capitais para lançar a missão de resgate, e os italianos não gozavam da confiança dos EUA, pois estes suspeitavam que os italianos favoreciam os somalis em algumas situações críticas. Os paquistaneses e malaios  estavam prontos para agir imediatamente. O tempo era um questão essencial, então o plano era para se usar duas companhias de infantaria mecanizada da Malásia e uma companhia blindada paquistanesa no New Port.

 

A QRF de Montgomery tornou-se um recurso inestimável para Garrison. A Companhia C já estava na base da TFR. A Cia era a segunda melhor preparada da forçar. O pelotão de reconhecimento, a equipe de operações psicológicas, e outros elementos de apoio se prepararam para ir com a Cia. A para New Port. A Companhia B era outra fonte de reforços para a TFR. Porém os americanos lutavam contra a limitada capacidade de transporte de transferir homens do complexo na Universidade para o aeroporto e em seguida levá-los para o ponto de encontro.

 

A Cia. A estava pronta para sair em torno das 17:00hrs. A única informação de que o comando desta unidade havia recebido era de que os somalis tinham derrubado um helicóptero e que ela deveria apoiar a Cia. C, que estava em um tiroteio tentando romper um bloqueio na Rotatória K-4 tentando chegar até o MH-60 abatido. Enquanto os homens da Cia. A verificavam o seu equipamento, eles ouviam a artilharia pesada da cidade através do link do rádio do batalhão. O Staff de Garrison já tinha solicitado que a Companhia C se direcionasse para o aeroporto, uma vez que estava mais perto de sua posição. Da mesma forma, o batalhão recebeu ordens para deslocar as Cias. A e B para o aeroporto também.

 

O comboio combinado contavam com 15 HMMWVs e caminhões. A Companhia A foi a primeira a se deslocar; a Cia. B iria seguir mais tarde, quando os HMMWVs e os caminhões se tornassem disponíveis. O comboio tomou um caminho tortuoso para alcançar o aeroporto, e leve 45 minutos para completar esse trajeto. A Cia. B iria viajar à noite. Mogadíscio não tinha iluminação pública e a luz dos faróis dos seus veículos também iria atrair a atenção indevida do somalis, assim os motoristas tiveram que usar seus óculos de visão noturna para viajar.

 

Os planejadores da TFR criaram um plano para romper os bloqueios somalis e chegar até os helicópteros abatidos às 19:00hrs. As Cias. A e C, juntamente com um contingente da TFR, iria seguir para New Port. Parte dessa força, então, seria transferida para os 32 APCs Condor da Malásia, e quatro M-48 paquistaneses iria prover a escolta da força de resgate, que consistia em cerca de 70 veículos no total. A coluna se moveu primeiro leste então para o norte na National Street, em seguida, a oeste em direção ao Hotel Olympic. Desse local os elementos da coluna poderiam continuar em direção aos dois locais da queda dos helicópteros.

 

Rheinmetall Condor 4x4

 

O Rheinmetall Condor é um 4x4 blindado com rodas veículo projetado originalmente pela Thyssen-Henschel da Alemanha e fabricado pela Henschel Wehrtechnik GmbH. Baseia-se no chassis do UNIMOG e utiliza os mesmos componentes principais, tais como o motor, caixa de marcha e eixos. Tem uma  tripulação 2 homens e pode transportar 12 homens.

 

Uma vez que as forças americanas e as forças da ONU tivessem socorrido ou recuperado os membros da TFR, o comboio iria voltar para New Port. As unidades QRF e TFR não tinham a ilusão de que eles não teriam que lutar para abrir seu caminho para a cidade. O plano previa que a Cia. A, como a principal força de ataque, iria romper o cerco dos Rangers e Deltas na primeiro local do acidente. O Comando Tático do Batalhão e a Cia. C iria em seguida. Os soldados da Cia. C, iriam procurar a posição da queda de Durant e buscar sinais da localização da da tripulação e franco-atiradores da Delta. Todos concordaram que eles iriam recuperar todos os americanos, mortos ou vivos. Os americanos tinham ordens de não deixar nada para o somalis; inclusive os helicópteros seriam destruídos.

 

Os tanques paquistaneses dariam início ao resgate. O tenente-coronel Bill David, o comandante do batalhão QRF, estava em um HMMWV logo após os tanques, com uma companhia transportada nos Condors. O comboio também tinha um HMMWV ambulância e voluntários da TFR. Rangers e outros membros das forças especiais da TFR constituído um contingente de sete HMMWVs blindados na parte traseira da coluna. Alguns homens da Cia. receberam ordens para ficar para trás no aeroporto para complementar a TFR. A Cia. B, quando mudou-se para a área de carga em New Port se tornou parte do contingente reserva da força de resgate.

 

A Task Force (TF) 2-25, os "Corvos", uma parte do contingente  aéreo da QRF, iria dar cobertura para o comboio na National Street. E assim que os elementos da coluna cruzassem o norte da National Street em direção ao Super 61 os AH-6 do 160 SOAR iriam dar apoio a força de resgate. Helicópteros OH-58s e AH-1s estavam disponíveis para apoiar os Delta e os Rangers, mas Garrison estava buscando diminuir os problemas de gestão do espaço aéreo em torno dos locais dos acidentes. Helicópteros demais em uma área restrita poderia criar problemas, como por exemplo AH-6s e AH-1s tentando fazer disparos simultâneos no mesmo alvo. Um OH-58D já provia uma aferição aérea do caminho das colunas de salvamento. Os OH-58s podiam localizar alvos à noite, com seus sensores, e então usar um laser para iluminá-los para o AH-1Fs.

 

A Cia. A chegou à área do porto em torno das 20:30hrs. A QRF e a TFR tiveram um avanço lento em direção a New Port. Os veículos que transportam os norte-americanos para a área sofreram atrasos no seu deslocamento.. Um simples percurso de uma milha levou 30 minutos. Por voltas das 21:00hrs, a TFR tinha sofrido 13 feridos e três mortos no local do acidente do Super 61, e a coluna de resgate necessitava se mover rapidamente.

 

Uma vez que foi montado um grande estacionamento no porto, o carregamento dos soldados nos Condors teve inicio. Antes dos americanos partirem eles tinham que resolver questões relacionadas a comunicação entre as tropas estrangeiras. Nem todos os malaios falavam Inglês. Felizmente, os americanos e malaios trocaram informações sobre como operar as portas e armas nos APCs (cada Condor tinha um canhão de 20mm e uma metralhadora leve operados pelos artilheiros malaios). Alguns norte-americanos chamavam esses veículos de "caixões sobre rodas." A infantaria da Malásia também acompanhava os Condors, embora os americanos explicassem que não precisavam de soldados extras para a operação.

 

Uma Companhia era composta de três pelotões. O primeiro pelotão continha tropas de infantaria, morteiros e elementos de apoio de fogo e um médico. Um esquadrão de engenheiros e médico acompanhava o segundo pelotão. Acompanhando o último pelotão ia outro médico. O primeiro pelotão usava três Condors, os outros dois pelotões apenas dois Condors cada. Um equipe médica avançada também ia com a Cia. A.

 

Os oficiais americanos, paquistaneses, e malaios conferiram a sua rota. O comandante dos tanques paquistaneses discordava sobre seu papel e sobre a distância que seus tanques tinham que viajar para dentro da área do Black Sea. Ele tinha ordens de não liderar o comboio. Após negociações, ele concordou em sair com a coluna. Os tanques paquistanesas liderariam a coluna até a National Street Natcional Rua e então permitiria que os Condors da Malásia liderasse o comboio. Por volta das 23:23hrs, a QRF rolou para fora do Ne Port para resgatar as forças cercadas.

 

Aliados de Aidid e residentes locais atiraram contra os soldados dos EUA ao redor do local do acidente durante toda tarde e noite. Os soldados tinham removido as tábuas da blindagem Kevlar do Super 61. Kevlar é o mesmo material usado nos capacetes e peças da armadura do corpo dos soldados, e que forneceu alguma proteção para os feridos americanos e os médicos no PCC improvisado perto da estrutura do MH-60. Tentativas anteriores para mover os feridos para um local mais seguro, perto do local do acidente tinham falhado por causa do tiroteio crescente dom somalis. Com a cobertura da escuridão, os membros da TFR finalmente mudaram os feridos para um edifício. Eles tiveram que criar uma rota de evacuação segura em caso dos somalis invadirem a área, por isso se usou uma carga explosiva para explodir um buraco de fuga através de uma parede em uma outra casa.

 

Apesar de posicionar-se em casas e áreas muradas, os americanos continuaram a sofrer baixas. Suprimentos médicos de todos os tipos começaram a ficar perigosamente baixos, os médicos tinham pouca morfina e eles tiveram que racionar o sacos IV. A carcaça do Super 61 se tornou a principal atração para o fogo dos AK-47, de granadas e rojões RPG. Os soldados anteriormente tinha testemunhado o movimento de multidões de combatentes e não-combatentes em torno da área. Inclusive mulheres e crianças tinham armas, de fuzis AK-47 a facas.

 

Felizmente, os AH-6, trabalhando em pares, continuamente apoiavam os americanos cercados. Eles desempenharam o papel principal para afastar os somalis durante toda a noite. Os Controlador de Combate da Força Aérea dirigiam o fogo dos Little Birds contra as posições somalis, usando sinalizadores infravermelho (IR) para iluminar as posições inimigas. Os Little Birds só voltavam à base para rearmar e reabastecer, foi assim por toda a noite. Enquanto o comboio se preparava para sair da área de New Port, o pessoal no local do Super 61 continuava a sofrer. Os D-Boys e os Rangers a Norte do local do acidente Norte estavam sob fogo contínuo por horas. Em sua área, Di Tomasso e a equipe CSARteve de lidar com dois mortos e 11 feridos, três dos feridos em estado grave. Outras posições da TFR também lutaram duro para resistir. Ao longo de toda Marehan Road os americanos começaram a ficar sem munições e água.

 

Soldados deram a água restante aos feridos. Um dos homens de Di Tomasso conseguiu encontrar uma torneira de água que forneceu um pouco de água, embora alguns soldados estavam preocupados sua pureza. Um MH-60 realizou uma missão de reabastecimento. Garrison sabia que a Delta e Rangers não podiam se manter sem apoio, assim o Super 66 lançou água, munições e suprimentos médicos para uma área marcada por um flash IR por volta das 19:10hrs. Os soldados daTFR correram para pegar os pacotes que caíram no meio da Marehan Road. Os somalis focado seu fogo sobre o helicóptero, que sobreviveu ao ataque - um membro da tripulação recebeu foi ferido e o Super 66 sofreu danos n​​a sua transmissão, e não pode voar mais naquele dia.

 

Os receios de que os somalis podiam abater outro Black Hawk em uma missão de reabastecimento ou de evacuação médica para os feridos críticos sempre estavam presentes. Os Rangers de Steele estavam longe do local onde chegaram os suprimentos e munição. Eles não receberam qualquer munição ou suprimentos médicos. Seus soldados estavam ficando com pouca munição, alguns só tinha metade da munição que eles trouxeram com eles algumas horas antes.

 

Outro problema sobre as posições dispersas da TFR era a capacidade de obter o apoio dos AH-6s. Os pilotos tiveram de tomar medidas adicionais para assegurar que eles não atirariam contra amigas. Se os soldados da TFR tivessem consolidado um único local, a coordenação de apoio aéreo próximo poderia ter sido melhor. Independentemente disso, os AH-6s continuaram a atacar os somalis continuadamente.

 

Os Rangers e os Deltas haviam se espalhado ao longo de uma área de dois quarteirões e eles estavam sob fogo a partir de locais tão perto como ao lado de suas posições. Alguns defensores da SNA lançavam granadas atrás de uma parede comum. Os somalis também tiveram tempo para instalar armas mais pesadas no local do acidente. Eles trouxeram suas caminhonetes armadas (technica trucks) com metralhadoras pesadas e canhões sem recuo. Os Rangers e os Deltas continuaram a pressionar o Staff de Garrison para que a força de resgate se movesse o mais rápido possível.

 

Uma caminhonete armada (technica trucks) das forças de Aidid

 

As forças de Aidid encorajas pelos helicópteros abatidos e pelos reforços que chegavam e o apoio popular, acreditavam que poderia dominar as posições dos americanos e massacrá-los. Giumale tinha conseguido envolvente e separar a TFR. Embora tivesse uma vantagem sobre os norte-americanos, ele era muito cauteloso devido a capacidade bélica e tecnológica dos americanos. Eles ainda podiam se comunicar por rádio com suas forças e solicitar apoio aéreo. Os somalis também podiam usar rádios para comunicação, eles nem se preocupavam de que os americanos poderiam interceptar e decifrar suas mensagens. Mas Giumale preferia enviar ordens escritas  através de mensageiros. Esta atitude limitou suas ações, mas mesmo assim muitos reforços foram acionados de toda Mogadíscio o local do acidente. É bem veradde que Giumale apenas controlava a milícia da SNA; forças irregulares e outros somalis agiam por conta própria. Ainda assim, Giumale tentava controlar o fluxo dos ataques. Aidid também enviou para Giumale ordens escritas para não deixar que os americanos escapassem. Se os americanos conseguissem fortalecer seu entrincheiramento, os somalis teriam dificuldades de derrotá-los.

 

Aidid  tinha muitos combatentes, mas eles tinha sofrido baixas maciças durante os ataques contra posições da TFR e para os AH-6s. Como os americanos, ele estava sob uma pressão do tempo. Os norte-americanos e a ONU não permitiriam que suas forças ficassem cercadas por muito tempo. Uma tentativa de resgate poderia ocorrer a qualquer momento. Uma vez que o dia raiasse os blindados e tanques da UNOSOM II, reforçados por helicópteros e mais soldados poderiam libertar os homens da TFR.

 

Giumale pensou em usar morteiros de 60 milímetros para deslocar os americanos. Porém reclamações e pedidos dos moradores de Mogadíscio, geraram forte pressão. Os americanos tinham sensores capazes de detectar a fonte de fogo de morteiro. Helicópteros de ataque provavelmente iria responder rapidamente a esta ameaça com o fogo que destruiria todas as casas vizinhas e geraria mais vítimas civis.

 

Uma das forças motivadoras das forças que atacavam os americanos era o temor de que a intenção dos EUA era converter os clãs muçulmanos ao cristianismo e depois destruí-los em sua identidade. Sendo assim as forças de Aidid tinham que se mostrar simpáticas e se colocarem ao lado dos somalis. Por isso a decisão de Aidid de enfrentar duramente os americanos. Mas esse decisão estava custando cara a Milícia da SNA, tanto entre combatentes irregulares e não-combatentes. O devastador poder de fogo americano compensava a superioridade numérica dos somalis.

 

Os soldados Delta perto do Super 61 queriam que Steele e seus homens avançassem para consolidar suas posições. Os Rangers de Steele dariam poder de fogo extra a força relativamente pequena em torno do MH-60. Com o crescente número de ferido no CCP, defender o local do acidente estava ficando difícil. Apesar disso Steele não se mexia. Ele també foi ferido e se preocupava em se mover a noite sem equipamentos de visão noturna, o que poderia produzir ainda mais baixas para o fogo concentrado somali. Com boa parte de seus Rangers feridos, Steele poderia fazer pouco, além de esperar o resgate. Ele pressionava o QG da TFR para acelerar
o avanço da QRF ou então eles teriam mais americanos mortos.

 

Confusão na National Street
Poucos minutos após a força de resgate deixar New Port, o comboio começou a atrair a atenção dos somalis. Como o comboio passou pelo último checkpoint paquistanês, os tanques deixaram os blindados malaios assumirem a liderança. Os dois Condors da Malásia que lideravam o comboio começaram a receber o fogo pesado quando eles se mudaram para oeste da National Street. Tiros de AK-47 e RPGs começaram a cair por todos os lados fazendo com que os Condors se separassem do comboio. O tenente-coronel Bill David, o comandante da força QRF estava em seu HMMWV de comando, que era o terceiro veículo na coluna, e ficou admirado quando viu os Condors irem embora. Esses Condors levavam elementos do 2º Pelotão da Cia. A. Por coincidência, os dois Condors viraram à esquerda para uma rua que passava perto do ponto da queda do Black Hawk de Durant.


Sob fogo constante, os motoristas malaios não pararam. Um RPG atingiu a primeiro Condor, matando o motorista. O segundo veículo sofreu um impacto de RPG que atingiu seu compartimento do motor. O líder de pelotão dirigiu seus soldados para estabelecer a segurança em torno da área. A partir do primeiro e do segundo veículo, soldados criaram um perímetro em uma rua de canto perto de um edifício murado. Os soldados restantes, incluindo o pelotão líder, criaram outra posição perto de uma garagem. Eventualmente, os grupos consolidaram seu perímetro próximo ao Condor destruído.

 

Infelizmente, os americanos e os malaios estavam por conta própria. Nenhum outro veículo da coluna de resgate seguiu pela estrada - o resto da coluna foi até o Hotel Olympic. O grupo tinha que criar um ponto de encontro onde os M-48 paquistaneses e alguns APC garantiriam a sua volta para o seu acampamento no estádio.

O Condors e HMMWVs avançavam para a área do Black Sea em direção ao Super 61, enquanto que a Cia. C passava em direção ao Super 64. Depois de numerosas tentativas de tentar entrar em contato com David, os elementos do pelotão separado finalmente conseguiu falar com o comandante do batalhão só depois da remoção de alguns dispositivos seguros de comunicação. Eles foram orientados a permanecer em posição; americanos estavam cerca da metade de uma milha de distância. Infelizmente, o 2º Pelotão da Cia. A tinha que esperar. Apesar de terem estabelecido uma posição defensiva, eles continuavam sendo alvo de tiros e RPGs. Assim eles tiveram que se mudar.

 

Soldados da Companhia C tinham avançado em direção ao local do acidente por volta das 02:10hrs. Eles estavam apenas cerca de um quarteirão de distância do 2º Pelotão e podiam ouvir o fogo. Os somalis começaram a atacar os americanos logo após as tropas norte-americanas ocuparem o local às 02:27hrs. A força de resgate não podia determinar o que tinha acontecido com Durant, sua tripulação, Gordon, ou Shughart. Membros Delta encontraram rastros de sangue e restos de roupas, e muitos cartuchos usados, mas nenhum corpo. Intérpretes somalis questionavam os moradores, mas não se obteve mais nenhuma informação. Se informações os soldados gritavam os nomes de seus companheiros.

 

Após determinar que não havia mais nada a fazer sobre os homens desaparecidos, a equipe Delta acompanhada da Cia. C supervisionou a destruição do Super 64 com granadas de thermite. O Black Hawk ainda tinha sistemas e materiais secretos que não podiam cair em mãos alheias. Por volta das 03:00hrs, o comandante da Companhia C disse pelotão separado para se mover para o norte em direção a sua localização. Os somalis tinham muitas forças que bloqueavam a Cia. C de chegar ao pelotão separado. Esse pelotão saiu com a ajuda dos AH-1s e também dos AH-6s, já que o 2º Pelotão tinha sido cercado, o plano de gestão do espaço aéreo foi desfeito para o resgate.

 

O pelotão começou a se mover em direção a Companhia C, enquanto somalis armados continuaram a causar baixas no grupo. Um soldado tentou identificar a localização de homens armados somalis em um prédio. O edifício foi marcada por um sinalizador disparado de um M203, e um AH-6 o destruiu. Infelizmente, o sinalizador caiu no edifício errado, de modo que o líder de pelotão em contato com o AH-6 disse que ia marcar o prédio novamente, mas usando o fogo de M16 para marcar o alvo. Desta vez o fogo da minigun e dos foguetes do AH-6 demoliram a estrutura correta. O 2º Pelotão e malaios finalmente chegaram até a posição da Cia. Dois Condors os levaram de volta para a base do Paquistão. Os somalis mataram um americano e outro morreu de seus ferimentos, mais tarde, em um hospital na Alemanha. Vários malaios também se tornou vítimas no confronto. A missão da Cia. C tinha terminado.

 

A TFR é libertada
O Comandante da Cia. A, Capitão de Drew Meyerowich, chegou perto da posição do Super 61. Ele já havia perdido parte de sua Companhia devido o desvio dos dois Condors, mas ele seguiu adiante para se unir com as forças da TFR. Ele tinha que suportar os atrasos e problemas em toda a viagem até National Street. Durante a viagem, os paquistaneses não queriam ir para frente devido a um bloqueio somali (bloqueio poderia significar minas ou uma possível emboscada), e os soldados da QRF tiveram que sair de seus veículos e desmontá-lo. A relutância dos malaios em se movimentar pelo Olympic Hotel, na Estrada Hawlwadig também paralisou o avanço

 

Desmontando um obstáculo seria adicionar mais tempo para a conclusão da missão de resgate. Os Rangers de Meyerowich e membros voluntários da TFR decidiram não esperar e sairam dos APCs e HMMWVs às 00:36hrs. Eles iriam avançar a pé e deixar os Condors e outros veículos alcançá-los perto do local do acidente mais tarde. Eram cerca de quatro quarteirões de distância e teriam de avançar através território somali hostil. Felizmente, eles estavam próximos do seu objetivo e usavam seus óculos de visão noturna. Os Condors e outros veículos seguiriam para pegar os sobreviventes e os mortos.

 

O avanço da Cia. A era lento. Por volta das 01:20hrs, a força de resgate pegou seu caminho através de vários quarteirões de território hostil, sofrendo com atiradores somalis. Os americanos estavam a pouco mais de 300 metros de seu objetivo. Os milicianos da SNA atacaram durante toda a deslocação, causando inúmeras parasa e causando mais mortes.

 

Guiado por helicópteros de vigilância, Meyerowich informou a Davi que tinha alcançado seu objetivo, o perímetro da TFR, às 01:50hrs, e ele se ligou com Steele com cinco minutos mais tarde. Steele insistiu que ele ainda estava no comando da situação no terreno e começou a tomar o comando dos soldados da QRF. Um oficial sênior das forças especiais dos EUA, que acompanhou a QRF, objetou a postura de Steele, no entanto.

 

Meyerowich tinha de avaliar a situação e tomar conta de todo o pessoal. Ele tinha cerca de 110 homens com ele e ele criou um maior perímetro de segurança para proteger os membros da TFR. Isto permitiu enviar elementos da TFR para se reunir perto do Falcão Negro abatido para a sua recuperação. As tentativas ao longo da noite para liberar corpo de Wolcott das ferragens falharam. Os soldados da TFR tentou cortar e retirar os seus restos mortais, sem sucesso. Eles teriam não queriam deixar os os seus restos mortais para os somalis profaná-lo. Em um ponto, um HMMWV da QRF tentou separar o cockpit do Black Hawk para tirar o corpo de Wolcott. Enquanto os médicos tentavam lilivrar o corpo de Wolcott, outros americanos removiam ou destruíam quaisquer dispositivos secretos do MH-60.

 

O tempo foi se tornando um fator crítico, com cada atraso podendo significar mais fogo pesado por parte dos somalis. Os soldados embarcaram nos Condors e nos HMMWVs com os mortos e feridos. Finalmente, os médicos os médicos conseguiram extrair o corpo de Wolcott por volta das 05:30hrs. Então o Super 61 foi totalmente destruído.

 

A força de resgate estava se preparando para sair, mas teve que esperar até 05:37hrs para partir. A coluna tinha de 40 a 50 feridos críticos e eles precisavam chegar a um centro médico. Infelizmente, não havia espaço dentro dos veículos para levar todos os homens. Alguns homens da força TRF, do bloqueio de Perino, e soldados da Cia. A, cerca de uns 15, tiveram que voltar a pé com o comboio para o estádio. Eles usariam os veículos como escudos móveis contra o fogo inimigo. Nos últimos minutos eles correram para tentar sair da área, e buscaram  entrar nos veículos apertados. Mas não tinha espaço para todos.

 

Ao longo da rota de saída, soldados paquistaneses limparam minas, enquanto Cobras e Little Birds forneciam cobertura aérea. Os tanques paquistaneses dispararam contra edifícios de onde tiros e RPGs pareciam ter vindor. Infelizmente, operando em uma longa coluna com paradas e saídas escalonadas, alguns Condors e outros veículos acabaram fazendo um desvio para o estádio, deixando alguns soldados que iam a pé para atrás e tendo de enfrentar tiros dos somalis ao longo de toda a rota de fuga. Depois de se movimentarem por seus quarteirões, Perino e seus homens alcançaram um APC M113 paquistanês e alguns HMMWVs às 06:10hrs. Eles pararam depois de alguma persuasão, e permitiu que os soldados a pé entrassem a bordo do M113. O Rangers se amontoaram lá dentro, e afastaram-se às 06:20hrs. Dez minutos mais tarde, o comboio chegava em segurança na base paquistanesa e um hospital de campanha foi montado para atender os feridos.

 

Quando foi listado todo o pessoal todos estavam presentes, vivos e mortos, exceto a tripulação perdida de Durant e os dois atiradores da Delta. A missão de 14 horas finalmente acabou. Em última análise, 18 americanos e um malaio morreram. Oitenta e quatro americanos e sete malaios sofreram ferimentos. Um número desconhecido de somalis morreram - estimativas variam de 300-500 mortos e 700-1.000 feridos. Devido ao precário apoio médico e condições de vida insalubridade, muitos feridos somalis que poderia ter se recuperado morreram. Dois dias mais tarde, em 6 de outubro, um ataque de morteiro no aeródromo matou um soldado e feriu 16 outros da TRF. Essas foram as últimas baixas da mobilização dos EUA na Somália.

 

Um APC saudita encontra na cidade uma multidão somali que arrasta pela rua o corpo mutilado de Bill Cleveland, o co-piloto de Woolcott. Questionados pelos sauditas porque agiam desta forma, pois não era permitido pelo Corão (ambos povos são muçulmanos ), os somalis mandam os sauditas seguirem em frente se não quiserem o mesmo destino. Os sauditas partiram.

 

Em Washington, o Pres. Clinton estava indignado e sentia traído pelos militares. Ele não havia sido informado desta missão e está furioso com a situação. Ele foi notificado das baixas americanas e dos somalis, neste caso centenas de somalis mortos e milhares feridos. Numa reunião no Salão Oval estava Clinton, seu porta-voz Samuel Berger e a representante dos EUA na ONU, Madeleine Albright. Juntou-se a eles o ex-embaixador na Somália Robert Oakley, o Secretário de Defesa Christopher Waren e os Chefes das Forças Armadas. Oakley recebe ordens pessoais do Pres. Clinton para dirigir-se até a Somália e contatar o líder dos Habr Gidr, Mohammed Aidid, e exigir a libertação imediata de Durant, sem condições e os corpos dos militares mortos. Após a batalha, os corpos dos soldados americanos foram arrastados pelas ruas e mutilados.

 

Oakley leva a seguinte mensagem: O Presidente dos Estados Unidos quer o piloto Durant libertado. Agora! Ele transmite seu recado e acrescenta: a força americana agora é formada por um porta-aviões, uma Brigada de Marines, tanques, helicópteros de ataque. Uma força capaz de mandar pelos ares a Somália inteira. Aidid recebe a mensagem e age rapidamente.

 

Em 14 de outubro de 1993, depois de intensas negociações, Aidid libertou o Suboficial Michael Durant, piloto e único sobrevivente da queda do “Super 64” e um soldado nigeriano das forças da ONU, capturado anteriormente, como um gesto de “boa vontade”.  Todos os corpos foram finalmente recuperados. Os corpos foram devolvidos em mau estado, um sem cabeça. Na praia, perto da base, um memorial foi realizado para aqueles que foram mortos em combate.

Feridos e Baixas:

Estados Unidos: 
19 mortos 
84 feridos 
um capturado

Itália: 
3 mortos 
36 feridos 

Malásia: 
1 morto 
sete feridos 

Paquistão: 
dois feridos

Milícias e Civis somalis:
desconhecido, as estimativas oscilam entre 1.000 a 3.000 mortos e 700 + mortos 
Est. + 1.500 feridos 
21 capturados.

 

O choque de ver os miolos de seus soldados sendo comidos pelos locais foi um choque brutal para o Governo e a população americana. Os resultados do desastre na Somália influenciaram as operações militares americanas posteriores e a tentativa de seus oponentes em recriar as condições que lhes foram tão propícias e obtidas uma vitória expressiva. Muita coisa ainda será escrita sobre estes acontecimentos, mas uma coisa ficou gravada de forma indelével: mesmo uma força bem treinada, quando enfrentada com decisão e ferocidade, pode ser vencida e expulsa. Em poucas semanas não havia mais um único soldado americano na Somália.

 


 

Especificações (MH-6)

Tripulação: 2: piloto e co-piloto
Capacidade: até 6 passageiros para MH-6s
Comprimento: 9,80 m
Diâmetro do rotor: 8,30 m
Altura: 3,0 m
Peso vazio: 722 kg
Carga útil: 684 kg
Peso máximo de decolagem: 1.406 kg
Motor: Um T63-A-5A ou T63-A-700 turboshaft
Comprimento da fuselagem: 7,50 m
Largura da fuselagem: 1,4 m
Sistemas de rotor: 6 lâminas no rotor principal, 4 lâminas no rotor de cauda
Capacidade de combustível útil: 62 gal EUA (242 L) ou 403 lb (183 kg)
 

Desempenho
Velocidade máxima: 152 nós (175 mph, 282 km / h)
Velocidade de cruzeiro: 135 nós (155 mph, 250 km / h)
Aldorascance: 232 milhas náuticas (430 km, 267 mi) em 5000 pés
Teto de serviço: 18.700 pés (5.700 m)
Taxa de subida: 2.061 pés / min (10,5 m / s)

Armamento do AH-6
Metralhadoras:
1 × 30 mm (1,18 in) M230 Chain Gun, ou
2 × 12,7 mm (.50 cal) GAU-19, ou
2 × 7,62 milímetros (0,30 in) M134 Minigun

 


 

Foguetes:
2 × tubos
LAU-68D/A com sete foguetes cada do tipo 2,75 em (70 mm) Hydra 70
 

Mísseis:
Anti-tanque: 2 × AGM-114 Hellfire
Anti-aéreo: 2 × FIM-92 Stinger para auto-defesa

 

 

 

Fonte:

Osprey Publishing

http://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Gothic_Serpent

http://www.forte.jor.br/destaque/15-anos-da-batalha-de-mogadiscio-parte-2-final/

 

 

Free web templates by Nuvio – Our tip: Webdesign, Webhosting