PROTEÇÃO VIP


“Se você conhecer o inimigo e a si próprio, não precisará temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não ao inimigo, para cada vitória também sofrerá uma derrota. Se você não conhece nem ao inimigo e nem a sí próprio, sucumbirá em todas as batalhas”.

 Sun Tzu 

Por causa da violência urbana, agravada pelo crescimento do trafico de drogas, e principalmente o aumento do terrorismo, uma tarefa que está se tornando corriqueira das tropas de elite é a missão de dá proteção a personalidades Vip (Very Important Person). Essas personalidades podem ser governantes, legisladores, juizes ou comandantes militares em áreas de risco.Operador do GSG9 no Iraque em 2003.

O SAS, que é uma das melhores unidades neste tipo de trabalho foi uma das primeiras a se envolver com estas missões. O seu envolvimento com a proteção VIP começou em 1967, em Aden, quando o SAS ofereceu ao Governador britânico, seus melhores atiradores para formar o seu corpo de segurança.  Depois de Aden, os operadores do SAS passaram a receber treinamento especializado na função de guarda-costas. 

O pessoal do SAS subseqüentemente foi empregado na proteção de diplomatas britânicos no estrangeiro, cuja segurança era considerada crítica pela Grã-Bretanha. Os homens do SAS ficavam nesta função até que uma força de segurança treinada por eles, ficasse em seu lugar.

Com o avanço do terrorismo nos anos 1970, o SAS se especializou como nenhuma outra força em seu combate, e a proteção a VIPs não foi esquecida. Hoje o SAS fornece treinamento para clientes estrangeiros e domésticos, como por exemplo o Esquadrão de Proteção VIP da Polícia Metropolitana. Além do mais os operadores do SAS agem continuamente como guarda-costas para o primeiro-ministro britânico, ministros do governo e membros da família real em suas visitas ao estrangeiro, assim como para diplomatas do Ministério das Relações Exteriores em serviços em locais de alto risco.  

Muitas das informações encontradas nesta página são fruto da experiência do SAS na função de proteção VIP, funcionando com suas Equipes de Proteção Aproximada. Hoje em dia as principais forças especiais do mundo como a Força Delta e o GSG9, estão envolvidas com a proteção VIP em várias partes do mundo, como por exemplo Colômbia, Iraque, Arábia Saudita e Afeganistão.

Forças Especiais britâncias dão proteção ao príncipe Charles.

Muitas Companhias Militares Privadas - Private Military Companies (PMC), também são contratadas para prover proteção VIP para diplomáticas, empresários, funcionários de multinacionais, embaixadas, organismos da ONU e etc.

O operador militar, policial ou privado, que for empregado neste tipo de missão deve ter um excelente condicionamento físico e ser altamente treinado, tendo a sua disposição o melhor possível em equipamentos, informações, organização, planejamento e treinamento. Seu treinamento inclusive, deve envolver uma considerável carga teórica e prática, incluindo simulações em várias condições operacionais. O operador deve está apto a tomar decições e principalmente efetuar respostas táticas rápidas, seguras e eficientes em situações de crise, em questão de minutos e muitas vezes segundos.

Entre os muitos conhecimentos que este operador deve ter podemos citar:

- Técnicas em defesa pessoal e combates corporais letais, como: Jiu-Jitsu, Krav Maga, Hapkido, Muai Thay, Ving Tsun, etc.

- Combate com armas improvisadas (canetas, talheres, etc) e não convencionais (bastões, facas, etc).

- Comunicações.
- Socorros emergenciais.
- Armamento leve.
- Tiro tático – técnicas e táticas.
- Tiro de combate –  em várias situações e terrenos (cenários).
- Direção defensiva – agressiva e evasiva.

- Tiro de combate embarcado em veículos.
- Contra-vigilância. 

- Técnicas de proteção e escolta a pé e em comboio motorizado.
- Contra-atentados.

- Contra-bloqueio.

- Contra-emboscada.

- Conhecimento básico de explosivos e artefatos improvisados para sabotagem defensiva.
- Técnicas de rapel e operações em altura.
- Técnicas de entradas táticas e CQB (Combate em Locais Fechados) e resgate do VIP em locais confinados.
- Sobrevivência e operações em ambientes hostis.

Equipes de Proteção Aproximada

O tamanho e a forma de uma Equipe de Proteção varia de acordo com o trabalho a ser realizado. Mas uma equipe típica protegendo um VIP em missão num país estrangeiro, normalmente é formado por cinco homens. O comandante da Equipe de Proteção permanecerá todo o tempo com o VIP. Os outros quatro irão servir como guardas-costa, motorista, etc.  

A Equipe de Proteção trabalhará de forma cooperativa e de perto com as forças de segurança local, que fornecerá principalmente a segurança e defesa do perímetro e irá auxiliar na vigilância das rotas e pontos de parada e etc.

O Equipamento

Os membros da Equipe de Proteção carregam uma variedade de equipamentos com eles. O comandante da equipe, o "mosca",  normalmente só carrega uma pistola semi-automática, que pode ser uma  Sig Saur 9mm com carregadores com capacidade para 19 cartuchos sendo a pistola 19+1 cartuchos ou tiros mais dois carregadores com capacidade 19 cartuchos na cintura. O comandante, como os demais membros da equipe, também pode levar um bastão retrátil, que é muito útil em situações de contato aproximado com agressores.

Em ambiente urbano os outros membros da equipe normalmente estarão usando submetralhadoras HK ou UZI, além de pistolas automáticas de 9mm ou 10mm. Todos normalmente estarão de óculos escuros ou espelhados, para que não se saiba para onde olham e todos devem está munidos de rádios portáteis, com fones de ouvido. Coletes Balístico que dependendo da autoridade ou vip e a missão poderá variar de nível 1,2,3, (4 fuzil).

Algumas equipes levam um suprimento adicional de armas e acessórios no porta-malas dos carros da escolta, que pode conter: escopetas, fuzis-automáticos, coletes balísticos mais reforçados, máscaras de gás, óculos de visão noturna, granadas de fumaça, kit médico, munição extra, etc. 

Também no porta-malas podem ser colocados capas de chuva, guarda-chuva e cobertores. Normalmente os membros da Equipe de Proteção estarão usando paletós ou roupas esportes com blusões, para esconderem as suas armas.

Logicamente que todo este aparato esta configurado para um ambiente urbano, em que os veículos normalmente são carros blindados e a situação operacional é de não-guerra. Em um ambiente de conflito armado, os membros da Equipe de Proteção estarão normalmente usando trajes militares ou para-militares, e não os seus largos paletós. Suas armas serão de maior calibre como fuzis-automáticos de 5.56mm ou 7.62mm, como o M-4 ou AK-47. Os veículos normalmente são utilitários 4x4 blindados (hoje também muito usados na primeira situação de ambiente urbano) ou jipes militares. Muitos membros de Equipe de Proteção usam capacetes ou bonés. 

Planejamento

Antes de uma viagem ao exterior o comandante da Equipe de Proteção se reúne com o VIP para discutir os princípios que nortearam a visita, e os limites que a Equipe de Proteção estará delimitada. Roteiros, agendas e configuração da situação local também são discutidos. Será necessário se estabelecer se na visita haverá encontros com multidões. 

A segurança em contatos públicos precisa ser muito bem estudada pois o VIP normalmente não quer ser visto com antipatia pelos populares locais ou em seu próprio país, sendo cercado por um forte cordão de proteção. A proteção deve existir sim, mas de forma discreta e eficaz.

É de praxe que o comandante da Equipe de Proteção receba um relatório dos serviços de segurança de seu país e das autoridades nativas do local que será visitado, para que todas as providencias possíveis sejam tomadas. Informações como nível de segurança nas ruas, condições do transito, grupo terroristas ativos no país e etc. são repassadas ao comandante da Equipe de Proteção.

Táticas

Existem três táticas possíveis que o comandante da Equipe de Proteção pode escolher sobre a forma como se apresentará o seu corpo de seguranças:

As formações:

Novamente há três formações principais utilizadas pela Equipe de Proteção (X = Guarda-costas - O = VIP)

Formação Caixa Aberta - Ela é boa para a imagem pública do VIP, porém péssima para a sua proteção. Nesta formação Existem dois seguranças na frente e dois na retaguarda. O grande problema com essa formação é que é relativamente fácil entrar na "caixa", e o comandante da Equipe de Proteção é o único que pode oferecer uma proteção imediata.



Formação Caixa Fechada - Esta formação é muito boa para a proteção do VIP. Porém tem as suas desvantagens. Entre elas a de que o VIP passa uma imagem bem antipática para o público, pois está cercado de seguranças. O que é um problema se as relações públicas forem importantes. Outra desvantagem é que uma simples granada pode acabar com o VIP e sua Equipe de Proteção. 

Formação Ponta de Flecha - É uma formação de meio termo, muito usada pelas Equipes de Proteção Aproximada. A formação existe em forma de um V, com dois seguranças nas pontas do V cobrindo a esquerda e a direita da retaguarda, há um homem posicionada na ponta da V, cobrindo a frente, um homem na linha do V ao lado direito do VIP e comandante da equipe fica a esquerda do VIP. Se um agressor se aproxima do meio do V, o  comandante no centro funciona como escudo e os homens das pontas fecham a formação. O "homem livre" pode responder de acordo com a necessidade.

Dirigindo 

Todos os membros de uma Equipe de Proteção Aproximada devem ser altamente qualificados para guiar veículos tanto defensiva, como ofensivamente.  Os homens estão preparados para furar bloqueios, perceber perigos a distância e fugir de perseguições. O ideal é que os carros do comboio sejam todos blindados, mas quando isto não é possível, a Equipe de Proteção Aproximada pode colocar coletes balísticos nos assentos dos passageiros, e todos os ocupantes do comboio podem usar coletes balísticos. Equipes de Proteção Aproximada mais experientes retiram também os airbags, pois a última coisa que querem é ficarem momentaneamente desorientados e "presos" por um airbag que se abre a sua frente ou lado.

Rota do Comboio

Antes de sair com o VIP a Equipe de Proteção deve analisar a rota que irá tomar. Normalmente uma equipe de alto padrão irá filmar o trajeto ida-e-volta, para analisar as filmagens e procurar detectar zonas de perigo e estudar formas de neutralizá-las. Rotas de fuga estabelecidas e estudadas. As equipes experientes dão números aos pontos perigosos e estabelecem planos de ação para cada um deles. Zonas de perigo geralmente são pontos em que o comboio tem que diminuir a marcha ou parar, ou vias estreitas em que o comboio pode ser bloqueado. 

São observados também a existência durante o trajeto de pontes, curvas, cruzamentos rodoviários e ferroviários, viadutos, muros ao lado da entrada a áreas de estacionamento nos lados da entrada por onde passará o comboio,  pois este pontos são excelentes para a montagem de emboscada e provisão de proteção para os atacantes.

Caso o comboio se desloque em ambiente urbano a Equipe de Proteção Aproximada deve também está atenta para "cenas" normais de uma cidade, como motoqueiros que param ao lado do comboio quando o sinal fecha, um caminhão que pára na frente, um carro quebrado mais adiante com os passageiros tentando consertá-lo, um acidente na estrada e etc.

Formação do Comboio

Normalmente um Equipe de Proteção formada por cinco homens, mais um motorista treinado usará três veículos no comboio: O carro da frente chamado de Charlie 1, o carro do meio, Charlie 2 e o carro da retaguarda, Charlie 3. Como de costume o VIP estará no Charlie 2. O comandante da equipe vai com o VIP em Charlie 2 e dois seguranças vão em Charlie 1 (operador 1 e 2) e dois em Charlie 2 (operador 3 e 4).

Caso o comboio seja atacado, o comandante da equipe protege o VIP e o motorista de Charlie 2 sairá em alta velocidade por uma rota de fuga viável, tendo a frente Charlie 1. Os demais operadores em Charlie 3 darão cobertura a fuga.  

Algo que deve ser sempre observado é que o comboio deve sempre está em movimento. A função de Charlie 1 será a de deixar a rota livre para Charlie 2, inclusive bloqueando o transito em cruzamentos para a passagem rápida de Charlie 2. Charlie 3 deve seguir Charlie 2 em alta velocidade, ultrapassá-lo e bloquear o transito se necessário mais a frente. O carro que ficar na retaguarda deverá sempre impedir a progressão do qualquer veículo que estiver perseguindo o comboio.

Normalmente os carros civis que são usados na escolta são do seguinte tipo (exemplos de referência):

Veículos 4x4 para Charlie 1 e Charlie 3:

Range Rover (Já testado pelo SAS).

Land Rover Defender.President of Georgia Eduard Shevardnadze uses armored car "Mercedes 600"

Chevrolet Suburban.

Ford Excursion.

Mercedes Benz G 500L.

Veículos modelos sedan (blindados) de alto desempenho para Charlie 2:

Mercedes Benz 600.

BMW.

Audi.

 

Reconhecimento do local de reunião

Além da rota a ser adotada a Equipe de Proteção Aproximada deve também estudar os locais que serão visitados pelo VIPApoio aerotático.. Da mesma forma em relação ao trajeto de carro, uma equipe alto nível irá previamente filmar esses locais para análise. Para cada lado do edifício em que o VIP irá entrar será designada uma cor, normalmente a frente recebe a cor branca. Cada saída de emergência recebe um número, o que ajuda na comunicação rápida entre os membros da equipe de segurança.

Caso o VIP seja atacado por atiradores enquanto ele e sua Equipe de Proteção estiverem a pé, o procedimento padrão é levar o VIP o mais rápido possível para Charlie 2. Normalmente a Equipe de Proteção estará usando uma formação Ponta de Flecha, e os operadores que estão nas pontas serão os primeiros a reagirem. O comandante da equipe irá levar o VIP o mais rápido possível para dentro do carro, ou colocá-lo em um abrigo protegido dos disparos até este poder entrar em Charlie 2. Um segurança estará sempre na sua cobertura do comandante e do VIP. 

Dentro de Charlie 2, o VIP está relativamente protegido dos disparos de pequeno calibre, porém os atacantes podem usar foguetes anticarro, granadas ou explosivos, por isso o comboio deve sair o mais rápido possível do local. Normalmente uma parte da equipe irá dar cobertura a fuga. Caso exista uma equipe reserva ou apoio aerotático ele será acionado para proteger o comboio em fuga e dar cabo da ameaça no local do ataque.

Seqüência de uma ação:

A Equipe de Proteção chega com o VIP (neste caso uma mulher) a um encontro agendado.

A Equipe de Proteção chega com o VIP (neste caso uma mulher) a um encontro agendado.

Usando a formação V a Equipes protege o VIP.

Usando a formação V a Equipes protege o VIP.

Um grupo hostil chega ao local do encontro.

Um grupo hostil chega ao local do encontro.

E ataca a comitiva.E ataca a comitiva.

A Equipe de Proteção inicia a reação ao ataque.

A Equipe de Proteção inicia a reação ao ataque.

O comandante da equipe leva o VIp para o local protegido mais próximo.

O comandante da equipe leva o VIp para o local protegido mais próximo.

Enquanto a equipe reage o VIP fica abaixado sob a proteção do comandate da equipe.

Enquanto a equipe reage o VIP fica abaixado sob a proteção do comandante da equipe.

A equipe se reagrupa.

A equipe se reagrupa.

Membros da equipe reagem fortemente ao ataque.

Membros da equipe reagem fortemente ao ataque.

A forte reação da Equipe de Proteção, elimina a ameaça.

A forte reação da Equipe de Proteção, elimina a ameaça.

O Charlie 2 é levado para onde está o VIP.

O Charlie 2 é levado para onde está o VIP.

O comandante conduz o VIP (ainda abaixado) para Charlie 2.

O comandante conduz o VIP (ainda abaixado) para Charlie 2.

O VIP é levado para o Charlie 2 sob forte proteção.

O VIP é levado para o Charlie 2 sob forte proteção.

O comandante da equipe coloca rapidamente o VIP no banco de trás do Charlie 2.

O comandante da equipe coloca rapidamente o VIP no banco de trás do Charlie 2.

Com o VIP protegido, o comboio se prepara para se deslocar.

Com o VIP protegido, o comboio se prepara para se deslocar.

Mesmo chegando em local seguro, a Equipe continua em alerta, no momento de desembarque do VIP.

Mesmo chegando em local seguro, a Equipe continua em alerta, no momento de desembarque do VIP.

  Parte do texto desta página é contribuição de Fares Abdalla.


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