Perfil da Unidade

SELOUS SCOUTS - RODÉSIA - 1973/1980

"Pamwe Chete"


ORIGENS

Homens que travam uma guerra anti-insurrecional têm de ser muito especiais. Inteligência, boa forma física, capacidade de agir com frieza em quaisquer condições são qualidades exigidas para se enfrentar guerrilheiros em seu próprio terreno. O Regimento de Batedores Selous (Selous Scouts), formado em  dezembro de 1973, não foi a primeira unidade desse tipo, mas marcou a história deste tipo de guerra, por sua coragem, letalidade e espírito de corpo. Essa unidade se tornou uma lenda.

Os britânicos utilizaram com êxito pequenas unidades disfarçadas na Malásia e no Quênia, na década de 1950 mas os Scouts em sete anos de campanha tornaram-se uma das melhores nesse gênero de luta, graças à qualidade e à intensidade do árduo treinamento.

Para muitos observadores não familiarizados com as penosas condições do sertão africano, parecia que os Scouts eram submetidos a testes bárbaros de força e sangue-frio.

Devido à estrita segurança que rodeava as  operações dos Scouts, era inevitável que os membros das forças regulares, já  ressentidos com o tratamento especial e com a indumentária pouco ortodoxa do regimento, começassem aí questionar o seu valor. No  fim dos anos 70, foram  acusados de furtos e tráfico de armas. Durante algum   tempo a unidade enfrentou  esses problemas.

Com a renúncia de seu comandante, em 1979, o seu fim estava próximo. Em 1980, após a formação de um governo nacionalista no  Zimbábue — a nova denominação da Rodésia  o regimento foi dispersado. 

HISTÓRIA

Em março de 1980, os projetos da minoria branca da antiga colônia britânica da Rodésia sofreram um sério revés, com a formação de um governo de maioria africana chefiado por Robert Mugabe.

A Grã-Bretanha concedeu formalmente a independência ao país, que passou a chamar-se Zimbábue. Era a vitória do nacionalismo africano sobre o nacionalismo rodesiano, o término de uma ordem político-social em que a população de origem européia (5% dos habitantes) afirmava sua hegemonia absoluta sobre 94% de africanos de etnia bantu. Na mesma ocasião, era dissolvido o Selous Scouts (Regimento de Batedores Selous), ponta-de-lança rodesiana voltada contra os guerrilheiros gue lutavam para concretizar o sonho de um Zimbábue livre. A unidade tinha como símbolo uma águia pescadora “Osprey” , uma ave de rapina encontrada em pequenas quantidades em muitas partes do mundo. O lema dos Selous Scouts era "Pamwe Chete", que em dialeto Shona significa "todos juntos", "juntos apenas" ou "avançar juntos". A unidade em seu auge chegou a contar com cerca de 1.500 homens.

Um dos apelidos dos Selous Scouts era ‘Skuz’ apo’ que em Shona significa "desculpe-me por estar aqui", que seria mais ou menos como a frase de um batedor de carteira que te dando um solavanco te pede desculpas enquanto rouba a sua carteira; Outro apelido era axilas com globos oculares - devido a suas barbas desgrenhadas que eles eram encorajados a deixar crescer; Esquimós - sendo que esse era o termo que a Infantaria Leve Rodesiana usava para os Selous Scouts, visto que eles operavam em "áreas congeladas", onde as demais unidades do Exército e da Polícia não podiam entrar.

 

Um soldado do Selous Scouts, Rodésia - 1977

Os Selous Scouts apresentavam um aspecto deliberadamente desleixado tanto no uniforme como na aparência geral, como mostra a figura do soldado acima. A única parte oficial do uniforme desse soldado é a camisa, no estilo camuflado rodesiano. O gorro de lã, o calção/short (item muito preferido pelos rodesianos) e a bota não seguem qualquer padronização. Os esclarecedores utilizavam diversos tipos de equipamento, inclusive bolsas no estilo "Viet Cong". O cinturão britânico tem bolsas para munição e dois cantis plásticos americanos. O fuzil FN FAL de 7,62 mm está pintado com cores de camuflagem, uma prática comum no Exército rodesiano.

Os Selous Scouts operaram durante relativamente pouco tempo, de 1973 a 1980. Nesse período, sob a brilhante liderança do major Ron Reid Daly, foram reconhecidos como os melhores sertanistas da África. O regimento tinha a missão de infiltrar-se nas redes de guerrilha, isolar grupos rebeldes e transmitir informações para as forças convencionais, designadas para executar o ataque. Os batedores eram treinados para operar em pequenas equipes capazes de trabalhar isoladas na mata semanas a fio, fazendo-se passar por grupos rebeldes. Viviam sob a permanente tensão de serem desmascarados, de que um incidente qualquer deitasse por terra os esforços de semanas de infiltração. 

Na linguagem militar brasileira, "Scout" é o esclarecedor, elemento da infantaria incumbido de realizar o reconhecimento de combate. O Regimento dos Selous Scouts adotou esse em homenagem a um explorador britânico, Frederick Courtney Selous, que teve importante participação na conquista da Rodésia.

Frederick Courtney Selous

COMPOSIÇÃO E TREINAMENTO

Somente voluntários bastante motivados poderiam enfrentar com êxito esse constante desafio. Reid Daly sabia que tipo de homem queria: "Um soldado de uma força especial deve ser um tipo muito especial;. de homem. Em seu perfil é preciso encontrar inteligência, caráter e bravura, lealdade, dedicação, um profundo sentimento de profissionalismo, maturidade — a idade ideal é entre 24 e 32 anos —, responsabilidade e autodisciplina". A seleção mostrava-se rigorosa, ainda mais dura que o curso do SAS britânico. Apenas 15% dos voluntários terminavam o treinamento e ganhavam o direito de usar a boina marrom dos Scouts.

Soldados brancos e negros em um campo de treinamento do Selous Scouts

Muitos de seus primeiros recrutas dos Selous Scouts eram policiais. Muitos dos homens que serviram nesta unidade vinham de vários países incluindo sul-africanos, americanos, britânicos, australianos e vários países africanos.

Essa unidade deferia do Esquadrão "C" do 22 SAS (Rodésia)  na medida em que foi formada especificamente para participar em operações de rastreamento e de infiltração, onde soldados fingem ser guerrilheiros. Essas táticas foram usadas com muito sucesso no combate a Revolta dos Mau-Mau no Quênia. Além disso, os Selous Scouts também recrutavam nas forças inimigas; a muitos dos guerrilheiros capturados eram oferecida uma escolha entre a prisão, julgamento e, possivelmente, execução ou a oportunidade de se juntar aos os Selous Scouts.

Este conceito inicialmente gerou muito controversa dentro do governo rodesiano; a idéia da "virada" de guerrilheiros capturados em vez de puni-los era inaceitável para alguns políticos e militares. No entanto, os defensores da "virada", retratavam essas ações como um aspecto natural da contra-insurgência similar à uso por força da lei de informantes e "infiltrados"' com o objetivo de penetrar e romper as organizações criminosas e subversivas.

A fim de manter o conhecimento de sua existência tão restrito quanto possível os guerrilheiros "convertidos" eram pagos a partir de fundos especiais que não eram fiscalizados por auditores do governo, e os voluntários para a unidade não eram informados da sua função real até que eles realmente se juntassem ao grupo. Em alguns casos, quando guerrilheiros capturados já tinham entrado no sistema judicial, os Selous Scouts forjavam uma falsa fuga sem informar o Departamento de Investigação Criminal.

A fim de evitar que o Exército ou a Polícia regular trocassem tiros com a unidade enquanto ela estava operando, as autoridades declaravam certas "áreas congeladas", onde era ordenado que todas as unidades do Exército e da Polícia cessassem temporariamente todas as suas operações e se retirassem, sem ser dito a razão real. Muitos comandantes acreditavam no início que as  áreas congeladas" cediam o controle para o inimigo e reduzia a iniciativa das forças de segurança.

O Tenente-coronel Ron Reid-Daly afirmava: "... um soldado das forças especiais tem que ser um certo tipo muito especial do homem. Em seu perfil, é necessário encontrar inteligência, fortaleza e coragem potenciais, lealdade, dedicação, um profundo senso de profissionalismo, maturidade - a idade ideal é de 24 a 32 anos - responsabilidade e auto-disciplina ...". A pessoa que os Selous Scouts estava procurando era uma mistura entre o soldado que pode trabalhar em equipe junto a sua unidade e um solitário que pode pensar e agir sozinho.

Logo que os recrutas atingiam Wafa Wafa, campo de treinamento à margem do lago Kariba, tinham uma demonstração do que os esperava. Ao chegar à base, cansados e encharcados de suor — os treinadores haviam-lhes ordenado correr os últimos 25 km —, não avistavam confortáveis cabanas ou um refeitório acolhedor, mas choças de palha e marcas de fogueiras no chão. Cerca de 40 ou 50 do total de 60 recrutas desistiam do treinamento nos primeiros dois dias.

Armado com um fuzil Heckler & Koch G3, este homem do Selous Scouts caça guerrilheiros.

Nenhuma comida era servida. A partir daquele momento, os treinadores dedicavam-se a esgotar, esfomear e exasperar os recrutas. Faziam isso com tanto sucesso que geralmente quarenta ou cinqüenta homens, dos sessenta iniciais, desistiam nas primeiras 48 horas. O curso básico consistia em dezessete dias de puro inferno. A cada manhã, desde o primeiro raio de sol até as 7h00, os recrutas passavam por um programa de aperfeiçoamento físico e mal tinham tempo de descansar antes do início dos treinos de combate.

O dia terminava com um exercício de assalto, particularmente desagradável, concebido para acabar com o medo de aleiras; com o chegar da tarde, começava o treinamento noturno. Nos primeiros cinco dias no campo, não eram distribuídas rações: os homens deveriam viver do que o sertão oferecia. No terceiro dia, um babuíno morto era pendurado numa árvore e deixado a apodrecer sob o sol escaldante. Dois dias depois era corta­do, estripado e cozido, com vermes e tudo. Reid Daly explicava por quê: "Poucas pessoas sabem que a carne podre é comestível, quando muito bem fer­vida, embora possa causar um botulismo mortal se requentada. Os batedores, em missão de reconhecimento, quando o envio de alimentos nem sempre é possível, podem sobreviver comendo carniça. Mas eles têm de saber disso por experiência própria, por­que senão jamais a comeriam".

Dois dias depois era corta­do, estripado e cozido, muito bem fer­vida, embora possa causar um botulismo mortal se requentada. Os batedores, em missão de reconhecimento, quando o envio de alimentos nem sempre é possível, podem sobreviver comendo carniça. Mas eles têm de saber disso por experiência própria, por­que senão jamais a comeriam".

Os três últimos dias do curso básico eram dedicados a uma marcha de resistência. Além de suas armas e de pouca comida (125 q de carne e 250 q de ração de farinha), cada homem carregava uma mochila com 30 kq de pedras por uma distância de ' 100 km. As pedras eram pintadas de verde, para que não fossem joqadas fora e substituídas por outras, pouco antes da chegada. Como se não bastasse, os últimos 12 km eram um teste de rapidez: deviam ser cobertos em duas horas e meia.

Os poucos que chegavam ao final das primeiras fases do treinamento eram levados, após uma sema­na de repouso, a um campo especial, onde passavam pela "fase negra". Era preciso que os batedores parecessem, agissem e falassem como guerrilheiros de verdade: só assim poderiam realizar um trabalho eficaz. Nesse período, os homens eram leva­dos a romper com seus hábitos, tais como barbear-se, fumar e beber, e adotavam o estilo de vida dos guerrilheiros. Aprendiam todos os detalhes, desde o sacrifício ritual de um bode (cortando-lhe parcialmente a garganta, antes de entranquiá-lo) até a marcha pela mata, em fila indiana.

Guerrilheiros mortos ou capturados eram uma fonte de informações vitais sobre os métodos operacionais das unidades rebeldes em campo (por exemplo, a sua preferência em marcar encontros por meio de cartas). Os "pseudogrupos" — das tropas rodesianas disfarçadas em bandos rebeldes — formavam as principais unidades ativas dos Scouts.

Os esclarecedores estavam aptos a sobreviverem no hostil ambiente do sertão rodesiano. 

Naturalmente, os soldados negros eram a ponta-de-lança do pseudo-grupo, encarregados do contato mais direto com o inimigo. No entanto, os oficiais brancos tentavam se fazer passar por negros — pelo menos a distância. Escurecer a pele com rolhas queimadas, recorrer à maquilagem de teatro, usar chapéus grandes e frouxos e deixar crescer a barba eram meios de que se serviam para ocultar as características européias mais óbvias.

Ao receber a boina marrom, os novos batedores dispunham de pouco tempo para comemorações. Para combater a crescente ameaça das guerrilhas nacionalistas, as forças de segurança rodesianas precisavam de cada homem que pudessem reunir. Assim, formavam apressadamente unidades conhecidas como sticks (mateiros), com um ou dois oficiais brancos e até trinta soldados negros. Tais unidades penetravam o sertão em busca do inimigo.

Os homens do Selous Scouts normalmente usavam trajes e calçados fora do regulamento. Estes soldados estão armados com fuzis FN FAL e portam bolsas de munição de criação chinesa, a mesma usada pela Frente Patriótica.

O êxito das operações dependia de os rebeldes não perceberem a presença dos Scouts. Uma vez que movimentos fora do comum nas estradas ou nos ares seriam denunciadores, os sticks eram deixados por caminhões cobertos ou helicópteros, durante a noite, longe da área suspeita, da qual se aproximavam cuidadosamente. Depois de posicionados, instalavam um posto de observação camuflado numa colina que oferecesse boa visão de toda a sua volta. Era nesse momento que os Scouts começavam a utilizar os seus conhecimentos de sertanistas. Durante várias semanas de operação, deveriam obter alimentos, viver sem ser descobertos e contatar o inimigo sem revelar sua identidade real.

Os treinamento com armas dos Selous Scouts era intenso e prático. Como muitas vezes eles operavam disfarçados de terroristas, os Selous Scouts eram normalmente armados com armas do Bloco Oriental. O AK-47, a metralhadora leve RPD e o rifle de franco-atirador SVD foram todos amplamente utilizados. Eles também usavam uma grande variedade de pistolas como a CZ75 e Beretta 951 as mais populares, e até as Makarovs devido a sua origem no Pacto de Varsóvia.

Uma variante chinesa do AK-47 soviético, o Tipo 56 com uma baioneta

Para localizar os grupos guerrilheiros, os batedores usavam informações colhidas pelo Special Branch (Seção Especial) da polícia rodesiana. Os policiais permaneciam nos postos de observação, saindo somente à noite para ouvir relatórios, dar ordens e transmitir informações valiosas à base. Paralelamente, os soldados negros iam a uma aldeia, disfarçados de rebeldes, e tentavam encontrar o contato local - o simpatizante que fornecia alimentos, abrigo e informações à guerrilha.

Em geral, não era difícil identificar o homem certo; vários Scouts eram "terroristas arrependidos" (rebeldes capturados que, por dinheiro, temor ou opção consciente, haviam decidido ingressar no regimento), possuidores de informações de primeira mão. 

O mais comum era o grupo de batedores ser aceito pelo contato local e, em seguida, marcar encontros com guerrilheiros autênticos, em lugar e hora determinados. Às vezes, porém, os contatos desconfiavam de seus hóspedes e então os Scouts tinham de ir a extremos para provar sua "lealdade". Certa ocasião, os soldados simularam um ataque à propriedade de um fazendeiro branco, para convencer as forças rebeldes, com quem estavam em contato, de que eram guerrilheiros.

Chegaram a cobrir a área com sangue e a improvisar "cadáveres" - oficiais dos Scouts, cujos corpos apareciam por baixo de lençóis manchados de sangue. Durante outra missão, um oficial fingiu ser prisioneiro de seus soldados negros e sofreu vários espancamentos, para convencer as tropas rebeldes da dedicação de seus homens à causa nacionalista.

As reuniões de grupos guerrilheiros estabelecidas por iniciativa dos Scouts eram freqüentemente "interrompidas" pelas forças de segurança. No entanto, os batedores nunca participavam do ataque, a menos que não houvesse outro recurso: todo o trabalho de infiltração numa determinada área seria desperdiçado se evidenciasse qualquer envolvimento deles na destruição de uma força guerrilheira.

Uma cena típica do conflito na Rodésia. Militares rodesianas atacam uma coluna de guerrilheiros com seus fuzis automáticos FAL
7.62 × 51 milímetros. O FAL podia perfurar os troncos das árvores e arbustos geralmente encontrados na savana africana, enquanto o
AK-47 de 7,62 geralmente não fazia. Este fato foi usado com grande efeito pelos rodesianos, pois seus projeteis quando atingiam pedras ou arvores podiam gerar muitos fragmentos de pedras e lascas de árvores que poderiam fazer um grande estrago para aqueles que procuravam se proteger atrás deles.

Reid Daly decidiu que o ataque deveria ser feito por unidades do exército regular, transportadas por helicóptero. As "forças de fogo" integradas por um helicóptero armado com canhões, três helicópteros de transporte de tropas, e um avião Dakota de transporte de pára-quedistas surgiam de repente no local da reunião, e varriam o inimigo.

Muitos oficiais e homens do regimento vinham de áreas rurais da Rodésia e tinham ampla experiência em seguir pistas, mas nem sempre era fácil passar da caça a animais selvagens para a tocaia de grupos terroristas, muito mais perigosos.

Um batedor armado com um fuzil FN FAL, uma faca e um cantil, investiga a presença de um grupo guerrilheiro.

Em missões de reconhecimento além da fronteira, os Scouts chegavam a ficar mais de uma semana procurando pegadas, evidências de vegetação fora do lugar e pistas de guerrilheiros.

Buscavam principalmente de manha ou à tarde, quando os raios inclinados do sol destacam o mais leve sinal de movimento. Qualquer caça apanhada ou encontrada morta, além de plantas ou raízes - os batedores tinham aprendido a distinguir as comestíveis das venenosas -, proporcionava alimento.

Os homens eram proibidos de atirar em animais, pois o ruído poderia revelar sua posição. Fogueiras, quando acesas, eram feitas com gravetos secos, para que não produzissem fumaça.

De noite, os Scouts faziam buracos de 30 cm de profundidade para esconder o fogo - mesmo pequenas fagulhas podem ser avistadas, à noite, a uma distância de até 800 m. De repente, os guerrilheiros perceberam o engano: começou um verdadeiro inferno de fogo.

Seguindo rigorosamente as idéias de Reid Daly, os pseudogrupos infligiram sérios danos à campanha guerrilheira. As bases localizadas em países vizinhos, como Moçambique e Botsuana, ainda representavam uma ameaça ao regime rodesiano. Atuando em conjunto com elementos do exército regular, pequenas unidades de Selous Scouts receberam ordens de fazer incursões além das fronteiras.

A mais famosa teve por alvo a base nacionalista de Purigwe/Nyadzonya, em Moçambique. Em agosto de 1976, um grupo de 72 Scouts, em dez caminhões Unimog e três blindados Ferret, atacou mais de 5 mil guerrilheiros. Entraram calmamente com seus veículos no acampamento, onde foram bem recebidos. De repente, os guerrilheiros perceberam o engano: começou um verdadeiro inferno de fogo. No final, morreram 1.200 nacionalistas, enquanto apenas cinco Scouts receberam ferimentos. Realizaram-se inúmeras incursões desse tipo, até o regimento ser desmobilizado em 1980.

Perto do fim da guerra no final dos anos 1970, quando os guerrilheiros tinham conseguido ganhar amigos ou pressionar adeptos dispostos nas aldeias para fornecer-lhes informações sobre os movimentos das forças de segurança, a vida para os Selous Scouts tornou-se mais e mais difícil. Aldeões, eles próprios, patrulhavam em torno de suas casas, na tentativa de localizar o paradeiro das forças de segurança. Esses ajudantes da guerrilha eram conhecidos como majubis e muitos eram meninos jovens que, de qualquer modo, normalmente estavam fora de casa cuidando de rebanhos de gado. Se em seu caminho errante, eles descobriam um posto de observação eles deliberadamente moviam o seu rebanho à direita para a posição dos Selous Scouts, e assim, identificavam a localização exata da patrulha da força de segurança. Esses ajudantes também davam informações falsas para as patrulhas a fim de esconder as intenções das forças guerrilheiras.

A crise dos Selous Scouts teve início antes disso, em plena vigência do regime de minoria branca. Vários oficiais do alto escalão achavam que os Scouts criavam mais problemas do que resolviam, que eram contrabandistas e traficantes de armas e que tinham, algumas vezes, posto em perigo as vidas de soldados do exército.

O Fim e Além

Em 29 de janeiro de 1979, as operações foram canceladas, após um aparelho de escuta ser encontrado no escritório de Reid Daly. Dois dias  depois, ele lançou um ataque público ao comandante do Exército, tenente-general John Hickman, que resultou em uma corte marcial. Reid recebeu uma leve repreensão, mas renunciou ao comando.

Devido ao segredo que envolvia as operações, poucos rodesianos sabiam da existência e da eficácia dos Selous Scouts. Somente no fim do conflito, quando o Comando de Operações Combinadas da Rodésia fez uma declaração, na qual creditava ao regimento 68% das baixas nacionalistas, é que a escalada do seu sucesso chegou ao público. Em menos de sete anos de combates, perderam somente 36 homens em ação, mas foram responsáveis pela destruição de centenas de grupos guerrilheiros.

Após a dissolução do regimento, em 1980, muitos de seus soldados viajaram para o sul para se juntar à Força de Defesa da África do Sul, onde se juntaram 5 Reconnaissance Commando. Aqueles que permaneceram na Rodésia formaram o 4th Bn(HU)RAR que foi colocado em "standby" na maioria de seu curto tempo de serviço. O batalhão cobriu as áreas ao norte de Andre Rabie Barracks, na medida do Miami / Mangula no leste e na medida do Kariba, no norte. A unidade existiu de 23 de abril a 30 de setembro de 1980, quando mudou seu nome para tornando-se, até hoje, o 1º Batalhão/Grupo Pára-quedista do Zimbábue. A capacidade de destruição de uma força tão pequena constituiu prova da superioridade tática dos Selous Scouts em relação aos nacionalistas. Mas no final isso não bastou. A vitória de Robert Mugabe nas eleições de 1980 selou o fim do colonialismo britânico na Rodésia, agora rebatizada de Zimbábue, e marcou a extinção do Regimento dos Selous Scouts.

Com a vinda do novo regime chefiado por Robert Mugabe muitos dos Selous Scouts temiam por sua vida, bem como a segurança de suas famílias. Muitos Selous Scouts rumaram para para a "segurança" do Sul, porém muitos optaram por ficar eno Zimbábue e continuar o seu serviço em outras organizações dentro das forças armadas. Como foi dito os Selous Scouts entre outras unidades das Forças Especiais foram dissolvidos e absorvidos em várias outras unidades, sendo uma delas o batalhão pára-quedista, que era basicamente formado pelo que restava dos soldados negros do Selous Scouts. Notavelmente fiel as suas palavras Mugabe não criou grandes represálias contra os militares restantes.

Desde de meados da década de 1970 existia uma forte conexão dos Selous Scouts com o Forças Especiais da África do Sul devido à situação em que ambos os países se encontraram; ambos lutando contra a expansão comunista, ao compartilhar e empregar as mesmas táticas, técnicas e "idéias" da guerra não convencional. Mas os Selous Scouts empregavam uma técnica pouco ortodoxa de guerra; as operações pseudo-terrorista foram aperfeiçoadas para um estado da arte. Os sul-africanos, que tinham uma "lacuna" no seu currículo, referente a essas operações, rapidamente fizeram acordos com a Rodésia para corrigir esse problema.

Durante o mês de dezembro de 1976, um punhado de operadores secretamente deixou a África do Sul para participar de um curso na Rodésia para a formação de homens negros para operações do tipo pseudo, enquanto outro grupo foi treinar com outros elementos dos Selous Scouts, técnicas avançadas de capacidades de sobrevivência, adaptação e ação em ambiente selvagem. Durante esse tempo eles aprenderam a operar com membros negros pela primeira vez. Este período de tempo foi o começo do 5 Reconnaissance Commando. Durante os anos seguintes membros do 5 RECCEs secretamente realizaram operações internas e externas na Rodésia com as tropas do Esquadrão "C" do SAS rodesiano e oo Selous Scouts, para ver em primeira mão como os profissionais operavam.

Por despacho do Ministro da Defesa, o 3 Reconnaissance Commando foi criado, mas não ativada no 1º de maio de 1976, e mantida como uma unidade de "papel". Em abril de 1980, o 3 RECCEs foi ativado com a chegada de mais de 120 Selous Scouts na África do Sul vindos da Rodésia. Esta unidade só foi ativado com a chegada dos Selous Scouts. Quando os homens dos Selous Scouts e do SAS juntaram-se as forças especiais da África do Sul as suas qualificações de forças especiais foram aceitas, e todos eles foram agraciados com o emblema dos Operadores Recces das Forças Especiais da África do Sul. A única exigência que eles precisam atender, estava em efetuar uma reciclagem em um curso de conversão de pára-quedas para familiarizar os Selous Scouts com o equipamento de salto empregado pelos RECCEs.

O ambiente multiétnico e de igualdade continuo mesmo depois da derrota dos Selous Scouts na Rodésia. Quando os Selous Scouts brancos perceberam o perigo que alguns de seus companheiros negros iriam enfrentar no governo de Mugabe, ao se transferirem para a África do Sul esses soldados brancos tomaram muitos soldados negros e suas famílias, e lutaram para tê-los incorporados ao Reconnaissance Commando em que serviam.

Os Selous Scouts formavam uma unidade multiétnica. Um elemento importante na experiência dos Selous Scouts e bem menos óbvio era a necessidade de um grau de igualitarismo nas pequenas unidades de elite. Apesar do racismo subjacente na Rodésia, os Selous Scouts eram uma unidade multiétnica, onde cada membro tinha que contar com os outros, e eles eram agressivamente não-racistas. Naturalmente os soldados negros estavam conscientes de suas diferenças de raça e cultura, como seus companheiros brancos , mas também ninguém era tratado como superior ou inferior. Devido à natureza das suas operações todos os membros da unidade tinham que confiar um no outro implicitamente. Por isso não poderia haver indícios de racismo dentro dos Selous Scouts. Qualquer um que demonstrasse tal atitude não se tornava ou não ficava nos Selous Scouts.

Algumas notas interessantes sobre 3 RECCEs; um emblema distintivo nunca foi autorizado para a unidade. Os Selous Scouts trouxeram o seu Standard Regimental com eles da Rodésia, e continuaram a utilizá-lo para representar a sua nova casa, bem como outros itens como a famosa porta da igreja do seu quartel em Inkomo e uma pintura de Frederick Courtney Selous, que estava pendurado, respectivamente, no refeitório dos oficiais.

No dia 1º de janeiro de 1981, o 3 RECCEs e o 5 RECCEs uniram forças para formar 5 Reconnaissance Regiment. Com esta transição veio o reconhecimento final e a homenagem aos Selous Scouts na linhagem do RECCEs, sendo que a influência e o significado das palavras em Shona "PAMWE Chete" do lema dos Selous Scouts, que significa algo como "Todos Juntos" e a presença das asas sobrepostas da Osprey, um pássaro de rapina usado pelos Selous Scouts (SE) e do mesmo desenho do pára-quedas dos SE, como seu emblema, foram incorporados ao distintivo do 5 RECCEs como unidade Regimental em reconhecimento da conexão entre eles e os Selous Scouts. Esta medalha foi autorizada em 13 de fevereiro de 1982.

O distintivo do 5 RECCEs recebeu as asas da Osprey e o pára-quedas dos Selous Scouta

 

Infelizmente, a maior lição a ser aprendida com os Selous Scouts é que não importa o quão competente e eficaz seja uma unidade militar, as considerações políticas podem torná-la impotente. Quando a Rodésia tornou-se o Zimbabwe, os Selous Scouts, embora nunca tenham sido derrotados no campo de batalha, foram derrotados na mesa de negociação. Como em toda a história da guerra de contra-insurgência, o fracasso em estabelecer objetivos políticos claros tornou as operações militares ineficazes.

Resumo das Operações Externas:

Além de lutar pela segurança interna da Rodésia, algumas das operações mais notáveis ​​dos Selous Scouts aconteceram fora das fronteiras da Rodésia e tinham por alvo colocar medo nos seus inimigos.

Um dos objetivos básicos de uma guerra de contra-insurgência é levar a luta ao inimigo. Em uma época de guerras não declaradas, o terrorismo e agressão não provocada, é uma importante estratégia atacar e contra-atacar bases terroristas nos países de acolhimento. Um excelente exemplo desta abordagem e seu sucesso foi a Rodésia sozinha realizar ataques aéreos (de preferência), ou assaltos aéreos ou por terra conduzidos por forças de segurança dos Selous Scouts contra bases terroristas em Zâmbia e em Moçambique.

Durante o conflito, os Selous Scouts realizaram inúmeras operações e incursões fora das fronteiras do seu país. Conhecido no jargão militar rodesiano como "Operações Externas", simplesmente eram uma missão transfronteiriça. As operações mais importantes são resumidas aqui, e foram conduzidas pelos Selous Scouts. A este respeito, os vários chamados ataques de "perseguições quentes" que foram realizadas na área de fronteira nordeste de Moçambique durante o início da Operação Hurricane não são abrangidos aqui porque essas operações estavam sendo conduzidos em um país que na época era amigável para a Rodésia e havia autorizado os ataques.

Embora os Selous Scouts foram originalmente solicitados a obter inteligência interna sobre os insurgentes, colocando como guerrilheiros, eles se tornaram cada vez mais envolvidos nas operações externas com a escalada do o conflito. Algumas dessas operações eram de natureza clandestina, as que eram adequadas, enquanto outras eram de um tipo mais convencional.

 

1. Seqüestro de terroristas da ZIPRA em Francistown, Botsuana, em março de 1974 (meta A). Uma equipe de oito homens que compreendia quatro brancos e quatro negros foi clandestinamente infiltrada em Francistown para seqüestrar vários terroristas e trazê-los de volta para a Rodésia para interrogatório. Os invasores capturaram quatro ocupantes da sede da ZIPRA e os levou de volta através da fronteira para a Rodésia sem incidentes.

2. Seqüestro de um oficial da ZIPRA em Francistown, Botsuana, setembro de 1974 (meta A). Outra equipe de Scouts (dois brancos e um negro) foi infiltrada em Francistown para localizar e seqüestrar um oficial sênior da ZIPRA. Depois de várias pistas falsas e algum reconhecimento, a equipe finalmente localizou o seu homem e raptou-o após uma luta feroz. Ele foi, então, colocado na parte de trás de um carro e levado através da fronteira para Rodésia. No entanto, a equipe deixou para trás passaportes falsos, um transmissor de rádio, e armas em um quarto de hotel, juntamente com uma fatura. Um dos membros brancos da equipe teve de voltar para o hotel onde ele pagou a conta, recolheu as armas e rádio, e partiu para Rodésia sem incidentes.

Dois homens do Selous Scouts em patrulha.

3. Raid em Caponda, Moçambique, Março de 1975 (meta B). Vinte Scouts encenado um assalto contra uma base de teste da ZANLA, a 55 km ao norte da Rodésia. Eles viajaram para o alvo a pé. Depois de uma marcha de 24 horas, a unidade atacou a base terrorista só para encontrá-la abandonada. Uma epidemia de cólera eclodiu entre os terroristas e o acampamento tinham sido evacuados. A unidade retornou em segurança para a Rodésia.

4. Moçambique, Janeiro de 1967 (meta G). Esta operação envolveu um ataque à base usando helicóptero e 15 Scouts contra um campo de trânsito da ZANLA, que foi destruído.

5. Operação Traveler: Ataque à base de Caponda, Moçambique, em abril de 1976 (meta B). Esta operação envolveu outro ataque ao acampamento da ZANLA que foi atormentado por uma epidemia de cólera. A força de ataque consistia em uma patrulha de 20 homens que marcharam para Moçambique, atacaram e destruíram o acampamento, matando sete terroristas e ferindo outros 16. O grupo de ataque voltou a Rodésia a pé, vários deles foram feridos.

6. Operação Detachment: Raid em Chigamane, Moçambique, em maio de 1976 (alvo C). Esta operação envolveu um ataque a uma base do ZANLA a 108 (km) no interior de Moçambique. Vinte Scouts brancos e negros vestidos com uniformes da FRELIMO viajaram em quatro veículos militares disfarçados de veículos da FRELIMO. A base terrorista do ZANLA foi atacada e destruída com foguetes, morteiros e metralhadoras. Os atacantes voltaram a Rodésia em segurança.

7. Operação Long John: Ataque em Mapai, Moçambique, Junho 1976 (alvo D). Esta operação envolveu um ataque a uma base do ZANLA em Mapai, 48 milhas no interior de Moçambique, por 58 Selous Scouts viajando em quatro caminhões e dois carros de reconhecimento, todos disfarçados de veículos da FRELIMO. Ao longo do caminho, os atacantes desconectaram as linhas telefônicas e sabotaram a linha férrea. A coluna foi autorizada a entrar na base terrorista por um sentinela inconsciente. Uma vez dentro, sapadores destruíram 13 ônibus Mercedes usados ​​para transportar terroristas pela fronteira (um ônibus foi poupado e foi levado de volta para a Rodésia como uma lembrança). Além disso, todo arsenal dos insurgentes foi apreendido e trazido de volta para a Rodésia antes de um ataque aéreo ser chamado para destruir a base. Dezenove terroristas foram mortos e 18 feridos; um membro do grupo de assalto foi morto e alguns feridos.

8. Operação Nyadzonya ou Eland (alvo E) - Em 5 de Agosto de 1976 um grupo de 60 guerrilheiros do Zimbabwe African National Liberation Army (ZANLA) entrou na Rodésia vindo de Moçambique e atacaram uma base militar em Ruda, perto de Umtali. Quatro dias mais tarde, os guerrilheiros mataram quatro soldados em um ataque de morteiro, e outro morreu em um outro ataque. A população branca local exigiu que fossem tomadas medidas imediatas para sua proteção.

A Operação Eland foi idealizada, e envolveu um ataque na fronteira realizado por 84 Selous Scouts sob o comando do capitão Rob Warraker contra uma concentração de guerrilheiros localizada em um campo de treinamento no Rio Nyadzonya, a 40 quilômetros de distância da fronteira, dentro de Moçambique.  O acampamento inimigo era registrado como um campo de refugiados pelas Nações Unidas (ONU), mas isso foi mais tarde confirmado como falso. A coluna de ataque consistia em quatro carros blindados Ferret e sete blindados Unimogs, dois dos quais estavam armados com canhões de 20mm Hispano obtidos de aviões obsoletos. Os veículos foram disfarçadas para fazê-los parecer que pertenciam a FRELIMO, enquanto os homens usavam uniformes correspondentes. Entre os soldados havia um ex-comandante do ZANLA que atendia pelo nome de Morrison Nyathi, que guiou os atacantes até o acampamento.

Eles primeiro cortaram as linhas telefônicas para o alvo e seguiram em frente à base da guerrilha. O destacamento do Selous Scouts foi capaz de blefar durante o seu caminho passado pelos guardas do portão e seguir até o centro do acampamento. Nyathi soprou um apito, que era o sinal de emergência para que os guerrilheiros se reunissem para uma parada; os veículos foram cercado por milhares de guerrilheiros antes que os rodesianos abrissem fogo a queima-roupa. Uma carnificina se seguiu, com centenas de homens sendo mortos a tiros ou se afogando no rio próximo em sua tentativa de escapar. O hospital do campo também foi atacado pelos disparos dos Selous Scouts, matando todos os pacientes. Os Selous Scouts não sofreram nenhuma morte. Documentos do ZANLA capturados revelaram que a maioria dos mortos no ataque eram ou guerrilheiros treinados ou pessoas submetidas a instrução de guerrilha.

Documentos do ZANLA capturados algum tempo após o ataque indicaram que 1.028 de seus membros haviam sido mortos, um número consideravelmente mais elevado do que o inicialmente estipulado pelo Selous Scouts de 300 inimigos mortos. Quatorze insurgentes ZANLA importantes foram capturados e levados de volta para a Rodésia para interrogatório. A volta não foi tão tranqüila pois o destacamento de assalto teve de lutar para passar pela ponte sobre o rio Pungué, que era um ponto estratégico fundamental, em seu caminho de volta para a Rodésia. A ponte foi assaltada com êxito, e em seguida cargas explosivas foram colocadas nela e acionadas destruí-la, mesmo sob fogo inimigo, assim, cobrir a fuga.  Em uma ação separada, a equipe de cobertura implantadas para bloquear a fuga da coluna, emboscaram um Land Rover cujos seis ocupantes foram encontrados para ser altos oficiais ZANLA; todos os seis foram mortos.

O inimigo: Guerrilheiro da Frente Patriótica, formada pela ZANU (União Nacional Africana do Zimbábue) e pela ZAPU (União do Povo Africano do Zimbábue). A Frente Patriótica recebeu treinamento e ajuda da União Soviética, China, Coréia do Norte, Gana e Tanzânia.

9. Operação Maratona: Ataque em Jorge do Limpopo e Massengena, Moçambique, Outubro de 1976 (alvo D). Esta operação envolveu um ataque contra uma base do ZANLA em Jorge do Limpopo, 36 milhas no interior de Moçambique. A força de ataque viajou uma tortuosa rota de 350 a 400 km de ida e volta, e duas equipes de reconhecimento (um de três e uma de dois homens) foram lançadas de pára-quedas em Moçambique antes da coluna. Ao entrar em Moçambique, o grupo de ataque colocou minas Claymore em estradas e instalou armadilhas na linha férrea. Linhas de telégrafo e telefone também foram cortadas. A coluna, em seguida, lançou uma série de ataques, destruindo uma guarnição da FRELIMO, descarrilou um trem de tropas (matando 36 dos terroristas a bordo), e destruir um grande reservatório de água, juntamente com pontos de comutação de transporte ferroviário e vários veículos militares inimigos. Um comandante sênior da FRELIMO também foi morto. Em 2 de novembro, os Selous Scouts voltaram para a Rodésia, tendo destruído uma base logística de apoio aos terroristas. Eles interromperam as comunicações entre Jorge de Limpopo, Malvernia, e Massengena, destruído dois trens, destruindo toda transporte motorizado na área, e semearam minas em vários pontos. Esta operação efetivamente minou a capacidade operacional do ZANLA e moral insurgente foi enfraquecido.

10. Operação Ignição: Ataque contra o ZIPRA, em Francistown, Botswana, Novembro de 1976 (alvo A). Esta operação envolveu um ataque à sede da ZIPRA em Francistown por uma equipe de Selous Scouts. Seu propósito era destruir um arsenal de malas-bombas destinadas a serem utilizadas na Rodésia. O grupo de ataque usou malas-bombas anteriormente capturadas aos insurgentes para destruir o edifício-sede e o arsenal de bombas, ferindo cinco insurgentes no processo.  As autoridades Botsuana pensaram que a explosão na sede do ZIPRA foi devido ao manuseio inadequado e falta de cuidados com as bombas. Como resultado, Botsuana proibiu a importação de malas-bombas dentro do país fornecidas pelos soviéticos para o ZIPRA, o que, sem dúvida, salvou a vida de muitos rodesianos.

11. Operação asteca: Ataque em Jorge do Limpopo, MPAI, e Madulo Pan, Moçambique, Maio-Junho de 1977 (alvo D). Esta operação envolveu ataquea contra várias bases do ZANLA cerca de 138 milhas no interior de Moçambique por uma coluna motorizada de 110 Selous Scouts disfarçados de soldados da FRELIMO. A linha ferroviária, a principal fonte de abastecimento das bases terroristas, também foi destruída. Além disso, veículos e equipamentos militares foram destruídos por ataques aéreos da Força Aérea rodesiana em apoio aos atacantes.

Acima e abaixo: Caminhões UNIMOG modelo 404 fortemente armados transportam tropas dos Selous Scouts retornando de um raid em Moçambique. Na imagem de cima notem a bandeira da FRELINO usada para disfarçar a origem da tropa e o uso de várias metralhadoras FN MAG de 7,62mm.

O armamento de uma coluna de caminhões do Selous Scouts também incluia metralhadoras pesadas soviéticas de 12.7 e 13.5, canhões de 20 mm, canhões sem-recuo B10 e morteiros de 81 mm.

12. Operação Vodka: Raid em Mboroma contra um acampamento do ZIPRA, em Zâmbia, dezembro 1979 (local do alvo não conhecido). Esta operação envolveu um ataque a um campo de prisioneiros do ZIPRA cerca de 96 milhas dentro Zâmbia contendo 120 opositores da organização terrorista, juntamente com alguns membros africanos das forças de segurança da Rodésia. Uma equipe de 42 Selous Scouts foi lançada de pára-quedas n o campo depois deste ter sido amaciado por um ataque aéreo. A resistência foi rapidamente superada: 18 guardas foram mortos e seis foram capturados. Apenas 32 prisioneiros foram libertados, porque o restante estava fora do acampamento em trabalhos forçados. À noite, os atacantes e os prisioneiros libertados foram levados de volta para a Rodésia saindo de um aeroporto nas proximidades.

13. Operação Pétala I: Botsuana, Março de 1979 (alvo F). Esta operação envolveu o seqüestro de Elliot Sibanda, um operativo sênior de inteligência do ZIPRA, por uma equipe de Selous Scouts que rastejou através da fronteira para Botsuana e montou uma emboscada. Apesar de gravemente ferido, Sibanda foi capturado e trazido de volta à Rodésia vivo.

15. Operação Pétala II: Francistown, Botsuana, abril de 1979 (meta A). Esta operação envolveu um ataque ambicioso para seqüestrar o comando sul do ZIPRA. O grupo de ataque consistia de uma pequena coluna de dois carros blindados e outros veículos disfarçados de veículos militares do Botsuana e os Selous Scouts estavam vestidos com uniformes militares de Botsuana. A coluna cruzou a fronteira e foi em direção da casa que estava sendo usada pelo ZIPRA e prendeu seus ocupantes. Antes das vítimas perceberem o que tinha acontecido, eles estavam de volta para a Rodésia.

16. Operação Hiredzl, 1976 - No dia 18 de abril de 1976, uma patrulha comandada pelo sargento Lucas suspeitou de um grupo muito barulhento, numa aldeia. Com muita calma, os Scouts passaram pela multidão, até chegar à frente. O orador brandia sua submetralhadora AK, sacudindo-a acima da cabeça. Lucas não podia perder essa oportunidade. Tranqüilamente, levantou o fuzil, mirou o terrorista e atirou. A bala acertou o homem, no centro do rosto.Por um momento, houve um silêncio total. Ninguém conseguia crer no que havia ocorrido. Depois, instalou-se o pânico generalizado, com os demais terroristas correndo em todas as direções. Aproveitando-se da confusão, o sargento e seus companheiros deslizaram para a proteção da noite e mandaram um relatório pelo rádio quando se viram em segurança.

17. Operação PRAWN - Ocorreu no interior de Moçambique, seu objetivo era sabotar a estrada de ferro da FRELIMO, mas os rodesianos tiveram dificuldades de localizar os guerrilheiros. Então eles decidiram matar um guerrilheiro e vesti-lo como um membro da força de segurança rodesiana e depois jogá-lo com documentos falsos em toda parte. A patrulha FRELIMO mordeu a isca e saiu de cena, e depois as cargas foram colocadas e detonadas e a operação foi um sucesso.

Como resultado de suas pseudo-operações os Selous Scouts geraram nos guerrilheiros muita confusão e atritos. Em muitas ocasiões os guerrilheiros se envolviam em tiroteios com outros membros de sua organização guerrilheira quando presumiam que do outro lado estavam os Selous Scouts. Este medo gerado no inimigo levava estrutura de comando e comunicação do inimigo ficar paralisada muitas vezes. Além disso, isso significava que os grupos guerrilheiros que entravam na Rodésia pela primeira vez encontravam dificuldade de estabelecendo a ligação com os outros membros do grupo; isso levava a um efeito de desmoralização uma vez que cada guerrilheiro tinha que ser extremamente cauteloso sobre seus contatos.

Diretrizes para as Operações Externas

Operações externas sejam "raids" ou "recces" devem ter os seguintes resultados para ser bem sucedidas: 

1. A unidade de commandos/Selous Scout deve ser capaz de surpreender completamente a unidade principal terrorista ou da base, mostrando assim que os terroristas não estão seguros em qualquer lugar, até mesmo fora do país em que atuam.

2. O saldo da estratégia terrorista é jogado fora, causando um atraso no tempo para formular novos planos para enfrentar este fator.

3. Mais terroristas, consultores estrangeiros, munição e logística serão mobilizados para proteger as bases externas.

4. Linhas de logística a partir da fonte de ajuda financeira também sofrem porque os apoiadores dos terroristas também são colocados em perigo, e a exposição de risco diante da publicidade mundial.

5. As bases terroristas serão então movidas para mais longe da fronteira para aumentar a sua proteção contra ataques aéreos e das colunas blindadas, causando, assim, um aumento na distância percorrida e aumentando também a sua exposição para ataques das unidades de commandos.

6. Os planejadores terroristas e conselheiros militares serão obrigados a dividir sua atenção entre ações terroristas dentro do país de conflito e do planejamento para a defesa do acampamento base.

7. Grupos de segurança e de inteligência dos terroristas serão forçados a dividir o seu esforço para incluir busca de agentes de inteligência no país externo.

8. O país anfitrião dos terroristas será forçado a gastar os seus recursos financeiros para proteger seu próprio povo e instalações civis e militares.

9. O país anfitrião começa a repensar o seu apoio ao movimento terrorista, gerando um racha na unidade entre eles e os guerrilheiros.

10. No caso extremo, o país de acolhimento vai considerar expulsar o movimento terrorista, causando assim a perda de santuários e apoio logístico e forçando um movimento para outro país ou a volta para o país de sua atividade hostil, expondo-o à pressão dos commandos/Selous Scouts e das unidades regulares do Exército.

11. A iniciativa do movimento terrorista se volta contra si mesma, mostrando ao país anfitrião os resultados das suas ações hostis.

Em última análise, um país (como Rodésia) que planeja uma operação externa contra um país anfitrião de terrorista deve ter em mente duas metas:

     1. A coragem de resistir a opinião pública mundial, que na maioria dos casos é contra o país que inicia a operação (de novo como a Rodésia).

     2. Uma pequena unidade de elite (como os Selous Scouts e o SAS), capaz de excelentes resultados contra um inimigo mais numeroso.
 

Fonte: Esta informação foi obtida a partir do livro: AFRICANO MERC COMBAT MANUAL. Por Chris Pessarra. Impresso 1986, a Paladin Press.

O Famoso FN FAL

Um FN FAL rodesiano com sua camuflagem característica

O FN FAL (Fusil Automatique Leger – Fuzil Automático Leve), é um dos desenhos de fuzil militar mais famosos e usados no mundo. Desenvolvido pela empresa belga Fabrique Nationale (FN), é produzido pelo menos em 10 países, incluindo o Brasil. Seus dias de serviço estão no fim, mas ainda é amplamente utilizado em muitas partes do mundo, principalmente no Brasil.

A história do FAL começou perto de 1946, quando a FN começou a desenvolver um novo fuzil de assalto. Usando o cartucho intermediário alemão 7,92X33mm, o projeto foi liderado pela equipe de Dieudonne Saive, que ao mesmo tempo trabalhou no fuzil SAFN-49. Portanto, não surpreende que ambos sejam mecanicamente bem semelhantes.

Em finais de 1940, os engenheiros belgas foram à Inglaterra e passaram usar o cartucho britânico 208 (7,43x43mm), que também é um cartucho intermediário, mas de desenvolvimento melhorado. Em 1950, os engenheiros belgas e ingleses criaram um protótipo em formato bullpup, o EM-2, testado pelo Exército Americano, que ficaram impressionados, mas a idéia de se usar um cartucho intermediário não era muito bem compreendida pelos americanos, que ainda usavam fuzis semi-automáticos, os Garand M1, em calibre 30.06 e .308 Winchester e insistiram para que a OTAN padronizasse o cartucho de alta potência T65/ 7,62x51mm, similar ao .308 em 1953-1954.

A FN modificou o FAL por causa dessa padronização, os primeiros FALs 7,62mm estavam prontos na Bélgica em 1953, mas a ela não foi o primeiro país a aprovar o FAL como fuzil padrão. O país que provavelmente o aprovou foi o Canadá, com ligeiras modificações, com o nome C1, em 1955. Os canadenses começaram a produzir os fuzis C1 e C2, esse último uma versão com cano pesado, conhecido no Brasil, como FAP.

Em 1957, o Exército Inglês seguiu o exemplo canadense e adotou o FAL com o nome L1A1, que eram fornecidos normalmente com miras ópticas de 4x. Em seguida, foi a Áustria, sob o nome Stg.58, fabricado pela Steyr. O FAL foi adotado pelo Exército Brasileiro em 1964.
Várias versões do FAL também foram aprovadas na Turquia, Austrália, Israel, África do Sul, Alemanha ocidental e vários outros países. O sucesso do FAL poderia ser maior ainda, se a FN tivesse vendido os direitos de produção dele para a Alemanha ocidental, onde era conhecido como G-1, mas a FN rejeitou o pedido, por isso a Alemanha comprou os direitos do CETME espanhol e, com algumas modificações, a Hecler & Hock criou o H&K G3, o mais notável rival do FAL.

O FAL NO BRASIL
O FN FAL, no Brasil chamado Fuzil Automático Leve, é fabricado integralmente pela IMBEL. É utilizado, desde 1964, pelo Exército Brasileiro, pela Marinha do Brasil e por Forças Auxiliares e recebe nomenclatura de Fuzil 7,62mm M964 – FAL e Fuzil 7,62mm M964 A1(Para-FAL). Este útimo, o Para-FAL, é muito usado por polícias militares, pára-quedistas militares e outras forças especiais, por ser mais leve. A IMBEL ainda fabrica variações do FAL nos calibres 5,56mm, sendo eles o MD-2 e um novo projeto, denominado MD97L.

Muito se tem falado sobre a substituição do FAL no Brasil, em primeiro lugar pela idade do mesmo – em serviço desde 1964 -, seu grande tamanho e sua munição 7,62mm, que obriga o uso de carregador com 20 cartuchos, ao invés de 30 de um fuzil 5,56mm.

Outro ponto que é considerado ultrapassado no FAL é o fato dele não possibilitar o uso de trilhos para lunetas red dot, laser e lanternas, o que em algumas situações táticas se faz necessário, ainda mais nos novos cenários. Sobre esse problema, a DSArms, dos EUA, fabrica uma versão do FAL chamada SA58 OSW, que mantém as excelentes características do FAL, com trilhos e guarda-mão que o deixam no padrão utilizado pelos modernos fuzis em uso no mundo.

DADOS TÉCNICOS
Munição (mm) 7,62 x 51
Carregador 20 cartuchos
Comprimento (m)1,10
Passo (pol) 12
Peso (g) 4500
Coronha Rígida/Rebatível (A1)
Cano (m) 0,53
Regime de tiro Semi-automático/Automático

 


O Fundador

Ronald Francis Reid-Daly nasceu em Salisbury, então capital da colônia britânica da Rodésia do Sul, em 22 de Setembro de 1928.

Na escola, ele não se destacou, em suas próprias palavras, "em nada que não estava ligado ao campo de rugby". Sua ambição inicial para se tornar um fazendeiro deu lugar a seu senso de aventura, e ele se alistou no contingente rodesiano da Unidade de Voluntariado do Extremo Oriente.

Esta unidade foi destinada para o serviço na Coréia do Sul, mas foi desviada para a Malasia para lutar contra os insurgentes comunistas chineses. O contingente rodesiano, liderado pelo jovem Peter Walls, que viria a ser comandante-em-chefe das forças de segurança da Rodésia, tornou-se o Esquadrão "C" do SPECIAL AIR SERVICE (SAS) britânico, altamente qualificados na guerra de contra-insurgência. Após três anos de serviço ativo nas selvas da Malásia, Reid-Daly voltou a Rodésia "e para uma vida civil chata".

Ser soldado estava agora em seu sangue, e ele entrou para a Southern Rhodesian Staff Corps, tornando-se um instrutor na Escola de Infantaria. Em 1961 ele se chegou ao posto de Regimental Sergeant Major da recém-formada Rhodesian Light Infantry (RLI).

Em 1973, no posto de capitão, foi encarregado de organizar um regimento que ficou conhecido, em 1974, como Os Selous Scouts — uma unidade de forças especiais de elite para o combate à crescente ameaça das guerrilhas nacionalistas. Aproveitando sua experiência na Malaisia, Reid Daly construiu, a partir do nada, um regimento de magnífico desempenho em campo.  Embora os Selous Scouts tenham alcançado muitos de seus objetivos militares, os seus métodos pouco ortodoxos criaram tensões dentro da hierarquia militar. Reid-Daly teve vários problemas com as autoridades da Rodésia.

Reid-Daly era um homem de rosto corado, genial, com um sentido de humor pronto. Seu apelido entre os homens endurecidos que ele comandava era "Tio Ron", e eles eram tão ferozmente leais a ele como ele era para com eles.

Em 1979 surgiram rumores em Salisbury que os Selous Scouts realizaram caça ilegal de marfim ao longo do vale do Zambeze. Esses rumores não foram provadas, e o coronel, como um conservacionista bem conhecido, rejeitou as alegações como ridículas. No processo de defender-se contra eles, Reid-Daly atacou verbalmente o major-general John Hickman. Então ele foi acusado de insubordinação e condenado a uma reprimenda. Desgostoso, ele renunciou ao cargo de comandante dos Scouts em agosto. Em novembro de 1979, o comando dos Selous Scouts foi transmitido para o tenente-coronel Pat Armstrong, e Reid Daly deu por encerrada sua associação com a unidade em que tanto trabalhara.

Daly continuou uma batalha legal contra as acusações, proclamando sua inocência, mesmo depois que a Rodésia se tornou em Zimbábue - e só parou de fazê-lo depois que ele foi forçado a fugir para a África do Sul em 1982.


Depois de sua corte marcial ele se estabeleceu na África do Sul, onde ele descobriu, para sua surpresa, que a reputação dos Selous Scouts tinha se espalhado. "Para meu horror, eu encontrei-me abordado por todos os tipos de pessoas duvidosas me oferecendo atribuições estranhas e maravilhosas como um assassino por contrato, ou para ser um caçador de recompensas. Eles sempre se espantavam quando eu lhes dizia que eu era um simples soldado e não o homem que eles estavam procurando para realizar essas coisas."

Na África do Sul, Reid-Daly tornou-se comandante da Transkei Defence Force. No início de 1980 ele aceitou o que ele pensava ser apenas um compromisso militar no Transkei, que foi um bantustão criado pelo governo sul-africano para ali agrupar um grupo de sul-africanos falantes de isiXhosa, no nordeste da província do Cabo, com um pequeno enclave no KwaZulu-Natal. Ele foi colocado no comando do Exército de Transkei e foi acompanhado por outros ex-Selous Scouts para dar treinamento militar básico. Na verdade, os governantes do estado, Kaiser Matanzima e seu irmão George, viam a presença dos Selous Scouts como um elemento dissuasor para os inúmeros conspiradores que queriam destroná-los. Em 1987 os irmãos Matanzima foram derrubados em um golpe de Estado pelo major-general Bantu Holomisa, ironicamente um dos oficiais treinados pelos Selous Scouts. Reid-Daly foi forçado a sair do Transkei.

Ele decidiu que era finalmente tempo de pendurar as chuteiras. Aposentou-se a cidade de Simon, perto de Cape Town, para se dedicar a seus passatempos de leitura de história militar e assistir rugby. Ele morreu na Cidade do Cabo em 9 de agosto de 2010. Sua esposa, Jean, precedeu a ele, e eles tiveram um casal de filhos.


GALERIA SELOUS SCOUTS:

Selous Scouts embarcam corpos de guerrilheiros mortos durante uma emboscada.

Selous Scouts são desembarcados por helicópteros Alouette III durante um ataque

Um APC "PIG", fabricado pelo próprio Selous Scouts

Haviam muitos soldados negros dentro do regimento Selous Scouts

Homens do Selous Scouts atravessam um rio rodesiano

Todos os Selous Scouts foram treinados em pára-quedismo

Selous Scouts durante treinamento de sobrevivência

Momentos comuns durante as operações do Selous Scouts: 1.Emboscada;  2.Equipe sendo recolhida por um Bell 205;  3.Destruição de uma posição inimiga.

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Fontes:

http://selousscouts.tripod.com/selous_scouts_and_the_south_afri.htm

http://www.casematepublishing.com/dlc/9781907677380/9781907677380.pdf

http://www.psywarrior.com/RhodesiaPSYOP.html

http://selousscouts.tripod.com/unit_profile.htm

http://www.onesixthwarriors.com/forum/sixth-scale-action-figure-news-reviews-discussion/56026-good-bad-ugly-rhodesian-selous-scouts-pseudo-dress-1976-a.html

https://www.stormfront.org/forum/t671903-5/

 

   


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