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Spetsialnoye Nazranie - SPETSNAZ - RÚSSIA - Parte II


As Spetsnaz desde o fim da URSS

A dissolução da União Soviética no final de 1991 marcou o início de um tempo de tumulto em toda a Eurásia. O poder militar russo encontrou-se diante de uma missão incerta, com uma enorme escassez de financiamento, e uma nova série de crises. As tropas Spetsnaz, como sempre, eram a vanguarda, não menos importante para ajudar Moscou a apoiar o seus aliados a ganhar guerras civis. Eles tiveram que cumprir esta tarefa, apesar da transferência de muitas unidades para outros Estados pós-soviéticos, como a 10ª Brigada para a Ucrânia e a 15ª para o Uzbequistão. A 3ª Brigada retornou para Rússia em 1991, com os últimos elementos do Grupo de forças soviéticas na Alemanha, e foi então transferida ao Distrito Militar de Volga. A 4ª Brigada, que tinha sido baseada nos agora independentes Estados bálticos, foi dissolvida.

 

Um operador das Spetsnaz servindo com o contingente das forças russas enviadas para o Tajiquistão em 1992 para apoiar o governo contra forças da oposição, nos estágios iniciais de uma guerra civil que se arrastaria para os próximos cinco anos. Um membro de uma força de reação rápida, ele foi inserido em um local para emboscada rebelde em Gorno-Badakhshan, ele está sentado em jeep UAZ469 da era soviética, enquanto um helicóptero Mi-24 "Hind" passa em cima. Ele está usando uma suit camuflada KZS de duas peças introduzida para uso de snipers em 1975 e seu chapéu "panamka" caqui carrega a estrela vermelha soviética agora anacrônica. Ele usa um lenço asiático no pescoço para planaltos frios, fora do padrão, muitas vezes usado por veteranos do Afeganistão. Sua principal arma é uma
metralhadora leve 5,45 milímetros RPK-74.

Enquanto isso, em 1992, o VDV, Comando das Forças Aerotransportadas, criou a sua própria unidade de forças especiais, o 45ª Regimento Independente de Reconhecimento (Guardas), que fora o antigo 901º Batalhão Independente de Assalto Aéreo e o 218º Batalhão Independente de Assalto Aéreo Spetsnaz.

As tropas Spetsnaz tentaram o máximo possível manter o seu poder de combate durante a década de 1990. Eles encontraram pressionados em três direções contraditórias: doutrina, recursos e necessidade. A perspectiva de um enorme confronto com a NATO de repente pareceu desaparecer, e esta era própria razão da existência das Spetsnaz – originalmente criadas para neutralizar armas nucleares táticas ocidentais e suas estruturas de comando.

Embora o Afeganistão tenha mostrado potencial das Spetsnaz, o comando militar russo estava ansioso para limpar esse conflito infeliz de sua memória coletiva, e esperava garantir que as forças armadas russas nunca mais fossem lutar esse tipo de guerra.

As inovações desenvolvidas pelo 40º Exército de criar brigadas mais flexíveis ao invés de divisões maiores, e todo o maneira de aumentar o número de atiradores de elite nas unidades, eram vistas como soluções ad hoc para uma situação única, e não lições para o futuro. Tendo perdido seu antigo papel, as Spetsnaz viram-se sem muitas perspectivas no futuro.

Enquanto isso, durante o governo caótico do presidente Boris Yeltsin (1991-1999), os militares estavam passando por um período de crise financeira sem precedentes como seus orçamentos encolhendo, e os salários estavam sendo pagos com atraso (quando eram pagos completos), e forças que foram sendo retiradas a partir dos cantos do Império soviético tinha de alguma forma de serem acomodadas. As Spetsnaz, eram relativamente caras na proporção homem-a-homem e eram acostumadas a um certo grau de atenção e cuidados especiais, e isso parecia um luxo caro naqueles tempos precários.

A GRU (inteligência militar) parecia ser mais interessada ​​em tentar salvar suas operações de inteligência no exterior, e o grande corpo de tropas aerotransportadas da VDV pareciam oferecer melhores perspectivas de carreira do que as Spetsnaz - especialmente tendo em conta que o Gen Pavel Grachev, Ministro da Defesa em 1992-1996, era um ex-comandante das tropas do VDV que promoveu muitos de seus antigos camaradas.

O resultado foi que oficiais capazes procuraram transferências para as tropas pára-quedistas, e o espirito de corpo das  Spetsnaz ficou sob uma forte pressão. E eles nem eram imunes à desmoralização e a criminalidade tão comum entre os militares como um todo n Rússia naquele tempo. Com sede em Moscou os homens da 16ª Brigada Spetsnaz, por exemplo, tornaram-se notórios tanto em prestar “bicos” de assassinatos para as gangues do crime organizado que estavam lutando para controle do submundo, como para a formação de pistoleiros nas suas próprias instalações.

Esta foi também uma época de crises e conflitos no ex-império soviético, quando se viu amargas guerras locais muitas vezes declarando um desafiou as autoridades regionais fiéis a Moscou.  Com tantas unidades desmoralizadas e outras desmobilizadas, o punhado relativo de elementos que ainda estavam operacionais encontraram-se diante de pressões desproporcionais a sua capacidade de resposta. Durante a guerra civil no Tajiquistão 1992-1997, as Spetsnaz foram anexadas a 201ª Divisão Motorizada russa, que foi implantada em apoio das forças do governo local contra os rebeldes. Alguns também foram anexados a 15ª Brigada, então tecnicamente elas eram parte das forças armadas de países vizinhos, como o Uzbequistão, mas na prática ainda eram pessoal russo.

As Spetsnaz também desempenharam um papel menor em 1992 na Guerra Transnístria, quando os russos étnicos que viviam ao longo da margem oriental do rio Dneistr se separaram da independente Moldávia. Temores de que eles enfrentariam uma assimilação forçada a maioria da população de etnia romena foram deliberadamente incentivado por Moscou, e desta vez as Spetsnaz estavam apoiando os rebeldes. Quando um cessar-fogo foi organizado, a ser garantido pelo XIV Exército, da Rússia, a maior parte das Spetsnaz calmamente retornaram à Rússia.

A Rússia enviou uma unidade com força de brigada para juntar-se a implementação de tropas lideradas pela NATO, chamada de IFOR, para manter a paz na Bósnia-Herzegovina em 1995-96, após a assinatura dos Acordos de Paz de Dayton. A 1ª Brigada Aerotransportada Independente, com sede em Ugljevik, estava sob o comando operacional da Divisão Multinacional (Norte), liderada pelos EUA. Como resultado, ele foi saudado - e na equidade, deve ser considerado - como um exemplo do novo espírito da cooperação entre Moscou e o Ocidente. Entre as tropas russas certamente estavam tropas Spetsnaz.

Todas estas operações foram apenas aperitivos, no entanto, em comparação com o teatro principal em que as Spetsnaz iriam encontrar-se operando na era pós-soviética: a Chechénia.

CHECHÉNIA

Em meados dos anos 1990 um número significativo dos habitantes da Chechenia – uma república tradicionalmente muçulmana no Cáucaso, se levantou contra o domínio de Moscou, e um grande e sangrento conflito se instalou naquela região. Como o Afeganistão foi para as tropas Spetsnaz soviéticas, as guerras da Chechênia foram cruciais para a evolução de forças especiais militares da Rússia. Elas assumiram uma ampla gama de papéis, da caça de líderes rebeldes até interceptar comboios de abastecimento, mas eles também encontraram-se lutando contra um inimigo experiente que incluía muitos ex-spetsnaz da era soviética entre suas fileiras, levando a alguns sérios reveses. 

A Primeira Guerra chechena, 1994-1996

A primeira parte da guerra da chechena foi mal concebida, mal planejada, e mal executada pela Rússia. Na sequência de uma tentativa fracassada de derrubar o presidente checheno Dzhokar Dudayev usando rebeldes chechenos e mercenários, forças russas invadiram a autoproclamada "República Independente chechena de Ichkeria." O ministro da Defesa Grachev tinha prometido ao presidente Yeltsin uma vitória rápida e fácil, mas as forças destacadas eram poucas e seu estado de prontidão de combate era fraco e não foi possível intimidar ou dominar os combatentes chechenos ferozes e eficazes. Como o Alto Comando russo procurava desesperadamente recuperar a situação ele teve de reunir forças genuinamente operacionais onde quer que elas pudessem ser encontradas desde a Infantaria Naval passando pela polícia de choque da OMON do Ministério do Interior. Contingentes Spetsnaz de todo o país foram enviados à Chechénia, até mesmo elementos da Naval Spetsnaz.

O seu principal papel nos primeiros estágios da guerra era a sua tradicional tarefa de reconhecimento de campo de batalha, mas quando os russos invadiram a capital Grozny em 1995, pelotões Spetsnaz foram usados como tropas de choque. Suas habilidades eram naturalmente valiosas, mas a guerra urbana é notoriamente um moedor-de-carne impiedoso, especialmente quando os defensores têm habilidades e tempo para se preparar para o ataque inimigo. A tenacidade lendária dos chechenos e o seu entusiasmo bélico tinham sido desproporcionalmente representados nas fileiras das Spetsnaz e das VDV durante os tempos soviéticos, mas eles tinham uma boa idéia das táticas que os russos estariam usando. Como resultado, as tropas Spetsnaz sofreram pesadas perdas; por exemplo, todo um pelotão russo foi aniquilado quando foi atraído para um edifício que tinha sido armadilhado com explosivos.

Confrontados com a raiva entre os comandantes Spetsnaz – e ameaças por parte dos soldados no teatro de operações, de que haveria graves conseqüências se eles foram usados novamente de forma tão estúpida - os comandantes russos começaram a perceber o desperdício de empregar tropas são importantes neste papel. A maioria das unidades Spetsnaz da GRU (Agência de Inteligência Militar) e do 45º Regimento das VDV foram retiradas em meados de 1995, deixando para a 22ª Brigada como a principal força no país, e em 1996 os russos se viram revivendo muitas das lições aprendidas no Afeganistão.

As tropas Spetsnaz começaram a ser usadas especialmente para emboscar as forças rebeldes, lançar ataques contra alvos de alto valor, identificar linhas de abastecimento, coleta de inteligência e ações de interdição.

A guerra estava se mostrando um embaraço caro para Moscou, especialmente após os chechenos conseguirem retomar Grozny em março de 1996. Em agosto daquele ano as forças do governo federal se prepararam para investir contra a cidade novamente, com ameaças de que desta vez usariam bombardeiros estratégicos e mísseis. No entanto, o Conselheiro Nacional de Segurança (e veterano da guerra afegã) Alexander Lebed entrou em cena, e negociou um cessar-fogo com o comandante rebelde Aslan Maskhadov. Os tratados de paz uma situação inconveniente para Moscou, surgindo uma nova Chechênia que não era nem independente, nem verdadeiramente parte da Federação Russa.

A segunda guerra chechena, 1999-2002

A Chechênia autônoma se degenerou em caos e criminalidade, e extremistas islâmicos começaram a montar uma tentativa cada vez mais agressiva para torna religiosa uma revolta que anteriormente era essencialmente nacionalista. Em Moscou o governo começou a preparar-se para uma revanche, não menos importante, através de uma melhor utilização das Spetsnaz. Quando, em agosto de 1999, extremistas da auto-declarada Brigada Islâmica Internacional invadiram a república vizinha do Daguestão desafiando as ordens de Maskhadov, isto deu ao Kremlin a desculpa de que precisava para lançar uma nova guerra. A Federação já tinha um novo primeiro-ministro, o ex-oficial da KGB Vladimir Putin, que estava ansioso para provar para um a população russa que os anos de caos de Yeltsin tinham passado.

Primeiro veio uma campanha aérea massiva, enquanto o Primeiro-Ministro Putin montava um verdadeiro exército para a invasão. Em 01 de outubro de 1999 Moscou declarou que não mais reconhecia a legitimidade de Maskhadov, e a Rússia lançou a primeira ofensiva terrestre. Esta metodicamente rolou através do norte das planícies chechenas até sitiar Grozny - que caiu em fevereiro – e moveu-se para as terras altas. Embora a maior parte dos combates foi travada por tropas regulares do Exército e do Ministério do Interior, as Spetsnaz desempenharam um papel significativo em incursões de reconhecimento do campo de batalha, incluindo marcar posições para ataque de artilharia e bombardeiros aéreos. O grosso das forças especiais novamente veio da 22ª Brigada, que foi designada uma unidade de Guardas (a primeiro a ser dada essa honra desde o fim da Segunda Guerra Mundial).

Guarda-costas, Novye Ataghy de 1998
Quando o Secretário do Conselho de Segurança da Rússia (e ex-general decorado) Alexander Lebed empreendeu diretamente as negociações com o líder checheno, Aslan Maskhadov, ele foi acompanhado por uma equipe de guarda-costas especialmente escolhidos. Esta operador usa uma gama de armas incomuns: um AKS-74 com o lançador de granadas GP-25, uma pistola Makarov, e uma sub-metralhadora PP-91 Kedr pendurada. Por cima de seu uniforme camuflado padrão ele um colete  M24 Tarzan preto. Uma tatuagem com o emblema dos pára-quedistas na parte de cima de sua mão esquerda sugere que ele antes de ser das Spestnaz ele era das VDV.

Sniper das Spestnaz, Segunda Guerra da Chechenia, 2003
O uso de snipers tornou-se cada vez mais comum nas as táticas de contra-insurgência da Rússia. Este sniper em ação espera por uma emboscada durante a a fase seguinte do cessar-fogo oficial de 2002. Ele usa um traje camuflado conhecido na Rússia como kostyum maskirovochny ou
"terno de ocultação", que ele mesmo personalizou. Ele está armado com um moderno fuzil SV-98 de 7,62 milímetros

Bolacha dos Snipers das Spetsnaz
A importância dos snipers para as operações das Spetsnaz na Chechênia foi reconhecida pela permissão do GRU do uso desta bolacha não oficial dos operadores snipers.

As Spetsnaz realizaram seus papéis habituais de reconhecimento profundo, interdição, coleta de informações e de resposta rápida, mas geralmente com maior sucesso e apoio do que durante a primeira guerra. Não só foram usadas mais forças regulares nesse tempo, mas tinham sido feitos esforços consideráveis para melhorar as condições de vida para os soldados, seu nível de formação e a sua preparação.

Por conseguinte, as Spetsnaz foram capazes de operar como elas foram criadas para fazer, e tiveram uma série de sucessos. Elas também foram capazes de reviver várias práticas da guerra afegã, como destacamentos embarcados em helicóptero que o tráfego rodoviário e que tinham condições de interceptar potenciais comboios de combatentes e armas. Além disso, juntamente com as novas tropas especialista em montanha do Exército, elas foram cruciais para operações nas terras altas do sul.

As coisas nem sempre seguiram pelo melhor caminho, no entanto. Em fevereiro de 2000 durante a batalha da Colina 776 quando uma força mista compreendendo pára-quedistas da 104ª Divisão Aerotransportada de Guardas apoiada por um pelotão Spetsnaz do 411º ooSn (Independent Special Purpose Detachment) foi cercada por uma força rebelde bem maior no Vale Argun. Quando parecia que os russos teriam a sua posição invadida o comandante da companhia solicitou fogo de artilharia contra sua própria posição; dos 91 soldados russos, 84 foram mortos. Enquanto o fato em si pode ser considerado uma derrota em termos militares, a recusa das VDV e das Spetsnaz a render-se ao enfrentar todas as adversidades e morte quase certa fez com que o almentasse o das tropas russas. Muitos receberam postumamente a condecoração “Herói da Rússia”, a mais alta condecoração daquele país nos dias atuais. 69 soldados russos foram condecorados com a Ordem da Coragem.

O Kadyrovtsy, e o Vostok Batalhão

Em abril de 2002 Moscou declarou que a guerra tinha terminado, embora "operações antiterroristas" continuassem até abril de 2009. Por volta de 2005 mais militares das unidades Spetsnaz foram retirados da própria Chechénia, porém unidades semelhantes designadas pelo Serviço Federal de Segurança (FSB) e Ministério da Administração Interna (MVD) permaneceram. Muitas das missões atribuídas a estas tropas foram transferidas para as forças locais conhecidas Kadyrovtsy ("Kadyrovites").

O aumento destas unidades foi uma das principais inovações da Segunda Guerra da Chechena. Esta estratégia de Moscou de "Chetchenização" da guerra, levou ao recrutamento de muitos chechenos, incluindo ex-rebeldes desiludidos, para formar unidades especiais capazes de caçar os rebeldes em seus próprios termos e em seu próprio território. Estas unidades eram chamadas às vezes de "Spetsnaz", e muitas vezes tecnicamente relacionadas com GRU. Mais, no entanto, eram Unidades Kadyrovtsy, pessoalmente leais a Ahmed Kadyrov, o primeiro presidente pró-Moscou da Chechênia, e, após o seu assassinato em 2004, eram leais a seu filho e sucessor Ramzan. Em 2006 essas forças somavam cerca de 5.000 homens em duas unidades principais, o 141º Regimento Policial "Ahmed Kadyrov" de Finalidades Especiais e o Regimento Petróleo (Neftepolk), cujo papel oficial era proteger o oleoduto que atravessa a Chechênia. Enquanto Ramzan Kadyrov mantinha as suas forças sob o comando do Ministério Checheno do Interior (e sob a sua mais estreita órbita pessoal), e por algum tempo duas unidades autônomas chechenas foram formadas e financiadas pelo GRU: os Batalhões Zapad ("Ocidentais") e Vostok ("Oriente"), formados em 2002 e 2003 respectivamente. Depois o Vostok foi implantado na Ossétia do Sul durante a breve Guerra da Geórgia, a dissolução oficial de ambas as unidades no final de 2008 marcou a consolidação final do controle pessoal de Kadyrov sobre as forças de segurança da Chechénia. O Batalhão Vostok fez um reaparecimento inesperado, pelo menos no nome, no leste da Ucrânia em 2014, embora desta vez o GRU aparentemente dispensasse a maioria de todo pessoal originalmente chechenos.

Estas unidades eram ativos de contra-insurgência e de segurança eficazes, capazes de operar nas terras altas do norte do Cáucaso, bem como qualquer rebelde. Eles eram, no entanto, propenso à indisciplina e métodos "heterodoxos", e foram repetidamente acusados de abusos por parte de Direitos Humanos, tando de organizações nacionais e internacionais. Eles não eram de fato Spetsnaz no verdadeiro sentido da palavra.

As Spetsnaz Modernas

Embora as Spetsnaz continuassem a operar na Chechénia esporadicamente depois do fim da fase principal militar, em 2002, de novo se encontraram em uma posição incerta. Eles tinham demonstrado o seu valor nos novos tipos de conflitos do fim do século 20 e início do século 21. Por outro lado, as forças terrestres regulares e das VDV, tinham ciúmes tanto de seus orçamentos e funções, e não estavam dispostos a reconhecer que as Spetsnaz poderiam fazer o que eles não podiam, e que esses serviços podiam ser exercidos pela FSB e MVD que buscavam reivindicar essas funções para si mesmos. A Doutrina Militar 2000, o documento fundamental no qual a Rússia baseia seu planejamento militar, reconheceu as ameaças de terrorismo e instabilidade nas fronteiras do país; mas o aparelho de segurança alegava que essa primeira ameaça eram sua jurisdição, enquanto as VDV alegegavam ser a força mais adequada para lidar com a segunda ameaça.

Como resultado, as Spetsnaz continuaram na irônica posição de ser glorificada em público (em 2002 houve até uma minissérie de televisão russa chamada Spetsnaz, que mostrava os soldados destas unidades como figuras heróicas fazendo de tudo, desde frustrar financiadores do terrorismo até resgatar reféns), mas ainda eram marginalizados dentro das forças armadas russas. Em seu favor, esse foi um momento em que o Presidente Putin dramaticamente intensificou as despesas com a defesa; isto ajudou as Spetsnaz tanto para recrutar mais soldados de carreira e reduzir a proporção de recrutas em suas fileiras, e desenvolver mais seus programas de treinamento e suas instalações.

Eles também encontravam-se freqüentemente sendo selecionados para testar novos sistemas de armas reservados para uso mais amplo, e eles desempenharam um papel importante na concepção de um novo Ratnik ("Guerreiro") equipamento pessoal introduzido em 2013.

Surpreendentemente, no entanto, seria a guerra da Rússia com a Geórgia em agosto de 2008, que durou menos de uma semana - que iria consolidar a posição das Spetsnaz, em uma nova postura militar russa que foi finalmente libertada das suas preocupações do tempo da Guerra Fria com grandes guerras terrestres na Europa ou na Ásia.

Geórgia, 2008

As regiões rebeldes anti-georgianas da Ossétia do Sul e Abkhazia se tornaram uma grande frustração para o governo da Geórgia em Tbilisi. Ansioso para ensinar ao presidente anti-Moscou Mikheil Saakashvili uma lição que faria com que outros líderes pós-soviéticos não pensassem em desafiar a hegemonia regional russa, o Kremlin encorajou seus aliados locais para provocar os georgianos. Depois de meses de invasões da fronteira, ataques de snipers, e até mesmo de artilharia, Tbilisi mordeu a isca e invadiu a Ossétia do Sul em 7 de agosto de 2008. No dia seguinte forças russas do 58º Exército começou a avançar para a Ossétia do Sul, alegando que suas tropas estavam lá para restaurar a paz; simultaneamente a Frota do Mar Negro começou a bloquear a costa georgiana, afundando um barco lança-míssil georgiana que desafiou a frota russa.

Em 12 de agosto, o Kremlin declarou o fim das operações militares. Os russos haviam expulsado os georgianos para fora de Abkházia e da Ossétia do Sul e os configurou como estados independentes auto-proclamados em ambas as regiões. (Estes são realmente protetorados de Moscou: a comunidade internacional em geral não reconhece esses estados, mas a sua soberania é garantida pelas tropas russas e suas bases). Os militares georgianos foram derrotados e humilhados e Moscou tinha provado que a sua disposição de usar sua força militar não devia ser subestimada. Se quisesse o Kremlin poderia facilmente ter atingido Tbilisi e ido muito mais longe na Geórgia.

No entanto, enquanto esta foi uma vitória russa, nunca houve qualquer dúvida de saber qual país iria ganhar: O 58º Exército tinha mais que o dobro de soldados e cinco vezes mais tanques como todo o poder militar da Geórgia. Porém esse conflito mostrou várias deficiências do poder militar russo, que em muitas áreas se mostrou obsoleto, sistemas de comando e controle e comunicação não confiáveis, o que levou às vezes oficiais usarem seus celulares pessoais para tentarem comunicações seguras. Vários incidentes de “fogo-amigo” também aconteceram.

A Força Aérea russa não conseguiu alcançar um tipo de superioridade aérea convincente que era esperado, e problemas na coordenação mostrou que suas aeronaves várias vezes ficaram  sob o fogo dos soldados russos ou de seus aliados, as milícias da Ossétia do Sul, que confundiam as aeronaves russas com as georgianas. Embora Moscou negue isso, fontes sérias dizem que três dos seis aviões russos perdidos caíram para o tal "fogo amigo".

A maior parte da luta real acabou sendo realizada por tropas pára-quedistas das 76ª e 98ª Divisões pára-quedistas, com um papel desproporcional também sendo desempenhado pelo 45º Regimento de Reconhecimento Independente de Guardas da VDV, bem como pelas 10ª e 22ª Brigadas Spestnaz. Embora o GRU como Praticamente todo o aparato militar russo não se saiu bem nessa guerra, o GRU, por exemplo, tinha inteligência obsoleta o levou a Força Aérea russa a atacar vários aeródromos georgianos que estavam desocupados. As tropas Spetsnaz porém conseguiram demonstrar bem suas habilidades no campo de batalha.

Como as forças armadas russas estão lentamente se modernizando para se adaptando a um futuro susceptível que venha a impulsionar a Rússia para uma considerável projeção de poder,  envolvendo operações de contra-insurgência e antiterrorista, o papel das Spetsnaz está aumentando, mas isto tem provocado inveja.

Depois de um papel importante no sucesso de 2008 na Geórgia, em 2011 eles perderam o seu estus especial para se reportar diretamente a Direção Geral de Inteligência do Estado-Maior Geral (GRU), e foram formalmente anexados a todos os comandos regionais-armas. Em parte, isso refletiu uma ampla pressão política sobre o GRU, mas também uma consciência crescente da importância das Spetsnaz na guerra futura, e um desejo de fazer-lhes o foco da maior parte das operações.

Comando de Operações Especiais

Houve sugestões durante anos de que a GRU deveria focar na inteligência militar, enquanto as Spetsnaz - como ferramentas de reconhecimento do campo de batalha – deveriam ser subordinadas diretamente aos comandos de campo. A experiência da Guerra da Geórgia só fortaleceu o caso daqueles que defendiam a integração mais estreita com as forças de campo.

Sendo assim, em 2010, foi anunciado que as brigadas Spetsnaz iriam ser transferidas para os quatro distritos militares, que estaria sob o Comando Operacional em tempo de guerra. Enquanto isso, o Centro de Treinamento e Operações em Solnechnogorsk seria retirado da GRU e passados para o controle do Estado-Maior Geral.

Neste período foi criada uma nova unidade, o Comando de Operações Especiais (KSO, Komanda Spetsialnogo Naznacheniya), incluindo um opSn fora do estrutura brigada regular, um esquadrão de helicópteros de ataque e de transporte na base aérea de Torzhok e um esquadrão de aviões de transporte Il-76 "Candid". Os papéis do KSO variam de operações antiterroristas em tempo de paz como sabotagem e assassinatos em tempo de guerra. 

A necessidade de assegurar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 em Sochi, perto do turbulento norte do Cáucaso, estimulou sua formação da 346ª Brigada Spetsnaz e do 25ª Regimento Independente.

O KSO se tornou oficialmente operacional a partir de início de 2013, e, de acordo com Chefe do Estado-Maior General Valery Gerasimov, era destinado principalmente para missões fora da Rússia, como participação em operações de manutenção da paz da ONU e intervenções unilaterais. Dado que o presidente Putin estava advertindo simultaneamente que a retirada iminente das forças ocidentais do Afeganistão poderia gerar um surto de caos no flanco Sul da Rússia, presumivelmente implantações na Ásia Central estavam sob consideração.

Oficial de Segurança da Embaixada, Damasco, Síria, 2013
As tropas Spetsnaz podem receber a missão de operarem como agentes de segurança de embaixadas em locais de alto risco, ou então podem utilizar tais funções como cobertura para coleta de inteligência e trabalho de reconhecimento. Este oficial, visto aqui guardando a embaixada russa em Damasco em 2013 após o início da guerra civil síria, usa roupas práticas roupas civis (incluindo uma camisa clube de futebol Spartak Moscou), sob um colete tático FORT Hussar. Ele carrega um raro fuzil de assalto bullpup  OTs-14-4, com um pistola Glock 17 em um coldre. Na verdade sua identidade é incerta, se ele é do GRU Spetsnaz, ou faz parte da altamente secreta unidade Zaslon Spetsnaz do Serviço de  Inteligência Estrangeira (SVR).

O aguerrido GRU, 2010-13

Enquanto isso, as falhas demonstradas durante a Guerra da Geórgia tinha dado ao ministro da Defesa, Anatoly Serdyukov a oportunidade que precisava para forçar o Alto Comando para aceitar reformas militares radicais. O objetivo era afastar o antigo pensamento soviético, tradicionalmente dominante, que focava em uma grande guerra terrestre contra a OTAN ou a China, e, em vez disso criar estruturas capazes possibilitar os militares russos de lutarem em uma variedade de diferentes tipos de operações, com maior flexibilidade e independência.

Divisões foram substituídas por brigadas menores com unidades básicas para a do Exército; a ênfase deslocou-se lentamente das tradicionais forças baseadas em tanques pesados para unidades mais leves e especializadas, tais como as tropas de montanha, e um renovado esforço foi feito para aumentar a proporção de voluntários de carreira em nas fileiras.

A ironia é que estas inovações trouxeram uma nova pressão sobre o GRU, visto que seus rivais políticos agora questionavam seu papel e valor (as guerras políticas burocráticas russas são especialmente sanguinárias). As Forças Terrestres queriam as Spetsnaz para estarem sob seu controle direto; o Serviço de Inteligência Externa (SVR) queria humilhar uma agência rival; os pára-quedistas das VDV sentiam que eles poderiam fazer tudo o que as Spetsnaz podiam; e vozes no aparelho de Estado-Maior Maior estavam questionando em especial o status do GRU, que geraram um ressentimento numa linha direta para o Kremlin. Assim, em 24 outubro de 2010 - o dia em que as petsnaz estavam celebrando o 60º aniversário de sua formação – o vice-chefe das Forças Terrestres vice-chefe do Estado-Maior para Reconhecimento, Col Vladimir Mardusin, anunciaram a sua subordinação aos comandos territoriais. Essa notícia era uma surpresa para a GRU; seu comandante na época, Col Gen Alexander Shlyakhturov, era uma figura relativamente fraca que estava em licença médica quase permanente. Além de lhe serem retirados suas forças especiais, o GRU estava sendo espremido de outras maneiras. O "Aquarium" - sua sede em Khodynka, subúrbio de Moscou - teve que dispensar mais de mil funcionários, incluindo 80 de seus 100 generais. O GRU ainda foi rebatizado para uma direção regular do Estado-Maior General, privando-o de maior autonomia e autoridade.

A partir desse ponto baixo, no entanto, o GRU e as Spetsnaz rapidamente passaram por uma reestruturação. O General Shlyakhturov se aposentou no final de 2011, e seu sucessor, Tenente General Igor Sergun, provou ser um chefe muito mais ativo e eficaz. No clássico estilo russo, o GRU agora travou uma ação de retaguarda, nominalmente transferindo as Spetsnaz às forças terrestres, mas, na prática, colocando-as em movimento externo o máximo de tempo possível. Talvez o golpe final de boa sorte para o GRU foi à nomeação de Coronel General Valery Gerasimov como Chefe do Estado-Maior Geral, no final de 2012. Um pensador, bem como um comandante, Gerasimov era um defensor de uma nova forma de guerra "híbrida" ou a guerra "não-linear", pelo qual a Rússia poderia assegurar os seus interesses através de uma mistura imaginativa de política, economia, inteligência e operações militares. As Spetsnaz pareciam ser os instrumentos ideais para essas operações - mas isso obrigava-os a ser estratégicos ativos, ao invés de apenas esclarecedores de batalha subordinadas aos comandos territoriais. Como resultado, em 2013, as Spetsnaz voltaram tranquilamente a se subordinarem ao GRU. Isso também salvou essas unidades de uma oferta de aquisição das mesmas pelas tropas pára-quedistas naquele ano, quando o comandante das VDV, Coronel General Vladimir Shamanov, defendeu que as Spetsnaz deveriam ser parte das novas forças de reação rápida, o que inevitavelmente as colocariam sob o controle das VDV na prática. Isso não deu em nada, no entanto; e em 2014 o prestígio do GRU subiria novamente com a anexação da Criméia, seguido por uma campanha semi-encoberta de insurreição e desestabilização no leste da Ucrânia.

Um soldado da 45ª Regimento Independente de Propósitos Especiais Guardas em 2012. Ele está usando um uniforme camuflado de snipers com duas peças, no padrão de camuflagem Berezka. Este soldado está armado com um AKMN, um moderno AK-47 com um supressor de som PBS.

 

Organização de 2014

A partir do final de 2014, as Spetsnaz compostas por sete brigadas regulares de vários tamanhos, no total, compreendendo talvez 19 unidades do tamanho de um batalhão. Essas unidades estavam subordinadas ao Quinto Diretório da GRU (Reconhecimento Operacional), embora em campo, estavam subordinados aos comandantes operacionais. Os quatro Independent Special Purpose Naval Reconnaissance Points (análogos a brigadas) ainda são tecnicamente parte do Quinto Diretório, mas de fato estavam estreitamente ligados às suas frotas mãe. Além disso, existia o 45ª Regimento Independente de Propósitos Especiais Guardas, e três outros elementos Spetsnaz separados. Um deles, a 100ª Brigada Independente, é freqüentemente utilizada como um banco de ensaio para novas idéias e equipamentos. Como acima mencionado, duas outras unidades foram criadas em 2011-12, como parte dos preparativos do aparato de segurança para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, no sudoeste da Rússia: o 25º Regimento Independente, otimizado para operações no turbulento norte do Cáucaso, e a 346ª Brigada, o que parece ter a dotação de um regimento, e tem -se tornado elemento operacional da KSO.

Recrutamento e formação

Existe uma pressão constante para tentar assegurar que as unidades Spetsnaz possam ser formadas exclusivamente de voluntários profissionais "recrutas contratados" em jargão russo. Isto porém se revela um desafio, no entanto, e embora alguns elementos são voluntários, a partir de 2013 cerca de 50% ainda são recrutados - ainda que a escolha desses soldados esteja ligada a cultura, aptidão física e capacidade prévia em atividades como tiro, orientação, e esportes.

No entanto, isso não significa que a maioria das unidades Spetsnaz sofreram com a renovação bianual de novos recrutas que entram em serviço em maio e novembro (após quatro meses de treinamento básico), sargentos e especialistas em julho e janeiro (após seis meses de treinamento), oficiais subalternos e oficiais oriundos de escolas militares em setembro.

O treinamento é uma mistura intensa de condicionamento físico, mental, orientação - com grande ênfase sendo colocada na tentativa de surpreender os recrutas, e desenvolver a sua capacidade de responder rapidamente ao inesperado - e conferir as necessárias habilidades táticas e técnicas. Soldados profissionais podem muito bem aprender o básico de um linguagem relevante para a área de seu brigada específica de operações, mas isso não é uma questão central; não há expectativa de que eles vão adquirir qualquer coisa com fluência, a menos que eles sejam susceptíveis de transferência para as operações de inteligência do GRU.

Enquanto essas tropas geralmente recebem um tratamento melhor do que as tropas regulares russas, inclusive com o pagamento de um bônus de combate, as Spetsnaz também sofrem com as habituais dificuldades dos militares russos dentro de uma administração deficiente e desigual e pagamentos atrasados. Mesmo durante a Segunda Guerra Chechena houve protestos sobre pagamento de combate atrasado e a não entrega de equipamentos prometidos.

Há também específicas questões para oficiais ambiciosos. Como o posto mais alto encontrado dentro do Spetsnaz é o de Coronel, para um kombrig (comandante de brigada). Aqueles com aspirações mais elevadas ou devem mover-se na estrutura da GRU, que é dominada por oficiais de inteligência em vez de comandos, ou então fazer a difícil mudança de lado indo para as VDV, o que significa ir para uma força rival de longa data. A este respeito, eles são menos bem colocados do que os oficiais das VDV, que têm posições de comando mais elevados disponíveis dentro de seu próprio braço de serviço, e que também podem se transferir mais facilmente para posições de comando em forças regulares ou de postos de pessoal militar do Ministério da Defesa ou Estado-Maior General.

Criméia e Ucrânia de 2014

As Spetsnaz desempenharam um papel muito significativo na virtualmente anexação sem derramamento de sangue da Criméia, em março de 2014, e na mais sangrenta e, na ainda em curso Insurgência apoiado pela Rússia na região de Donbas Oriental da Ucrânia. No processo, eles colocaram em prática a nova doutrina defendida pelo Coronel General Gerasimov, que prevê a força militar a ser utilizado com precisão, no contexto das estratégias mais amplas que contam pelo menos tanto da subversão, influência econômica e política, e de missões de inteligência.

Diante da crise na Ucrânia Putin mobilizou suas tropas, diante da saída de aliado o presidente Viktor Yanukovych, de orientação pró-russa, que fugiu de seu país fm 21 de fevereiro de 2014. Um novo governo provisório tomou o poder; Moscou, irritado com a saída de seu aliado, e com medo de que a Ucrânia iria deixar sua esfera de interesse, rapidamente começou a fazer seus próprios preparativos. No dia seguinte, as VDV do 45ª Regimento Independente de Reconhecimento (Guardas) foram colocadas em estado de alerta, como foi a 3ª Brigada Spetsnaz, e dois ooSn da 16ª Brigada que deixaram sua base em Tambov.

Uma questão-chave era o futuro da Criméia. Esta península tem uma maioria de língua russa, e tinha sido apenas (controversa) entregue a Ucrânia pela Rússia em 1954. Foi também a base da Frota russa do Mar Negro, na seqüência de um acordo com Kiev. Forças locais pró-russas começaram a formam "milícias de auto-defesa," claramente apoiadas ou mesmo instigadas por Moscou trabalhando com os fuzileiros navais da 810ª Brigada de Infantaria Naval Independente já com base lá. Homens não identificados com armas militares começaram a bloquear as bases ucranianos, e em 27 de fevereiro cerca de 50 homens tomaram o edifício do Parlamento da Criméia. Embora afirmando ser uma milícia local, estes homens estavam bem armados e mostraram uma postura altamente profissional.

Este crise foi a primeira implantação de operadores da KSO, apoiados por elementos da 45ª VDV. No dia seguinte helicópteros de transporte Mi-8 "hip", escoltados pelos helicópteros artilhados Mi-35M "Hind-E" , transportaram tropas da 431 Spetsnaz Naval, em seguida, trouxe elementos das 10ª e 25ª Brigadas  Spetsnaz no porto de Sevastopol, e todas as bases ucranianos foram progressivamente submetidas a bloqueio. Durante a próxima semana, as forças da 3ª e 16ª Brigadas e do 25º opSn também foram transferidos para Criméia. Isso deu aos russos uma força de vários milhares de operadores altamente qualificados, mas com pouco equipamento pesado. O ucranianos tinham disposição e eram capazes de lutar e estavam bem armados e isto poderia ter sido um problema para os invasores russos, então a prioridade era deslocar o mais rápido possível tropas convencionais com blindados e artilharia. Em 16 de Março um referendo na Criméia deu vitória esmagadora em favor da reunificação com a Rússia, e a península foi devidamente anexada.

Militar da 431 Spetsnaz Naval (431 omrpSpN) - Criméia, fevereiro-Março de 2014
Os chamados "homenzinhos verdes", que tão rapidamente capturaram locais estratégicos na Criméia antes de sua anexação formal pela Rússia, eram em grande parte soldados da Infantaria Naval da Frota do Mar Negro mas incluíam também homens da 431 Spetsnaz Naval. Este membro que pertence as tropas que tomaram o aeródromo militar Belbek não exibe nenhuma insignia a fim de semear a incerteza quanto a sua oriem, se eles faziam parte das milicias locais pró-Moscou ou eram tropas russas, mas há poucas dúvidas quanto à a sua identidade. Ele está vestido com o mais recente uniforme de combate da Infantaria Naval russa, parte do novo conjunto de equipamentos ratnik das forças armadas russas, que está sendo colocado em serviço. Isso inclui o colete balístico 6B43, a veste tática para transporte de carga 6Sh117, o novo capacete ShBM, assim como um dos novos  rádios táticos 168-0,5UME. Enquanto sua metralhadora de uso geral PKM de 7,62 milímetros  é um projeto um pouco mais antigo, a mesma ainda é uma arma bem eficaz. No lado direito do seu peito ele também carrega uma faca baioneta 6Kh5 AK-74.

O conflito no leste da Ucrânia - o Donbas predominantemente industrial região, com a sua grande proporção de falantes de russo, e importante base industrial - tem sido um empreendimento muito menos cirúrgico. Lá, o conflito tem sido travado em grande parte por milícias locais, incluindo desertores do Exército ucraniano e polícias apoiados por um grande número de russo e cossacos voluntários. Muitos deles parecem ter sido organizados, armados, e até mesmo pagos pela GRU, em uma operação executada a partir da vizinha cidade de Rostov. Persistentes relatos não confirmados,sugerem que as Spetsnaz de uma variedade de unidades, incluindo opSn da 45ª da VDV, foram mobilizadas às vezes para evitar que as forças do governo obtenham uma vitória convincente contra as milícias rebeldes.

Treinamento

A maioria dos homens que servem nas Spetsnaz são conscritos, que segundo se sabe, servem entre 12 a 24 meses. Oficiais das Spetsnaz regularmente visitam centros de recrutamento para selecionar jovens recrutas que se mostrem duros, inteligentes, e que tenham preferentemente habilidades lingüísticas e esportivas. Geralmente são escolhidos cerca de 100 recrutas. Os selecionados têm que passar por duro treinamento com rígida disciplina, e onde são levados ao limite de sua resistência física. Normalmente ao final deste período restam apenas uns vinte homens do grupo inicial. Os não selecionados são transferidos para os regimentos de tropas aerotransportadas ou de assalto aéreo.  

Aqui vemos um sargento das Spetsnaz usando um fuzil automático AKS-74 de 5,45mm com carregador de 30 projeteis.

Após esta fase os recrutas recebem treinamento especializado, que inclui saltos de pára-quedas, reconhecimento em profundidade, vigilância, fuga e evasão, sobrevivência em uma grande variedade de ambientes hostis, sabotagem, técnicas de assassinato em que usam facas de combate ou as mãos nuas, uso de explosivos, operação com rádios (de preferência de transmissão em ritmo acelerado que emite mensagens em blocos de oito a dez segundos e que evitam a detecção pelo inimigo), exercícios de resistência física e mental, camuflagem e exercícios táticos em uma variedade de terrenos e ambientes.

Em fases mais avançadas eles passam por cursos intensivos de língua estrangeira e treinam técnicas de interrogatório de prisioneiro. Durante a Guerra Fria os soldados normalmente eram submetidos a interrogatórios simulados onde eram empregadas conhecidas técnicas ocidentais. Eles eram arrancados da cama no meio da noite, e levados para salas pequenas e mal iluminadas onde ficavam despidos e sem comida e eram interrogados as vezes por vários dias por oficiais do serviço de inteligência do Spetsnaz vestidos com uniformes da OTAN.

É claro que eles tem um completo treinamento em armas russas como o fuzil AKS-74 de 5.45mm, a metralhadora RPK e a pistola automática PRI de 5.45mm (com ou sem silenciador).  Eles aprendem também a usar uma grande variedade de outras armas russas como o rifle especial para atiradores de elite VSS Vintorez (Vintovka snaiperskaia specialna Vintorez) de 9x39 mm SP-5 APs, as armas anti-tanque RPG-7D, RPG-18, RPG-22 e o lança-mísseis terra-ar SA-7 SAM Strela. Os homens do Spetsnaz também são treinados no manejo de armas estrangeiras especialmente americanas, inglesas, alemãs, francesas, italianas, finlandesas, suecas e israelenses, como os fuzis M-16 (M-4), SA-80, FAMAS, GALIL, G-3, as metralhadoras MG-42, M-60, FN MAG, as sub-metralhadoras UZI, MP-5, Beretta, etc.  

Os homens destacados para as unidades navais das Spetsnaz também tem que aprender técnicas de mergulhadores de combate, o uso de armas e explosivos subaquáticos, infiltração ou exfiltração de praias usando canoas, botes, helicópteros, pára-quedas (nos casos de infiltração), submarinos ou mini-submarinos. 

Na época da Guerra Fria o treinamento das Spetsnaz era bastante duro. Normalmente as tropas eram lançadas invariavelmente a noite, sempre por aviões de transporte, e de altitudes extremas (muito altas ou muito baixas), a fim de aprimorar suas técnicas de pára-quedismo em operações clandestinas. Elas eram lançadas em pequenos grupos, de seis a oito homens - formações que adotariam em tempo de guerra. Ao contrário de outras unidades aerotransportadas, as tropas Spetsnaz não utilizam muito armas pesadas ou veículos blindados. Quando participam de conflitos reais, elas podem ser lançadas 500 km atrás das linhas inimigas e operam totalmente isoladas até que as forças principais consigam se juntar a elas.

Uma unidade de elite dentro da elite eram as as tropas de reconhecimento e sabotagem. Estas tropas treinavam muito mais duro ainda que as unidades aerotransportadas. As operações atrás das linhas inimigas eram um componente-chave na estratégia militar soviética (e ainda é para a Rússia moderna), e isso explicava os grandes efetivos de forças especiais no Exército Vermelho. Os sabotadores recebiam preparação para operar nas piores condições, com um mínimo de suprimentos e água. Eles aprendiam até a abrir fechaduras e outras técnicas de bandidos e assaltantes. 

Armas e Equipamentos
As tropas Spetsnaz não empregam geralmente armas importadas ou especializadas (com algumas exceções específicas necessárias de suas missão). Em vez disso,elas utilizam essencialmente as mesmas armas regulares do resto do Exército - Embora eles normalmente obtém primeiro e escolhem os novos tipos de armas e equipamentos, e também desfrutam de maior liberdade para personalizar e "misturar e combinar" esses equipamentos.

As armas pequenas
A arma padrão das Spetsnaz é o mesmo fuzil de assalto de 5,45 milímetros da família
 AK-47 comum as tropas regulares russas, tipicamente como as AK-74Ms, AK-74Ns com acessórios para visão noturna, e das carabinas de assalto de cano curto AKS-74U. Esta é um arma geralmente bem-vista, com quase a mesma robustez que as originais AK-47 enquanto esta e mais leve e mais precisa. Em alguns casos, as Spetsnaz preferem o calibre mais pesado 7,62 milímetros e assim levam os velhos AKM ou AKMN; alternativamente, eles carregam o mais recente rifle AK-103, que usa a mesma munição, mas incorpora muitas das melhorias do AK-74. O governo tem declarado repetidamente que o AK-74 seria substituído por um novo fuzil de assalto, originalmente, o AN-94 e, em seguida, potencialmente o AK-12, os quais oferecem uma maior precisão de longo alcance e outras vantagens. No entanto, embora alguns destes tenham sido testados em campo pelas Spetsnaz, bem como outros substitutos potenciais, tais como os OTs-14-4 de 9mm bullpup, porém cada vez que o custo de rearmamento do militar é analisado ( a Rússia ainda tem estoques enormes de AK-74s não utilizados) faz com que esses planos sejam arquivados para um futuro previsível.

O AKM é a versão modernizada do AK-47 que entrou em serviço em 1959. As diferenças principais estão na coronha levantada em relação ao modelo anterior e o pistol grip é de plástico.

O sniper desempenhar um papel-chave nas táticas das Spetsnaz. Enquanto alguns snipers ainda usam o SVD Dragunov de 7,62 milímetros da era soviética, e os modernizados SVDS dobráveis ​​da versão originalmente projetada para os pára-quedistas, as Spetsnaz usar cada vez mais o SV-98 de 7,62 milímetros, uma arma de ferrolho com mira telescópica.

Embora o SV-98 possa ser equipado com um supressor de som, as Spetsnaz são muito mais propensas a usar o rifle VSS Vintorez para missões onde a necessidade de discrição supera a precisão de longo alcance. Este especializado rifle silencioso que dispara uma bala pesada de 9x39mm tornou-se uma marca das Spetsnaz, especialmente em suas missões na Criméia. Esse rifle faz parte de toda uma suíte de armas silenciosas favoritas das Spetsnaz; outros são a carabina de assalto de 9 milímetros AS Val, e a pistola PB 6P9 - uma arma fabricada com base na famosa Makarov da década de 1950, mas ainda emitidos para missões especiais. A SR-3 Vikhr é uma variante encurtada da AS Val, que pode ser equipada com um supressor mas ainda dispara a mesma bala subsônica. As Spetsnaz também usam versões suprimidas da pistola APS Stechkin e dos rifles AK-74 e AK-47.

Armas de apoio
Enquanto as Spetsnaz freqüentemente operam mais como infantaria mecanizada do que suas contrapartes ocidentais, no entanto, eles tendem a não implantar com qualquer coisa mais pesada do que as armas do esquadrão, contando com unidades anexas para armas de artilharia e outros apoios. A metralhadora PKP 6P41 Pecheneg é a sua principal arma de esquadrão; dependendo da missão, eles também podem usar as armas antitanque lançadoras de foguetes RPG-27 Tavolga e RPG-29 Vampir disparadas do ombro, ou de foguetes descartáveis ​​RPG-26 Arlen e RPG-30 Kryuk, os lançadores de foguetes incendiários RPO-A Shmel e os lançadores portáteis de mísseis terra-ar SA-24 9K338 Igla-S. Eles costumam montar os lançadores de granada GP-25 6G15 ou GP-30 6G21 de único tiro em seus rifles, e em alguns casos, usam o lançador de granadas 6G30 que atiram as mesmas granadas VOG-25 de 40mm.

Kit pessoal
Como convém a uma unidade de elite de primeira linha, as Spetsnaz estavam entre as primeiras tropas russas a receber a nova suíte pessoal de equipamento Ratnik (“Guerreiro”), que incluiu um novo padrão de camuflagem projetado para ser mais confortável e durável do que a edição anterior, também usam o capacete de combate de 6B47 de Kevlar, além do colete balístico 6B43, e uma série de elementos adicionais como joelheiras e bolsas de hidratação. Alguns dos mais avançado elementos desta nova suíte, como a nova geração de equipamentos de visão noturna, ainda ainda não estão prontos para uso geral. Na Criméia, em no início de 2014 as tropas Spetsnaz foram vistas usando novos rádios pessoais 168-0,5UME - um salto à frente para um exército que tem negligenciado as comunicações táticas modernas.

Luta corpo a corpo
A arma de combate padrão dos russos é a pistola de 9mm GSH-18, e as Spetsnaz usam a mesma para defesa pessoal, bem como (raramente) submetralhadoras de 9mm como a Bizon, a9A-91 e a Vityaz-SN. Para combates ainda mais próximos as Spetsnaz usam as faca-baionetas 6Kh5 AK-74 baioneta faca ou a NRS-2. Esta última é chamada de "a faca de um tiro do esclarecedor", que incorpora no punho um mecanismo de um único tiro e dispara uma bala de 7,62 milímetros de baixa potência que é eficaz num intervalo de cerca de 25 metros. As NRS-2 foram emitidas a partir da década de 1980, mas continuam a ser mais uma curiosidade do que uma combate arma, e é muito raramente utilizada como algo diferente de uma faca regular. De fato, muitos Spetsnaz preferem a versão NR-2, em que o mecanismo de disparo é substituído por um compartimento para ferramentas de sobrevivência.

Por outro lado, as Spetsnaz fazem uso da sua lendária saperka, tecnicamente uma "pequena pá de infantaria." Essa ferramenta de cabo curto que é sempre mantida bem afiada, pode ser usada como uma arma de mão ou até arremessada. Embora esta ferramenta seja o padrão para todas as tropas russas, as Spetsnaz (e até certo ponto as VDV) fazem de seu uso um esporte não só a usam em combate, mas também em exibições vistosas que envolvem tais proezas como arremessando a saperka em um alvo enquanto pulam através de um arco em chamas.

Um soldado das Spetsnaz se prepara para lançar a lendária saperka, tecnicamente uma "pequena pá de infantaria."

Para combates mais próximos as Spetsnaz também são extensivamente treinadas em combate desarmado, especificamente no sistema chamado Sambo, uma contração de Samozashchita bez oruzhiya ("autodefesa sem armas"). Esta é um arte marcial que começou a ser desenvolvida pelo Exército Vermelho no início dos anos 1920, e mistura a luta livre russa tradicional, judô e jiu-jitsu. Era desde o início explicitamente uma arte de combate, e também evoluiu para um esporte competitivo, em sua forma mais pura, é surpreendentemente desprovido de quaisquer restrições ou filosofia além derrubar o inimigo o mais rápido e eficientemente quanto possível. Assim, incentiva-se qualquer tipo de ataque ou - apesar do nome - a utilização de qualquer arma improvisada que por vir a mão, como garrafas, placas de rua, etc.

Equipamentos subaquáticos
Dado o ambiente em que operam, talvez não seja surpresa que é as Spetsnaz Navais têm o equipamento mais distintivo. Elas operar tanto acima como abaixo da superfície; para este último não usam apenas o veículo propulsor de mergulho para um homem, o Protei-5, como também os minisubmarinos Piranya (que podem levar seis operadores até cerca de 1.500km), e o pequeno Triton-1 para dois homens Triton-1.

Um Spetsnaz Naval. Cada uma das quatro frotas da Marinha russa tem uma unidade Spetsnaz Naval, que inclui mergulhadores de combate especializados em operações secretas atrás das linhas inimigas, missões de sabotagem, e deveres de guarda subaquática. Este mergulhador da Frota do Pacífico está usando o aparelho de mergulho IDA-71, edição padrão há mais de 30 anos. Os soviéticos estavam na vanguarda no desenvolvimento de armas submarinas, e este operador está usando a pistola SPP-1M. Ela é uma arma de quatro canos que dispara dardos de aço. Os mergulhadores Spetsnaz podem igualmente usar o fuzil subaquática APS, ou o mais moderno ASM-DT, uma arma híbrido capaz de disparar tanto dardos ou balas convencionais. As unidades de combate subaquáticos do Spetsnaz de cada frota tem suas bolachas específicas mas esta é a insígnia padrão para todos. É simbolicamente combina um pára-quedas, um torpedo, e um tubarão, com o slogan "Dever -
Honra - Coragem ".

O valor subaquática de armas de fogo convencionais é extremamente limitado, e as armas de arpão convencionais também sofrem de curto alcance e precisão, de modo que as Spetsnaz Naval adquiriram armas especializadas. Seu mergulhadores de combate usam duas dessas armas, projetadas nos tempos do poder soviético: a pistola SPP-1M, e o rifle APS. A primeira é uma arma de quatro canos que dispara dardos de aço de 4,5 milímetros entre 5m-20m debaixo da água, dependendo da profundidade.

Já o rifle dispara flechas de metal de 5,66 milímetros até uns 30m em águas rasas numa profundidade de até 11 m ou 100 m quando fora da água. Dado o desempenho marginal destas armas acima da superfície, as Spetsnaz Navais em suas missões foram d´água muitas vezes tem que carregar suas armas regulares em caixas estanques. Por esta razão, eles adotaram em 2000 a ASM-DT Morskoi Lev (“Leão Marinho”). Esta arma é um rifle que pode alternar entre munição de 5,45 milímetros e dardos convencionais do mesmo calibre, permitindo um desempenho amplamente comparável à APS subaquática e a carabina AKS-74U em terra seca.

O rifle APS em ação

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Mergulhadores

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"Golfinhos" também é especializada nas regiões - os países mediterrânicos, América Latina, Europa Ocidental, Sudeste da Ásia, os EUA, Sul e África do Sul-Oeste, Canadá, Oriente Médio e assim por diante. No dolphinarium Sevastopol aprendeu a lidar com animais que são treinados para matar os nadadores. Amante da paz, aparentemente, os golfinhos poderiam ser um poderoso inimigo - eles poderiam, com um pino de metal para perfurar um homem através de e. .

 

 

 

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O futuro

Após ter sofrido um certo grau de negligência na década de 1990 e início dos anos 2000, as Spetsnaz estão de volta no coração da nova forma da Rússia lutar a moderna guerra. Qualquer sugestões de que o GRU deve ser desmobilizado ou as Spetsnaz subordinadas as forças terrestres ou as VDV parecem ter sido enterrados para o futuro previsível. Um grande parte dos 15.000-17.000 oficiais e homens dentro das várias formações Spetsnaz não estão dentro do padrão das verdadeiras forças especiais ocidentais, visto que muitos desses homens são apenas recrutas. A maioria deve ser considerada como tropas de infantaria leve de alta qualidade, parecidos com os 75º REGIMENTO INF. RANGER do Exército dos EUA ou do 2º Regimento de Pára-quedistas da LEGIÃO ESTRANGEIRA francesa.

Talvez só o KSO e os elementos especiais dentro das outras unidades, não mais do que um milhar de homens no total, sejam considerados “Tier 1” no jargão ocidental - em outras palavras, se aproximando do padrão das SPECIAL AIR SERVICE (SAS) da Grã-Bretanha ou da FORÇA DELTA (1st SFOD-D) e DEVGRU-SEALS dos EUA.

O termo "Spetsnaz" também é muito utilizado dentro da Rússia, e ele é usado por forças policiais, de inteligência e agências de segurança que vão manter esse termo para suas forças especiais (e às vezes não tão especiais). A maioria destas tem funções especializadas totalmente diferentes das Spetsnaz do GRU. Para exemplo, as unidades Alpha do FSB (ex-KGB) são essencialmente equipes contraterrorismo, enquanto que a equipe Zaslon do SVR é mantida para missões secretas no exterior. No entanto, também existem forças que se sobrepõem muito mais em estreita colaboração com as Spetsnaz militares. Não menos do estes são as tropas Spetsnaz MVD do Ministério do Interior, como o 33º Destacamento de Propósito Específico baseado em Moscou, também conhecido como Peresvet; esta unidade lutou na Chechenia, e é treinado e equipado de forma muita parecida com os seus homólogos do GRU. Algns acreditam que o Kremlin tem uma propensão para permitir ou até mesmo incentivar a proliferação de forças especiais que se sobrepõem a fim de evitar a dependência excessiva de uma única agência (um hábito nascido de uma época de golpes histórico), e é provável que se mantenha assim.

O futuro para as Spetsnaz é, portanto, de certa forma garantido, perspectiva que não necessariamente agrada a muitos dos vizinhos da Rússia. Embora a probabilidade de que a Rússia vai conseguir seu objetivo de montar um exército todo-profissional até 2020 ainda pareça remota, as chances são de que as Spetsnaz vão certamente ser formadas por voluntários profissionais bem antes dessa data. Como a reforma realmente cria "dois exércitos" na Rússia - uma força de intervenção operacional pequena, bem equipada, e versátil com menos de 60 mil homens, e um maior, ainda relativamente não-reformado em muitas de suas unidades terrestres e com cerca de 100.000 homens para a defesa territorial e segurança da segunda onda - as Spetsnaz, juntamente com as VDV, continuarão a representar a "ponta de lança" da Rússia.


As unidades Spetsnaz das forças de segurança da Rússia

Hoje em dia se sabe que Spetsnaz pode significar também as tropas de elite controladas pelo Serviço de Segurança Federal (FSB) em missões de antiterrorismo e anti-sabotagem e pelo Ministério do Interior (e polícia) MVD. Estritamente, todas as unidades SPETSNAZ operadas pela KGB/FSB são chamadas de OSNAZ, um acrônimo para [voiska] osobovo naznatchênia ou "destacamentos para fins especialis". Estas unidades foram originalmente montadas para uso doméstico contra contra-revolucionários, dissidentes e outros elementos indesejáveis. Sempre houve uma certa quantidade de intercâmbio de pessoal e unidades tanto entre o GRU - serviço de inteligência militar,  que controla as SPETSNAZ militares e o MVD com as OSNAZ MVD e as OZNAZ KGB ou FSB, especialmente entre estes últimos.

O Centro de Operações Especiais (CSN) do FSB foi planejado para o combate ao terrorismo e para manter a ordem constitucional na Federação Russa. O CSN FSB consiste de 3 subdivisões "operativas" diferentes — o Departamento A (também conhecido como spetsguppa "Alfa"), o Departamento V (spetsgruppa "Vympel") e o chamado SSO (Serviço de Operações Especiais). O quartel-general do CSN FSB é um gigantesco complexo de edifícios e áreas de treinamento (dezenas de hectares, 76 instalações de treinamento, etc) e está localizado na cidade de Balashikha-2, a apenas 10km de Moscou). A média de tempo de instrução de um agente formado do CSN é de 5 anos.

Desde 1974, o "Alfa" é uma unidade conhecida por sua ação anti-terrorista. Atualmente, o "Alfa" é uma unidade altamente profissional nesta atividade, com cerca de 300 agentes. A maior parte da unidade fica estacionada em Moscou, enquanto o resto se divide em três outras cidades — Krasnodar, Yekaterinburg e Khabarovsk. Sabe-se que todos os agentes do "Alfa" passam por treinamento especial de pára-quedismo e armas de fogo, e cerca de um terço deles tem ainda treinamento em montanhismo. Outro terço possui instrução especial em mergulho. Agentes Spetsnaz sempre atualizam suas técnicas em inúmeros exercícios e operações especiais (incluindo serviço constante no Norte do Cáucaso). A unidade utiliza um amplo leque de equipamento e armamentos modernos russos e estrangeiros, alguns modificados para atender às necessidades específicas da equipe.

Já o "Vympel" (anteriormente conhecido como unidade de elite da KGB na época da Guerra Fria) também é atualmente uma unidade anti-terrorista. Mas, ao contrário do "Alfa", em vez de aprender como invadir aviões e ônibus, eles operam em um ambiente totalmente distinto. São peritos em 18 disciplinas especiais (entre as quais, como infiltrar-se em edifícios vigiados, treinamento intensivo como atiradores de elite, pilotagem de APCs e aviões, treinamento médico e muito mais) e são última defesa da Rússia contra possíveis atos terroristas envolvendo usinas nucleares, hidrelétricas e diversos outros complexos industriais. Entretanto, os agentes do "Vympel" são ainda freqüentemente usados em missões especiais das operações no Norte do Cáucaso, junto com seus colegas da unidade "Alfa". O "Vympel" tem 4 unidades operativas, enquanto o "Alfa" tem 5. Uma unidade de cada departamento participa sempre em operações anti-terroristas na Tchetchênia. As tropas fazem rodízio constantemente e cada unidade operativa é destacada para a Tchetchênia ao menos duas ou três vezes por o ano. O "Vympel" fica baseado em Moscou, mas tem também escritórios sucursais em praticamente todas as cidades com usinas nucleares da Rússia.

 

A cor padrão dos agentes BDU dos Departamentos A e B é o preto. Entretanto, na Tchetchênia usaram vários tipos de camuflagem. Não há muita informação disponível sobre o SSO, mas sabe-se que seus agentes participaram também em operações especiais do FSB no norte do Cáucaso e agiram enquanto corpo altamente hábil de guarda para altos funcionários do governo. Junto com o Centro de Operações Especiais e suas unidades do elite, há várias unidades de importância regional entre as forças especiais do FSB. Estes destacamentos são chamados geralmente de ROSN (Departamento Regional de Designação Especial). Os ROSNs mais poderosos seriam os de São Petersburgo (ROSN "Grad") e de Níjni Novgorod.

O contingente das Spetnaz do MVD (Ministério do Interior da Rússia) inclui 16 unidades de Tropas do Interior (Guarda Nacional Russa), que são de excelência e designadas para combater rebeliões e ações terroristas. Cada uma destas unidades geralmente tem nome e número oficiais de OSN. Entre elas, algumas das mais conhecidas são:
1º PSN (antigo 6º OSN) VV "Vitjaz" - baseado em Moscou;
7º OSN VV "Rosich" - Novotchercassk;
8º OSN VV "Rus" - Moscou;
12º OSN VV "Ratnik" - Níjni Taguil;
15º OSN VV "Vyatich" - Armavir;
16º OSN VV "Skif" - Rostov.

São geralmente bem treinadas e equipadas, de longe superiores à infantaria regular russa. Por exemplo, acredita-se que a unidade "Rus" tenha combatido com sucesso os rebeldes da Tchetchênia com uma relação de vítima de aproximadamente 1 para 200. Suas missões podem incluir reconhecimento e operações de combate regulares (na maior parte, ataques casa-a-casa). A "Vitjaz" tem servido às vezes como equipe alternativa durante as operações anti-terroristas da equipe "Alfa". O paralelo mais próximo nos Estados Unidos são os US Rangers e a chamada "Força Delta". As Spetnaz MVD têm ainda diversos poderes especiais de polícia, e atuam nas principais cidades russas.

As "outras Spetsnaz" dos países vizinhos

Também é importante notar que as unidades Spetsnaz da Rússia também devem lidar com a ascensão de outras unidades Spetsnaz que possam surgir em outras repúblicas pós-soviéticas após o desmembramento das forças soviéticas em 1992. Na verdade algumas das repúblicas que se separaram da antiga União Soviética absorveram várias unidades Spetsnaz dentro de suas fronteiras ou converteram unidades de pára-quedistas para o papel de forças Spetsnaz.

A Ucrânia tem a 10ª Brigada Spetsnaz com sede em Izyaslav, que tem conseguido manter o profissionalismo e a capacidade operacional da época soviética. Essa unidade tomou parte na operação de Kiev contra os rebeldes apoiados por Moscou no leste do país. Existe também a 5ª Brigada, com sede em Mariyna Gorka, sob o controle da Bielorrússia; ela tinha sido uma das unidades maiores na época soviética, e as suas modernas e extensas instalações incluíam os campos de treinamento onde as Spetsnaz tinha testado os novos planadores e ultraleves. A 15ª Brigada ficou para o Uzbequistão, juntamente com o 459 orSn, e as instalações de treinamento construídas para preparar as forças especiais para as operações no Afeganistão, mas forças russas continuam a ter ligações estreitas com esta brigada e a consideram uma força aliada. Além disso, até mesmo as repúblicas que não foram capazes de reivindicar Unidades Spetsnaz da época soviética criaram suas próprias forças especiais muito baseadas no modelo Spetsnaz, tais como os "Boinas Marrons" do Azerbaijão e "Boinas Pretas" da Armênia.

 

Pesquisa:

http://frenteeste.es/phpBB3/viewtopic.php?f=31&t=134&start=10

http://militera.lib.ru/research/suvorov6/index.html

 

 

SPETSNAZ - Parte I

 

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