Perfil da Unidade

Batalhão 32 - África do Sul

1975-1993

Honestidade Lealdade Justiça


 

O Batalhão 32, com nome original em afrikaans é 32-Bataljon, (às vezes apelidado de Batalhão Búfalo ou Os Terríveis) era um batalhão especial de infantaria leve do Exército sul-africano SADF, composto de negros e brancos e lutou na Guerra de Fronteira. Seu lema era "proelio procusi" que em latim quer dizer "forjado em batalha".

 

  

Capitão, Comandante de Cia, do

Batalhão 32, durante a Operação Super, Angola - 1981. Este militar sul-africano está armado com um fuzil automático AK-47 e usa um uniforme similar ao usado pela FAPLA. Os famosos Recces prestavam apoio as ações do Batalhão.

As origens do Batalhão 32 começaram realmente, não com um recrutamento de soldados sul-africanos, mas com mercenários oriundos da guerra civil angolana. Essa guerra terminou em 1975, depois que os comunistas do Movimento Popular de Libertação Angola (MPLA) através das Forças Armadas Populares para Libertação de Angola (FAPLA) tomaram o poder e os restos de uma força de oposição conhecida como Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) procuraram refúgio em outros países próximos, com muitos se deslocando para a África do Sul na esperança de encontrar apoio e continuar a luta.  A maioria angola da tropa do Batalhão 32 fazia juramento em português antes da batalha.

Nesse mesmo ano, os pedidos da FNLA encontraram o ouvido simpático do coronel Jan Breytenbach da Brigada de Forças Especiais da África do Sul, que pediu e recebeu permissão para formar uma unidade em torno desses guerreiros deslocados, chamada Grupo Bravo. No entanto, apesar dos estrangeiros da unidade prometerem lealdade à África do Sul, mudar as mentes da cadeia de comando foi um problema e quase destruiu a unidade antes que ela ficasse pronta. Depois de muita persuasão e a recusa de Breytenbach de abandoná-los, o destacamento foi autorizado a não só existir, mas a crescer. Inicialmente, o Grupo Bravo consistia em duas companhias de infantaria, um pelotão de morteiro, uma seção anti-tanque e um pelotão de metralhadora. O Grupo Bravo depois foi renomeado de para Batalhão 32. Breytenbach teve o apoio do Comandante Sybie van der Spuy na formação da unidade. O Batalhão 32 depois foi ampliado para 6 companhias de infantaria, uma ala de recces, e uma companhia de apoio que consistem em morteiros de 81 mm, armas anti-tanque e seções de metralhadora. Posteriormente a unidade ficou sob as ordens de Coronéis Gert Nel, Deon Ferreira (apelidado de Falcão) e Eddie Viljoen, conhecido dentro do batalhão pelo apelido de "Big Daddy".

 

Contra os preconceitos racistas do apartheid, o coronel Jan Breytenbach transformou seus soldados negros, famintos e indisciplinados em uma formidável força de elite. O QG e as Companhias de fuzileiros foram baseados em um acampamento secreto em Buffalo (conhecido também como Bagani), perto de Rundu, que era próximo o suficiente da fronteira de Angola para a infiltração e longe o suficiente de Pretoria para parar muitos visitantes indesejados (militares e civis). A Ala dos seus Recces estava envolvido em várias operações militares secretas e foi localizada no Omauni.

 

Ele foi empregado no seu maior tempo operacional para atacar alvos localizados profundamente em território angolano e na área patrulhamento ao longo da fronteira Angola - África do Sudoeste (hoje Namíbia). Tal como aconteceu em todas as ações da "Guerra de Fronteira" a paisagem política contra a qual estas operações foram montadas é extremamente complexa e vai além do escopo deste site.

 

O Batalhão 32 era o grupo mais temido em um teatro de operações no qual estavam envolvidos a antiga União Soviética e Cuba contra os Estados Unidos, que apoiavam a guerrilha antigovernamental angolana da UNITA. Ponta de lança do regime racista de Pretória, o 32 era paradoxalmente um dos lugares da África do Sul do "apartheid" onde negros e brancos conviviam mais intensamente. Antes de se unir ao Batalhão, o único contato do branco sul-africano Kenneth Schwartz, conhecido por todos como "Blackie", com os negros se limitava aos empregados de sua família. "Blackie" foi até 1987 um dos comandantes brancos de uma unidade que depois começou a promover seus melhores negros. "Entre os arbustos, se eu tinha sede ele tinha sede, não importava se fosse negro ou branco", conta "Blackie".

Diferente das outras unidades das Forças de Defesas da África do Sul (SADF - Shout Africa Defence Force) o Batalhão 32 foi praticamente desdobrado para o sul de Angola em tempo integral, agindo como um pára-choque entre as forças regulares das SADF e seus inimigos. A unidade também foi usada para ajudar o movimento anti-comunista da UNITA. Embora fosse principalmente usado como uma força de contra-insurreição foi usado eventualmente também como uma força semi-convencional, especialmente durante as fases posteriores da guerra - particularmente na Batalha de Cuito Cuanavale. Como tal, seu envolvimento na Guerra de Fronteira era maior do qualquer outra unidade das SADF e reivindicou ter causado mais baixas inimigas do que qualquer outra unidade das SADF.

 

Coronel Jan Breytenbach, fundador do Batalhão 32.

Ele iniciou sua carreira militar nas unidades de tanques do Exército Sul-Africano em 1950. Ele deixou essa força em 1955 e juntou-se ao braço aéreo da Real Marinha Britânica como navegador. Tomou parte nos desembarques de Suez em 1956. Em 1961, ele voltou do Exército Sul-Africano e se tornou pára-quedista. Poucos soldados em qualquer lugar tiveram o privilégio de formar uma unidade militar, Breytenbach formou três para o Exército Sul-Africano. Ele foi o comandante fundador do 1-Reconnaissance Commando, o precursor do atual Regimento das Forças Especiais da SANDF o equivalente do SAS britânico. O Batalhão 32 que ele forjou na batalha contra as forças guerrilheiras da FNLA durante a intervenção da África do Sul em Angola em 1975 e o 44 Parachute Brigade. Ao comandar a 44ª Brigada Pára-quedista liderou o bem sucedido assalto de 1978 a principal base da SWAPO em Cassinga, em Angola. Acredita-se que foi um dos maiores assaltos aerotransportados em qualquer lugar desde a Segunda Guerra Mundial. Outra novidade foi a formação da Escola de Guerrilha do Exército Sul-Africano que ele comandou até sua aposentadoria em 1987. Depois que passou para a reserva ele seguiu uma carreira como escritor de tempo integral.

 

O 32 consistia principalmente em soldados e oficiais não comissionados (NCOs) negros angolanos (em sua maioria ex-FNLA) liderados por oficiais e NCOs brancos, embora também havia vários oficiais e NCOs de países como o Reino Unido, Rodésia, Portugal e dos Estados Unidos na unidade, especialmente no seu início. Os soldados ex-FNLA viviam junto com suas famílias pois todos tinham fugida da perseguição marxista. Eles se chamavam de soldados búfalos numa menção aos soldados negros norte-americanos que lutaram contra os índios no oeste dos EUA. O símbolo da unidade era a cabeça de um búfalo também. Quando um NCO firmava um contrato de um ano, ele devia servir por 11 meses e tinha um mês de férias. Os NCOs brancos viviam em tendas com os ex-soldados angolanos. Procurava-se ao máximo evitar contato com outras tropas da SADF.

 

  

Cerimônia de juramento à bandeira da África do Sul.

As tropas do Batalhão 32 eram muito disciplinada e dura em combate. Muitos veteranos da Rodésia ficaram impressionados pela forma como os oficiais puniam quem desobedecia as ordens. Se a infração fosse leve o soldado era obrigado, por exemplo, a arrastar um pesado pneu de caminhão por 36 km através de um areal com cerca de 30 cm de areia. As faltas mais graves podiam ser punidas com chicotadas com o soldado preso a um tambor. As vezes para manter a ordem no meio da tropa o soldado era morto. Certa ocasião um suboficial disparou contra um soldado e o matou quando ele reclamou do soldo diante da tropa. Após isso o suboficial perguntou se mais alguém queria reclamar do pagamento e ninguém se manifestou. Toda frustração gerada debaixo de tanta disciplina era liberada em campo de batalha, por isso seus inimigos os chamavam de Os Terríveis.

 

Operações

Uma das primeiras operações da unidade foi a Operação Tiro A Tiro contra uma importante base FAPLA em Savate, 47 milhas atrás da fronteira perto do rio Cubango. Nesta fase do jogo, os comunistas de Angola tinham um grande desafio à sua autoridade, que residia no interior do país. Era chamado UNITA, e foi criado sob a liderança do Dr. Jonas Savimbi. E desde a sua criação, esta força de guerrilha freqüentemente operava lado-a-lado com as SADF para manter os comunistas angolanos ocupados. A UNITA operava no sul do Angola e teve alguns sucessos contra o novo governo angola, mas pediu ajuda ao Batalhão 32 para acabar com o que restava de um dos redutos mais fortes da FAPLA.

Um plano foi finalizado para uma ação convencional usando duas companhias de fuzileiros (com uma sendo mantida na reserva) para o ataque principal e fixação da base, enquanto as equipes de reconhecimento e um pelotão de morteiros iria proporcionar cobertura e operar como uma força de bloqueio. Como é típico neste tipo de operações, a surpresa foi crucial, e não seria fornecido nenhum apoio aéreo.

 


Em 15 de maio de 1980, na base operacional do Batalhão em Ovamboland, Namíbia, uma força, composta de 270 homens no total, embarcou veículos blindados e caminhões pesados ​​para dirigir-se para o sul de Angola para o ponto de drop-off. Nos próximos dias, o comboio navegou em direção Savate, freqüentemente usando unidades de reconhecimento para relatar mudanças na força das tropas e veículos na base. À medida que se aproximava, as equipes de reconhecimento utilizados caiaques para viajar tanto a montante quanto a jusante no rio Cubango para informar as últimas condições. Uma vez que toda a inteligência foi recolhida, as duas companhias de fuzileiros desembarcaram de seus veículos a três quilômetros de distância, e atacou o acampamento principal em 21 de maio, sob a cobertura de uma barragem de morteiros. A luta foi acirrada e como as duas companhias se aproximaram de duas direções diferentes e varrendo a guarnição de surpresa em ritmo acelerado, enquanto outra unidade atacava outro alvo vital nas proximidades - um campo de pouso. Depois de cerca de quatro horas de combate o objetivo da operação foi alcançado. A FAPLA foi expulsa e colocada em fuga, com mais de 500 mortos e feridos, enquanto '32' sofreu 13 mortos e 22 feridos na luta contra uma força quatro vezes o seu tamanho.
Depois que uma força de ocupação da UNITA chegou, os homens Batalhão 32 cansados embarcaram em seus veículos e dirigiram de volta para a Namíbia, sem saber que tinha marcado uma das maiores vitórias da história da África do Sul.

 

 

NCO (Suboficial), do Batalhão 32 - Angola, 1980

Membros brancos da unidade normalmente "apagavam" a cor da sua pele com aplicações pesadas de creme de camuflagem negra durante as operações. O boné, camisa e calças estão no padrão camuflado de  verão do Batalhão 32. O boné tinham também um pedaço de pano, tipo uma capa, na parte de trás que protegia o pescoço dos raios do violento sol africano. Esse pano podia ser dobrado ou removido. Esse NCO usa um colete de malha de nylon das forças especiais para carregar em seus grandes bolsos carregar principalmente munição. Há dois grandes bolsos na frente e dois bolsos laterais. Existe também atrás uma única bolsa grande na parte inferior das costas. Escondido da vista na ilustração tem uma bolsa para o rádio A-76, pendurada em um cinto; e ele também carrega um cantil de origem chinesa. Suas armas são um rifle de assalto AKM com um pente de 30 cartuchos e um lançador de granadas M79 de 40 milímetros, que é um raro exemplo de armas ocidentais sendo usadas por esta unidade. Existe uma bandoleiras com três bolsas para carregar  as granadas desta arma.


Batalhão 32 também se voltou contra a SWAPO, força guerrilheira que lutava pela independência da Namíbia. A intenção da SWAPO era refazer a Namíbia à imagem de Angola. As tropas do 32 eram implacáveis contra a SWAPO sempre tinham vantagens contras esses guerrilheiros. Não importava o quão duro os homens da SWAPO tentavam ser contra o 32 o resultado final era sempre o mesmo: os insurgentes mortos e seus AK-47 colocados em pilhas, após uma emboscada bem sucedida.

 

O Batalhão 32 teve a honra de capturar vivo o único assessor soviético durante a Guerra de Fronteira durante a Operação Protea em Agosto de 1981. Três Companhias sob as ordens do Comandante James Hills faziam parte de um grupo de combate que servia de bloqueio em Ongiva, e o primeiro-tenente Tinus van Staden, 23 anos, comandando 110 homens da Companhia "C", avistou um grande comboio composto por blindados BRDM, tanques e caminhões que se deslocava em direção a ele a partir de Ongiva. Imediatamente Staden chamou um ataque aéreo e em seguida Mirages e Impalas atacaram o comboio deixando um rastro de destruição com vários veículos destruídos e em chamas e corpos por todos os lados. Rapidamente os homens do 32 foram ao local e começaram a vasculhar os escombros buscando recolher inteligência. Para sua surpresa encontraram vários corpos de homens mortos usando uniformes soviéticos. Continuando a varredura eles foram alvo de tiros disparados de um curral e responderam o ataque. Após o fogo cessar encontraram no local vários soviéticos mortos, entre eles duas mulheres, e um subtenente sem nenhum ferimento chorando e segurando o corpo da esposa morta. Segundo informações passadas por ele mesmo seu nome era Ensign Nikolai Fedorovich Pestretzoff, era  russo, e trabalhava como mecânico contratado em Ongiva. A tragédia aumentou quando se descobriu que alguns soviéticos mortos tinham seus filhos ao seu lado no momento do ataque. As tropas sul-africanas imediatamente iniciaram grupos de busca, e por vários dias percorreram os campos atrás das crianças, vasculhando nas aldeias e interrogando as pessoas da região. O último ato da Companhia "C" antes de deixar o campo foi resgatar as crianças que tinham descoberto no dia anterior. Depois de alimentá-las, Van Staden viu que elas foram enviadas para Ongiva e colocadas sob os cuidados da população civil que tinham ficado para trás. Pestretzoff foi alvo de uma complicada troca de prisioneiros envolvendo prisioneiros de guerra sul-africanos, dois mercenários americanos capturados, enquanto lutavam para a FNLA em 1975, e um piloto de americano capturado em Angola. Do outro lado estava Pestretsov, dois pilotos soviéticos, três soldados cubanos capturados pela UNITA e cerca de 40 prisioneiros de guerra da FAPLA. Todos foram repatriados através do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

 

O suboficial (sargento-major) Nikolai Vladimirovich Pestretsov, 36 anos, depois de sua captura por homens da Companhia "C"  do Batalhão 32 perto Ongiva (Angola) 21 de agosto de 1981.

Nikolai Vladimirovich Pestretsov com tropas da FAPLA

 

Tinus van Staden, em 1991, agora um tenente-coronel

Uma das tragédias do tempo de guerra se desenrolou quando descobriu-se que alguns dos russos mortos tiveram seus filhos com eles, as tropas sul-Africano imediatamente organizados grupos de busca, e por vários dias percorri o campo que olha para essas crianças, sem sucesso, questionando da população local não produziu resultados, e com relutância das Forças sul-africanos tiveram de abandonar a pesquisa, e deixar as crianças à sua sorte.

 

Um das armas secretas do Batalhão 32 eram os seus rastreadores experientes, o tipo de homem que conhecia o mato africano melhor do que qualquer outro homem ou animal no mundo. Educado na arte de rastreador desde o nascimento e superior a um cão de caça, que detectava a menor variação de perturbação no chão, esses homens levavam as equipes de emboscada para perto dos acampamentos inimigos onde muitos dos guerrilheiros eram mortos enquanto dormiam. Para misturar-se, os membros brancos das equipes de emboscada pintavam toda a sua pela exposta de preto de modo a não delatar a sua tropa de longe durante deslocamentos durante o dia.

 

Bons rastreadores, adaptabilidade, boas táticas e ações agressivas valeram ao Batalhão 32 uma grande vantagem sobre a SWAPO, que sempre infringia a este movimento guerrilheiro consideráveis baixas enquanto as baixas do 32 eram relativamente pequenas. A SWAPO tentava sempre propagar que o Batalhão 32 era o "opressor" devido a sua eficiência brutal, e a quantidade de cadáveres, em sua maioria membros da SWAPO, que eles produziam.

 

Em uma operação típica de infiltração sobre o território angolano, uma companhia do Batalhão 32 de deslocava a pé ou de helicóptero e estabelecia uma Base Temporária (BT) a partir da qual de organizava as patrulhas de reconhecimento. Os pelotões operavam segundo um sistema de rodízio que permitia que a metade dos homens patrulhassem durante dois ou três dias enquanto a outra metade descansava na BT. A medida que os homens iam expandindo a sua área de operação a BT ia se movendo pelo território inimigo. Estas ações podiam durar seis semanas, com os helicópteros tendo a responsabilidade do abastecimento e da evacuação dos feridos. Ao seguir os rastros no meio da selva angolana as tropas do 32 acabavam por encontrar forças inimigas.

 

Membros do Batalhão 32 no solo após uma infiltração com helicópteros Puma SA330 realizada no início da manhã. Observe os militares brancos usado fortes camadas de creme preto para disfarçar a cor da sua pele.

 

Os contatos entre as tropas opositoras aconteciam muito no final da tarde quando os homens do 32 e as patrulhas das FAPLA convergiam ao mesmo tempo e no mesmo lugar para repor suas reservas de água. Com o contato as unidades buscavam perseguir e destruir seus inimigos. Se era a patrulha do Batalhão 32 que tinha a oportunidade de atacar primeiro, o ataque seria iniciado pelo comandante do pelotão ou da companhia. Ele sempre ia a frente e a tropa seguia invariavelmente a ação do seu chefe. O normal é que se limitava a gritar "ATAQUE!" se lançando rapidamente contra a posição inimiga e disparando contra tudo que se movesse. Se supunha que sua tropa sempre seguiria imediatamente atrás dele. E sempre aconteceu assim.

 

Uma prova da eficiência da unidade foi que mesmo sendo mestres da contra-insurgência, a tropa foi acionada com uma força convencional para participar em Angola entre 1987-1988 da batalha de Cuito Cuanavale. Basicamente o objetivo da batalha era parar as tentativas da FAPLA, apoiada fortemente por tropas cubanas, de destruir as forças da UNITA. A furiosa batalha durou cerca de seis meses, e foi a maior batalha no continente africano desde a Segunda Guerra Mundial.

 

Já durante a Operação Modular de 1987 o Batalhão 32 já era considerado um Batalhão Mecanizado. Em 1983 tinha sete Companhias, um Pelotão de morteiros e um destacamento de reconhecimento. Em 1984, recebeu o Ratel 90, lança-foguetes Valkirie de 127mm, morteiro M-5 de 120mm, canhões antiaéreos de 20mm, uma Companhia de apoio com canhões sem recuo de 106mm, morteiros de 81 mm, e lança-mísseis Milan.

 

Entre as várias ações desenvolvidas na batalha os sul-africanos destacaram equipes dos Recces e do Batalhão 32 para iniciarem ações de incomodação e emboscadas nas linhas de comunicações entre Menongue e Cuito-Cuanavale. Os Recces e as tropas do Batalhão 32 também foram usadas para reconhecimento e emboscadas. Indicavam alvos para a aviação de ataque e as brigadas inimigas foram atacados pelos Camberras (69 saídas), Buccaneers (37 saídas), Mirage F1CZ (33 saídas), Mirage F1AZ (171 saídas) e Impalas (241 saídas). A precisão da artilharia também contribuiu, forçando a retirada das tropas inimigas para Cuito-Cuanavale. As vezes se usavam pelotões do Batalhão 32 para prover segurança para as eficientes baterias dos canhões G-5 da SADF. Um destacamento do Batalhão 32 passou a agir atrás das linhas inimigas para atrapalhar as linhas logística a leste de Cuito-Cuanavale sendo denominado de Task Force Delta.

 

O resultado da dura batalha meses depois foi a sobrevivência da UNITA, a perda da SWAPO de suas áreas de refúgio e a FAPLA sofrendo sua maior derrota. Cubanos e angolanos contaram uma versão diferente da batalha.

 

Armamentos e uniformes

A maioria das armas do Batalhão 32 eram de fabricação soviética ou chinesa, todas capturadas das forças inimigas, fossem tropas cubanas, da FAPLA ou da SWAPO. Eles tinham por exemplo canhões antiaéreos ZU-23-2 de 23 mm e centenas de AK-47s. Angola acabou sendo o maior fornecedor de armas da África do Sul devido ao embargo internacional.

 

 

Artilheiro da Ala Recce, do Batalhão 32 - Angola, 1980
Além do uniforme de camuflagem específica esse artilheiro usa um conjunto de bolsas no peito para carregar pentes de munição no estilo "Chi-COM". Neste caso a bolsa é de tecido verde, são três grandes bolsas dianteiras e as duas mais pequenas em cada lado fechadas com fechos de velcro. Seu cinto tem bolsos que suportam vários tipos e tamanhos de
pentes de origem diversas como do Ocidente, Bloco Oriental ou das SADF, neste caso, eles acomodam pentes de 75 cartuchos de sua metralhadora leve RPK de 7,62 mm. Sua mochila Bergen é preparada para levar mantimentos para várias semanas no mato. 

 

Seus uniformes apesar de fabricados na África do Sul se assemelhavam muito com os uniformes portugueses e aos usados pelas FAPLA, ou eram uma miscelânea de peças militares de várias fontes. Somente as tropas do Batalhão 32 e dos Recces usavam uniformes camufladas, as demais tropas da SADF usavam o uniforme padrão cor cáqui.

 

As peças dos uniformes do Batalhão 32 não tinham etiquetas ou distintivos. Suas botas eram do tipo "operações especiais" feitas de lona e coura, o cinturão usado era de fabricação própria adequado para levar vários pentes de AK-47. Uma patrulha do Batalhão 32 vista de longe não podia ser distinguida como uma unida da SADF e podia muito bem ser confundida com uma força angolana. Se por acaso não fosse possível ao Batalhão 32 carregar um dos seus soldados mortos em combate uma verificação de seu uniforme e armamento não poderia ligá-lo a África do Sul mantendo assim o sigilo sobre as operações da unidade em solo estrangeiro.

 

Desmobilização

 

A década de 1990 viu o Batalhão 32 maior em tamanho, porém este viu menos ação devido à independência da Namíbia, em 1989, e a dissolução da União Soviética em 1991. Ao término de seu tempo na Namíbia, a unidade tinha desenvolvido em um grupo de batalha convencional. Além das companhias de infantaria e a companhia de Recces, o batalhão foi fortalecido por uma bateria de morteiros M-5 de 120 mm, um esquadrão de Ratel ZT-3 e destruidores de tanque de 90 mm e uma tropa de armas anti-aeronave de 20 mm montadas em veículos de infantaria Buffel. Embora a maior parte do batalhão estivesse em Okavango, o QG estava em Rundu, a 200 km para o leste. A retirada sul-africana da Namíbia em 1988 e o fim da guerra de fronteira contra Angola tiraram o 32º da África do Sudoeste. A unidade foi retirada para África do Sul. Nesse ponto da história da África do Sul, parecia que nada poderia manchar as realizações do 32.

 

A base do batalhão foi transferida para a cidade de Pomfret, próximo de Pretória, no desértico solo sul-africano junto à fronteira com Botswana. Dali, "Os Terríveis" partiriam para uma última e desagradável missão que acabaria por custar a sua existência: apagar o fogo da rebelião negra contra o regime. O 32º cumpriu mais uma vez a sua missão e impôs com os seus métodos "diretos" a ordem do apartheid nos redutos negros. Em 08 de abril de 1992 membros do Batalhão 32 foram envolvidos em um incidente em Phola Park, Gauteng, onde civis foram baleados e mortos quando tropas do 32 usaram munição real contra vários civis. Imagens de mortos no chão mostradas pela televisão, justamente num momento de transição delicada do poder no país exigiu a criação de uma comissão investigativa. Mandela e do do antissegregacionista Congresso Nacional Africano (ANC) pressionavam pelo rigor nas apurações. Os resultados da investigação concluíram que uma atrocidade tinha sido cometida.

 

Em 1993, com Mandela já livre e o mundo focado na transição para a democracia multirracial na África do Sul, o ANC pôs como condição para negociar com o presidente Frederik Willem De Klerk o desmantelamento do 32º. E De Klerk aceitou. O Batalhão 32 foi desmantelado no dia 26 de março de 1993 em cerimônia cheia de tensão realizada em Pomfret, onde ficaram sem trabalho e futuro os angolanos e suas famílias. O comandante do batalhão, Louis Bothma, recriminou De Klerk pela "traição" e entregou-lhe no Parlamento, através de um deputado, 30 moedas de prata, como as de Judas por vender Jesus Cristo.

 

O 32º não foi um contingente militar a mais das SADF, mas a Legião Estrangeira do Exército sul-africano, formada por cerca de mil fuzileiros, a maioria angolanos que faziam juramento em português antes da batalha. "Acho que o Batalhão 32 foi uma das melhores unidades de infantaria leve de todo o mundo, provavelmente a melhor. Tinham um nível de experiência altíssimo", afirmou Helmoed Heitman, correspondente na África do Sul da revista militar Jane. O 32 foi uma das unidades mais condecorados durante a guerra de fronteira Sul-Africano, com um total de 13 Honoris Crux medalhas por bravura atribuídas aos seus membros, perdendo apenas para a Brigada de Forças Especiais do Sul Africano, cujos membros foram agraciados com 46 medalhas Honoris Crux durante no mesmo período.

 

Depois da sua dissolução, em 1993, muitos dos soldados do "Batalhão Búfalo" foram forçados a viver na vila de Pomfret, no Cabo do Norte, em condições pouco dignas e sujeitos aos efeitos terríveis dos depósitos de amianto de minas vizinhas entretanto desativadas. Os mais graduados e um pequeno grupo dos "rasos" envolveram-se nos anos seguintes em aventuras militares por toda a África e até em outros continentes, vendendo a governos e organizações mercenárias as "artes da guerra" ensinadas pelos militares sul-africanos. Os restantes, empobrecidos e desenraizados, travaram uma batalha pela sobrevivência em Pomfret. Muitos se consideravam vítima de uma alegada vingança do ANC, que hoje governa o país, pela sua colaboração ao antigo regime do "apartheid".

 

Fontes:

http://www.32battalion.net/

http://noticias.terra.com.br/mundo/africa/legiao-estrangeira-do-apartheid-falava-portugues,a80032132e9fe310VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html

http://specialoperations.com/28703/terrible-ones-south-africas-32-battalion/#ixzz3JJpN2fIR

Coleção Cuerpos de Elite Contra todo Riesco

http://www.veteranangola.ru/main/other_side/hooper

http://survinat.com/2012/03/executed-in-pretoria-on-wednesday/

http://angolaterranossa.blogspot.com.br/2010/12/tropa-de-abril-uniao-sovietica-mpla.html

 


Free web templates by Nuvio – Our tip: Webdesign, Webhosting