Perfil da Unidade

RECCES COMMANDOS - ÁFRICA DO SUL


A África do Sul tem uma longa tradição em forças especiais. Já durante a Guerra dos Bôeres (1899 a 1902) as forças de Pretoria deram muita dor de cabeça ao império britânico. Realizando operações de penetração profunda e sabotagem os kommandos boeres desequilibraram o conflito em favor dos rebeldes durante muito tempo. A primeira unidade de reconhecimento formada na recém-criada África do Sul surgiu no período da I Guerra Mundial, e participou de operações contra os alemães na África Sudoeste. Mas foi durante a II Guerra Mundial que a forma de lutar como commandos dos sul-africanos se distinguiu, particularmente daqueles que operaram junto ao SAS, Serviço Aéreo Especial, e do LRDG (Grupo de Longo Alcance no Deserto) no Norte da África. 

Boer Commando em 1899 armado com um fuzil Mauser de 7mm.

Quando a ameaça militar contra a África do Sul tomava impulso na década de 70, o Exército desse país tratava de se preparar contra um inimigo incansável. Apesar do seu acordo com o governo de Moçambique, o conflito com outros vizinhos e com os movimentos de libertação da maioria negra prosseguiu ameaçador. As numerosas operações militares internas e externas em que se envolveu levaram as Forças de Defesa da África do Sul a desenvolver algumas unidades especiais, entre elas o 32° Batalhão, composto em certa época quase que inteiramente por dissidentes angolanos. Mas a principal força de elite criada foi o Comando de Reconhecimento em 1972 em Outdshoom, onde existia uma escola de infantaria. 

O Comando de Reconhecimento ficou conhecido como "Recce Comandos" ou apenas "Recces", e assim nascia uma lenda. Na verdade, até hoje, todos os operadores das forças especiais sul-africanas são conhecidos mundialmente como "Recces".

Em 1975 a unidade foi transferida par a Durban. O 1° Reconnaissance Comando era uma unidade aerotransportada  enquanto 5°, criado em 1976 era uma unidade especial que possuía uma grande quantidade de soldados negros.

Em 1978 que foi criado o 4° Reconnaissance Comando baseado em Langebaan, no sul do país, era especializado em operações marítimas. Estas unidade em 1979 foram unidade em uma regimento. Durante os conflitos das décadas de 70 e 80 os "recces" se distinguiram em muitas ações, particularmente em Moçambique, Angola e Namíbia, através de operações de sabotagem e reconhecimentos profundos.

Em 1991 com o fim da guerra em Angola às forças especiais sofreram uma reorganização, passando a serem subordinadas diretamente ao Chefe-de-Estado-Maior. Em 1993 sofreram uma reforma mais profunda com 1°, 4° e 5° Regimentos sendo renomeados de 451°, 452° e 453° Batalhões de Pára-quedistas, formando a 45ª Brigada Pára-quedistas. Nova mudança acontece em 1995 com a criação da Brigada da Forças Especiais, voltando a existência do 1°, 4° e 5° Regimentos.

Em 1997 o 1° Regimento (que era responsável pelo recrutamento e treinamento) foi desativado e os dois restantes ficaram responsáveis pelo seu próprio treinamento. O 2° e 3° Regimento são constituídos dos elementos da reserva. Hoje as Forças Especiais Sul-Africanas estão organizadas em uma Brigada com setores navais (4º) em Langebaan e terrestres (5º) e em Phalaborwa. Ao 5º está adicionada uma unidade de manutenção, a 1ª Unidade de Manutenção em Wallmansthal. Cada Regimento é constituído de uma unidade de treinamento e três companhias de combate, "commandos", e cada uma tem uma especialidade predominante. O Q-G da Brigada das Forças Especiais, está sediado em Voortrekkerhoogte.

Até pouco tempo atrás os "Recces" raramente eram citados em documentos oficiais e quando isto acontecida, raramente era existia uma foto e se ela aparecesse o operador estaria com uma tarja negra no rosto. Os Recces, compõem hoje a elite das forças armadas da África do Sul. São formados por pequenas unidades altamente especializadas, treinadas em guerra não-convencional, cuja missão consiste em operar profundamente no território inimigo, recolhendo informações, rastreando tropas e destruindo de alvos considerados estratégicos para a segurança da África do Sul. Podem ser comparados a unidades criadas por outros países para executar tarefas difíceis e perigosas, como o Special Air Service inglês, os Seals Teams americanos, o Sayeret MATKAL israelense e os antigos Selous Scouts rodesianos. 

Todos os soldados "Recces" são pára-quedistas, qualificados em técnicas de queda estática e livre, e muitos deles capazes de saltos HALO. Uma parte também é treinada em operações embarcadas, incluindo nado subaquático. Infiltração, rastreamento e sobrevivência na selva são essenciais no treinamento, além das técnicas comuns a forças especiais, como o uso de explosivos, rádio e armas inimigas e o combate desarmado. Estão habilitados para operações anti-terroristas e de contra-insurreição.Recebem também treinamento Eles também recebem noções de enfermagem.

                      4° Regimento           5° Regimento      1ª Unidade de Apoio

Assim, os elementos que integram os Recces são também muito especiais. Treinados individualmente e em pequenos grupos, a fim de operarem em condições difíceis e com pouco apoio, esses homens desenvolvem habilidades não encontradas entre os soldados comuns das forças armadas. HOMENS DO 4º REGIMENTO EM TREINAMENTO

Dos comandos participam apenas os melhores e mais capazes de enfrentar com sucesso as situações de alto risco a que são submetidos em ação. Motivação e determinação são requisitos indispensáveis à superação das duríssimas provas de seleção e treinamento. Mas, no final, e aliás como acontece em todas as forças de elite, os homens ficam realmente satisfeitos por alcançarem os altos padrões estabelecidos e por pertencerem a um grupo distinto, reconhecido pela sua excepcional qualidade militar.

O pequeno contingente naval aglutina dois componentes. O transportado por navio é treinado para proteger unidades mercantes e da Marinha, estacionadas nos portos, e dispõe também de uma capacidade ofensiva clandestina contra navios inimigos. Para executar essas tarefas, seus integrantes aprendem a mergulhar e a manipular minas e explosivos.O segundo componente é constituído de um grupo de fuzileiros navais, que opera a partir de embarcações de superfície e submarinas. 

Pode, por exemplo, colocar equipes de combate na praia, a fim de colher informações ou atacar o inimigo, que são depois reconduzidas às embarcações, utilizando barcos infláveis, ou deixadas em terra para encontrarem um meio de atravessar o campo e unirem-se às forças terrestres. Todos os elementos das Forças Especiais Navais são exímios nadadores, e uma parte deles é treinada também em pára-quedismo. O grupo terrestre, maior, é composto pelos Comandos de Reconhecimento (Recces), núcleo das Forças Especiais.

SELEÇÃO

São requisitos indispensáveis ao candidato:

  • Ser cidadão sul-africano.

  • Voluntário.

  • De preferência solteiro

  • Ter um elevado potencial de liderança

  • Haver alcançado um nível razoável de educação escolar.

  • Não ter registro criminal

  • Dispor de força e condicionamento físicos extraordinários.

  • Ter pelo menos um ano de serviço em alguma unidade das Forças de Defesa Sul-Africanas (SADF) ou em algumas unidades policiais.

  • Deve ser saudável (são realizados teste de hepatite e AIDS).

  • Se oficial não ter chegado ao posto de capitão.

  • Deve falar pelo menos duas línguas além do inglês. O que é normal para um país que tem uma dúzia de línguas oficiais. "Aqui se falam 36 línguas africanas. A maioria dos recrutas de cor falam o inglês e uma língua Africana, os recrutas brancos falam o inglês e o afrikaans, uma língua próximo ao antigo Holandês que foi introduzida pelos primeiros fazendeiros vindos da Europa que se instalaram aqui'. (Comentário de um operador "recce").

  • Ter idade entre 18 e 36 anos. 

O Treinamento dos Recces consiste:

 

1. Entrevista, exames médicos,  psicológicos e psiquiátricos

(1 dia):

 

Todos são rigorosamente examinados por uma comissão, com o objetivo de verificar se os voluntários estão acima da média física, psicológica e intelectual, antes de serem admitidos para um exame de pré-seleção e a uma série de testes rigorosos, destinados a eliminar os candidatos que não atendam aos altos padrões exigidos, como suportar a tensão das operações prolongadas atrás das linhas inimigas. Estes testes são semelhantes aos aplicados no processo de seleção inicial dos especialistas em desmontar bombas do British Royal Army Ordnance Corps, e tem por objetivo eliminar pessoas impulsivas e com tiques nervosos. Na entrevista o candidato deve convencer a comissão de que seria uma boa aquisição para os "recces" e que se ajustaria perfeitamente como membro da Brigada. Normalmente apenas 30% dos candidatos passam por esta fase.

 

 

2. Uma fase de pré-seleção (3 dias):

Os candidatos devem realizar proezas físicas como oitenta abdominais em dois minutos, cinqüenta flexões contínuas no solo e oito na barra, correr 200m em um minuto carregando um homem nas costas, fazer um cross-country de 5 km em vinte minutos, e uma marcha de 15 km carregando um peso de 30 kg, em duas horas. 

 

3. Orientação sobre Forças Especiais (três a seis semanas):

A primeira semana é dedicada ao conhecimento da vida selvagem e a sobrevivência na selva. Os alunos são dividido em grupos de 8 e, no início recebem rações para quatro. O conhecimento adquirido deve ser posto em prática sem vacilações. 

Na segunda semana, o curso contínua e as rações são ainda menores em quantidade: duas para oito soldados. Ao mesmo tempo, eles têm que realizar alguns exercícios de rastreamento e despistamento. TREINAMENTO DE SOBREVIVÊNCIA NA SELVA

Todos são rigorosamente examinados por uma comissão, com o objetivo de verificar se os voluntários estão acima da média física, psicológica e intelectual, antes de serem admitidos para um exame de pré-seleção e a uma série de testes rigorosos, destinados a eliminar os candidatos que não atendam aos altos padrões exigidos, como suportar a tensão das operações prolongadas atrás das linhas inimigas. Estes testes são semelhantes aos aplicados no processo de seleção inicial dos especialistas em desmontar bombas do British Royal Army Ordnance Corps, e tem por objetivo eliminar pessoas impulsivas e com tiques nervosos. Na entrevista o candidato deve convencer a comissão de que seria uma boa aquisição para os "recces" e que se ajustaria perfeitamente como membro da Brigada. Normalmente apenas 30% dos candidatos passam por esta fase.

A partir da terceira semana, são introduzidos em uma zona diferente para terminar os seus exercícios táticos. Na realidade as operações dos "recces" podem durar muito tempo e o perigo de contato com o inimigo é uma realidade. Assim sendo os riscos de uma captura tornam-se muito altos, e é por isso que é dado um cuidado todo especial a técnicas de fuga e evasão e resistência a interrogatórios.

"Dedicamos uma importância especial à resistência aos interrogatórios. No curso do treinamento, um longo tempo e destacado a este problema de maneira que o operador possa ter uma idéia de que é ser capturado, caso isso venha a acontecer. Algumas vezes os alunos são presos com um saco na cabeça. Permanecem assim durante horas sem poder falar. É ai que verificamos sua resistência ao claustrofobia e, de tempos em tempos nós jogamos  água fria em alguém escolhido ao acaso. Os nervos dos companheiros que estão a sua volta são postos à prova." (Comentário de um operador "recce").

Estas duas fases tem basicamente dois objetivos: primeiro eliminar candidatos fracos, física e psicologicamente, e em segundo lugar condicionar os os mais fortes para as difíceis fases seguintes. Pois a pressão psicológica e o desgaste físico são intensos. Normalmente apenas um terço dos candidatos passam para a fase de seleção.

4. Seleção (três dias):TESTE DE SELEÇÃO - PROVA DE RESISTÊNCIA

O processo de seleção inclui três dias da sobrevivência e do treinamento da orientação nas savanas.  As rações, a água e o sono são limitados pelos instrutores.  Na verdade eles nem comem nem dormem. O treinamento físico é contínuo e os candidatos são testados freqüentemente.  Eles são acompanhados todo tempo por Operadores Qualificados e psicólogos, que os monitoram constantemente. Testes psicométrico (baseado em
psicometria, testa a capacidade mental e racional por meio de
provas e testes) são aplicados aos candidatos a qualquer momento desta fase.

 

Qualquer candidato que apresenta sinais de agressão pública, hostilidade, inabilidade para trabalhar em equipe ou que apresenta outra características indesejáveis são imediatamente eliminados por um dos Operadores qualificados ou psicólogos.

 

Eles  são avaliados sobre a sua capacidade de adaptação, disciplina, habilidades de navegação,  medo de animais ou de situações, o cuidado com as armas e o equipamento,  memória, poder de observação e a sua  habilidade em mover-se na mata. Observa-se também a capacidade do trabalho em equipe. 

 

"No primeiro dia eles estão cansados. Ao fim do segundo eles estão exaustos. Ao terceiro assemelham-se ao zumbis. Pensam só em descansar e comer. É então que é analisada a variação de sua personalidade." (Comentário de um operador "recce"). 

 

A seleção é montada para levar os candidatos ao extremo da resistência, em que a força física não é determinante, mas a determinação mental de cumprir uma missão. Uma vez superada a barreira do estresse e do cansaço, o candidato é capaz de continuar e vencer esta fase a despeito de qualquer pressão.

 

TREINAMENTO DE GUERRA URBANAPoucos são os homens que conseguem ser aprovados nesta fase. Já ocorreram ocasiões em que nenhum candidato foi aprovado, ou no máximo um ou dois.

 

Até 1988 cerca de 100.000 homens participaram das entrevistas iniciais para se tornaram operadores. Apenas 480 concluíram a fase de seleção.

 

Até o inicio de 2003 apenas cerca de 900 homens se qualificaram como operadores das Forças Especiais sul-africanas, menos do que aqueles que venceram o Monte Everest.

 

5. Treinamento (42 semanas):

Esta é uma fase individual.  Aqueles que não pára-quedistas fazem um curso de pára-quedismo; há  treinamento em armas (estrangeiras e instrução de armas de pelotão) sobrevivência, guerra urbana, guerra rural e treinamento com  veículos em  movimento; operações anfíbias (instrução com pequenos barcos, mergulho básico, natação, e sobrevivência naval);  operações aerotransportadas e helitransportadas (saltos estáticos de pára-quedas, salto controlado, descida de helicópteros por rapel);  treinamento básico com explosivos.

O curso de pára-quedismo é uma prova particularmente difícil. Formam-se apenas entre 50 e 60°/o dos jovens que iniciam o curso do Valkskermbataijon, no regimento de pára-quedistas sul-africano. Durante as duas semanas iniciais, os homens fazem dez períodos de exercícios por dia, com duração de quarenta minutos cada, que incluem treinamento de resistência e musculação em alto grau. Além do processo de enrijecimento físico, são realizadas marchas aceleradas cada vez mais longas, aumentando de 5 em 5 km, até 25 km, carregando equipamento completo. Integra o curso o temido exercício de andar pela praça de ar­mas segurando um "mármore" — um bloco de cimento de 25 kg — acima da cabeça.TREINAMENTO DE PÁRA-QUEDISTAS RECCES O treinamento em pára-quedismo propriamente dito é a última etapa. Os alunos devem realizar 20 a 30 saltos de aviões como o C-130, o CASA-212, e o veterano C-47 DAKOTA. Mais tarde alguns iram se especializar em saltos HALO (salto a elevada altitude e abertura a baixa atitude)e HAHO (salto a elevada altitude e abertura a alta atitude). Muito intenso também é o treinamento em operações helitransportadas. 

De um corpo de quinze oficiais do Exército sul-africano treinados em Abingdon, na RAF, em 1960, surgiu o 1.° Batalhão de Pára-Quedistas sul-africano, baseado em Bloemfontein, que fornece grande número de soldados Recces. As técnicas fundamentais de pára-quedismo são as mesmas no mundo todo, mas os Recces, tendo feito os primeiros saltos de cabos estáticos presos a 150 m de altura, passam a se especializar em queda livre. Depois, alguns tornam-se peritos em saltos de grande altitude.Embora os processos de seleção e treinamento básico dos Recces sejam muito semelhantes aos dos SAS, o treinamento e a atividade posterior têm maior afinidade com os antigos Selous Scouts, que também operavam em condições ambientais semelhantes. É interessante destacar que muitos dos Selous Scouts que foram recrutados do SAS britânico ou rodesiano, quando da formação da unidade em 1974, juntaram-se aos Recces depois que a Rodésia, independente, tornou-se o Zimbábue. 

O 4° Regimento que é responsável pelas operações anfíbias e subaquáticas, treina intensamente com botes e kayaks, além do mergulho. O 4° Regimento é sem dúvidas a melhor unidade em sua especialidade de toda a África. Acredita-se que o seu treinamento está baseado nos padrões do SBS, unidade de elite dos Reais Fuzileiros Navais britânicos.

As técnicas da navegação são ensinadas e os estudantes são requeridos a  navegar através dos pântanos e canais.  Vários exercícios de fortalecimento físico e de resistência são realizadas como corridas e marchas forçadas  sobre a areia carregando pesos.  As qualidades do trabalho em equipe e de liderança são sempre observados pelos  instrutores. Os candidatos são testados também em sua habilidade de trabalho sob o stress, resistência ao frio, o adaptabilidade, vigor físico, coordenação e a aptidões em geral.   Eles são testados freqüentemente para em suas habilidades psicológicas, físicas, e psico-motoras e a habilidade de raciocinar de forma ordenada e reagir em sob pressão.

 

Os alunos sempre participam de exercícios táticos muito práticos e realistas: eles são libertados num ponto A e devem alcançar um ponto B, superar inúmeras dificuldades, e lançar um ataque contra um ponto C. No curso de treinamento os candidatos sempre são seguidos dos instrutores e reconhecidos por um número nas costas.

"Muitas vezes o treinamento é executado perto de algumas bases militares. Os recces tem a missão de capturar algum pessoal sem atrair a atenção e adquirir informações sobre o objetivo” (Comentário de um operador "recce"). 

Durante o conflito contra Angola os candidatos recebiam a tarefa de executar um ataque real contra uma posição inimiga. E há, claro, um treinamento completo com armas, tanto sul-africanas como também de outros países, e exercícios conjuntos com grupos aéreos de apoio. Os que falham em qualquer das etapas — o que acontece em grande proporção — são devolvidos às unidades de origem ou  mandados para o corpo de serviço técnico, como sinalização, material bélico, serviço secreto ou polícia militarATIRADOR DE ELITE RECCE

Uma fase extrema de testes começa com uma marcha forçada de 38 kms.   No meio da marcha é  permitido aos soldados encher seus cantis de  água, enquanto os instrutores tentam convencê-los a abandonar o curso oferecendo alimento ou bebidas geladas.  Quando os homens se aproximam do seu destino eles recebem  rações que foram feitas não-comestível e embebidas em óleo diesel.  Uma variedade de torturas psicológicas adicionais são realizadas pelos  instrutores, para testar os candidatos e sua força de vontade.   Isto pode parecer cruel, mas todos são voluntários, e a segurança dos homens é assegurada pela presença de médico, oficiais treinados, e  psicólogos que monitoram cada etapa do processo e o que cada candidato faz.  

Quando os homens chegam ao final, todos pensando em descansar,   uma ordem nova ordem de marcha é dada: mais 30 kms devem ser completados.  Aqueles que prosseguem são torturados com mais ofertas de alimento e bebida assim como o transporte de volta para base.      

Os alunos podem "ser capturados" e tratado como prisioneiros pelos instrutores vestidos como terroristas, ou têm que resolver enigmas e quebra-cabeças quando estão esgotados e famintos.

Aqueles que terminam esta fase são considerados "operadores", ao que aqueles que falham em algum ponto são enviados de a outras unidades do SADF, sem nenhuma desonra. No fim do curso dos 300 iniciantes somente 15 são recebidos no Regimento. Eles recebem então bonificações adicionais por cada especialização adquirida, e pagamento extra durante as operações. Se um Recce chega ao posto de sargento, pode candidatar-se a oficial. 

Especialização:

OPERANDO NAS SAVANAS AFRICANAS - FUZIL R-4"Nossa especialidade, é a penetração profunda na mata, atrás das linhas inimigas, através de pequenos grupos táticos de operação com a tarefa de adquirir informações estratégicas. Algumas vezes o destacamento infiltrado "Recce" pode participar de um ataque contra objetivos de grande valor ou alvo de ocasião." (Comentário de um operador "recce"). 

Normalmente os "recces" trabalham em equipes de 5 ou 6 homens, mas podem operar também em pares, visto que cada operador sabe perfeitamente o escopo geral de cada missão: infiltração, reconhecimento, sabotagem, etc.

"Colocamos um destaque especial no conhecimento do ambiente onde vamos operar. O operador deve conhecer bem a mata se não quiser sofrer, e comprometer a sua missão." (Comentário de um operador "recce").  

Existem vários cursos em que os recces podem se especializar: sabotagem, rastreamento, comunicações,  instrutor de mata, salto de pára-quedas especializado (HALO/HAHO), fotografia clássica, eletrônica ou atirador de elite. As operações em zona urbana também são uma grande preocupação. Quando África do Sul teve que lutar contra as infiltrações de terrorista Namíbia, alguns ataques realizados pelos "recces" se desenvolveram em ambientes urbanos onde o ANC tinha as suas bases. Hoje o contexto político é muito diferente,  mas a experiência adquirida está sendo aplicada em operações conjuntas com a polícia sul-africana em regiões urbanas do país.

 

As técnicas de luta urbana são aprofundadas num curso da duração de 6 semanas: "por exemplo, nós nossos operadores são ensinados a saltar de automóveis em movimento, escalar um elevador, adquiri informação sobre a operação de aeroportos, todas as coisas que podem ser úteis em operações em áreas urbanas". Existi um curso de 6 semanas que é dedicado às tecnologias de comunicação, inclusive usando satélites de comunicação.

 

APTOS A OPERAR PRINCIPALMENTE NA ÁFRICA

O FANTÁSTICO VLERMUIS

O fantástico veículo dos Recces - O VLERMUIS

 

"A ESSÊNCIA do nosso treinamento é a preparação para o emprego operacional em terras africanas. Embora sejamos treinados também para operações em montanhas nós não temos um treinamento específico para as operações em montanha elevadas ou em zonas de gelo e frio extremo." (Comentário de um operador "recce").

 

Os "recces" preferem desenvolver as qualidades que são essenciais para o seu ambiente operacional natural, as savanas africanas.

 

Lendários em logos reconhecimentos, os "recces" não os fazem apenas a pé. Hoje eles dispõem de uma família tática de veículos especialmente desenvolvido para as forças especiais sul-africanas: O Vlermuis,  morcego em afrikaans. Estes veículos foram projetados para se desenvolver plenamente no difícil solo africano. O Vlermuis pode ser lançado de pára-quedas ou aerotransportado no interior de um cargueiro militar ou transportado em um gancho de helicóptero, como o Puma/Oryx. Os dois principais papeis do veículo são: apoio de fogo e transporte de tropas. Como apoio de fogo pode levar um canhão sem recuo de 106 mm, armas anti-carro e morteiros de 60 e 81 mm. Pode ser armado também de um canhão de 20 mm ou um múltiplo lançador de de 107 mm. Na versão básica de transporte de tropa, pode acomodar bem oito soldados além do piloto, o que é  se considerado que não é um veículo longo, com apenas 3,20m de cumprimento. O seu armamento básico inclui: uma metralhadora .50 pol. na parte frontal ao lado do motorista e um par geminado de metralhadoras MG4 de 12,7 mm na parte superior. Com o tanque de 80 litros e três barris de 20 litros tem uma autonomia de 800 km. 

 

Embora a geopolítica africana tenha mudado principalmente a partir dos anos 90, os "recces" ainda são empregados nos velhos teatros operacionais, só que agora como parte de forças aliadas. Além de trabalhar ao lado da polícia, freqüentemente os "recces" intervem a favor da comunidade civil e, ainda, participa de exercícios conjuntos com outros países. Elementos do 4° Regimento já foram enviados a Tanzânia onde participaram em de exercícios no grande lago de  Tanganika. Ao mesmo tempo elementos do 5° Regimento participaram de exercícios militares regionais no Zimbábue. O mesmo Zimbábue que durante muitos anos foi teatro de vários ataques bem-sucedidos dos "recces".  

 

COMBATES

Dezembro de 1987. Bem camuflado em seu posto de observação o capitão F. das Forças Espciais  da SADF observa de uma árvore o que acontece ao seu redor, enquanto uma parte de sua equipe descansa da vigília da noite passada. 

A cerca de 100 metros soldados da 21ª Brigada das FAPLA (Forcas Armadas de Libertação de Angola, o braço armado  do MPLA) estão solidamente entrincheirados diante da linha de frente das forças sul-africanas que entraram no país para se contraporem aos 10.000 soldados cubanos e alguns milhares de soviéticos. 

Capitão, Comandante de Cia, do

32º Batalhão, Operação Super, Angola - 1981. Este militar sul-africano está armado com um fuzil AK-47 e usa um uniforme similar ao usado pela FAPLA. Os Recces prestavam apoio as ações do 32º Batalhão.

Depois de vários dias de observação o oficial sul-africano alcança o que procurava, consegue identificar claramente as posições camufladas da 21ª Brigada. Ele notou que todos os dias vários soldados angolanos iam até o rio para se lavar. Esta manhã eles são cerca de 45, e estão todos juntos. 

E são um bom alvo. Apertando os botões de seu rádio, o capitão F. transmite as coordenadas para uma bateria de G-5 sul-africanos que está escondida a mais de 30 kms de distância mais para sul, caem sobre a margem do rio. Menos de seis minutos depois impactos certeiros caem sobre os angolanos  que estão na margem do rio com uma precisão mortal.  Os "Recces" golpearam mais uma vez!.   

Os Recces foram continuamente empregados nos conflitos prolongados contra os guerrilheiros da SWAPO, em Angola nas décadas de 70 e 80. Participaram da Marcha de Angola, em 1975-1976. Em 1979 o Recces participou da operação Staffrron, em resposta a vários ataques da SWAPO. Em 1980 participaram das grandes operações "Sceptic" e "Smokeshellbasis". Em 1981, envolveram-se nas missões "Protea" e "Daisy" e participaram de um grande número de operações clandestinas de curta duração, caracterizadas por ataques do tipo atirar-e-destruir, chegando a seus objetivos de pára-quedas, a pé, em veículos, a cavalos, de helicóptero ou pela água. Em 1982 participaram da operação Mebos que foi a mais bem sucedida operação contra a SWAPO, realizada pelos "recces". Eles Penetraram profundamente em Angola e destruíram o Q-G dos guerrilheiros.

Na operação Askari, em Dezembro-Janeiro de 1984, os Recces cortaram as linhas de suprimentos da SWAPO com Angola. Em muitas destas operações cavalos foram usados como transporte. Os Recces brancos usavam a base de uma unidade de apoio de vanguarda durante as operações prolongadas, mas, nos rápidos ataques de remoção, saltavam de pára-quedas, vindos diretamente de sua própria base, e retiram-se assim que a missão está terminada. As tropas Recces negras operam como unidades independentes, em pequenos grupos.Quando atuavam em áreas totalmente povoadas por negros, as tropas brancas se disfarçavam, escurecendo as partes expostas da pele. Em algumas ocasiões, as equipes entravam em ação disfarçadas de grupos guerrilheiros, levando armas soviéticas, como metralhadoras RPD ou AK47. Alguns Recces empregavam metralhadoras FN MAG de 7,62 mm, mas a maioria usava o fuzil FN/FAL NATO, com cabo dobrável. Na cintura, portavam uma faca, um cantil, rações desidratadas para dois dias, sacos de munição e artigos para primeiros socorros. Os Recces levavam 2-3 vezes mais munição que as forças comuns.

Os Recces sul africanos, durante a "Bushwar", levavam cerca de 7-12 carregadores de fuzil, mais um para a metralhadora ou lança-granada adicional com 20 tiros. Sempre levam granadas de mão e granadas de fumaça para sinalizar e explosivos. Sem apoio ou se for demorado levam ainda mais armas e munições e mais pesadas como duas metralhadoras.

O peso das mochilas dos Recces geralmente pesava entre 60kg a 80kg. Para operações longas com pequenas equipes o peso chegava até a 100kg. A mochila mais pesada chegou a 130kg. Os operadores realizam longos deslocamentos. Uma meta não oficial de deslocamento era o "Gunston 500". Este era atribuído aos operadores que realizaram missões atrás das linhas inimigas, caminhando 500km ou mais com kit completo. A maioria dos operadores completou um ou mais "Gunston 500" durante o conflito angolano.

Em suas operações atrás da linhas inimigas em Angola os operadores "Recces" deixavam a sua barba e seus cabelos crescerem por uma questão de se ter pouca água a disposição e porque isso também ajudava na camuflagem, pois a barba surja na reflete a luz. As missões tinham uma média de duração de 9 a 10 meses por ano. Muitos operadores fizeram isso durante 10 a 15 anos.

O peso das mochilas durante este conflito era de 60kg a 80kg. Para operações longas com pequenas equipes o peso chegava até 100kg. A mochila mais pesada chegou a 130kg. Os operadores realizam longos deslocamentos. Uma meta não oficial de deslocamento era o "Gunston 500". Este era atribuído aos operadores que realizaram missões atrás das linhas inimigas, caminhando 500km ou mais com kit completo. A maioria dos operadores completo um ou mais "Gunston 500" durante o conflito angolano. 



Operador Recce da África do Sul descansa durante uma missão em 1982. Os operadores Recces usavam de uma série de artifícios para não chamarem a atenção durante suas missões nas savanas africanas. A começar pelo disfarce da sua pele branca com um creme de camuflagem. Ele também usa um mistura de trajes militares, sua camiseta é de padrão de camuflagem alemão oriental e sua calça imita a camuflagem cubana. Ele está armado com um fuzil AK-47 de fabricação soviética.

O peso das mochilas durante este conflito era de 60kg a 80kg. Para operações longas com pequenas equipes o peso chegava até 100kg. A mochila mais pesada chegou a 130kg. Os operadores realizam longos deslocamentos. Uma meta não oficial de deslocamento era o "Gunston 500". Este era atribuído aos operadores que realizaram missões atrás das linhas inimigas, caminhando 500km ou mais com kit completo. A maioria dos operadores completo um ou mais "Gunston 500" durante o conflito angolano. 

Cerca de 95% de todas as Forças Especiais sul-africanas foram levadas para operar atrás da linhas inimigas, com distâncias com iam de 10km a 2.000km. Durante todo o conflito os "Recces" eram entre 200 e 250 operadores.

Estaticamente cerca de 55% dos operadores dos foram feridos uma vez ou mais vezes em ação. Muitos tiveram que cuidar de seus ferimentos sozinhos, raramente voltando para sua base para receber socorro. Cerca de 80 "Recces" morreram no conflito em Angola. 

Normalmente as operações de reconhecimento de objetivos inimigos, envolviam pequenas equipes de dois a quatro operadores. Eles muitas vezes se infiltravam nas bases inimigas e ficavam escondidos durante vários dias.

Muitas vezes quando eram descobertas durante as fases de infiltração, exfiltração ou mesmo durante o reconhecimento, as equipes tinham que realizar ações de fuga e evasão para escapar da morte certa. Muitas vezes as distâncias a serem cobertas variavam de 20km a 1.000km.



Militares sul-africanos do 32º Batalhão em operação na fronteira de Angola nos anos 1980. O NCO está armado com um fuzil AKM com carregador de 30 cartuchos e um lançador de granadas M79. Como é um militar branco ele uso creme de camuflagem para disfarçar a pele. O soldado ao seu lado está armado com uma metralhadora leve RPK. O 32° Batalhão era uma batalhão especial de infantaria formado por soldados negros angolanos dissidentes e NCOs e oficiais brancos sul-africanos, embora também houvesse um número de oficiais de países como Reino Unido, Rodésia, Portugal e Estados Unidos na unidade, principalmente em suas fases iniciais. Este batalhão servia quase que constantemente no sul de Angola como uma unidade tampão entre as forças regulares sul-africanas e os guerrilheiros angolanos. Teve participação ativa na guerra de fronteira travada na Namíbia e Angola e causou mais baixas ao inimigo qualquer outra das SADF. Após a independência da Namíbia em 1989, a unidade foi retirada para a África do Sul onde foi utilizada no papel de contra-insurgência e mais tarde também contra enclaves negros na África do Sul. No final de seu tempo na Namíbia, a unidade tinha se desenvolvido em um Grupo de Batalha equipado com veículos antitanque Ratel 90, lançadores múltiplos de foguetes Valkiri de 127 milímetros e canhões AA de 20 mm. Foi dissolvido em 26 de Março de 1993 a pedido do Congresso Nacional Africano como preparação para as eleições de 1994.

Muitas vezes a proporção de soldados inimigos que eram encontrados em seus ataques eram de 50 a 100 para 1 operador "Recce". Ele nunca atacaram um objetivo militar em situação de vantagem numérica. Uma fato que pouco se fala é que os "Recces" não lutaram apenas contra guerrilheiros africanos, em sua operações em Angola, Namíbia e outros lugares. 

Eles também enfrentaram em muitos combates secretos, militares regulares e das forças especiais de Cuba, União Soviética (Spetsnaz), Polônia, Alemanha Oriental, Bulgária, Iugoslávia, Coréia do Norte e até do Vietnã entre outros.

Durante um certo período do conflito angolano a União Soviética deslocou sofisticados sistemas de defesa aérea. O espaço aéreo angolano era classificado como um dos mais hostis do mundo, com os soviéticos sempre tendo a superioridade aérea durante todo o conflito. Isto significou que os "Recces" tinham poucas oportunidades de ressuprimento e resgate aéreo atrás da linhas inimigas. Uma vez lá ], os operadores estavam por sua própria conta e risco.

ATUALMENTE

Hoje os "Recces" estão adaptados a nova paisagem política e social da África do Sul e estão preparados para defender a sua nação dentro da atual geopolítica africana. Orgulhosos por pertencerem ao grupo melhor treinado e preparado das Forças de Defesa Sul-Africanas (SADF), os Recces são, como indivíduos, homens muito corajosos e, como unidades, têm reputação de grande eficiência, pelas operações vitoriosas nas condições desfavoráveis da savana africana. Devido a sua extrema capacidade operacional eles muitas vezes são usados em missões de paz em áreas de conflito no continente africano.


Exemplos de operações realizadas pelos "Recces":

 

Reconhecimento de longo alcance:

Normalmente neste tipo de missão se usa uma pequena equipe de 2 operadores ou um equipe completa com 12 operadores. Esta missão será geralmente dirigida contra um posição estratégica inimiga, como uma posição militar ou um complexo militar em um país estrangeiro.

 

Para cumprir missão a equipe terá que se infiltrar secretamente e entre as muitas algumas considerações que devem ser levantadas podemos citar:

  • A infiltração será por terra (a pé ou usando veículos), por ar (helicópteros, pára-quedas ou pouso em alguma pista) ou por água (usando barcos, lanchas ou nadando até o local)?

  • Todo o caminho até o alvo está ou não dentro do território inimigo?

  • A população local é hostil? Alertaria ao inimigo da presença da equipe de operadores?

  • Qual a qualidade das tropas inimigas?INICIANDO UMA INFILTRAÇÃO

  • O inimigo dispõe de poder aéreo? Ele tem superioridade aérea?

  • Que meios de vigilância dispõe? Qual a freqüência das patrulhas aéreas, terrestres e navais?

  • Quais as aeronaves de que dispõe? 

  • É possível abastecer a equipe ou evacuá-la por meios terrestres, aéreos ou navais?

  • Sem poder ser reabastecida, quanto de equipamento militar, roupas e provisões a equipe precisa lavar para cumprir a missão?

  • Qual o tamanho da equipe ara a missão?

  • Quais as melhores rotas de fuga e evasão?

Normalmente a equipe é inserida (por qualquer meio) o mais próximo possível do alvo. Em reconhecimentos de longo alcance o deslocamento normalmente é feito a pé ou usando veículos do tipo Vlermuis. A equipe de movimenta a noite, usando o dia para descalçar em uma posição segura e camuflada, sempre longe da aldeias, fazendas ou cidades.

 

A equipe navega com precisão através das savanas, florestas, montanhas, rios com crocodilos e encontra pela frente vários outros animais ferozes como leões. Os homens comem e bebem qualquer coisa que encontram pela frete, até carniça se for necessário. E estão sujeitos a qualquer clima, sol, chuva ou frio intenso. 

 

A discrição é a chave do sucesso de uma equipe de reconhecimento profundo. Nada de conversa, de fogo para cozinhar e nada de ruído. Sempre todos devem ficar alertas, quando param para dormir, sempre tem alguém de guarda e o estado mental do operador o deixa preparado para acordar em estado de combate a qualquer momento. 

 

Chegando ao objetivo é montado um posto de observação camuflado, que não chame a atenção e que ofereça uma boa visão do alvo e que também tenha várias opções de fuga. As vezes, quando é possível, um posto de apoio é montado onde fica uma parte da equipe com as mochilas. A substituição da equipe ou do homem que está no posto de observação só é feita a noite. Dependendo do tamanho do alvo mais de um ponto de observação é montado. As vezes se faz necessário não só observar o alvo, mas também investigá-lo, entrar dentro dele, e essa é uma das situações mais difíceis e perigosas.

 

De posse das informações necessárias, a equipe inicia a sua retirada do local, o que normalmente acontece a pé. tudo tem que feito com a máxima discrição, é os locais utilizados devem ser deixados incólumes para não deixar marcas e avisar o inimigo de que forças inimigas estiveram operando ali. Caso isso ocorresse centenas ou milhares de soldados seriam acionados para caçada humana, além de aviões, helicópteros e veículos motorizados. O inimigo iriam desconfiar que a equipe estava a pé, e tentaria corta a sua fuga criando um grande cordão de isolamento no raio mais provável. A busca implacável seria feita por terra, ar e água. As equipes de caça seriam substituídas sempre que estivessem cansadas e a caça ocorreria dia e noite. 

 

A todo instante a equipe "Recce" estaria atenda a emboscadas e armadilhas, sempre procurando prever o movimento inimigo e mantendo o silêncio de rádio. As vezes ocorrem alguns combates. Numa fuga os operadores não podem se dar o luxo de parar, dormir ou se render. Os feridos tem que continuar a fuga e os mortos são deixados para trás.

 

Operação Estratégica:

Um alvo estratégico é tudo aquilo que potencializa a capacidade de infra-estrutura civil e militar de um país. Portanto a sua destruição ou interdição é de fundamental importância num conflito pois abate o moral do inimigo e asfixia a sua capacidade bélica e econômica. Entre a relação de alvos estratégicos podemos citar: pontes, aeroportos, parque industriais, rodovias, ferrovias, usinas elétricas e portos entre outros. Muitas vezes líderes civis e militares se constituem também em alvos estratégicos. 

 

Em nosso exemplo iremos usar como alvo estratégico uma ponte. Ela é de fundamental importância para o esforço de guerra do inimigo e está fortemente guarnecida contra ataques aéreos e terrestres. Posições fortificadas estão de cada lado da margem do rio, holofotes são usados a noite e barcos patrulha sobrem e descem o rio constantemente.

 

Para tal objetivo normalmente é destacada uma equipe de 12 operadores. Eles são mais uma vez infiltrados o mais próximo possível do alvo, sem que a sua presença seja notada e devem chagar até o objetivo a pé. A noite os operadores com trajes de mergulho entram no rio com visibilidade de 1m, infestado de crocodilos, a uns 20km do objetivo. Os homens estão um sistema de mergulho que suprimi as bolhas e irão até o objetivo por baixo da água. Eles levam armas pessoais, cargas explosivas e detonadores.

 

Os operadores chegam até a ponte e continuando debaixo da água eles colocam as suas cargas e acionam os cronômetros dos detonadores. E do mesmo jeito que chegaram eles devem sair. Se forem atacados por um crocodilo devem matar o animal com suas facas. Se tudo der certo serão exfiltrados do local silenciosamente. Senão inicia-se novamente o processo de fuga e evasão.

 


Operações das SADF - 1978-1984

SWAPO 

A South West African People's Organization (SWAPO) tornou-se a ;principal ameaça ao controle da Namíbia pela África do Sul. Foi organizada em 1957 pela tribo Ovambo, que, com mais de 270.000 pessoas, representava quase a metade da população da Namíbia. 

Formalmente criada em 1960, a SWAPO percebeu a necessidade do combate armado à África do Sul, e desenvolveu um ramo militar, conhecido como Exército de Libertação do Povo da Namíbia. Os guerrilheiros foram recrutados nas nações africanas, iniciando-se as infiltrações, pêlos combatentes equipados com armas soviéticas e chinesas, em 1965. Desde então, a SWAPO e as Forças de Defesa Sul-Africanas estão continuamente em guerra. 

No início da década de 70, sua base foi transferida para Angola e, em 1978, o número de recrutas chegou a 10.000. A África do Sul conseguiu, porém, conter as atividades da SWAPO aumentando o número de soldados na Namíbia. Em termos militares, obteve uma vantagem ao criar um cordão na fronteira, a partir do qual lançou ataques no interior de Angola. Incapaz de enfrentar o poderio militar da África do Sul, o governo angolano aceitou cooperar com a África do Sul para eliminar as bases da SWAPO de seu território, confinando-as na Namíbia.

 


 

Cenas de Operações das Forças Especiais da África do Sul

 ANOS 70 E 80

OPERANDO NO INTERIOR DE ANGOLA

OPERAÇÕES NA NAMÍBIA

RECCES SE PREPARAM PARA MAIS UM RAID EM ANGOLA    OS SOLDADOS BRANCOS SE CAMUFLAM COM TINTA PRETA   CRUZANDO UM RIO AFRICANO

DESTRUINDO UMA BASE DA SWAPO


"Recces" na Libéria em 2003

Neste ano a África do Sul foi um dos países que mediou um acordo de paz que resultou na saída do presidente da Libéria, Charles Taylor. Presidentes de vários países africanos, entre eles o da África do Sul, Thabo Mbeki, estiveram presentes na passagem de cargo de Taylor para o seu vice-presidente. As forças especiais sul-africanas foram até a Libéria para prover segurança a comitiva presidencial. 

 (Observe os VLERMUIS) 


Algumas das armas que já foram usadas pelos "Recces" em sua história

FUZIL R-4 5.56 ( Fabricação sul-africana; origem Galil israelense)

FUZIL AK-47 7.62mm

RPK 7.62mm

RPG-7

FN FAL 7.62mm

BERETTA 92F 9mm

PISTOLAS VEKTOR (Sul-africanas)

SÉRIE MP-5 9mm

METRALHADORA VEKTOR SS77 7.62mm

FN MAG 7.62mm

 

 


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Assunto: RECCES