Perfil da Unidade

SPECIAL AIR SERVICE - SAS

CAMPANHAS

Bósnia/Kosovo - 1994-2000


Operador do SAS nas Falklands, armado com um Colt Commando.

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No início dos anos 1990 a república da Iugoslávia estava desestabilizada por uma série de fatores: a ausência de uma figura forte no governo após a morte do Marechal Tito; a queda do muro de Berlim; o colapso da União Soviética.

As seis repúblicas que constituíam a Iugoslávia, unificadas por Tito após a luta entre fascistas e comunistas, durante a II Guerra Mundial eram: a Eslovênia, a Croácia, a Macedônia, a Sérvia, a Bósnia-Herzegovina e a república de Montenegro. Esta união foi desfeita após o colapso dos regimes comunistas e todo o leste europeu. Depois da cisão da Eslovênia, da Macedônia e da Croácia, em 1991, o exército popular iugoslavo desencadeou um ataque contra a Eslovênia e a Croácia e, como conseqüência, em janeiro de 1992, os sérvios passaram a dominar quase um terço dessa república.

Os croatas e muçulmanos da Bósnia-Herzegovina declararam a independência em outubro de 1991. Imediatamente, os sérvios da Bósnia criaram uma República Sérvia da Bósnia, liderada por Radovan Karadzic, dando iniciou em abril de 1992 a uma cruel guerra civil entre os seus três grupos étnicos e religiosos: os sérvios, cristãos ortodoxos; os croatas, católicos romanos; e os bósnios, muçulmanos. 

Os croatas e muçulmanos da Bósnia-Herzegovina declararam a independência em outubro de 1991. Imediatamente, os sérvios da Bósnia criaram uma República Sérvia da Bósnia, liderada por Radovan Karadzic, dando iniciou em abril de 1992 a uma cruel guerra civil entre os seus três grupos étnicos e religiosos: os sérvios, cristãos ortodoxos; os croatas, católicos romanos; e os bósnios, muçulmanos.  Manta de retalhos

A Bósnia-Herzegovina constitui a área central da ex-Iugoslávia e é ela própria uma pequena Iugoslávia com uma composição étnica bastante variada sendo os principais grupos: muçulmanos 43,7%; sérvios 31,3%; croatas 17,3%; iugoslavos 5,5% e outros 2,2% (segundo o censo de 1991).

Nas áreas ocupadas pelos sérvios da Bósnia eles fazem a chamada limpeza étnica: expulsão dos não sérvios, massacre de civis, prisão da população de outras etnias e reutilização dos campos de concentração da II Guerra Mundial. A Bósnia-Herzegóvina pede a intervenção militar internacional, mas só recebe ajuda humanitária, como alimento e medicamentos. A Croácia entra no conflito. No primeiro momento reivindica parte do território bósnio e, em uma segunda etapa, volta-se contra a Sérvia (que ficou com a maior parte das forças armadas iugoslavas). 

A comunidade européia tentou intervir para acabar com o conflito, mas falhou e a ONU foi chamada. Em 21 de Fevereiro de 1992 acaba por estabelecer a UNPROFOR, A Força de Proteção das Nações Unidas na Iugoslávia, mas infelizmente os capacetes azuis não conseguiram impedir os massacres que só aumentavam.

Em 6 de Abril de 1992 a Comunidade Européia e os Estados Unidos reconhecem a independência da Bósnia-Herzegovina e em 22 de Maio a Bósnia-Herzegovina, com a Eslovênia, e a Croácia tornam-se membros de pleno direito das Nações Unidas.

Porém o conflito se agrava e as forças da ONU são incapazes de resolver sozinhas o problema. Diante do desastre humanitário, e da participação cada vez mais ativa das forças armadas da Sérvia ao lado dos sérvios étnicos,  a OTAN foi acionada. Tentativas de cessar-fogo propostas pela ONU são repetidamente desrespeitadas. 

A 8 de Outubro de 1992 é adaptada a Resolução 781 conhecida por "No Fly Zone", que interdita o espaço aéreo bósnio, esta resolução foi continuamente violada por todas as partes em particular pelos sérvios e levou a que em 31 de Março de 1993 fosse adaptada a implementação desta resolução pela força (Resolução 816).

A intensificação dos combates na Bósnia Oriental levou á aprovação das Resoluções 819 e 824 (16 Abril e 6 Maio) criando as chamadas Áreas Seguras (Safe Areas )de Srebrenica, Sarajevo, Bihac, Tuzla, Zepa e Gorazde, no entanto as forças militares das Nações Unidas no terreno não tem potencial para impor ou garantir o cumprimento dessas resoluções. A situação humanitária nos enclaves bósnios de Srebrenica, Zepa e Gorazde é critica e desde Março de 1993 a comunidade internacional efetua o lançamento de ajuda humanitária em pára-quedas a partir de aeronaves voando a grande altitude, sendo a preparação das cargas monitorizadas por pessoal das Nações Unidas.

A 28 de Fevereiro de 1994, ao abrigo da operação "Deny Flight", destinada a fazer cumprir a interdição do espaço aéreo bósnio, quatro aviões sérvios são abatidos em vôo pela NATO próximo de Banja Luka.

Apesar das diversas iniciativas diplomáticas, em Abril de 1994 os combates continuavam um pouco por toda a Bósnia, em particular em Bihac e Gorazde. Face à ofensiva sérvia contra Gorazde, uma das Áreas Seguras estabelecida pelas Nações Unidas, os aviões da NATO atacam as forças sérvias em 10 e 11 de Abril. A situação diplomática é bastante tensa com divergências notórias entre os russos e a NATO.

No sentido de promover uma abordagem comum da comunidade internacional face ao conflito na Bósnia e elaborar um novo plano de paz, a 25 de Abril de 1994 é constituído o Grupo de Contato para a Bósnia com representantes dos Estados Unidos, Rússia, Alemanha, França e Grã-Bretanha, e ainda a colaboração das Nações Unidas e da NATO.

No inicio de Maio o Grupo de Contacto apresenta um novo plano de paz baseado numa partilha da Bósnia em duas partes dispondo de grande autonomia mas onde se previa o respeito pelas fronteiras externas. 51% do território era destinado à Federação e 49% para os sérvios bósnios. Face à recusa dos sérvios uma versão ligeiramente modificada ainda lhes concede o controlo de uma faixa do corredor da Posavina (Brcko). Apesar das fortes pressões da Sérvia e da Rússia, a 28 de julho os sérvios bósnios acabam definitivamente por recusar a cedência de território e inviabilizar o Plano do Grupo de Contacto.

Na seqüência da recusa do Plano do Grupo de Contacto, a República Federal da Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) anuncia o fim do apoio aos sérvios da Bósnia. Esta decisão do líder sérvio Slobodan Milosevic, de efeito mais estratégico do que prático, visava essencialmente aliviar a Iugoslávia do peso das sanções e embargo das Nações Unidas mas demonstra também o corte político entre os lideres políticos dos sérvios bósnios e os seus aliados sérvios.

Os combates intensificam-se e em Julho os sérvios atacam os bastiões muçulmanos no Leste da Bósnia. Perante a incapacidade de ação das Nações Unidas e da NATO Srebrenica cai a 11 de Julho e Zepa rende-se a 25. Após as conquistas são cometidas atrocidades contra a população civil muçulmana e milhares de civis de Srebrenica são assassinados ou dados como desaparecidos.

No início de agosto, a guerra alcançou maior extensão, quando tropas regulares croatas reconquistaram o território servo-croata da Krajina. Em julho de 1994, os sérvios dominam 70% do território da Bósnia-Herzegóvina. O quadro muda após a Batalha de Krajina, em agosto, da qual os croatas saem vitoriosos.

Os ataque dos sérvios-bósnios a Sarajevo continuam impiedosamente e em resposta a isso a NATO em concordância com as Nações Unidas, desencadeiam uma vasta operação contra as forças sérvias. Nesta operação são utilizados meios aéreos e também meios terrestres da Força de Reação Rápida (FRR) que foi enviada para a Bósnia para proteger as forças das Nações Unidas. Entre iniciativas diplomáticas e ultimatos os ataques da NATO prolongam-se e são mesmo estendidos a todo o território ocupado pelos sérvios. Depósitos, postos de comando e de comunicações, bunkers e pontes, são alguns dos alvos atingidos.

As forças croatas e muçulmanas, reforçadas pelo próprio Exército Croata avançam para Norte pela Bósnia Ocidental e central. Uma ampla ofensiva conjunta prossegue em direção a Banja Luka, a maior cidade sob controlo sérvio. Pela primeira vez sujeitos a importantes derrotas, os lideres militar e político dos sérvios da Bósnia - Gen Ratko Mladic e Radovan Karadzic - entram em desacordo.

Sob pressão de Milosevic e dos acontecimentos, os sérvios bósnios acabam por aceitar, em meados de Setembro, retirar as armas pesadas da zona de exclusão em redor de Sarajevo. Sob pressão dos países ocidentais cessa também a ofensiva croato-muçulmana e o Exército Croata retira para a Croácia. Em resultado desta ofensiva cerca de 20% do território bósnio mudou de mãos. A relação de forças torna-se mais equilibrada e facilita a estratégia dos Estados Unidos de promover uma negociação de paz. 

Um acordo proposto pelos EUA, negociado na Base Aérea de Wright-Patterson, em Dayton, Ohio, EUA, é assinado formalmente em dezembro de 1995, em Paris. Ele prevê a manutenção do Estado da Bósnia-Herzegóvina com suas fronteiras atuais, dividido em uma federação muçulmano-croata, que abrange 51% do território, e em uma república bósnia-sérvia, que ocupa os 49% restantes. É previsto um governo único entregue a uma representação de sérvios, croatas e bósnios. 

Em 1996, a missão de paz da ONU na região é assumida pelas tropas da Força de Implementação da Paz, da Otan (IFOR), com 60 mil militares e mandato até dezembro de 1996. A IFOR depois se transformou na Força de Estabilização (SFOR) Para reforçar o Acordo de Dayton, várias vezes sob ameaça, os EUA realizam no decorrer do ano reuniões em Roma e Genebra. 

Em maio de 1996, o Tribunal Internacional de Haia inicia o julgamento de 57 suspeitos de crimes de guerra. Os acusados mais importantes são o líder sérvio Radovan Karadzic, presidente do Partido Democrático Sérvio e da República Sérvia (Srpska), e seu principal comandante militar, o general Ratko Mladic. Ambos são responsáveis pelo massacre ocorrido na cidade de Srebrenica, no qual 3 mil refugiados bósnios muçulmanos foram executados e enterrados em fossas e 6 mil encontram-se desaparecidos. Em maio de 1997, o Tribunal de Haia condena o sérvio-bósnio Dusan Tadic a 20 anos de prisão por crime contra a humanidade em virtude da participação no extermínio de muçulmanos na Bósnia.  Este foi o conflito mais prolongado e violento vivido pela Europa depois da II Guerra Mundial no século XX, com duração de 1.606 dias e 200 mil mortos. 

A PARTICIPAÇÃO DO SAS

Prover inteligência, designar alvos e prender ou matar criminosos de guerra, essas foram as principais missões desempenhadas pelo 22 SAS na Bósnia. Antes do acordo de paz, os homens do SAS levantavam inteligência e direcionavam os ataques áreas das forças a serviço da ONU. Depois do tratado de paz em 1995 ele foram encarregados, juntamente com comandos de outros paises da OTAN para caçar criminosos de guerra processados pelo Tribunal Criminal Internacional para a Antiga Iugoslávia, em Haia, na Holanda. O SAS não iniciou as suas ações na Bósnia antes de janeiro de 1994.

 

Operadores do SAS na Bósnia com uniformes britânicas e boinas azuis das tropas de paz da ONU.

Após isso o comandante das forças da ONU, o general britânico, Michael Rose (que tinha sido comandante do SAS anteriormente), decidiu usar as unidades do SAS, e para driblar a burocracia, os homens do SAS foram enviados a Bósnia como componentes de uma obscura “Joint Commission Observers”. Os homens do SAS funcionaram como os olhos e ouvidos do general Rose. Os operadores do SAS também proveram proteção para os investigadores de crimes de guerra da ONU em suas investigações na Bósnia.

Alias, o SAS já tem em sua história um precedente na área da caçada a criminosos de guerra, quando após a 2ª Guerra Mundial homens do 1 e 2 SAS saíram pela Europa, especialmente na Alemanha, a caçar e matar criminosos nazistas que dificilmente iriam comparecer e serem condenados nos tribunais militares dos aliados. Muitos dos criminosos nazistas tinham sido acusados de matarem homens do SAS na França em 1944.

Em 1994 uma equipe do SAS de dez homens foi enviada, pelo Ten General britânico Michael Rose, comandante das forças da ONU, para monitorar a cidade de cidade Maglai. A cidade estava rodeada por combatentes sérvios, e lá havia muitas casas de muçulmanos bósnios, essa cidade era um ponto focal do conflito naquela época, e praticamente nenhuma notícia saia de lá. A equipe do SAS foi introduzida na região por um helicóptero militar holandês e levantar toda imformação possível sober as forças sérvias. Quando, alguns dias mais tarde, uma força britânica se dirigiu para as linhas sérvias, os controladores avançados do SAS dirigiram ataques aéreos de aviões da OTAN contra o inimigo.

O SAS foi usado também na cidade de Gorazade. Uma equipe do SAS de sete homens foi enviado ao local para averiguar rumores sobre atrocidades cometidas contra civis muçulmanos ao redor da cidade. Um soldado da SAS foi morto quando seu Land Rover foi baleado quando tentava encontrar uma rota para a cidade. Durante um ataque sérvio, os homens do SAS dirigiram os ataques aéreos da OTAN contra tanques e artilharia sérvia. Durante esses ataques, um Sea Harrier da Royal Navy foi abatido por um SAM sérvio. O piloto conseguiu ejetar e foi encontrado pelo pessoal do SAS no local. Depois a equipe do SAS e o piloto da Royal Navy conseguiram se exfiltrar a pé para uma áera onde foram todos recolhidos por um helicóptero da OTAN.

Em agosto de 1995 o SAS estava novamente em ação, quando seus homens, que tinham se infiltraram nas linhas sérvias próximo a Sarajevo, para relatar a posição exata dos blindados, da artilharia e das unidades antiaéreas do inimigo. Quando as forças da OTAN atacaram as equipes do SAS forneceram a inteligência que garantiu as surtidas aéreas certeiras e mortais dos aviões da aliança atlântica. Após o acordo de paz, equipes do SAS foram enviadas a Bósnia para caça criminosos de guerra.

 

Homens do SAS em treinamento para caçar criminosos de guerra.

Segundo informações secretas o SAS foi encarregado de levar armas, veículos, uniformes e outras provisões para o croatas a partir de 1991 com o objetivo de prover um contra-peso ao poder dos sérvios nos Bálcãs e ajudar os muçulmanos. Fala-se que foi usado até um negociante sírio, baseado em Marbella, Espanha, para ajuda na transação. O problema é que os croatas a certa altura do conflito se voltaram contra os muçulmanos e os britânicos tiveram que rever a sua estratégia.

As caçadas:

As missões de caça do SAS foram divididas em diversas categorias de acordo com sua importância. Embora os membros do SAS também procurassem por pessoas menos famosas, sua tarefa principal era prender líderes sérvios como Radovan Karadzic e Ratko Mladic.

O SAS esteve envolvido na Operação Tango, em 9 de julho de 1997, que tinha o objetivo de prender Simo Drljaca e Milan Kovacevic, na área de Prijedor,  noroeste da Bósnia . Os homens do SAS foram transportados até o local em helicópteros Chinook do 47º Squadron da RAF. Os homens foram identificados e seguidos secretamente por patrulhas do SAS.

Um Chinook pairou a cerca de 1 m do solo e 20 operadores do SAS saltaram dele. o SAS sabia que Kovacevic chegava precisamente às 09:15h todos os dias ao seu local de trabalho. O alvo chegou na hora certa e quando ia se apresentar ao guarda que estava na guarita na frente do hospital onde era diretor, ele foi preso.  

Drljaca, que era chefe de polícia de Prijedor foi abordado em uma estrada fora da cidade. Ele disparou a sua pistola e feriu um soldado britânico no pé. Imediatamente os homens do SAS dispararam contra ele, matando-o e ao seu guarda-costas.

Diante desta  primeira operação bem sucedida, uma missão similar foi planejada cinco meses mais tarde. Em apoio aos esforços internacionais de caçar criminosos de guerra,  forças especiais holandesas e britânicas prenderam dois bósnios-croatas na cidade de Vitez, a 30 milhas a noroeste de Sarajevo. Vlatko Kupreskic, 39, e Anto Furundzija, 28, foram presos em  operações simultâneas nas primeiras horas da manhã de 18 de dezembro 1997. Após suas prisões os dois foram levados para Haia.

Dusko Sikirica  

Um criminoso de guerra capturado é levado para um local segura. Um duro julgamento o espra em Haia.

Para efetuar a prisão destes homens, uma pequena equipe de commandos da 108th Companhia das Forças Especiais holandesas foi introduzida de helicóptero perto da cidade de Vitez, pouco antes da operação. Esta equipe se juntou a duas equipes do 22 SAS que já operava na Bósnia. Todos ficaram em Postos de Observação montados para monitorar os suspeitos, para se estabelecer seus padrões de movimento e de comportamento.

Um pouco antes da operação para prender Kupresikic, as linhas de telefone do local onde ele estava foram cortadas e o seu guarda-costas preso e amordaçado. Os homens entraram pela porta dianteira depois desta ter sido aberta com explosivos. Os homens usaram granadas especiais que ao explodirem geram muita luz e barulho. Kupreskic tentou reagir e foi ferido no braço e no pé. A prisão de Furundzija. ele chegou em sua casa de automóvel por volta da meia-noite. ele desceu do carro em quando ia entrando em casa foi preso pelos soldados sem oferecer nenhuma resistência.

Outras prisões foram realizadas pela SFOR: 

* Em 22 de janeiro de 1998  Goran Jelisic ("Serbian Adolph") foi preso em Bijeljina. 

* Em  8 de abril Miroslav vocka e Mladen Radic foram presos em  Prijedor. 

* Logo depois Milojica"Krle"Kos foi preso. Operadores do SAS cercaram o seu apartamento e se lembrando que Simo Drljaca foi morto e Vlatko Kupreskic ferido, em prisões similares, ele não ofereceu resistência. 

* Stevan Todorovic, sérvio-bósnio foi preso em 27 de setembro de 1998, por unidades do SAS ou da Força Delta, dentro da Sérvia e entregue a tropas dos EUA na Bósnia.

* Em 3 de dezembro de 1998 tropas da SFOR prendem o General Radislav Krstic na Bósnia.

* Radoslav Brdjanin foi presos por tropas britânicas (SAS) em 9 de julho de 1999 em Banja Luka e transferido para Haia. 

 *Dragan Kolundzija foi preso por tropas britânicas na área de Prijedor, Bósnia em 7 de junho de 1999. 

* Damir Dosen, preso por tropas das SFOR no setor britânico em 25 de outubro de 1999 e transferido depois para Haia. 

 *Stanislav Galic, foi preso por homens do SAS devido a uma denuncia em  Banja Luka, RS, Bósnia em 20 de dezembro de 1999.  

 * No dia 20 de dezembro de 1999, em pleno dia, uma equipe do Esquadrão G, prendeu o General Stanislav Galic, conhecido como o "açougueiro de Sarajevo". Galic, 56 anos, ex-coronel do exército iugoslavo, era acusado de ter matado cerca de 10.000 pessoas durante o cerco a Sarajevo de 1992 a 1995. Suas tropas, especialmente os franco-atiradores, matavam indiscriminadamente homens, mulheres e crianças. Mas a suas peças de artilharia também eram mortais. Ele foi preso quando dirigia em direção ao reduto sérvio-bósnio de Banja Luka, onde se sentia seguro da justiça internacional. Banja Luka estava dentro da área de responsabilidade das forças britânicas. O carro de Galic foi imprensado entre dois veículos civis e imediatamente cercado por cerca de 20 operadores mascarados do SAS. Os homens do SAS quebraram o vidro do carro, abriram a porta e tiraram Galic para fora, antes que esse pudesse sacar sua arma. Os homens do SAS colocaram um saco em sua cabeça e ele foi colocado em um furgão sem marcas. Poucas horas depois era enviado de avião para Haia, na Holanda. Sua prisão envolveu uma prolongada operação da inteligência que requereu até rastreamento por satélite. 

* Em 5 de março de 2000 uma equipe do SAS prendeu em Banja Luka, Dragoljub Prcac, 62 anos, acusado de crimes de guerra.     

* Em 3 de abril de 2000 tropas da SFOR prenderam Momcilo Krajisnik na Bosnia e o transferiram para o Tribunal de Crimes de Guerra Internacional em Haia. 

* Em 25 de maio de 2000 tropas da SFOR prenderam na Bósnia, Dusko Sikirica suspeito de crimes de guerra e o transferiram para o Tribunal de Crimes de Guerra Internacional em Haia. 

* Em 15 de abril de 2001 tropas da SFOR detiveram Dragan Obrenovic, acusado de crimes de guerra e o transferiram para o Tribunal de Crimes de Guerra Internacional em Haia. 

* Em 10 de agosto de 2001 Vidoje Blagojevic foi detido e transferido para o Tribunal de Crimes de Guerra Internacional em Haia. 

* Em 15 de agosto de 2001 Dragan Jokic se rendeu as tropas da SFOR. 
Nota: Em muitas dessas prisões as unidades do SAS e da Força Delta operaram com uniformes de outras nações participantes da SFOR. Franceses, alemães e holandeses também participaram de muitas prisões. Até 1999 foram creditadas ao SAS cerca de 15 prisões, cerca de 16 suspeitos se entregaram voluntariamente as tropas da SFOR. As prisões ainda continuam...


Karadzic

Durante 1997 e 1998 houveram três tentativas mal sucedidas de prender Karadzic. O SAS as vezes recebia informações de fontes seguras, os dados não podiam ser confirmados para se realizar uma ação bem sucedida. Eles não podiam prender Ratko Mladic porque estava na Sérvia.

Entretanto, seus membros estavam constantemente seguindo Karadzic e podiam definir área de esconderijo. No verão de 1997, os membros do SAS chegaram perto de Karadzic para a primeira vez mas não o prenderam. Em novembro de 2000, a perseguição começou outra vez, numa operação chamda Tango 2. Durante o inverno e a primavera, membros do SAS começaram a operar na parte oriental da república Sérvia, perto da fronteira com Montenegro. Os membros do SAS moveram-se através das vilas e das cidades bósnias disfarçados como coordenadores, jornalistas e homens de negócios. Suas equipes consistiram normalmente em quatro membros. Dois membros operavam geralmente a "parte externa" quando outros dois membros estavam esperando em um hotel. Emitiam informação ao centro do SAS na vila de Ramici, que por sua vez enviava ao centro do SAS em Credenhill, uma antiga base da RAF na Inglaterra. Diante das informações levantadas o SAS preparou um plano para capturar Karadzic em julho de 2001. O KSK alemão pediu para participar especialmente desta caçada. O SAS concordou, mas só permitiu que os homens do KSK participassem como uma equipe de apoio na retaguarda. Operadores da Força Delta também participaram dos preparativos e isto preocupou os homens do SAS, devido o envolvimento de muitas forças especiais de diferentes origens e porque isto iam de encontro ao forma introspecta de agir do SAS. Além do mais o SAS não gostou de que toda a operação seria executada no setor francês. Mas o alto comando assegurou que nenhuma informação tinha vazado, o que era importante pois o segredo era importante para o sucesso da missão.

 

De acordo com o plano, três equipes patrulhariam a região a fim encontrar o abrigo de Karadzic. Duas equipes entrariam na Sérvia. Na fronteira pegariam armas, uniformes e equipamentos de comunicação. A terceira equipe passaria por Celebici e por Foca, e se dirigiria para a montanha onde Radovan Karadzic estava se escondendo. Essa equipe seria seguida pelas outras duas equipes, num total de cerca de 20 homens. O comando estimou que poderiam aproximar da vila onde estava Karadzic  de forma despercebida, neutralizar as sentinelas e se aproximar da casa marcada como o "objeto".

Antes da ação, concordou-se que um helicóptero estaria esperando para coletar a "rapina" e os membros das equipes. O helicóptero foi postado em um vale a aproximadamente 20 quilômetros. O comando também tinha planos de contingência caso as coisas dessem errado. Era possível que os membros do SAS fossem descobertos ao eliminarem as sentinelas. Conseqüentemente, as forças sérvias poderiam ser alertadas e abrir fogo contra os britânicos. Nesse caso, os membros do SAS abortariam a operação e o helicóptero os resgataria. O comando estimou que cerca de 120 homens, com larga experiência em combate protegiam lealmente Radovan Karadzic.

Uma opção a ação do SAS seria a de helicópteros lançarem substâncias inflamáveis na floresta gerando um grande incêndio que forçaria a Radovan Karadzic e seu grupo ir no sentido, aonde viriam cerca de mil de soldados, tanques e helicópteros da SFOR estariam esperando por eles para prende-los.

Na manhã de sexta-feira, uma das duas equipes entrou na República Sérvia e teve seu  primeiro "contato" com homens de Karadzic. Quatro membros da equipe foram feridos no combate. Ao mesmo tempo, uma segunda equipe também se encontrou com homens da segurança de Karadzic e igualmente a primeira equipe sofreu baixas. A operação foi cancelada. A base do SAS na vila de Ramici não acreditou na grande coincidência, e desconfiou que houve vazamento de informações. Aparentemente só os britânicos sabiam os trajetos das equipes, mas alguém poderia ter tido acesso a essas informações ou notado a aproximação das equipes. Quem poderia ser? Iugoslavos, franceses, russos? Quem?  

Segundo jornais da Alemanha e da Grã-Bretanha, um capitão do Exército francês, não identificado, teria telefonado para um policial sérvio-bósnio para contar que a operação da Otan começaria na cidade de Foca. "Um oficial francês revelou que a operação era iminente", teria dito o diplomata americano Shaun Byrnes, segundo o jornal Abendblatt, de Hamburgo. O jornal também publicou o que seria a transcrição da conversa telefônica entre o capitão francês e o policial sérvio-bósnio. Reportagens semelhantes apareceram nos jornais britânicos The Times e Daily Mail. Segundo o Times, o diálogo foi monitorado pelo serviço de inteligência britânico. De acordo com o jornal, pelo teor da conversa telefônica, o policial sérvio-bósnio parecia conhecer o oficial francês. O policial teria ficado surpreso e indignado por ter recebido o telefonema pela manhã bem cedo e teria perguntado: "O que você quer? Por que está me ligando?". O capitão teria respondido: "Vocês deveriam prestar atenção em Foca". Nos últimos cem anos, franceses e sérvios foram aliados em diversas oportunidades. Em dezembro, o major do Exército francês Pierre-Henri Bunel foi preso sob acusação de espionar a favor de Belgrado antes do conflito de Kosovo.

Na manhã de segunda-feira, o primeiro helicóptero da SFOR lançou substâncias inflamáveis na floresta e um grande número de tanques estavam se dirigindo para Foca. O fogo foi atribuído ao calor do verão. Mas este plano também na deu certo e Karadzic escapou.

E continuaria a escapar até 2008, quando foi entregue pelo governo sérvios autoridades da OTAN. Por tudo este tempo Karadzic viveu disfarçado.


O Kosovo

 

O Kosovo situa-se a SW da Sérvia, encaixado entre a Albânia, Montenegro, Sérvia e a Macedônia. É uma região montanhosa com os vales de Kosovo a Norte, Metohija (Kosmet) a Oeste, Gnjilane a Este, Malo Kosovo a Nordeste e Drenica no centro. A população do Kosovo, kosovars, é majoritariamente albanesa (90%). Os albaneses consideram-se descendentes dos povos balcânicos pré-românicos, os Ilírios e em particular os Dardanianos, que antes da ocupação romana habitavam as regiões da Albânia, Kosovo e Oeste da Macedônia.

No século XII os Sérvios vindos do Norte ocupam a região hoje conhecida por Kosovo. Em 28 de Junho de 1389, em Kosovo Poljie (Campo dos Melros) o exército sérvio do Principe Lazar enfrenta os turcos otomanos na Batalha de Kosovo. O exército sérvio é derrotado e o Príncipe Lazar morto. A região foi ocupada pelo otomanos. Os albaneses convertem-se em larga escala ao islamismo, por outro lado os sérvios mais resistentes são perseguidos e muitos acabam por emigrar para Norte (Vojvodina, Krajinas).

A Batalha do Kosovo é um marco histórico, e mítico, para a nação sérvia e a sua data constitui o dia nacional da Sérvia. A derrota marcou o inicio da decadência do Reino dos Sérvios que em 1459 seria submetido ao Império Otomano. Os albaneses islamizados assumem lugares privilegiados na administração otomana, e como tal considerados aliados dos turcos.

A Sérvia só volta a recuperar o Kosovo no final das guerras balcânicas (1912-1913). O Kosovo faz parte do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Durante a II Guerra é anexado à Albânia ocupada pelos italianos. Com o final da II Guerra o Kosovo passa a integrar a Iugoslávia Socialista de Tito, como parte da República da Sérvia.

Tito lidou sempre com habilidade e "mão de ferro" com os nacionalismos eslavos. Em relação ao Kosovo, e de forma a acalmar a população albanesa (majoritária no Kosovo mas minoritária no âmbito da Sérvia ou da Iugoslávia ) e simultaneamente amputar o nacionalismo sérvio de um dos seus símbolos mais fortes, foi dando progressivamente autonomia à região. A esta política não será estranha a ambição de Tito de juntar a Albânia à própria federação iugoslava.

A Constituição iugoslava de 1946 cria a Região Autônoma do Kosovo-Metohija, posteriormente a Constituição de 1974 cria a Província Autônoma do Kosovo (ao mesmo tempo é criada a Província Autônoma da Vojvodina), com governo e parlamento próprios. As Províncias Autônomas tem assento na presidência coletiva da Federação iugoslava.

Porém após a morte de Tito no inicio dos anos 1980 e a queda bloco socialista da Europa oriental e a dissolução da antiga União Soviética, a Iugoslávia passa por profundas e terríveis transformações. Entre elas a volta do nacionalismo exacerbado.

Slobodan Miloseviv, líder dos comunistas sérvios assume a defesa do nacionalismo sérvio e em 1989, com a anuência dos comunistas do Kosovo e da Vojvodina faz alterar a Constituição da Sérvia e retira a autonomia das províncias. O Kosovo passa a ser objeto de medidas discriminatórias dos albaneses e vive sob um clima de tensão e conflito.

Em 22 de Setembro de 1991, num referendo clandestino, os kosovares pronunciam-se a favor da independência. A independência no entanto não é reconhecida internacionalmente. Em 24 de Maio de 1992, em eleições não oficiais a maioria albanesa do Kosovo elege presidente o escritor Ibrahim Rugova, líder da Liga Democrática do Kosovo (LDK).

Rugova e a LDK seguem uma política moderada e evitam o confronto com os sérvios. Rugova defende inicialmente a continuação na Iugoslávia mas com o estatuto de república. Os kosovars criam uma autêntica sociedade paralela, com as  suas escolas e instituições independentes das do governo sérvio. Esta resistência passiva evita os confrontos mas continua a não chegar a nenhuma solução.

A difícil situação econômica da Sérvia, alvo de várias sanções da comunidade internacional pela sua intervenção no conflito da Bósnia, faz-se sentir duramente na região do Kosovo-Metohija (designação oficial sérvia do Kosovo) desde há muito a região mais pobre da república. A crescente descriminação e perseguição da comunidade albanesa majoritária na região faz crescer o descontentamento e aumenta as fileiras dos nacionalistas albaneses. Forças nacionalistas como o Exército de Libertação do Kosovo - KLA - UÇK (Ushtria Çlirimtare e Kosovës), defendem a ruptura com a Iugoslávia , e a união com aUÇK Albânia.

As primeiras ações do UÇK foram efetuadas em 1992 na Macedônia. Em 1995 iniciaram as primeiras ações armadas contra esquadras de polícia no Kosovo e em Junho de 1996 surgem pela primeira vez em público. O tipo de atuação do UÇK valeu-lhe ser classificado pelas autoridades de Belgrado, desde logo, de "grupo terrorista". O UÇK é constituído por vários grupos com uma atuação, a princípio pouco coordenada, para além da reivindicação à independência, não existe um suporte ideológico definido e os seus líderes mais conhecidos tem várias divergências.

A situação no Kosovo começa a agravar-se após os Acordos de Dayton para a Bósnia-Herzegovina. A população de etnia albanesa faz sentir o seu descontentamento por a "Questão do Kosovo" não ser contemplada nos acordos. O Kosovo com uma das taxas de natalidade mais altas da Europa, em particular na população de etnia albanesa, tem igualmente uma taxa de desemprego por volta dos 70%.

A situação torna-se ainda mais violenta e no inicio de 1998 quando a policia especial sérvia desencadeia ações militares contra os bastiões do UÇK nas regiões de Drenica e da capital, Pristina. Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França, a Itália e a Rússia constituem um Grupo de Contacto no sentido de procurar a obtenção de uma saída pacífica para o conflito. Em Março de 1998 as Nações Unidas através da Resolução 1160 do Conselho de Segurança condenam a utilização da violência no Kosovo. O Grupo de Contacto propõe o fim das hostilidades, o regresso de refugiados, a retirada das forças militares sérvias e a monitorização por observadores internacionais. Após complicadas negociações e pressão dos países da NATO, o embaixador Richard Holbrooke obteve da Iugoslávia um acordo sobre a aceitação de uma missão de observadores da OSCE. Em 25Out98, com a aprovação das Nações Unidas (Resolução 1203), é estabelecida a Kosovo Verification Mission (KVM).

Apesar dos esforços da KVM a situação continua muito tensa com várias ações levadas a cabo pelos elementos do UÇK e da policia sérvia. A escalada da violência atinge o seu auge em Janeiro de 1999, com um alegado massacre de civis albaneses na povoação de Racak, no Kosovo.

Com grande custo o Grupo de Contacto consegue juntar todas as partes à mesa de conversações em Rambouillet - França (de 7 a 17 de fevereiro de 1999). As negociações levam à preparação de um texto de acordo que, genericamente, prevê a autonomia do Kosovo, a sua desmilitarização e o estabelecimento de uma força de manutenção da paz com militares da NATO. A proposta de acordo não agrada totalmente às partes em conflito, mas acaba por ser assinado pelos representantes albaneses do Kosovo, e recusado pela Iugoslávia , nomeadamente nos pontos que implicavam a saída das suas forças militares e o estabelecimento de uma força de manutenção de paz.

A NATO continuando uma política de pressão já iniciada no final de 1998, ameaça desencadear ataques aéreos caso a Iugoslávia recuse assinar o plano de paz de Rambouillet. A Iugoslávia é intransigente e pelo contrário faz deslocar mais forças e continua as operações militares no Kosovo.

Em 22 de Março o Conselho do Atlântico Norte (NAC) autoriza o Secretário Geral da NATO, a desencadear os ataque aéreos sobre a Iugoslávia e dois dias depois inicia-se a operação Allied Force (24 de Março). É a primeira vez que a OTAN entra em ação contra uma nação soberana e a primeira vez que a Luftwaffe entra em combate depois da Segunda Guerra Mundial. O B-2 estréia em combate.Tomam parte na operação 13 países da NATO. 

No dia 20 de março um F-15 do 493º Esquadrão de Caça da USAF conseguiu abater dois Mig-29 sérvios usando mísseis AMRAAM. Em um combate aéreo em 25 de março de 1999 dois F-15 americanos e um F-16 holandês enfrentam cinco Mig-29 sérvios. Os sérvios levam a pior, perdendo três aviões. Os caças da OTAN saem ilesos do combate. No dia 27 de março um F-117 da USAF é abatido sobre a Iugoslávia, a 40 milhas de Belgrado. Seis horas depois do acontecido o piloto é resgatado em uma operação C-SAR.

Em resposta aos bombardeios as forças sérvias intensificam as operações no Kosovo, e iniciam uma "limpeza" sistemática da população albanesa do Kosovo. Os refugiados chegam aos milhares às fronteiras da Albânia, Macedônia e Montenegro, constituindo o maior desastre humanitário na Europa desde o final da II Guerra Mundial.

Após 78 dias de bombardeios, que deixaram 1.200 civis mortos, quase 1 milhão de kosovares refugiados na Albânia, Macedônia e outras regiões da Iugoslávia, centenas de alvos destruídos, bilhões de dólares consumidos, os iugoslavos são forçados a aceitarem um acordo de paz. 

Kosovo é transformado a partir de junho de 1999 num protetorado internacional administrado pela Missão da ONU noKosovo - UNMIK e vigiado pela força internacional de paz em Kosovo - KFOR, o Kosovo é ainda juridicamente «parte integrante da Sérvia». A KFOR, com um contingente total de 50 mil homens, que tem a missão de normalizar a situação na província. Isso significava, precisamente, verificar a retirada total das tropas iugoslavas e forças paramilitares e policiais sérvias, intervir em conflitos civis entre kosovares descendentes de albaneses e sérvios e garantir o retorno seguro dos refugiados. Outra missão era a de controlar a ira do Exército de Libertação de Kosovo (ELK), que prometia depor as armas à medida que a KFOR tomasse conta da província, mas isso dificilmente acontecerá. Devem ocorrer enfrentamentos entre o ELK e os sérvios. A missão da KFOR é complicada e longa, por isso não há prazo para sua retirada de Kosovo.

SAS em Kosovo

Entre as missões do SAS em Kosovo estava: prover inteligência para a OTAN; direcionar os ataques aéreos dos aviões da OTAN contra a máquina de guerra sérvia; recolher prováveis evidências de massacres cometidos pelos sérvios contra a população de maioria albanesa; apoiar o resgate de pilotos da OTAN abatidos e preparar as rotas de entrada das forças da KFOR. Tropas do Esquadrão D foram as primeitras a serem deslocadas para Kosovo.

Uma missão ultra-secreta das forças ocidentais era manter contato com o KLA (Exército de Libertação do Kosovo) e apoiá-lo. Segundo informações, o KLA foi armado e treinado, desde meados dos anos 90, por agentes da CIA, com a ajuda do serviço secreto da Alemanha (BND) e do MI6 britânico. Os homens do KLA usavam uniformes e armas cedidos pela Alemanha (incluindo parte do arsenal da antiga Alemanha Oriental). Coube à CIA e a Força Delta promover parte do treinamento e cuidar dos aspectos logísticos. As agencias de inteligência ocidentais contrataram três firmas privadas de segurança ("mercenários"), duas britânicas e uma americana, para dar o treinamento. Os britânicos eram todos ex-SAS, provavelmente servindo no 23 SAS, o que confirma uma tese de que o MI6 usa os serviços de antigos membros do SAS que estão servindo 23 SAS. Fala-se até da existência de uma unidade ultra-secreta, parecida com o SOG da CIA, formada por antigos membros do SAS e do SBS, que "deram baixa" e que estão a serviço exclusivo do MI6. Os treinamentos dos homens do KLA foram intensificados  em acampamentos secretos no norte da Albânia perto de Bajram Curri nos anos de 1998 e 1999.

Os homens do SAS operavam bem fundo dentro de Kosovo, servindo como os olhos e ouvidos da OTAN em terra. Este reconhecimento in loco é importante porque aviões e satélites são afetados pelo céu nublado, operadores em terra não. Também existe a questão de se saber se os alvos marcados para ataque ainda são relevantes. Um hangar, por exemplo, pode ter sido abandonado a muito tempo, ou um antigo depósito de armas estar vazio. Também existem algumas questões de segurança: um comboio de veículos, que se movimenta a noite, é militar ou civil (refugiados)? Em Kosovo, em qualquer condição climática, os operadores do SA, com os seus designadores lasers, apontavam para concentrações de tropas, depósitos de combustível, veículos, centros de comandos, pontes e fábricas.

Sabe-se que os homens do SAS entraram em Kosovo bem antes dos ataques da OTAN. Eles a princípio estavam em uma base secreta na Macedônia. O pessoal do SAS fortemente armado foi introduzido no Kosovo a noite através de helicópteros. Normalmente operam em equipes de 4 homens, estabelecendo Postos de Observação perto de seus alvos. Alguns de seus deslocamentos, em grupos de duas a três equipes, foram feitos com os seus Land Rover 110 armados, mais conhecidos por 'pinkies' devido a sua cor rosa de baixa visibilidade. Cada equipe levava seus próprios suprimentos, sendo auto-suficientes.

Os homens do SAS também ficavam alerta para dar todo o apoio necessário ao resgate de pilotos abatidos, participando diretamente do resgate se necessário, inclusive dentro da própria Iugoslávia. As equipes C-SAR com seus helicópteros estavam em alerta permanente na Macedônia. O terreno em Kosovo, diferentemente do encontrado no Golfo em 1991, era perfeito para as operações atrás da linhas inimigas realizadas pelo SAS. A paisagem montanhosa dava oportunidades para se atacar ocultar e se evadir durante a noite. Uma das missões atribuídas ao SAS foi a de recolher  prováveis evidências de massacres cometidos pelos sérvios contra a  população de maioria albanesa e de caçar criminosos de guerra como fizeram na Bósnia.

Soldados da ONU e forças locais ficaram responsáveis em fazer  o policiamento da província da Sérvia e Montenegro. Surgiram na época notícias de que forças especiais do SAS e SBS estavam patrulhando a fronteira entre Kosovo e a Albânia para coibir operações de guerrilheiros albaneses. O KLA foi "oficialmente" desbaratado em 1999 depois da chegada da KFOR. 

Operando também na Macedônia...

Operadores do SAS também participaram de missões secretas na Macedônia com o objetivo de proteger o contingente de pacificadores da OTAN que entraram naquele país e recolher inteligência. Três semanas antes de iniciada a movimentação das tropas, especialmente pára-quedistas britânicos, duas pequenas equipes de cerca de 20 operadores do SAS já estavam no local. Sua missão incluía estabelecer rotas seguras para a entrada das tropas por terra. O pessoal do SAS recebeu apoio do Esquadrão 264 (sinaleiros), cuja a função foi fornecer comunicações seguras para a operação. Os homens do SAS podiam chamar ataques aéreos da OTAN se necessário. Os homens do SAS também se encarregaram de estabelecer contato com o grupos étnicos locais. Para isso foram acompanhados de interpretes locais. Dois oficiais do SAS foram deslocados para Bruxelas, Bélgica, QG da OTAN, para manter os comandantes informados sobre os movimentos do 22 SAS na Macedônia.


 O SAS e os russos em Pristina

Uma das operações mais secretas desempenhadas pelo SAS em Kosovo foi à tentativa britânica de tomar o aeroporto de Prístina, capital de Kosovo, antes da chegada dos pára-quedistas russos ao local.

A operação deveria ocorrer uma noite antes que as forças da OTAN entrassem em Kosovo. O objetivo era negar aos russos a posse completa do estratégico aeroporto de Prístina.

Para a missão de alto risco e resultados imprevisíveis foram destacados 12 operadores do SAS, que seriam transportados pelo Hercules C-130K C.1 XV 298  da RAF, que teve seu número de série apagado, e que também levaria munição, suprimentos, motocicletas e veículos Land Rovers.

Porém o avião da RAF teve problemas elétricos e pegou fogo quando sobrevoava um acampamento de refugiados na Albânia perto de Kukes, a 15 milhas de fronteira de Kosovo, as 23.30pm da sexta-feira, 11 junho de 1999. O piloto, com muita perícia conseguiu realizar um arriscado pouso de emergência numa rudimentar pista de pouso construído pela missão humanitária dos Emirados Árabes Unidos na Albânia perto de um acampamento de refugiados. Todos o militares conseguiram sair do avião antes que esse fosse dominado pelas chamas. Provavelmente dois militares se feriram com queimaduras, um com certeza, e este perdeu o pé. Os feridos receberam tratamento de urgência em um hospital de campo dos Emirados Árabes Unidos, que estava localizado perto do campo de refugiados. O militar que perdeu o pé foi acidentado porque a carga dentro do avião não estava bem presa e foi lançada contra ele durante o pouso forçado.

Os russos que estavam voando pelo sérvia-bósnia não tiveram problemas de chegar até o aeroporto. Na verdade os 12 operadores do SAS, se tudo desse certo chegariam 30 minutos à frente dos russos.  

Na verdade os russos estavam monitorando as operações da OTAN de um navio de vigilância eletrônica, o Liman, baseado no Adriático e sabiam de um atraso de 24 horas dos americanos em seu deslocamento para Kosovo, devido às falhas em suas agências de inteligência.

A súbita tomada do aeroporto de Pristima por 200 pára-quedistas russos foi explicada pela Rússia como de “interesse humanitário”. Mas na verdade os russos queriam dar uma lição na OTAN e também evitar que o aeroporto caísse nas mãos do KLA, o que podia ser um problema para os sérvios locais.

O resultado final do caso do aeroporto enfureceu o General Wesley Clark, comandante da OTAN, que via a tomado do aeroporto como vital para as forças ocidentais.

Poucos dias depois, os pára-quedistas russos foram obrigados a pedir água aos mesmos soldados britânicos a quem haviam impedido a entrada no aeroporto. Também tinham sido alvo de disparos, supostamente feitos pelos guerrilheiros do Exército de Libertação do Kosovo. A Hungria, a Bulgária e a Romênia recusaram à Rússia o corredor aéreo necessário para levar suprimentos a suas tropas e fornecer mais dois mil efetivos de reforços. Apesar de tudo ao tomar o aeroporto de Prístina, a Rússia conseguiu um papel mais destacado no Kosovo do que teria tido de outro modo. Se o SAS tivesse chegado primeiro a história poderia ter sido diferente.



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