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SPECIAL AIR SERVICE - SAS

CAMPANHAS

Colômbia - 1989


Operador do SAS nas Falklands, armado com um Colt Commando.

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Equipes do Esquadrão D do SAS foram enviadas para Serra Leoa em 2000 para dar suporte as forças britânicas destacadas para aquele país. Sua missão a priori era realizar reconhecimento avançado nas regiões controladas pelos rebeldes. Mas quando um contingente de 11 militares britânicos pertencentes ao Royal Irish Regiment foi seqüestrado por homens da milícia West Side Boys no dia 25 de agosto, a missão do SAS em Serra Leoa mudou. 

A partir da década de 1980 e 1990 o problema do narcotráfico se tornou endêmico e internacional ao ponto das nações do chamado primeiro mundo, especialmente os EUA, maior mercado consumido de drogas (os EUA consome cerca de 80% de toda cocaína produzida na Colômbia), se verem forçadas a se envolverem de forma direta nos países produtores, para combater esta ameaça internacional.

Isto aconteceu também porque com a queda do Muro de Berlim, a dissolução do Bloco Socialista e da própria URSS, em 1991, o comunismo deixou de representar o grande inimigo, que ameaçava a ordem econômica, social e política das democracias do Ocidente. Sem um inimigo visível, com capacidade para confrontar seu poderio militar os países desenvolvidos, os EUA, em especial, trataram de se concentrar em novas ameaças, para onde podia direcionar seus sistemas nacionais e internacionais de defesa. 

Essas novas ameaças, identificadas nos documentos sobre a estratégia de defesa dos EUA, eram, pela ordem de importância, e capacidade de afetar o sistema capitalista: o fundamentalismo islâmico, o terrorismo e o narcotráfico. 

Essa nova postura americana em relação ao narcotráfico se evidenciou em 20 de dezembro de 1989, quando o presidente dos EUA, George Bush (1989-1993), ordenou a invasão do Panamá (Just Cause Operation), com o objetivo de prender o presidente Manuel Antônio Noriega e submetê-lo à justiça norte-americana por tráfico de droga. Os americanos passaram a destinar bilhões de dólares para prover treinamento e armamentos para o combate ao narcotráfico, usando meios policiais e militares. Os custos com assistência (treinamento e armas) militar e policial foram destinados em sua maioria para quatro países dos Andes:Bolívia, Equador, Peru e especialmente Colômbia. Os EUA justificavam esta concentração de recursos na Colômbia devido o receio de que o conflito neste país se expandisse e desestabilizasse a América do Sul e o Caribe.

A história do narcotráfico na América Latina é recente. Até a metade do século XX o mundo consumia basicamente a heroína, produzida pelos asiáticos. A chegada da cocaína ao mercado está associada a repressão exercida pelas polícias da Europa e dos EUA às máfias que comercializavam heroína, que deslocaram seu eixo de atenção para a cocaína e mudança de hábitos da população, primeiramente a norte-americana, que queriam drogas mais fortes em substituição a maconha. O LSD e a cocaína vêm em substituição da maconha – dita natural. Mais leve, mais fácil de contrabandear, e de criação rápida de dependência, a cocaína se tornou a preferida da classe média americana, sempre disposta a obter um pouco mais de vigor, para atender as suas necessidades do dia a dia agitado. O Peru e a Bolívia foram os países palco desse desenvolvimento das drogas. Os cartéis se localizavam principalmente nesses dois países. 

Como a Colômbia chegou ao posto que hoje ocupa? Vários fatores levaram a Colômbia a este posto: sua posição estratégica, clima favorável ao plantio, ausência de poder público, miséria e carência. A Colômbia está envolta em uma perigosa mistura de guerrilheiros esquerdistas (especialmente as FARC-Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia e o ELN-Exército de Libertação Nacional), paramilitares, as chamadas AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia) e o narcotráfico. A Colômbia vive uma guerra civil que transformou-se em um problema crônico, pois, o governo não consegue extirpar as FARC e o ELN, e estas também nunca tiveram condições de derrubar o governo e assumir o poder. 

Paramilitares colombianos.

Tropas do AUC (Autodefesas Unidas da Colômbia)

Homens das  FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia

Ocupando os vazios deixados pela falta de política agrícola de Bogotá, os camponeses foram facilmente cooptados para o plantio da coca. Logo, cartéis de traficantes se formaram, o mais notório deles, foi o de Medellín, cidade onde reinava Pablo Escobar. Os cartéis estavam de olho no crescente mercado consumidor norte-americano da cocaína. Por tudo isso o território colombiano foi eleito como celeiro do cultivo, refino e distribuição de cocaína. 

Para complicar as coisas o purismo dos guerrilheiros esquerdistas ruiu com o muro de Berlim em 1989. Eles, que antes combatiam os traficantes, identificando-os com os costumes decadentes do capitalismo americano, viram suas fontes ideológicas e de armas secarem com a dissolução da União Soviética. Quase que por milagre, passaram a protegê-los (ou não incomodá-los) em troca de pedágios e benefícios. Essa simbiose criou a narcoguerrilha e fez os americanos olharem a Colômbia com óculos bifocais. 

Os americanos com um novo inimigo à frente, a narcoguerrilha, enviam para a Colômbia bilhões de dólares e também:

- Armas;

- Equipamentos de comunicação e vigilância;

- Aviões espiões (entre eles o De Havilland RC-7) e de transporte (DC-3, Hercules, etc.);

- Helicópteros (Hueys e BlackHawks);

- Agentes da CIA (Central Agency of Inteligency - Agência Central de Inteligência) e da DEA (Drugs Enforcement Agency - Agência de Combate as Drogas);

- Assessores militares (forças especiais), que treinam especialmente batalhões anti-nacotráfico e anti-guerrilha.  

Participam também de operações relacionadas com a Colômbia pessoal do Departamento de Defesa, USAF, USMC e US Navy. As operações militares americanas são coordenados pelo Comando do Sul dos EUA.

Os americanos estiveram envolvidos diretamente na morte de Pablo Escobar em 1993, usando para isso a Força Delta. Visto que a Força Delta "não existe" os créditos da operação foram dados a DEA e ao grupo paramilitar Los Pepes tropa especial que estava a serviço da Polícia Nacional da Colômbia.

Os americanos também estão implementando o Plano Colômbia desde 11 de julho de 2000, com o intuito de dar maior apoio ao governo colombiano para combater a narcoguerrilha. O Plano Colômbia, que conta com a aprovação e contribuição da ONU, contempla o envio, dos EUA, de 1,3 bilhões de dólares dos quais 935 serão destinados ao Exército e à polícia. O resto seria destinado a “investimentos sociais”. Essas quantidades seriam o início de um Plano que prevê um investimento total de 7,5 bilhões de dólares provenientes de países vizinhos e essencialmente da União Européia. Os americanos estão estabelecendo bases militares para aviões espiões, de transporte e de combate e uma rede de estações de radar ao redor (Equador, Peru, Aruba-Curaçao, etc.) e dentro da própria Colômbia para ajudar em seus esforços de guerra. 

O fato de não ter conseguido até agora algemar a guerrilha anabolizada pela cocaína, diz mais sobre o conluio entre os dois grupos, guerrilheiros e traficantes, e erros estratégicos dos americanos e colombianos do que pela capacidade profissional dos soldados colombianos. Tanto guerrilheiros como traficantes sabem que Bogotá combate em duas frentes, e a derrota de um deles, fará voltar todo o aparelho militar colombiano para o outro.

As firmas particulares de segurança

Firmar particulares de segurança ("mercenários?") também estão presentes no conflito colombiano. Na verdade a Colômbia é um lugar promissor para elas. Elas são israelenses, norte-americanas, inglesas, australianas, sul-africanas e até dos países do Leste europeu, entre outras. Seus "consultores" vão desde generais da reserva a ex-combatentes de diversas guerras. Entre os "contratados" por estas empresas estão inclusive brasileiros, especialmente pilotos de avião e helicóptero.

O grosso dos "consultores" estrangeiros que participam da guerra são norte-americanos: "Boinas verdes" reformados, ex-agentes da CIA, pilotos de avião e helicóptero (de preferência com experiência militar). São estimados entre 500 e 1.000 membros (a embaixada assegura que são 30), grande parte deles são ex-oficiais e ex-soldados veteranos da Guerra do Vietnã, do Golfo e do Kosovo, inclusive alguns são coronéis e generais. Eles estão treinando ou comandando as forças do governo ou paramilitares.

Entre as empresas de segurança que operam na Colômbia, de olho nos 1,3 bilhões de dólares da ajuda (mais de 75% de tipo militar) dos Estados Unidos ao Plano Colômbia, estão as norte-americanas Military Profesional Resources Inc. (MPRI), Northrop Grummar, de Los Angeles, e a megaempresa DynCorp. A DynCorp, a maior delas, foi fundada no fim da Segunda Guerra Mundial, para acolher a tropa desmobilizada e realizar a chamada "guerra suja", durante a Guerra Fria. O seu faturamento é superior a 1,2 bilhões de dólares por ano.  Os serviços da DynCorp incluem socorristas, mecânicos e pilotos de helicópteros e aviões para as missões de fumigações dos cultivos de coca e papoula (matérias-prima da cocaína e da heroína, respectivamente), localizadas em regiões dominadas por grupos guerrilheiros de esquerda e paramilitares de direita. Os críticos sustentam que os ‘‘mercenários’’ são usados em áreas sensíveis porque a morte de soldados norte-americanos na Colômbia não seria aceita pela opinião pública do país mais rico do mundo. Também passaram pela Colômbia firma inglesa Sandline, a sul-africana Executive Outcomes (EO) e algumas israelenses, não identificadas. 

A DSL-Defense Systems Limited britânica prover, através de sua subsidiária DSC-Defence Systems Colombia segurança para as instalações e o pessoal da British Petroleum-BP,  multinacional britânica da área petrolífera. Muitos dos funcionários da DSL/DSC são ex-membros do SAS e do MI6. A BP foi acusada de usar os ex-SAS da DLS/DSC para treinar policiais colombianos em ações anti-insurgentes visando proteger suas instalações petrolíferas. Enquanto davam o seu treinamento o pessoal da DSL/DSC usava uniformes da policia colombiana. A DSL no passado já deu treinamento em operações anti-insurgentes às forças da segurança do Sri Lanka, Papua Nova Guiné, Angola e Moçambique.

A participação da Grã-Bretanha

Os três irlandeses do IRA presos em 2001 na Colômbia.  

Em agosto de 2001 três irlandeses (Jim Monaghan, Martin McCauley e Niall Connoly), partidários do IRA foram presos na Colômbia.

A Grã-Bretanha como fiel aliada dos americanos deu seu aval a essa nova cruzada contra as drogas e colocou todo o seu apatato militar a disposição dos americanos. Os ingleses enviaram aviões Nimrods da Real Força Aérea e barcos da Royal Navy para ajudar no patrulhamento e monitoramento de rotas do narcotráfico.

Até cães farejadores da Polícia Metropolitana e da RAF foram enviados em missão para a América Latina. Porém a principal unidade britânica usada no conflito colombiano foi o 22 SAS.

A situação na Colômbia já tinha chamado a atenção da Grã-Bretanha em meados do anos 1980, mas foi nos anos 1990 com o envolvimento da guerrilha colombiana com o grupo separatista basco ETA e principalmente com o IRA (Exército Republicano Irlandês) que o interesse britânico pela Colômbia aumentou consideravelmente.

As agências de inteligência descobriram que o Exército Republicano Irlandês fazia parte de uma rede internacional de terrorismo que treinava grupos guerrilheiros como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Para o IRA e a ETA, as Farc poderiam representar uma nova fonte de material bélico, para substituir o extinto bloco comunista do Leste Europeu - de onde vinha, por exemplo, o explosivo plástico Semtex, o preferido dos terroristas europeus e do Oriente Médio, e que a República Checa parou de produzir.

 

Em agosto de 2001 três irlandeses (Jim Monaghan, Martin McCauley e Niall Connoly), partidários do IRA foram presos na Colômbia. Segundo informações além de dar treinamento em explosivos par guerrilha, o IRA usou a Colômbia para testar armas em conjunto com o setor da organização responsável por desenvolver armamentos. O IRA testou protótipos, incluindo foguetes. 

O SAS na Colômbia

Conselheiros militares britânicos (SAS) em uma formatura de uma unidade de elite do Exército da Colômbia em 1995.  

Três operadores do SAS ao lado de autoridades militares colombianas tentam esconder seus rostos dos fotografos.

Em 1989, atendendo a apelos dos EUA , a Grã-Bretanha decidiu enviar equipes do SAS para a Colômbia. A equipes iam fornecer treinamento para soldados colombianos e isso para os britânicos servia para dois propósitos: fornecer uma experiência realista em operações na selva para as forças especiais britânicas e demonstrar o compromisso da Grã-Bretanha com a cruzada do presidente Bush contra as drogas.

Os soldados britânicos treinaram primeiramente uma força policial exclusivamente anti-narcótico. Em dezembro 1989, terminando seu treinamento com o SAS, um capitão, lotado agora a uma outra força interna de segurança, recebeu a missão de prender um barão da coca, Gonzalo Rodriguez Gacha (' EL Mexicano '), que era sempre acompanhado por seu filho e uma equipe de guarda-costas. Gacha tinha sido responsável pelo assassinato do Presidente Virgilio Barco da Colômbia e do candidato presidencial do partido liberal, Luis Galan, em agosto de 1989. Gacha vivia em segurança um rancho a algumas milhas de Pacho, norte de Bogotá. 

Então as forças de segurança invadiram o rancho de Gacha, mas ele escapou.O capitão treinado pelo SAS organizou uma operação combinado usando um helicóptero, tropas a pé e barcos rápidos para caçar Gacha. Porém Gacha desapareceu em uma floresta adjacente. Foi neste momento que o herói aplicou o treinamento básico de selva que tinha recebido apenas do SAS. Ele examinou com cuidado um mapa da área e usou o helicóptero para colocar uma equipe avançada sob o seu próprio comando, para montar uma emboscada sobre a rota de escape mais provável. Seu plano deu certo. Gacha, com seu filho Freddy e cinco guarda-costas foram mortos pela patrulha do capitão colombiano. Os americanos disseram que foram eles que coordenaram as operações e estavam felizes pelos resultados obtido frutos de suas assistência. O SAS como de praxe não fez nenhum comentário, mas sabia que se alguém tinham algum crédito eram os colombianos e o SAS. 

O SAS deu durante a década de 1990 uma série de cursos intensivos sobre guerra na selva, na montanha e urbana, além de dar treinamento em áreas de inteligência militar. Os operadores do SAS eram muito admirados pelos colombianos por seu profissionalismo e resistência durante os treinamentos. Um dos batalhões que recebeu treinamento do SAS foi a Fuerza Jungla. Este batalhão é responsável para encontrar e destruir fábricas de droga em áreas remotas. 

O operador do 22 SAS, Gaz Hunter, em missão na Colômbia 

Os operadores do SAS estiveram envolvidos diretamente no resgate do sargento Timothy Cowley, feito refém na Colômbia em agosto de 1995. Os britânicos proveram inteligência e assessoria as forças colombianas que conseguiram libertar Cowley. 

Em pleno Século XXI o apoio da Grã-Bretanha a Colômbia continuava, como sempre bem mais discreto que o dos EUA. Os britânicos fornecem basicamente aos colombianos três coisas: treinamento militar especializado (contra-guerrilha, inteligência militar, guerra urbana, etc.), equipamentos militares de vigilância e assessoria militar. A frente deste esforço estavam os homens do 22 SAS e agentes do MI6.



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