SPECIAL AIR SERVICE

CAMPANHAS - 2ª Guerra Mundial

1941-43 - África do Norte 


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O batismo de fogo do SAS aconteceu durante um ataque aos aeroportos de Tmimi e Gazala, realizado na noite de 16 de novembro, um pouco antes da ofensiva de Auchinleck, porém o SAS saiu-se muito mal, embora algumas lições preciosas para ações subseqüentes tenham sido aprendidas. 0 próprio Stirling explicaria mais tarde que a falta de luar e o vento forte tornaram aquela noite totalmente inadequada para uma operação de pára-quedistas. A areia e a poeira do deserto dificultaram a navegação aérea, um avião atacado por caças alemães fez aterrissagem forçada, alguns homens foram mortos ao desembarcar e ninguém atingiu seu objetivo em qualquer grau. Dos 64 participantes da missão, apenas 22 homens, sendo quatro oficiais, conseguiram encontrar-se com o LRDG (Long Range Desert Group, grupo de operações de longo alcance no deserto). A operação foi um completo fracasso. 

Apesar de acidentes, a força desfrutava de moral alta e produziu seu próprio distintivo (adotado logo após o período de treinamento), que era constituído por uma espada com as asas dos pára-quedistas. O lema "WHO DARES WINS - Que Ousa Vence” foi escolhido pelo próprio Stirling. O punhal alado, produzido pelo Sgt Bob Tait, foi o desenho premiado em uma competição. Uma versão de sua origem é que o punhal deveria ter a forma da espada do Rei Arturo, Excalibur, mas quando o alfaiate egípcio que foi borda-la, a arma se parecia com um punhal. Desde que os Comandos e outras forças especiais estavam usando o punhal Sykes Fairburn (SF), deixou-se o punhal alado no distintivo do SAS. O distintivo azul escuro e azul claro com as asas de pára-quedistas foi projetado por  Jock Lewes que remou por Oxford. Ele incorporou  o azul claro a outro distintivo feito pelo tenente Langton que também tinha remado por Cambridge. A forma das asas está baseado nas pinturas egípcias antigas de escaravelhos. A boina original era branca, mas a cor foi zombada pelos australianos e neo-zelandês que faziam parte do SAS e a cor branca foi substituída pela cor bege.

Os novatos usavam o distintivo da unidade (ass de pára-quedistas em fundo azul escuro) no ombro direito. Quando o indivíduo adquiria experiência em combate, lhe era permitido usar o distintivo no peito esquerdo. 

Uma unidade tão pequena com boina e insígnia próprias era algo proibido segundo o Regulamento do Rei,  no Exército britânico. Pois como era simplesmente um Destacamento os integrantes do SAS deveriam usar os distintivos e insígnias dos regimentos a que pertenciam. Isso era o que defendia o irritado setor do Ajudante- General (encarregado do pessoal). Mas como sempre Stirling lutou por suas idéias e o general Auchinleck aprovou pessoalmente a boina e a insígnia quando ele se encontrou com Stirling que as usava no Q-G do Oriente Médio, no Hotel Shephard do Cairo. 

A reunião entre Stirling e Lioyd Owen, do LRDG, que aconteceu alguns dias depois, no amanhecer do dia 20 de novembro de 1941, levaria o SAS a extraordinários sucessos. Owen propôs que suas patrulhas levassem os grupos tão perto de seus alvos quanto pudessem e, depois, esperassem num ponto predeterminado para recolhê-los de volta.

Os dois grupos - de especialistas em ataque e o de especialistas em transporte no deserto - completavam-se perfeitamente. No início de dezembro, um grupo comandado por Paddy Mayne destruiu 24 aviões inimigos no aeroporto de Tamet, enquanto outro, o de Bill Fraser, eliminava 37 em Agedabia. Duas semanas depois, seis homens, liderados por Maine, voltaram a Tamet e deram cabo  de mais 27 aviões. 

A arma usada para a destruição dos aviões inimigos era uma invenção do SAS. Era uma bomba incendiário chamada de bomba Lewes, em homenagem ao seu criado Jock Lewes. A bomba consistia de uma mistura  de plástico explosivo e térmite (pó de óxido de ferro e pó de alumínio), que parecia um bolo de natal. 

A ousadia, a surpresa, e a determinação começavam a dar grandes resultados. Porém as vezes acontecia de as equipes do SAS se perderem e não encontrarem o pessoal do LRDG. Certa uma patrulha não achou o seu ponto de reunião com o LRDG e teve que cobrir 300 km de deserto até as linhas Aliadas. Quando chegaram às linhas britânicas, eles tinham capturado 2 caminhões alemães e tinham levado sua tripulações como prisioneiros. 

Transporte do LRDG - Um exemplar do famoso caminhão Chevrolet CWT (aqui o "Aroha Te III" da Patrulha T - neozelandesa) em março de 1942

A maneira como o SAS obteve esses sucessos foi muito bem resumida por Fitzroy Maclean. Ele explicou que os melhores alvos foram os aeroportos. Localizados muito longe, atrás das linhas de defesa, eram defendidos inadequadamente por uma cerca de arame e umas poucas patrulhas com postos de metralhadoras. Tendo estudado a posição, tornava-se relativamente simples para os grupos do SAS infiltrarem-se nas defesas, a fim de plantar as cargas incendiárias nos aviões.

Dispositivos de retardamento davam aos atacantes a oportunidade de escapar antes da explosão das bombas. Eles então partiam ao encontro do grupo do LRDG. Ao final de 1941 o SAS tinha destruído mais de 100 aeronaves inimigas. Mas não foram somente aviões os alvos do SAS. A batalha pelo norte da África constituiu sempre uma luta por suprimentos. Stirling logo percebeu que os serviços logísticos de Rommel - portos, depósitos, linhas ferroviárias, comboios de veículos - tinham igual importância e, além disso, mostravam-se vulneráveis aos ataques de surpresa. Mas infelizmente em 1941 Jock Lewes tinha sido morto em um ataque aéreo inimigo a sua escolta. Stirling e Mayne foram promovidos a Major e Capitão respectivamente, e condecorados com DSOs. Eles foram autorizados a expandir o número de homens do SAS. 

Entre janeiro e maio de 1942, montaram-se diversas ações com a finalidade de destruir embarcações nos portos de Bouerat e Benghazi. Elas foram mais singulares pela facilidade com que os grupos do SAS penetraram nos portos dominados pelo inimigo do que, pêlos danos causados, embora diversos depósitos de suprimentos e muitos veículos tenham sido destruídos. Foi na incursão ao porto de Bouerat que pela primeira vez dois homens SBS participação de uma ação ao lado do SAS.

Em março de 1942 foi realizado o reconhecimento de Benghazi. Numa das "visitas" de reconhecimento a  Benghazi, Stirling levou consigo Fitzroy Maclean e Randolph Churchill, filho do então primeiro-ministro britânico. Eles passaram dois dias na cidade, realizando um trabalho muito útil de reconhecimento. Maclean falava italiano fluentemente e, quando os sentinelas mostraram-se interessados demais em suas atividades, solicitou numa atitude ousada, uma entrevista com o comandante da guarda. Mais tarde, ele escreveu que durante tais explorações ninguém prestava qualquer atenção, desde que não se demonstrasse insegurança. Comportar-se naturalmente, evitando qualquer forma de atitude furtiva, tornava-se mais eficiente que os melhores disfarces ou documentos falsos.

Homens do SBS em treinamento.

Pessoal do SBS em treinamento

Também foi tentada uma série de assaltos a aeródromos na área de Benghazi. Porém só Mayne conseguiu destruir algumas aeronaves (15 ao todo) no aeródromo perto de Berka. Nesse período os alemães recapturaram Jalo e o SAS teve que se mudar para Siwa. 

Embora as equipes do SAS continuassem a ter sucesso, o 8.° Exército não estava se saindo tão bem e, por volta de junho de 1942, havia recuado para a linha de El Alamein. Foi então que Stirling decidiu montar uma série de ataques para o início de julho, com a finalidade de destruir aviões em cinco aeroportos localizados logo atrás das linhas alemãs, nos quais empregaria toda a sua força, de cerca de cem homens. Os vinte caminhões e quinze jipes que o acompanhavam podiam levar suprimentos suficientes para uma viagem prolongada. Mas antes disso ainda no mês de junho e julho o SBS e os franceses livres montaram suas operações.

 

Aviões nazistas destruídos pelo SAS.

Aeronaves da Luftwaffe destruídas em terra pelo SAS

Nesse período os franceses livres destruíram um depósito de munição em Barce e em julho um destacamento do SBS com os franceses livres, sob as ordens do Conde George Jellicoe foi levado de submarino para próximo da costa norte de Creta, onde remaram até a ilha em barcos de borracha. Eles desembarcaram e destruíram 21 aeronaves inimigas em Heraklion. Porém George Berge foi capturado e morto quando tentava escapar.

Os franceses livres, junto com pessoal do SIG, que estavam disfarçados de soldados do Afrika Korps, tentaram penetrar nas defesas dos aeródromos localizados na área de Derna-Martuba em 13 de julho 1942. O ardil foi denunciado por um alemão que estava no grupo incursor, que era ex-sargento da Legião Estrangeira francesa e se dizia anti-nazista. Todos os homens foram capturados menos dois. Devido a essas baixas e outras sofridas em um assalto ao porto de Tubruk em setembro no mês de dezembro de 1942 o SIG deixou de existir devido a problemas com recrutamento. 

Desde dezembro de 1941 os assaltos contra aeródromos inimigos, depósitos de combustível e instalações portuários tinham acontecido todos os meses e tinham deixado o inimigo inseguro na retaguarda. Stirling instalou o princípio de agressão total ao inimigo, ordenando aos seus homens que metralhassem tropas inimigas dormindo, bombardeassem barracas, atirassem em veículos parados e etc. O sucesso do SAS era tal que os alemães treinaram batalhões de segurança em ações anti-SAS, com o objetivo de localizar e capturar as patrulhas inimigas depois de um ataque. Os alemães chamavam Stirling de o 'Major Fantasma'. 

Procurando introduzir modificações na técnica de ataque que vinha sendo empregada, Stirling passou a experimentar um novo método. A idéia era empregar jeeps armados com metralhadoras, pois as bombas usadas ar vezes falhavam, deixando muitos aviões inimigos intactos. Isso aconteceu numa incursão ao aeroporto de Bagush.

Famosa foto do SAS - O Tenente Edward McDonald (de luvas) dos Queen's Own The Cameron Highlanders,
comandante de patrulha, tendo ao seu lado o Cabo Bill Keneddy, dos Royal Scots Greys, enfileira os jeeps de sua patrulha do deserto.

Estes livraram o SAS das restrições de sempre depender do LRDG em seus deslocamentos, o que permitiu ao SAS montar de três a quatro missões por semana atrás das linhas inimigas. Antigamente o SAS penetrava na retaguarda inimiga no período sem lua de cada mês e o resto do mês ficava inativo. Os Jeeps seriam tripulados por um motorista e dois atiradores, para cuidarem de quatro metralhadoras Vickers, e avançariam em formação. Dirigidos por Stirling, os jipes invadiriam os aeródromos, despejando balas traçadoras e bombas incendiárias para destruir o que quer que neles houvesse. 

Tendo deixado 30 homens no ponto de encontro perto de Qattara, ele foi ao Cairo para obter o equipamento necessário. Oito dias em julho de 1942, os jeeps Willys ficaram disponíveis para o SAS e ele retornou com 20 deles, alguns caminhões de 3 toneladas e suprimentos. O plano no qual pretendia testar a sua nova concepção de ataque envolvia uma incursão com 18 jipes contra Sidi Haneish, a principal área de lançamento dos alemães, próximo de Fuka.

À guisa de ensaio, os jeeps partiram para o deserto, à noite, em duas colunas, afastadas 5 metros uma da outra. Stirling, com seu navegador, Michael Sadier, conduzia a força, com seu jeep colocado entre as duas alas da formação, um pouco à frente dos lideres das colunas. Quando ele disparou um Verey light (foguete luminoso), os jipes se abriram em "V" e dispararam contra um flanco. Com tantas armas em veículos tão pequenos como os jipes, havia o perigo de os motoristas serem atingidos e isso os obrigava a permanecer bem "duros", mesmo quando manobrando os veicules em terreno acidentado. Inclinar-se para a frente ou para trás significava a morte. Felizmente os ensaios prosseguiram até que Stirling ficou satisfeito, sem que houvesse acidentes. 

Jeep do SAS bem carregado e armado. Na frente tem uma .50 (carona) e uma Vickers K .303 simples (motorista). Atrás uma Vickers K dupla.

Os jeeps estavam armados com metralhadoras gêmeas Vickers K de .303 algumas tiradas de velhos aviões da RAF, montadas na frente e atrás (algumas versões substituíram o par dianteiro de Vickers por uma  Browning .50, e algumas tinham uma única Vickers que o motorista poderia operar). Um condensador de água estava adaptado ao radiador e a suspensão foi reforçada. Tanques de combustível extras davam um alcance extra de 650 quilômetros. Recipientes de água, comida, munição extra, redes de camuflagem, kit pessoal e uma bússola de sol completavam a carga. 

Stirling testou a sua idéia de usar os jipes contra ao aeroporto de Bagush em 8 de julho, quando foi acompanhado por Paddy Mayne,  Ele retornou ao aeroporto com seus homens em três jipes equipados com metralhadoras pesadas, com a finalidade de destruir os aviões restantes de um ataque anterior que não tinham sido destruídos pelas bombas. Mais uma vez, a velocidade e a surpresa funcionaram como elementos decisivos para o sucesso da ação. 

Tendo demonstrado a tática, Stirling decidiu  atacar o aeródromo de Sidi Haneish, onde  eles usariam uma formação em V de duas colunas de sete Jipes comandados respectivamente por Conde George Jellicoe e Paddy Mayne.  Eles se deslocariam pela pista onde estavam alinhados as aeronaves estacionadas em cada um dos lados. A 26 de junho de 1942 pouco depois do pôr-do-sol, a força de jipes deixou a base do deserto, situada próximo a Bir Chalder, dirigindo-se para Sidi Haneish, a uns 65 km a noroeste. Chegando lá eles passaram pela  pista do aeródromo em alta velocidade e em minutos destruíram 40 Ju-52 . Eles perderam dois homens que foram mortos, um outro se feriu e dois jeeps foram destruídos. 

O 1 SAS

Durante os primeiros 14 meses do a existência do SAS Stirling lutou contra as investidas do Estado-Maior no Cairo em fundir a outras forças especiais no Oriente Médio e subordiná-las a um único comando. Porém Stirling  sempre enfatizava que o papel do SAS era estratégico e não tático. A participação dos SAS na assalto a Benghazi garantiu para Stirling a existência independente de sua unidade e e ela foi estabelecida como um regimento em  28 de setembro de 1942. O Destacamento L passou  formalmente a ser chamado de 1º Regimento do Serviço de Ar Especial. Neste instante as insígnias e a boina bege do SAS foram reconhecidos oficialmente, pois até este momento eram usadas de formas irregular e só tinham a aprovação pessoal do general Auchinleck.

Membro do Esquadrão dos franceses livres do 1 SAS (1ere Compagnie de Chasseurs Parachutistes) em pleno verão de 1942 no Deserto Ocidental. Ele usa uniforme britânico e insígnias francesas de pára-quedistas.

Em agosto de 1942 a Seção "Z" (formada pelo Major Roger Courtney em 1940 e que desde de 1941 operava com os Commandos no Oriente Médio), a SBS (Special Boat Section, seção especial de embarcações - uma unidade formada na primavera de 1941) e  três grupos de canoeiros sob o comando do Conde Jellicoe (era da seção de reconhecimento da Layforce), foram absorvidos pelo Esquadrão "D" do 1.° Regimento do SAS. O total de homens era de 55 peritos nadadores e canoeiros (15 oficiais e 40 subalternos) e passou a fazer parte do 1 SAS depois Stirling  de fazer lobby em favor disto.

A Seção Especial de Barcos (SBS) permitiu ao SAS lançar operações contra portos, e chegou se tornar uma força significativa nas operações futuras no Mar Egeu. Com o desbaratamento  dos Commandos do Oriente Médio, que era o último remanescente da Layforce, foi permitido a Stirling  recrutar um 10 oficiais adicionais e 100 homens. Também se uniram ao SAS 94 pára-quedistas franceses livres (14 oficiais e 80 subalternos) )vindos da Síria que estava encalhados em Alexandria. Eles estavam sob as ordens do Comandante (Maj) George Berge.

Dentro do SAS  eles formaram um esquadrão separado. As tropas francesas do SAS tiveram mais tarde uma importantes participação nas ações de preparação para os desembarques do DIA-D na Normandia. Uma unidade impar que se uniu ao SAS foi o Grupo Especial de Interrogação (SIG - Special Interrogation Group) comandado pelo Capitão Herbert Buck MC é que era  formado 12  judeus alemães que viviam na palestina e se ofereceram para operar disfarçados de soldados alemães e usar veículos inimigos capturados, apesar das conseqüências esperadas se fossem capturados. O SAS também recebeu o reforço pelo fim de 1942  de 114 homens (14 oficiais e 100 subalternos) do Esquadrão Sagrado grego. Stirling  foi favorável a inclusão dos gregos pois imaginava que eles seriam de grande ajuda no futuro para as que ele queria realizar com o  SAS na Grécia e no Mar Egeu. Mais tarde os gregos foram lotados ao SBS e enviados para lutar no Egeu. 

O Esquadrão Sagrado grego foi formado em agosto de 1942 por oficiais do Real Exército Helênico que tinham escapado da Grécia depois da invasão alemã. Esta foi a terceira encarnação da unidade: o primeiro era o União Sagrada Tebana que tinha ido ajudado a Grécia livre a lutar contra a dominação Espartana na Batalha de Leuctra em 371 AC; a segunda encarnação, o Batalhão Sagrado tinha servido na Guerra grega de Independência em 1821-1829. O nome da unidade veio do penhor de fidelidade que os amantes da Boetian tinham da Faixa Sagrada original feito no túmulo de Iolaus.

O Esquadrão Sagrado grego (ou Regimento) tinha a tradição de não recusar nenhuma missão, morrendo até o último homem se necessário. Era comentado que eles esperavam 50% de baixas em um assalto e se sentiam frustrados se isso não ocorresse. Seu lema era 'Retorno Vitorioso ou morte' - diziam que essa era a divisa que as  esposas falam aos seus maridos guerreiros quando  partiam para às guerras na Grécia Antiga. O Esquadrão Sagrado grego trabalhou depois com o SBS nas suas operações no Mar Egeu e nas Ilhas Dodecanese usando caíques (veleiros gregos).

Stirling foi promovido Ten. Coronel, mas a independência de sua unidade foi perdida pois a partir de outubro de 1942 o 1 SAS ficaria agora subordinado a "Força Incursora C" criada por Montgomery  e comandada pelo Coronel Shan Hackett, que felizmente estabeleceu com Stirling  um ótimo relacionamento e acatou muitas de suas idéias.

O 1 SAS com uma força de 600 homens foi reorganizado e passou a ter um esquadrão de QG e quatro esquadrões: A, B, C (franceses livres) e D (o SBS). Cada esquadrão foi dividido em três tropas cada uma com três seções. Paddy Mayne recebeu o comando do esquadrão A que era constituído principalmente pelos membros originais do Destacamento L.

O esquadrão A hostilizou o inimigo nos meses de outubro-novembro de 1942 de uma base operacional avançada localizada no Grande Mar de Areia, partindo de Kufra. Estrada de ferro enfileira, provê e foram batidos aeródromos. Esquadrão de B inicio ataques partindo de Bir Fascia em dezembro 1942 mas dentro de poucos dias a maioria dos membros de suas patrulhas tinham sido mortos ou feitos prisioneiros.Enquanto isso o Esquadrão de D estava sendo treinado para usar caiaques gregos em Beirut. 

Após a vitória de Montgomery em El Alamein.o 8º Exército avançou de forma impetuosa em direção a Tripoli, processo que delegou ao SAS diversas tarefas, com o objetivo de acelerar o final da guerra na África: a prestação de assistência ao 8° Exercito na captura de Trípoli, o reconhecimento da Linha Mareth e a destruição de linhas de suprimentos. Porém, no início de 1943, com as forças do Eixo comprimidas na Tunísia, o espaço de operação do SAS, antes bastante amplo por causa do deserto, estava agora reduzido e as operações do SAS começaram a ser prejudicadas. 

2 Regimento de SAS  

Devido ao sucesso do 1 SAS, foi autorizada a formação de uma segunda unidade SAS, o 2º Regimento do Special Air Service, ou simplesmente 2 SAS. Ele foi formado em janeiro de 1943 pelo Tenente Coronel William Stirling, irmão de David Stirling, em Phillipville em Argélia. O 2 SAS era formado por homens vindos do Comando 62, também conhecido Station 62, STS 62 ou SSRF - Small Scale Raiding Force. Quando os Aliados desembarcaram na Argélia em novembro de 1942, o Ten. Coronel William Stirling já estava preparado com o seu Commando 62 (SSRF) para realizar várias missões de ataque. 

O SSRF era uma força anfíbia especializada em sabotagem, reconhecimento e levantamento de inteligência. O SSRF foi criado em março de 1942 com 55 oficiais e soldados. Esta unidade era classificada como secreta e suas ações e existência não eram mencionadas. O SSRF operou na Europa e tinha a missão de levantamento de inteligência e de fazer prisioneiros para obter informações. O SSRF usava MTB (Motor Torpedo Boat) 344, que era parte do flotilla secreta do SOE (Special Operations Executive). Os membros originais do SSRF não eram commandos, mas receberam o treinamento básico de commandos em Achnacarry, Escócia.

Em outubro de 1942 o SSRF teve o seu contingente aumentado e passou a ter quatro tropas, formadas por membros originais e por homens retirados de unidades regulares das tropas de commandos para a realização de operações específicas. O principal Commando que cedeu tropas foi o Commando 12. O então Major William Stirling, foi destacado para ser o seu comandante e estava subordinado diretamente a Lord Mountbatten.

Muito menor que uma unidade de Commando padrão, em novembro de 1942 só contava com aproximadamente 60 homens, o SSRF montou a sua base em e Philippeville, mas logo foi desmobilizado em abril de 1943 para formar a base do 2 SAS na África do Norte. Os membros do SSRF que não foram para o 2 SAS se juntaram ao SOE, COPP (Combined Operations Pilotage Parties), Commando 12 ou formaram o Special Boat Squadron, sob o comando do Major Earl Jellico..

O 2 SAS era constituído de cinco esquadrões: A, B, C, D e um contingente de franceses livres. 2 SAS nunca esteve subordinada ou administrativamente ligado ao 1 SAS. O 2 SAS respondia ao braço responsável pelas operações especiais do 15º Grupo de Exército. Em maio de 1943 o 2 SAS foi oficialmente estabelecido.

A perda de David Stirling

O avanço de Montgomery  para atingir Trípoli foi marcado para 15 de janeiro de 1943. As tarefas distribuídas ao SA S, para encaixar-se nessa operação, eram as seguintes: O Capitão Jordan e três patrulhas de franceses livres atacariam a linha de comunicações entre Sfax e Gabes, na Tunísia, e uma segunda força faria uma demonstração a oeste de Trípoli, enquanto o 8° Exército atacava de leste para o sul. O objetivo dessa demonstração era estabelecer o pânico, para que os alemães não tivessem tempo para destruir instalações. Uma terceira força do SAS foi encarregada de explorar a "Linha Mareth", na Tunísia, a 320 km a oeste de Tripoli; e o próprio Stirling faria um reconhecimento no norte da Tunísia para fazer contato com o 1º Exército britânico, que desembarcará na Argélia ao lado do V Corpo americano e do 19° Corpo de Exércitos francês. Esta força, sob as ordens de Eisenhower, avançava da Argélia para a Tunísia em duas direções sul e leste. Stirling também planejava trazer o récem-formado  2.° Regimento do SAS. Com o 2 SAS dividido em duas unidades, Stirling tinha planos de manter três regimentos, distribuídos nos principais teatros da guerra: o leste do Mediterrâneo, a área central do Mediterrâneo e Itália e a futura segunda frente na Europa.

Para a missão na Tunísia Stirling decidiu levar Sadier como navegador, pois a travessia do território desconhecido da Argélia seria difícil. Partiu a 10 de janeiro, rumando para Bir Guedaffia, onde se juntaria a Jordan e suas três patrulhas. Uma vez em Bir Guedafïia, decidiram dividir a força em duas seções, que viajariam independentes até um ponto de encontro no norte da Tunísia, chamado Bir Soltane, localizado em território que Stirling teve de explorar para o Serviço de Inteligência do 8° Exército. Seria aquele um bom ponto de partida para Jordan e suas operações entre Sfax e Gabes.

A princípio a viagem foi boa... Os caminhões desenvolviam 80 km/h até que chegaram a Ghadames, onde souberam que o General Leclerc e as forças francesas livres, realizando brilhante marcha desde o Lago Tchad, estavam a apenas 112 km dali.

Mas, não havendo tempo para recepcioná-las, Stirling desviou-se para o norte, passando por uma área conhecida como "Grande Mar Ergh", o mais terrível terreno que transpusera até então. Perto de Bir Soltane, ele passou a explorar a região em torno da "Linha Mareth", e ali soube que Montgomery tomara Trípoli. No mesmo comunicado, o Serviço de Inteligência do.89 Exército insistia na realização urgente de incursões contra Sfáx e Gabes. Stirling despachou Jordan e sua coluna para o norte e imediatamente reformulou o programa que se havia traçado. A sua rota e a do 8° Exército para Argel passariam ao sul do Lago Djerid, mas em vista do rápido avanço do 8º Exército, ele decidiu reduzir o período de reconhecimento a apenas um dia, seguir Jordan pela garganta entre o lago e a linha costeira em Gabes (a "Garganta de Gabes") e correr para o norte, a fim de atacar Sousse antes de prosseguir. O Serviço de Inteligência informava que a situação do abasteci mento de Rommel estava ficando cada vez mais desesperada, e que cada golpe na sua retaguarda ajudava consideravelmente o 8° Exército.

Assim, Stirling correu para o norte, passando por terreno difícil, na direção da "Garganta". Com ele iam 14 homens em 5 jipes. Pouco antes do anoitecer, dois aviões de reconhecimento alemães apareceram e, depois de sobrevoar o local, avistaram a coluna e foram-se embora. Pêlos cálculos de Stirling, Jordan já havia começado a operar, e os alemães estavam observando atentamente a "Garganta". Evidentemente, as  forças de terra seriam alertadas e partiriam imediatamente contra ele. Por isso, era imperioso atravessar a "Garganta" antes do amanhecer. Penosamente, a coluna foi avançando, ao longo de caminhos rochosos, cortados por ravinas profundas e, quando clareou o dia, já havia percorrido outros 32 km. Chegaram à beira da estrada de Gafsa e os homens podiam ver o tráfego inimigo percorrendo-a. Depois de por uma hora aguardar que o caminho ficasse livre, eles atravessaram a estrada velozmente e cobriram, na direção norte, outros 32 km, até um wadi profundo que oferecia excelente proteção. Após esconder os veículos, Stirling mandou Sadier e um outro oficial dar uma olhada pêlos arredores, e eles não demoraram a voltar, dizendo que havia outra estrada, cerca de 1.600 m adiante, por onde fluía intenso tráfego inimigo. Havia também uma espécie de depósito com caminhões carregando e descarregando. O Castelo de Colditz.

Recebendo a notícia calmamente, Stirling sugeriu que todos dormissem. Na noite seguinte eles atacariam Sousse. Mas as coisas saíram erradas. Próximo à hora do chá, Sadier e Cooper, que estavam na entrada do wadi, ouviram pisadas fortes, de botas do exército, e, ao tentarem verificar, viram-se diante de soldados armados. Os incursores haviam sido surpreendidos enquanto dormiam. Stirling, que dormia numa caverna próxima, acordou diante de um revólver, apontado por um soldado claramente amedrontado. Saindo de costas da caverna, o soldado fez sinal para que Stirling o acompanhasse; parecia não haver outra 'alternativa senão obedecer.

Piscando muito, por causa da claridade, Stirling olhou para o alto e viu a borda do wadi apinhada de soldados com as armas apontadas em sua direção, centenas deles. Finalmente, sua boa estrela apagara.Os prisioneiros tiveram permissão de recolher os objetos pessoais, sendo a seguir reunidos e colocados num caminhão. Depois de uma viagem de duas horas, pararam num acampamento ao que parecia próximo de Medina. Stirling já estava planejando fugir e, quando escureceu, pediu que o levassem ao banheiro, de onde escapou, com outro oficial, chamado McDermott.

O plano, embora simples, funcionou bem. Stirling conseguiu correr uns 600 metros, até umas moitas, sem ser atingido. Não encontrando MeDermott, ele percorreu 24 km durante a noite, vindo a encontrar uma casa, mais ou menos grande, cujo dono demonstrou contentamento em vê-lo e lhe ofereceu comida e bebida. Naquele dia, Stirling escondeu-se num celeiro. Pêlos seus cálculos, estava a 48 km de Bir Soltane, dos quais poderia cobrir 32 km antes que viesse o amanhecer. Ao passar por um aeródromo existente nas proximidades, Stirling não pôde resistir à tentação de explorá-lo, por vê-lo cheio de Junkers 52, gastando nisso uma hora. Depois, encontrou um terreno tão difícil, que mal percorreu 16 km. Chegando a uma pequena ravina, ele se deitou para dormir, sendo despertado, pouco antes do pôr-do-sol da noite seguinte, por um árabe, que lhe ofereceu comida e bebida. Acompanhando-o wadi abaixo Stirling caiu direto na armadilha que lhe haviam preparado. De repente, o árabe sacou de um revólver e, olhando à sua frente Stirling viu 5 caminhões cheios de soldados armados de metralhadoras. Dessa vez, não havia como fugir O Major Famasma deixara de ser fantasma. 

David Stirling foi inicialmente enviado para o acampamento italiano de prisioneiros de guerra em Gavi, mas depois de quatro tentativas de fuga ele foi transportado para um campo de prisioneiros de guerra de segurança máxima, o Castelo de Colditz, na Alemanha. Durante as operações na África Norte o SAS, sob as ordens de Stirling, destruído mais de 400 aeronave inimiga e forçou o inimigo a manter um grande número de tropas na retaguarda para proteger bases aéreas e linhas de comunicação. No futuro Paddy Mayne assumiria a posição de David como comandante do 1 SAS.


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Assunto: SAS-África do Norte-1941-1942