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Serra Leoa - 2000


Operador do SAS nas Falklands, armado com um Colt Commando.

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Serra Leoa é um dos grandes produtores mundiais de diamantes, símbolos de ostentação e fortuna. Apesar disso, é um dos lugares mais miseráveis do mundo, ocupando o último lugar no índice de desenvolvimento humano da ONU. 

A partir do século XV, os portugueses transformam a região em centro de captura de escravos. O território é ocupado pela Inglaterra no século XVII. Em 1786, os britânicos fundam a cidade de Freetown.

Em 1787 Freetown passa a receber escravos emancipados pelos ingleses após a independência dos Estados Unidos.  Após a proibição do tráfico de escravos, no século XIX, 70 mil africanos interceptados em navios negreiros são levados a Serra Leoa. Os ex-escravos, que eram próximos da cultura européia, desprezavam a população nativa. Transformados em elite e hostilizados pelos africanos, converteram-se em representantes do colonialismo. Em 1896 Serra Leoa se transforma num protetorado britânico

Os diamantes de Serra Leoa foram descobertos na década de 30, despertando de imediato a cobiça européia. O garimpo de diamantes não é apenas o melhor negócio, mas também a única mercadoria de valor de Serra Leoa.

Com a independência em 1961, assumiu Milton Margai, do Partido Popular de Serra Leoa (PPSL), simpático aos interesses britânicos. Líder de um governo acusado de corrupto e distante dos interesses do povo, Margai morreu em 64, deixando o poder para seu irmão Albert Margai. Até 1963, apenas os brancos exploravam a pedra. Desde que as minas foram nacionalizadas, não houve mais paz.

Nas eleições de 67, chegou ao poder Siaka Stevens, do Congresso de Todo o Povo (APC). Membros da elite crioula aliaram-se a líderes tradicionais e representantes do interesse neocolonial para depô-lo por meio de um golpe. Siaka retornou ao poder em 68 (Golpe dos Sargentos) e, durante seu governo , nacionalizou a produção de diamantes e estabeleceu um regime de partido único. Stevens é o ditador até 1980, quando é deposto pelo general Joseph Saidu Momoh. Com a queda nas exportações na década de 80 somada à inflação elevada e às denúncias de corrupção, o país enfrentou uma onda de manifestações populares. 

Um plebiscito marca a redemocratização em 1990. Em 91, forças rebeldes (na verdade  um bando de guerrilheiros esfarrapados) atuando a partir da Libéria, sob o comando do contrabandista Fodday Sankon, da Frente Revolucionária Unida de Serra Leoa (FRU), ocuparam parte do país. Apesar da tropa mambembe, não foi difícil para Fodday Sankon derrotar o Exército nacional. Com um efetivo mínimo, desorganizado e mal equipado, o Exército leal ao governo debandou. Foday Sankoh foi cabo no Exército, passou sete anos na cadeia por conspiração nos anos 70 e outros tantos treinando guerrilha na Líbia. Em 1992 há um golpe de Estado liderado pelo capitão Valentine Strasser. 

Foday Sankoh.  

O terrível  Fodday Sankon, líder da Frente Revolucionária Unida de Serra Leoa (FRU).

Em 1995, a FRU seqüestra seis freiras estrangeiras, entre elas a brasileira Hildegard Jacoby, libertadas logo depois. Ainda neste ano, para evitar a derrota para a FRU, o governo pagar 35 milhões de dólares a uma firma de mercenários da África do Sul. Pouco mais de 200 homens bem treinados e equipados com helicópteros foram capazes de expulsar a guerrilha de Sankoh de volta para o interior do país. Muitos guerrilheiros foram presos. O capitão Strasser é deposto em janeiro de 1996.

 

Nas eleições de 1996 foi eleito presidente, Ahmad Tehan Kabbah, do Partido do Povo de Serra Leoa - PPSL, com 60% dos votos. Em maio de 1997, um golpe militar (devido ao atraso nos soldos) liderado pelo major Jonny Paul Koroma - aliado da FRU - depõe Kabbah, proíbe partidos políticos e suspende a Constituição. Os amotinados libertaram os guerrilheiros presos e convidaram Foday a fazer parte de um novo governo. Em protesto a tudo isso, os Estados Unidos (EUA) fecham a embaixada no país. Freetown é bombardeada por barcos nigerianos, com a ajuda de tropas da Guiné, na tentativa de reconduzir ao poder o presidente deposto.

O major golpista é destituído em fevereiro de 1998, pela intervenção de uma força de paz africana liderada pela Nigéria. Kabbah retorna a Serra Leoa, reassume o governo e decreta estado de emergência, o que lhe permite prender cerca de 2 mil pessoas acusadas de
colaborar com o regime militar. Ele manda fuzilar 24 oficiais e condena o líder da FRU, Foday Sankoh à morte. Antes de sua execução, uma coligação de desertores e guerrilheiros ataca a capital do país.

Foi então que se espalhou o terror para valer. Moradores de bairros inteiros eram reunidos por guerrilheiros adolescentes e metralhados nas ruas ou queimados vivos em suas casas. Esquadrões especiais, na maioria formados por crianças, circulavam com facões e machados mutilando as pessoas. Gostavam de perguntar às vítimas se preferiam "manga curta ou longa". Significava perder a mão ou todo o membro. O objetivo era aterrorizar a população e estima-se que 100.000 foram mutilados. Em 1999 os rebeldes da FRU são repelidos, mas guerra continua. 

Pára-quedistas britânicos resgatam cidadãos da União Européia e da Comunidade Britânica..  

Tropas britânicas (aqui um pára-quedistas) resgatam cidadãos britânicos e ocidentais por via aérea.

A continuidade do conflito obriga o presidente Kabbah a iniciar negociações com Sankoh, libertado em 1999. Em julho, governo e rebeldes assinam acordo de paz em Lomé (Togo) que prevê a formação de um governo de união nacional integrado pelos dois grupos. A ONU anuncia, em outubro, o envio de 6 mil soldados de uma força internacional (Unamsil) para garantir a pacificação. Em novembro toma posse um novo ministério, que abriga quatro ex-rebeldes. Sankoh fica encarregado de supervisionar a mineração no país, num cargo com status de vice-presidente. Em dezembro, o FMI anuncia um pacote de ajuda.

O acordo de paz entra em colapso em maio de 2000. A FRU retoma os combates e seqüestra 500 integrantes da força de paz da ONU que monitoravam as áreas produtoras de diamantes em seu poder. Em Freetown, 10 mil manifestantes cercam a casa de Sankoh, pedindo a libertação dos reféns.

Guarda-costas do líder da FRU abrem fogo contra a multidão, matando cerca de 20 pessoas. A ONU decide ampliar para 13 mil o número de soldados em Serra Leoa, tornando a Unamsil sua maior força de paz em atividade no mundo.

Para deter o avanço de tropas da FRU em direção à capital, o governo britânico envia 700 pára-quedistas e uma força naval, com
800 marines, a Serra Leoa. Inicialmente, o objetivo seria apenas garantir a retirada de cidadãos da União Européia e da Comunidade Britânica. Mas essas forças se envolvem na defesa de Freetown e no treinamento das forças armadas de Serra Leoa. Até aquele momento foi a maior intervenção militar unilateral empreendida pelo Reino Unido desde a Guerra das Falklands.


O Exército de Serra Leoa parte para a ofensiva. Em apoio ao governo, o Conselho de Segurança da ONU suspende o embargo de armas imposto em 1998. Sankoh é preso em Freetown, por milícias pró-governo (com ajuda britânica), em maio, e entregue a tropas da Grã-Bretanha. Apesar de sua detenção, os reféns da ONU começam a ser libertados, aparentemente graças à mediação do presidente da Libéria, Charles Taylor, que teria autorizado a FRU a exportar diamantes e importar armas através do território liberiano. Em julho, soldados fortemente armados da ONU resgatam os últimos 233 membros da ONU que ainda estavam em poder da FRU. Os rebeldes não opõem resistência.

Operadores do SAS em Serra Leoa.

Homens do SAS em Serra Leoa.  

Dois operadores do SAS são vistos em Serra Leoa realizando uma missão de reconhecimento. Eles estão armados com um M16A2 e uma FN Mini. Seus uniformes são do tipo padrão das forças britânicas.

A ONU pede a todos os países que interrompam a importação de diamantes brutos de Serra Leoa, até que o governo crie um sistema de identificação mostrando que estes não provêem de minas da FRU.

O secretário geral da ONU, Kofi Annan, propõe a criação de Tribunal Especial para os crimes de guerra em Serra Leoa, juntamente com o governo do país. O Tribunal Especial é criado logo em seguida. O Tribunal Especial para a Serra Leoa inicia o julgamento de Sankoh.  

O contingente de 3 mil soldados indianos que integravam as forças de paz deixa Serra Leoa em setembro. A retirada militar ocorre em meio à crise com militares nigerianos, acusados por um general indiano de fazer acordos com os rebeldes para lucrar com a venda de diamantes. Até 2003, apesar da diminuição destes conflitos, a guerrilha continua em regiões mais remotas do país, especialmente após a prisão de Sankoh.

Mais da metade dos habitantes de Serra Leoa já perdeu suas casas e o país despencou para o último posto no índice de desenvolvimento humano da ONU. Sua renda per capita de 130 dólares é uma das mais baixas do mundo e 70% da população está desempregada e vive abaixo da linha de pobreza. Sete em cada dez adultos são analfabetos e a expectativa de vida de 35 anos é a mais baixa do planeta. Serra Leoa é a campeã mundial em mortalidade infantil, com 170 mortes a cada 1.000 nascimentos. O banco central, os serviços públicos essenciais, a polícia e os últimos resquícios de um Estado organizado desapareceram. A expectativa de vida é de cerca de 35 anos.

SAS em Serra Leoa

Equipes do Esquadrão D do SAS foram enviadas para Serra Leoa para dar suporte as forças britânicas destacadas para aquele país. Sua missão a priori era realizar reconhecimento avançado nas regiões controladas pelos rebeldes. Mas quando um contingente de 11 militares britânicos pertencentes ao Royal Irish Regiment foi seqüestrado por homens da milícia West Side Boys no dia 25 de agosto, a missão do SAS em Serra Leoa mudou. 

Essa foi uma das mais arriscadas e violentas operações de resgate realizadas pelas tropas de elite das forças armadas britânicas. No total 272 homens participariam da missão: 100 homens do Esquadrão D do 22 SAS, 110 do 1º PARA e um pequeno contingente do SBS, além do pessoal da RAF. A Força Aérea usaria helicópteros Chinook e Lynx que foram desdobrados para um aeródromo pequeno em Hastings, a aproximadamente 30 milhas de Freetown.  

Apesar dos riscos a operação foi um grande sucesso. O primeiro-ministro britânico Tony Blair disse que a operação foi totalmente bem-sucedida e elogiou a habilidade e profissionalismo das Forças Armadas britânicas, dizendo que elas são "as melhores do mundo".  Para informações mais detalhadas acesse a nossa página Operação Barras.



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