Perfil da Unidade

ROYAL MARINES

REAL CORPO DE FUZILEIROS NAVAIS


Os Reais Fuzileiro Navais (Royal Marines - RM) são a infantaria da Marinha Real britânica. São formados por aproximadamente 4.800 homens e mulheres, reforçados por cerca de 1.600 homens e mulheres da Marinha Real, Exército e Real Força Aérea. A força dos Reais Fuzileiro Navais é aproximadamente 10 por cento do pessoal da Marinha Real. As mulheres que servem no RM fazem parte do Real Serviço Naval de Mulheres (Women's Royal Naval Service - WRENS). 

 

Os RM possuem uma Brigada de Comandos (Brigada de Comando 3) para operações anfíbias. Em prontidão permanente, esta Brigada é uma unidade operacional auto-suficiente e pode ser desdobrada para qualquer lugar do mundo, tanto por via marítima (com capacidade anfíbia) ou por via aérea, se necessário. Ela é capaz de administrar uma grande variedade de operações militares, indo de operações de manutenção de paz até a guerra aberta.

Além da Brigada de Comando 3, também compõem os Reais Fuzileiros Navais: o Special Boat Service (SBS); o Esquadrão de Comando Independente 59 (engenheiros reais); o Unidade de Guerra de Montanha e Ártico (Mountain and Artic Warfare Cadre); o Esquadrão de Assalto 539; Grupo Comacchio.

As funções primárias dos RM são:

  • Prover unidades de combate para os navios da Marinha Real; 

  • Prover bandas para a RN; 

  • Prover operadores de pequenas embarcações de desembarque; 

  • Prover unidades de ataques anfíbios ou de comandos; 

  • Servir como vínculo entre o Exército e a Marinha durante operações de anfíbias. 

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Origem - 1664

O primeiro regimento de infantaria formado especialmente para operar em serviço no mar foi o que deu origem aos hoje mundialmente conhecidos Royal Marines (RM).  Em 28 de outubro de 1664, com a erupção da segunda Guerra Holandesa,  o Rei Charles II convocou o "Admiral's Regiment" composto por 1.200 homens para ser enviado para o mar para participar da guerra. O regimento era inicialmente conhecido como  Duke of York and Albany's Maritime Regiment of Foot. Os homens usavam um uniforme de casaco amarelo (a cor favorita do Duque de York), com revestimentos, faixas e meia-calças em vermelho.

 

Gibraltar - 1704

Após a Guerra holandesa veio a guerra da Sucessão espanhola, quando a Inglaterra fazia parte de uma coalizão contra a  França e a Espanha. Gibraltar era um objetivo estratégico, e em 21 de julho 1704 , uma força de 1.900 fuzileiros navais britânicos e  400 fuzileiros navais holandeses desembarcou e rendeu a guarnição. Os fuzileiros navais britânicos ganharam prestígio adicional com a defesa da posição conquistada nos 9 meses de cerco seguintes. A sua coragem e realizações nesta campanha são comemoradas por Gibraltar que é a única honra de batalha usado no distintivo dos RM e em suas cores. Deste episódio surgiu um relacionamento fraterno com os Reais Fuzileiros Navais holandeses que perdura até os dias de hoje. Em 3 de abril de 1755  uma ordem real autorizou o aumento dos fuzileiros navais britânicos para 5.000 homens,  divididos em 50 companhias e 3 grandes divisões, alojadas em Chatham, Portsmouth e Plymouth.  

 

A Guerra dos Sete Anos 1756 - 1763 

As guerras entre França e Inglaterra continuaram a acontecer. Na Guerra dos Sete Anos os fuzileiros navais britânicos lutaram e ganharam batalhas em Lagos na África Ocidental, Quiberon Bay na França onde o Almirante Hawke destruiu a frota francesa e em Quebec, com o General Wolfe. É dito que os láureos dos RM foram ganhos pela sua coragem na captura da ilha francesa de "Belle Isle".  

 

"O Glorioso Primeiro" de 1794

Durante a guerra que seguiu a  Revolução Francesa, os fuzileiros navais britânicos participaram de grandes batalhas navais,  inclusive as vitórias de Nelson no Nilo e em Copenhague, e na derrotar decisiva da Frota francesa pela frota de Lord Howe no Atlântico Norte em primeiro de junho de 1794 e que ficou conhecido como "O Glorioso Primeiro". Nestas batalhas os fuzileiros navais britânicos foram empregados contra os atiradores dos navios inimigos.  

 

Royal Marines - 1802 

Por seus serviços prestados a Coroa, o Rei George III conferiu o 'Royal' ao nome da força de fuzileiros navais britânicos.  

 

Guerra napoleônica de 1803 - 1815 

Os conflitos europeus que estavam acontecendo a intervalos cada vez mais curtos culminaram na Guerra napoleônica. O grande exército francês avançou veloz e resolutamente em sua conquista da Europa. Porém, a Inglaterra resistiu ao avanço francês com a sua Marinha e apoiada 2.600 Royal Marines, contrariou as ambições de Napoleão na batalha naval de Trafalgar em 21 de outubro de 1805.

Em agosto de 1814  a Brigada Naval sob o comando do Almirante Cockburn participou da  captura de Washington, pois os  americanos eram aliados dos franceses. Washington DC e a Casa Branca foram queimadas em represália ao ataque americano a Toronto.

Napoleão foi derrotado finalmente em 1815 na Batalha de Waterloo, e na Europa se seguiu um longo período de calma relativa e tranqüilidade. O Império britânico continuou se expandindo e as pequenas guerras de anexação, pacificação e rebelião proporcionaram aos Royal Marines a maior parte de suas lutas e batalhas no XVIII. Os Royal Marines participaram da tomada de Cantão na China, em  1841, quando a Inglaterra enviou 15  navios, 4.000 soldados e cinco vapores.

O cerco de Sebastopol - 1854

Uma coalizão foi formada pelo Reino Unido, França, Sardenha (Itália), Áustria e o Império Turco-Otomano (atual Turquia) contra às pretensões expansionistas russas. Uma guerra aconteceu de 1853 a 1856, na península da Criméia, no sul da Rússia, e nos Bálcãs. Os Royal Marines participaram da defesa de Balaclava, da batalha de Inkerman, e do cerco de Sebastopol. Durante esta guerra, eles ganharam as suas  primeiras Cruz da Vitória (três).

 

A Infantaria Leve e a Artilharia Royal Marines - 1855

O Corpo dos RM foi renomeado como "Corpo Leve - Light Corps" e foi reconstituído como Infantaria Leve dos Reais Fuzileiros Navais (The Royal Marines Light Infantry - RMLI) e Artilharia dos Reais Fuzileiros Navais (Royal Marines Artillery -RMA).

 

A Guerra dos Boers 1899 - 1902 

Nesta guerra que aconteceu no que é hoje a África do Sul, os RM foram principalmente usados na guarnição dos navios que transportavam tropas ou patrulhavam rotas importantes. Porém, eles participaram da Batalha de Graspan em 25 de novembro de  1899, onde 190 RM lideraram um ataque as posições bôeres encravadas em Graspan kopje em defesa das forças britânicas que tentavam levantar o cerco de Kimberley. Como os Royal Marines começaram a avançar pelas savanas sem proteção, eles foram expostos ao fogo pesado e preciso dos atiradores bôeres. Mesmo tendo sofrido quase 50% de baixas os RM chegaram as posições inimigas, mas não encontraram ninguém, pois os bôeres tinham fugido levando seus mortos e feridos. Os Comandos bôeres que eram hábeis em táticas de guerrilha, bem armados e que operavam em pequenos grupos, preferiam atacar e correr. Estas táticas nada ortodoxas foram uma lição salutar para os RM.

 

A Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) e Reestruturação em 1923 RM Comando 45 - Noemandia - 1944

A erupção da Primeira Guerra Mundial viu os destacamentos dos Royal Marines desdobrados em todos os navios do tamanho de um Destróier. Embarcados nestes navios 5.700 Royal Marines participaram da principal batalha naval da guerra, a Batalha de Jutland. Os Royal Marines participaram também de outras ações famosas e estavam presentes em Gallipoli, e ganharam duas Cruz da Vitória por sua coragem no ataque ao porto de Zeebrugge. Eles também lutaram nas trincheiras da Frente Ocidental. Em 1923 o RMLI e o RMA passaram a forma um único Corpo de 10.000 homens.  

 

 A Segunda Guerra Mundial 1939 - 1945

Os primeiro três anos da Segunda Guerra Mundial viram os Royal Marines envolvidos em ações em alto mar, inclusive nos combates contra os navios alemães  'Graf Spee', 'Scharnhorst' e 'Bismark'. Eles também foram chamados para desempenhar novas tarefas; tripulando navios de desembarque, servindo como unidades costeiras de artilharia e de holofotes e operando no Naval Base Defence Organisations (NBDO). 

Seguindo uma tendência iniciada pelo Exército britânico em 1940, em resposta a um requerimento do primeiro-ministro Winston Churchill, os Royal Marines também formaram unidades de Comandos. O primeiro Comando dos Royal Marinesfoi o RM  "A" (que passou a se chamar Comando 40 logo depois) e foi formado no Valentine’s Day de 1942. O Comando 42 foi criado em outubro 1942. Ainda em 1942 as unidades de Comandos dos RM foram usadas no ataque a Dieppe.

Os Comandos de 43 a 47 foram criados em agosto 1943.  A principio os Comandos foram organizados em um único Grupo de Serviço Especial (Special Service - SS) sob o comando do General Sir Alan Bourne. 

Entretanto, com o aumento do número dos Comandos a partir de agosto 1943 o Grupo de Serviço Especial foi dividido em quatro brigadas de Serviços Especiais/Commandos, numeradas de 1 a 4. A Brigada de Serviço Especial/Comando 3  foi formada em 1º de setembro de 1943. A Brigada 3 foi formada durante muito tempo pelos Comandos: 1 (Exército), 5 (Exército), 42 (RM) e 44 (RM). A principio a Brigada 3 era conhecida como Brigada 102 RM e finalmente foi rebatizada como Brigada 3 RM.

O Comando 48 foi criado em março 1944. Neste ano haviam 9 unidades dos RM que lutavam na Europa e participaram das campanhas da Sicília, na Itália, e da Costa Dálmata, inclusive dos desembarques em Salerno, Anzio, e Termoli, enquanto outras lutaram na Índia e na Birmânia. 

Durante os desembarques do Dia-D os Royal Marines tripularam dois terços das embarcações de desembarque e 5 Comandos dos RM (41, 45, 46, 47 e 48) participaram do assalto a Normandia. Todos os navios mais importantes da Marinha Real levavam destacamentos de RM. Ao todo cerca 16.000 Royal Marines participaram da Operação Overlord. No final da guerra, o número de RM tinha chegado a 80.000  - o maior em toda a sua história. RM em operaçção no Oriente Médio

Pós-Guerra

Com o fim da guerra as unidades de comandos do exército foram desmobilizadas, e o papel de Comandos foi inteiramente atribuído aos Royal Marines. Mesmo assim por volta de 1946 os Comandos 40, 41, 43, 46, 47 e 48 também foram desmobilizados.

A Brigada 3 (agora rebatizada como Brigada de Comando 3) era agora a única brigada sobrevivente dos Commandos e era constituída apenas pelos Comandos 42 e 44. O Comando 44 mudou seu nome para Comando 40, e o Comando 45  foi trazido para substituir os Comandos desmobilizados do exército. 

A Brigada de Comando 3 se submeteu a algumas mudanças em sua estrutura para, dentro dos recursos disponíveis, poder lidar com as suas novas responsabilidades em vista dos interesses britânicos no Mediterrâneo, no Extremo Oriente, na OTAN e na Irlanda do Norte.

Nos anos que se seguiram a Segunda Guerra Mundial os Royal Marines estiveram envolvidos em vários conflitos de forma constante até 1968. RM Comando 45 Rafdan - 1956

Em 1948 os RM, junto com outras tropas britânicas, estiveram participando de operações na Palestina.

Em 1950, o Comando 41 (Independente) lutou na Coréia ao lado da 1ª Divisão dos USMC em Chosin e depois como uma força ataque de comandos. O Comando 41 recebeu por seus feitos a Citação Presidencial dos EUA. Em 1951 o Comando 41 (Independente) foi desmobilizado. Ao mesmo tempo outros Royal Marines estiveram envolvidos em operações anti-insurgentes na Malásia.  

Em 1955, os Comandos 40 e 45 estiveram envolvidos em operações anti-terrorista contra a EOKA em Chipre.

Em 1956 durante a Crise de Suez, como parte da força Anglo-francesa, a Brigada de Comando 3 completa (Comandos 40, 42 e 45) desembarcou para tomar Port Said, com o Comando 45 sendo a primeira unidade de tamanho considerável a participar de um assalto helitransportado.

Em março de 1960 o Comando 41 foi reativado. Entre 1960 e 1967 os RM do Comando 45 participaram de operações em Aden e no Rafdan. 

De 1962 a 1966, os Comandos 40 e 42 foram envolvidos em operações anti-guerrilheira em Bornéo e Malásia. Em 1961 o Comando 43 foi reativado, para reforçar as operações militares britânicas e foi desmobilizado em novembro de 1968.

Unidades dos RM estavam entre as primeiras tropas enviadas para a Irlanda do Norte em 1969, e são usadas como forças de segurança interna na Província desde então.

Durante os anos 70 a Brigada de Comando 3  destacou os Comandos 40 e 41 para o flanco meridional da OTAN e o Comando 45 para o flanco norte (Noruega). Ali o Comando 45 levou a cabo um duro treinamento de guerra em ambiente ártico.

Em 1974 os Comandos 40 e 41 foi desdobrados para Chipre durante o período da invasão turca. O Comando 41 foi desmobilizado em maio de 1980.  

As Falklands - 1982

 

A capacidade para o pronto aprestamento e operações anfíbias dos RM foi posta a prova na Guerra das Falklands em 1982. Os Argentinos tomaram as ilhas em 2 de abril. Existia nas ilhas uma pequena guarnição de RM (36 homens da guarnição normal, mais 43 homens, desprovidos de armamento, que tinham chegado três dias antes, para substituir os primeiros), que resistiu bravamente a invasão argetina, e que só se rendeu diante do pedido de Rex Hunt, governador britânico das ilhas. Os RM comandados pelo Major Michael Norman pretendiam romper o cerco argentino e realizar operações de guerrilha no interior das Falklands. No dia 14 de abril os argentinos invadiram as Geórgia do Sul e renderam os 22 fuzileiros navais que estavam lá. Apesar de pequena, a guarnição ofereceu uma forte resistência que causou perdas aos atacantes (1 Helicóptero Puma e 1 corveta danificada por um foguete anticarro). Depois da rendição todos os fuzileiros foram transportados para Montevidéu, no Uruguai. Muitos deles, inclusive Norman, se juntaram a força britânica que participou da reconquista das Falklands. 

 

Desembarques na Baía de San CarlosDiante da invasão argentina, o Reino Unido reagiu e preparou a maior frota anfíbia desde a campanha de Suez em 1956.  Toda a Brigada de Comando 3 (Comandos 40, 42 e 45 e tropas de apoio) teve apenas 7 dias para se preparar antes de partir nos navios da Marinha Real.

 

Em 25 de Abril, os britânicos recuperaram as Geórgia do Sul.  Precedido de consistente fogo naval, ocorreu o helitransporte de 120 fuzileiros navais, que, rapidamente, dominaram a guarnição argentina, de poucas dezenas de homens. 

 

No dia 21 de maio, depois de um longo deslocamento marítimo do Atlântico Norte ao Sul, os britânicos desembarcam nas Falklands, na Baía de San Carlos, há 80 km de Porto Stanley. Os RM foram a ponta de lança da campanha britânica que contava também com unidades do exército, batalhões de pára-quedistas e forças especiais (SAS e SBS)

 

Os britânicos avançaram pelo interior das Ilhas, enfrentando o inimigo, o terreno difícil e condições climáticas severas.  A guerra acabou no dia 14 de junho, quando os britânicos tomaram Porto Stanley, depois da rendição argentina. O conflito durou 74 dias, tendo exatos 33 dias de  combates. Morreram em combate 649 argentinos e 255 britânicos. Três habitantes das ilhas morreram durante os combates.

 

Pós-Falklands

Hoje em dia são poucos os navios de sua Majestade que possuem um destacamento de RM, porém em terra eles são cada vez mais exigidos pelos compromissos assumidos pela Inglaterra no cenário global.

Os RM participaram da Guerra do Golfo em 1991 e ao término da mesma a Brigada de Comando 3 (menos o Comando 42) foi desdobrada para a operação HAVEN, para proteger os refugiados curdos da morte certa nas mãos da polícia de estado do Iraque. Em 1994, o Comando 45 foi desdobrado como "batalhão de ponta-de-lança' para o Kuwait em resposta aos avanços iraquianos. Elementos da Brigada foram desdobrados para a Bosnia-Herzegovina e Adriático ao longo dos anos 90. Em 1998, o Comando 40 e o Esquadrão de Assalto 539 foram desdobrados para o Congo, como parte da Força Conjunta de Reação Rápida  para ajudar na evacuação cidadãos europeus. Em 2000 o QG da Brigada, o Comando 45, o QG do Esquadrão de Sinaleiros e o Comando Logístico do Regimento foram desdobrados durante 6 meses para a Operação AGRICOLA IV, sob o comando da Brigada Multi-nacional (Centro) em Kosovo.  No final da década de 90 os RM também se envolveram em operações na Irlanda do Norte e em Serra Leoa. Neste país eles foram enviados para restabelecer a ordem civil. Unidades dos RM também foram desdobradas para a Albânia e para o Timor leste, onde trabalharam em conjunto com forças australianas. 

Com a introdução HMS Ocean, e o lançamento no inicio do século XXI do HMS Bulwark e do HMS Albion  a potencialidade anfíbia dos RM será aumentada extremamente, e eles poderão desempenhar com mais desenvoltura a sua capacidade de deslocamentos globais. Isto foi provado pela habilidade de se transferir o Comando 40 da região do Golfo depois de exercícios militares em Oman, durante o mês de outubro de 2001, para participar da guerra do Afeganistão. No Afeganistão os RM são usados na caçada de membros do Talibã e de terroristas da Al-Qaeda, em operações conjuntas com forças de vários paises, principalmente os EUA. No contexto da guerra global ao terrorismo e do aumento da tensão no Oriente Médio, os RM serão cada vez mais solicitados para prestar os seus serviços em vários campos de batalha.

Tropa de reconhecimento da Brigada

KOSOVO

SERRA LEOA

AFEGANISTÃO

 

Treinamento   

Commando Training Centre Royal Marines - CTCRM

 

Como força anfíbia do Reino Unido e um dos componentes chave da Força de Reação Rápida do império os RM são treinados para estarem aptos a operarem nos mais diferentes ambientes encontrados no planeta, seja as montanhas geladas do norte da Europa, os tórridos desertos da África ou as selvas tropicais do extremo oriente.

Todos os reais fuzileiros navais , a exceção dos que estão na Banda dos RM, são antes de mais nada comandos. Por isso todos eles são submetidos a um dos mais exigentes treinamentos de infantaria do mundo. Todos são treinados no Centro de Treinamento dos RM (Commando Training Centre Royal Marines - CTCRM) em Lympstone Devon no Oeste da Inglaterra. Porém uma parcela do treinamento é levada a cabo em  Dartmoor. 
  
O auge do treinamento é o Curso de Comando (30 semanas), que consiste de uma série de testes de resistência física e mental, longas marchas, exercícios de combate armado e desarmado, etc. Os recrutas são treinados para se tornarem soldados inteligentes, aptos a usarem os mais variados tipos de armamentos, lançando mão de estratégia militar, comunicações e fazendo o melhor uso da natureza em proveito da missão nos mais variados ambientes.  O curso de certa forma permanece virtualmente inalterado desde a Segunda Guerra Mundial. Uma vez tendo passado por este curso o real fuzileiro naval recebe a boina verde e o raio dos RM Comandos em seu uniforme. 

Depois da conclusão do seu treinamento, um comando dos RM se unirá regularmente a uma das três unidades de  Comandos da Brigada de Comando 3. 

Até recentemente, as unidades de Comando era estruturadas de forma semelhante aos Batalhões do Exército. Porém, essas sofreram nos últimos anos uma reestruturação geral, a primeira desde a Segunda Guerra Mundial. Essa reestruturação visava a adaptar a força aos novos desafios do cenário mundial pós-guerra fria. Como essa reestruturação que ficou conhecida como Comando 21 as unidades dos RM ficaram consideravelmente diferentes dos batalhões de Exército.  

Em uma unidade de Comando dos RM, os jovens fuzileiros tem uma vida bem ocupada. O primeiro dever dele será pôr em pratica o seu treinamento  e se tornar um membro da equipe de fogo. A equipe de fogo é composta de 4 homens e treina junta no bloco de edifícios de operações de comando. Ele trabalhará com o time no campo e viverá com eles em seu alojamento. Durante o seu tempo em uma unidade de Comando ele passará certamente por treinamentos em várias partes do mundo como Oriente Médio, Belize ou Brunei, e Escócia e Noruega. Como membro de uma força extremamente móvel ele pode ser desdobrado como parte do Grupo Anfíbio, que pode se enviado para qualquer lugar no mundo. Onde quer que ele possa ser enviado, do Afeganistão a Bósnia, da Irlanda do Norte aos Estados Unidos, ou a bordo de Navios da RN, ele estará sempre pronto para executar operações de comandos em  território inimigo. 

Uma vez ele tenha terminado o seu  treino básico, será selecionado para um treinamento especializado. As especializações dos RM variam de Líder de Montanha a Instrutor de treinamento físico, de Instrutor de Armas a Sinaleiro (comunicações). Se ele tem os atributos necessários ele também pode treinar para servir nas Forças Especiais do Reino Unido (no SBS em especial). 

 

Os Reais Fuzileiros Navais britânicos treinam nos mais variados ambientes e climas

Armas e equipamento 
Os Fuzileiro navais Reais usam armas como o SA 80, FN GPMG, morteiros de 51mm , canhões de 105mm, armas anti-tanque LAW e MILAN, entre outras. Eles também contam com uma surpreendente frota de embarcações anfíbias e de apoio, além de lanchas rápidas, helicópteros e veículos de assalto

Pela necessidade de rápidos deslocamentos para os mais diversos teatros de operações (Europa, África, Atlântico Sul, Oriente Médio ou Ásia) os RM contam com o pleno apoio da Royal Navy, para que possam chegar ao seu destino completamente equipados e armados. Para isso os RM podem dispor de Porta-aviões, Destróieres, Fragatas e navios de suporte. A RAF também pode ajudar em seus deslocamentos através de suas aeronaves de transporte.

A partir da década de 90 os RM passaram a contar também com o HMS OCEAN, um porta-helicópteros puro. O HMS Ocean é um dos navios mais novos da Marinha britânica e tem capacidade para transportar 18 helicópteros, quatro embarcações para transporte de tropas e um comando de fuzileiros com cerca de 500-600 homens. Já na primeira década do século XXI o HMS OCEAN receberá o apóio dos modernos LPD (Landing Platform Dock - Plataforma Anfíbia de Desembarque) HMS BULWARK e HMS ALBION.

 

 HMS OCEAN

 

 

  HMS BULWARK

O Comando da Ala Aérea da Royal Navy também apoia as operações dos Royal Marines através de suas aeronaves: Sea Harrier, Lynx Mk7, Sea King Commando e Gazelle AH-1.  Uma vez em terra os RM dispõem dos veículos todo-terreno BvS10 e dos jipes Land Rover Wolf que dão toda a mobilidade de superfície necessária a tropa. 

Mobilidade

A Brigada de Comando 3 dos Reais Fuzileiro Navais britânicos 
A Brigada de Comando 3 é a principal formação operacional dos RM e é comandada por um  Brigadeiro dos RM e o seu QG esta localizado em Plymouth. A organização  da Brigada é mostrada abaixo. 

A Brigada de Comando 3 composta por cerca de 3.500 homens está estruturada em 3 unidades de Comando, numeradas como 40, 42 e 45. Estes Comandos são o centro de manobra da Brigada e tem capacidade de combate imediata. Cada Comando tem cerca de 650 homens e está aproximadamente compatível com umBateria Rapier do Commando 20 batalhão de infantaria. Cada Comando tem três companhias de fuzileiros com três tropas, uma companhia de apoio e um QG. A companhia de apoio está equipada com morteiros, metralhadoras e mísseis anticarro. Inclui ainda engenheiros e atiradores de elite. 

O apoio de combate da Brigada

Artilharia: Regimento Ligeiro Comando 29 da Artilharia Real, com seus 18 canhões de 105 mm;

Defesa aérea: Bateria do Comando 20 da Artilharia Real;

Suporte de engenharia: Esquadrão de Comando Independente 59 dos  Engenheiros Reais. 

Apoio aéreo: Esquadrão de Assalto 539 e dos  helicópteros leves de apoio dos Esquadrões  845, 846 e 847 da RN. 

 

Apoio de serviço de combate

É provido pelo Regimento de Comando Logístico que possui quatro esquadrões de especialistas que provêem logística de apoio, assistência médica e oficinas de manutenção. 

Adicionalmente, a Brigada é servida por um QG e um Esquadrão de Sinaleiros, que provêem o comando e controle da infra-estrutura como também o apoio necessário as comunicações. O Esquadrão também provê reconhecimento médio, policiamento, controle aéreo avançado, guerra eletrônica e defesa aérea pontual da tropa. Tudo estes elementos treinam juntos em uma base regular, para formar uma força letal, altamente móvel e de rápida reação.

O Futuro 

A Guerra Fria e o Pacto de Varsóvia levaram o Reino Unido a uma luta pela sua própria sobrevivência, tendo como principal campo de batalha a Europa. O Reino Unido e seus aliados da OTAN se preparam para travar e ganhar umaRM em operação no deserto guerra mundial contra o bloco soviético no velho continente europeu. Porém com o fim da Guerra Fria, a dissolução do Pacto de Varsóvia e a queda do Muro de Berlim, a Grã-bretanha se viu diante de uma mundo repleto de incertezas. A OTAN permanecerá como a base de defesa britânica, mas os compromissos militares das potências européias e dos EUA se multiplicaram em um mundo ameaçado por conflitos regionais, étnicos e econômicos, como a Guerra do Golfo, Bósnia, Kosovo, Somália, etc. Estes novos desafios exigem respostas rápidas e precisas, envolvendo as vezes deslocamentos a grandes distâncias, num esforço conjunto de todas as armas e em estreito acordo e cooperação com países aliados. Por tudo isso a capacidade britânica para operações anfíbias foi aperfeiçoada e priorizada. 

 

Como 80% dos países têm uma costa marítima e cerca de 50% da população mundial vive dentro de uma faixa de até 80 km do mar, forças anfíbias, exclusivamente, têm a habilidade para avançar, retirar, se concentrar e se dispersar sem violar fronteiras ou ter uma base em terra. Como tal elas são uma ferramenta política extremamente útil, como também uma potente força de combate. 

Sendo assim a Brigada de Comando 3 dos RM é uma peça chave na projeção de poder e na defesa dos interesses do Reino Unido agora e no futuro. Ela hoje faz parta da Força Conjunta de Reação Rápida (Joint Rapid Reaction Force (JRRF). Esta força está apta para operar em vários lugares do mundo, nos mais variados teatros operacionais, inclusive se necessário estando completamente baseada em navios anfíbios.
  
Se história ensina qualquer coisa sobre o futuro é que nem tudo será exatamente como se predisse. Com um Corpo de Fuzileiros Navais altamente treinado, profissional, e com a habilidade para se desdobrar pelo mundo inteiro através, seja pelo mar ou pelo ar, o Reino Unido tem uma pequena, porém extremamente potente e capaz força de intervenção, apta a proteger os interesses britânicos e aliados pelo mundo inteiro. 

Seja em operações de manutenção de paz, em outras operações de não guerra ou em conflitos abertos, os Royal Marines continuarão na vanguarda da capacidade britânica de intervenção militar.

Força de Desembarque conjunta Reino Unido/Holanda

Desde 1973, as unidades do 1º ou 2º Batalhão do Korps Mariniers tem feito parte da 3ª Brigada de Commandos do Royal Marines britânicos durante exercícios e situações reais conflito. Juntos, estas unidades constituem a UK/NL Landing Force. A cooperação entre o Korps Mariniers e os Royal Marines britânicos levou a uma ampla integração nas áreas de operações, logística e materiais. Dentro da OTAN esta integração é vista como um excelente exemplo do que pode ser alcançado na integração militar entre os países membros. 

As forças de fuzileiros navais holandesas e britânicas tem uma longa história de cooperação. Durante as ações combinadas pelas armadas britânica e holandesa durante a Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1713), foram realizadas operações anfíbias, a mais notável sendo o cerco de Gibraltar em 1704. Durante esta ação, um bem sucedido ataque foi realizado contra a fortaleza de Gibraltar por uma brigada reforçada de 1.800 fuzileiros navais holandeses e britânicos sob o comando do Príncipe George de Hesse-Darmstadt. Ambos os corpos compartilham esta honra de batalha.

Royal Marines - Localizações no Reino Unido (2003)

 

Portsmouth Lympstone 

CTCRM

HQ Royal Marines

Royal Marines School of Music

 

Taunton

Norton Manor camp - 40 Commando

 

Yeovilton

847 Naval Air Squadron

 

Chivenor

Commando Logistic Regiment

 

Plymouth

Stonehouse Barracks - HQ 3 Commando Brigade Royal Marines and Signal Squadron

Bickleigh Barracks - 42 Commando

Turnchapel - 539 Assault Squadron

 

Arbroath - Escócia

45 Commando

Comacchio Group

 

Poole

Special Boat Service - SBS

Landing Craft and Amphibious Training Wing

 

Instow

ATTURM

Amphibious Trials and Training Unit Royal Marines  

 

Royal Marines Reserve Units

London

Bristol

Birkenhead

Newcastle-Upon-Tyne

Glasgow

 

Unidade de Guerra de Montanha e Ártico (Mountain and Artic Warfare Cadre)

Embora a Unidade de Combate Montanha e Ártico (M & AW) dos fuzileiros britânicos exista somente desde o início da década de 70, sua origem remonta ao final da Segunda Guerra Mundial. Em 1945, grupos de instrutores, conhecidos como "lideres de penhascos", ensinaram sobrevivência em combate e técnicas de escalada aos recrutas de alguns comandos. Durante as ações de guerra, esses homens se juntavam a companhias de infantaria conduzindo assaltos em terrenos rochosos, ou instruíam oficiais na arte de sobreviver em péssimas condições climáticas. Em meados dos anos 60, os "líderes de penhascos" passaram a ser chamados de "líderes de reconhecimento" e ensinavam às tropas as técnicas para operar em ambientes hostis. Com o deslocamento do Comando 45 para a Noruega, em 1970, como parte da função da Grã-Bretanha na OTAN, os instrutores passaram a ser conhecidos como "líderes de montanha". Nos dois anos seguintes, esses homens foram treinados em combate no Ártico, na academia onde eram formados os soldados noruegueses, em Rjukan. Em reconhecimento a seu trabalho como guardiões do flanco norte da OTAN, em 1972, esses especialistas tornaram-se conhecidos como Unidade M & AW de Instrutores. O grupo tinha sua base no navio HMS Condoí, estacionado no litoral da Escócia. Em 1981 a unidade estava sob o controle do comandante da Brigada do Comando 3. A composição da equipe varia segundo a época do ano e o número de novatos em suas fileiras. Uma ordem de batalha possui dois oficiais e quinze oficiais subalternos. Mais de cem lideres de montanha servem na Marinha britânica como assessores.

Durante a Campanha da Falklands/Malvinas, os Royal Marines participaram de várias ações de combate. Porém a mais importante foi o único combate travado a luz do dia entre uma unidade M & AW ( Mountain and Arctic Warfare ) dos RM e um grupo de Forças Especiais argentinas, o Comando 602 num local desolado conhecido como Top Malo House.

O Cap. Boswell RM e dezenove de seus homens dos M & AW estavam investigando uma informação de deslocamentos de tropas argentinas por helicóptero no caminho previsto de avanço das unidades britânicas que haviam recém desembarcado em San Carlos Bay.

Acreditavam que os helicópteros UH1-H argentinos haviam depositado unidades de Forças Especiais na parte mais baixa de Mount Simon, que ficava na rota de avanço. Os Royal Marines alertaram o comando da Brigada do perigo causado por unidades inimigas deste calibre na área, e receberam ordens de eliminar a ameaça.

Na tarde de 30 de Maio foram recebidas informações de um OP avançado do desembarque de dezesseis militares argentinos a apenas 400 metros de sua posição, e podiam ser ouvidos os ruídos de vários outros aparelhos inimigos nas proximidades.

Foi esta unidade de Forças Especiais argentinas que o Cap. Boswell recebeu ordens de eliminar.

Ele planejava desembarcar por helicóptero uma hora antes do alvorecer e a cerca de 1000 metros da posição argentina, para poder efetuar um ataque terrestre com o sol nascente pelas costas.

Num helicóptero do 846 Naval Air Squadron os dezenove homens empilharam-se juntamente com mochilas carregadas de equipamento e munição, suficientes para uma semana. Pesadamente carregado, o helicóptero completou o percurso de 45km e depositou-os exatamente no lugar estipulado. Os homens dividiram-se e iniciaram uma marcha de aproximação de cerca de 1000 metros. Um grupo de sete RM moveu-se para a esquerda e posicionou-se a 150 metros da casa, de onde dariam suporte ao avanço dos outros doze liderados pelo Cap. Boswell.

Subitamente Boswell deu-se conta de que seus uniformes escuros contra a neve seriam facilmente localizados pelas sentinelas argentinas. Arrastaram-se rapidamente para a frente, dolorosamente conscientes de que estavam perfeitamente visíveis contra a neve branca no chão. Mas parece que as sentinelas argentinas estavam olhando para outro lado...

Quando Boswell julgou que estava perto o suficiente e perfeitamente coberto por sua equipe de apoio, deu a ordem : "- calar baionetas!" , e em seguida disparou uma granada de iluminação, o sinal para o grupo de apoio lançar seis LAW antitanques de 66mm contra a casa. Quando o primeiro LAW impactou, uma sentinela argentina apareceu na janela do primeiro andar da casa. Um sniper abateu-o instantaneamente. Em seguida a casa incendiou-se com os impactos seguintes.

O grupo de Boswell avançou alguns metros, parou para disparar dois LAW e avançou novamente. Os argentinos saíram da casa disparando suas armas enquanto corriam.
Um sargento RM caiu atingido num ombro,e logo em seguida um cabo RM foi atingido em cheio no peito. A munição estocada na casa começou a explodir, gerando muita fumaça e escondendo o grupo atacante da visão dos argentinos. A luta prolongou-se por dez minutos, com os britânicos acossando os argentinos em retirada.

O comandante argentino tentou escapar, porém foi abatido por duas granadas de 40mm (!) disparado por um M79. Os argentinos desistiram e levantaram os braços, lançando ao solo suas armas. Terminara a refrega.

Cinco argentinos haviam sido mortos, sete foram feridos e outros cinco levados como prisioneiros. Os ingleses tinham três feridos. Toda a operação havia sido um brilhante sucesso, desde seu planejamento até a conclusão.

Sem que os Royal Marines soubessem, sua ação havia sido observada por outros dois OP argentinos, que tendo observado o tratamento dado a seus compatriotas, decidiram render-se. Um grupo dirigiu-se do Mount Simon a Teal Inlet e rendeu-se ao Commando 45, enquanto o outro saía por Lower Malo House e rendia-se ao 3 Para.

Esta ação demonstra claramente a alta qualidade dos homens dos Royal Marines, que enfrentando seus equivalentes argentinos, o Comando 602 de Forças Especiais, treinado nos moldes dos Rangers americanos, souberam impor-se

Texto: Fernando Diniz Diniz@defesanet.com.br
 

 


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Assunto: Royal Marines