Perfil da Unidade

US NAVY SEALS - OPERAÇÕES


PRINCIPAIS OPERAÇÕES
ANO OPERAÇÃO LOCAL
1962 Harbor Survey Havana, Cuba
1962-1971 Contra-Insurreição Sudeste Asiático
1968 Resgate de POWs Sudeste Asiático
1964-1970 Gemini-Apollo Recovery Oceano Pacífico
1983 Urgent Fury Granada
1989 Just Cause Panamá
1990 Desert Shield Kuwait-Iraque
1991 Desert Storm Iraque-Kuwait
1993 Restore Hope Somália
1999 Allied Force Kosovo
2001-2004 Enduring Freedom Afeganistão
2003-2004 Iraqi Freedom Iraque
 

Descrição de algumas missões dos Seals: 1975 - Camboja
No resgate do cargueiro Myaguez no Camboja, em 1975, os Seals pediram para fazer reconhecimento e foram impedidos. Cerca de 600 fuzileiros desembarcaram na ilha Kho Tang em 11 helicóptero CH-53, e resgataram o navio. Do outro lado da ilha foi realizado um desembarque com 100 fuzileiros em 8 helicópteros. Iriam fazer uma varredura no local em busca dos tripulantes do navio. Não esperavam oposição mas havia 150-200 guerrilheiros do Khmer Vermelho altamente armados. No desembarque cinco helicópteros foram logo derrubados ou danificado e as tropas ficaram com risco de serem derrotadas na praia. Os tripulantes do navio foram liberados em um pesqueiro, mas na praia o Khmer passou a ofensiva. Na retirada foram deixados 15 fuzileiros mortos para trás e aviônicos secretos dos helicópteros. Os Seals foram chamados para buscar os corpos e destruir caixas pretas de bote, mas decidiram fazer reconhecimento a nado primeiro.

1983 - Granada
Na invasão de Granada em 1983, duas equipes dos Seals (doze tropas) do Seal Team 4 foram lançadas de pára-quedas a noite junto com botes infláveis (boat drop) por dois MC-130 a cerca de 40km da costa junto com quatro controladores de combate (CCT - Combat Control Teams) da USAF e depois se ligariam com o contratorpedeiro USS Clifton Sprangue. Os Seals iriam fazer reconhecimento da pista do aeroporto de Point Salinas e das defesas locais e os CCT guiariam as aeronaves para lançar pára-quedistas e/ou pousar. Ligariam com as tropas depois. Após chegar na água as equipes continuaram depois em botes Zodiac e lançariam mergulhadores para reconhecimento da praia. A missão teve vários erros. Os pilotos não estavam treinados na missão e lançaram as equipes 3,5km uma da outra. As equipes também não treinaram antes para a missão. A missão deveria ser ao nascer do sol mas foi a noite. As ondas estavam muito maiores que o esperado. Quatro membros dos Seals se afogaram no salto provavelmente devido a carga pesada nas mochilas. No caminho até a praia o tempo estava ruim, com ondas fortes, e tiveram que evadir de um barco patrulha. Um bote perdeu o motor e a infiltração teve que esperar até o outro dia. Na segunda noite conseguiram chegar a praia mas o bote virou nas ondas com os CCT perdendo a maior parte do equipamento. A missão foi abortada novamente e os Rangers foram lançadas sem dados de inteligência. Uma lição (re)aprendida nesta missão é não atuar com equipe com a qual não treinou junto antes.

Os Seals realizaram uma missão de reconhecimento de praia para posterior desembarque do USMC próximo ao aeroporto de Pearls no norte da ilha de Granada em 1983. Como o local estava bem defendido o desembarque foi direcionado para 700 metro mais ao sul da posição inicial. O 13 Seals foram transportados de embarcações SeaFox até 3,5 km da costa. Seguiram depois em dois botes Zodiac. Um mergulhador foi na frente e chamou o resto. Chegaram bem próximos das forças inimigas e usaram óculos de visão noturna para fazer o reconhecimento. Como a praia estava bem protegida emitiram o código para não realizar o desembarque. A informação não foi usada e lançaram o desembarque assim mesmo o que resultou em risco desnecessário para os Seals. A extração foi da mesma forma.

Na invasão de Granada em 1983 uma equipe dos Seal Team 6 foi ordenada a realizar uma incursão para tomar a Rádio RFG para que não transmitisse informações para as tropas inimigas e para que fosse usada depois pelas Forças Especiais para transmitir informações amigas. Os Seals não sabiam a composição da força inimiga, nem se haveria força de reação e nem se tinha artilharia antiaérea por perto. Fizeram a inserção de helicóptero MH-60 quase ao nascer do sol. Só encontraram cinco guardas e a rádio foi facilmente tomada. Depois fizeram bloqueio na estrada e dois veículos foram atacados com os fugitivos avisando as forças inimigas. Logo um BTR-60 com tropas e morteiro contra atacou. O morteiro foi posicionado próximo enquanto as tropas avançavam. Os Seals não tinham armas como o AT-4 ou apoio de AC-130 para contra-atacar. Agüentaram o ataque por uma hora com quatro baixas. Destruíram tudo na estação e fugiram nadando até um navio próximo a costa. A rádio RFG tinha uma estação móvel que não foi detectada nem destruída. A lição desta missão é levar arma de apoio como fuzil de sniper calibre 12,7mm, armas como o AT-4 ou Stinger, ou apoio externo na forma de artilharia ou aviação, além de não atuar de dia.

Também em Granada uma equipe do Seal Team 6 receberam a missão de entrar na mansão do ex-governador e resgata-lo, permanecendo no local até a chegada de tropas amigas. Uma tropa de 22 Seals foram inseridas a partir de dois Blackhawk, a principio a noite mas com o atraso foi de dia. Estavam próximo de uma peça de artilharia antiaérea e um helicóptero foi atingido tendo que voltar para base com piloto ferido e ainda com quatro Seals dentro. Logo chegaram tropas locais tentando invadir o local. A posição era boa para defesa ficando em cima de pequena colina com ótimos campos de tiro. Como perderam o rádio de longo alcance logo na infiltração tiveram que usar o telefone para chamar apoio. Os Seals chamaram ajuda de helicópteros AH-1 que teve que fazer um pouso forçado em campo de futebol próximo ao ser atingido. Um CH-46 chamado para resgatar o piloto também foi atingido assim como um segundo AH-1 também foi atingido. Depois chamaram um AC-130 que despachou um BTR pois os Seals estavam sem arma pesadas como o LAW. Caças A-7 fizeram cobertura depois da partida do AC-130. Os Seals tiveram que agüentar por cerca de 24 horas até a chegada de uma Companhia de fuzileiros navais. Só o sniper armado com um G3SG/1 matou 21 inimigos. Os Seals não estavam preparados para sustentar luta e foram mal usados por lutar de dia. Uma lição foi levar sempre armas pesadas como LAW, AT-4, Barret M-82 ou Stinger. O AC-130 é outra arma de apoio valiosa. Só na invasão do Panamá eram nove disponíveis para apoiar as forças no local.  

1989 - Panamá

Na invasão do Panamá em 1989 os Seals foram encarregados de evitar que o General Noriega fugisse de avião do país. O objetivo era danificar seu jato Learjet que ficava no aeroporto de Patilla. Noriega podia chegar ao local em 20 minutos e por isso a ação tinha que ser rápida.

A missão seria realizada por 67 Seals divididos em três pelotões de 16 e uma seção de morteiro. O pelotão Golf manobraria para desabilitar a aeronave, o Bravo neutralizaria as forças locais e faria bloqueio da pista enquanto o Delta faria segurança do perímetro e dos outros pelotões. Entre as tropas estava um sniper para atingir os pneus das aeronaves no local. Os Seals tentariam bloquear a pista com as aeronaves já localizadas no aeroporto. Era esperado apenas resistência leve, mas não sabiam o numero exato de tropas locais. Os Seals queriam ter uma vantagem de 3 versus 1 para conseguir superioridade de fogo fácil. Era esperado cerca de 10-15 inimigos e mal treinados. As regras de engajamento exigiam que só atirassem se atacados primeiro. O objetivo era evitar danos a propriedade, tendo que desabilitar a aeronave sem destruí-la. As ordens vieram de cima e os Seals não puderam mudar. Isto impediu usar a tática de reconhecimento pelo fogo, sendo que o normal é atirar primeiro e perguntar depois.

O Seals avançaram em 15 botes Zodiac pela costa e desembarcariam na praia próxima ao aeroporto no fim da pista. Tinham uma seção de morteiro que ficou no local de desembarque. A missão foi sincronizado com outras operações da invasão. Os Seals foram detectados no desembarque e as tropas chamaram reforço na forma de tropas mais bem treinadas. O efeito surpresa começou a ser perdido dias antes quando os operadores de radar de trafego aéreo do Panamá notaram um aumento das atividade aéreas dias antes da invasão e deram o alerta. Sabiam que eram cargueiros que aumentaram em número e eram mais pesados.

Era esperado apoio aéreo na forma de um AC-130 mas o rádio de comunicação terra-ar deu pane. Houve atrasos e a missão passou a ser desabilitar as aeronaves. Os Seals logo receberam um aviso que Noriega entrou dentro de um helicóptero e podia estar a caminho do aeroporto. Os Seals tiveram que atacar mais rápido e sem apoio externo. Ao mesmo tempo chegaram tropa de reforço e o elemento surpresa mudou de lado. Os Seals avançavam na grama e na pista sem proteção. Tudo parecia calmo e o aeroporto estava muito bem iluminado. Os pelotões estavam separados e o inimigo bem posicionado. Os panamenhos pediram para o pelotão Delta se render e iniciaram o tiroteio. Os pelotões Golf e Bravo logo correram para ajudar. O AC-130 via tudo de cima sem poder ajudar.

Os Seals sem proteção começaram a sofrer baixas, mas atiravam mais e melhor apesar da proteção de concreto disponível para os panamenhos. Em três minutos já eram oito baixas. Com a chegada dos outros pelotões aumentaram ainda mais o poder de fogo. Atacaram com o LAW e granadas M-203 já sem preocupar com danos colaterais. A resistência acabou na hora com os panamenhos feridos ou mortos. Poucos sobreviveram e se renderam. A batalha durou menos de 15 minutos com quatro mortos e 9 feridos graves para os Seals. A evacuação médica demorou devido a grandes baixas durante a invasora. A missão foi criticada pois podiam ter deixado apenas uma equipe de vigilância a longa distância com sniper para danificar a aeronave se necessário, ou podia ser uma forma maior e mais bem armada. Os raids em área urbana precisa de surpresa, choque e velocidade, além de apoio externo se comprometido.

 

Cenas dos combates no aeroporto de Patilla

1991 - Guerra do Golfo
Na Guerra do Golfo em 1991, equipes do Force Recon e Seals fizeram reconhecimento de praia para um possível desembarque no Kuwait. Na verdade o desembarque do USMC foi na Arábia Saudita mas tinham que enganar os iraquianos para deslocar divisões para o Kuwait e deixar o flanco esquerdo mais fraco. Foram realizados 20 missões de RECON de praia antes até achar um local adequado para um assalto diversionário no dia do início das operações terrestres. O reconhecimento mostrou que as praias estavam bem defendidas o que desencorajou um desembarque real. As missões deixavam pistas que tropas estiveram ali para convencer que era a intenção de desembarque era séria. As infil eram realizadas de helicóptero ou barcos patrulha. Foi feito um contato com disparos em uma ocasião sem perdas. O alvo escolhido foi a praia de Mina Su'ud.

A operação de despistamento foi realizada pela Força Tarefa Mike com 15 operadores dos Seals tentando imitar as ações de uma Divisão de Fuzileiros. A equipe foi transportada de uma lancha rápida até 10km da costa e depois passou para três botes de borracha (RIB) remando até 500 metros da praia na noite do dia 24. Cada RIB tinha cinco operadores dos Seals sendo um rádio operador, um com uma metralhadora M-60, um engenheiro para repara o motor se necessário e dois mergulhadores com. Os mergulhadores levavam 20kg de cargas explosivas para detonar a 1 hora da madrugada (3 horas antes da invasão) e foram instaladas na arrebentação da praia. Depois colocaram bóias sinalizadoras para serem vistas de dia como marcação da área de desembarque. Quando voltara para as lanchas foi iniciada a segunda parte da missão quando passaram a atirar na praia com metralhadores 12,7mm e lança-granadas automáticos MK-19 por cinco minutos varrendo toda a praia, além de atirar cargas explosivas na água com mecanismo de tempo. Esta operação fez parece que a praia foi preparada para um desembarque. A operação não só manteve os iraquianos no local como desviaram mais duas divisões para o local. Nesta operação de inteligência incluiu o "vazamento" de informações para a imprensa do desembarque na costa do Kuwait incluindo imagens do treino de desembarque na Arábia Saudita.

1992 - Somália:
No dia 2 de dezembro de 1992, durante a Operação Restore Hope, os Seals receberam a missão de limpar ao caminho para que os USMC chegasse em segurança ao aeroporto de Mogadishu. O SEAL TEAM 1 nadou até a praia, levantando dados sobre a profundidade da praia, sua composição e gradiente, para criar mapas e dá segurança aos desembarques.
Alguns dias depois eles exploraram o porto de Mogadishu para determinar se era adequado para ser usado por navios de transporte. Um problema não esperado foi que a água estava contaminada, o que fez com que muitos Seals ficassem doentes.

Pouco tempo depois os USMC desembarcaram, e os Seals mais os Marine Recon, nadaram a frente das levas de desembarque como uma força scout. Mas não encontraram nenhuma resistência, e sim muitos reportes, fotógrafos e cinegrafistas a sua espera, com suas luzes acessas e flash. Os marines desembarcaram e todo o mundo viu a cena pela TV.

2001-2002 - Afeganistão - Operação Enduring Freedom

Operador SEAL vestido como uma guerreiro afegão. No seu lado direito tem um DPV e atrás dele

um veículo civil usado pelas forças especiais, muitas vezes com marca da ONU. Sua arma é um fuzil M4.


Em resposta aos ataques da Al-Qaeda aos EUA em 11 de setembro de 2001 o SOCOM imediatamente acionou várias equipes das Forças Especiais dos EUA para operarem no Afeganistão contra a Al-Qaeda e o Governo do Taleban. Entre essas forças estavam os Seals que operariam em um ambiente de costumeiras missões como o naval e o ribeirinho, mas lutariam nas montanhas e desertos. Os Seals faziam parte da Task Force K-Bar, uma CJSOTF - Combined Joint Special Operations Task Force. A CJSOTF operaria no sul do Afeganistão. Essa força tarefa possuía forças especiais dos EUA e das Força da Coalizão. Para a CJSOTF os Seals contribuíram com o SEAL TEAM 2, 3 e 8 e o SDV 1.

Enquanto outras unidades dos Seals e das US Special Forces ajudavam forças afegãs a retirarem os talibans do poder, a Task Force K-Bar tinha a missão de destruir a infra-estrutura da Al-Qaeda e enfraquecer a sua capacidade de realizar novas operações terroristas. Durante suas missões nos complexos de cavernas no sul do Afeganistão a Task Force K-Bar acumulou valiosa inteligência e capturou inúmeros suspeitos de pertencerem a Al-Qaeda. A Task Force K-Bar também realizou reconhecimento estratégico, missões de interdição e missões C-SAR.  

Os Seals também realizaram várias missões SLE (Sensitive Site Exploitation) em que exploravam cavernas, casas e cabanas e aldeias atrás de explosivos e armas que podiam ser usadas pelos talibans e pela Al-Qaeda. Em uma operação em Tarnak os Seals mataram 16 inimigos e fizeram 27 prisioneiros. Também capturaram celulares, laptops e rádios PRC-117. Nesta operação morreu um operador Seal.

Segundo informações os Seals (SEAL TEAM 2, 3 e 8, DevGroup-ST6) e o SDV 1 realizarem reconhecimento secretos para um possível desembarque anfíbio no Paquistão. Homens do SEAL TEAM 3 operando como precursores observaram por 4 dias um pequeno aeródromo, depois tomado e rebatizado de Camp Rhino, para os USMC.

Os Seals também fizeram parte da Task Force 11, ao lado da Delta Force, com a missão ultra secreta de capturar membros do governo talibam e operativos da Al-Qaeda.

Em janeiro de 2002 uma missão de inteligência em Zhawar Kili revelou a existência de toneladas de munição e armamentos num complexo de cavernas e túneis, próximo a fronteira com o Paquistão. No complexo de cavernas em Zhawar Kili, os mujahedeens construíram com a ajuda dos EUA e de outras potencias ocidentais, hospitais, salas e centros de comando, para resistirem aos soviéticos durante a guerra de 1979-1989. Os Seals, reforçados por 50 marines, que proveram proteção a missão, exploraram as cavernas. Bombas guiadas foram acionadas para destruírem as entradas das cavernas.

Os Seals em operação conjunta com forças especiais dinamarquesas capturaram em fevereiro de 2002 o Mulá Khairullah Kahirkhawa. Um Predator detectou o Mulá e os seals e os comandos dinamarqueses foram acionados embarcaram rapidamente a bordo de um MH-53M Pave Low escoltado por um AH-64A Apache. Pouco tempo depois Kahirkhawa estava sob a custódia das autoridades americanas.

Operação Anaconda

Para preparar a operação uma equipe de 13 homens do DEVGROUP (SEAL TEAM 6) e da Delta Force, divididos em três grupos, tinham rastejado atrás das linhas inimigas. Todas as três equipes usaram rotas difíceis que acreditavam que o inimigo não poderia monitorar. Uma das equipes usou até veículos Desert Patrol Vehicles-DPV. Uma equipe Seals descobriu posição fortificada com metralhadoras que podia ser usada como posto de observação. A metralhadora estava na posição de disparar para baixo contra todos os helicópteros que voassem no vale. Os Chinooks que nesta operação transportavam de 30 a 40 infantes seriam abatidos como patos. Os Seals não atacaram a posição, mas chamaram AC-130 para destruí-la. Porém além deste chamado havia muitos outros perto do inicio da batalha. Quando o comandante da 101ª voou em um de dois helicópteros que transportavam tropas para o vale, esses helicópteros foram alvos dos disparos daquela metralhadora. Mas tarde acharam em um dos helicópteros buracos de projéteis que poderiam ter abatido a aeronave.

No dia 2 de março de 2002, as três equipes das forças especiais eram as únicas que estavam em terreno elevado, pois os planejadores da batalha tinham escolhida primeiro tomar as terras baixas. Por isso as equipes eram de extrema importância para coordenar os ataques aéreos.

O Major General Frank Hagenback, comandante da 10ª Divisão de Montanha, desejava retirar todos os operadores especiais do cume, quando tomou a decisão de enviar um segundo grupo de assalto aéreo vindo do norte, mandando-o manobrar e atacar do norte para o sul, abaixo da linha do cume da montanha. Mas o comandante das Operações Especiais o convenceu a não retirar seus homens. Quando souberam que não havia civis no vale, os americanos, usando o poder aéreo, destruíram uma vila lá embaixo e o assalto aéreo em direção ao sul foi cancelado.

No dia 4 de março de 2002 aconteceu uma grande batalha envolvendo forças das operações especiais da Coalizão. Essa batalha aconteceu nas montanhas de Takur Ghar no Vale de Shah-e-Kot. Como parte da Operação Anaconda, as equipes das forças especiais foram usadas como os olhos e ouvidos das forças armadas da Coalizão. Iniciando como um conflito entre forças especiais e os combatentes do taliban e da Al-Qaeda, a partir da Operação Anaconda, este conflito passou a ter um foco mais convencional. Um dos principais objetivos da Anaconda era eliminar pessoal inimigo no Vale de Shah-e-Kot. Um dia de combate causou mais baixas nas forças especiais do que toda a Operação Enduring Freedom. A parte convencional da Anaconda ficaria por conta da 10ª Divisão de Montanha (1 batalhão) e da 101ª Aerotransportada (2 batalhões). Segundo comentaristas militares a batalha, Takur Ghar foi a mais feroz que as forças especiais americanas se envolveram desde os combates na Somália em 1993, em Mogadíscio.

Os comandantes americanos da operação Anaconda queriam introduzir operadores especiais na crista da montanha. Raciocinaram que a área serviria como um grande ponto de observação. Infelizmente, o pensamento inimigo também foi o mesmo como o relatório de batalha indicou. A Al Qaeda tinha combatentes posicionados perfeitamente no local para desferir fogo contra os helicópteros e contra as tropas da Coalizão que operavam no vale abaixo.

No dia 4 de março começou uma grande crise, quando se decidiu enviar mais tropas Navy Seals para a batalha, pois estes estavam muito desejosos de lutar, mas os operadores do Exército ficaram aborrecidos com isto. Uma série de enganos fez com que o helicóptero dos Seals tentasse pousar em um local errado, em cima de uma posição inimiga fortemente armada.

Um helicóptero MH-47E com o sinal de chamada “Razor 03” transportou Seals e um controlador de combate da USAF ao topo da montanha por volta das 03:00 a.m. do dia 02 de março de 2002. Enquanto se aproximava para pousar foi alvo de um forte fogo vindo de terra. Um foguete propelido golpeou a aeronave. O piloto realizou manobras para sair imediatamente da área. O operador Seal de 1ª Classe Neil Roberts Petty, deslizou da rampa para fora da aeronave e caiu. Foi uma queda curta na neve lá embaixo. O helicóptero voou para fora da área e pousou aproximadamente a sete quilômetros do local. Segundo evidencias Roberts chegou vivo ao chão e acionou o seu dispositivo de sinalização. Porém foi morto logo depois por fogo inimigo. A execução de Roberts foi filmada por um UAV Predator.
 
Um outro helicóptero - “Razor 04” – que transportava uma outra equipe Seal, mais o Controlador de Combate da USAF Sgt. John  A. Chapman foi acionado para resgatar Roberts. O helicóptero foi alvo de tiros mas pôde entregar a equipe. Os Seals e o controlador de combate se aproximaram da última posição conhecida de onde estava Roberts, mas foi alvo de forte tiroteio. Enquanto manobraram, engajaram os homens da Al-Qaeda e mataram vários deles. Porém Chapman foi morto e alguns dos Seals foram feridos. 
 
Os Seals decidiram romper contato com o inimigo. Em seu auxilio um AC-130 da USAF forneceu o fogo de cobertura enquanto os Seals desciam a montanha e pediam auxílio imediato. A missão de apoio foi dado à Força de Reação Rápida dos US Rangers baseada em Gardez. Uma equipe de 23 homens transportada em dois helicópteros ("Razor 1" e "Razor  2").

Operação Iraq Freedom

Os Seals foram bem ativos na invasão do Iraque em 2003. A maioria das missões que eles realizaram ainda é secreta (classificada), mas porém se sabe que cerca de 250 Seals, a maior mobilização desta força desde o Vietnam, foram para, e entorno do Iraque antes do começo das hostilidades.

Operador do US Navy SEALs no Iraque. Ele está armado com uma pistola P226, uma carabina Mk18 Mod 0 CQB-R (Close Quarters Battle Receptor), e em seu ombro a bandeira de pirata "não oficial" Calico Jack.

No total foram cerca de 500 militares treinados em operações navais especiais, enviados para o Kuwait e Iraque, incluindo tripulações de barcos ligeiros, especialistas em inteligência, comunicações, e assuntos civis, etc.

Foi formado um Naval Task Group (NTG). Essa força tarefa foi construída em torno de um componente formado pelo SEAL Team 8 e 10, pelo GROM - Grupa Reagowania Operacyjno Mobilnego - Grupo de Reação Operacional Móvel da Polônia e pelos Commandos 40 e 42 dos Royal Marines britânicos, sob as ordens de QG da Brigada de Commando 3, e pequenas equipes do Esquadrão M do SBS britânico e da US Psyop and Civil Affairs.

O NTG lançou suas operações na noite de 20 de março. Os alvos iniciais foram as duas plataformas de petróleo. A de Mina al Bark Oil Terminal (MABOT) foi tomada pelo SEAL Team 8 e 10 (uns 35 operadores) e a plataforma de Khor al Amaya Oil Terminal (KAAOT) pelos operadores do GROM (cerca de 30 operadores). Os dois objetivos foram tomados serem resistência, apesar de em KAAOT terem sido encontrados explosivos.

A estação de bombeamento de óleo em Umm Qasr também foi capturada por uma força mista de SEALs e Royal Marines Commandos. Infelizmente houve um acidente trágico durante a  missão, quando um CH-46 dos USMC caiu vindo do Kwait trazendo uma equipe de sete membros da força de reconhecimento da Brigada de Commando 3 e membros do 29º Real Regimento Commando de Artilharia. Todos morreram além dos quatro tripulantes do CH-46.

Antes do ataque o local do assalto em Umm Qasr foi submetido a duros bombardeios de aviões AC-130 e A-10, que destruíram instalações SAM e unidades mecanizadas iraquianas. Quando em terra os SEALS e os Royal Marines tomaram o local e estabeleceram um cordão defensivo. Um controlador aéreo avançado chamou os A-10 para destruir um blindado iraquiano que se aproximou do local. Os SEALS e os Royal Marines também se infiltraram na estação de bombeamento de Al Faw tomando rapidamente a posição.

Outras operações do NTG foi a ação de três pelotões dos SEALs usando veículos DPV "buggies das dunas" contra a estação de AI Zubayr, enquanto tropas dos USMC da 1º MEF atacavam os campos de petróleo de Rumaylah
ao norte de AI Faw.

O NTG também tomou a represa de Mukarayin, 92km a de nordeste de Bagdá, prevenindo qualquer ação dos iraquianos de inundar a capital quando as forças da Coalizão entrassem lá. Seis MH-53Js foram usados para a infiltração; a aeronave da frente levou o elemento de comando e controle junto com seis snipers dos SEALs; o segundo levou 20 SEALs e dois operadores EOD anexados; o terceiro levou 35 operadores do GROM; o quarto e quinto
levaram um DPV cada e um elemento SEALs, e o sexto tinham a missão de CSAR.

O primeiro MH-53J tocou no telhado de três andares do prédio do gerador e os snipers se posicionaram para vigiar toda a área. Os elementos dos SEALs e do GROM desceram de fast-rope, infelizmente um operador do GROM quebrou a perna na descida. O DPVs foram deixados em cada uma das extremidades da represa, um apoiado por seis SEALs e o outro por quatro. Armados com .50 cal M2 e M240Gs, os buggies assumiram uma posição defensiva, abrangendo vias de acesso a barragem. Esta força combina ficou no local por cinco dias, sendo substituída por tropas da 1º Marine Expedicionary Force.

Operadores do SEAL 8 e 10 (uns 35 operadores) tomam a plataforma Mina al Bark Oil Terminal (MABOT)

Os SEALs e GROM continuaram sua parceria muito bem sucedida pelo resto da fase de invasão, com raids e operações anti-sniper em Bagdá. Os SEALS e as equipes do SBS também garantiram as hidrovias ao redor de Umm Qasr. Eles também foram envolvidos nas missões VBSS de apreensão de embarcações iraquianas que transportavam minas marítimas, uma tarefa na qual eles receberam o apoio do RAN Clearance Diving Team 3.

Uma vez estes objetivos iniciais foram capturados, o NTG recebeu a missão de apoiar as tropas convencionais da Coalizão no sul do Iraque. O NTG recebia apoio aéreo das unidades aéreas do 15º Marine Expedicionary Unit e do 20º Esquadrão de Operações Especiais da USAF.

Outras missões incluíram reconhecimentos no estuário de Shat Al Arab, bem como a captura rápida de locais suspeitos de serem esconderijos de armas químicas e bacteriológicas. No período pós-invasão, ou seja de ocupação, os Seals tem dado suporte as operações de estabilização e reconstrução do Iraque, realizando caçadas a insurgentes, provendo segurança para locais sensíveis e dando treinamento a forças locais.

No dia 23 de março de 2003 uma JSOC, formada por operadores da Força Delta e/ou DEVGRU, e Rangers foi transportada por helicópteros do 160º SOAR, com a missão de assaltar um local suspeito de armazenar armas químicas em Al Qadisiyah, uma cidade remota no iraquiano deserto.

A força de assalto era composta de:
2 helicópteros MH-6 Little Bird, transportando snipers da Delta Force.

2 helicópteros AH-6 Little Bird gunships
4
helicópteros MH-60K 'Kilo' Black Hawks, transportando Rangers
2
helicópteros MH-60L DAP Black Hawk gunships
2
helicópteros MH-47 Chinooks, transportando  a força de assalto da JSOC

2 helicópteros MH-47 Chinooks, transportando uma força de reserva


Os primeiros elementos da força chegaram em cima do objetivo por volta da meia-noite - 2 MH-6s com os seus passageiros da JSOC fizeram uma varredura no solo, procurando alguma resistência do exército iraquiano. Em seu apoio, bem atrás deles estavam 2 AH-6
gunships, armados com miniguns e foguetes. Eles não encontraram nada.

 

Logo depois chegaram os MH-60K, que desembarcaram os Rangers em posições pré-definidas. Os Rangers proveram fogo de apoio para a Força Delta/DEVGRU, que desembarcou logo após e passou a vasculhar a posição inimiga. Os Rangers atacaram os prédios adjacentes ao objetivo e em seu apoio, um AH-6 disparou foguetes contra posições inimigas.

 

Como os AH-6 e os snipers transportados pelos MH-6K suprimiram qualquer hostilidade no chão, uma força composta por Deltas/DEVGRUs chegou nos MH-47s, que pousaram em uma rápida sucessão perto do alvo designado. Os operadores da JSOC começaram a limpar os edifícios do complexo designado, metodicamente, vasculhando laboratórios, escritórios e instalações de armazenamento, enquanto procurando sinais de aramas de destruição em massa e coletavam inteligência.

A força de assalto tinha sofrido só 2 feridos durante a inserção; um Rangers que tinha se machucado em seu MH-60K e um Nightstalker a bordo de um Chinook que inseriu a força Delta/DEVGRU e que tinha sido baleado na mandíbula. Ambos foram levados para uma posição segura no deserto onde eles foram tratados por uma equipe médica instalada a bordo de um C130 especialmente equipado. Esta posição também serviu como um ponto de reunião para os Kilos e Chinooks, que esperaram até que eles foram acionados de volta à área designada para extrair os seus "clientes".

 

Os iraquianos tentaram atacar os americanos, mas a ação integrada do poder de fogo dos Rangers no solo e dos dois MH-60L DAP no ar, mantiveram a força hostil a distância, dando a força dos Deltas/DEVGRUs o tempo que eles precisaram para completar sua varredura. Com a missão completada no chão, foram chamados os Chinooks para extração. Assim que os Deltas/DEVGRUs foram retirados, os 4 MH-60Ks entraram e extrairam os Rangers , que não pasaram mais de 45 minutos em terra. Dentro de minutos, todos estavam em território amigo, escoltados pelos gunships. Precisamente o que foi achado dentro dos prédios não foi declarado oficialmente.

 

Em 04 abril de 2004, um grupo de trabalhadores estrangeiros foi seqüestrado nas ruas de Bagdá por criminosos iraquianos. Um dos reféns, o italiano Fabrizio Quattrocchi, foi executado não muito depois disso. Os restantes dos reféns foram Salvatore Stefio, Umberto Cupertino e Maurizio Agliana da Itália, e Jerzy Kos, da Polônia. Kos era representante no Iraque da construtora polonesa Jedynka, que erguia casas em Bagdá e os italianos trabalhavam para uma empresa americana de segurança.

Quando as forças de inteligência da Coalizão recebeu informações confiáveis sobre onde os trabalhadores estavam detidos, um ousado plano de resgate foi posto em execução. Em 8 junho, os operadores de um esquadrão misto da Delta Force dos US Navy SEALs, embarcaram em helicópteros MH-60k do 160th Special Operations Aviation Regiment.

Voando baixo sobre a periferia de Bagdá e rodovias, os MH-60k se aproximaram do seu objeto, um prédio perto de Ramadi. O prédio estava sob intensa vigilância da inteligência, que confirmou a presença dos reféns lá dentro. Esta informação veio através dos poloneses e seus contatos. a inteligência foi reforçada por operações de SIGINT que monitorava os celulares dos seqüestradores. Acreditasse que a ISA tenha cooperado com as ações de SIGINT.

A força de resgate era formada por quatro helicópteros MH-60K (Prince 61-4 operadores; Prince 62 - 8 operadores; Prince 63 - 7 operadores; e Prince 64 - 8 operadores) e quatro Litke Bird AH-6 (Granite 71, 72, 73 e 74, cada um com três operadores).

Os MH-60Ks pousaram rapidamente e próximo ao prédio, permitindo aos operadores Delta saírem rápido para o resgate dos 4 reféns. Segundos depois de chegarem ao solo os operadores já estavam dentro do prédio, iniciando o processo de limpeza dos cômodos. Os seqüestradores foram apanhados completamente de surpresa e não ofereceram resistência e foram rapidamente dominados. Os perplexos reféns foram encontrados amarrados e cobertos de poeira em uma das salas. A operação tinha sido um sucesso total, devido tanto ao meticuloso trabalho feito pelas diversas agências de inteligência como também pelo trabalho da Força Delta e dos Night Stalkers. O tempo do resgate: desde o pouso até chegar aos reféns passaram-se apenas 17 segundos e 8 cêntimos.

Quando foi recebido no aeroporto de Varsóvia por sua esposa e amigos, Jerzy Kos, ainda pálido falou sobre o seu resgate: "Toda a operação durou dois ou três minutos. Ouvimos o barulho dos helicópteros que aterrissaram na parte externa e depois a explosão que fez saltar pelos ares a porta metálica do local em que estávamos", disse. "Os italianos e eu nos agachamos cada um em seu canto, deixando de prestar atenção nos guardas armados, tudo em meio a uma nuvem de poeira que invadiu o quarto", continuou. "Abri um olho, vi soldados com uniforme americano e ouvi: 'don't worry, we're Americans' ('não se preocupem, somos americanos')", lembrou Kos. "Não esquecerei disto até o meu último dia de vida", acrescentou, com a voz embargada. "Depois, os soldados nos levaram pela mão e nos fizeram correr até o helicóptero, que decolou imediatamente", explicou, mostrando aos jornalistas uma medalha com as cores da bandeira americana que os soldados deram de presente aos reféns libertados. "Tentavam nos acalmar a todo momento porque não acreditávamos na nossa libertação", contou.


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Assunto: US NAVY SEALS - OPERAÇÕES