“One shot, one kill” - 2ª Parte


HISTÓRICO-I ; HISTÓRICO-II ; HISTÓRICO-III ;

MISSÃO, TÉCNICAS e TÁTICAS ; ARMAS e EQUIPAMENTOS ; SELEÇÃO e TREINAMENTO

 

Pós-Guerra

Com o final da guerra, em 1945, o atirador de elite passou a ser visto como artigo de luxo. Foi o ponto mais baixo na importância militar dos snipers no Ocidente. A maioria dos exércitos ocidentais fechou os olhos ao desmantelamento de seus grupos de atiradores de elite. Apenas os Royal Marines britânicos e o Corpo de Marines norte americanos continuaram a treinar e qualificar snipers. Os soviéticos, por outro lado, mantinham seus snipers treinando sem cessar, e cada Companhia do Exercito Vermelho possuía pelo menos três snipers em seu efetivo. Nos EUA apenas alguns oficiais estudavam e treinavam o assunto e tentavam persuadir o serviço a criar uma escola.

 

Porém os conflitos do pós-guerra, em sua maioria de baixa intensidade, demonstraram o valor do sniper. O Exército inglês foi um dos primeiros a reconhecer erro de eliminar as escolas e as unidades de atiradores de elite, já que as freqüentes escaramuças com guerrilheiros malaios e soldados nacionalistas mostraram que o atirador de elite era um elemento essencial. 

 

Em todos os conflitos que ocorreram pós-guerra a partir da década de 1950, os atiradores de elite fora usados, muitas vezes de ambos os lados. Britânicos (Irlanda do Norte, Dhofar, Falklands, Afeganistão...) russos (Afeganistão, Chechênia...), franceses (Indochina, Argélia, Chade...), indianos (Cachemira, Paquistão...) e israelenses (Guerras árabes, Líbano, Palestina...) os usaram com muito sucesso em suas guerras na África, Oriente Médio e Ásia. 

 

Um fato interessante a respeito dos israelenses é que o seu exército utilizou emigrantes russos que serviram no Exército russo na Chechênia como atiradores de elite em sua operações de snipers na Faixa de Gaza. A unidade recebeu o nome de Aliya (imigração, em hebraico). O treinamento de snipers no Exército russo dura um ano e no Exército israelense apenas cinco semanas. Porém os atiradores de elite das forças especiais israelenses recebem um treinamento extremamente mais apurado. O Exército do Israel também usa mulheres como atiradoras de elite.

 

Atiradores de elite também foram incorporados as policiais de todo o mundo. Antes quando se precisava de alguém para executar um trabalho de tido de precisão se convocava o melhor atirador da região, que realizava o "serviço" e depois ia embora. Nos EUA, especificamente em Los Angeles foi criada na década de 1970 a SWAT- SPECIAL WEAPONS AND TACTICS (Armas e Táticas Especiais). Esta unidade basicamente era constituída por duas equipes, os atiradores com armas curtas( Assault Team, ou time de assalto) e os atiradores de fuzil (Sniper Team, ou equipe de snipers ). Para doutrina e treinamento do Sniper Team, como não havia referências na polícia, buscou-se profissionais do Exército norte-americano. A idéia de tal unidade policial foi um sucesso e espalhou-se por todo o mundo entre as policiais locais, estaduais e federais.

 

Guerra da Coréia - 1950 - 1953

Na Guerra da Coréia, nos EUA a Escola de Infantaria do Exército recebeu a missão de organizar uma escola de atiradores de elite de acordo com as lições aprendidas na Segunda Guerra:

  • Contar sempre com snipers bem treinados;

  • Prover uma melhor proteção ativa contra snipers inimigos;

  • Treinar os oficiais para o emprego adequado de snipers.

O terreno montanhoso da Coréia favorecia o engajamentos de longo alcance. Os australianos já pensavam que seria uma guerra de snipers e estavam preparados, com cada Companhia tendo alguns snipers e com arma adequada. Vários snipers tinham experiência na Selva de Borneo e gostaram de atirar a distancias maiores que 100 metros.

O uso de sniper no lado comunista logo forçaram os ocidentais a retomar o treinamento de snipers e fez este guerra lembrar a frente de trincheiras da Primeira Guerra Mundial. As tropas ficavam escondidas, mas os americanos também passaram a poder avançar sem ser molestados com apoio dos seus snipers. A tecnologia era a mesma de 1940. Uma tática era operar junto com a metralhadora BAR como na Segunda Guerra Mundial. Podiam usar munição traçadora para indicar alvos para a metralhadora BAR e metralhadoras .30 que não podiam ver as próprias traçantes a distância.

Guerra Vietnã - 1963-1973

A exigência por melhores atiradores de elite foi duramente sentida pelos EUA no início deste conflito, pois o treinamento dos atiradores estava com o nível muito variado e os oficiais não estavam mais preparados para usá-los de forma efetiva.

 

O Exército americano percebeu que o tipo de conflito exigia a presença de homens altamente preparados para operações de snipers com o objetivo de contrapor a ação dos guerrilheiros. Os americanos ficaram supressos quando descobriram que para cada inimigo abatido, a proporção era de 50.000 disparos. Por isso o Exército levou de Fort Benning para Da Nang seus melhores instrutores de tiro, forneceu armas, equipamentos e treinamento adequados para os Marines Recon, do USMC, que forneciam unidades de reconhecimento avançado (observação e busca de alvos importantes) para o Exército dos EUA. O resultado do esforço foi que os alvos começaram à ser atingidos até 1.000 jardas, e a média de disparos por inimigo abatido entre os atiradores de elite caiu para 1x1. Deste período surgiu o ditado: one shot, one kill (um tiro, uma morte).

 

No conflito do Vietnã o US Army introduziu a munição de 5,56mm. Esta munição mostrou ser limitada com alcance de 300m, não penetra bem na vegetação e com pouco poder de parada. Os soldados americanos podiam ver os Vietcongs a centenas de metros e não conseguiam engajar com o M-16. As tropas passaram a equipar fuzis M-14 com luneta que depois foi escolhido oficialmente para ser o fuzil de snipers e chamado de M-21 em 1968. O M-21 foi equipado com a luneta ART I (Auto-Ranging Telescope) com inclinação variando com o foco para compensar a queda dos projéteis automaticamente. Logo foi reiniciado a seleção e treinamento dos snipers. O treinamento incluía chamar artilharia. Os recrutas davam até 700 tiros por dia, mas era bom mesmo para condicionar o tiro. O US Army operou mais ao sul do Vietnã, com terreno plano, com muitas plantações e mais aberto.

 

Enquanto o US Army gostou do M-21, mas o USMC não. O USMC escolheu o fuzil de ferrolho Remington 40X com mira Accu-range 3x9 que foi chamado de M-40A1. Os fuzis com ferrolho eram ruins nos engajamentos de curto alcance na selva e os snipers levavam pelo menos um fuzil M-14 ou pistola .45. Atuavam em time de snipers com um pelotão de apoio.

 

No inicio do conflito no Vietnã, o USMC tinha poucos snipers que estudavam assunto por contra própria enquanto o Vietnã do Norte tinha várias equipes de snipers para cada Companhia.  O USMC no Vietnã tinha vários critérios de seleção enquanto O US Army escolhia os melhores de mira na Companhia. O USMC dava duas semanas de treino no Vietnã sobre reconhecimento, ocultação e sobrevivência. O programa foi iniciado em 1965 e em 1968 se tornou uma Escola permanente com cada regimento de reconhecimento tendo um pelotão com três grupos de combate de cinco duplas de snipers, além do comando de tropas. O batalhão de reconhecimento tinha quatro grupos de combate com três duplas de snipers além do líder, sargento auxiliar e armeiro.

 

O USMC iniciou o treinamento na frente de batalha com os instrutores reaprendendo a arte dos snipers na pratica. Usavam o princípio de só ensinar se tiver experiência. O local foi a Colina 55 onde os incidentes com snipers inimigos no local caiu de 30 por dia para um ou dois por semana. Os instrutores observaram o local, a trajetória dos projeteis que mataram Marines e observaram que os pássaros não pousavam em certos lugares. Logo perceberam que havia um túnel para atirar de locais com grama alta de várias direções. Pediram para apontar um canhão sem recuo de 106mm para a posição devido a distância. Em caso de tiro de snipers disparariam lá. Dois dias depois um sniper comunista disparou. O canhão de 106mm estava pronto e logo foi disparado. O sniper comunista nunca mais disparou.

 

O USMC atuou mais ao norte, com muitas florestas e sem bons campos de observação e de tiro. Inicialmente os snipers operavam acompanhando patrulha e depois foram liberados para caçar e mostraram ser a forma mais efetiva.

É deste conflito que surgem os principais atiradores de elite da história dos EUA. Todos Marines: o Sargento instrutor de artilharia dos USMC Carlos N. Hathcock II e Chuck Mawhinney, também do USMC.  

O inimigo norte-vietnamita e vietgong

Os snipers vietcongs eram bem treinados, com um curso de 12 semanas. Os comunistas eram treinados no norte e repassavam o conhecimento rudimentar para as tropas do sul. Os norte vietnamitas tinham três grupos de combate de 10 snipers por Regimento que eram protegidos por um pelotão de segurança para cada grupo de combate. O problema era a falta de munição. Os snipers do vietcong ficavam 8 horas por dia em campo e só podiam disparar três tiros a cada cinco dias. Atacavam helicópteros na zona de pouso e serviam como observadores. Os alvos eram oficiais, sargentos e rádio-operadores, abatidos a distância de 600-700 metros, com objetivo de atrapalhar processo de C3 e fogo e manobra. Além dos snipers comunistas, outra ameaça silenciosa eram as armadilhas e minas. Logo os americanos perceberam a importância das táticas anti-snipers e passaram a usar artilharia e apoio aéreo.

Durante as batalhas no Ia Drang Valley em Nov 65 no Vietnan, o 1º Bn da 7ª Cavalaria foi atacado em força pelos norte vietnamitas regulares, Apesar da chegada de elementos do 2º Bn da 5ª Cavalaria, o 1º Bn foi forçado a retrair e estabelecer uma defesa circular. Um elemento do 2º Bn tinha estado na área todo o dia e os comandantes não puderam fazer um vasculhamento do local. Um Sniper permaneceu infiltrado na área e com uma arma causou sérios danos à Cia A. O Sniper atirava e permanecia sem ser descoberto. Os danos no moral da tropa eram severos. A tropa não estava segura ao longo de todo o perímetro defensivo. Os fogos do sniper por um período levou a sensação de medo e insegurança em dois batalhões.
 

Snipers americanos -Vietnam

Carlos N. Hathcock II

Carlos N. Hathcock II - USMC

Ele, natural Arkansas, é uma figura lendária por sua perícia como atirador de elite no Vietnã (93 mortes confirmadas), sua bravura ao salvar sete fuzileiros de um veículo em chamas e sua iniciativa para estabelecer o treinamento de atiradores de elite do USMC diante das lições aprendidas na guerra do Vietnã. Os comunistas vietnamitas levavam as ações de Hathcock  tão a sério que certa vez estabeleceram a recompensa de US$ 30.000 por sua cabeça. 

Até mesmo hoje, depois de décadas é um dos nomes mais conhecidos pelos atiradores de elite. Depois de ter dado baixa dos fuzileiros ele teve um papel ativo no desenvolvimento de atiradores de elite na comunidade policial dos EUA. 

Ele viveu nos arredores de Little Rock com a sua avó depois que seus país se separaram. Ele amava a vida ao ar livre e gostava de caçar coelhos e esquilos quando criança. Ele espera horas pelos animais e os abatia com facilidade. Com 10 anos ele trazia com regularidade carne fresca para casa. Com 17 anos em 1959 ele se alistou nos Marines. E não demorou muito para mostrar o seu talento. No boot camp de San Diego ele se qualificou imediatamente como atirador especialista. Durante os próximos anos nos Marines ele ganhou vários prêmios, inclusive o Wimbledon Cup, o prêmio mais famoso de tiro de longo alcance em 1965. No ano seguinte ele foi para o Vietnã e a principio serviu como policial militar. Porém ele queria mais ação. 

Então ele se ofereceu para patrulhas de reconhecimento para auxiliar fuzileiros que não tinham experiência em deslocamentos na floresta como ele. No princípio, os Marines da mesma categoria dele questionaram a utilidade de um sniper solitário, mas depois de seis meses - e 14 mortes confirmadas - os métodos de Hathcock ganharam aceitação.  

Durante a guerra do vietnã  Hathcock  levou a  destruição de uma companhia norte vietnamita inteira durante cinco dias . Ele e o corporal John Burke encurralaram no vale Elefante uma inexperiente companhia de infantaria comunista. Os dois atiradores forçaram a companhia a ficar acuada enquanto eles eliminavam um por um, lentamente. Este é um feito inédito na história de qualquer sniper famoso. De Ao fim do quinto dia Hathcock e Burke chamaram fogo de artilharia que terminou o serviço dos atiradores, eliminando os vietnamitas que ainda estavam vivos. 

É dele a morte confirmada, realizada na maior distancia usando uma Browning .50 com mira telescópica. Este sucesso conduziu a adoção do cartucho .50 como calibre anti-pessoal viável a ser usado pelos snipers.

Ele também matou um general vietnamita sob as mais difíceis condições de tiro para muitos, considerado impossível. Ele rastejou cerca de 1.000 jardas por um campo aberto durante quatro dias para ficar na posição ideal de tiro para eliminar o general inimigo. Ele esteve sob constante ameaça de patrulhas com cachorros. A única porção de água de que dispunha estava em um único cantil. Ele completou a sua missão com um tiro mortal a 700 jardas.  

E como já foi dito, ele salvou sete fuzileiros navais em Queson que estavam feridos dentro de um AMTRAC que bateu numa mina e pegou fogo. Durante o salvamento ele recebeu varias queimaduras, mas não desistiu de salvar os companheiros. Este ato de bravura mais uma vez demonstrou a determinação deste herói. Por causa das queimaduras de segundo e terceiro grau em cerca de 40% do corpo a sua carreira de atirador de elite no Vietnã foi encerrada. Ele sofreu 13 operações de enxerto de pele no Centro Médico do Exército no Texas. Ele recebeu depois a Silver Star por este ato de bravura. 

Ele saiu do ataque com segundo e terceiro grau queima em cima de mais que 40% do corpo dele e foi evacuado a Exército de Brooke Centro Médico em Texas onde ele sofreu 13 operações de enxerto de pele. A natureza dos danos o deixou impossibilitado executar efetivamente novamente com um rifle.  

Graças a ações dele e de outros atiradores de elite no Vietnã, os snipers hoje são visto não mais como uma simples ferramenta no campo de batalha, mas eles são hoje uma instituição permanente nas formas armadas americanas. Durante os seus dois turnos de 13 meses no Vietnã, Hathcock se oferecia para tantas missões que os seus oficiais comandantes tiveram que as restringir para o fazer descansar. Ele ajudou a estabelecer a escola de snipers do USMC Quântico, VA. 

Hathcock morreu de esclerose múltipla em 1999 aos 57 anos, foi celebrizado num livro de 1986 escrito por Charles Henderson. A obra tem grande número de admiradores entre jovens fuzileiros navais americanos.

Chuck Mawhinney

Em 16 meses como atirador de elite do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA no Vietnã, em 1968 e 1969, ele matou 103 inimigos. Outras 216 mortes foram relacionadas apenas como prováveis, pois era muito arriscado demorar-se revistando os corpos em busca de armas e documentos. Usou em seu tempo de serviço duas armas, um padrão M40A1 de ferrolho remington cano pesado e um padrão M21 semi-automático ambos em cal 308 winchester, dependendo da missão tinha o estranho costume de levar os dois rifles  

Nenhum outro atirador de elite dos Fuzileiros Navais no Vietnã teve confirmadas tantas mortes de vietcongues e soldados do Exército norte-vietnamita. No entanto, durante mais de duas décadas depois que ele deixou a corporação em 1970, ninguém, exceto alguns colegas também fuzileiros navais, soube qual era sua missão.  

Outros atiradores de elite escreveram livros ou alguém escreveu livros sobre eles. Mawhinney sempre achou que histórias de guerra eram para aspirantes a heroísmo ou para pessoas enfadonhas. Em casa, no Estado de Oregon, ele nunca contou nem a seus amigos mais chegados sobre o que fizera no Vietnã. Mas uma brochura que contava tudo, escrita por um amigo e também atirador de elite dos Fuzileiros Navais - Dear Mom: A Sniper's Vietnam (Cara Mamãe: O Vietnã de Um atirador de elite), de Joseph Ward -, finalmente o arrancou do silêncio.  

Até numa era de mísseis que custam milhões de dólares e são guiados por computadores, a capacidade de um homem matar outro com uma bala de 20 centavos é uma perícia muito apreciada no meio militar. Em meio à feia guerra, o atirador de elite é designado para molestar, intimidar e desmoralizar o inimigo, fazer com que ele receie sair a campo aberto e negar-lhe a chance de repousar e reagrupar-se.  

Mawhinney é agora muito procurado nos círculos militares para descrever técnicas, emoções, o modo como vê o que fez com emboscadas. A princípio embaraçado e aborrecido por perder a privacidade, ele decidiu, com relutância, contar uma história fria sobre o ato de matar a serviço do país.  

"Assim que eu tinha um Charlie (gíria para designar vietcongue) na minha mira telescópica, era minha obrigação matá-lo antes que ele me matasse", disse Mawhinney, agora com 51 anos e afastado de um trabalho burocrático no Serviço Florestal dos EUA. "Nunca olhei nos olhos deles, nunca parei para pensar se o sujeito tinha mulher e filhos."  

Atirador que com freqüência matava a uma distância de 300 a 800 metros, Mawhinney tem confirmadas mortes a mais de mil metros. "Era o supra-sumo da caçada: um homem caçando outro homem que o estava caçando", disse. "Não me fale sobre caçar leões ou elefantes; eles não revidam com fuzis e miras telescópicas. Eu simplesmente adorava aquilo. Deliciava-me." Seus modos são francos, sua voz revela o consumo de cigarros durante anos. Ele bem podia estar falando de esportes ou de caçadas com amigos. Durante dois anos seguidos, ele tem sido o orador principal num simpósio internacional sobre atiradores de elite, perto de Washington.

Por que mudou de idéia, ele que nunca quis repetir histórias sobre o Vietnã?  

Primeiro, ele decidiu que podia contribuir para mudar a imagem pública dos atiradores de elite, considerados assassinos sanguinários. Mawhinney disse que um bom atirador de elite salva mais vidas do que destrói, pois reduz a força de vontade do inimigo ou sua capacidade de combate. Em segundo lugar, vir a público proporcionava a chance de dizer algo que poderia ajudar algum soldado a continuar vivo algum dia.  

Mawhinney tem sido convidado de honra em competições de atiradores de elite nos EUA, das quais participam militares e membros de pelotões da polícia especial Swat. Ele viajou para a República Checa e se reuniu com soldados e policiais das democracias emergentes.  

Ele também já foi convidado a falar a atiradores de elite em treinamento no Camp Pendleton, dos Fuzileiros Navais e no Forte Carson, do Exército, no Colorado. "Transmiti-lhes as três regras de Chuck Mawhinney para se tornar um bom atirador de elite: treino, treino e mais treino", disse.  

Alguns pensadores militares dizem que essa tarefa talvez seja mais importante que nunca no ambiente pós-guerra fria dos pequenos conflitos isolados. O Exército, o Corpo de Fuzileiros Navais e a Marinha ensinam técnicas do gênero: perícia com a arma de fogo, camuflagem e tocaia, para pequenos grupos de soldados de elite.  

Numa parede da escola de atiradores de elite dos Fuzileiros Navais em Camp Pendleton há um provérbio chinês: "Mate um homem, aterrorize mil." Em outra, o retrato emoldurado de Mawhinney como atirador de elite adolescente no Vietnã, despido até a cintura, em pose simulada de macho empunhando um fuzil com ferrolho, um Remington M700 fornecido pelo governo, que considerava "meu queridinho".  

"É bom para os jovens fuzileiros navais ver alguém como Chuck, que teve todas as qualidades impalpáveis para ser um bom atirador de elite: coração, fibra, força de vontade e disciplina", disse o sargento especialista em artilharia, William Skiles, que dirige a escola de atiradores de elite, de 30 alunos.  

A maioria dos combates é travada com armas automáticas ou semi-automáticas capazes de espalhar balas de um modo que o Exército do Vietnã chamava eufemisticamente de "minutos loucos". Atiradores de elite geralmente dão um tiro de cada vez, usando armas com ferrolho que proporcionam maior precisão e distância do inimigo, mas os deixam praticamente indefesos contra armas automáticas a curta distância. No Vietnã, o inimigo oferecia um prêmio pelos atiradores de elite americanos. Mawhinney tinha uma arma na cintura com uma bala, que dispararia contra a têmpora na iminência de ser capturado.  

Embora ele se retraia diante de comparações, os números de Mawhinney situam-no no mesmo nível de famosos atiradores de elite: russos e alemães na Batalha de Stalingrado, britânicos e alemães nos combates de trincheiras na 1ª Guerra Mundial, fuzileiros navais e seus inimigos japoneses durante as campanhas em ilhas na 2ª Guerra.  

"Chuck era extremamente agressivo", contou o professor de artilharia, sargento Mark Limpic, chefe do esquadrão de Mawhinney. "Ele era capaz de correr 800 metros, ficar totalmente de pé, disparar sem mais aquela e derrubar alguém a 700 metros. Tive muitos sujeitos que nada faziam, só se queixavam de cólicas, mas Chuck nunca se queixava."  

Embora seu pai tivesse sido fuzileiro naval combatente na 2ª Guerra, Mawhinney planejava entrar para a Marinha depois de formar-se em 1967 num colégio em Oregon. Mas o recrutador dos Fuzileiros Navais fez-lhe uma proposta a que ele não pôde resistir: "Você pode adiar o treinamento até passar a temporada de caça ao veado."  

"Um tanto irônico, levando em conta o lugar para onde eu fui e o que fiz", disse Mawhinney. Ele havia aprendido a caçar cedo. "Quando era garoto, tudo o que rastejava ou voava merecia ser caçado." Exímio atirador no acampamento de treinos, ele foi encaminhado à escola de atiradores de elite em Camp Pendleton. Ao se diplomar, recebeu um livrinho que parecia ser o manual completo de um atirador de elite. Dentro estava escrita uma só advertência: Tu Vais Matar.  

Ele embarcou para o Vietnã durante os intensos combates que se seguiram à Ofensiva do Tet, no início de 1968. Tinha fantástica capacidade para medir distâncias, umidade, condições meteorológicas e terreno - fatores que determinam quanto uma bala vai subir ou baixar durante sua trajetória. Ele tinha paciência para ficar horas à espera do tiro certo. Ficava amedrontado, mas muito satisfeito. "Normalmente eu disparava e corria, mas, se eles estavam a grande distância, não me preocupava", contou Mawhinney. "Eu disparava e ficava ali deitado, esperando, esperando, e logo alguém mais começava a avançar para o corpo. Então eu disparava de novo."  

Mawhinney acrescentou: "Quando a gente dispara, os sentidos se aceleram: olfato, ouvidos, tudo. A visão se alarga e a gente vê tudo e pode farejar coisas que não podia em outras ocasiões. Minhas normas sobre confronto eram simples: se eles tinham uma arma, iam ser derrubados. Excetuando um pagador do Exército do Vietnã do Norte que acertei a 900 metros, todos os que matei tinham uma arma."  

Perto da base An Hoa na periferia de Da Nang, ele surpreendeu um pelotão de soldados do Exército norte-vietnamita atravessando um riacho. Acertou 16 na cabeça com um fuzil M-14, que às vezes levava além de seu fuzil com ferrolho. Os 16 foram relacionados apenas como mortes prováveis, pois nenhum oficial estava lá para ver seus corpos boiando e não houve chance de revistar os cadáveres.  

Ele conserva profundo conhecimento de como as pessoas parecem no estertor da morte. "Às vezes, dependendo do lugar onde eram atingidos, eles só caíam e não se mexiam", contou Mawhinney. "Ninguém morre de um só jeito, e já vi de tudo. Dei muitos tiros de misericórdia. Eu feria pessoas e depois metia outra bala nelas. Não queria vê-las se arrastando."  

Da relativa segurança da base de combates, Mawhinney e seu colega atirador de elite saíam todo dia para o mato. Às vezes ficavam à espreita do inimigo durante horas até chegar a uma distância em que podiam dar um ou mais tiros. Outras vezes se instalavam em áreas por onde já sabiam que o inimigo ia logo passar e ali ficavam em silêncio e imóveis durante horas. "A gente chega a um ponto em que começa a viver como animal", disse Mawhinney.  

"Só pensava em matar."

Nas turmas de atiradores de elite, um perito no gatilho fazia parceria com um novato, que carregava o binóculo e uma arma automática para fogo de cobertura. O atirador de elite decidia quando o novato estava pronto para matar pela primeira vez. Mawhinney treinou meia dúzia deles e procurava certificar-se de que era "um tiro seguro", um alvo fácil a 300 metros de distância. Disse que dava a todos a primeira lição recebida depois de ter matado o primeiro homem: "Aquilo não foi um homem que você matou; era um inimigo. Esta é nossa tarefa. A guerra tem tudo a ver com isto."  

Aquilo não era em nada um jogo. Quando um chefe de pelotão muito zeloso expôs um "placar de mortes" para os atiradores de elite, Mawhinney foi contra.  "Aquilo começava a virar competição", disse. Depois, Mawhinney desiludiu-se dos objetivos dos EUA no Vietnã. Ainda assim prorrogou duas vezes seu período de serviços para ajudar a manter vivos seus amigos, fuzileiros navais. "Ficou evidente que estávamos andando em círculos e finalmente o ponto em que se podia dizer: esqueçam o Vietnã do Sul. Estamos aqui para defender nossa pele."  

Nem todos os fuzileiros navais gostavam dos atiradores de elite. Alguns odiavam-nos porque eles pareciam impregnados de morte. Aquilo só agravou a implacável pressão exercida sobre Mawhinney. "Eu receava que ele sofresse um colapso", contou Limpic, chefe de esquadrão. "Alguns sujeitos voltavam quase em lágrimas. Chuck ria ao descrever suas mortes. Talvez ele estivesse tentando disfarçar seus sentimentos."  

Ao fim de 16 meses como atirador de elite, um capelão julgou que ele estivesse sofrendo de fadiga mental de combate. Seus dias de matador estavam terminados. Designado para instrutor de tiro em Camp Pendleton, ele tinha pesadelos - sonhava que voltara ao Vietnã, estava enfurnado num buraco, incapaz de responder ao fogo usando seu fuzil com ferrolho enquanto balas inimigas choviam. "Eu conseguia sentir as balas me atingindo."  

Depois de ter estado em combates, a vida num batalhão de treinamento, com sua ênfase na aparência e ordem, não lhe servia. Ele deixou a corporação e voltou ao rural Oregon, decidido a esquecer a guerra. Três dias depois de voltar, arranjou emprego no Serviço Florestal e foi trabalhar com uma turma de conservação de estradas. Nunca falou do Vietnã; logo se acabaram os pesadelos.  

"Eu sentia que estava finalmente em casa, não como quando eu vinha do Vietnã de licença e sabia que precisava voltar para aquele inferno", contou. "Não sou um sujeito que olha para atrás. O serviço no Vietnã era algo que eu precisava fazer. Tento fazer tudo de modo impecável. Se você é atirador de elite, só existe um meio de fazê-lo se quiser continuar vivendo."  

No corre-corre da desmobilização militar depois da Guerra do Vietnã, as altas patentes não conheciam os números de Mawhinney. Acreditava-se na corporação que o maior número de mortes confirmadas fossem 93, pertencentes ao sargento instrutor de artilharia Carlos Hathcock, figura lendária por sua perícia como atirador, sua bravura ao salvar sete fuzileiros de um veículo em chamas e sua iniciativa para estabelecer o treinamento de atirador de elite na corporação. Hathcock, que morreu em 1999 aos 57 anos, foi celebrizado num livro de 1986 escrito por Charles Henderson. A obra tem grande número de admiradores entre fuzileiros navais jovens. Afirma que o recorde de Hathcock, 93 mortes, "nunca foi igualado".  

Mas Ward, sem falar com Mawhinney, mencionou-o de passagem em seu livro. Recorrendo à memória, Ward escreveu que Mawhinney tinha 101 mortes confirmadas. Os guardiões da lenda Hathcock reagiram negativamente. Um jornalista vasculhou registros do Corpo de Fuzileiros Navais na tentativa de desmentir o número atribuído a Mawhiney. A pesquisa era possível porque os atiradores de elite precisavam fornecer relatórios de suas operações. Ficou provado que, no caso de Mawhinney, o número exato era 103.  

A informação circulou lentamente no fechado mundo de publicações militares e não chegou logo à classe trabalhadora à qual Mawhiney agora pertencia, na cidade do tempo da corrida do ouro, junto à fronteira Oregon-Idaho. Mas, sabendo que finalmente ela chegaria, Mawhinney reuniu alguns amigos certa noite e contou-lhes: "Há em mim certa coisa que nunca lhes disse." Deixou que eles espalhassem a notícia.  

Depois disso, durante meses Mawhinney e sua mulher, Robin, entravam num dos lugares que costumavam freqüentar - um restaurante, uma estalagem de bar ou uma escola para participar de uma reunião - e os amigos silenciavam, ficando com aparência de culpa, incomodados. "As pessoas ficaram assombradas", disse o empreiteiro Mark Spurlock. "Havia uma incongruência", disse Debbie Jorgensen, projetista gráfica e contabilista. "Chuck é tão discreto e amável que as pessoas não acreditavam que ele fosse capaz daquilo." Mawhinney pensou em mudar a família para as matas de Wisconsin. Mas depois seus amigos foram voltando e hoje a modesta casa da família enxameia de vizinhos.  

Dois anos atrás, Mawhinney retirou-se do Serviço Florestal. Ele havia chegado a um cargo administrativo, a supervisão da frota de veículos. Sua mulher é secretária no programa especial de educação em Baker High e participa ativamente da Olimpíada Especial para alunos deficientes. "É preciso lembrar que Chuck nunca procurou chamar essa atenção", disse Robin.  

"Ela o procurou." Para a família Mawhinney - a mulher e três filhos - viver é pescar no Rio Snake no verão, pescar no gelo nos lagos de montanha no inverno e caçar todo tipo de bicho.  

A lembrança mais vívida de Mawhinney é a do homem que escapou. Ele acabara de voltar da licença para a base de combates de seu regimento em An Hoa. O armeiro - um soldado encarregado da manutenção dos fuzis da unidade - garantiu que não permitira que ninguém fizesse ajustes no fuzil de Mawhinney em sua ausência.  

Sem testar a arma, Mawhinney e seu companheiro encarregado de localizar posições inimigas partiram em apoio a um esquadrão de infantaria. A partir de um esconderijo várias centenas de metros distante do local onde se previa um tiroteio, Mawhinney tinha por tarefa derrubar homens desgarrados, reforços vietcongues ou soldados do Exército do Vietnã do Norte que viam na área um refúgio.

A 300 metros de distância, Mawhinney viu um homem que trajava pijamas de camponês andando à beira do canal de um arrozal. Observou melhor: o homem portava um fuzil à bandoleira. "Disparei um tiro e errei", contou Mawhinney.  

"Fala-se a respeito de olhares - ele se voltou e olhou diretamente para mim, numa incredulidade total. Fiquei pensando: `Por que esse f.d.p ainda está vivo?' Aí percebi que o armeiro havia embananado minha mira telescópica, não havia dúvida." O alvo começou a correr. atiradores de elite encaram isso como desafio. Eles têm um lema: não se preocupe em correr, pois vai morrer de cansaço.  

"Disparei para a esquerda, para a direita, disparei mais para cima e mais para baixo, mas finalmente ele dobrou uma curva e desapareceu", contou Mawhinney em tom de profundo pesar. "Não toquei nele. Nunca vou esquecer aquele olhar que ele me lançou. A respeito do Vietnã, é uma das poucas coisas que me incomodam. Não pude deixar de pensar no número de pessoas que ele pode ter matado depois, quantos amigos meus, quantos fuzileiros. Ele se metera numa enrascada e merecia morrer. Isso ainda me incomoda." 

 

Guerras israelenses
Desde da criação em 1948, as Forças de Defesa de Israel -FDI se mostrou um tipo diferente de Forças Armas. Com seu orçamento reduzido, pequeno contingente, minúsculo território para defender e manobrar e cercado por inimigos poderosos e infinitamente mais numerosos, as FDI tiveram que estabelecer suas próprias doutrinas e estratégia originais.
Em conseqüência, a estratégia das FDI sempre primaram atacar primeiro em território inimigo, com precisão e velocidade, infligindo ao inimigo o maior dano possível, chegando rapidamente ao conclusão de um conflito. Pois a pequena população de Israel não pode suportar uma campanha de longo tempo. Neste tipo do ataque, a seleção dos alvos, com paciência, é de suma importância e a sua destruição completa imprescindível.

Esta maneira de pensar refletiu profundamente no papel do sniper israelense por muitos anos. Em Israel o sniper sempre foi visto como uma peça de luxo e um profissional "fora do ninho" das IDF. Por isso a escola de snipers de Israel tem péssima fama. É muito fácil passar e os testes físicos e mentais são pouco exigentes. Aceitam os piores das Forças Armadas, as vezes para se recuperar de problemas ortopédicos. São recrutas bem jovens e não soldados experientes. Os instrutores nem gostam de mostrar a insígnia de sniper. Os militares israelenses também não estavam muito conscientes da importância dos snipers.
Já os snipers das Forças de Operações Especiais israelenses são de ótima qualidade. Porém a pouco tempo atrás os snipers nem era considerado como membro da equipe e as emboscadas com snipers e designação de alvos, coisa comum em forças especiais, era pouco praticado. A exceção era a Shayet 13 influenciada fortemente pelos US Navy Seals.

Essa ênfase muito baixa nas habilidades pessoais da proficiência do sniper (camuflar, seleção do alvo, recolhimento da inteligência, etc.), fez com que o sniper israelense das forças especiais fosse um dos piores do mundo. A maioria deles não podia acertar alvos a 600-700m, enquanto a maioria dos snipers ocidentais das forças de elite podem disparar bem em alvos até 1.000m. Hoje, esta realidade está mudando lentamente, mas levará alguns para que os snipers israelenses alcancem um nível apropriado.

Para suprir essa lacuna, as FDI tem empregado snipers vindos das antigas republicas soviéticas. Segundo alguns dados um em cada dois sniper israelense é imigrante. Em certos cursos da escola de tiro este número atinge 70%. “Estes soldados têm um alto nível de conhecimentos de matemática e física”, declara um oficial sênior, em campo. “Pessoas com uma boa base educacional em matemática aprendem com facilidade a técnica de atirar à queima-roupa e atirar à distância. Esta área não é compatível com a cultura dos distraídos”. Aqui ninguém pode ser relaxado nem negligente. Precisão é a palavra-chave nesta área.

Já nas unidades de elite os israelenses tem usado não conscritos imigrantes da Rússia, mas snipers experientes em combate, muitos ex-spetsnaz que serviram inclusive no Afeganistão e na Chechenia. Certa vez quando o 51º Batalhão da Brigada Golani precisou entrar em Bint Jbeil, pela segunda vez depois de ter sofrido oito baixas, inclusive seu comandante, a duas semanas atrás, uma equipe desses snipers foi acionada para apoiá-lo. Era homens entre 35 e 40 anos, que imigraram para Israel no início dos anos 1990 e no passado todos tinham tido experiência de combate. Eles já tinham lutado também em Israel, especialmente na Faixa de Gaza. Os snipers foram postados em um dos pontos de entrada a Líbano ao lado dos combatentes da Golani. E auxiliaram excepcionalmente nas operações israelenses dando cobertura ao avanço dos soldados e eliminando ameaças. 

Hoje o Exército israelense emprega os seus snipers durante as suas incursões da seguinte forma: os snipers são plantados nos altos dos prédios e dão cobertura para o avanço dos blindados. As vezes de usam mais de vinte snipers em tais operações, dependendo do envergadura da incursão. Os snipers do Exército e das forças especiais israelenses também são usados para eliminarem terroristas tanto no Líbano, quanto em Gaza e Cisjordânia.

Um fato interessante das FDI é que elas usam mulheres como snipers como os russos também já usaram bastante. Uma das atiradoras de elite israelense que lutou nas guerras de 1967 e 1973 obteve 31 mortes confirmadas, neste dois conflitos.

Afeganistão Russo - 1979-1989



Sniper da 103ª Divisão de Assalto Aéreo de Guardas em operação no Afeganistão de 1985,

armado com um fuzil Dragunov SVD.

O conflito russo no Afeganistão pode ser considerado uma guerra dos snipers. Os soldados russos raramente viam o inimigo que disparou e os guerrilheiros afegãos eram bons de mira. Um soldado cita que quando seu blindado foi atingido por uma mina, quem saia do blindado era logo atingido. O blindado pegando fogo estava mais seguro que lá fora e só puderam sair quando outros blindados chegaram para ajudar. Ao saírem notaram que o local próximo mais protegido onde poderia se esconder um sniper estava a pelo menos 500 metros. A guerra no Afeganistão mostrou a fragilidade do sistema de treino dos snipers russos a nível de batalhão e logo foi criado escolas a nível de Corpo de Exercito.

No Afeganistão os atiradores do MUJAHADEEN, com seus fuzís LEE-ENFIELD, mataram soldados soviéticos em média que excedeu os 800 metros de alcance. No decorrer do combate os soviéticos descobriram que seu fuzil KALASHNIKOV era praticamente inofensivo a partir de 300 metros. Para contrapor a isso, os soviéticos formaram esquadras de Snipers motorizadas e armadas com o Fuzil 7,62 SND SNIPER RIFLE.

Falklands/Malvinas - 1982

O cenário da Guerra das Falklands/Malvinas tinha bons campos de tiro e boa cobertura sendo um paraíso para os snipers. Os argentinos usaram o fuzil K98K de fabricação local e a M-14 com luneta AN/PVS-2 além de outras armas. A maioria dos snipers usava um fuzil FAL com luneta. Muitos estavam equipados com a mira noturna PVS-4 de segunda geração bem melhor que os Starlight usados pelos britânicos.

Os britânicos usava o fuzil
Enfield L42 que emperrava com freqüência e a luneta ficava embaçada. Logo começaram a jogar o fuzil fora e pegar fuzis FAL argentinos que eram adequados contra alvos a até 600 metros e os equipavam com AN/PVS. Os britânicos treinaram tiro nos navios enquanto iam para as Falklands/Malvinas.

O valor dos snipers foi novamente mostrado quando um único sniper argentino conseguiu parar uma Companhia britânica por quatro horas. Em Goose Green, os snipers britânicos atiravam nas gretas dos bunkers a 700 metros e os argentinos se rendiam. Era bem mais barato que o uso de mísseis Milan que também foi usado na tarefa. Já as tropas convencionais tinham que dar muita supressão concentrada para poder avançar.

Em junho de 1982 em Falklands (Malvinas), o 3º Btl do Regimento Pára-quedista britânico atacou o Mte Longdon.O terreno difícil associado ao inimigo bem entrincheirado tornou o movimento lento e perigoso. Os Snipers do 7º RI argentino mantinham os britânicos ocupados com o fogo preciso e acurado durante o dia e à noite (com uso de visor noturno). Em um ponto do ataque uma Cia britânica inteira ficou detida por horas face a um único Sniper argentino.

Um sniper argentino conseguiu abater treze militares ingleses antes de ser apanhado. Sua camuflagem era perfeita, e ele atirava apenas em suboficiais e operadores de rádio. Foi descoberto por acaso, quando um soldado inglês, olhando exatamente para o ponto onde ele estava, viu a fumaça de um disparo. Rendeu-se, foi capturado vivo e considerado apenas um prisioneiro de guerra.

Um fato intrigante para os britânicos sempre foi a identidade dos snipers empregados pelo Exército argentino, identidade esta envolvida em mistérios. Apesar da Argentina não ter nenhum programa de treinamento de atiradores de elite dentro de suas forças armadas, e mesmo as suas forças especiais tinham um limitado acesso a rifles apropriados para esta função, usando em sua maioria rifles do tipo FN/FAL, alguns de seus atiradores demonstraram excepcional qualidade e rifles Remington 700 com miras ópticas de tipos não especificados foram encontrados após encerrados os combates.

Alguns veteranos britânicos desta campanha acreditam que os estes atiradores eram mercenários americanos de descendência latina com experiência no Vietnã. Em Goose Green dois deles foram capturados com seus rifles e eles não falavam espanhol, falavam inglês com sotaque norte-americano. Alguns militares britânicos os levaram embora e não foram mais vistos.

Granada - 1983

Em 25 de outubro de 1983 em Granada durante a Operação “URGENT FURY”, comandos do 75º RI estavam na segurança do campo de pouso de Point Salinas. Uma equipe de Snipers foi furtivamente posicionada para engajar uma seção de morteiros
cubanos. O fogo preciso da equipe matou e causou baixas em 18 (dezoito) integrantes da seção. Interrogatório feito com prisioneiros cubanos depois da ação, revelou que os fogos acurados dos Snipers, foram os responsáveis diretos pela redução do seu poder de combate.


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Assunto: Atiradores de Elite