R E S I S T Ê N C IA

RELATOS DA RESISTÊNCIA Vol. I - FICÇÃO


"Os terroristas urbanos obtinham armas tomando-as das tropas askhalianas em emboscadas e incursões ou recebendo-as do Governo brasileiro. A estrutura de um grupo terrorista normalmente inclui um comandante de campanha e um ou dois subcomandantes, que formam o seu estado-maior (militares infiltrados no Teatro de Operações ou muitas vezes ex-militares ou ex-policiais)"

Frikmatsu Baunehtr - Comandante de uma guarnição askhaliana em Manaus.

"Segundo informações colhidas os destacamentos rebeldes normalmente possuem as seguintes equipes:

• Uma equipe de reconhecimento e uma rede de exploradores (geralmente civis locais que não são parte do destacamento).

• Pessoal de comunicações.

• Forças Especiais.

• Franco-atiradores.

• Fuzileiros.

• Outros insurgentes apóiam o destacamento obtendo comida, munições e outras necessidades. Podem também prover serviços de ligação, segurança ou de contra-inteligência.

Esses destacamentos consistem de combatentes bem treinados, geralmente militares brasileiros infiltrados na zona de combate mas que também podem ter civis treinados e recrutados. Os recrutas são geralmente inferiores aos militares brasileiros infiltrados em treinamento, qualidades de combate e preparação mental para o combate.

Temos provas de que os rebeldes brasileiros praticam com freqüência, táticas tais como roubo de armas e viaturas, assalto, pilhagem e a violência. Normalmente os voluntários só combatem nas áreas em que foram recrutados.

Os desatamentos rebeldes contam com ajuda de indivíduos simpatizantes que aparentam ser cidadãos amantes da paz, com residências permanentes, mas que escondem depósitos de armas, medicamentos e alimentos. Eles também desempenham trabalhos de inteligência e espalham a desinformação."

Armandsun Killytonovk - Oficial de Operações arkhaliano

"Durante as minhas 7 semanas com os grupos da Resistência brasileira na Amazônia pude perceber que eles baseiam as suas táticas nos seguintes princípios:

• Um forte relacionamento com a população local.

• Ações por parte de pequenos destacamentos e equipes.

• Conhecimento e uso habilidoso do terreno, como, por exemplo, o planejamento de emboscadas em pontos de vantagem tática.

• O uso ativo das condições de visibilidade limitada, especialmente a escuridão.

• A cuidadosa seleção de objetivos e do desenvolvimento de planos de ação simples e realizáveis.

• O reconhecimento antes da ação. (Mesmo quando não atacando, os insurgentes atenta e diligentemente monitoram as atividades de soldados e de forças de segurança)

• Ações secretas e de surpresa e o uso da perspicácia militar.

• Abrem fogo aproximado para logo retroceder a uma distância segura.

• Usar emboscadas e fogo desde locais inatingíveis em terreno difícil, para cobrir a retirada e causar maiores baixas. • A coordenação cerrada entre o pessoal destacado durante todas as ações. Contar com o esgotamento do pessoal policial.

• Operações psicológicas em apoio de atividades de insurgência.

• Uma segurança e inteligência bem organizadas.

 

Também pude perceber um forte senso de patriotismo e uma grande determinação na busca da derrota do inimigo, não considerando o seu tamanho e poder. Os brasileiros tem um histórico de resistência desconhecido de muitos de nós, resistiram invasões holandesas e até francesas ao seu território, obtendo sempre a vitória no final, mesmo que a luta durasse vários anos."

 

Marcel Loeb, jornalista do Le Monde, que passou seis meses no Brasil cobrindo a Guerra de Resistência contra os askhalianos. Loeb visitou várias cidades como Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, além de ter passado algumas semanas dentro de Teatro de Operações da Amazônia, acompanhando grupos da Resistência brasileira.

"... como falei no dia dia anterior, nós fazemos uso total da escuridão, pois isso nos provê a cobertura necessária e o elemento surpresa, além de causar desorientação e pânico entre o pessoal atacado; interfere com o comando e controle; e nos ajuda a obter sucesso mesmo contra forças numericamente superiores. Nós atacamos de surpresa à noite e então nos retiramos por rotas planejadas com antecipação. As vezes grupos especialmente escolhidos, propositadamente guiam os seus perseguidores em direção a outras forças inimigas e quando são bem-sucedidos nisto, o menor erro em coordenação e comunicações resulta nas forças askhalianas atirarem umas contra as outras.

Esgotar o inimigo é um dos objetivos principais da ResistÊncia. Operamos para que nem um só soldado da ocupação possa caminhar livremente em solo brasileiro. Estando ele em movimento, na sua base, dormindo ou comendo, estará sempre sob constante temor. Também geramos apoio psicológico para nossas atividades. Os objetivos principais das operações psicológicas da Resistência são: os de manter o moral entre os combatentes; apoio à sua autoridade ante a população local; e a desmoralização das forças de ocupação. Para isso, usamos o rádio, a televisão e a imprensa local e estrangeira. As nossas táticas são sempre ativas e audaciosas. Raramente ficamos na defensiva, apenas em casos excepcionais, tal como quando defendemos uma base ou áreas selecionadas ou quando o inimigo nos cerca ou ameaça os nossos destacamentos. Uma vez que as forças de ocupação estabelecem o controle sobre uma área inteira, ou sobre a maioria de uma área, nós mudamos nossas táticas e passamos a atacar linhas de comunicações e pequenas guarnições nesta área. Para alcançar nosso objetivo usamos qualquer tipo de arma ao nosso alcance, sejam nacionais ou estrangeiras, inclusive as armas do inimigo"

Capitão "Beck" comandante de um destacamento, durante uma série de palestras na Escola de Sargentos das Armas/ESA - Três Coração - Minas Gerais

"Nós normalmente atacamos os postos de guardas, postos de comando regional, os QGs da polícia militar askhaliana, pistas de pouso e armazéns para destruí-los, causar-lhes danos ou capturá-los. Realizamos um cuidadoso reconhecimento e uma desinformação habilidosa antes de atacar, com membros da população local nos ajudando nas atividades de desinformação e coleta de inteligência.

Estudamos os sistemas dos guardas, das comunicações, os obstáculos, as posições das armas e os planos que ponham em prática nossos objetivos. Determinamos as capacidades dos reforços das tropas de defesa (composição, horário de movimento e rotas) e sempre usamos o elemento surpresa.

Uns 30 homens fazem parte dos ataques e o grupo se divide da seguinte forma: os do reconhecimento; os que desarmam os guardas; uma equipe para dar cobertura; o corpo principal (de assalto); e, às vezes, um grupo especial de distração.

A equipe de reconhecimento se desloca para o objetivo, observando quaisquer mudanças recentes no sistema dos guardas e os pontos mais vantajosos para o ataque e subseqüente retirada. Se a equipe se depara inesperadamente com forças superiores, retira-se lateralmente em relação ao corpo principal insurgente, mas coordena a retirada com ele para tentar conduzir a força inimiga a um ponto de fogo cruzado.

Elementos dentre os populares às vezes conduzem o reconhecimento. A equipe de cobertura assume posições, sigilosamente, próximo ao objetivo e bloqueia as rotas prováveis de movimento das forças de rápida resposta ou da reserva e a linhas de movimento dos elementos de reserva das forças invasoras que apóiam a guarnição e a guarda. A equipe de cobertura provê o apoio de fogo para a força principal e então cobre a retirada do destacamento. Manobrando por trás da equipe de cobertura, a principal força de assalto usa o ataque-surpresa para capturar o destruir o objetivo. Caso a força de assalto não consiga controlar o objetivo, ou se essa não era a intenção, o destacamento afasta-se e rapidamente se dissolve em grupos menores.

Tenente "Mendonça" - CFN - sub-comandante de um desatamento que opera no Estado do Amazonas

"O ataque contra o Posto de Controle Distrital Askhaliano 714 na divisa de Roraima com o Amazonas, no dia 27 de março, é um exemplo de um típico ataque da Resistência. Com o cair da noite, uma equipe de 10 a 12 homens circundou o posto sem ser percebida a uma distância entre 70 a 100 metros. Abrimos fogo aproximado de cinco posições, simultaneamente, causando muitas baixas entre os soldados inimigos, destruindo duas viaturas blindadas de transporte de pessoal, acabando com o comando e controle e interrompendo o sistema de fogo. Na resultante confusão, o pessoal de segurança deixou as suas posições e se retirou desorganizadamente em direção ao posto mais próximo.

O destacamento da Resistência capturou e destruiu o posto de comando. Antes de atacar, nós havíamos conduzido estudos detalhados das rotinas diárias de um número de postos de controle na área de fronteira entre os Estados. Escolhemos o posto menos fortificado, um que se encontrava mal situado numa ravina entre duas elevações, o que nos permitiu rodeá-lo. Antes de escurecer, lançamos fogo intenso de morteiros, foguetes teleguiados anticarro, granadas e fogo de fuzis contra o posto durante aproximadamente uma hora. Durante os primeiros minutos da batalha destruimos um APC e uma viatura de transporte da manutenção, explodimos um depósito de munições e tiramos do ar uma estação de rádio.

Ao mesmo tempo, a nossa equipe de cobertura minou as rotas de aproximação e equipes de distração abriram fogo contra forças militares nas redondezas. A guarnição  de um canhão antiaéreo de 23mm, autopropulsado, usado no combate em terra, que deveria ter estado em alerta, se encontrava a uns 70 metros da arma e ficou separada dela. Os invasores no posto de comando usaram toda a sua munição num fogo indisciplinado, numa vã tentativa de repelir o ataque. Nós, com efeito, havíamos “desarmado” a guarnição, capturando 26 homens, um APC, um caminhão-rádio, um canhão de 23mm, um lança-granadas e todas as pequenas armas dos defensores.

Além de atacar com o objetivo de destruir ou esgotar os guardas da guarnição, os homens da resistência atiram nos askhalianos sistematicamente. Operando em equipes de 5 a 10 pessoas, principalmente após o anoitecer, várias equipes apontam contra um único objetivo, com um membro da equipe atraindo o fogo de retorno para si, e então os outros disparam contra esse fogo inimigo desde outras posições. Os brasileiros também conduzem incursões disparando desde viaturas em alta velocidade, ou enviam atiradores de elite para áreas próximas a postos de controle dos invasores, buscando abater oficias.

Algo que precisamos destacar é que amizades não oficiais com a população local haviam ajudado a tornar possível, e bem-sucedido, o ataque. Estes exemplos não são apenas incidentes isolados. A população local perto dos postos militares askhalianos, embora nunca mostrando intenções agressivas, devidamente orientada e treainada fazem contato com o pessoal militar levando-lhes comida, cigarros e bebidas, ou oferecendo-se para fazer pequenos serviços. Ganhando a confiança e baixando a vigilância do inimigo, a população passa a ter certo acesso a área inimiga. Normalmente ao anoitecer, quando a guarda muda, os locais chegavam com as suas “mercadorias”. Ao chegar perto dos soldados, se apoderam destes e os desarmam. Com a guarda dominada, o resto do pessoal é morto ou capturado. Os soldados desarmados podem ser levados prisioneiros para fornecerem informações.

Sargento "Paulão" - EB - Em relato de suas atividades em Marabá ao Ministério da Defesa em Brasília.

"Os nossos franco-atiradores representam uma grande ameaça para as forças invasoras. Durante muitos combates com as forças inimigas, o efeito das ações dos franco-atiradores têm sido tão grande que o inimigo muitas vezes se referem a essas ações como as “guerras dos franco-atiradores”. As forças da Resistência equipam os franco-atiradores com armas especiais, armas automáticas e fuzis (incluindo fuzis de caça esportiva), adaptados com o propósito de serem usados dessa maneira. O típico franco-atirador é um combatente (muitos vindos da vida civil) que planeja as suas ações detalhadamente. Ele escolhe lugares que lhe oferecem a maior vantagem e dissimulação. Em áreas urbanas se esconde em terrenos baldios, casas abandonadas, apartamentos de canto nos andares superiores de edifícios de onde possa disparar em várias direções, torres, etc. Os combatentes brasileiros também costumam equipar os locais de franco-atiradores como esconderijos onde podem guardar e esconder armas e munições. Os franco-atiradores têm a capacidade de criar as condições que lhes permite matar o máximo de soldados inimigos em uma única ação. Depois de ferir um soldado, geralmente nas extremidades, o franco-atirador causa feridas similares nos outros soldados ou médicos que procuram ajudar o soldado alvejado. Então aproveita para dar fim a todos. Uma equipe de combate de Resistência  pode incluir um ou dois franco-atiradores (um observador e um atirador) e homens responsáveis em colocar minas na posição de tiro, depois de abandonada. Depois de ocupar os edifícios dominantes ou os andares inferiores de outros, a equipe de franco-atiradores pode disparar sobre o objetivo, às vezes ao acaso. Sob a cobertura do ruído da batalha, o franco-atirador pode escolher e destruir os alvos mais importantes."

Cabo "Aldair" - franco-atirador de um grupamento de combate que opera em Manaus.

Nota: A Resistência filma essas execuções, distribuindo os vídeos entre a população local e a imprensa nacional e estrangeira, usando as imagens para desmoralizar e assustar as tropas invasoras.

Em breve outras ficções sobre a Guerra de Resistência!