Perfil da Unidade

GIGN - (Groupe d'Intervention de la Gendarmerie Nationale)


O GIGN (Groupe d'Intervention de la Gendarmerie Nationale) é um dos melhores e mais ativos grupos de operações contra-terrorismo do mundo. Entre 1974 e 1985, eles participaram de mais de 650 operações que livraram mais de 500 reféns e eliminaram dúzias de terroristas. Mais de 1.000 criminosos foram presos. Neste mesmo tempo, eles sofreram nove baixas (sete em treinamento e duas em operações) e dúzias de feridos graves (nove ficaram feridos no assalto ao avião da Air France, vôo AF8969). O GIGN é o principal elemento de luta contra o terrorismo da França com base perto de Paris em Satory (Versailles) e a sua centro de treinamento e instrução em Camp de Frileuse em Beynes. Por causa da sua vasta experiência, são freqüentemente incorporados como membros de outras forças especiais, inclusive estrangeiras, tais como a Delta Force e o GSG-9. Num dos casos mais conhecidos, membros do GIGN aconselharam a Guarda Nacional Saudita antes do seu assalto contra os terroristas que estavam na Grande Mesquita em Meca.

Ação dramática do GIGN no vôo AF8969 da vôo Air France

O GIGN foi formado em 1974, por causa do incidente dos Jogos Olímpicos de Munique em 1972, mas em grande parte em resultado o que se passou na embaixada da Arábia Saudita em Paris em 1973. O GIGN(15 homens) foi dividido em dois comandos primários cada um com uma distinta responsabilidade geográfica, um em Maisons-Alfort (Norte da França) e outro em mont-de-Marsan (Sul da França). Esta situação alterou-se em 1976 com a junção das duas unidades, em 1979 passou a ter dois oficiais e 40 operacionais. Em 1984, o GIGN tinha em campo 4 unidades de 12 homens, incluindo uma de prevenção 24 horas. Atualmente está localizado no subúrbio de Satory, região metropolitana de Paris, e pode ser mobilizado para qualquer local do território francês ou exterior, em 30 minutos, para um destacamento, e 2 horas  para um segundo destacamento ou a totalidade dos efetivos operacionais do GIGN.

Diferente da maioria das unidades de contra-terrorismo francesas, o GIGN, recebe ordens do Ministro da Defesa, apesar de fazer parte da força de polícia. Por isso tem poder para deter e são muitas vezes chamados para conduzir operações contra criminosos não terroristas. As suas regras de funções são alteradas com regularidade. Podem ser operações contra criminosos civis, enquanto outras pode ser ter que negociar com violentos terroristas.

O seu debute operacional aconteceu em fevereiro de 1976, quando o governo francês decidiu enviar uma equipe de nove homens do GIGN liderada pelo tenente Prouteau para Djibuti quando um ônibus escolar com 30 crianças francesas (de 6 a 12 anos) foi seqüestrado por terroristas somalis da Frente de Libertação da Costa da Somália, que exigiam não apenas que a França desse a independência de Djibuti, coisa que a os franceses já tinham feito em 1976, como retirassem suas tropas daquela, algo para os franceses foram de questão. Os terroristas levaram o ônibus para próximo da fronteira com a Somália, em direção ao vilarejo de Loyada, bem perto de um posto do Exército somali, simpático aos terroristas. Como os guardas somalis poderiam impedir o resgate dos reféns, unidades da Legião Estrangeira francesa deram cobertura para os homens do GIGN que tinham se posicionado em volta do veiculo, cada um deles, armado com um rifle de precisão rifle FRF.

As 14:00 os homens do GIGN colocaram substâncias tranqüilizantes nos sanduíches que foram permitidos pelos terroristas para serem distribuídos aos reféns.

O tenente Prouteau e seus homens treinando com seus revolveres MR73 na década de 1970

Os snipers receberam a ordem de neutralizar os quatro terroristas que mantinham as crianças imobilizadas dentro do veiculo. Porém só poderiam atirar quando "todos" tivessem o campo livre ao mesmo tempo. Às 15:47, com as crianças adormecidas eles obtiveram luz verde e, com certeiros disparos, abateram todos os terroristas ao mesmo tempo, liberando as crianças do cativeiro.

O GIGN é também conhecido por utilizar cães em certas operações, embora os detalhes neste aspecto da sua organização são secretos. Também em termos de publicidade uma ação bem conhecida aconteceu quando membros do grupo terrorista armado islâmico (AIG) seqüestrou o vôo 8969 da Air France.

Como o GIGN opera no mundo inteiro, os agentes precisam treinar dentro uma variedade enorme de ambientes. Eles utilizam as montanhas alpinas e ambientes de inverno, além do urbano. Eles são proficientes em inserções de pára-quedas, como também operações de mergulho e eles fazem, pelo menos uma vez por ano, um salto combinado com mergulho. Seus operadores já foram acionados para agirem em lugares como Nova Caledônia, Líbano, Sudão, Somália e na Ilha de Comores. Em 1995, a França enviou 10 membros do GIGN para uma base no Oceano Indico para uma possível intervenção num golpe levado a cabo por mercenários brancos em Outubro. Esta pequena unidade era composta por especialistas do comando de operações especiais do exército francês e do 11º Batalhão de Pára-quedistas de Choque (BPC) da DGSE (Directorado Geral para a Segurança Externa).

Os operadores do GIGN são oriundos exclusivamente dos efetivos da Gendarmerie, polícia francesa. Para ser aceito, um voluntário precisa, de um mínimo de cinco anos de experiência, com um currículo exemplar. Depois da aceitação, os operadores são treinados durante dez meses. Os operadores do GIGN precisam saber o funcionamento não só das armas que eles utilizam, mas também de qualquer possível arma com que os seus adversários possam estar equipados.

Organização e reorganização

Desde 1 de Setembro de 2007, teve lugar uma reorganização. A "nova" GIGN reúne sob o mesmo nome que todos os integrantes da GSIGN.

Hoje, o novo GIGN possui mais de 380 homens e mulheres (oficiais e NCOs) altamente especializados, agrupados em 5 forças complementares (intervenção, proteção, observação/investigação, apoio operacional, formação). Projeta-se chegar a 420 operadores nos próximos anos. Com esse número se poderá realizar grandes mobilizações para ações em massa como a intervenção em Beslan pelas forças de segurança russas.
 
Composição do GIGN
Ele está estruturado da seguinte forma:

  • Estado-maior comandante: Responsável pelo gabinete, coordenação dos estudos, comunicação entre as células, controle da relação entre as células internacionais,  células reservas e secretariado;

  • Estado-maior operacional: Responsável pelo pessoal operacional voltado exclusivamente para a operação: 20 oficiais e NCOs especializados na gestão de crises, negociação, avaliação, auditoria ...

  • Estado-maior de suporte: São cerca de oficiais e NCOs na gestão das áreas administrativa, financeira, logística e de recursos humanos;

  • Força de Intervenção: 100 oficiais e NCOs (antigo GIGN);

  • Força de Proteção: 80 oficiais e NCOs (que inclui membros da segurança e da projeção do EPIGN e o pessoal do destacamento gendarmerie GSPR);

  • Força de Observação/investigação: 30 oficiais e NCOs (antigo grupo de observação/investigação EPIGN);

  • Força de Apoio Operacional: 25 oficiais e NCOs distribuídos em várias células especializadas;

  • Força de Formação: 35 oficiais e NCOs.

A sigla GSIGN deixa de ser válida, como o "GIGN" deixou de ser a mesma unidade.

A Força de Intervenção consiste numa célula de comando, dividida em 5 grupos primários; quatro unidades de operações e um elemento de logística. Em consonância com as exigências do GIGN, os membros do elemento logístico são ex-operacionais, e um capelão. Cada unidade de operações é composta de 15 homens e um oficial. Dois desses grupos estão especializados em operações em meio aquático e os outros dois grupos foca-se em inserção HALO/HAHO. Relatórios indicam que pequenos grupos podem ser enviados para agir como força de reconhecimento para permitir a presença do GIGN, juntando-se ao elemento principal durante a operação. Dois desses grupos estão em alerta permanente durante 24 horas. sabemos também que o GIGN pode partir da sua base para agir em 30 minutos. O GIGN também pode ser integrado num Regimento de Pára-quedistas de Infantaria da Marinha para missões longínquas de anti-terrorismo.

Outro elemento de nota do GIGN é seu grupo de negociadores, cujo os membros são selecionados de operacionais com seis ou mais anos de serviço no GIGN.

Missões

-Terrorismo: o GIGN é acionado primeiro nas seguintes missões:

  • Piratair: seqüestro de avião;

  • Piratmer: seqüestro ou ataque a navios;

  • Piratome: ataque nuclear;

  • Piratox: ataque químico ou bacteriológico;

  • Piratext: tomada cidadãos franceses como reféns no estrangeiro.

Para os atos de terrorismo não se enquadra dentro destas categorias (tendo reféns, etc.), a distribuição de missões entre o GIGN e RAID é baseado no risco, no perigo e a sensibilidade do evento. O RAID tem jurisdição sobre a ZPN (zones de police nationale), enquanto o GIGN age em todo o território francês, incluindo os territórios ultramarinos.

- Outras intervenções: a neutralização e detenções de pessoas armadas e perigosas.

- Força de Segurança e Proteção (FSP):

Abrange todo o espectro de Segurança e Defesa. Na França, no território nacional, as seções de proteção e segurança (SSP), são acionadas para proteger autoridades de alto nível francesas ou estrangeiras. Eles também fornecem este tipo de missão no estrangeiro, para o benefício dos diplomatas que servem em zonas de risco. Juntamente com a missão de proteção o SSP realizar a guarda de locais seguros. Se a missão exigir a SSP pode acionar a mobilização de atiradores de elite, o grupo de investigação explosivos (GREP), ou especialistas em varreduras sub-aquáticas. Finalmente, em um contexto interministerial, a FSP é regularmente convidada a realizar auditorias de segurança em benefício de representações francesas no estrangeiro ou de locais sensíveis em toda a França. Esta unidade é reconhecida por sua larga experiência nestas missões para avaliar as questões de segurança e proporcionar conhecimentos e as respostas políticas adequadas para aumentar o nível de segurança das instalações visitadas.

À margem das tarefas acima mencionadas, os operadores desta força participam regularmente da formação de tropas de elite estrangeiras.

- Missões das SSP:

  • Proteção de pessoal;as pessoas;

  • Segurança das embaixadas e representações diplomáticas francesas no estrangeiro (Argélia, Costa do Marfim, Haiti, Afeganistão, Iraque, etc.);

  • Extração de cidadãos franceses no estrangeiro;

  • Configuração de Segurança;

  • A análise de risco e auditoria de segurança;

  • Gestão de crises no estrangeiro;

  • Segurança de eventos nacionais e internacionais de grande escala;

  • Formação de forças especiais estrangeiras.

Abaixo um exemplo de uma ação discreta do pessoal de uma Seção de Proteção e Segurança:

Para ajudar a realizar estas missões, os treinamento do GIGN são bastante dinâmicos, realistas e perigosos. Assim, houve mais mortes nesses treinamentos que durante as missões. Enquanto visitava um desses treinamentos o Ministro dos Assuntos Internos, Pierre Joxe foi levemente ferido pela explosão de uma granada que não foi atenuada a tempo.

Capacidade operacional

  • Avaliação e prevenção de riscos e crises (avaliações, auditoria, consultoria, desenvolvimento de dossiê de objetivos, , segurança de locais, etc.);

  • Gestão de flexibilidade, força, ou se necessário em situações de conflito (ações de rebelião, tomada de reféns, seqüestro, extorsão, recuperação e evacuação de cidadãos, etc.);

  • Realização de atos preparatórios e/ou de apoio a investigações relacionadas com o terrorismo e o crime (consultoria, assistência, missões técnica, etc.);

  • Contribuição direta ou indiretamente para a luta contra o terror a nível nacional e internacional.

Seleção

O militar do GIGN é dotado de três grandes qualidades: física, técnica e psicológica. Eles são recrutados entre oficiais e NCOs. A eficácia deste grupo baseia-se numa particularmente rigorosa seleção de candidatos e de um treinamento diário tanto físico (esportes, parcours, saltos de pára-quedas...) e técnico. Cada policial do GIGN é um atirador de elite.

Todos os operadores passaram por um curso de seleção muito duro: Apenas 8 gendarmes novos são selecionados a cada ano (de aproximadamente cem pré-selecionados, a maioria vem das equipas de controle de motins.). Todos devem estar aptos para a prática do pára-quedismo e estarem abaixo de 32 anos na data dos teste de seleção. Os candidatos são enviados para a região de Paris e passam por uma semana de testes físicos e ensaios técnicos de grupo, individual, questionários sobre sua personalidade, entrevista, etc.

Os candidatos selecionados passaram por um período de 3 meses durante o qual eles serão avaliados diariamente em diferentes áreas. A seleção nos dois primeiros meses envolve uma pista de obstáculos estilo comandos, exercícios de fuga e evasão, e uma outra série de testes. Finalmente, um teste de tiro é administrado para determinar as capacidades do recruta. Aparentemente, este teste final tem um peso nos resultados da qualificação. No terceiro mês, o recruta tem o seu contato com as suas armas pessoais e recebem instrução em tiro de longo alcance. No final do sexto mês, são enviados para operar com a atual unidade GIGN no terreno. Aqui aprendem as mais avançadas técnicas, supressão de motins, proteção de VIPS, e deveres similares. Apenas no final deste período o operacional melhor classificado recebe o seu crachá.

No final deste período, eles passam por uma formação de 8 meses durante os quais eles são formados em diferentes setores do grupo. Somente após 2 a 3 anos de experiência que pode, dependendo de suas qualidades, o novato irá para uma das outras forças.

Com a nova reestruturação os recém-chegados policiais são treinados para intervenção e, em seguida, tem a oportunidade de serem treinados para ações de proteção e/ou investigação-observação (missões antes executadas pelos GSPR e EPIGN).

Treinamento

São necessários pelo menos três anos antes que um recruta possa ser considerado um operacional completo. Eles passam por diferentes fases e cursos, inclusive envolvendo treinamento marítimo com o Comando da Marinha. Todo novo operador cumpre: curso de velocidade motora, treinamento em montanha, curso intensivo de tiro (cada um dispara 300 cartuchos por dia), combate aproximado: um derivado do israelense “Krav-Maga”, etc...

O treinamento para o GIGN está focado, talvez mais do que outra Unidade de Contra-terrorismo, na prevenção da violência. Esta atitude, para empregar todas as outras poções antes do uso da força, tem levado a centenas de operações com sucesso. O uso de armas é uma alta prioridade, e aproximadamente 60 dos 87 operacionais são qualificados atiradores especiais. Os atiradores do GIGN são treinados em tiros seletivos para neutralizar os suspeitos, em vez de matar se possível. Esta é uma prática que não é usada pela maioria das organizações de contra-terrorismo.

Durante a sua carreira, um operacional do GIGN tem que manter o seu próprio treino físico, assim como atividades organizadas. De fato todos os operacionais são encorajados a aprender técnicas HALO/HAHO (na Escola do Exército Francês para atividades Aerotransportadas ou na 11ª Brigada Aerotransportada em Bareges), operações com veículos em alta-velocidade (primeiro na Escola Básica em Antibes e mais tarde na Escola Avançada dada pela Marinha Francesa em St. Mandrier e em Le Mans), esqui (em Chamonix), e montanhismo (em Cassis).

Os homens do GIGN tem a sua disposição cerca de  60% das munições alocadas aos 100.000 gendarmes franceses, embora raramente as equipes do GIGN empreguem suas armas, em 2003 uma única bala foi disparada. Os operadores do GIGN dispendem pelo menos duas horas por dia no treino com armas de fogo, com uma média de tiro de 100 a 300 tiros por dia. Os GIGN é geralmente visto como tendo alguns dos melhores treinamentos de tiro no mundo. Esta é a razão porque muitas unidades de contra-terrorismo no mundo tem programas de intercâmbio com o GIGN.

Os NCOs podem servir nestas unidades até a idade de:

  • 40 anos para os policiais;

  • 44 anos para os graduados como chefe de logística, ajudante e ajudante-chefe;

  • 46 anos para suboficiais.

Graças à obtenção de certas qualificações, NCOs podem evoluir em classes e responsabilidades. Assim que a idade limite é atingida, o pessoal são atribuídos em unidades tradicionais da polícia nacional.

Referencia internacional

Esta unidade de elite evoluiu de ação de forças especiais e de risco, para gestão de ações de risco e outras como os pedidos de resgate. As ações de proteção, técnicas de observação, negociação e intervenção sempre fez que o armamento do grupo evoluí-se inclusive para enfrentar as ameaças terroristas e criminais.

O GIGN  é uma referência internacional e foi escolhido pela Organisation Civile Internationale (OACI), para instruir as forças policiais dos 188 países membros.

No âmbito internacional o GIGN colabora com outros grupos europeus: GSG-9 (Alemanha), GIS (Itália), 22 SAS (Inglaterra) ou os americanos (unidades especializadas do FBI, Us Navy SEAL e unidades SWAT de várias policias).

Como visto o GIGN francês, assim como o GSG-9 alemão é operado pela força para-militar (Gendarmeria), e não pelos militares. Mas a similaridades entre os grupos termina aí, o GIGN é diferente de qualquer unidade antiterrorista, primeiramente por causa de seu tamanho reduzido. Outra característica é de que este é o único grupo antiterrorista que possui a ordem de não atirar para matar. O GIGN se vangloria pela precisão com armas de seus integrantes, eles são treinados para atirar para ferir e não para matar e por isso a maioria das suas missões termina com os terroristas e os reféns vivos.

Armamento:

"Nosso princípio básico é o de reduzir a utilização de armas de fogo até o último minuto"
Denis Favier, comandante do GIGN 1992-1997

Apesar deste objetivo de evitar o máximo o uso de armas, o GIGN tem uma arma para satisfazer cada necessidade específicas. No caso extremo do resgate dos reféns vôo AF 8969, em Marignane, foi necessário dispor de todos os tipos de armas, desde o revolver .357 Magnum Manurhin MR-73 ao fuzil de precisão PM HK. Cada Gendarme recebe o seu próprio MR73.

Armas de punho

Manurhin MR-73 em .357 Magnum com diversos comprimentos de armas (4 de polegada de 5 ¼ polegadas, v. 8 polegadas e 10 polegadas para o tiro precisão), amplamente utilizado desde o início da existência do GIGN. Ele ainda é a arma de punho mais utilizada pelos homens como a principal arma GIGN. No entanto, a maioria dos homens quer usar um revólver e uma PA (pistola semi-automática) "compacta" (principalmente a Glock 19, SIG-Sauer P228, FN Five-Seven e MAS G1 S).

Operador do GIGN faz pontaria com um revolver Manurhin MR-73

Glock 19 de 9 mm Parabellum. É a arma usada e mais visível após a MR-73 (e em menor medida, o G26 e o G17 também são utilizados), inclusive por mergulhadores do Grupo devido à sua alta resistência para a água. Muitas vezes, é equipada com uma lâmpada tática Insight Technology M3 LED ou com uma M6 laser integrada.

S&W 686 GFS « Stainless em .357 Magnum em vários comprimentos de armas, de 4 a 10 polegadas, de preferência à RM-73 por alguns elementos, mas não é usado pelos mergulhadores (o Manurhin não parece ser tão resistente às água).  Mergulhadores também usam a Glock 19 e os cinco-sete, mas sem a luzes tácticas.

SIG-Sauer P228 (e o seu "big brother" P226), em 9 milímetros Parabellum Carregadores com alta capacidade de 20 balas para além dos normais 15 bolas e, por vezes, uma lâmpada Insight Tecnologia M3 LED. A adoção da P226 pela GIGN é uma prova clara da sua qualidade, apesar de ter sido rejeitado pela polícia francesa em razão da Beretta 92F na década de 1980

FN Five-seveN Tactical IOM em 5,7 mm com um aumento fixo guidão e prorrogado (depos de 2004?) Possivelmente com uma luz tática Insight Technology M6 em trilho Picatinny.

GIAT PA MAS G1 S em 9 mm Parabellum. A Beretta 92G construída sob licença para a Gendarmerie Nationale, mas relativamente pouco utilizada no GIGN.

SIG-Sauer Pro SP 2022 em 9 mm Parabellum.  GIGN deve receber essas armas como as outras unidades da polícia (o primeiro já havia sido entregue ao Grupo em 2004), mas se tem duvidas se elas serão usadas ou vão seguir a carreira da MAS G1.

Numa operação convencional, as armas de punho utilizadas são tipicamente as compactas (MR-73 com cano 4", a Glock 19 e a P228); já a P226 e a Glock 17 são utilizados para "missões caqui" (no campo), onde as limitações de espaço são menos importantes.

Sub-metralhadoras

HK MP-5 versões A5 (seletor Round 3-Burst), e SD3 e K-PDW (ambos com seletor SEF), equipados com colimador Aimpoint CompM2 ou EOTech 550 AA, miras telescópicas Trijicon ACOG 3,5 x 35 ou mesmo tipo "mini-telescópio" montados de lado muitas vezes visto em outras forças especiais francesas (CPA 10 e 30, pára-quedistas do Exército). Na versão naval ela substituiu a Uzi entre os mergulhadores.

Desde o primeiro semestre de 1990, a MP-5A5 são equipados com um guarda mão que permite a instalação de um auxílio à vista; também temos de observar o uso desde o início de 2000 sobre a MP-5A5 e a MP 5K PDW montagens SureFire "COCKING tubo montado no fundo do tubo de gás tomadas para a fixação de dois acessórios, estes acessórios são laser dia/noite SureFire L72 infravermelho e L75 (aparente para o intensificador luz) e lanternas Nitrolon P. A MP-5SD6 recebeu uma lâmpada fixa sob o seu silenciador. A "PM HK" (como é conhecido como o Grupo) ainda é amplamente utilizada, apesar da chegada da FN P90 com suas características balísticas interessante.

FN P90 Tactical com laser integrado no punho, reforça e substitui, em parte, a MP-5 e pode até substituí-las com os mergulhadores. A P90 oferece uma capacidade de 50 cartuchos e usa uma poderosa munição de FN 5,7 × 28 mm, com um poder de penetração que permite neutralizar opositores abrigados ou equipados com coletes à prova de bala. É a arma padrão dos chefes de seções e grupos operacionais táticos. Os três trilhos Picatinny permitem configurar uma vasta gama de acessórios, geralmente um colimador Aimpoint CompM2 no topo do trilho, um laser SureFire do lado direito e uma lâmpada de alta intensidade no esquerdo. Eventualmente, um silencioso Gemtech SP90 pode ser acrescentados.

Escopetas

Remington 870 em calibre 12 Magnum, detada de trilhos Picatinny pode ser dotada de um colimador (Aimpoint CompM2, Aimpoint 3000 ou EOTech 550 AA), e uma lâmpada ou um laser (ou ambos simultaneamente).

Benelli M3T Super 90 em calibre 12 Magnum, raramente vista, ao contrário da Remington

SPAS 12 Special Purpose Automatic Shotgun em calibre 12, com seletor (a escolher entre um manual ou semi-automática). O seu efeito dissuasor e impressionante aspecto a torna uma arma de intervenção popular nas forças de intervenção.

Fuzis de assalto

O GIGN, como a maioria dos grupos de intervenção da Gendarmerie National, não tem usado os fuzis de assalto em meio externo e não sucumbiram à recente tendência para substituir as sub-metralhadoras por fuzis de assalto de 5,56 milímetros OTAN, como o G-36C que arma o RAID e o GIPN.

HK G-3 TGS em 7,62 mm, é comumente utilizada pelo GIGN. É utilizado principalmente em ambiente no campo (por exemplo, o reconhecimento em "missões caqui") e por equipes especialmente treinadas para apoio de fogo a partir de helicópteros. Essas equipe recebem o apelido de "equipes G-3". O G-3 TGS é uma excelente arma apoio "pesado" em comparação com outros fuzis de 5,56 mm do GIGN por causa de seu calibre 7,62 milímetros da OTAN, a sua precisão de até 400 m e seu lançador de granadas HK 79 de 40 milímetros (usado granadas de fragmentação, perfurantes ou de gás). Devido ao seu poder de penetração, poderia facilmente passar através de paredes e atingir os reféns ou a equipe de assalto, não é utilizada em terrenos urbanos.O G-3 TGS do GIGN estão todos equipados com um seletor numérico de fogo e uma cabeçada de MSG-90.

Atirador de elite do GIGN com sua HK G-3 TGS

Pode-se distinguir uma variante diurna e uma noturna do G-3 do GIGN: Alternativa "diurna" está equipada com um lançador de granadas HK 79, um colimador diurno Aimpoint 3000 ou 5000 e uma montagem SureFire 490 ou 491 para uma lâmpada e um laser.

Alternativa "noturna" está equipada com um Aimpoint CompM2 (compatível com os intensificadores de luz Lucie), o HK 79 é removido e não tem o guarda-mão seus acessórios ou bipé, a montagem SureFire é por vezes ausente, substituída por um filtro IR.

Para a "Equipe G-3", são utilizadas ambos versões, com uma caixa em metal para evitar que o projeteis ejetados possam causar danos a aeronave ou ferir a tripulação ou a equipe de atiradores.

SIG-550 e 551 SWAT com bisel Hensoldt 6 x 42, BL, SIG-552 Commando com um colimador HOLO sight Bushnell,  foi a primeira geração de fuzis de assalto a 5,56 milímetros utilizados em GIGN.

HK 33 EA2 o HK 33, é a versão do G-3 no calibre 5,56 mm, mantendo a excelente precisão, mesmo na sua versão standard (o G-3 e o HK 33 tiveram ambos versões específicas para snipers como o famoso G-3SG1). Pode ser diferenciado do G3 pelo carregador curvo e a sistemática falta de lança-granadas e do seletor de tiros à símbolos.

Atirador de elite do GIGN armado com uma HK 33 operando a partir de um helicóptero

GIAT FAMAS F1. É uma arma ambidestra porém pouco utilizada, porque é demasiado pesada, bem como a arma é muito pesado para uso tático, no entanto, tem grande velocidade e poder de fogo. Capacidade: 25 tiros, calibre: 5,56 F1, eficaz até: 300m, Maximo alcance: 3200m.

Armas de precisão

Os modelos especiais do MR-73 de 8 e 10 polegadas equipadas com lunetas e bipé e são utilizados para o tiro de precisão de curto alcance. A luneta mais comum é a Magnum Phantom 1,5 × produzida pela Bushnell (por vezes com uma proteção de borracha ao redor do olho idêntica à de OB50), mas o óptico 4 × 32 também equipa outros tipos de armas.  A S & W com similares comprimentos de armas, também seria usado com luneta e bipé.

 

O Accuracy International Arctic Warfare ou AIAW, é um rifle muito potente, e usa calibre 7.62 × 51 mm NATO
com alcance efetivo de 815 m e pesando 6,5 kg e com 1,180 m de comprimento. Este rifle agüenta temperaturas de até -40 Cº sem travar, sendo um dos poucos rifles que fazem essa façanha, por isso o nome
"Arctic Warfare". O Accuracy AW desde 1995 substitui o antigo FR-F1, que tem uma grande folha de bons e fiéis serviços prestados ao GIGN. São usados três modelos desta magnífica arma:
- O AW em .308 (7,62 mm OTAN )

- O AWS com um cano silenciador (combinado com munição .308 munições subsônicas) - Esta arma é especificamente projetada para uso com munições subsônicas, e tem uma eficácia máxima 300m.

- O AW SM em .338 Lapua Magnum (8,6 × 70 mm) para tiros intermediários entre 7,62 e 12,7.

 

Accuracy International AW (Arctic Warfare) .308

O PGM Hecate II com 12,7 mm para substitui o Barrett M82, M95 (fuzil) e McMillan desde 1998. Esta arma é capaz de neutralizar os veículos com pouca ou nenhuma blindagem. O calibre 12,7 mm é o único capaz de atravessar os dois vidro à prova de bala guarita de um banco. Os modelos utilizados são Hecate II standard e II Hecate polímero com um telescópio Scrome J10 10 × 40 e Mil-Dot retículo montado em uma montagem STANAG OTAN .

 

O GIGN tem um total de mais de cem armas de precisão de todos os tamanhos, e todos os seus homens estão qualificados para TE (équipes tireur d'élite - equipes de atiradores de elite) em armas .308 e .338, o que torna o GIGN a força de  intervenção com o maior grupo de atiradores de elite do mundo. As equipes TE geralmente são compostas por dois homens, um atirador e um observador, que usa um telescópio monocular Leica Televid 77 mm (ou mais raramente Apo-Televid 77 mm) com diferentes aumentos disponíveis de até 60 ×, um par de binóculos Leica Vector IV (OU binóculos infravermelhos Sophie Thomson para a noite).

 

As equipes TE dispõem de um telêmetro laser Leica Rangemaster LRF 1200 dotado de uma óptica de 7 × 21 mm, com uma precisão de um metro com um intervalo de 15 a 1100 metros, e uma mini-estação meteorológica Skywatch Geos 9 (anemômetro, bússola, higrômetro, termômetro, barômetro, altímetro e mostra combinados em um objeto de alguns gramas).


Meios de transporte

O GIGN se beneficia desde 2006 da assistência do Grupo Interarmas de Helicóptero (GIH), uma unidade conjunta de helicópteros do Exército e da Força Aérea, disponibilizadas pelo DAOS e instalado na Base Aérea 107 de Villacoublay.

Fonte: http://www.enciclopedia.com.pt/articles.php?article_id=397, Site Defesanet


Seqüestro Aéreo!
O GIGN francês em ação.

Fonte: http://www.defesanet.com.br/sof/gign.htm por Fernando Diniz

Na noite de 24 de Dezembro de 1994, quatro membros de um grupo terrorista autodenominado Armed Islamic Group (AIG) conseguiram embarcar, disfarçados de seguranças do aeroporto, em um Airbus da Air France, vôo AF8968 que se preparava para decolar do aeroporto de Argel para Paris. Aos gritos de "Allah u Akhbar !" eles empunharam fuzis de assalto AK-47 e informaram que a aeronave estava sob seu comando e todos os passageiros e tripulantes eram seus prisioneiros.

Começava assim uma das mais sangrentas operações de resgate da historia.

O pessoal do GIGN, arrancado abruptamente de seus festejos de Natal, reuniu-se no aeroporto de Neully, onde a Air France já havia posto a disposição um Airbus idêntico ao seqüestrado, para que pudessem obter o máximo de informações para o planejamento de uma eventual operação de resgate. Em seguida, decolaram com destino a Argel, embora ainda não tivessem recebido autorização de pouso por parte das autoridades argelinas.

Enquanto isto, os terroristas exigiam que as escadas externas fossem retiradas do avião, e que recebessem permissão para voarem para Marselha. Como as autoridades argelinas negassem a autorização, o líder do grupo, Abdul Yahia ameaçou começar a matar um refém a cada meia hora. Autoridades francesas a nível ministerial mantinham contato permanente com seus equivalentes argelinos, enquanto a força de elite do exército argelino, os Ninjas, tomavam posição ao redor do avião. Mergulhados em uma selvagem luta de três anos contra os fundamentalistas islâmicos, os Ninja não estavam dispostos a permitir nenhum tipo de negociação, e dispostos a invadir a aeronave, a qualquer custo. Neste meio tempo, o avião com o GIGN pousava em Palma de Mallorca, território espanhol, pois não haviam recebido autorização de pouso em Argel.

Para mostrar que não estava brincando, Yahia escolheu a bordo dois passageiros ao acaso, um policial argelino e um diplomata vietnamita, e levou-os para a frente do avião. Ouviram-se gritos por misericórdia, seguidos de dois estampidos, e os corpos de ambos rolaram pela escada dianteira até o chão da plataforma.O aviso era claro: ou fazem o que queremos ou a matança vai começar. Os árabes estavam dispostos a morrer, e levar com eles todos os ocupantes do avião.

Depois de demoradas e acaloradas discussões entre os ministros argelinos, pressionados pelos franceses, e o comandante dos Ninja, as escadas foram finalmente retiradas e o vôo AF8968 decolou com destino a Marselha, onde já o aguardava o GIGN, que havia decolado de Palma de Mallorca logo que soube da autorização dada ao AF8968, chegando a Marselha apenas dez minutos antes do avião seqüestrado.

Comandado pelo Cap. Denis de Favier, os homens do GIGN já estavam em posição, com snipers na torre de controle, enquanto outro grupo de elite, os paraquedistas do EPGN camuflavam-se ao longo da pista, observando de perto a aeronave que taxiava em direção ao pátio de estacionamento. As negociações agora estavam totalmente em mãos do GIGN. O comandante local do GIGN, Alain Gehim, assumiu o contato direto com os seqüestradores, a partir do sistema de comunicação da torre de controle. A prioridade era conseguir ganhar tempo suficiente para que a força de ataque, sob o comando de de Favier, conseguisse articular um plano de invasão da aeronave e resgate dos passageiros. Sob nenhuma circunstancia o avião deveria conseguir decolar outra vez.

Agentes franceses na Argélia haviam recebido uma informação do submundo local de que os homens da AIG pretendiam explodir o avião nos céus de Paris, derrubando-o no meio da cidade. Informações obtidas de passageiros liberados corroboravam esta suspeita, pois afirmaram terem ouvido várias vezes os terroristas referirem-se a "eterna luz de Allah", que é a visão islâmica da morte pelo martírio.

Temendo que explosivos tivessem sido colocados dentro do avião, o GIGN fazia seus planos com muito cuidado. Agora era o governo francês que pressionava por um desfecho rápido, mas de Favier insistia que precisava colocar microcâmeras e microfones dentro da aeronave, para obter uma visão clara do local, antes de invadir.

Os terroristas exigiam vinte e sete toneladas de combustível, o que era cerca de três vezes o necessário para um vôo a Paris, corroborando as suspeitas de pretendiam explodir a aeronave sobre a cidade, causando um holocausto.

Negociando sem cessar, Gehim ofereceu comida e a limpeza dos toiletes do avião, o que foi aceito pelos terroristas. Isto deu ao GIGN a chance de, disfarçados de empregados da Air France, colocarem os microfones e microcâmeras que precisavam dentro do avião. Em troca, pediu a liberação de mais alguns reféns. Logo após o meio-dia um casal idoso desceu as escadas, deixando a bordo ainda cerca de 150 aterrorizados passageiros, além da tripulação. Este casal confirmou a presença de explosivos a bordo, além de confirmar que os terroristas estavam pesadamente armados, cada um com um AK-47 e vários carregadores de reserva. Tinham também granadas de mão.

Rapidamente o GIGN chegou a um consenso de que deveriam atacar imediatamente. Foram divididos em quatro grupos, que subiriam por escadas motorizadas colocadas nas quatro portas da aeronave, enquanto uma ação diversiva era feita na frente do avião para atrair os terroristas para a cabine de comando.

As 16:00hs tudo estava pronto. Os atacantes vestiam coletes a prova de balas, capacetes de Kevlar com visor blindado, e portavam submetralhadoras MP-5, pistolas Glock e revólveres .357Magnum de cano longo.

No momento em que começavam a mover-se, ouviram o ruído das turbinas do avião acelerando, e lentamente a aeronave começou a mover-se em direção à torre de controle.

Rapidamente os homens do GIGN tiveram que alterar suas posições para não serem vistos de bordo. A aeronave parou a poucos metros da torre, e o cano de um AK-47 saiu por uma janela lateral, vomitando uma torrente de balas de 7.62 contra os vidros.

Neste momento, um sniper do GIGN abriu fogo com um rifle calibre .50 contra a cabine. Sua intenção não era tentar atingir alguém, pois atirava alto, porém chamar a atenção dos terroristas, pois o som das pesadas balas calibre .50 batendo no teto da cabine era assustador. Enquanto isto, o primeiro grupo de ataque subia em fila dupla a escada que levava à porta da primeira classe. Um deles abriu por fora a porta, e a primeira dupla, empunhando uma MP-5 e um Magnum irrompeu na aeronave. E todo o inferno se desencadeou..

Encontraram uma dupla de terroristas de boca aberta, e enquanto um deles recebia um tiro de Magnum na cabeça, uma barragem de fogo de AK caiu como uma avalanche de aço sobre ambos. O suboficial Thierry levantou sua MP-5 para tentar responder ao fogo, porém foi instantaneamente atingido por sete balas de 7.62. Três perfuraram seu braço direito, arrancando três dedos da mão direita, que empunhava a submetralhadora, e destruindo-a no processo.Outros projéteis atingiram seu ombro e peito, esmagando-se contra a blindagem do colete. Outra ricocheteou em seu capacete, jogando-o no chão, ao mesmo tempo em que alguém gritava: "Granada!" e a explosão derrubava vários de seus colegas, enchendo suas pernas de estilhaços.

Eric, que havia abatido o primeiro terrorista, teve o Magnum arrancado de sua mão por uma bala que atingiu o longo cano da arma. Um instante depois, também ele estava caído, com sangue correndo pelo rosto, pois seu capacete era a prova de balas de 9mm, mas não de 7.62, e uma delas havia perfurado a blindagem e atingido de raspão sua cabeça.

O fogo dos AK-47 não cessava. O suboficial Olivier entrou na cabine para ser imediatamente atingido por vários impactos em seu colete, sofrendo ferimentos na espinha e no quadril esquerdo. Já eram seis os GIGN caídos, e sequer o primeiro grupo tinha entrado inteiramente no avião. Os terroristas, altamente treinados, trocavam seus carregadores com espantosa rapidez, mantendo uma torrente ininterrupta de balas 7.62 através do corredor. Outro atacante, ao levantar sua Glock para tentar responder ao fogo, teve a arma atingida e destruída, levando com ela vários de seus dedos.

A segunda turma chegava agora, encontrando seus companheiros abatidos, e abria fogo contra a divisória da cabine de comando, de onde vinha o fogo inimigo. Enquanto este grupo mantinha a pressão, outros GIGN corriam para o fundo do avião, e abrindo as portas de emergência, evacuavam todos os 159 passageiros e tripulantes, que milagrosamente não haviam sido atingidos naquele inferno.

No momento em que viu sangue brotando do peito de um dos terroristas, o navegador teve a chance de cair fora, e saltou por uma das janelas abertas da cabine, caindo de uma altura de cinco metros, quebrando uma perna. Porém a rápida intervenção das ambulâncias que a esta altura já cercavam o avião levou-o para lugar seguro e tratamento adequado. O piloto e o co-piloto continuavam na cabine, escondidos em frente a seus assentos, enquanto Yahia, embora ferido, continuava a disparar furiosamente. Outros dois membros do GIGN já tinham sido atingidos.

O combate já durava dez minutos quando, seguindo ordens de de Favier, os gendarmes começaram a atirar contra os pontos específicos, atrás do anteparo, de onde vinham os disparos inimigos. Em seguida, ouviram a voz do comandante pedindo para cessarem fogo. Entrando na destroçada cabine, encontraram três terroristas crivados de balas, com seus corpos cobrindo os dois tripulantes, a cabine destroçada e pilhas de cartuchos vazios de 7.62 pelo chão.

A ação do GIGN em Marselha mostrou ter sido a mais dramática operação antiterrorista desde a operação do SAS em Princess Gate. Diferente de outras operações, como a de Djibouti e Princess Gate, os snipers tiveram papel extremamente limitado nesta operação. Toda a luta foi um selvagem corpo a corpo num local apertado e a queima-roupa.

Morreram os quatro terroristas e os dois passageiros executados em Argel. Sete homens do GIGN foram feridos, apenas três com certa gravidade. Foi uma operação cirúrgica de extrema complexidade, onde o GIGN dominou todo o grupo terrorista, com reféns entre eles, dentro de um espaço extremamente restrito, sem causar a morte de um único inocente, honrando as mais altas tradições desta força de elite da gendarmeria francesa.


 

O resgate do Ponant

 

Os acontecimentos aqui a serem narrados, apesar de parecerem extraídos de algum filme de ação de comandos ou qualquer outro arrasa quarteirão com uma superprodução, aconteceram neste ano, em abril. A competência e a precisão das forças armadas francesas deram uma verdadeira aula de execução de uma missão bem como fizeram uma demonstração emblemática de como ações terroristas devem ser tratadas.


De bandeira francesa, com oitenta e oito metros de comprimento, quatro de calado e doze de boca, veleiro Ponant é um gigante. Tem mil e quinhentos metros quadrados de área vélica, que impulsionam o barco a uma velocidade de quatorze nós, porém caso falte vento há no porão dois mil e duzentos cavalos que impulsionam o peso total de oitocentos e cinqüenta toneladas do barco.

Com trinta e dois camarotes e com lugares para até trinta tripulantes e toda a sorte de amenidades que podem e devem ser encontradas num barco de luxo, como sala de shows, biblioteca, boate e sala de vídeo. Dentre os equipamentos aquáticos, ele tem barco de ski, Wind surf, equipamento de mergulho, plataforma de mergulho e instrutores de curso básico de Scuba com instrutores certificados da PADI.

Seus quatro deques se chamam de cima para baixo:
Pont Soleil
Pont Antigua
Point Saint-Barth
Pont Marie-Galante

Local: O Chifre da África
Em pleno Oceano Índico, num lugar conhecido como Chifre da África a algumas milhas das ilhas Seychelles, conhecidas por serem um dos santuários de mergulho, mais precisamente no Golfo de Aden. Ness ponto, a costa da Somália é conhecida por suas paisagens virgens e desérticas e por uma ou outra vila de pescadores.

Data: 4 de abril de 2008
Final da manhã, o Ponant, signatário do Controle Naval Voluntário, criado em 2001, que envia dados da posição de um navio, viajando por águas em lugares de risco, acionou o alarme, através do telefone de satélite para o computador do comandante das forças navais francesas no oceano Índico (Alindean), que singrava a área a bordo da nau capitânea. O almirante Gérard Valin avisou imediatamente a Task Force 150 (Componente marítima da operação aliada antiterrorista Enduring Freedom). No momento seguinte, um helicóptero da fragata canadense Charlottetown decolou para fazer o primeiro contato visual e reconhecimento da situação do Ponant e efetuar as primeiras fotos.

Nesse meio tempo, em Paris, a notícia soou no telefone do General Jean-Louis Georgelin (chefe do estado maior das forças armadas) que imediatamente convocou um gabinete de crise, com cartas náuticas do Chifre da África sobre a mesa. Enquanto isso, foi dada a ordem para um pequeno navio-aviso, o Commandant Bouan, se dirigir para o local, já que ele se encontrava a algumas centenas de milhas do Ponant.

 

Os franceses deram prioridade ao caso e foram empregados os meios navais da Força-Tarefa Combinada 150, helicópteros do Exército e da Marinha francesas (Super Puma, Pantera, Gazelle e Alouette), tropas anti-terroristas do GIGN (10 homens) e Comandos da Marinha (cinqüenta homens). Notem que o GIGN é uma força policial e não militar. Não é comum atuar fora da França e estava envolvida apenas pela grande quantidade de reféns franceses. Participou da negociação e encerrou seu papel com a libertação dos reféns. A partir daí, a operação se tornou puramente militar.

 

Commandos Marine em treinamento em Djibouti


Desde sábado, o Ponant estava em águas territoriais Somalianas. Os diplomatas franceses obtiveram das autoridades locais o direito de busca dentro dessas águas, diretamente do presidente Abdullahi Yussuf Ahmed, que colocou suas tropas à disposição para um eventual ataque. Ele teria dito ainda: “Me livrem deste tipo de gente”.

Enquanto isso, no palácio presidencial francês, as possíveis opções eram estudadas. O Bouan não tinha capacidade de intervir a bordo, então era necessário enviar um comando de pára-quedas no mar, como se diz na linguagem militar, “Um tarpon”. Um avião Transall decolou da base francesa na África e soltou dezoito comandos ao largo da ilha de Socotra para que pudessem ser recuperados pelo Bouan.

No dia sete de abril, uma segunda-feira o Ponant ancora em frente à vila Garaad, na região do Puntland (antiga terra do incenso e da mirra, agora reduto de piratas) da costa somaliana. No local, um rio extremamente raso, um deserto ao redor da vila de poucas cabanas e alguns barcos de pesca. Os piratas fizeram subir a bordo um par de cabras, pois só bebem leite.

À noite, mergulhadores de combate do Commando HUBERT são enviados ao veleiro e descobrem que além da violência dos seqüestradores, a forte correnteza também atrapalharia qualquer ação.

Em Paris, o clima era de guerra, e havia reuniões diárias com a presença do presidente Nicolas Sarkozy, reunindo o general Claude Guéant, o almirante Guillaud e o conselheiro diplomático Jean-David Lévitte, o chefe do estado maior das forças armadas, além dos ministros envolvidos, principalmente o da defesa e das relações exteriores. O presidente Sarkosy fixou os parâmetros: nenhuma vida dos reféns poderia ser perdida. Intervenção só deveria acontecer se os piratas se separassem dos reféns ou os levassem para terra. A ação deveria ser emblemática e pontual.

Para chefiar a ação foi designado o jovem almirante Marin Gillier, que largou o Lorient para pousar em Djibouti no domingo. Na segunda, ele pula de pára-quedas no mar para se resgatado pela nau capitânea. No dia seguinte é o chefe do grupamento de intervenção do GIGN, coronel Denis Favier que também pula de pára-quedas para se juntar ao almirante. Em outro ponto, o recente comando especializado em assalto no mar chega a bordo da fragata antiaérea Jean Bart. O navio escola Jeanne D’Arc que navegava entre Madagascar e Djibouti, foi desviado para receber um hospital de campanha e seus helicópteros.

O proprietário do Ponant a gigante empresa de contêineres CMA-CGM, mantinha negociações com os piratas, sendo que os proprietários eram aconselhados por profissionais, fecham um acordo sobre o resgate. Ao mesmo tempo, pedem que as forças armadas fiquem a uma distância segura e que não atrapalhe as negociações.

Os acontecimentos foram ganhando velocidade. Quando o dinheiro do resgate foi atirado aos piratas, os reféns foram autorizados a deixar o Ponant nos próprios barcos do veleiro, ficando a bordo somente o capitão e três dos seqüestradores. Assim que as lanchas partiram, os comandos entraram a bordo e resgataram o capitão. Neste momento, um avião Atlantic II que chega à cena de guerra, localiza um veiculo 4 x 4. O presidente Sarkosy dá a ordem de que, assim que os reféns forem liberados e estiverem em segurança, os comandos poderiam agir. Sem força excessiva, mas com determinação.

 

No estado maior tático, a bordo do Jean-Bart, o almirante Gillier não teve dúvida: lançou seus helicópteros com a missão de agir com sangue frio, eficácia e com medidas cabíveis. A frota aérea era composta de: um Gazelle com um sniper, um Panther com a equipe de abordagem e dois Gazelles com mísseis anti-carro HOT (a opção mais “agressiva”, caso a abordagem não desse certo).

 

No momento apropriado, um soldado ajusta seu fuzil Mac Millan com munição de 12,7 mm (usada para furar blocos de motor de popa dos traficantes de droga) e dispara contra o motor da pick-up 4x4. Com um único tiro, acaba com a carona dos seis bandidos. Os helicópteros lançam seus comandos, três cada um, rendem os bandidos e recuperam parte do resgate. Os seqüestradores sobreviventes são embarcados no helicóptero Panther e levados em direção aos navios franceses.

 

Helicópteros franceses na hora da interceptação dos criminosos


Depois do resgate, o capitão do Ponant, Patrick Marchesseau, disse que eles foram atacados por cerca de vinte a trinta piratas, armados de Kalachnikovs. Assim que percebeu a situação, decidiu não correr riscos de revidar o ataque e mantiveram uma tripulação exclusivamente masculina no deque, para intimidar o máximo possível os piratas. Mas os piratas atacaram mesmo assim e, como resultado final, o barco teve dois vidros quebrados em conseqüência de um tiro acidental dado por um pirata, mas nenhum refém saiu com um arranhão sequer.

 

Commandos embarcam os piratas capturados no Panther (36F) do navio francês Jean Bart


O dinheiro do resgate, estimado em dois milhões de euros, foi parcialmente recuperado com os piratas que estavam no 4x4. Ao menos três piratas foram mortos na operação. A França deu uma lição de eficiência, eficácia, logística e precisão em toda operação.

De acordo com a IMO (International Maritime Organization), durante o ano de 2007 foram registrados vinte e quatro casos graves de pirataria por parte dos Somalis. A autorização para execução da operação por forças armadas francesas na Somália foi depois enviada por escrito para evitar que os seis piratas apreendidos pela França fossem soltos por questões de direito internacional. A França pede que a ONU se mobilize contra a pirataria e propõe uma força internacional sob o mandato das Nações Unidas. Vários pesqueiros espanhóis já sofreram com ações de pirataria na costa da Somália. Nos últimos dez anos 3. 200 marinheiros foram feitos reféns, dos quais 500 foram feridos e 160 mortos.

 

 

 


Curta a nossa página

 


O que você achou desta página? Dê a sua opinião, ela é importante para nós.

Assunto: GIGN