Perfil da Unidade

Legião Estrangeira Francesa  - Légion étrangère

PARTE I


"Legio Patria Nostra" - Legião Pátria Nossa

A Legião Estrangeira é uma força de combate única no gênero. Tecnicamente um corpo mercenário, a Legião tem demonstrado a seu pagador, a França, devoção e lealdade sem precedentes nesse tipo de exército. O fator responsável por sua existência até hoje é uma tradição de mais de 150 anos de lutas. Pertencer à Legião Estrangeira significa estar entre os mais resistentes soldados do mundo. A própria organização tem cultivado uma imagem de disciplina e de coragem em combate. Isso, associado às muitas distinções obtidas, conferiu à Legião tal prestígio que nunca lhe faltam candidatos.

O que ajudou a congregar muitas nacionalidades foi a ênfase dada à lealdade, não a um país, mas à Legião. Desde o princípio do treinamento, cada novo recruta é iniciado na história e nos costumes da Legião, que vão além do simples orgulho de pertencer ao regimento, assumindo uma aura próxima à devoção religiosa. O único "país" de muitos dos legionários, ela adotou o lema Legio patria nostra ("A Legião, nossa pátria"), que assegurou sua autonomia enquanto instituição, tanto em relação à França como nação quanto em relação especificamente às Forças Armadas francesas. Certa ocasião, no Marrocos, o marechal Lyautey estava inspecionando um batalhão de legionários. Ele parou à frente de um homem e perguntou: "E qual é a sua nacionalidade?" A resposta não se fez esperar: "Légionnaire, mon Général!"

1831: O Nascimento da Legião Estrangeira

O rei da França, Louis Philippe, em 10 de março de 1831, considerando o relatório do Secretário de Estado do Departamento de Guerra, decidiu criar uma Legião composta de estrangeiros, para ajudar na guerra contra a Argélia. Esta legião seria denominada Legião Estrangeira. O soberano francês não poderia imaginar que estaria autorizando a criação de uma das mais famosas e lendárias organizações militares do mundo. Desde essa época existiam os dois princípios essenciais que caracterizam a Legião Estrangeira Francesa: o serviço em uma base militar puramente estrangeira e a possibilidade de ser útil sob a identidade declarada (abrindo o leque para uma nova identidade). Diante da possibilidade de terem novas identidades e novas aventuras, soldados profissionais desempregados após as guerras imperiais e revolucionários entre outros, encontraram refúgio na Legião. As autoridades francesas autorizaram a Legião a receber uma declaração simples de identidade, possibilitando na prática uma "segunda chance", uma vida nova para muitos alistados.

Decreto:

"Louis Philippe, Roi des Français. Ordnnance du 10 Mars 1831 A tours, présens et à venir, salut. Sur le rapport de nobre Ministre, Secrétaire d’Etat au Département de la Guerre, Nous avons ordonné et ordonnons ce qui suit: II sera formé une légion compossé d’’etrangers. Cette Légion prenda la dénomination de Légion Etrangère. Paris, 10 Mars 1831." - Luís Filipe, Rei dos franceses, A todos, presentes e futuros, saúde. Considerando a lei de 10 de março de 1831, Considerando o relatório do nosso ministro, Secretário de Estado do Departamento de Guerra Nós temos decidido e, ordenamos o que segue-se:- Será criada uma Legião composta de estrangeiros. -Esta legião será designada por Legião Estrangeira. Paris, 10 de março de 1831

Não era a primeira vez que, a França tinha chamado estrangeiros para defender suas cores. Desde o reinado de Carlos VII e de Luiz XVI no século XV, já havia à guarda escocesa (Scotsh Guard) imortalizada no romance de Quentin Durward. Reis posteriores utilizaram homens de origem alemã, Ingleses, suíços, Irlandeses e poloneses, eles eram recrutados ao acaso através de campos, vindo a morrer pela causa de um rei, um exemplo, em 13 de julho de 1789 a Guarda Suíça foi massacrada em defesa de Tulherias (Paris), já os guardas austríacos que formavam o Regimento Estarhazy Housard permaneceram pacificamente na Praça Vendôme, os sabres ficaram embainhados, o mesmo aconteceu com Dragões de Sax no Palais-Royalos. Durante a Revolução Francesa e com a queda de Louis XVI, face a uma invasão no dia 07 de junho de 1792 pelo exercito prussiano em Verdun, a Assembléia Nacional decidiu votar o decreto 1º de Agosto, - Será formada uma nova legião, sob autoridade do Poder Executivo e terá o nome de, - Legião Franca Estrangeira, somente poderá admitir estrangeiros. Com esta lei a França queria reagrupar sob um só nome os regimentos dispersados, constituídos por alemães e irlandeses. No dia 20 de setembro em Valmy a infantaria e a cavalaria da Legião participam de uma batalha, o entusiasmo dos estrangeiros não eram dos maiores, apesar da lei de 03 de Agosto conceder grandes vantagens para época, entre elas uma renda de 100 libras.

A Revolução Francesa era baseada num ideal revolucionário, mobilizada pelas idéias republicanos, se reis enviam grandes e fortes exércitos contra povos livres, competem a estes povos admitirem em suas fileiras homens que lutam em causa da liberdade. A revolução afunda-se e surge o Império herdando três legiões criadas pelo decreto 22 de Frutidor Ano VII, Legião Itálica, Legião Francos do Norte e Legião Malteza. Cria ainda outras unidades, uma meia brigada Helvética que substitui as guardas suíças, uma Legião Hanoveriana, Legião Portuguesa, uma Legião Espanhola e a Legião de Vístula, eles combatem em toda parte da Europa. Desmembrada em 1815, em decorrência da queda do imperador, remanescentes destas unidades reuniram-se e reapareceram vários meses mais tarde, com o titulo Legião Estrangeira Real (Realeza). Em 1821 esta unidade foi reentitulada, dando-lhe um novo nome, - Regimento Hohenlohe. Com o fim da restauração surge a Monarquia de Julho, menos de 10 anos, nos primeiros dias do reinado de Luís Filipe, o regimento de Hohenlohe foi desmembrado durante um decreto de 15 de janeiro de 1831. Em 09 de março de 1831 surge uma lei, seguida de uma ordenança real subscrita no dia 10 de março, organizando uma nova legião, definindo seu estatuto.

Altamente qualificada e disciplinada, sua principal missão como Legião Estrangeira era cooperar com as tropas do Exército no controle das colônias francesas. Inicialmente instalada em Sidi-bel-Abbès, no norte da Argélia. O recrutamento foi rápido, durante os primeiros meses até setembro de 1831 cinco batalhões foram formados e enviados para outros continentes.

1831: Argélia

O Coronel Stofel, um oficial suíço que serviu à França por mais de 30 anos, lutou nas forças de Napoleão na Espanha, comanda os primeiros batalhões estrangeiros que desembarcam na Argélia (Oram e Bom) em agosto de 1831, iniciando uma conquista francesa. No inicio são vitoriosos, em conseqüência das pressões inglesas tiveram que moderar suas ações. Luís Filipe preocupado em defender sua reputação de pacifista, repatria parte de suas tropas.

Por outro lado os militares opinam que é impossível conquistar a Argélia, se o interior não for submetido em primeiro lugar, mas o centro do poder julga melhor ficar nas cidades costeiras e portos. Os uniformes que usavam eram o mesmo da infantaria da França metropolitana, calças crinson, um sobretudo com calda azul royal, um chaco negro e pesado, um casaco cinza enrolado em pano de algodão. O único sinal que identificava a Legião era um tema nos botões, mostrava uma estrela de cinco pontas. Enquanto dois batalhões, Bela VI e o Polonês VII, eram formados na França, legionários que estavam na Argélia, simplesmente adquiriam experiências nas guerrilhas, num terreno que favorecia inúmeras armadilhas, ataques repentinos, seguidos por rápidos recuos, que assim ditavam o estilo de luta.

No dia 27 de abril de 1832 o 1º e o 3º batalhão, compostos por alemães e suíços conseguiram sua primeira vitória, naquele dia destruíram um pequeno forte que dava acesso ao Meison Carie, um grande vilarejo situado à algumas milhas ao leste da Argélia. Esta vitória trouxe à Legião sua primeira cor regimental instituída pelo novo oficial no comando, coronel Combe, havia também às inscrições, Rei da França. Em outubro de 1832 após receber os últimos 12 batalhões, a Legião estava com um efetivo de 5.538 homens entre oficiais, NCO’s (oficiais não comissionados) e legionários. O 4.o batalhão recebe o seu batismo do fogo, no dia 11 de Novembro de 1832, em Sidi-Chabal, perto de Oran contra as tropas de Abd GR-Kader. Aos mesmo tempo que empunham seus rifles também pegavam suas pás, construindo a marca da Legião de soldado-construtor, quando construíram Sidi-bel-Abbès em 1843, que viria a ser o escritório e a capital da Legião. Em 1834, os espanhóis do 4° Batalhão são desmobilizados e autorizados de retornar no seu país, devido a guerra civil. O 7° Batalhão é trazido para Oran e toma então o número 4.

É importante destacar que o começo da Legião na Argélia não foi nada empolgante. Quando o primeiro batalhão desta força impar desembarcou na Argélia a idade dos legionários variava entre os 16 e 60 anos. Além de envergar variados uniformes antiquados. Meses depois, quando o segundo batalhão chegou, uns 35 homens desertaram imediatamente, e uma companhia embriagada provocou um motim, sendo os cabeças executados. Na primeira intervenção em combate, 28 Legionários tentaram defender uma posição próxima de Argel, sobrevivendo apenas um. No entanto foi deste começo comprometedor que a Legião Estrangeira construiu a sua mística. As autoridades louvaram como heróis os Legionários mortos . Ao mesmo tempo enviavam oficiais e sargentos do Exercito Francês para impor a disciplina de combate na Legião.

1835: Espanha e a nova Legião e a Argélia novamente

A guerra civil rasga a Espanha. A fim de ajudar Isabelle II, Adolphe Thiers, o então ministro do Interior, tem êxito em convencer o governo francês a ceder a Legião Estrangeira para a Espanha. Dois dias depois, em 8 de Junho de 1835, Louis-Philippe dá o seu aval e a Legião Estrangeira é enviada no 28 do mesmo mês. Por prescrição real, a Legião não faz mais parte do exército francês. No entanto, no dia 16 de Dezembro de 1835, menos de seis meses após ter cedido a Legião, Louis-Philippe decide pela criação de uma nova Legião Estrangeira, pois a ausência de bons legionários foi sentida na Argélia.

À que tornar-se-ia “a Antiga Legião” foi entregue à Espanha. Mal equipados, pouco, ou não pagados, os legionários combatem sem reforço, e não há mais recrutamento. Enquanto os regimentos de Bernelle e Conrad lutavam até a morte na Espanha, outros estrangeiros estavam sendo alistando no sul da França para serviços numa segunda Legião destinada a ir para Argélia. A nova Legião desembarcou na África durante os primeiros dias de 1837, a tempo de tomarem parte na segunda campanha organizada por franceses contra a fortalecida cidade de Constantine, no ano anterior à primeira tentativa havia fracassado. A cidade era fortemente defendida por uma artilharia, além de ter uma proteção natural de platôs rochosos, era rodeada por vales acidentados. A segunda investida começou sob condições climáticas diversas no dia 09 de outubro de 1837, ela durou apenas quatro dias. No dia 13 à Legião lutou todo o dia, contra uma resistência extremamente forte. Finalmente ao cair da noite o sargento Major Doze da Legião, capturou à última bandeira do inimigo.

Em 1839, a rainha da Espanha dá licença aos últimos sobreviventes. A maior parte deles cruza a fronteira francesa para comprometer-se outra vez na Legião. Não satisfeito com os batalhões formados pelo sistema de nacionalidades, o general Bernelle ordena que os batalhões tenham soldados de várias nacionalidades (suíços, alemães, espanhóis, italianos, belgas e polacos), esse principio é mantido até hoje. Também o francês é adotado como a língua de comando. O efetivo é aumentado facilmente. Em 1840, a Legião é dividida em dois regimentos. A nova Legião passa por várias etapas de um percurso glorioso: Constantim (1837), Djidjelli (1839), Millianah (1840), Zaatcha (1849) e Ischeriden (1857). A Legião adquire sua reputação como uma tropa sólida e resistente, em que a França podia contar em todas as circunstâncias. 

1854: As guerras imperiais

1854-1856: Criméia

No dia 27 de Junho de 1854 dois batalhões da Legião são embarcados para apoiarem o conflito na Criméia. O 3° batalhão e o depósito do regimento partem para instalar-se na Córsega, em Bástia, a fim de formar o depósito de guerra destinado a alimentar os dois regimentos estrangeiros enviados a Criméia. Os dois regimentos de Legião formam a “Brigada Estrangeira”, e participam da batalha de Alma, em 20 de Setembro de 1854 e do cerco de Sébastopol durante o inverno de 1854-1855. A falta de equipamento é particularmente uma  prova e a cólera golpeia o Corpo expedicionário. No entanto, os ventres de couro (apelido dado aos legionários pelos russos devido seu cartouchière sobre o ventre), comportam-se admiravelmente. No dia 21 de Junho de 1855, as companhias de elite do 3° batalhão e todos os efetivos disponíveis na Córsega chegam a Criméia. No dia 8 de Setembro, acontece o assalto final e o 10° e 2° Regimento estrangeiro, desfilam com sua bandeira ao da banda pelas ruas de Sébastopol.

1859: Itália

Como o exército da África, a Legião participa na campanha da Itália. Se distingui durante a batalha de Magenta, no dia 4 de Junho de 1859. Em 24 de Junho, os legionários defrontam-se com Austríacos durante a batalha de Solférino.

1863: O ano do México

Inicialmente, a Legião não devia participar na campanha, mas uma petição dos seus oficiais dirigida ao ministro da Guerra tem como resposta uma punição e o do Regimento estrangeiro para o México. O regimento chega no dia 25 de Março de 1863 e vê-se então com a tarefa ingrata de escoltar comboios entre Veracruz e Puebla. Mas a 3ª Companhia entra para a história em 30 de Abril de 1863 durante a batalha de Camerone, que simboliza o sacrifício em nome da palavra dada.

Camarone é uma aldeia no México onde se travou a batalha que é o exemplo para os legionários e do espírito de corpo da Legião. De uma proporção de trinta para um, travou-se uma luta intensa entre o fim de abril e o inicio de maio de 1863, e, dada sua importância, esta batalha está transcrita em todas as bandeiras da Legião - Camerone 1863 - e todos os anos, desde então, no dia 30 de abril, é lido o relato oficial de Camenrone, o qual segue:

"O exército francês sitiava Puebla, a Legião tinha por tarefa assegurar numa área de 120 Km2, a circulação dos comboios militares.

O Coronel Jeanningros que a comandava, teve conhecimento no dia 29 de abril de 1863 de que, um grande comboio transportando três milhões em numerário, material de cerco e munições estava em marcha para Puebla. O Capitão Danjou, segundo comandante, decidira enviar uma companhia para a vanguarda do comboio. A 3a Companhia do Regimento Estrangeiro foi designada para essa missão, mas não possuía oficiais disponíveis. O Capitão Danjou tomou ele próprio o comando, e os sub tenentes Maudet, porta estandarte, e Vilan, um administrador, juntaram-se voluntariamente. Em 30 de abril, por volta de uma hora da manhã, a 3a Companhia constituída por três oficiais e sessenta e dois homens, põe-se a caminho. Haviam percorrido cerca de vinte e cinco Km quando, às 7 horas da manhã, se deteve em Palo Verde para o pequeno café. Nesse momento, o inimigo dissimula-se e o combate inicia-se imediatamente.

O capitão Danjou manda formar quadrado e sem deixar de bater-se em plena retirada, repele vitoriosamente várias cargas na cavalaria, inflingindo, simultaneamente, ao inimigo, severas perdas. Ao atingir as alturas do albergue em Camerone, vasto edifício compreendendo um pátio limitado em toda a volta por um muro de três metros de altura, decide entrincheirar-se ali para fixar o inimigo. Enquanto seus homens organizam apressadamente a defesa desse lugar, um oficial mexicano, pondo em relevo a sua grande superioridade numérica, intima o capitão Danjou a render-se. Este determina a seguinte resposta - Temos cartuchos e não nos renderemos! Depois, de mão erguida, jurou solenemente defender-se até a morte e convidou seus homens a prestarem idêntico juramento.

Eram 10:00 horas, até ás 18:00, estes sessenta e poucos homens que nada tinham comido ou bebido desde a véspera resistiram epicamente a dois mil adversários (800 cavaleiros e 1200 peões), apesar do intenso calor.

Ao meio dia, o capitão Danjou é morto com uma bala em pleno peito.Às 14:00 o sub tenente Vilain cai por sua vez, com uma bala na fronte. Nesse momento, o oficial mexicano decide incendiar o local. Apesar do calor e da fumaça, que aumentou seus sofrimentos, os legionários continuavam a lutar, mas entre eles, muitos são feridos. Pelas 17:00 horas, em torno do sub tenente Maudet, já não existem senão doze homens em condições de combate.

A essa altura, o coronel mexicano congrega os seus homens e faz sentirem uma vergonha que sobre eles recairá se não abaterem aquele punhado de bravos (um legionário que compreende o espanhol vai traduzindo em voz alta as suas palavras a medida que são proferidas). Os mexicanos partem para um ataque geral através de brechas. Mas antes disso, o coronel Milan dirige ainda uma intimação ao sub tenente Maudet; este responde em termos desprezíveis.

É então desencadeado um assalto geral.

Em breve só restam em torno de Maudet cinco homens, o cabo Maine e os legionários Catteau, Wenzel, Constantin e Leonhard. Cada um deles tem apenas um cartucho; armam a baioneta no cano da arma e, refugiando-se num canto do pátio, encostados à parte, fazem frente ao inimigo. A um sinal, descarregam suas armas à queima-roupa sobre os adversários e precipitam-se em cima deles com baionetas. O sub tenente Maudete dois legionários caem feridos de morte.

Maine e os seus camaradas vão então ser massacrados quando um oficial mexicano se precipita e os salva. Grita-lhes - Rendam-se! - Não nos renderemos, responde Maine, se não prometerem poupar-nos e cuidar de nossos feridos e deixar-nos com nossas armas! As suas baionetas mantêm-se em riste, ameaçadoras.  Ao ver sua bravura, o comandante mexicano comentou "eles não são homens, são demônios", e concordou com as condições dos franceses, afirmando que nada podemos recusar a homens como vocês, responde o oficial. Os homens do capitão Danjou mantiveram até o fim seu juramento.

Durante onze horas resistiram a dois mil inimigos, tendo-lhes abatido mais de 300 e feridos outros tantos. Com seu sacrifício salvaram o comboio , cumprindo assim a tarefa que lhes fora confiada.

O imperador Napoleão III decidiu que o nome de Camerone fosse escrito no estandarte do Regimento Estrangeiro, e que além disso os nomes de Danlou, Vilain e Maudet fossem gravados em letras douradas no museu dos inválidos de Paris.

Além disso, em 1892 foi erguido um monumento no local do combate. Desde então, quando tropas mexicanas passam em frente ao monumento, apresentam armas.

Caso um Legionário esteja na prisão durante as comemorações de Camerone, é dado, como tradição, um perdão ao mesmo. Somente se houver menos de 10 dias da sentença até o dia de Camerone."

Hoje em dia, o Dia de Camerone é um dia muito importante para a Legião, celebrado por todos os legionários não importando onde estejam. São feitas grandiosas paradas e suntuosos banquetes, e a mão de madeira do Capitão Danjou é mostrada ao público.

Após Camarone o regimento desloca-se seguidamente para as Terras Quentes e é reorganizado em 4 batalhões em 1864. Paralelamente, o depósito do regimento é temporariamente transferido de Sidi bel Abbès para Aix-en-Provence a fim de facilitar o recrutamento e o envio de reforços ao México.

De dezembro de 1864 à fevereiro de 1865, as unidades do regimento participam do cerco de Oaxacca. Em 3 de Julho de 1866, a 3ª e a 5ª Companhia do 4° batalhão enfrentam um combate comparável ao de Camerone. Sob as ordens do capitão Frenet, os 125 legionários cercados no hacienda do Incarnacion opõem-se vitoriosamente durante 48 horas a mais de 600 Mexicanos. O total das perdas na expedição do México: 22 oficiais, 32 graduados e 414 legionários. O acordo com o imperador Maximiliano indicava que a Legião estrangeira devia passar a servir o México; mas como a aventura francesa no México foi quase um desastre, a Legião retornou para a França.

1870: O primeiro engajamento em solo francês

Em 19 de Julho de 1870, a Guerra franco-germanica estoura entre a França e a Prússia. Esta guerra desenrola-se sobre o solo da França, onde a Legião não tem, normalmente, de intervir. Além disso, não se pode pedir aos legionários alemães que lutem contra o seu país. Mas a situação é crítica e o governo faz chamada aos soldados da legião na África. Dois batalhões são formados para partir para a metrópole. Os legionários alemães, a bandeira do regimento e a banda permanecem, em Sidi-Bel-Abbès. Durante este tempo, um 5° batalhão é criado sobre o solo nacional para incorporar os estrangeiros que querem servir a sua pátria de adoção. Pela primeira vez, incorpora também em suas fileiras os voluntários no estatuto particular: voluntários para a duração da guerra (EVDG - les engagés volontaires pour la durée de la guerre). Apesar deste, surge um grande número de recrutas.

O 5° distingue-se particularmente na batalha de Orléans em 10 de Outubro. Os batalhões chegados da Argélia se fundem com os sobreviventes dos combates de Orléans mas conhecem as derrotas com o Exército do Leste. O resto do contingente participa na repressão da Comuna de Paris em Abril e Maio de 1871. Em 11 de Junho, o regimento estrangeiro de marcha formado para a guerra cessa de existir. Os seus elementos retomam para a Argélia

1883: As conquistas do império

O ano 1883 vê o avivamento da política de expansão colonial da França. O governo reforça o efetivo da Legião e a prepara para cumprir missões como Corpo Expedicionário. A Legião participa de campanhas em Tonkin, desde 1883, Formosa (1885), Sudão (1892-1893), Dahomey (1892-1894), Madagascar (1895-1905) e Marrocos (1900-1934). Os chefes militares e coloniais apreciam o valor excepcional desta tropa. Mas a Legião não era somente uma tropa de combate. Na fase de pacificação que sucede ao avanço do exército francês, toma parte ativa nos trabalhos de engenharia civil, para o desenvolvimento das colônias.

1883: Tonkin

E 18 de Novembro de 1883, os 600 primeiros legionários desembarcam em Tonkin. Participam nas colunas de Courbet na sua luta contra os Pavilhões Negros, soldados irregulares do império vietnamita a serviço da China. No dia 16 de Dezembro, os legionários realizam o seu primeiro ataque em terras asiáticas tomando a cidadela de Son-Tay. Reforçados pelo 2° Batalhão a partir de Fevereiro de 1884, legionários tomam a fortaleza de Bac Ninh.

Entre 26 de Janeiro a 3 de Março de 1885, a cidadela de Tuyen Quang, é defendida por uma maioria de legionários sitiados. No dia 1 Janeiro de 1885, os 3° e 4° batalhões do 1 regimento estrangeiro chegam a Tonkin e são integrados ao 2° Estrangeiro. O 3° batalhão tem um lugar específico quando da tomada Lang Son em 4 de Fevereiro. O 4° batalhão do 2° Estrangeiro, desembarcado em Formosa em Janeiro de 1885 combate os chineses justamente no lugar do armistício franco-chinês de 21 de Junho de 1885. Junta-se depois ao seu Corpo em Tonkin. Após a conquista, vem a fase de pacificação que, como na Argélia é uma luta permanente contra bandos armados.

Benim (Dahomey): 1892-1894
Em 1892, o rei Behanzin ameaça coptar o Porto Novo e a França decide intervir. Um batalhão estrangeiro de marcha é constituído a partir de 2 companhias do 1° Estrangeiro e 2 do 2° Estrangeiro. E este batalha é colocado administrativamente sob o comando deste último. O comandante Faurax está a frente da força.

De Cotonou, os legionários devem apoderar-se de Abomey, a capital do motim. Dois meses e meio são necessária para atingir a cidade ao preço de combates repetidos contra os soldados, e sobretudo as amazonas do rei. Este capitula e é capturado pelos legionários em Janeiro de 1894.

1892-1893: Sudão (atual Mali)
Uma companhia de marcha é formada pelo 2° Estrangeiro e transportada à Kayes a fim de se apresentar aos sultões Ahmadou e Samory Touré. Uma vez a sua missão realizada com sucesso, a companhia é dissolvida no seu regresso à Saïda em 24 de Junho de 1893.

1894: Guiné
Um batalhão de marcha constituído de duas companhias dos dois regimentos estrangeiros é criado no início do ano 1894 para pacificar o Níger. A vitória dos legionários na fortaleza de Ouilla e as patrulhas de polícia na região aceleram a submissão das tribos. Mas 51 legionários foram hospitalizados devido a doenças tropicais e disenteria.

1895-1905: Madagascar
Em 1895, um batalhão de marcha, formado por pelos 1° e 2° Estrangeiros é enviado à Madagascar a fim de participar no Corpo Expedicionário que tem por missão reduzir uma revolta local. O batalhão estrangeiro forma então a ponta de lança sobre Tananarive. Mas se a fraca intensidade dos combates não permite aos Legionários mostrar a sua bravura, 226 legionários morrem na grande ilha, apenas 10% deste dos combates. Os outros, como uma grande parte do Corpo Expedicionário, morrem das condições climáticas e as doenças tropicais. O batalhão retorna a Argélia em Dezembro de 1895. Mas a partir de 1896, o general Galliéni é chamado para controlar uma segunda revolta malgaxe, e pede 600 Legionários a fim de poder “morrer convenientemente” se for o caso disso. Um novo batalhão de marcha por conseguinte é formado para esta expedição. Reforços seguem porque a operação de pacificação dura até em 1905. Lá ainda, o inimigo mais temível era a febre.

1914-1918: Primeira Guerra Mundial

A Legião estava operando no Marrocos quando a Primeira Guerra Mundial estoura. Uma tradição, sempre presente na força, aplica-se então: quando a França está em guerra, se pergunta aos legionários que se originam do país beligerante se eles desejam ou não lutar contra seus patrícios. Assim o general Lyautey mantém as possessões francesas no Marrocos, de 1914 a 1918, com legionários de origem alemã. A partir do agosto de 1914, milhares de estrangeiros, presentes na metrópole ou nas colônias, juntam-se às filas da Legião, a fim de provar a sua fixação e o seu reconhecimento à França. No total são 42.883 voluntários, representando cerca de 52 nacionalidades, que formam os 5 regimentos de marcha, onde servem geralmente russos, italianos, suíços, belgas e britânicos.

Após as numerosas perdas sofridas por estas unidades e o regresso da maior parte destes primeiros comprometidos aos seus países de origem, o comando decide, em 11 de Novembro de 1915, pela a criação do RMLE: Regimento de Marcha da Legião estrangeira; sobre a frente francesa, este é engajado em Artois, Somme e Verdun. Com o RICM, o RMLE o regimento será o mais decorado da França.

A Legião fornece além disso um batalhão que, amalgamado com dois outros batalhões de zouaves e tirailleurs argelinos, constitui o RMA, Regimento de Marcha da Argélia, que combate em Gallipoli (1915) e juntar-se-á ao Exército de Oriente sobre o frente Salonique (1916-1918).

No total, mais de 6.000 Legionários encontram a morte sobre os campos de batalha da França ou dos Balcãs; por exemplo, o RMLE tem 115 oficiais mortos,
dos quais 2 coronéis, 12 comandantes e 21 capitães.

1903-1934: A pacificação do Marrocos
Entre duas guerras a Legião participa de combates em dois teatros: Marrocos e o Médio Oriente. A conquista do Marrocos tinha começado em 1903. De 1914 a 1918, o maréchal Lyautey tinha guardado os territórios conquistados com legionários, essencialmente dos alemães, porque é de tradição à Legião deixar aos legionários a escolha bater-se ou não contra o seu país de origem (esta tradição continua em vigor hoje).

Os combates retomaram 1920 e duraram até 1934. Progressivamente com seu avanço, os legionários, fiéis à sua reputação de soldado construtores punham frequentemente as suas armas para construir os postos, as estradas e as pontes que iam facilitar a pacificação.

Os sapadores do 3ème étranger constroem um de seus trabalhos mais bonitos "o túnel do legionário",o túnel de Foum Zabbel.

1920: Levante da Síria e Líbano

No ano de 1920, a Legião é acionado para operar no levante na Síria e Líbano, no âmbito do protetorado, cumprindo um mandato da Sociedade das Nações.

 

Em 1921, a Legião, até agora eminentemente uma força infante, é criado um regimento estrangeiro de cavalaria. Muitos russos brancos e antigos cossacos vão servir nele. O regimento conheceu o seu batismo do fogo na Síria contra o druzos.

 

1939-1945: A Segunda Guerra Mundial

A declaração de guerra de 3 de Setembro de 1939 provoca uma mudança sensível nos efetivos legionários: assim os espanhóis, em grande maioria sobreviventes republicanos da guerra civil, representam até a 28% do total; os oponentes políticos europeus, refugiados ou expulsos do seu país de origem: italianos, alemães e austríacos, montam até à quase 17%.

 

Esta vaga de novos comprometidos permite elevar o número de Legionários à 48.924 inscritos sobre os papéis ao 9 de Maio de 1940; este número nunca foi alcançado, nem mesmo quando da guerra na Indochina.

Este afluxo de voluntários permite criar várias novas unidades:

- Os 11° e 12° REI, que participam na Campanha da França de Maio-Junho de 1940.

-O GRD 97 (Groupement de Reconnaissance Divisionnaire - Grupamento de Reconhecimento Divisionário n°97) que foi engajado de Maio-Junho de 40;

- Além disso, no campo pireneu de Barcarès, são criados três outros regimentos, o 21°, 22° e 23° RMVE, ou Regimentos de Marchau de Voluntários Estrangeiros,  unidades efêmeras. Os 11ème e 12ème REI, GRD 97, 21ème, 22ème e 23ème RMVE (Régiments de Marche de Volontaires Étrangers), desaparecem na tempestade de 1940.

- A 13ª DBLE (Meia Brigada da Legião Estrangeira), foi formado em fevereiro de 1940 em Sidi-Bel-Abbès, com parte de seu contingente vindo do 1° REI. Em março 1940, a 13ª DBLE compreendia 55 oficiais, 210 graduados, e 1.984 legionários.

A idade média dos legionários estava entre 26 e 28 anos, e 4 a 5 anos de serviço. Muitos de seus graduados veteranos tinham servido na Legião por 10 anos ou mais. Seu comandante era Margem-Vernerey de Raoul, um herói da Primeira Guerra Mundial, ferido 17 vezes em batalha, é que servia na Legião desde 1924.

A 13ª participa da expedição da divisão ligeira do general Béthouart que constitui o Corpo Expedicionário da Noruega, embarcado em Brest vai lutar no norte em Harstad. Desembarcada com violência no dia 18 de Maio em Bjervik, repele os alemães em 28 de Maio e toma a cidade de Narvik. A Legião é a último a deixar a Noruega.O regimento é repatriado para a Escócia. Com a vitória alemã o regimento recebe a ordem de voltar para Brest de novo.

O que é surpreendendo é que vai-se deixar ao regimento a escolha de se juntar as Forças Francesas Livre na Inglaterra ou no Marrocos, sob o controle do governo de Vichy. Mal nascido o regimento é dividido, 900 de seus soldados e 28 dos seus 59 oficiais escolhem as FFL - Les Forces Françaises Libres - Forças Franceses (sendo uma das primeiras unidades constituídas a  juntar-se as FFL - Livres ). Os legionários juntam-se as outras tropas francesas que tinham sido evacuadas de Dunquerque. A 13ª DBLE compreendia 1.619 dos 4.500 soldados franceses que estavam na Inglaterra.

Os franceses livres eram um organização de homens e mulheres franceses no exílio durante a Segunda Guerra Mundial.Liderada pelo general de Gaulle,continuou a guerra contra as potências do Eixo depois da rendição de Vichy,em 1940.Seus quartéis-generais ficavam em Londres,onde,além de organizar forças que participavam de campanhas militares e cooperação com a resistência francesa,constituíam um grupo de pressão que se empenhou em representar os interesses da França.

Em 1941,formou-se o Comitê Nacional Francês,que evoluiu para um governo provisório da França libertada.O exército da França Livre na África Equatorial Francesa,liderado pelo general Leclerc(Phillippe,visconde de Hauteclocque),uniu-se às forças britânicas em Trípoli(1943) após completar uma marcha épica de cerca de 2.400km desde o lago Chade.Foi criado em Argel o governo provisório da França Livre, avançando para Paris em 1944.

Em 30 agosto a 13ª partiu de Liverpool para operações conta às forças de Vichy que incluiriam a batalha de Dacar e Libreville. A 13ª incluiu um número de oficiais juniors que se mais tarde serão promovidos ao posto de general, como o capitão Pierre Koenig, o capitão Jacques Pâris de Bollardière, e o tenente Bernard Saint-Montanhoso.

Outros oficiais, tais como o capitão Dimitri Amilakvari e o capitão Gabriel Brunet de Sairigné conseguiriam também a fama no campo de batalha. O segundo tenente Pierre Messmer serviria mais tarde como um dos principais ministros de De Gaulle.

A 13ª DBLE é reorganizada em 2 batalhões e segue para a invasão aliada bem sucedida da Síria, a Operação Exporter. Um certo número de legionários do 6e Régiment étranger d'infanterie) se oferece para servir na 13ª DBLE, o restante dos legionários pro-Vichy é repatriado para a França em agosto de 1941.

Os legionários que escolheram a França Livre embarcaram para tentar a África Ocidental francesa e seguidamente desembarcaram na Eritréia para enfrentar os Italianos. Após difícil e fratricida episódio da campanha da Síria, a 13ª DBLE vai para as fileiras do VII Exército britânico, para lutar conta o Afrika Korps de Rommel.

Em 1942, os dois batalhões da 13ª DBLE - o 2° batalhão designado (2/13 da DBLE) e 3° batalhão (3/13 da DBLE) - irão para a 1ª Brigada Francesa Livre  comandada pelo general Koenig e se juntam a brigada em Bir Hakeim na Líbia, a aproximadamente 90 milhas ao sul de Tobruk. A posição francesa montada na linha de avanço do Afrika Korps e representava um bolsão de resistência que tinha que ser eliminada pelo pelos alemães.

A batalha de Bir Hakeim começou no dia 26 de maio de 1942. Os franceses estavam abrigados sob uma intrincada rede de casamatas, trincheiras e ninhos de metralhadoras. Eram ao todo cerca de quatro batalhões de soldados franceses, comandados pelo General Koenig.

As posições destinadas para o 2/13 DBLE ficavam ao longo do face leste da linha francesa. O 3/13 DBLE formaria grupos móveis de reserva para reforçar posições francesas ameaçadas. Por ironia, os legionários da 13 DBLE enfrentaram soldados do Afrika Korps do 361° Regimento de Infantaria o  “Infanterie-Regiment Afrika 361" que continha muitos companheiros legionários que tinham sido repatriados das unidades da Legião de Vichy na África do Norte.

Os franceses conseguiram rechaçar, durante 11 dias, os furiosos ataques da 90a Divisão Leve alemã, e da Divisão italiana Trieste. A Luftwaffe incorporou-se à luta, e submeteu as posições de Bir Hakeim a um implacável bombardeio. De 2 a 11 de junho, os Stukas realizaram 1.300 ataques contra o reduto francês.

Com um heroísmo incomparável, os soldados de Koenig, mantiveram-se firmes em suas posições. Finalmente, receberam ordem de retirar-se. Na noite de 10 de junho, os sobreviventes, com o General Koenig à frente, abriram passagem através do cerco e chegaram às linhas britânicas.

Pelo fim de abril de 1944 a 13ª vai para a Itália, completamente equipada com material americano, e abre a estrada de Roma. Vai participar no desembarque de Provença e avançará contra os alemães em Tropez e Belforte.

No inverno 1944-45 os legionários ainda se envolvem em combate em Grave, Colmar, Alsácia e Aubion, seguindo para a Alemanha e terminando a sua jornada na Áustria. Até a vitória final, a 13ª lutou ao lado do 1° REC e do novo RMLE. Com mais de 9.000 mortos, a Legião Estrangeira contribuiu pesadamente para à liberação da Europa.

Na Indochina, em conformidade com o armistício de 1940 o exército francês coabitava com o exército japonês. Porém no dia 9 de março de 1945, os japoneses atacam de surpresa as guarnições francesas.

O coronel Alessandri agrupou os sobreviventes do massacre e tem êxito em chegar a fronteira chinesa, à pé e combatendo, no fim de uma fuga de 800km. O 5° regimento estrangeiro saía desta odisséia reduzido ao efetivo de um batalhão.

Após o final da guerra em 1945, numerosos soldados da Wehrmacht juntam-se s Legião, aumentando de maneira muito importante seu combatividade e a sua eficácia. 

PzKwIIs avançam para Bir Hakim

 

Stuka abatido pelas guarnições de AA francesas

 

 

Legionários marcham para a batalha

 

Legionários em um momento de descanso durante a batalha

1946-1954: A Guerra da Indochina

Após a Segunda Guerra Mundial o recrutamento da Legião aumentou sensivelmente e como vimos se constituiu em motivo de satisfação para a Legião que passou a receber ex-soldados do Exército alemão (Wehrmacht), inclusive ex-Brandenburgers (commandos alemães), e também membros das SS que procuravam escapar à justiça dos países aliados. Houve recrutamentos dentro da própria zona de ocupação francesa na Alemanha, apesar da desaprovação das outras nações aliadas, além da adesão de fascistas italianos e antigos colaboracionistas franceses, ansiosos por evitar represálias. Muitos desses homens, com cinco anos ou mais de experiência em combate, contribuíram para "endurecer" a Legião.

O envolvimento da Legião Estrangeira na Indochina começou quando, após a derrota do Japão em 1945, os franceses quiseram retomar seu antigo domínio colonial. Para sua surpresa, lá encontraram a oposição de um bem organizado movimento de libel1ação nacional de inspiração comunista (o Vietminh). liderado por Ho Chi Minh, secundado por seu brilhante estrategista militar, o general Nguyen Giap. O Vietminh instigou uma luta de guerrilha contra os franceses. que de início não passou de uma série de escaramuças mas com o tempo tornou-se uma guerra total.

Uma das principais tropas usadas pela Legião na Indochina foram os pára-quedistas. Aprovada a eficiência bélica das formações de pára-quedistas durante a Segunda Guerra Mundial a Legião Estrangeira francesa fundou um centro de instrução perto de Sidi-bel-Abbes em maio de 1948. Logo depois surgiu o 1° Batalhão Estrangeiro de Pára-quedistas (1° BEP). O recém-formado batalhão foi embarcado para a Indochina em novembro de 1948 e um segundo contingente, o 2° BEP, o seguiu pouco depois. Empregadas pelos franceses como reserva móvel de elite essas duas unidades sofreram grandes baixas; durante a retirada d cordilheira de Cao Bang em outubro de 1950, por exemplo, o 1° BEP perdeu 90% dos seus soldados e foi temporariamente disperso.    

 

Oficial legionário (patente representada pelas três linhas douradas no distintivo azul, preso na frente da jaqueta) do 1ª Batalhão Estrangeiros de Pára-quedistas na Indochina em 1952. Nesta época os franceses usavam uma mistura de equipamentos e uniformes britânicos, americanos e franceses.  O capacete é o M1 americano, bem como a arma, uma carabina M1A1 .30 (7,62 mm) com coronha dobrável, e a jaqueta de tecido camuflado dos US Marines. A calça é uma adaptação das de camuflagem britânicas.

A Legião foi convocada para esmagar a revolta. Em fevereiro de 1946. aterrisaram em Tonquim o 2.° Regimento Estrangeiro de Infantaria (REI), seguido de três outros regimentos também de infantaria, um de cavalaria e dois batalhões de pára-quedistas recém-formados. O número de homens da Legião na Indochina, qualquer que fosse o momento considerado. situava-se entre 20.000 e 30.000. A guerra entre o Vietminh e os franceses atingiu o ponto culminante na Batalha de Dien Bien Phu, em que os legionários tiveram papel decisivo. Pequena vila na fronteira entre o Vietnã e o Laos, Dien Bien Phu foi escolhida pelos franceses como centro da resistência. para impedir o acesso de Giap à lucrativa área de produção de ópio do Laos. Outro objetivo era atrair o Vietminh. cuja autoconfiança crescia dia após dia. a uma batalha cerrada na qual, acreditava-se, seria vencido pela superioridade francesa em material bélico. Tropas do 1°: Batalhão Estrangeiro de Pára-quedistas (BEP) saltaram sobre Dien Bien Phu em novembro de 1953 e começaram a reformar a pista de pouso ali existente e a organizar as posições de defesa. Nas semanas seguintes, doze batalhões - sete da Legião - chegaram ao local para construir uma série de trincheiras defensivas, visando a abrigar. eventualmente, 16.000 homens.

Num certo sentido, Giap mordeu a isca, mas os franceses haviam subestimado a potência Vietminh. Este desferiu sucessivos ataques, para testar o inimigo, em dezembro de 1953. Mas o primeiro ataque de grande porte não se deu antes de março do ano seguinte. Dien Bien Phu situava-se num vale em forma de bacia, rodeado por montes. Ali Giap colocou 50.000 combatentes e enorme quantidade de peças de artilharia, passando a alvejar com grande precisão a posição isolada dos franceses.
Em março e abril de 1954. as tropas do Vietminh lançaram uma série de ataques de força total. Os vietnamitas jogavam-se destemidamente sobre o arame farpado das trincheiras, mas foram contidos pela defesa francesa. As tropas da Legião, que ocupavam os pontos-chaves da posição francesa, sofreram pesadas baixas: só no ataque noturno de 13 de março, a 13ª Meia-Brigada da Legião Estrangeira (MBLE) teve quatrocentos mortos e feridos, incluindo seu comandante.

Após o fracasso dos ataques em massa a Dien Bien Phu, o Vietminh continuou com os bombardeios e começou a construir seu próprio sistema de trincheiras, que prosseguiu na direção das linhas de combate francesas. O campo de batalha assemelhava-se aos da Primeira Guerra Mundial: trincheiras, obstáculos de arame farpado, bombardeios maciços e repetidos, ataques-surpresa noturnos pelos legionários e ferozes combates corpo a corpo, cada vez que um posto avançado francês era invadido por soldados do Vietminh.

Diante da situação de seus homens em Dien Bien Phu, em abril a Legião enviou reforços, que desceram de pára-quedas no local sitiado. Além de setecentos bem treinados combatentes do 2." BEP, havia voluntários do 3° REI e do 5° REI, muitos dos quais jamais haviam saltado de pára-quedas. Não obstante, dispuseram-se a fazê-lo para socorrer os companheiros. Esse gesto corajoso não deu grande resultado, pois o Vietminh, com vantagem em termos de posição e número de combatentes e munições, apertava cada vez mais o cerco a Dien Bien Phu. No início de maio ocorreu o assalto final: ondas de ataques do Vietminh esmagaram as defesas francesas e no dia 8 de maio o vilarejo foi definitivamente tomado pelos vietnamitas comunistas. Dos 4.000 soldados franceses mortos em combate, 1.500 eram legionários; além destes, 4.000 legionários foram feridos e centenas não resistiram à "marcha da morte" rumo ao cativeiro. O colapso de . Dien Bien Phu assinalou o fim da ocupação francesa na Indochina, confirmado, em julho de 1954, pelo Acordo de Genebra.

Embora a França tenha perdido essa guerra. a Legião relembra com orgulho as campanhas da Indochina. O povo francês pouco se interessou pelo conflito do qual não participaram reservistas. Esse fator, aliado à ambivalência política com relação às operações militares na colônia, fez com que a Guerra da Indochina caísse no esquecimento. Ainda assim. a Legião (juntamente com o Exército regular francês e as tropas da colônia) lutou brava e obstinadamente até o fim. A Legião perdeu. nessa guerra mais homens do que em qualquer outra campanha: 10.490 soldados e oficiais (300 oficiais, incluindo 4 chefes de Corpo) mortos e cerca de 30.000 feridos. O campo de batalha da Indochina foi o mais mortífero de toda sua história.

1956: Suez

Os pára-quedistas da Legião entraram novamente em ação na curta campanha do canal de Suez (outubro-novembro de 1956) quando foram lançados sobre o porto, conquistando seus objetivos depois de enfrentar forças irregulares egípcias. Mas a derrota política da aventura anglo-francesa em Suez logo traria o fim das operações militares e levaria à retirada dos pára-quedistas do Egito.

1954-1962: Retorno a Argélia

Antes mesmo que as hostilidades cessassem na Indochina, sinais de conflitos graves começam a aparecer na África do Norte. A Legião luta inicialmente no Marrocos e na Tunísia, onde o 2° Regimento Estrangeiro Pára-quedista (REP) assegurou o sucesso da estratégia da Linha Morice - privando os nacionalistas argelinos de uma base segura na Tunísia, porém a carreira do 1° REP teve menos êxito na Argélia. Nos estágios iniciais do conflito, participou de combates com os guerrilheiros na zona rural, mas em 1957 o 1° REP liderou a ofensiva contra o ELN na própria capital - a batalha de Argel.

A Argélia era a terra espiritual da Legião. A luta pela posse do território foi a mais sangrenta de todas as campanhas de independência nacional que voltaram ao Norte da África após a Segunda Guerra Mundial. A Frente de Libertação Nacional inaugurou sua campanha contra os franceses com uma série de escaramuças e ações terroristas. Os franceses responderam empregando recrutas de pouca experiência em posições de defesa estáticas e reservando as tropas de elite os pára-quedistas e a Legião, predominantemente - para as operações móveis e mais difíceis. Os franceses conseguiram eventualmente derrotar a FLN não só no terreno montanhoso acidentado da Argélia como nos kasbahs (velhos bairros muçulmanos) das cidades'principais, onde os guerrilheiros desenvolviam ações de bombardeamento e de assassinato de autoridades francesas. O kasbah de Argel, com suas vielas não-mapeadas, serviu de esconderijo perfeito para a FLN. A violência aumentou em 1957, quando os franceses enviaram unidades de pára-quedistas, precedidas pelo 1. ° Regimento Estrangeiro Pára-quedista, um corpo de elite. Sob o comando do general Jacques Massu, conduziram uma campanha i'mplacáve1 contra a FLN, subjugando a população árabe pela intimidação e promovendo o uso generalizado de torturas como método de obter informações. Embora criticadas, as medidas funcionaram. No final dos anos 50, a FLN havia sido derrotada.

Apesar dessa vitória, o recém-eleito presidente Charles de Gaulle decidiu-se pela independência da Argélia. O Exército sentiu-se ultrajado: havia enfrentado e vencido uma guerra brutal para nada.Com o apoio dos franceses nascidos na Argélia, alguns oficiais insatisfeitos (muitos deles pertencentes à Legião) planejaram a derrubada do governo francês. Em abril de 1961, sob a liderança do 1." REP, foi desferido o "golpe dos generais" . Os golpistas tomaram Argel, mas a maior parte do Exército e da Legião permaneceu fiel ao governo. Solicitado a aderir à rebelião, o coronel Brothier, comandante do 1." REP, respondeu: "A Legião é, por definição, estrangeira e não intervirá em uma disputa puramente francesa".

Percebendo que o golpe havia falhado, 0 1.° REP voltou aos quartéis e rendeu-se às autoridades. Como punição, o regimento inteiro foi dispensado no dia 3 de abril de 1961. Em 24 de outubro de 1962, setecentos legionários desfilaram pela última vez em seu quartel-general em Sidi-bel-Abbes e, em seguida, deixaram para sempre a Argélia. A sede da Legião Estrangeira é transferida de Sidi-bel-Abbès para  Aubagne. Agora a Legião teria que criar novas raízes.

ADIEU, BEL-ABBES

Ao cair da noite de 24 de outubro de 1962, cerca de setecentos legionários reuniram-se para uma parada, no vasto quarteirão da cidade argelina de Sidi-bel-Abbês.
Em posição de sentido, todos aguardaram em silêncio, enquanto duas bandeiras de seda escura foram solenemente hasteadas a sua frente. Um legionário deu um passo à frente, ateou fogo a uma tocha e incendiou-as. Os presentes à cerimônia testemunharam, naquela noite, uma virada na história da Legião Estrangeira - a retirada final das tropas de Sidi-bel-Abbês. As bandeiras haviam sido capturadas aos chineses durante os últimos dias do cerco da Tuyen Quang, em 1885; foi desejo do legionário que as conquistou, no momento em que agonizava, que a Legião jamais as levasse para a França, se algum dia abandonasse a Argélia. Quando as chamas se apagaram, os setecentos homens acenderam suas tochas, a bandeira da Legião foi baixada pela última vez, e o eco das canções da unidade soaram por toda Bel-Abbàs. A cerimônia marcou o fim de uma era - mas Bel-Abbês será para sempre lembrada como lar espiritual da Legião Estrangeira.

1962: A transição

A Legião estava passando por transformações, como as próprias forças francesas e estava prestes a adotar uma configuração completamente nova.

 Como o restante do exército, seu contingente estava sendo diminuído e o seu centro de gravidade estava sendo movido para a metrópoles.

Porém a sua vocação de pronto emprego em ultramar é mantida e muitas guarnições francesas permanecem sob a guarda da Legião em Madagascar, Guiana, Djibouti, Polinésia francesa e no arquipélago das Cômoros.

Nestes anos de transição os legionários viram muito trabalho: O 5ème RE construiu na Polinésia francesa a infra-estrutura necessária para os testes nucleares franceses.

Na Guiana, o 3ème REI realiza façanhas para abrir estradas para viabilizar a construção do centro espacial da Guiana.

No solo metropolitano o 61ème BMGL  trabalha na construção dos acampamentos militares do sul da França.

1969: O retorno às operações

A Legião é enviada para o a República do Tchad de 1969 a 1970, quando o governo do Chade pediu ajuda militar à França para abafar uma revolta tribal importante. 0 2.° REP foi então mandado a esse país onde participou, durante quatro meses, de tiroteios contra os rebeldes, até que a revolta malograsse. E irá para lá de novo de 1978 a 1988 para efetuar operações de policiamento em apoio ao governo.

1978: Kolwezi (Zaire)

Resgate em Kolwezi

Uma das mais espetaculares ações da Legião Estrangeira Francesa na África aconteceu em 1978, no Zaire, em apoio ao governo do presidente, general Mobutu.
No dia 13 de maio de 1978 cerca de 4 000 Tigres, guerrilheiros da Frente Nacional de Libertação do Congo, ocuparam a cidade de Kolwezi, na conturbada Província de Shaba (ex-Katanga), cortando as comunicações com a capital e infligindo grandes perdas ao exército governamental. Seguiu-se uma orgia de violência e matanças que atingiram centenas de europeus habitantes da região. No dia seguinte, o presidente Mobutu pediu a ajuda dos franceses. A resposta veio rapidamente.

A operação

Em 17 de maio, por volta das 10 horas, o 2? Regimento Estrangeiro de Pára-Quedistas da Legião Estrangeira (2? REP), baseado em Calvi, Córsega, foi designado para se deslocar no prazo de seis horas. Mas as ordens executivas só chegaram à lh30 da madrugada seguinte. Às 8 horas o regimento estava na base aérea de Solenzara, pronto para partir.

O primeiro escalão embarcou naquela tarde em cinco DC-8 de carreira, seguidos pelo restante do contingente que foi junto com as armas e os veículos pesados, em aviões C-141 e C-5 da USAF. Os DC-8 aterrissaram no início da noite no porto de Kinshasa (capital do Zaire) e os legionários souberam que embarcariam para Kolwezi (a 2 000 km de distância) em quatro Hercules C-130 e em dois 'Transall C-160 da Força Aérea do Zaire. Teriam como tarefa resgatar todos os civis que estivessem aprisionados pelos rebeldes em Kolwezi e arredores. Pouco se sabia de concreto sobre o que acontecia em Kolwezi.

Os homens do 2° REP trabalharam toda a noite para se organizar e então foram colocados às pressas no avião. Poucos já tinham saltado de um C-130 e todos teriam de usar pára-quedas norte-americanos T-10, aos quais não estavam acostumados. Um pneu do C-160 estourou quando ele ia decolar e os legionários tiveram que ser distribuídos pelos outros cinco aviões. Oitenta pára-quedistas foram espremidos num avião feito para levar 66 pessoas. Eles não dormiam havia 48 horas. Depois de quatro horas de vôo, o 2° REP fez com sucesso seu primeiro salto operacional desde a derrota de Dien Bien Phu, e saltou diretamente sobre o objetivo e não a 1 km de distância, como fora previsto. Embora não houvesse resposta imediata, a ação foi rápida. A 1ª Companhia ocupou uma escola (Liceu João XXIII), a 2ª  apoderou-se de um hospital e de uma oficina e a 3ª tomou o Hotel Impala e uma ponte.

A noite transcorreu com ações esporádicas e, na manhã seguinte, os quatro C-130 e um C-160 chegaram com o restante do regimento. O comandante achou que não se justificava o risco de um salto noturno e mandou os aviões seguirem até perto de Lubumbashi. Ao amanhecer voltaram para o local da operação e lançaram os homens e os equipamentos com êxito total. Enquanto tudo transcorria, os legionários em terra continuavam em sua tarefa de resgatar prisioneiros, impor ordem na cidade e enfrentar (muito duramente) os Tigres na FNLC. Por volta do meio-dia de 20 de maio (dois dias depois da primeira aterrissagem) a situação em Kinshasa estava sob controle suficiente para que a 4ª Companhia avançasse em direção à cidade de Metal Shaba, ao norte. Ali deparou com uma grande força inimiga - que dispunha de infantaria motorizada, apoiada por dois tanques leves de fabricação soviética, mas acabou logo com ela.

Aos primeiros clarões de 21 de maio, a maior parte dos veículos de transporte do regimento chegava de Lubumbashi, logo seguida pelo restante da unidade. Totalmente mobilizadas, as companhias passaram os dois dias seguintes percorrendo os arredores à procura de rebeldes e prisioneiros. Encontraram grupos de europeus aterrorizados pelas violências dos Tigres.

Vitória

No dia 28 de maio, o 2? REP da Legião Estrangeira recebeu ordens para ceder seu espaço a tropas belgas, marroquinas e zairenses que se aproximavam, e se deslocar para Lubumbashi, de onde voltaria à Córsega em aviões C-141 da USAF. Na sua rápida operação, o 2° Regimento foi o responsável direto pelo salvamento de 3 000 europeus e africanos leais ao governo Mobutu. Cerca de trezentos Tigres da FNLC foram mortos e 163 capturados, com grande quantidade de armas e munições. Cinco legionários morreram em combate e 25 ficaram feridos. Levando-se em conta o rápido deslocamento da Córsega para Kinshasa e a precariedade do vôo para Kolwezi, bem como as condições adversas do local dos combates, o desempenho dos legionários foi excepcional. Foi possível dizer que o lema não oficial da Legião - Démerdez vous - correspondeu aos acontecimentos de Kolwezi.

1983: Líbano

Entre 1982 e 1984, diversas unidades serviram no Líbano, onde integraram a força internacional para manutenção da paz.

Em 1990: Uma nova estrutura de emprego

Os tutsis , caçados por massacres em 1959, voltam ao país em 1990, o iniciam uma guerra guerra civil contra os hutus. Em outubro, os governos franceses e belgas decidem por uma evacuação de seus cidadãos e tropas, entre elas legionários da CRAP  da 4ª Companhia do 2eme REP. Impondo respeito simplesmente por sua presença, essas tropas asseguram os pontos estratégicos durante 6 meses antes de partir.

De outro de 1990 a dezembro de 1993 os franceses realizam a Operação Noroît, dando apoio aberto ao regime de Juvénal Habyarimana (no poder desde junho de 1973) contra os rebeles da FPR. Com a chegada da força da paz da ONU UNAMIR (United Nations Assistance Mission for Rwanda), os franceses  passam as responsabilidades para militares para a ONU. Devido aos constantes problemas em Ruanda a França ainda lança neste país as operações  Amaryllis, Insecticide e Turquoise.

Desde 1990 de março, o poder do presidente do Gabão é abalado e conflitos começam a acontecer na cidade petrolífera de Port-Gentil. Em maio, são ameaçados os 6.000 residentes franceses e dificuldade de levá-los para Libreville faz com que o governo francês decida pela execução da Operação Tubarão.

A 2ª companhia do 2º REP e uma
companhia do 2º REI são enviadas em 24 de março para proteção da embaixada francesa e executar a evacuação dos residentes franceses.

Em 1991 os legionários foram mobilizados para enfrentarem o Iraque que tinha invadido o Kuwait. Mais de 2.500 legionários fizeram parte da Divisão Daguet na Operação Tempestade do Deserto. O 1er REC, 2ème REI e o 6ème REG participaram da expedição. A operação foi um sucesso e os combates em terra duraram apenas 100 horas, sem nenhuma baixa fatal.

A partir de  1992 a Legião participa de várias missões sob o comanda da ONU. A Legião intervém no Camboja (1992-1993), Somália (1992 e 1993), em Ruanda com a Operação Turquesa (julho a setembro de 1994).

Em 1992 guerra civil desfaz a ordem na Somália. As ONGS denunciam massacres e a fome que mata o povo somali. Em resposta a ONU envia tropas para restaurar a ordem.

Em 9 de dezembro, a 3ª companhia do 2° REP é parte do dispositivo multinacional que investe conta a capital da Somália Mogadishu. No dia 25 de dezembro, a companhia se une a 13eme DBLE. 

Em 1991 começam os conflitos na Ex-Iugoslávia. Primeiro na Croácia e depois na Bósnia em 1992. Tropas da ONU são enviadas para a região em 1992 e os legionários estavam entre elas. Sob a coordenação da OTAN são criadas a IFOR (Força de Implementação) e depois desta a SFOR (Força de Estabilização).

Os franceses operam em conjunto com os alemães integrando a brigada franco-alemã. A colaboração desses dois países  é fundamental para integração das forças armadas franco-alemãs que treinam e operam juntas na implantação dos acordos de Dayton. A destruição de armamentos e captura de criminosos de guerra estão entre as suas missões.

Devido as agitações políticas no Zaire e o aumento da violência a França decide enviar em 1996 uma missão para Malebo com o objetivo de montar uma possível evacuação de Kinshasa. Tropas do 2° REP no Gabão são postas em alerta e vão depois para Brazzaville, Congo (por vezes chamado Congo-Brazzaville para o distinguir da vizinha República Democrática do Congo) em 9 de novembro.

Lá, um grupo de comandos marinhos e destacado para cruzar o rio que separa as duas cidades em botes Zodíaco, enquanto uma Companhia do 2° REP assegura alguns edifícios velhos para instalar as pessoas que que seriam evacuadas pelos botes. Com a volta da tranqüilidade a missão é cancelada discretamente.

Em 1997 a crise no Zaire volta a fica séria e a França decide pela evacuação de seus cidadãos e envia tropas para Brazzaville, o 2º REP e o 8º RPIMa, para a execução da Operação Pelicano I em 17 de maio. Porém em 6 de junho, em Brazzaville lutas ente milícias diferentes que controlam a cidade complicam a situação da evacuação dos franceses e de outros europeus.

Os legionários do 2° REP reagem e apesar de três feridos e um morto, rechaçam os rebeldes que sofrem muitas baixas (15 mortos). A operação Pelicano I é executada com tropas do 8º RPIMa, o 2º REI e o 1º REC, que asseguram a evacuação dos europeus, cerca de 5.900 ao todo.

A Legião também participa de operações na Macedônia e em Kosovo. Em 2000, os legionários cumprindo ordens da OTAN foram para Kosovo para a cidade de Mitrovica, que tem uma rio que separa a cidade em dois, inclusive os distritos sérvios e albanês. A ponte simbólica foi colocada sob a guarda dos legionários para evitar conflitos ente os dois grupos étnicos.

A missão da Companhia de Reserva Operacional, da qual a 1ª companhia do 2° REP participava era dá suporte ao 3ème RIMa. Entre a manutenção da ordem e o combate real, a missão às vezes enfrentava situações delicadas multidões agitadas, notadamente no dia 14 de julho depois do disparos de foguetes no norte da cidade. Depois de três meses intermediando as partes em conflito os legionários voltam para Calvi.

Desde setembro de 2002 sérios problemas internos desestabilizam a República da Costa do Marfim, levando a uma iminente divisão do país ente norte e sul. Com o objetivo de estabelecer a estabilização ao país a França ativa a Operação LICORNE (Unicórnio). Esta operação envolveu cerca de 4.300 soldados franceses de manutenção da paz que foram desdobrados na Côte d'Ivoire com a missão de garantir a segurança dos seus concidadãos franceses que vivem no território ivoiriense e ajudar na aplicação dos acordos de paz de Linas-Marcoussis.

Entre as forças francesas enviadas para esta nação estavam tropas do 2° REP. O primeiro escalão para reforçar as forças francesas permanentes, veio da CEA do 2º REP em apoio a companhia temporária da 13eme DBLE em 28 de setembro de 2002, que estav programada para voltara para Djibouti. A missão da CEA era criar uma zona de interposição ente entre amotinados e forças legalistas.

Seguindo o endurecimento da situação o 2º REP é posto em alerta em Calvi e projeta enviar reforços para o dispositivo da
LICORNE em 7 de dezembro de 2002. Assim, cinco companhias vão participar  das operações na República da Costa do Marfim entre setembro de 2002 e março de 2003 (UCL, 1ª, 3ª, 4ª, CEA).

Em 2004, a Legião é enviada novamente para a Costa do Marfim e para o Haiti e Afeganistão. No começo de 2005, os soldado-construtores do 1er REG do 13ème DBLE levam seu auxílio às vítimas de desastres no Sudeste Asiático.

A manutenção e o restabelecimento da paz, a interposição, controle da multidão, ou coleta de armas: os legionários adaptam-se as suas novas missões, sem perder a sua capacidade de combate. Desde de 1831 cerca de 35.000 legionários deram suas vidas pela Legião Estrangeira Francesa.



LEGIÃO ESTRANGEIRA - PARTE II


O que você achou desta página? Dê a sua opinião, ela é importante para nós.

Assunto: Legião Estrangeira Francesa