OPERAÇÃO RIBEIRINHA


Uma Operação Ribeirinha, no Brasil conhecidas também por OpRib, se desenvolve em uma área ribeirinha (conhecida como ARib), que é uma área interior, compreendendo hidrovia fluvial ou lacustre e terreno, caracterizada por linhas de comunicações terrestres limitadas e pela existência de extensa superfície hídrica ou rede de hidrovias interiores, que servem como via de penetração estratégica ou rotas essenciais ou principais para o transporte de superfície.

As ARib normalmente estão sujeitas a inundações periódicas, sua vegetação é típica de terrenos alagados como pântanos, manguezais ou florestas tropicais. O seu clima e as condições meteorológicas são bastante instáveis. A umidade elevada é um problema que afeta diretamente sistemas de armas e suprimentos, levando-os a um desgaste mais rápido e/ou deteriorização.

Entre as operações ribeirinhas famosas podemos citar:

 

Objetivos

O Objetivo de uma OpRib é o de obter e manter o controle da ARib, ou parte dela, negando ao inimigo o seu uso efetivo. Para esse controle existir se faz necessário também o controle de áreas terrestres (chamadas de ATer) adjacentes a ARib. A OpRib também tem por finalidade é claro a destruição das forças inimigas.

Na busca destes objetivos deve-se ter mobilidade maior do que o inimigo, usando para isso forças aeromóveis ou explorando ao máximo a mobilidade fluvial. Também é importante o controle das populações ribeirinhas, o controle dos acidentes capitais que permitem controlar a circulação na área, o domínio dos cursos  de água, e se faz necessário pelo menos a superioridade aérea local.

Em uma região dominada por hidrovias é comum a existência de grande espaços vazios, que podem ser muito bem usados para a realização de incursões e emboscadas, além da obtenção de recursos. É fundamental negar ao inimigo qualquer vantagem e por isso esses espaços precisam ser ocupados pelas forças de segurança ou monitorados, usando-se neste caso uma eficiente rede de inteligência militar, que pode lançar mão de reconhecimento aéreo. 

Mobilidade

Devido a grande restrição de mobilidade terrestre, os movimentos ficam praticamente condicionados as hidrovias e aos deslocamentos aéreos. O uso de blindados e veículos de assalto é obviamente na pratica, descartado. 

Como muitas vezes a opção aérea é limitada, os eixos hidroviários assumem uma grande importância para o transporte de suprimentos e tropas. Por isso deve-se para o sucesso da operação, a tomada e conservação de acidentes geográficos que permitam o controle e monitoramento da circulação na região.

O transporte aéreo então se destina a movimentos táticos ou para ressuprimentos emergenciais, pois o transporte aéreo transpõe os obstáculos naturais com facilidade. 

Logística

É importante notar que devido a carência de recursos locais, as força envolvidas na OpRib devem deslocar para o Teatro de Operações todos os suprimentos necessários,  que devem ser estocados em locais seguros e facilmente desdobrados pelo pessoal da logística. O apoio logístico é prejudicado pela descentralização das ações em uma OpRib e pela limitação de meios de transporte.

Coordenação

Algo muito importante quando se usa uma considerável quantidade de meios navais, terrestres e aéreos, é a busca pela coordenação de todos os meios e forças. Isso se dá através do estabelecimento de um comando unificado, que ira reduzir de forma significativa todas as complexidades de uma OpRib.

Os postos de comando das forças ribeirinhas, normalmente, localizam-se nas bases de combate dos diversos escalões. Essas bases constituem pontos focais, de onde se irradiam as operações e o respectivo apoio e para onde converge o apoio logístico dos escalões superiores.


Força Terrestre


Deve-se tem em mente que a OpRib se desenvolve essencialmente em terra. Por isso as necessidades da força terrestre para o cumprimento de sua missão determinam o valor e a organização das forças navais e aéreas, entre outras. As principais peças de manobra são de valor unidade, que podem ser organizadas e adestradas como equipes de desembarque ribeirinhos. A equipe de desembarque básica tem o valor de um pelotão de fuzileiros reforçado; é transportada para o assalto em embarcação adequada à região de operações, o que facilita o desembarque da tropa e o apoio de fogo direto às ações.

Por vezes, em virtude da impossibilidade das forças navais atuarem em toda a área ribeirinha, a Força Terrestre pode ser dotada de embarcações fluviais táticas velozes, de fácil manuseio e manutenção, para cumprir missões de nível tático e em seu próprio proveito.

A lancha rápida demonstrou ser o tipo de embarcação mais adequado para a missão de transferir grupos de Soldados/Fuzileiros Navais dos navios para as margens dos rios. Os “Hovercrafts” e mesmo os botes de borracha mostraram-se totalmente inadequados para a operação nos rios, como os da Amazônia, em função do grande número de troncos de madeira flutuando ou submersos, capazes de literalmente despedaçá-los.

As lanchas rápidas devem ter um raio de ação o maior possível, sem prejudicar sua leveza, possibilitando seu transporte via aérea (helicópteros) e até mesmo terrestre, através de picadas abertas na floresta a margem dos rios. Esses lanchas rápidas têm funções de esclarecimento, infiltração de precursores, ações de comando, estabelecimento de linhas de comunicação com a frente de combate, cobertura e piquete de navios, minagem, etc. Essas lanchas podem está armadas com canhões de 20 mm ou metralhadoras .50 pol.

A Força terrestre deverá está armada com morteiros pesados, lança-rojão, obuses de pequeno calibre, lanchas rápidas artilhadas, ter facilidade para o lançamento de minas cativas e flutuantes, mísseis antiaéreos  e mísseis anticarro para emprego contra navios e lanchas. Unidades da Força Terrestre poderiam  preferencialmente se localizar na confluência de dois rios, negando acesso aos cursos superiores e garantindo suas próprias rotas de fuga. Força Terrestre poderia contar também com o apoio de aviões e helicópteros de observação e de ataque leves em suas missões de combate. 

O combatente em si deverá usar preferencialmente uma cobertura flexível, como gorro ou chapéu de abas, uniforme camuflado, carregar no mínimo dois cantis com água, devido as temperaturas extremamente elevadas, um facão de cerca de14 polegadas com bainha, rede de selva, mosquiteiro e uma mochila com outros itens. Sua arma individual deve ser compacta, como o PARA-FAL de 7,62mm ou o M16A2 e a carabina M-4 de 5,56mm, mais apropriados ao uso dentro de embarcações fluviais e helicópteros de transporte. O uso de metralhadoras FN MAG 7,62 mm ou Minimi 5,56 mm também é comum.

Os homens da Força Terrestre deverão está aptos a realizarem missões em ambiente de selva, combate em localidades ribeirinhas, controle de vias fluviais e margens adjacentes, ações de guerrilha e contraguerrilha, dominarem técnicas apuradas para camuflagem, além do emprego de técnicas de ação imediata.

A Força Terrestre contaria também com o apoio de elementos da Engenharia de Combate. Eles teriam a função de remoção ou implantação de campos minados, além de armadilhas e o agravamento ou construção de obstáculos, dificultando a mobilidade do inimigo. 

A artilharia pode ser usada para apoiar a Força Terrestre a partir das praias dos rios, de estradas existentes ou de embarcações. Neste caso ela pode fica em embarcações, plataformas flutuantes ou pontões. Aeronaves artilhadas também podem desempenhar com grande mobilidade esta função.

O Brasil tem excelentes unidades terrestres, habilitadas para OpRib. O Exército brasileiro tem por exemplo o 17º Batalhão de Fronteira, que é uma das unidades da 18ª Brigada de Infantaria de Fronteira apta a ser empregada no complexo ambiente operacional pantaneiro. Este batalhão conduz estágios de operações no Pantanal para militares do Comando Militar do Oeste, onde se sobressaem as ações ribeirinhas.  

A Marinha do Brasil conta com o Batalhão de Operações Ribeirinhas (BtlOpRib), que possui cerca de 900 homens está capacitado a realizar operações ribeirinhas, prover guarda e proteção às instalações navais e civis de interesse da Marinha na região amazõnica e realizar ações de segurança interna, a fim de contribuir para a segurança da área sob jurisdição do 4ºDistrito Naval e para a garantia do uso dos rios Solimões, Amazonas e das hidrovias secundárias, atingíveis a partir da calha principal desses dois rios.

Artilharia em operação durante uma OpRib

Embarcações que podem ser utilizadas pela Força Terrestre durante uma OpRib


Base Logística do Exército brasileiro



As famosas "voadeiras", lanchas rápidas, usadas pelo Exército brasileiro, 

para o transporte de patrulhas de esquadra

 

 

Embarcação Taquari com capacidade para 90 pessoas

 


 

Desembarque - Momento de tensão

 

 

 

 


Força Naval


As OpRib são operações navais não convencionais. As embarcações para as operações ribeirinhas são fornecidas pelas forças navais e podem ser apoiadas por embarcações fluviais táticas da Força Terrestre. Este último caso apresenta a vantagem de reforçar as ações navais e de simplificar o controle dos meios, deixando aos elementos navais as tarefas peculiares ligadas ao transporte tático dos efetivos, ao domínio dos cursos de água e ao apoio à Força Terrestre, no que se refere a escolta de comboios, apoio de fogo aos desembarques, apoio logístico, patrulhamento fluvial, minagem e varredura.

As principais ameaças para o meios navais são as minas, os mergulhadores de combate, que podem ser lançados por helicópteros, ataque de aeronaves e os ataques vindos das margens. Neste último caso os armamentos modernos, leves e de fácil manuseio, são ameaça constante aos meios fluviais militares. A vegetação proporciona excelentes posições de tiro camufladas para a utilização daqueles armamentos. A defesa aérea das embarcações sofre algumas limitações, pois normalmente as aeronaves inimigas voam a baixa altitude.

As principais embarcações usadas em uma OpRib devem ser:

Algo importante a ser lembrado é que Navio não engaja nunca. Ele opera normalmente em área seguras, penetrando esporadicamente em áreas de pouca atividade inimiga para o lançamento e recolhimento de vetores e estabelecimento pioneiro de plataformas de apoio aos vetores, que irão operar em áreas de operação do inimigo ou onde a sua atividade é intensa.

O alto contraste visual entre o navio e o terreno torna-o um alvo aéreo e terrestre muito fácil. Dada a escassez de população e atividade econômica na área, o ruído próprio emitido pelos navios (motores principalmente) é percebido a grandes distâncias, negando o fator  surpresa às operações.

Dada sua indiscrição, as restrições a sua movimentação impostas pelo canal navegável e o limitado horizonte visual, radar e rádio imposto pela vegetação, o navio é facilmente emboscado pelo inimigo nas margens, por aeronaves ou por lanchas rápidas.

O grande poder de fogo das armas portáteis modernas (lança-rojão, mísseis anticarro, etc.) toma inviável a blindagem do navio para impacto direto de projeteis destas armas.

Na seca, os estreitos canais de navegação e o aumento de velocidade de corrente nestes canais tornam o navio alvo fácil de minas flutuantes lançadas a montante pelo inimigo desde grandes distâncias.

O navio, ao entrar numa zona em que a presença do inimigo é real, deverá estabelecer um perímetro defensivo de dimensões compatíveis com a intensidade da atividade inimiga e de seu armamento disponível, através de piquetes fluviais (lanchas rápidas), aéreos (helicópteros ligeiros) ou terrestres (infiltração de precursores), de canhões de alta cadência (40 mm) para defesa contra lanchas rápidas e desfolhamento das margens, e de metralhadoras antiaéreas.

As velocidades baixas do navio(10-15 nós) são limitadas pelos seguintes fatores: menor indiscrição (ruído de máquinas): navegação em águas restritas e minimização do efeito do banzeiro (marolas) gerado, que é destrutivo para as populações ribeirinhas (a principio, o navio opera para defendê-las!).

Dado que o navio tende a não engajar, este deve estar associado a uma variedade de vetores que projetem o seu poder dentro de uma zona em que a atividade inimiga é intensa. Para tal, deve ser capaz de transportá-los (embarcados, a reboque, empurrados ou navegando em formatura, dando-lhe suporte) e apoiá-los (gêneros, água potável, munição, combustível, manutenção e reparo, tripulação).

Os vetores devem ter múltiplos empregos, tais como patrulha, assalto, transporte de pessoal, material e combustível, infiltração de precursores, apoio de fogo, minagem e varredura, etc.

Numa OpRib, o navio deve desempenhar algumas funções bem definidas, como:


Força Aérea


O apoio aéreo a OpRib é muito importante. A necessidade de cobrir grandes áreas rapidamente faz com que as aeronaves sejam um fator importante para o sucesso de uma OpRib. É importantes destacar que os pilotos devem está aptos a operarem a noite com óculos de visão noturna. O helicóptero é a aeronave ideal para a OpRib.  Entre as muitas funções desempenhadas pelas aeronaves em uma OpRib podemos citar:

Nas operações de ataque os helicópteros podem está armados com metralhadoras de 7,62 mm, lançadores de foguetes de 70mm ou canhões de 20 mm. Uma combinação destas armas é o normal, dependendo da aeronave. Normalmente se armam os helicópteros utilitários para missões de ataque, devido a ausência de helicópteros específicos para ataque. 

Muitas aeronaves de asas rotativas operaram como aeronave orgânica de alguma embarcação. Essa aeronave deverá ser um helicóptero de porte médio para esclarecimento, infiltração de precursores, transporte de pequenas cargas e tropas e estabelecimento de linhas de comunicação

As aeronaves de asa fixa também são usadas com eficiência em uma OpRib. Elas normalmente são utilizadas para missões de transporte de suprimentos e armas, vigilância e ataque. Quando se necessita de maior apoio de fogo, o melhor é recorrer a aeronaves de asa fixa. Elas podem transportar uma maior quantidade de armas como canhões de 20 mm, metralhadoras de 12,7mm, mísseis, bombas de emprego geral, bombas inteligentes, napalm entre outras. Os aviões a hélice como o AT-29 são idéias para essas missões, mas caças como o A-1 da FAB ou o AF-1 da MB também podem ser usados com sucesso.