Perfil da Unidade

SAYERET MAT'KAL


Sayeret Mat'kal, em português Unidade de Reconhecimento Geral, ( em hebraico סיירת מטכ"ל ). Conhecida como a "Unidade", é a mais secreta e mais especializada das Forças Especiais das FDI - Forças de Defesa de Israel, além de ser considerada uma das melhores unidades do mundo, e uma das mais qualificada em antiterrorismo, equiparando-se, segundo alguns especialistas, ao famoso 22 SAS britânico.

A Sayeret Mat'kal foi criada por Abraham Arnan em 1957 como Unidade 269, por veteranos da Unidade 101 do Batalhão 890 da Brigada de Pára-quedistas Sayeret do Serviço de Inteligência Militar do Exército israelense (Aman). A unidade deveria ser capaz de penetrar em território inimigo para recolher inteligência altamente secreta. A Sayeret Mat'kal combinou a experiência operacional recolhida pela Unidade 101 e adotou os métodos e organização do SAS britânico. A unidade é conhecida simplesmente pelo apelido de "A unidade". O seu lema é o mesmo do 22 SAS: "Who Dares Wins". A Sayeret Mat'kal foi formada um ano depois que o primeiro esquadrão de helicópteros das FDI se tornou operacional em 1957. Com uma cooperação próxima entre as duas unidades, era possível aos homens da Sayeret Mat'kal se desdobrarem para locais mais distantes e profundos dentro do território inimigo.

Embora uma unidade altamente secreta a Sayeret Mat'kal teve forte influência nas técnicas e métodos das Forças de Defesa de Israel. Seus homens foram os colaboradores originais das técnicas de infiltração com helicópteros em Israel. Além disso, seu uso extenso das sub-metalhadoras UZI convenceu as indústrias militares israelenses a produzirem Uzis para a manutenção de um grande estoque. Com o passar do tempo a unidade se especializou além da coleta de inteligência, na luta antiterrorista, e no resgate de reféns. Os membros da nova unidade foram treinados para verem e pensarem como árabes. No início de sua formação e por toda a década de 1960 a unidade Sayeret Mat'kal era mais uma unidade de infantaria de elite. A sua jornada para se tornar uma referência em contraterrorismo seria longa e com duras experiências.

A primeira excursão de retaliação, no exterior, contra o terrorismo, foi realizada em 28 de dezembro de 1968, após o atentado no aeroporto de Atenas, dois dias antes. Comandos Sayeretforça especial subordinada ao chefe do Estado-Maior do Ministério da Defesa – foram enviados a Beirute, de onde haviam partido os terroristas. No Aeroporto Internacional de Beirute, um grupo, chegado de helicóptero, à noite, explodiu 13 aviões vazios da Middle East Arlines do Líbano e outras empresas árabes. O Ministro da Defesa de Israel era, então, o general Moshe Dayan. Essa operação ficou teve o nome de Operação Gift.

Em 1968, em cooperação com a Força Aérea de Israel, a unidade Sayeret Mat'kal participa da Operação Shock, que consistia da sabotagem de usinas e pontes no Nilo, Egito. No ano de 1969 durante a Guerra de Atrito homens da Sayeret Mat'kal realizam as Operações Orchard 22 e Orchard 37, que consistia de assaltos contra linhas de alta voltagem e uma antena de comunicações no Egito.

Assalto Ilha Verde - 1969 - Operação Bulmus 6

No dia 19 de julho de 1969, durante a Guerra de Atrito, e Egito enviou uma unidade de commandos através do Canal de Suez para atacar a posição defensiva israelense em Mezach. Sete israelenses foram mortos, cinco ficaram feridos e outros foram feitos prisioneiros e levados para o Egito. A maioria desses soldados eram reservistas, e o ataque gerou um grande desconforto e o moral baixo em Israel e as autoridades israelenses planejaram uma resposta afiada.

As Forças de Defesa de Israel deram ao SHAYETET 13, commandos navais, a responsabilidade da retaliação. O alvo seria a Ilha Verde, ou chamada também de Al Jazeera Al Khadraa, que era uma fortificação de pedra e concreto, que os egípcios consideravam um símbolo do poder militar da nação. Sua guarnição era de setenta soldados de infantaria e doze commandos egípcios da As-Sa'iqa.

A Ilha Verde ficava na extremidade sul do Canal de Suez. A fortificação foi construída pelos britânicos durante a Segunda Guerra Mundial para proteger o Canal de ataque pelo ar e mar. Era grande e imponente e media mais de 450 pés de comprimento e 240 pés de largura, construído em cima de corais e feito de concreto reforçado. A posição fortificada já tinham chamado a atenção dos israelenses antes, pois a quatro meses atrás uma equipe especial de reconhecimento, formada por quatro homens, realizou um reconhecimento da Ilha Verde.

O comandante da operação Bulmus, Shmuel Almog, da Shayetet 13, calculou que seriam necessários 40 homens para o assalto. Mas como a sua unidade só poderia oferecer 30, devido aos altos padrões de treinamento exigidos por Almog, a Sayeret Mat'kal forneceu o restante. Os homens da Sayeret Mat'kal seriam comandados por Menachem Digli. Os comandos só tinham uma semana para planejar e executar o assalto.

A única forma segura de se aproximar da posição inimiga era subaquática, qualquer outra implicaria sérios riscos a força de ataque. A opção de destruir a posição inimiga com um ataque aéreo fora descartada pois se vivia um contexto de guerra de atrito e não de guerra aberta, e Israel não queria elevar o nível das hostilidades. Um ataque com artilharia também seria possível, pois a fortificação estava ao alcance das baterias israelense, mas não se queria apenas destruir a Ilha Verde, Israel queria provar que seus commandos também eram perigosos e podiam destruir posições inimigas mais fortificadas que a as da Linha Bar Lev e desmoralizar o inimigo. Os objetivos prioritários do assalto seriam a destruição dos canhões antiaéreos de 85mm (a guarnição também tinha canhões antiaéreos de 37mm), depois o edifício principal, o local onde funcionavam um radar e a ELINT.

Existiria duas ondas de assalto. A primeira onda com o pessoal da Shayetet 13 (20-30 commandos navais), iriam em botes Zodiac até um certo ponto e depois os commandos iriam submersos até a posição inimiga. A primeira onda consistia de quatro equipes de dois oficiais e três commandos cada um e partiria da vizinhança de Ras_Sudar no banco leste do golfo de Suez às 20:30. Cada homem carregaria 40kg de equipamentos e armas.

A segunda onda seria composta pelos homens da Sayeret Mat'kal, que não tinham treinamento em operações subaquáticas, equipe médica, equipe de extração e pessoal de comando e controle. A segunda onda só seria acionada quando a munição da primeira onda começasse a acabar. A primeira onde teria que fixar a sua posição na praia e abrir caminho através das defesas inimigas com 3 camadas de arame farpado. A segunda onda seguiria pelo caminho aberto entre o arame farpado.

Chegando a praia os commandos navais tinham que dedicar algum tempo para preparar as suas armas, munições, granadas e outros equipamentos que foram condicionados para a travessia subaquática. A maioria dos commandos navais usavam os AK-47, melhores do que a conhecidas Uzis, para ações debaixo d´água.

O recolhimento da inteligência foi bem preciso e constatou que os egípcios estavam bem alertas e com moral alto. As sentinelas estavam armadas com AK-47 e carregavam lanternas que vasculhavam a água em busca de mergulhadores. O treinamento foi intenso. Na noite anterior ao assalto, a força tarefa combinada treinou duro e revisou todos os passos da operação. Cada posição no mapa foi memorizada, o tempo cronometrado, e todas as armas foram mais uma vez checadas.

Os commandos da Shayetet 13 deixaram a sua base localizada no banco leste do Canal de Suez às 19:45 de 19 de julho de 1968. Cada commando além de sua arma pessoal, levava munição de reserva, kit de primeiros-socorros, cantil, uma lanterna elétrica e equipamento de mergulho. As 20:30 a força alternativa do Sayeret Mat'kal juntou-se a força principal, em 12 botes Zodiacs. Por volta das 22:30 os israelenses estavam a uma milha da posição fortificada do inimigo.

Quando era 1:30 da madrugada os commandos navais não tinham alcançado ainda seu alvo. Eles nadavam, e não mergulhavam, com dificuldades devido a forte correnteza, mas  mantiveram o elemento de surpresa. A 15 metros da fortificação o líder dos commandos da Shayetet 13 observou dois sentinelas armados. Ele ordenou que seu pessoal mergulha-se e removessem o seu equipamentos de mergulho.

Oito minutos mais tarde, com seu equipamento protegido, vinte figuras emergiram da água e apontaram seus AK-47 e Uzis contra as sentinelas. Quando alguns dos commandos navais da primeira equipe começaram a cortar através do arame farpado, para permitir que a segunda equipe avançasse para atacar a posição, uma sentinela egípcia começou a andar para eles. Um commando naval caiu, o que alertou um outro soldado egípcio, que arremessasse um granada contra o local. Três israelenses foram feridos e a batalha engolfou toda a fortificação. Como os egípcios saindo de seus alojamentos, os commandos israelenses começaram um combate aproximado, lançando granadas de fumaça nos ninhos de metralhadoras do inimigo para obstruir temporariamente sua visão. Muitas das armas e munição dos commandos estavam inoperantes, devido estarem muito tempo debaixo da água e porque a profundidade do mergulho foi maior do que o planejado. Até um rádio de um dos líderes estava fora de operação. O ataque dos commandos navais foi apoiada por um destacamento do Shayetet 13 que estava na posição sul da fortificação e estava dotada de uma bazooka e de uma metralhadora leve, esse equipamento foi trazido por um Swimmer Delivery Vehicles (SDV).

Esperava-se que os homens do Sayeret Mat'kal desembarcasse assim que começassem os combates, mas isso não aconteceu e o pessoal do Shayetet 13 avançou assim mesmo. Alguns deles escalaram paredes e de uma posição mais alta disparavam contra o inimigo e atiravam granadas.

Muitos commandos israelenses foram feridos durante o seu avanço. Como não sabiam se a segunda onda ia chegar a tempo ou não, os commandos atacaram também os bunkers inimigos “reservados para o Sayeret.” Os egípcios defenderam suas posições com tenacidade, depois que a surpresa do ataque se fora. Vários israelenses foram mortos no assalto. Como os egípcios endureceram a resistência se recusavam a abandonar as suas posições todas os bunkers tiveram que ser silenciados.

Apenas 17 minutos depois de iniciado os combates, 20 homens da Shayetet 13 tinham atacado toda a fortificação. Neste momento chegou então a força da unidade Sayeret Mat'kal. Aproximadamente a metade dos commandos navais já estava ferida - incluindo o primeiro tenente Ami Ayalon, que no futuro chegou a ser o chefe da comunidade de inteligência de Israel. Ela ganhou uma medalha por ato de bravura.

As forças israelenses continuaram a atacar a fortificação inimiga. Controlaram a seção superior da Ilha Verde, mas para realizar a sua destruição precisavam limpara toda a resistência do pátio logo abaixo deles. Tiveram que realizar combate extremamente aproximado, pois toda a fortificação não era maior do que um campo de futebol. O sistema adotado era simples e eficaz. Os Commandos em linha encostados nas paredes lançavam então um granada de fragmentação no interior da posição inimiga. Os inimigos que não fossem mortos pela explosão da granada eram eliminados pelas armas automáticas dos commandos quando estes entrassem no recinto.

Operador do Shayetet 13, armado com sua "arma padrão", um AK-47 de fabricação russa.

Muitos dos commandos israelenses foram feridos por fogo amigo, alguns até mortos. Os barcos Zodiac estavam enchendo-se com os homens feridos. Os soldados na frente de batalha continuaram a tentar dominar a posição inimiga, até que um desenvolvimento inesperado ocorreu. Os comandantes egípcios, considerando que a Ilha Verde estava sob o ataque de commandos israelenses e que provavelmente estes já a tinham conquistado, ordenaram que dúzias de baterias egípcias de 130 mm, localizadas no Banco Ocidental do Canal de Suez, disparassem contra a fortificação. Quando as granadas da artilharia começaram a cair, primeiramente no mar, aumentando a sua precisão, os commandos israelenses entenderam que era hora de se retirar do local.

As 2:25 da manhã de 20 de julho, Shmuel Almog e Menachem Digli requisitaram a evacuação de suas forças. As unidades israelenses tinham ocupado 2/3 da fortificação. Eliminaram as forças egípcias restantes e as aquelas que tentavam escapar, e quando as unidades egípcias do banco ocidental se retiravam, três oficiais israelenses preparam uma carga explosiva causassem uma grande destruição a fortificação. As unidades da Shayetet 13 e Sayeret Mat'kal iniciaram a evacuação às 02:55. Havia seis mortos (três da Sayeret Mat'kal e três da Shayetet 13) e quatorze feridos. A retirada se mostrou difícil com os os egípcios atirando contra eles. Um barco Zodiac foi perdido, vítima de fogo inimigo. As 03:10 os commandos israelenses ainda cruzavam o canal quando as suas cargas explosivas foram detonadas na Ilha Verde. A artilharia egípcia atacou furiosamente os botes e as praias do outro lado do Canal onde eles podiam desembarcar. Um outro barco foi atingido, mas a sua equipe foi resgatada por helicóptero por volta das 05:00, após nada várias horas nas águas do Canal.

A operação contra a Ilha Verde foi classificada como altamente secreta por cerca de 20 anos. Os comandos israelenses eliminaram 80 soldados egípcios, quase toda a guarnição inimiga. Esse assalto colocou todas as fortificações do Egito em alerta total e alta tensão, pois os egípcios acreditavam que qualquer alvo podia ser atacado pelos commandos israelenses, desde posições de radar até quarteis-generais no Cairo. As guarnições foram reforçadas, e os nervos ficaram a flor da pelo, com os sentinelas egípcios atirando em sombras, por muito tempo, temendo que a sua posição se tornasse a próxima Ilha Verde. Depois da invasão a Força Aérea de Israel explorou o furo na defesa aérea do Egito e realizou cerca de 300 combates aéreos contra aviões egípcios, além de vários bombardeios. O Commando naval conduziu outras 80 invasões ao longo do canal de Suez até o cessar fogo de 1970, terminou a Guerra de Atrito.

A Guerra de Atrito se enfureceu ao longo do Canal de Suez, com o Egito tentando recapturar a Península do Sinai que Israel tinha conquistado durante a Guerra dos Seis Dias. O Egito tinha recebido uma quantia considerável de equipamento militar, inclusive tanques, sistemas de radar e armas, da União Soviética. Durante a última guerra em 1967, Israel tinha capturado algumas destas remessas de equipamento militar que tinham permitido a esta nação ganhar muita inteligência sobre as fraquezas da defesa aérea egípcia e desenvolver métodos de guerra eletrônica. Como sistemas mais novos estavam chegando no Egito, Israel começou a montar um esforço secreto para aprender a lidar com estes novos equipamentos. O conhecimento da capacidade inimiga e de como lidar com ela era de suma importância para a Força Aérea de Israel. Missões de reconhecimento mostraram que um sistema de radar P-12 tinha sido colocado na praia de Ras-Arab. Um ataque aéreo israelense contra este radar foi ordenado, mas quando os aviões estavam prontos para decolar , veio uma ordem cancelando o ataque, pois os israelenses decidiram capturar o radar.

Os planejamentos para a Operação Rooster 53 começaram no dia 24 de dezembro de 1969. Com o sinal verde da cadeia de comandando das Forças de Defesa de Israel, as forças especiais israelense e a Força Aérea de Israel começaram a treinar para a operação, usando sistemas de radar que tinham sido capturados durante a Guerra dos Seis Dias. Com decisão de capturar o radar russo e levá-lo para Israel, os novos helicópteros Ch-53 Sikorsky Yasur  foram escolhidos para transportar o radar para o território israelense.

A missão foi lançada às 21:00 do dia 25 de dezembro de 1969. Aviões A-4 Skyhawks e F-4 Phantoms começaram a atacar as forças egípcias ao longo do banco ocidental do canal de Suez e do Mar Vermelho. Encobertos pelo barulho dos jatos atacando, três helicópteros Aérospatiale Frelons Super, levando comandos do Sayeret Mat'kal, pousaram perto do seu objetivo. Fazendo a aproximação cuidadosamente para não serem detectadas, as tropas pegaram de surpresa o leve contingente de segurança da instalação de radar e depressa tomaram o controle do local. Antes das 2 da manhã, no dia 27 de dezembro, quando os comandos israelenses já tinham desmontado a estação de radar e a separado em várias partes, os dois helicópteros CH-53 foram chamados para cruzar o Mar Vermelho. Um CH-53 levou a caravana de comunicações e a antena do radar, enquanto o outro levou quatro toneladas de equipamentos do radar. Os dois helicópteros atravessaram o Mar Vermelho para o território controlado por Israel.

As quatro toneladas transportadas pelo CH-53 era realmente mais pesada do que o helicóptero foi projetado para levar e logo se arriscou a conclusão segura da operação. Os cabos que conectavam o radar ao helicóptero estavam presos por baixo da aeronave e causou um rompimento do óleo hidráulico. Enfrentado a questão de liberar a carga ou perder o controle da aeronave e cair, o capitão do helicóptero conseguiu cruzar a linha de água com Israel. Com o que resto de seu último de seu óleo hidráulico, o piloto pousou o helicóptero no deserto, em território dominado pelos israelenses. O segundo CH-53 que já tinha chegado com sua carga mais leve, foi mandado de volta para resgatar a carga do radar do local de aterrissagem do primeiro helicóptero. Uma vez mais a carga pesada quase causou a queda do helicóptero mas o radar foi entregue finalmente ao ponto designado, nas mãos dos especialistas de inteligência.

Embora uma tentativa foi feita para esconder a missão e seu sucesso, a operação foi tornada público uma semana depois pela imprensa estrangeira. O próprio radar foi estudado completamente e a IAF passou a contar com novas contramedidas conta as defesas egípcias, removendo uma ameaça a superioridade de ar israelita sobre o Canal de Suez. O radar foi entregue depois para os EUA., igual a outro equipamento capturado antes.

Em cooperação com a Shayetet 13, commandos navais, em 22 de janeiro de 1970, a unidade Sayeret Mat'kal realiza a Operação Rhodes, um assalto contra fortificações na Ilha Shadwan, golfo de Suez. Helicópteros Aerospatiale SA 321K Super Frelon (Tzir'a), foram usados para desembarcar commandos israelenses na ilha. A operação resultou em uma perda de 19 vidas egípcias e 62 prisioneiros do Egito. Israel perdeu 3 soldados e teve seis feridos.

No dia 8 de maio de 1972 um avião Boeing 707 das linhas aéreas belgas, a Sabena, que voava de Viena para Tel-Aviv, foi seqüestrado por quatro terroristas do Setembro Negro. O vôo 571 de Bruxelas para Tel-Aviv, pouso como previsto no aeroporto de Lod, em Israel. Os terroristas mantiveram 100 passageiros e os tripulantes como reféns, e exigiram a liberdade de 317 guerrilheiros palestinos presos em Israel ou explodiriam o avião com todos dentro.

Homens da Sayeret Mat'kal iniciam a Operação Isótopo

Às 04:22 horas do dia seguinte, 9 de maio, um comando Sayeret Mat'kal, com 16 homens disfarçado com os macacões brancos do pessoal de manutenção da aeroporto, executou a Operação Isótopo, invadiu o Boeing e matou dois dos quatro terroristas, prendendo os outros dois (duas mulheres) em 10 minutos. Essas duas mulheres foram libertas numa troca futura de prisioneiros durante a guerra no Líbano.

Uma passageira israelense morreu e os outros reféns foram libertados, porém três ficaram feridos. A operação foi comandada por Ehud Barak, legendário membro da unidade, que viria a se torna primeiro-ministro de Israel no futuro. Outro comando era Benjamin Netanyahu, que também se tornaria primeiro-ministro de Israel. Netanyahu foi ferido acidentalmente por fogo amigo, mas ficou bem. Esta foi a primeira missão de resgate de uma aeronave oficialmente reconhecida. As técnicas de invasão de aeronaves desenvolvidas pela unidade e pela Yamam, nas décadas de 1970 e 1980 ainda são usadas em todo o globo.

O avião seqüestrado continuou a servir a Sabena por cinco anos, até ser comprado pela industria aérea de Israel e depois vendido para a Força Aérea de Israel, onde serviu como avião espião por muitos anos e participou da maioria das operações de longo alcance da força aérea.

Ehud Barak (3ª a partir da esquerda) liderou a Operação Isótopo.

Em junho de 1972, a unidade Sayeret Mat'kal realizou a Operação Crate 3. Três aviadores da Força Aérea de Israel tinham sido capturados por autoridades sírias e Israel não estava em posição de negociar sua libertação, pois não tinha nenhum trunfo para isto. Dai veio a ordem para que operadores da Sayeret Mat'kal capturarem cinco oficiais da inteligência síria que comandavam uma incursão de palestinos contra a fronteira de Israel. A operação foi um sucesso e se tornou uma marca registrada desta unidade de elite. Essa operação foi comandada por Yonatan "Yoni" Netanyahu.

Durante a Guerra do Yom Kippur em 21/22 de outubro de 1973 os homens da unidade Sayeret Mat'kal, juntamente com a Brigada Golani, participam da recaptura do Monte Hermon, tomado no início do conflito por uma força mista formada por homens do 82º Batalhão de Pára-quedistas e do 1º Grupo de Commandos sírios. Quando tomaram o monte os sírios levaram sofisticados equipamentos japoneses de observação para a Síria e de lá para a União Soviética. A retomada do monte Hermon foi muito dura. Um assalto realizado duas semanas antes custou 25 mortos e 67 feridos. Os cerca de 50 sírios (pára-quedistas e forças especiais) que guardavam a posição ofereceram uma dura resistência. Neste último assalto os israelenses tiveram 55 mortos e 79 feridos. As tropas israelenses usaram uma escavadeira (bulldozer) D9 para abrir caminho para a infantaria. As 11:00h o monte foi conquistado. Uma brigada de infantaria pára-quedista israelense tomou o posto sírio correspondente na montanha. A unidade também foi usada para a realização de emboscadas de interdição profundas no interior do Egito e da Síria, durante essa guerra.

A unidade Sayeret Mat'kal ao lado de tropas pára-quedistas, participou da Operação Spring of Youth, que eliminou alguns dos principais líderes terroristas da infra-estrutura da OLP em Beirute, Líbano, em 1973. Essa operação estava ligada a ação de retaliação de Israel em respostar ao atentado terrorista de 1972 em Munique, Alemanha Ocidental, em que 11 atletas israelenses foram mortos por terroristas palestinos ligados ao Setembro Negro. Para caçar os terroristas Israel formou equipes especiais da Mossad encarregadas de eliminar terroristas ligados ao atentado de Munique, na Europa Ocidental. No Oriente Médio as operação de retaliação ficariam a cargo das Forças de Defesa de Israel e suas unidades especiais.

Nessa época, devido ao fraco governo libanês, a presença da OLP - Organização para a Libertação da Palestina, no sul do Líbano era muito forte, bem como na região Oeste de Beirute, que na época era a mais ocidental das cidades árabes, repleta de turistas, hotéis e restaurantes de nível internacional. Também possuía cassinos, bancos e butiques francesas e italianas. Não muito longe estavam também estações de esqui, muito apreciada por árabes ricos em busca de liberdade.

 

Operador da Sayeret Mat'kal no Líbano na década de 1970, armado com uma Uzi com silenciador.

Em fevereiro de 1973 a inteligência israelense localizou em Beirute o paradeiro de três importantes terroristas da OLP. Imediatamente os israelense começaram a trabalhar para montar uma operação que eliminasse esses terroristas. Com as devidas informações os israelenses descobriram quem eram os terroristas, onde eles vivam, e conseguiram inclusive a planta arquitetônica do prédio de apartamentos onde os três moravam. Eles viviam no segunda e terceiro andar do prédio.

O plano de eliminação desses três terroristas e de parte da infra-estrutura terrorista no Líbano envolveria o uso de agentes do Mossad, unidades da Marinha, inclusive do commando naval Shayetet 13, aeronaves da Força Aérea de Israel e commandos do Sayeret Mat'kal, que na época eram comandados por Ehud Barak.

Os homens do Sayeret Mat'kal chegaria a Beirute disfarçados de turistas, alguns deles iriam disfarçados de mulheres (Ehud Barak estava ente esses), para desviar a atenção de um grupo só de homens. Desembarcariam de quatro botes infláveis Zodiac. Seriam formadas três unidade para atacar cada um dos apartamentos, mais uma unidade de cobertura para defender a força de assalto contra forças da OLP e/ou da polícia libanesa. Ehud Barak comandaria a unidade de cobertura. Esta unidade manteria contato com o QG operacional, situado nos navios israelenses posicionados na costa libanesa e que transportariam os homens do Sayeret Mat'kal.

Do ponto de desembarca localizado aproximadamente 10km do objetivo, os commandos seriam transportados por agentes do Mossad em três carros. Os agentes conheciam bem a cidade. Os homens da Mat'kal estariam armados com Uzis, cargas explosivas, pistolas e granadas, escondidas debaixo da roupa de turista. Calculava-se que 20 minutos após os primeiros tiros reforços da OLP e policiais libaneses chegariam ao local do assalto. Neste momento os commandos israelenses já deveriam está em seus botes, indo em direção aos barcos que os levariam para Israel.

Além dos três apartamentos, uma unidade da brigada de pára-quedistas (commandos Sayeret Tzanhanim), comandada por Amnon Shahak, recebeu a missão de atacar instalações da Frente Popular para a Libertação da Palestina de George Habash. Outra unidade de pára-quedistas em cooperação com o commandos navais do Shayetet 13 atacariam instalações da OLP na área de Tiro-Sidon. Os homens do Sayeret Mat'kal treinaram em prédio de apartamentos no norte de Tal Aviv, bem parecidos em sua construção com os que seriam atacados no Líbano.

Na segunda-feira, dia 9 de abril, os commandos do Sayeret Mat'kal , saíram de Haifa a borde de barcos lança-mísseis que os levaram para a costa de Beirute. Lá embarcaram em botes Zodiac e foram em direção a terra firme. Quando chegaram a mais ou menos cem metros da terra, desligaram os seus motores e remaram o resto do caminho. Lá carros dirigidos por agentes do Mossad esperavam por eles. Evidentemente o Mossad já tinha os agentes plantados no Líbano a algum tempo. Quando  entraram nos carros os commandos receberam um relatório em que foram informados de que três policial libaneses estavam patrulhando, inesperadamente, na frente a área dos apartamentos que eles iam atacar. Ehud Barak tomou uma decisão rápida para continuar com a operação apesar do obstáculo. Uma chamada para os seus superiores poderia ter conduzido facilmente ao cancelamento da operação inteira.

Quando os israelenses chegaram ao objetivo saíram dos carros e caminharam como um grupo de turistas onde havia casais de namorados. Eles passaram por policiais que nada suspeitaram. Ao chegar aos apartamentos não encontraram seguranças.

O grupo de Muki Betser entrou, subindo as escadas. Ao chegar na porta de um dos apartamentos os seus homens colocaram explosivos ali. Eles esperaram por um sinal das outras duas unidades de que estas também tinham colocados os seus explosivos e estavam prontas para agir. Com o sinal afirmativo as cargas foram acionadas. Quando aconteceram as detonações Ehud Barak informou ao nau-capitania que a operação começou, enquanto que as outras unidades das FDI recebiam sinal verde para iniciarem os seus ataques também.

Os commandos entraram nos apartamentos (a planta do local estava muito bem memorizada por eles) e eliminaram os seus alvos. Todo material de interesse da inteligência israelense foi capturado.

Enquanto isso começou um tiroteio lá em baixo na rua. Um Land Rover da policia libanesa apareceu e foi alvo dos disparos dos commandos israelenses. Atingindo por disparos das Uzis o veículo se chocou contra um edifício. Mas um segundo veículo, um jipe cheio de reforços apareceu, e também foi alvo dos israelenses e eliminado logo após. Os homens do Sayeret Mat'kal podiam ouvir ao longe as explosões causados pelos pára-quedistas de Amnon Shahak conta à sede de George Habash.

Os carros do Mossad vieram rápido, e pararam em frente ao edifício dos palestinos. Os commandos entraram apressadamente e foram em direção a costa. Só dois minutos tinham se passado desde que eles atacaram os seus objetivos no edifícios. Ehud Barak conferiu com os commandos das equipes do Sayeret Mat'kal. Ninguém tinha sido morto, mas um commando tinha estava ferido. No momento eles não tinham nenhuma notícia do que tinha acontecido com os pára-quedistas que atacaram o edifício de George Habash.

No caminho até a praia os carros se depararam com um blindado libanês que fazia uma patrulha na costa. Calmamente cruzaram o local e foram em frente. Os commandos chegaram na praia 10 minutos atrasados, a operação levou meia hora em vez dos 20 minutos planejados. Os commandos entraram em seus botes e foram até os navios que os levaram para Israel. Os agentes do Mossad voltaram para seu país por outros meios. Com a eliminação de três importantes líderes terroristas e a destruição de fábricas e depósitos de armas terroristas em Beirute, Tiro e Sidon, a Operação Fonte da Juventude foi uma das mais bem sucedidas das Forças de Defesa de Israel e suas forças especiais. As baixas israelenses foram

Alvos principais:

  • Al-Najjar de Muhammad Youssef (Abu Youssef) - Um veterano da OLP, líder da Fatah no Líbano, cabeça da organização de inteligência de Fatah, e oficial de operações do Setembro Negro. Era o terceiro na linha da liderança da Fatah. Sua esposa, ao tentar protegê-lo, foi morta também.

  • Kamal Adwan - Também um líder veterano da Fatah. era o responsável pelas atividades terroristas em Israel e o oficial de inteligência do Setembro Negro.

  • Kamal Nasser - Porta-voz da OLP e membro do seu comitê executivo.

Alvos secundários:

A equipe de ataque de 14 commandos de Amnon Shahak encontrou forte resistência em sua missão, perdendo dois soldados. Apesar desta resistência, a força pode atacar o edifício.

Outros alvos foram atacados, especialmente pelos commandos navais do Shayetet 13:

  • Um quartel-general da Fatah em Gaza e uma oficina de montargem de foguetes e minas perto do Aeroporto Internacional de Beirute.

  • Uma outra oficina de foguetes e minas na parte nordeste de Beirute.

  • Uma garagem de veículos da OLP no norte de Sidon.

Operação em Entebbe - “Operação Thunderbolt ”/“Operação Yonatan” - Kulam lishkvav! Todos no chão. Somos do exército israelense”. Com estas palavras, o soldado Amos Goren anunciava às 103 pessoas mantidas como reféns por um grupo de terroristas, no Aeroporto Internacional de Entebe, que a história de seu trágico seqüestro, iniciado no dia 27 de junho de 1976, poderia ter um final feliz.

Inicialmente denominada “Operação Thunderball”, tornou-se internacionalmente conhecida como “Operação Yonatan” e foi tema de inúmeros filmes e livros. O nome da missão foi modificado em homenagem ao comandante da força-tarefa, o tenente coronel Yonatan Netanyahu
(irmão do ex-Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu), único militar israelense morto durante a ação. Essa foi a missão mais famosa da unidade Sayeret Mat'kal.

O drama dos reféns começou com o seqüestro do Airbus A 300 da Air France durante o vôo AF 139, Tel Aviv-Paris, com escala em Atenas, na Grécia, com 258 pessoas a bordo. Oito minutos após a decolagem, a aeronave foi dominada por quatro terroristas, dois dos quais possuíam passaportes de países árabes, um do Peru com o nome de A. Garcia e uma mulher do Equador de nome Ortega. Posteriormente, descobriu-se que os dois últimos eram membros da organização terrorista alemã Baader-Meinhof (Wilfried Bõse "Garcia" e Gabriele Krõcher-Tiedemann "Ortega" ). O avião foi desviado para Entebe após aterrissar em Bengazi, na Líbia, para reabastecimento e chegou a Uganda na madrugada do dia 28.

Os quatro terroristas haviam vindo do Kuwait pelo vôo 763 da Singapore Airlines e iam com destino a Bahrein. Entretanto, ao desembarcar em trânsito, os quatro dirigiram-se ao check-in do vôo AF 139 da Air France.

Pilotado pelo comandante Michel Bacos, o avião francês decolou do aeroporto Ben-Gurion às 8h59, chegando em Atenas às 11h30.

Desembarcaram 38 passageiros e embarcaram 58, entre os quais, os quatro seqüestradores. O total a bordo era então de 246 pessoas, mais a tripulação.

12h20, a aeronave já cruza os céus novamente rumo ao seu destino final: Paris. Oito minutos após a decolagem, enquanto as aeromoças preparam-se para servir o almoço, os terroristas assumem o controle do avião.

 As autoridades aeroportuárias em Israel e a estação de controle da Air France percebem que perderam contato com o vôo AF 139, alguns minutos após a decolagem em Atenas. Os ministros de Transporte e da Defesa, que participam da reunião semanal do gabinete com o primeiro-ministro Yitzhak Rabin, são imediatamente informados. Apesar de não saber ainda o que acontecia a bordo, o setor de Operações das Forças de Defesa de Israel (FDI) prepara-se para um eventual pouso da aeronave em Lod.

14h00, o Airbus comunica-se com a torre de controle do aeroporto de Bengazi, Líbia, solicitando combustível suficiente para mais quatro horas de vôo, além de pedir que o representante local da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) seja encaminhado ao local. Descobriu-se então que a FPLP estava a frente do seqüestro.

14h59, o aparelho desce em Bengazi e apenas uma mulher é libertada. Ela consegue convencer os terroristas e um médico líbio que está grávida e sob risco de aborto. Na verdade, está indo para o enterro de sua mãe em Manchester, Inglaterra. Após algumas horas, parte para seu destino.

Em Israel, terminada a reunião, Rabin convoca ao seu gabinete alguns ministros – Peres, da Defesa; Yigal Allon, das Relações Exteriores; Gad Yaakobi, dos Transportes; e Zamir Zadok, da Justiça. Fosse qual fosse o desfecho da história, esses homens teriam que tomar decisões e estavam-se preparando para isso, pois já sabiam que dentre os passageiros havia 77 com passaporte israelense. Rígida censura é imposta aos meios de comunicação para que não divulguem listas de passageiros e para impedir a veiculação de informações que possam, de alguma maneira, ajudar os seqüestradores. Iniciam-se, também, contatos com os familiares dos viajantes.

Em Bengazi o avião permanece seis horas e meia, durante as quais é reabastecido - "por preocupação humanitária do governo líbio para com os passageiros", segundo o coronel Kadafi.

21h50, o Airbus parte de Bengazi, voando à noite em direção ao sul, sobre o Saara líbio e o Sudão, afastando-se cada vez mais do Oriente Médio.

03h15, horário local em Uganda, 28 de junho, o avião aterrissa no aeroporto de Entebe. Em Israel, as unidades da FDI, em alerta no aeroporto, recebem ordens para retornar às suas bases. O que aconteceria dali em diante não exigiria medidas especiais em território israelense.

Ao amanhecer, paira em Israel e no mundo um clima cheio de dúvidas. Uganda seria o destino final dos seqüestradores ou apenas uma escala para abastecimento? Como estaria reagindo o governo de Idi Amin Dada diante dos acontecimentos – seriam anfitriões hostis ou parceiros no seqüestro? Afinal, desde 1972, as relações entre Israel e Uganda não eram amigáveis, pois o governo israelense havia-se recusado a fornecer jatos Phantom ao país, sabendo que Uganda pretendia usá-los para bombardear o Quênia e a Tanzânia. Idi Amin havia, então, expulsado todos os israelenses do país.

Oficialmente, o ditador de Uganda adotou uma atitude neutra em relação aos seqüestradores, mas na realidade eles eram bem-vindos. Líderes palestinos encontravam-se no aeroporto para receber o avião, bem como unidades do Exército de Uganda. Os reféns foram conduzidos para o prédio do antigo terminal do aeroporto.

Na terça-feira, dia 29, uma mensagem vinda de Paris, que primeiramente foi divulgada pela rádio de Uganda, revela os objetivos dos seqüestradores: a libertação até às 14h do dia 1 de julho de 53 terroristas – 13 detidos em prisões da França, Alemanha Ocidental, Suíça e Quênia, e 40 em Israel. Caso suas reivindicações não fossem atendidas explodiriam o avião com todos os passageiros.

Israel, a nação mais afetada, havia sempre deixado claro que nunca negociaria com o terrorismo e que estava preparado para derramar o sangue de seus cidadãos a fim de se ater a seus princípios. Em maio de 1974, por exemplo, terroristas tinham seqüestrado os alunos de uma escola de Maalot, na Galiléia; as Forças de Defesa de Israel (FDI) invadiram o edifício e fuzilaram os pistoleiros, mas à custa de 22 crianças mortas. Em Entebbe, entretanto, parecia impossível que Israel reagisse, pois apenas 105 reféns eram judeus - e o governo israelense seria criticado pela opinião pública mundial se pusesse em risco a vida dos outros.

Na quarta-feira, 30, França e Alemanha afirmam que não soltariam os terroristas, posição que se supunha seria a mesma de Israel. A França, no entanto, revela uma certa flexibilidade ao anunciar que seguiria a posição do governo israelense que, até então, mantinha-se em compasso de espera, aguardando o desenrolar dos acontecimentos.

Curiosamente, na mesma quarta-feira,foram os próprios terroristas que desperdiçaram sua maior vantagem. Sem atinar para as implicações de seu ato, separaram os reféns não-judeus e, aparentemente num gesto de consideração para com os outros países, permitiram que 47 reféns, – exceto israelenses ou judeus – retomassem sua viagem para a França. O capitão Bacos e sua tripulação recusam-se a acompanhar o grupo, afirmando que não abandonariam os demais passageiros. Uma freira francesa também insiste em ficar, mas é impedida pelos terroristas e pelos soldados ugandenses.

A libertação de alguns reféns e a evidência cada vez maior de que o principal alvo dos terroristas era pressionar Israel, aumentam a tensão em Israel e a pressão dos familiares para que o país atenda às exigências dos seqüestradores. Nos círculos militares e altos escalões do governo, reuniões e mais reuniões são realizadas, além do levantamento de informações feito pela Inteligência em busca de dados que possam ser úteis a uma eventual ação de resgate. Novos nomes integram-se às reuniões entre as FDI e os ministros, entre os quais, o general brigadeiro Dan-Shomron, 48 anos, chefe dos pára-quedistas e oficial de infantaria; o general Benni Peled; e Ehud Barak, vice-diretor do Serviço de Inteligência das FDI.

A confirmação dada pelos reféns soltos, meticulosamente entrevistados pelos serviços secretos da França e de Israel, de que o governo de Idi Amin estava apoiando os terroristas foi fundamental para as medidas que seriam tomadas por Israel a partir de 1 de julho, quinta-feira, quando, 90 minutos antes de expirar o prazo dado pelos seqüestradores, o gabinete se reúne e aprova o início de negociações com os terroristas. Estes, por sua vez, afirmam não estar interessados em negociações e sim no atendimento de suas reivindicações, estendendo o prazo até às 14h do dia 4 de julho.

É nesse 1 de julho que o Serviço de Inteligência descobre que o aeroporto de Entebe fora construído por uma empresa israelense – Solel Boneh, o que possibilita o acesso às plantas originais do local. Cada vez mais, após intensos encontros com oficiais do exército, Peres convence-se de que a opção militar é possível e que é apenas uma questão de tempo para que todas as peças do quebra-cabeça se encaixem. Tempo, no entanto, é algo que Israel não tem.

A opção militar desponta como caminho viável. A principio os israelenses trabalham com três opções:

a) Um lançamentos de pára-quedistas no Lago Victoria e um silencioso desembarque em Entebbe usando barcos de borracha;
b) Um cruzamento em grande escala do Lago Victoria, partindo da margem queniana - usando barcos que poderiam ser alugados, emprestados ou simplesmente roubados; 
c) Um pouso direto em Entebbe, seguido de um assalto rápido e uma remoção imediata dos reféns por ar por forças especiais da unidade Sayeret Mat'kal. 

Nos dois primeiros planos, após libertar os reféns, os israelenses iriam depender da ajudar de Idi Amin ou da intervenção da ONU para sair de Uganda. Porém nas próximas horas, as duas primeiras opções seriam descartadas por razões militares e porque os dados colhidos em Paris confirmavam que Idi Amin estavam apoiando os terroristas. Sendo assim o assalto direto a Entebbe seria a opção adotada.

O General-Brigadeiro Dan-Shomron é nomeado comandante da missão em terra e Yoni Netanyahu, comandante da unidade Sayeret Mat'kal, comandante da força-tarefa que a executará. Uma réplica do antigo terminal de Entebe é construída para simulação da operação, com base nas plantas obtidas junto à Solel Boneh e em fotografias aéreas, e os comandos começam a treinar. Enquanto isso, um grupo de 101 reféns – excluindo-se israelenses e judeus de outras nacionalidades – chega a Paris. Trazem duas informações essenciais para Israel: a primeira, de que haveria menos pessoas para resgatar; a segunda, de que apenas judeus estavam sendo mantidos como reféns, além da tripulação, o que, para o governo, significava que os seqüestradores possivelmente acabariam matando a todos, mesmo que suas exigências fossem atendidas.

12h do dia 2 de julho, sexta-feira, os chefes dos comandos da missão, então denominada “Thunderball”, apresentam os planos detalhadamente para Shomron. Duas horas depois, Yoni reúne-se com os oficiais para as ordens finais, antes de mais uma simulação na réplica do aeroporto, incluindo o pouso dos aviões nas pistas sem iluminação de Entebe. O ensaio levou 55 minutos, do momento em que o avião aterrissou até a sua decolagem. A preocupação maior entre todos os envolvidos é obter o máximo do “elemento supresa”.

O ponto fundamental do plano de Shomron era fazer aterrissar em Entebbe, no meio da noite, quatro aviões Hércules C-130 de transporte, que descarregariam tropas da unidade Sayeret Mat'kal e veículos. Para evitar que os aviões fossem detectados, o primeiro Hércules seguiria imediatamente atrás de um avião de carga inglês cujo vôo regular era esperado no aeroporto de Entebbe.

As tropas que realizariam a ação em terra estavam divididas em cinco grupos de assalto:

Grupo de Assalto 1: se encarregaria da segurança da pista e dos aviões (era formado por 33 médicos que também eram soldados);

Grupo de Assalto 2: tomar o edifício do antigo terminal e libertar os reféns;

Grupo de Assalto 3: tomar o edifício do novo terminal;

Grupo de Assalto 4: impedir a ação das unidades blindadas de Idi Amin (estacionadas em Kampala, a 30 km de distância) e destruir os aviões de combate ugandenses Mig 17 e Mig 21 estacionados no aeroporto, para impedir uma possível perseguição. Este grupo também iria cobrir a estrada de acesso ao aeroporto, pois sabia-se que o Exército ugandense tinha tanques T-54 soviéticos e carros blindados OT-64 tchecos para transporte de tropas a aproximadamente 32 km da Capital Kampala;

Grupo de Assalto 5: evacuar os reféns, conduzindo-os para o Hércules que estaria à espera e seria reabastecido no local ou em Nairóbi, no vizinho Quênia - um dos poucos países africanos amigos de Israel.

Levando em conta que haveria inúmeras baixas, um Boeing 707, transformado em avião-hospital, voaria diretamente para Nairóbi durante o ataque. Ao mesmo tempo, outro 707 sobrevoaria Entebbe transmitindo informações ao quartel-general em Israel.

Na medida do possível, tudo foi feito para eliminar os riscos. Sabia-se, por exemplo, que Amin uma vez chegara a Entebbe num Mercedes preto escoltado por um Land Rover, e veículos como esses foram embarcados no Hércules que iria à frente, com o objetivo de confundir os ugandenses nos vitais primeiros minutos.

1h da madrugada do dia 3 de julho, sábado, Motta Gur telefona para Peres e o informa que os homens estão preparados e que a operação pode ser executada.

13h20 do dia 3 de julho de 1976, sábado, o tenente coronel Joshua Shani inicia a decolagem do primeiro dos quatro aviões Hércules C-130, do Aeroporto Internacional Ben-Gurion, em Lod, com destino a Entebe. Poucos segundos depois, cada um dos outros aparelhos também parte, porém em direções diferentes. Afinal, a passagem de quatro Hippos (“hipopótamos”), como são descontraidamente chamados por suas tripulações, em horários semelhantes, não passaria desapercebida sobre os ensolarados céus de Tel Aviv, durante um verão que prometia ser tão quente quanto os anteriores. E o que menos se pretendia, naquele dia, era chamar a atenção e provocar especulações.

A bordo dos Hippos, a força-tarefa especial comandada por Shomron e Yoni tinha um objetivo bem definido: libertar os reféns em Entebe. Apesar de a missão de resgate não haver sido, ainda, aprovada pelo gabinete israelense, a partida dos aviões fora autorizada pessoalmente por Rabin, senão não haveria tempo hábil para sua execução. A permissão fora dada a Motta Gur.

Enquanto os ministros se reúnem para analisar as possíveis alternativas para a situação, incluindo a possibilidade de o país atender às exigências dos terroristas, os aviões aterrissam em Sharm el-Sheik, na região do deserto do Sinai, para abastecer e partem novamente rumo a Uganda, voando a baixa altitude sobre o Mar Vermelho para não serem detectados por sistemas de radares. 

O ponto fundamental no plano de Shomron consistia em fazer aterrissar o primeiro Hércules imediatamente atrás do avião de carga inglês que estava sendo esperado em terra, pois este não apenas absorveria a atenção dos operadores de radar ugandenses como também encobriria o ruído feito pêlos aviões israelenses. A precisão tinha de ser absoluta - e foi. Sete horas depois da decolagem, a força israelense aproximava-se de Entebbe, num céu carregado de chuva, sempre na escuta do comandante inglês, que recebia as instruções da torre de controle. O C-130 de Shomron colocou-se exatamente atrás do cargueiro.

Eram 23h e o tenente coronel Shani desce silenciosamente o seu Hippo em Entebe depois de sete horas e meia de vôo e a distância de quatro mil quilômetros desde a decolagem em Israel. A lendária capacidade de precisão de aterrissagem do Hércules foi bem explorada. O pessoal que deveria cuidar da segurança da pista desceu rapidamente. Os operadores de radar não perceberam o intruso e nenhum alarma foi dado. Por esse erro, seriam logo depois mortos pelo enraivecido e humilhado Idi Amin.

O Hércules seguiu para uma área mais escura da pista e, enquanto o cargueiro inglês taxiava, o Mercedes e dois Land Rover desceram a rampa, transportando o grupo que iria assaltar o velho terminal. O Hércules seguiu para uma área mais escura da pista e, enquanto o cargueiro inglês taxiava, dez membros da brigada de infantaria Golani saltam do avião e espalham sinais para orientar a aterrissagem das outras três aeronaves, que se aproximam rapidamente. A rampa de carga é aberta e por esta desliza um Mercedes preto, artifício considerado fundamental para a missão, dois Land Rover e 35 membros da força-tarefa, entre eles Netanyahu. Os militares que iam no Mercedes estavam vestidos com uniformes ugandenses.

Mas os ugandenses logo perceberam a farsa e a 100 m do terminal duas sentinelas, com metralhadoras apontadas, ordenaram ao carro que parasse. Netanyahu e outro oficial abriram fogo com pistolas dotadas de silenciador, atingindo um dos homens, e o grupo seguiu em frente até uns 50 m do edifício, A partir daí, os israelenses foram a pé. Os reféns estavam todos deitados no salão principal e muitos dormiam. Quatro terroristas haviam sido deixados montando guarda, um à direita, dois à esquerda e um no fundo do salão. Todos estavam de pé e puderam ser identificados .por causa das armas que portavam. Apanhados de surpresa, foram mortos imediatamente, e o grupo de assalto subiu pelas escadas. Os reféns advertiram que havia mais terroristas e soldados ugandenses no andar de cima. As ordens eram para tratar os ugandenses como inimigo armado, se abrissem fogo; caso contrário, seriam poupados. Mas para os terroristas não haveria misericórdia. Diversos deles foram eliminados à queima-roupa enquanto dormiam. Ao todo, morreram 35 ugandenses e treze terroristas - entre os quais Bõse e Krôcher-Tiedemann. Cerca de sessenta soldados ugandenses fugiram do edifício. A ação no terminal antigo durou três minutos.

Sete minutos depois que o primeiro Hércules aterrissou, o segundo pousava, seguido pelo terceiro e pelo quarto. Logo que as rampas eram baixadas, Jeeps e veículos de transporte saíam em disparada, atravessando a pista. O grupo comandado pelo coronel Matan Vilnai assaltou o edifício do novo terminal, que havia sido apressadamente abandonado pêlos ugandenses. As tropas de Amin pareciam totalmente confusas e incapazes de esboçar uma reação coerente. A única resistência determinada vinha da torre de controle, de onde partiu a rajada que feriu mortalmente Netanyahu, postado do lado de fora do velho terminal. Mas a unidade de Vilnai eliminou esse núcleo de oposição graças ao fogo concentrado de metralhadoras e lança-granadas.

 

Operador da Sayeret Mat'kal em Entebbe, julho de 1976. Ele está armado com fuzil automático AK-47 de fabricação soviética e para confundir o inimigo, está usando um uniforme camuflado sírio. O ditador Idi Amin usava seguranças palestinos que vestiam uniformes camuflados com esta estampa.

O grupo do coronel Uri Orr encarregou-se do embarque dos reféns no avião que os aguardava. A equipe que tinha ordens de eliminar os Migs 21 e 17 ugandenses levou poucos minutos para transformar onze deles em bolas de fogo com rajadas de metralhadoras. O último dos quatro Hippos, com Shomron a bordo, parte de Entebe às 00h30 do dia 4 de julho – 90 minutos depois de o primeiro ter aterrissado.

Após uma breve escala em Nairobi, para reabastecimento e a transferência dos feridos para um Boeing com um hospital a bordo. Apesar de todos os esforços dos médicos – então chefiados pelo coronel Ephraim Sneh, Yoni não resiste aos ferimentos e falece. O saldo total de mortos da Operação Yonatan: 4 –Yoni e três reféns – dois mortos no fogo cruzado com os terroristas e uma senhora de idade, Dora Bloch, que havia sido transferida para um hospital de Uganda e que posteriormente foi assassinada por ordem de Idi Amin. Depois de reabastecer, os israelenses tomaram o caminho de volta, às 4h08.

Nas primeiras horas da manhã do dia 4 de julho, o Hippo pilotado por Shani sobrevoa Eilat e desce em uma base da Força Aérea de Israel (FAI) na região central do país. Enquanto os reféns são atendidos pelas equipes de terra, as unidades de combate descarregam seus equipamentos. Em seguida, retornam às suas bases e retomam suas funções de rotina, afastados da euforia que tomava conta de Israel e da admiração e respeito que haviam conquistado em todo o mundo pelo que haviam feito naquela noite. Para eles, mais uma missão fora cumprida... Era o seu dever, para o qual são treinados.

Ainda no dia 4, aproximadamente ao meio-dia, um Hércules da FAI aterrissa no Aeroporto Internacional Ben-Gurion. De suas portas traseiras, 102 pessoas - homens, mulheres e crianças - correm em segurança para se reunir a seus familiares e amigos. A Operação Entebbe permanecerá para sempre como um feito extraordinário na história da aviação, embora a sorte tenha sido um fator essencial. Mas esse resgate nem mesmo seria cogitado se, para executá-lo, não existissem homens motivados e treinados em um nível verdadeiramente fantástico.

Nota: Segundo algumas informações, o Coronel Ulrich Wegener comandante da unidade antiterrorista alemã GSG 9, estava entre os comandos israelenses durante a operação, possivelmente devido à presença dos dois terroristas alemães. Em 1977, esta unidade realizaria uma grande operação de resgate também na África em Mogadíscio na Somália, quando Boeing 737 da Lufthansa foi seqüestrado   

Em 2001, Dan-Shomron, relembrou os fatos do resgate em Entebbe com naturalidade e não gostou muito de mencionar a palavra heroísmo quando falava da missão. Em uma entrevista publicada pela revista do The Jerusalem Post, no mês de junho de 2001, Shomron – que foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas de 1987 a 1991 – afirma que vários fatores contribuíram para o êxito da missão.

O resgate foi planejado nos seus mínimos detalhes, considerando-se o tempo necessário para todas as etapas, incluindo as baixas que poderiam ocorrer. Segundo o ex-chefe das Forças Armadas, Entebe não foi uma missão suicida. Além dos dados precisos, o grupo era formado por cerca de 200 soldados escolhidos entre os melhores do país, dos mais altos escalões em cada unidade das FDI.

Shomrom relembra que os estrategistas já sabiam que o aeroporto de Entebe fora construído por uma empresa israelense – o que permitiu o acesso às plantas do local; informações importantes também foram obtidas junto a diplomatas e empresários israelenses que, até 1972, viajavam freqüentemente a Uganda, além da própria FAI, que, em função das boas relações diplomáticas entre Israel e Uganda no passado, conhecia bem as instalações. Reféns soltos pelos terroristas antes do dia 3 de julho também forneceram detalhes essenciais sobre o número de seqüestradores e sobre o local no qual haviam sido mantidos presos, Um dos reféns libertados posteriormente foi o rabino Raphael Shamah, na época estudante de uma Yeshivá em Israel.

“Nós sabíamos que havia grandes probabilidades de o aeroporto ter passado por algumas modificações desde a sua construção. Mas estes dados também poderiam ser obtidos de alguma maneira. O elemento mais importante com o qual contávamos, no entanto, era a surpresa. Ninguém poderia imaginar que Israel tentaria realizar uma missão de resgate a quatro mil quilômetros de distância de suas fronteiras, sobrevoando o espaço aéreo de países hostis. Este elemento não poderia ser desperdiçado. Nós sabíamos que, se conseguíssemos chegar ao local sem ser descobertos, qualquer ação após o pouso em Entebe teria que ser muito rápida e deveria ser efetuada antes que os terroristas ou os soldados ugandenses que os apoiavam pudessem perceber o que estava acontecendo”, relembra Shomron. E acrescenta:

“O fato de não ser plausível era um ponto essencial para o sucesso”. Mais um fator contribuiu para o êxito da missão. Dos 13 terroristas envolvidos no seqüestro, apenas oito estavam no local. Segundo Shomron, aparentemente os demais estavam fora do aeroporto. Os soldados ugandenses também foram rapidamente dominados pelos commandos israelenses.

Quando perguntado como via a missão 25 anos depois, respondeu: “Combater o terrorismo exige, antes de mais nada, vontade política. Não há dúvidas de que o resgate provocou um impacto muito grande em Israel e no mundo, pois mostrou que é possível enfrentar o terror onde quer que este se manifeste. Desde então, vários países criaram unidades de combate ao terrorismo e aumentou o intercâmbio entre os vários Serviços de Inteligência”. Mas ele faz uma ressalva:

“O êxito criou a ilusão de que Israel sabe tudo e pode fazer tudo, em qualquer circunstância, o que não é verdade. Há situações em que se sabe muito e pode-se planejar quase tudo com exatidão. Em outras, não se sabe nada e, portanto, não se pode fazer nada. Por isso, quando me perguntaram qual dos participantes da ação poderia ser condecorado por heroísmo, respondi “nenhum”. Pois o resgate em Entebe foi uma missão planejada detalhadamente, treinada tantas vezes quanto possível dentro do pouco tempo que tínhamos e cuja execução foi tão semelhante ao nosso plano que não exigiu nenhum ato heróico para superar os problemas surgidos. Todos cumpriram com o mesmo empenho o seu dever de soldados”.

Assalto a Tunis - 1988

Em sua caçada a terroristas que ameaçavam Israel as Forças de Defesa de Israel e suas forças especiais foram até a distante Tunis, capital da Tunísia, cerca de 1.500 milhas de Israel. No ano de 1988 os palestinos iniciaram um novo tipo reação contra a presença israelense nos territórios ocupados. A chamada Intifada. O líder, o mentor, por trás desta revolta que estava criando muitos problemas para a imagem internacional de Israel era Khalil al-Wazir, mais conhecido pelo nome de Abu Jihad. As autoridades israelenses planejaram eliminar Abu Jihad várias vezes, mas após um seqüestro (arquitetado por ele) a um ônibus em 7 de março, no sul de Israel em que três civis morreram, o primeiro-ministro de Israel deu sinal verde para a eliminação deste terrorista internacional. Abu Jihad estava por trás de preparação de equipes de assalto no Líbano e Egito, que depois eram enviadas para os territórios ocupados.

No fim de março uma operação de eliminação do terrorista estava pronta. Agentes do Mossad e membros das forças especiais israelenses atacariam a casa de Abu Jihad em Tunis. Mas só no começo de abril foi dada a autorização para se executar a operação. A Marinha de Israel levaria a força de assalto (cerca de 20 commandos do Sayeret Mat'kal) através do Mediterrâneo em uma pequena frotas de 2 barcos lança-mísseis Sa'ar 4 até a costa tunisiana. De lá os commandos em cinco botes Zodiac iriam para a praia a umas 20 milhas dos subúrbios de Sidi Bou Said, ao norte de Tunis, onde morava Abu Jihad. Os comandos seriam transportados para o local do assalto em um Peugeot 305 e dois furgões  Volkswagen, guiados por agentes do MOSSAD. Estes veículos, tinham sido alugados mais cedo em uma agência de aluguel de carros.

Outros agentes sabotariam uma central telefônica para impedir qualquer comunicação da casa de Abu Jihad. Segundo informações os israelenses usaram ao todo 4.000 militares para esta operação, envolveu ainda um avião AWACS (provavelmente um Grumman E-2 Hawkeye), um 707 para abastecimento das aeronaves, um submarino para proteger as embarações lança-mísseis Sa'ar 4 e um esquadrão de caças para proteger os aviões

Durante toda a operação em solo tunisiano, um Boeing 707 provido com dispositivos para guerra eletrônica, estaria voando, num suposto vôo civil (sob o número 4x977), a aproximadamente 100 milhas fora do espaço aéreo da Tunísia, com o objetivo de prover guerra eletrônica a operação, e também servir de estação retransmissora entre o pessoal em terra, na costa e o QG das FDI em Tel Aviv. Ao longo da operação, o comandante da mesmo, o general Ehud Barak, 47 anos, estaria a bordo do 707 acima do mediterrâneo.

Os commandos chegaram ao local após 01:00 do sábado 16 de abril de 1988, encontrando agentes do Mossad que vigiavam o local. Porém Abu Jihad não estava em casa. Então os israelenses tiveram que esperar até 01:30, quando eles e seus guarda-costas retornaram. Mas uma vez ouve outra espera de 60 minutos adicionais, até que todas as luzes fossem apagadas. Primeiramente mataram o guarda-costas que estava dormindo no carro do lado de fora. Então mataram o o jardineiro (Habib Dkhili) e o segundo guarda-costas  e os commandos finalmente entraram na casa, todos mascarados. Enquanto uma dúzia de comandos proviam a segurança, oito outros atacaram o quarto de Al-Wazir, que tendo ouvido barulho saiu armado com uma pistola, sendo alvejado por 75 tiros de Uzis de 9mm com silenciadores. Na verdade a equipe de execução era formada por um oficial e quatro commandos. Todos atiraram contra Abu Jihad e o oficial no final disparou contra a sua cabeça.

Como instruídos, não atacaram ninguém da família de Al-Wazir. Toda operação levou cerca de 13 segundos. Em seguida os commandos e os agentes do Mossad foram para a praia de Ras Cathage, onde commandos navais do Shayetet 13 guardavam os botes Zodiac. Antes das 4 da manhã os commandos já tinham voltado ao seu navio. Alguns dias depois, eles desembarcaram em segurança no porto de Haifa. Os agentes da Mossad, disfarçados de turistas, partiram também em segurança em vôos comerciais do Aeroporto de Tunis.

Guerra do Golfo - 1990

Forças Especiais de Israel em operação no deserto iraquiano usando trajes militares de origem americana.

Mesmo nunca admitido oficialmente, é certo que várias unidades das forças especiais da Força de Defesa de Israel (principalmente a Sayeret Mat'kal), estiveram operando secretamente no Iraque durante a Operação Tempestade no Deserto, em 1991. 

Como na Guerra Árabe-israelense do Yom Kippur em 1973, a inteligência israelense foi pegue de surpresa e sem qualquer fonte de informação que valesse a pena na região. Para fechar esta lacuna vários agentes de campo do Mossad – o Serviço Secreto de Israel para o Exterior - foram inseridos no Iraque e no Kuwait. Ao mesmo tempo os operadores do Sayeret Mat'kal foram enviados ao Iraque para que obtivessem dados de inteligência mais táticos sobre a movimentação do exército iraquiano.

Na ocasião, as chances do Iraque vir a atacar Israel de fato eram mínimas, mas Israel precisava estar bem informada sobre as ações de Saddam Hussein. Em 16 de janeiro de 1991, expirou o último dia do ultimato da ONU para que o Iraque saísse do Kuwait, diante da recusa iraquiana os EUA começaram os ataques aéreos contra alvos iraquianos. 

Menos de 24 horas depois o Iraque enviou 8 Scuds, mísseis  terra-terra contra Israel, mirando a cidade de Tel-Aviv. Depois do ataque dos Scuds a Força Aérea Israelense (IAF) que já estava em alerta total deu início aos procedimentos para um ataque de vingança de longo alcance. Porém, temeu-se que isto  ameaçasse a frágil coalizão frágil montada pelos EUA, o Governo americano pediu a Israel que não tomasse nenhuma medida ofensiva contra o Iraque, e garantiu que os EUA fariam um esforço especial para alcançar e destruir os lançadores móveis de Scuds. Em troca da não-participação oficial israelense na crise, Israel recebeu permissão dos norte-americanos para desdobrar várias unidades de suas forças especiais para agir no setor americano de caça aos Scuds, localizado ao norte da estrada Bagdá-Amã e melhor conhecido como a "Avenida" dos Scuds. 

As equipes israelenses desdobradas de maneira inteiramente secreta, sem qualquer contato com outras forças da coalizão e sem qualquer rastro pudesse identificá-las como israelenses. Logo após a permissão norte-americana ter sido concedida diferentes unidades de SF israelenses foram inseridas n área de caça por helicópteros de transporte CH-53 e a operação começou. É interessante notar que os dados de inteligência levantados pelos operadores do Mossad e do Sayeret Mat'kal, que tinham sido inseridos no teatro de conflito alguns meses atrás, foram usados como moeda de troca pelos israelenses nas suas negociações com os americanos, e foram uma das razões principais para que os israelenses fossem autorizados a operar na área. As equipes enviadas para o Iraque foram seguintes: 

- Sayeret SHALDAG. 
- Sayeret MAGLAN. 
- Uma equipe de reserva da Unidade 669. 
- Sayeret Mat'kal. 

Os israelenses tinham poucas equipes de guerra eletrônica e unidades de comunicação. Todos as equipes foram equipadas com jipes não-israelenses do tipo Land Roverdotados de rodas experimentais para transpor dunas, e motocicletas suecas Husqvarna especialmente modificadas. Todos os veículos foram pintados com camuflagem para o deserto e não possuíam nenhuma identificação israelense neles.

Devido à longa duração da operação e da falta de qualquer apoio aproximado, todo equipamento auxiliar e suprimentos diversos foram embarcados. Os principais elementos ofensivos do grupo das SF israelenses eram as equipes do Sayeret Shaldag e Sayeret Maglan. 

Mais da metade dos operadores destas duas unidades participaram da  caça aos Scuds, e foram equipados com jipes Land Rover providos com armas anti-tanques (ATGM). Visto que o Sayeret Mat'kal tinha se desdobrado para a Área de Operação (AO) bem antes que o resto das unidades, o papel desta unidade na operação estava mais ligado a prover inteligência.

Fora alguns incidentes inevitáveis, Sayeret Mat'kal não dirigiu nenhuma das missões ofensivas, e agiu mais como Patrulha de Reconhecimento de Longo Alcance (LRRP) e “pathfinders” para todas as outras unidades.  Uma vez desdobrado para a região, as equipes das SF israelenses começaram a buscar pelos lançadores móveis de Scuds  como também por outros objetivos de alto valor. As equipes ficavam escondidas durante o dia para evitar serem  descobertas pelos iraquianos como também por forças de coalizões, e iam a caça dos Scuds durante a noite. O dia era usado para planejar, dar manutenção técnica e dormir.   

Cada lançador móvel de Scud era composto de três elementos: Um Trator-Eretor-Lançador de Scud (TEL), que era o veículo que transportava o projétil, o colocava em posição vertical e o lançava, um caminhão Zill que levava um destacamento de guardas e um jipe Land Cruiser, que transportava o oficial comandante do destacamento. 

Visto que a presença dos tropas israelenses na área era altamente secreta, as equipes estavam impossibilitadas de solicitar ataques aéreos e as operações de infiltração/exfiltração, bem como vôos de provisão eram muito complexas e demoradas. Certa vez um CH-53 israelense que levava operadores para o Iraque quase foi abatido por caças americanos que ignoravam a sua identidade. 

A operação no geral não foi muito difícil. Eventualmente, as equipes israelenses do Sayeret Shaldag e do Sayeret Maglan descobriam e destruíam lançadores móveis de Scuds como também os transportes de munição e às vezes algum posto avançado do exército iraquiano. A maioria dos ataques eram feitos através  das armas anti-tanque ATGM, mas alguns eram realizados através de ataques diretos e normalmente eram estes que causavam mais feridos. Um incidente sem igual e raro aconteceu em pleno dia. Enquanto uma equipe do Sayeret/Shaldag estava descansando em seu esconderijo dentro de um pequeno riacho seco, um comboio de um lançador móvel de Scuds chegou junto ao riacho para uma parada curta. A equipe não pôde acreditar na sua grande sorte e desde que a sua localização estava bem longe no deserto, o time decidiu ariscar e atacar direito do seu esconderijo em plena luz do dia. 

O sucesso foi total. O grupo iraquiano estava composto por cerca de seis guardas e a tripulação de lançador – nada especial para uma unidade altamente treinada e equipada das forças especiais israelenses. Alguns dias antes do Iraque se render as equipes israelenses voltaram para Israel a bordo dos CH-53. A operação toda foi considerada um sucesso. Enquanto a atividade das equipes israelenses era de certa forma bastante simbólica e só aconteceram por um período de poucas semanas, eles foram mais efetivos se compararmos o seu ou ao tamanho e os recursos limitados à sua disposição. 

Os CH-53 de Israel foram usados no apoio as Forças Especiais israelenses na caçada aos Scuds iraquianos.

As equipes israelenses também conseguiram juntar a mais valiosa soma de dados de inteligência da campanha de Tempestade de Deserto fora de todas as forças da coalizão na área, dados estes que foram passados depois para os EUA. Diferente das patrulhas americanas e britânicas, nenhuma patrulha israelense ou seus esconderijos foram descobertos pelos iraquianos, e nenhum soldado israelense foi morto durante a operação.

Recrutamento e Treinamento

Como por muito tempo a Sayeret Mat'kal era uma unidade altamente secreta, a seleção de seus membros e comandantes era baseada no relacionamento pessoal e familiar de seus membros existentes. Por isso na unidade serviram os três irmãos Netanyahu.

Desde os anos 1980, que a unidade começou a abrir o seu processo seletivo para voluntários. O processo de seleção da Sayeret Mat'kal, que acontece duas vezes por ano era muito cruel, um dos mais difíceis do mundo. Os recrutas são levados ao extremo de sua resistência física e psicológica. Nos anos 1990 este tipo de seleção de campo (Gibush) foi adotada por outras forças especiais (Sayeret) das FDI.

Só 20% são aprovados na seleção. Uma vez admitidos os recrutas passam por 20 meses de duro treinamento com ênfase no manuseio de armas, lutas marciais (krav magá), navegação, camuflagem, reconhecimento, sobrevivência, fuga e evasão, e outras habilidades. O regime de treinamento consiste no seguinte:

  • Quatro meses de treinamento básico de infantaria.

  • Dois meses de treinamento avançado de infantaria.

  • Três semanas de curso pára-quedismo na Escola de Pára-quedistas.

  • Cinco semanas de treinamento de conta-terrorismo na Escola de Guerra Contra-terrorista das FDI, seguindo-se mais treinamento conta-terrorista na própria unidade.

  • O resto do treinamento é dedicado a treinamento de “LRRP” - (Long Range Reconnaissance Patrol) - Patrulha de Reconhecimento de Longo Alcance, e especialmente para navegação que é de primordial na unidade. Enquanto a maioria dos treinamentos de navegação é feito em pares, como em todas as outras unidades das FDI, na Sayeret Mat'kal é executada a navegação solo de longo alcance. A ênfase no treinamento em LRRP é obvio visto que a Sayeret Mat'kal é a principal unidade reconhecimento de longo alcance das FDI e uma das melhores do mundo. 

  • Os operadores do Sayeret Mat'kal treinam com armas de calibres variados de originárias de diversos países, principalmente de Israel , EUA e Rússia. Também estão aptos a operarem caminhões, tratores, pequenas embarcações, etc.

  • Os operadores da "Unidade" também são treinadores para operações aerotransportadas, especialmente infiltração com helicópteros . A Força Aérea de Israel prover as aeronaves como os Sikorsky CH-53 Yasur e UH-60 Black Hawk.

  • A unidade Sayeret Mat'kal é altamente treinada em "Close Quarter Battle" (CQB ou Batalha em Área Aproximada). O CQB é um conjunto de táticas militares empregadas quando a aproximidade com o alvo é mínima, e em local fechado (apartamentos como quartos de hotel, lojas, casas e etc). É caracterizado pela agressividade e a aplicação precisa da força letal. Esse conjunto de técnicas foi desenvolvidos nos anos 80, na Inglaterra pela Special Air Service do exército da Grã-Bretanha, e se tornou popular através da SWAT (EUA). Os fundamentos do CQB são: Velocidade, Agressividade e Surpresa (em inglês: Speed, Agression and Surpraise, formam a sigla SAS).

Homens da Sayeret Mat'kal em treinamento de CQB

  • Os homens são treinados também em idiomas, principalmente o árabe.

  • Demolição, manuseio de explosivos, etc.

  • Captura ou eliminação de lideranças inimigas (VIPs).

  • Tiro de precisão.

  • Rádios e comunicações

  • Os homens que fazem parte desta tropa são treinados em saltos a elevada altitude e abertura a baixa atitude (HALO - High Altitude Low Opening) e saltos a elevada altitude e abertura a alta atitude (HAHO - High Altitude High Opening). Dependendo da altitude o pára-quedista precisará usar tanques de oxigênio:

    • HAHO - O salto de altitude sem queda livre só pode ser realizado por pára-quedistas altamente treinados, que conseguem se guiar no ar. Os soldados pulam do avião a alturas de mais de nove mil metros e, ás vezes, antes da fronteira com o país hostil, o que reduz a chance de a operação ser detectada. Nessa altitude, os pára-quedistas precisam de oxigênio e de roupas especiais.
      Segundos depois de deixar a aeronave, os soldados abrem os pára-quedas e começam a manobrá-lo em direção ao alvo. Cada membro da equipe precisa controlar a velocidade e a direção, além da distância para os outros pára-quedistas do grupo e para o alvo. O pára-quedista pode planar  cerca de 30 km até chegar a zona de aterrizagem.

    • HALO - Este salto pode não ser tão complicado quanto o salto sem queda livre, mas não é menos perigoso. Os pára-quedistas saltam de pelo menos 11 mil metros de altura e o mais perto possível do alvo. Por causa da altitude, os pára-quedistas também precisam de oxigênio para permanecer conscientes e de roupas especiais contra o frio. Eles caem o máximo possível antes de abrir o pára-quedas, passando pela área coberta pelos radares inimigos. Mas, por causa do risco de perda de consciência, os pára-quedas abrem automaticamente a uma determinada altura. Equipamentos também podem ser transportados dessa maneira. As vezes esse salto é usado para inserções na água, neste caso o pára-quedista se desgarra do pára-quedas antes deste chegar a água.

Só 20% Os soldados da Unidade Sayeret Mat'kal podem servir no mínimo três anos. Os integrantes da Unidade após este período podem dar baixa com soldo integral, ou retornar como especialistas à sua área de origem na força - opção escolhida por 94% do contingente.

Segundo informações não confirmadas o melhores recrutas vão para à unidade 269, uma parte da Sayeret Mat'kal altamente especializa em operações de contra-terrorismo. A unidade 269 é responsável pelas atividades do contra-terrorismo fora de Israel e opera com o Shayetet 13 regularmente.

Embora a Sayeret Mat'kal tenha a sua própria insígnia, não é permitido para os seus soldados a usarem em público devido a sua natureza classificada.

Ex-membros

Daniel M. Lewin, graduado da MIT, fundador da Akamai Technologies
Mais recentemente em 2001, um ex-Mat'kal, Daniel M. Lewin, morreu (esfaqueado ou abatido por tiro) no vôo 101 durante os ataques de 11 de Setembro de 2001, após, segundo especulação, ter comandado o motim contra os terroristas provocando a queda do avião.

Ehud Barak, ex-primeiro ministro de Israel
Quando fazia parte da unidade, Barak participou de uma operação clandestina chamada "Operação Fonte da Juventude" na qual se disfarçou de mulher para matar lideres palestinos que tinham planejado o assasinato de atletas israelitas nos Jogos Olímpicos de Munique no ano anterior. Foram-lhe concedidos a medalha pelos "serviços distinguidos" e outras quatro condecorações pela bravura e eficácia operacional. Sendo considerado o soldado mais condecorado da História de Israel.

 

Benjamin Netanyahu, ex-primeiro ministro de Israel

Foi primeiro-ministro de Israel entre os anos de 1996 e 1998. Sucedeu Yitzhak Rabin e foi precedido por Ehud Barak.


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Assunto: Israel - Sayeret Mat'kal