Moshe Dayan - O Leão do Deserto - LÍDERES


Moshe Dayan (Degania, Palestina, 20 de maio de 1915 - Telavive, Israel, 16 de outubro de 1981), militar e político israelense. Sua face rachada pelo lendário tapa-olho preto foi, durante décadas, o símbolo da tenacidade, do orgulho e da força de Israel.

 

Acima:O pequeno Dayan entre o seu pai e sua mãe;

No meio: Moshe Dayam como parte de uma força policial na Palestina;

Abaixo: Moshe ao lado de  Yitzhak Sadeh (no centro, e primeiro comandante da Palmach) e Yigal Allon, no Kibbutz Hanita, em 1938 .

Moshe Dayan nasceu em maio de 1915 no kibutz Degania, a primeira colônia agrícola de caráter socialista implantada na antiga Palestina, então ainda pertencente ao antigo império otomano. Seu pai, Shmuel, oriundo da Ucrânia, foi o líder do pequeno grupo de pioneiros que começou a lavrar a terra às margens do Mar da Galiléia, onde tiveram que superar imensas adversidades e onde a malária, atingindo em ritmo impiedoso homens e mulheres, era parte do cotidiano.  Aos 7 anos, seus país se mudaram-se para um moshav, uma espécie de fazenda coletiva em que, ao contrário do kibutz, os seus membros têm propriedades de terra; ficava num lugar ainda primitivo e pantanoso, denominado Nehalal, onde o jovem Moshe aprendeu a arar a terra e usar armas de fogo. Ao 12 anos, foi designado para servir como sentinela contra os beduínos que faziam devastações em sua cidade natal, na Galiléia, “onde se cultivava laranjas entre dois combates’. Aos 14 anos começou a treinar na Haganah, milícia israelense anterior à Constituição do Estado de Israel. A Haganah, o exército clandestino formado pelos judeus na Palestina e que viria a ser o embrião das Forças de Defesa de Israel.

Além disso ocorriam freqüentes confrontações com os árabes da região. O jovem Moshe aprendeu o idioma árabe com fluência e registrou em sua autobiografia: "Meu comportamento com relação aos nossos vizinhos árabes sempre foi positivo e amigável. Eu admirava seu modo de vida, de trabalhar, e os respeitava. Estava certo de que, algum dia, viveríamos em paz ao lado deles". Entretanto, a conjuntura política daqueles dias o obrigou a enfrentar os árabes com pouco mais de vinte anos de idade.

Em 1937, por ocasião de um dos intermitentes levantes árabes contra os pioneiros, ele foi designado intérprete de uma força policial escocesa integrante do poder mandatário britânico, que tinha como missão proteger de sabotadores o oleoduto da Companhia de Petróleo iraquiano que atravessava parte do país.A missão fracassou em termos militares e Dayan logo percebeu o motivo: era impossível combater guerrilhas com táticas de defesa ou ataque convencionais.

Foi nessa época que conheceu o jovem capitão inglês Charles Orde WINGATE, que apesar de não ser judeu, se tornou um dos mais extraordinários e devotados aliados da causa sionista na Terra Santa. Em 1936 Wingate foi designado para servir na Palestina, onde os britânicos tinham um mandato expedido pela Liga das Nações. Wingate iria trabalhar no QG do Comando britânico e se tornou um oficial de inteligência. Desde a sua chegada, viu a criação de um Estado judeu na Palestina como um dever religioso para o cumprimento literal da profecia bíblica e ele imediatamente se colocou em apoio da comunidade judaica e de seus líderes políticos. No momento de sua chegada guerrilheiros palestinos tinham iniciado uma campanha de ataques contra funcionários do mandato britânico e comunidades judaicas. Esses ataques faziam parte da Revolta Árabe (de 1936-1939). Wingate se tornou politicamente envolvido com uma série de líderes sionistas, e tornou-se um fervoroso sionista, apesar de não ser judeu. Ele formulou a idéia de criar pequenas unidades de assalto, fortemente armados com granadas e armas leve de infantaria, para combater a Revolta Árabe. Wingate teve a idéia dele pessoalmente aprovada por Archibald Wavell, que era então o comandante das forças britânicas na Palestina. Após receber a permissão de Wavell, Wingate convenceu os líderes sionistas de que o conceito de estado judeu devia estar estreitamente ligado com o militarismo e a estruturação de um exército que protegesse as colônias judias e que, ao mesmo tempo, dissuadisse a resistência palestina. Wingate transformou a organização paramilitar judia, Haganah(defesa em hebraico), que passou a ser o braço armado da Agencia Judia (órgão de governo sionista na Palestina). Em junho 1938 o novo comandante britânico, o general Haining, deu a sua permissão para se criar os Special Night Squads (SNS), grupos armados formados de voluntários britânicos e por homens do Haganah, onde servia Dayan. A Agência Judaica ajudou a pagar salários e outros custos do pessoal do Haganah. Wingate treinou os homens dos SNS, e ele mesmo os comandou e os acompanhou nas suas patrulhas. As unidades com freqüência montava emboscada para sabotadores árabes que tentavam atacar o oleoduto da Iraq Petroleum Company e assentamentos judaicos.

A rigor, Wingate tornou-se um excepcional mentor para Dayan que, com ele, assimilou dois conceitos militares fundamentais: ter sempre a iniciativa para surpreender o inimigo e dar preferência aos ataques noturnos. Wingate, um nome até agora lendário em Israel, morreu durante a Segunda Guerra combatendo os japoneses na Birmânia comandando os lendários Chindits.

Em 1939, por força de suas múltiplas atividades na Haganá, Dayan foi preso pelos ingleses. Levando a julgamento, foi condenado a dez anos de prisão. Seu crime: freqüentava um curso clandestino de treinamento da Haganah. Permaneceu dois anos no cativeiro, mas, já conhecido por sua competência militar, foi libertado e engajado em uma tropa australiana incumbida de lutar contra o Exército francês, integrante do regime pró-nazista de Vichy, aquartelado na Síria. Ali, durante uma troca de tiros, em 1941, quando tinha 26 anos, enquanto mantinha um binóculo colado no rosto, Dayan foi atingido por um projétil que destruiu seu olho esquerdo de forma irrecuperável, impedindo-o sequer de implantar posteriormente um olho de vidro. Desde então, passou a usar um tapa-olho que se integraria por toda a vida à sua imagem. Mas ele odiava esse tapa-olho. "A atenção que provoca me é intolerável", escreveu em suas memórias. Considerava-se um deficiente físico por usar a venda e sofria de dores de cabeça intermitentes.

Apesar da ameaças dos britânicos atuou na reserva da Haganah, no posto de tenente-coronel. Quando foi criado, no dia 14 de maio de 1948, Israel não possuía forças armadas regulares, mas contava com 30 mil homens da Haganah, já então bem treinados e bem organizados, incumbidos de combater 10.000 egípcios, 8.000 iraquianos, 7.000 sírios, 4.500 jordanianos e 3.500 libaneses, além de outros contingentes menores de países árabes, como o Iêmen. Todos estes contavam com aviões, tanques, milhares de veículos blindados, morteiros, artilharia pesada, cavalaria e infantaria. Seu propósito, conforme alardeavam, era "atirar os judeus ao mar", mas faltou-lhes a necessária coordenação, porque os líderes políticos e militares daqueles diferentes países não confiavam uns nos outros e cada qual estava mais preocupado com seus possíveis ganhos territoriais quando o Estado Judeu fosse dizimado.

Soldado das forças do Palmach em 1948. Ele usa uniforme caqui de origem americana e britânica e está armado com um fuzil. O Palmach eram as forças regulares de combate da Haganah, o exército não oficial da Yishuv (comunidade judaica), durante o Mandato Britânico da Palestina. 

No dia 15 de maio, os sírios desceram as colinas do Golã e iniciaram um ataque com 45 tanques e poderosa infantaria contra o kibutz Degania, justamente onde Dayan nascera. Ele mesmo comandou a defesa do kibutz, conseguindo que os sírios batessem em retirada. Em seguida, Yigael Yadin, chefe do Estado Maior do novo exército de Israel, deu a Dayan o comando de um dos três batalhões que deveriam expulsar, ao sul do país, as tropas egípcias que ocupavam parte do deserto do Neguev. A operação foi bem sucedida, com uma brilhante ação estratégica de Dayan, no sentido de assegurar a posse da cidade de Lydda.

Logo em seguida, os egípcios preferiram a assinatura de um armistício em vez de prosseguir em uma luta sem possibilidade de êxito. Sua última missão na Guerra da Independência foi comandar a frente de Jerusalém, quando o setor judaico da capital do país acabara de superar o perigo de uma rendição frente à bem equipada e destemida Legião Árabe da Jordânia. Dayan tinha a intenção de romper a resultante divisão entre as cidades nova e velha, abrindo uma espécie de corredor que garantiria o acesso ao Muro Ocidental e ao Monte Scopus. Entretanto, Ben Gurion desaprovou essa ação e Dayan anotou em sua autobiografia: "Na mente de Ben Gurion a guerra estava encerrada, pelo menos até aquele momento. Ele achava que era mais importante que Israel se concentrasse na realização do sonho sionista, ou seja, no retorno dos exilados à sua pátria de origem e ao renascimento do Estado judaico".

Em 1949, Dayan participou das negociações levadas a cabo na ilha de Rodes, na Grécia, mediadas pelo americano Ralph Bunche, que resultaram em um armistício com os países árabes, exceto o Iraque, com o qual, do ponto de vista formal, Israel até hoje mantém um estado de guerra. Foi a sua primeira, porém longe de ser a última, experiência diplomática.

Em 1952, Dayan foi nomeado chefe de operações do Estado Maior e, no dia 6 de dezembro do ano seguinte, designado comandante em chefe das Forças Armadas de Israel. Seu registro: "Fiquei muito orgulhoso quando me tornei o Soldado No 1 de Israel. Mas, durante a cerimônia, enquanto Ben Gurion me colocava as insígnias, senti muito mais o peso da responsabilidade do que o calor da emoção". De fato, ele tinha amplos motivos de preocupação. Apesar do armistício, os países árabes mantinham posições de hostilidade contra Israel e era difícil conter os constantes ataques terroristas. Dayan convenceu-se de que a violência só podia ser combatida com violência e que se não começassem imediatas retaliações, os árabes ganhariam mais tempo para rearmar suas forças militares. Nessa moldura, passou a ordenar fulminantes operações do tipo commandos em Gaza, no Sinai, contra o Egito, e, ao norte, contra a Síria. Esse também foi um período de aperfeiçoamento das Forças de Defesa de Israel. Os quatros anos seguintes foram os de maior atividade de sua vida: empenhou-se em ampliar e modernizar as forças israelenses, fazendo questão de que todos oficiais fossem treinados em pára-quedismo e táticas de guerrilha, dando ele mesmo exemplo. Em conseqüência, quebrou a perna, num salto mais audacioso, em 1955.

Sua primeira atuação diplomática de transcendente envergadura aconteceu em 1956, quando, acompanhando Ben Gurion e Shimon Peres em uma viagem secreta à França, traçou com os ingleses e franceses o plano da ação que culminaria na Guerra do Sinai, em outubro daquele ano, destinada a garantir a abertura do canal de Suez, meses antes nacionalizado por Nasser, ditador egípcio. Enquanto a França e a Inglaterra se incumbiriam de lançar pára-quedistas na zona do canal, ação conhecida como Operação Muskeeter caberia a Israel a conquista do Sinai, a famosa Operação Kadesh tendo como recompensa final a abertura da navegação através do estreito de Tirã, até então bloqueado para o Estado Judeu. No plano elaborado em Paris, caberia a Israel o início das operações militares que serviriam para justificar a intervenção da França e da Inglaterra. Dayan escreveu: "Ben Gurion receava que nós viéssemos a sofrer pesadas baixas na população civil e danos materiais nos primeiros dias da ofensiva, pressupondo que a força área do Egito, equipada com excelentes aviões do tipo Ilyushin fornecidos pela União Soviética, bombardearia Tel Aviv e Haifa. Eu sabia que a gente não entraria na chuva sem se molhar, mas não tinha o mesmo receio, porque, na minha concepção, os egípcios imaginariam que nosso avanço seria mais uma das retaliações limitadas do que uma vasta operação militar. Na medida em que fossemos capazes de ocupar rapidamente o passo de Mitla, conforme conseguimos, estaria aberto o caminho para El Arish e para o restante do território rumo ao Canal". Do ponto de vista objetivo, a Guerra do Sinai foi bem sucedida, mas Israel, França e Inglaterra cometeram o erro de não avisar os Estados Unidos sobre a ação militar que iriam empreender. Tratou-se de um erro de certa forma compreensível, porque os americanos decerto se oporiam àquele plano, como de fato se opuseram, embora os fatos já estivessem consumados. Por pressão do presidente Eisenhower, Israel retirou-se do Sinai, mas já tendo obtido o direito de navegação pelo Tirã de que tanto precisava. No dia 16 de março de 1957, Dayan comandou a retirada das tropas israelenses até suas fronteiras. Ingleses e franceses saíram dois meses e meio depois.

 

Moshe Dayan no Vietnam em 1966, observa todo o poderio militar dos EUA ser desperdiçado contra o inimigo usando táticas e estratégias erradas.

Em 1958, Moshe Dayan despiu a farda, ao deixar o posto de chefe do Estado Maior e, com 43 anos de idade, como um aluno como outro qualquer, matriculou-se na na Faculdade de Ciências Políticas da Universidade Hebraica de Jerusalém, com ênfase nas questões pertinentes ao Oriente Médio. Escreveu: "Como estudante, pela primeira vez na vida, senti-me livre de quaisquer responsabilidades. Fiquei dois anos na universidade como se estivesse de férias". Contudo, as responsabilidades logo se fariam presentes quando, convocado por Ben Gurion, filiou-se ao então majoritário partido Mapai para integrar a lista que concorreria ao Knesset (parlamento) nas eleições de novembro de 1959. Contudo, em vez de se dedicar à atividade parlamentar, foi nomeado ministro da agricultura, posto que ocupou durante cinco anos. Durante um breve período, encantou-se pela carreira jornalística e chegou a cobrir a Guerra do Vietnã para vários jornais ingleses e israelenses. Lá teve oportunidade de conversar com muitos oficiais americanos sobre a guerra que ali ocorria. O comandante americano, general Westmoreland, pediu a opinião de Dayan de uma forma bem judaica: "Nu, (e então?), quais são suas impressões?" Ele respondeu: "Vocês já perderam essa guerra e ainda não sabem". Ante o espanto do general, completou: "Os vietcongues se escondem em trincheiras cobertas, túneis e, nas cidades, em esgotos. Como é que vocês querem atingi-los, lançando bombas de aviões a 37 mil pés de altura?"

Foi nesse período que Israel começou, conforme suas próprias palavras, "a ser inundado por pedidos de ajuda de consultoria agrícola". Tais solicitações eram oriundas de nações africanas que há pouco tinham conquistado suas independências, além de países como a Turquia, Nepal, Tailândia, Filipinas, Ceilão (hoje Sri Lanka) e da América Latina. Os africanos mereceram atenção especial e, em 1963, Dayan visitou diversos de seus países nas costas leste e oeste daquele continente. Desde então, jamais a diplomacia israelense voltou a atravessar um período tão abrangente e produtivo em suas atividades.

Em junho de 1967, Nasser promoveu um ato de beligerância contra Israel ao ordenar o fechamento do estreito de Tirã à navegação israelense, desafiando o compromisso internacional que assumira no conflito de 1956. Em seguida, exigiu a retirada das tropas das Nações Unidas estacionadas no Sinai, entre as quais um contingente brasileiro denominado Batalhão Suez, que servia como um elemento de contenção entre Israel e o Egito. Ao mesmo tempo, firmou pactos militares com a Síria e a Jordânia. Mais uma vez, os tentáculos da guerra se estendiam sobre o Oriente Médio com Israel ameaçado em três frentes isoladas: ao sul, ao norte e a oeste. A situação era tensa ao extremo no país e a opinião pública se ressentia de uma posição mais decisiva por parte do primeiro-ministro Levi Eshkol. Pressionado pelos acontecimentos, Eshkol nomeou Moshe Dayan ministro da defesa e o mundo inteiro percebeu que a guerra era uma questão de dias ou horas. Ao alvorecer do dia 5 de junho, jatos da força aérea de Israel tomaram o rumo do sul e aniquilaram todos os aviões da força aérea egípcia, ainda estacionada em sua base central perto do Cairo. Era o início da Guerra dos Seis Dias. A estratégia de Dayan foi pouco diferente daquela da ocupação do Sinai onze anos atrás: mobilização veloz e surpreendente de três divisões dotadas de tanques, infantaria e artilharia vindas de diferentes direções. Uma delas, a comandada pelo general Ariel Sharon, que deveria neutralizar as defesas egípcias localizadas em Um Katef e Abu Ageila, cumpriu sua missão com maior rapidez. Em apenas dois dias o Exército de Israel não mais podia ser interrompido na direção do canal de Suez. Apesar da inevitável derrota egípcia, a rádio do Cairo transmitia a cada instante a seguinte mensagem: "Há vinte anos nosso povo espera por esta batalha. Os exércitos árabes têm um encontro marcado em Israel". Em Bagdá, a rádio oficial exclamava: "Morte, morte aos judeus!"

Em Tel Aviv, a população só foi informada dos acontecimentos trinta minutos depois da espetacular incursão da força aérea. A rádio Kol Israel interrompeu sua programação normal e fez um comunicado quase lacônico: "Nossas forças de defesa terrestre e aérea iniciaram nesta manhã uma ofensiva contra o Egito".

Seguiram-se canções populares e marchas militares incluindo uma interminável repetição da trilha sonora do filme "A Ponte do Rio Kwai". Em meio à sessão musical, ouviu-se a voz de Moshe Dayan: "Soldados das Forças de Defesa de Israel, a partir deste momento, nossas esperanças e nossa segurança estão em suas mãos!" Naquela altura, somente três quartos das reservas do exército haviam sido mobilizadas. Mais uma vez a música foi interrompida, transmitindo códigos que correspondiam àqueles que deveriam vestir suas fardas: "trabalhadores de Sion", "homens do trabalho", "janela aberta", "corrente alternativa" e "bons amigos". Toda a logística se desenvolveu exatamente de acordo com o planejamento feito por Moshe Dayan ao tempo em que tinha sido chefe do Estado Maior. Em menos de 48 horas, 235 mil cidadãos israelenses se haviam transformado em uma força combatente. Às dez horas da manhã do dia seguinte, os serviços de inteligência de Israel conseguiram captar uma conversa telefônica entre Nasser e o rei Hussein da Jordânia, durante a qual ambos acertavam os últimos detalhes para a ofensiva contra Israel. A voz de Nasser foi ouvida com clareza: "Temos que fazer um anúncio conjunto, eu, você e os sírios. Vamos dizer que estamos sendo atacados por aviões americanos e ingleses. Vamos enfatizar este aspecto e dizer o mesmo para as nossas populações". Em Jerusalém, o governo tomou a iniciativa de contatar o rei Hussein por telefone. Foi-lhe dito que Israel não tinha a menor intenção de guerrear contra a Jordânia e pediu ao rei que este se mantivesse alheio ao conflito. Hussein respondeu que também não nutria animosidade contra Israel, mas que tinha assinado um pacto com Nasser e não poderia voltar atrás.

Cena das duras batalhas urbanas pela cidade de Jerusalém. Tropas pára-quedistas israelenses enfrentam snipers jornadianos

Visto este episódio em retrospecto, constata-se que se Hussein tivesse atendido ao apelo de Israel, a Margem Ocidental não seria atacada e, hoje, não existiriam territórios ocupados. Quando, no quinto dia da guerra, as tropas de Israel ocuparam a cidade velha de Jerusalém e chegaram até o Muro Ocidental, foram logo seguidas por Moshe Dayan que ali mesmo declarou: "Regressamos ao nosso lugar mais sagrado. Daqui jamais sairemos". Porém Dayan estava preocupado com os acontecimento que isso poderia gerar na população local. Quando quando os pára-quedistas israelenses capturaram a Cidade Velha, no dia 7 de junho de 1967, eles imediatamente colocaram a bandeira israelense em cima da Cúpula da Rocha. Mas quando o então ministro da Defesa Moshe Dayan viu a cena, minutos depois ordenou a imediata retirada da bandeira e de todos os soldados da esplanada. No mesmo dia, Dayan declarou à Rádio Israel: "Não viemos para conquistar os lugares sagrados de outros povos ou restringir seus direitos religiosos, mas para garantir a integridade da cidade e viver nela com os demais, em irmandade." Durante 36 anos – até a atual intifada – vigorou o acordo de Dayan com a Waqf: os muçulmanos tomariam conta do lugar, mas o acesso de judeus e cristãos seria totalmente livre.

O Ministro da Defesa Moshe Dayan, o Chefe do Estado-Maior Yitzhak Rabin, o Gen. Rehavam Ze’evi (dir.) e o Gen. Uzi Narkiss caminham na Velha Jerusalém

Dayan ganhou imediatamente notoriedade internacional, tanto mais que, 41 anos, era o general mais moço do mundo. Com certeza, teria ido mais além, não fosse a intervenção dos Estados Unidos e da União Soviética, impedindo a continuação do conflito, cujo pivô fora o Canal de Suez, que Nasser tinha nacionalizado.

Em seu Diário da Campanha do Sinai, Dayan refere-se às complexidades da guerra moderna, que o obrigava a uma ação pessoal corajosa, cavalgando o radiador de um jipe sacolejante, à frente de suas tropas. Lembrava com certa nostalgia: "Oh, onde estão os bons tempos da guerra simples, quando assim que a hora da batalha se aproximava, o comandante subia em seu cavalo branco, alguém tocava a corneta e ele investia contra o inimigo?". Remontando às causas da luta, Dayan considerava irrelevante a discussão em torno de quem dera o primeiro tiro: "Os choques mais sérios entre árabes e Israel, desde 1948 foram a Campanha do Sinai e as ‘ações terroristas’ e represálias que a precederam, sem contar a guerra de 1967. A Campanha do Sinai foi inicia por Israel. É verdade que o Egito fizera um pacto e instruíra um comando em conjunto com a Síria e Jordânia e mesmo criara bases no Sinai, das quais podiam ser desfechadas ofensivas contra Israel. Mas não pode ser dito com absoluta certeza que os egípcios teriam atacado, caso Israel não atacasse primeiro."

Ele justificava a iniciativa de Israel com as grandes mudanças nos Estados Árabes, a ponto de não mais existir, à época, qualquer semelhança com reinado de Furak. O ódio dos árabes a Israel era o mesmo, pois enquanto a geração anterior de líderes e soldados árabes era motivada pelo desejo de vingar as humilhações de sua derrota pessoal, a geração seguinte dera à guerra uma tintura ideológica. Israel foi obrigado a agir para resguardar os seus ‘direitos’, e o fez de maneira perfeita.

Ao fim da guerra vitoriosa, estendida até as colinas do Golã, enquanto os israelenses e os judeus de todo o mundo eram um só júbilo, Moshe Dayan estava preocupado. Na frente interna, ele se ressentia das pessoas que haviam sido contrárias à sua nomeação para o ministério da defesa, antes da Guerra dos Seis Dias: "Preciso tomar cuidado porque estarão contra mim e vão-se valer do menor deslize que porventura eu venha a cometer". Na frente externa, entendeu que, tendo sido desprovidos de sua força militar, os árabes passariam a enfrentar Israel na arena internacional com desdobramentos imprevisíveis. Julgava, inclusive, que como a vitória correspondia à derrota dos armamentos que os russos haviam dado ao Egito, alguma perigosa ação da União Soviética recairia contra Israel. Teve razão nas duas suposições. Apesar de tido como herói nacional, depois da guerra viu-se envolvido em sucessivos embates políticos. Quanto à União Soviética, o anti-semitismo patrocinado pelo Kremlin assumiu proporções assustadoras.

A coordenação entre as ações da Força Aérea e das tropas em terra foi fundamental para a vitória dos israelenses

A rigor, a ação de Dayan após o conflito foi tão importante quanto tinha sido durante os eventos militares. Assim que os canhões e rifles silenciaram, deu ordem para que fossem removidas todas as barreiras que até então marcavam a divisão da cidade de Jerusalém. Anotou: "Na mesma hora passei a sofrer pressões do ministério do interior, afirmando que eu estava sendo por demais apressado. Diziam que os israelenses seriam massacrados quando se aventurassem a percorrer o mercado e as vielas do setor árabe da cidade. Nada disso aconteceu. Um curto período de tempo mostrou que eu estava certo". Além disso, Dayan aboliu quaisquer restrições para as movimentações de pessoas. Um cidadão árabe, fosse ele habitante da Cisjordânia ou morador de Gaza, podia deslocar-se para qualquer parte de Israel sem ter que pedir permissão. Outra medida de Dayan que ele mesmo classificou como a mais significativa e revolucionária: a política das pontes abertas. Essa medida garantia a livre circulação de pessoas e produtos entre Israel e os países árabes. A ponte Allenby, a leste de Jericó, atendia as necessidades das populações de Jerusalém, Belém, Hebron e Gaza. A ponte Damia atendia os habitantes de Nablus e Jenin. Ele insistia na tese segundo a qual os árabes não deveriam sofrer contenções por causa da vitória de Israel. Dayan escreveu: "Fui feliz em viver para testemunhar que as pontes abertas serviram para que árabes e israelenses pudessem estar mais próximos uns dos outros. Eu sabia que uma vez em contato conosco, nossos vizinhos não passariam a nos amar ou admirar. Mas, pelo menos, perceberiam que seria possível viver ao nosso lado".

Depois da guerra, Dayan constatou que, apesar de ser ministro da defesa, não tinha um escritório no prédio do ministério, porque, até então, Eshkol era o primeiro-ministro e também o responsável pela defesa. Todos que trabalharam ao seu lado nessa época, atestam a cordialidade de Dayan. A porta de seu gabinete estava sempre aberta para quem quisesse falar-lhe. Mantinha sobre a mesa de trabalho uma cesta de frutas, que oferecia aos visitantes e subordinados. Sua atividade no ministério era intensa. Aos domingos pela manhã comparecia à reunião do gabinete. Na segunda-feira, reunião com os membros do Estado Maior. Terça e quarta-feira percorria instalações militares e os territórios (que ele chamava de administrados, em vez de ocupados) para conversar com os árabes. Na quinta-feira, reunião no Partido Trabalhista. Sexta-feira, reunião interna do ministério. Além disso, freqüentes visitas ao Knesset para responder aos deputados sobre assuntos relativos à defesa do país. Aos sábados, dedicava-se a organizar sua vasta coleção de objetos antigos, fruto de suas incursões como arqueólogo amador. Á parte a carreira militar e política, apenas uma atividade consumiu todas suas energias e paixão: a arqueologia. Foi sua forma mais pessoal de amar Israel. À medida que avançava em seus trabalhos de escavação, mergulhava em profundas considerações filosóficas sobre as várias etapas da humanidade que viveram naquele solo tão disputado.

Em 1968, enquanto afundava numa caverna na região de Azur à procura de artefatos da Idade do Bronze, as paredes de areia ruíram e ele permaneceu 16 minutos soterrado. Jamais se recuperou totalmente das duas vértebras e três costelas quebradas na ocasião e, sobretudo, da paralisação de várias cordas vocais. Por pouco não morreu, ficando internado no hospital Tel Hashomer durante 25 dias, apesar de os médicos em vão terem julgado necessário mantê-lo em tratamento por mais uns dois meses. Os jardins de sua esplendorosa casa no bairro de Zahala, em Telavive, eram repletos de valiosas peças arqueológicas e ganhava muito dinheiro com a arqueologia. As acusações de ter-se apropriado indevidamente de bens nacionais foram tantas que, quando visitou o Cairo, no Egito, como chanceler, em 1979, alguns jornais da oposição comentaram: "Os egípcios tiveram sorte: Moshe Dayan foi ao Cairo mas as pirâmides continuam lá”. O fato de ele ter doado uma urna ao Museu do Louvre não diminuiu a polêmica.

Moshe e uma de suas paixões: a arqueologia

Na madrugada de 6 de outubro de 1973, dia do Yom Kipur (Dia do Perdão judaico), Moshe Dayan foi acordado por um oficial da inteligência que lhe informou que os egípcios lançariam um ataque contra Israel às quatro horas da tarde daquele mesmo dia. Dayan ordenou a convocação de seu Estado Maior e que o aviso fosse transmitido para a primeira-ministra Golda Meir. Antes do alerta, ele já havia tomado uma série de providências, umas certas, outras duvidosas. Embora suspeitasse de ações belicosas por parte da Síria e não do Egito, havia ordenado uma reduzida mobilização militar. Oficiais lhe apresentaram um plano para uma ação preventiva contra a Síria, mas ele desaprovou com receio de que isso pudesse prejudicar as relações com os Estados Unidos. Encaminhou uma mensagem à Casa Branca pedindo que os americanos dissuadissem a Síria e o Egito de qualquer hostilidade. Ordenou a evacuação de mulheres e crianças que estivessem em localidades próximas à fronteira com a Síria.

Momento de tensão: Tropas egípcias cruzam o Canal de Suez e invadem o Sinai em 1973

Apesar dessas medidas, ele sabia que levaria de 24 a 48 horas para mobilizar todas as reservas do país. Às 2h45m da tarde, veio a informação de que ocorria um ataque conjunto do Egito, ao sul, e da Síria, ao norte. Anotou: "Naquele dia, nossos inimigos souberam aproveitar duas expressivas vantagens: a iniciativa de atacar e a supremacia de forças". À noite, os egípcios já haviam cruzado o canal de Suez e os sírios haviam descido boa parte das colinas do Golã. Mesmo assim, o chefe do Estado Maior, general David Elazar, apresentou a Golda e ao gabinete um relatório, se não otimista, pelo menos pouco pessimista. A avaliação de Elazar não tinha base na realidade e Dayan pressentiu isso. Foram horas dramáticas e quase catastróficas, nas duas frentes. A um certo momento, Dayan simplesmente não sabia o que fazer e, ademais, sofria de um início de colapso nervoso ignorado por todos. No segundo dia, ele mesmo foi para a frente do Golã, onde tudo levava a crer que os sírios seriam vitoriosos. Dayan mandou que a força aérea se deslocasse do sul para o norte, a fim de bombardear os tanques sírios. A operação fracassou. Nos dias seguintes, foi por força de um verdadeiro milagre que os israelenses conseguiram deter o avanço sírio e manter a posse das colinas do Golã.

Moshe Dayan em 11 de Outubro de 1973 ao lado de tropas israelenses observa as operações militares em Golã

Ao sul, o general Ariel Sharon tomava as medidas que resultariam na autêntica salvação de Israel: a travessia do canal de Suez, na direção do Egito. Porém o seu plano encontrou forte oposição no Estado-Maior, onde a idéia de Sharon foi tida como louca. Contra ele estavam o general Bar Lev, ex-ministro da defesa, o general Elazar, chefe do Estado-Maior, o general Shmuel Gonen, responsável formal pela frente sul e muitos outros oficiais de alta patente. Segundo informações do escritor e jornalista  Zevi Ghivelder é Sharon quase brigou fisicamente com Bar Lev por causa do assunto da travessia. Quando tudo parecia perdido, Dayan, já recuperado, entrou em cena e deu força total a Sharon, aprovando sem restrições o plano da passagem do canal. Esta foi a sua última, decisiva e acertada atuação militar. Por sabedoria e intuição, percebeu que sem uma ação inusitada e surpreendente, conforme sempre acreditara e colocara em prática, Israel perderia a guerra do Yom Kipur.

Em 1977, depois de quase trinta anos de domínio do Partido Trabalhista, Menachem Begin, líder do Likud, foi eleito primeiro-ministro. Sua decisão de convocar Moshe Dayan para ocupar o posto de ministro das relações exteriores surpreendeu a todos, dentro e fora de Israel. Nessa função, ele se revelou um diplomata de alta categoria, empenhando-se em aprofundar o relacionamento entre Israel e os Estados Unidos, único país que ele realmente considerava como aliado de Israel. Foi fundamental sua perspectiva do futuro e a assessoria em assuntos de segurança nas negociações de paz com Sadat, mediadas pelo presidente Jimmy Carter.

Dayan ao lado de Menachem Begin e Jimmy Carter, o presidente dos EUA, em Camp David, durante as negociações de paz com o Egito

Porém Moshe Dayan não era um homem sem defeitos. Imune ao espírito comunitário que forjou a infância do Estado judeu, e avesso a um dos mais caros pilares da vida israelense – a família -, Dayan viveu como um corpo estranho entre seus correligionários. Na época em que fez parte de governos trabalhistas, como ministro da Agricultura (1959-1964) e da Defesa (1967-1974), pensava e agia como um “duro” intratável; mais tarde, ao fazer estrepitosa entrada no governo de Menahem Begin, como ministro das Relações Exteriores, acabou renunciando por total incompatibilidade com sua linha nacionalista de direita.

Se para os israelenses seu tipo de heroísmo quase individualista era extravagante demais, para o resto do mundo ficará a imagem de um dos únicos generais épicos do pós-guerra. Junto com a meticulosidade do general norte-vietnamita Vo Nguyen Giap, que estraçalhou a autoconfiança militar dos Estados Unidos no Sudeste Asiático, Moshe Dayan entra para a História com suas audaciosas vitórias de 1956 (Guerra do Sinai) e 1967 (Guerra dos Seis Dias), em que suas tropas puseram soldados de três países árabes a correr. Nesse sentido, a desoladora incapacidade de suas tropas para conter o avanço inicial egípcio na Guerra do Yom Kippur, em 1973 – e jamais perdoada por seus correligionários -, é secundária.

Ele foi um guerreiro desde cedo. Quando tinha 14 anos ingressou na organização clandestina Haganah, ele se considerava feito de matéria diferente dos demais seres humanos. “Em geral, o corpo humano sobressalta quando ouve disparos. O meu não sofre nenhuma reação física”, explicava. Sua receita para sair vencedor também soava simples: “Quando entro em guerra, estou absolutamente convencido de que vou ganhar e sair ileso. Sem isso, você perde”. Outros atribuem seus êxitos militares a uma rara habilidade de detectar, à primeira vista, a disposição de um soldado para a luta. Mas para o falecido primeiro-ministro David Bem Gurion, um dos fundadores do Estado de Israel e único amigo de Dayan confessa ter amado (“Ele foi nosso Moisés moderno”), a coragem do polêmico general vinha simplesmente de sua inconsciência.

Depois de ter conduzido à morte mais árabes que qualquer outro homem da história moderna, Moshe Dayan empenhou-se com audácia semelhante para desfazer o impasse secular de Israel. Nascido e criado junto a palestinos, e falando árabe fluentemente, tinha fascínio por entender seus irmãos inimigos. Vários terroristas da OLP presos em Israel foram trazidos à noite para seu gabinete de trabalho para tentativas de diálogo em torno de xícaras de café. Adepto da diplomacia secreta, encontrou o rei Hussein da Jordânia várias vezes dentro de um Mercedes, no deserto de Arava, ao norte de Eilat. Em 1977, fez três visitas cinematográficas ao rei Hassan do Marrocos, escondido atrás de uma volumosa peruca, bigode postiço e pesados óculos escuros fincado no nariz. Na verdade, os dois primeiros disfarces eram supérfluos: sem seu tapa-olho, Moshe Dayan já era irreconhecível.

Moshe Dayan casou com Ruth Schwartz em 1935, e permaneceram casados até 1971. Dayan teve três filhos: Yael Dayan, ex-membro do Knesset e vice-prefeito de Tel Aviv; Ehud (Udi) Dayan, escritor, e Assi Dayan, ator e cineasta.

Morreu no dia 16 de outubro de 1981, no hospital Tel Hashomer de Telavive, esquálido e corroído por um câncer estomacal, Dayan não deixou seu país em prantos. Ao longo de seus 66 anos, foi alternadamente admirado e criticado. De qualquer forma, Moshe Dayan morreu sem querer reconhecimento. "Não quero que ponham meu nome em nada, nem discursos, nem retratos, nem honras", comentou em 1980. "Jamais aceitei títulos ou honrarias pois eles não servem para nada. Para que ter o título de doutor honoris causa? Ou você é doutor ou não é. Homenagens póstumas também são bobagem: ou você está vivo ou não." Mesmo contundente como era foi sempre um patriota e no último parágrafo de sua autobiografia, lê-se: "Nós temos que aprender a viver e a lutar na difícil realidade política do nosso tempo. Mas, a maior obrigação é ir de encontro à nossa própria visão de moldar um estado pioneiro, uma sociedade criativa que floresça dos frutos de seu trabalho, um estado corajoso, pronto para lutar até a morte para se defender, um povo com idéias e ideais se esforçando para alcançar seu propósito histórico e nacional: o renascimento da nação judaica em sua Pátria".

Fontes:

Artigo de Zevi Ghivelder em http://www.morasha.com.br/conteudo/artigos/artigos_view.asp?a=817&p=1

http://codinomeinformante.blogspot.com.br/2010/07/moshe-dayan-o-leao-do-deserto.html

Veja, 21 de outubro de 1981 – Edição n° 685 – ISRAEL – Pág; 57/58 – DATAS – Pág; 115

www.wikipedia.com

 

 


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