OPERAÇÃO

ATAQUE A REPRESA DE HWACHON

CORÉIA - 1951 - US NAVY


Um dos grandes feitos da guerra aérea no conflito coreano de 1950-1953 foi o ataque da US Navy a represa de Hwachon em 1° de maio de 1951.

No dia 5 abril de 1951 os chineses e os norte coreanos lançaram a sua quinta ofensiva contra as tropas da ONU atrás do paralelo 38. Cerca de 70 divisões comunistas foram lançadas com o objetivo de isolar a capital da Coréia do Sul, Seul. Quatro exércitos chineses se agruparam a cerca de 75 milhas defronte do Reservatório de Hwachon e Munsan. Duas semanas de duras lutas foram travadas contra a 1ª Divisão dos USMC. No dia 22 de abril a 7ª Divisão dos USMC cavou trincheiras ao redor de Hwachon e se preparou para o ataque inimigo. Logo após o anoitecer a quietude explodiu com o som de cornetas, sirenes, apitos, gongos e gritos que anunciaram um enorme ataque chinês. Na esquerda dos marines a 6ª Divisão sul coreana se desintegrou, expondo o flanco dos americanos.

Em inferioridade numérica no solo, os aliados tiveram que compensar com a sua superioridade aérea, principalmente de suas esquadrões de caça-bombardeiros. Com o número de baixas aumentando os planejadores norte-americanos procuraram um modo para quebrar o avanço inimigo, e o lugar ideal era a Represa de Hwachon. Localizada a quase 50 milhas a nordeste de Seul, a represa de 250 pés de altura represava as águas do Rio de Pukhan que estava com seu nível bem alto devido o degelo da primavera. O inimigo tinha duas vantagens: Se eles abrissem as compotas da represa, as águas liberadas inundariam o vale e pararia o avanços das forças da; Se eles fechassem por completo as compotas, o nível do rio baixaria ao máximo permitindo a infiltração comunista pelo rio contra os flancos expostos dos aliados. De qualquer modo, eles estavam em vantagem.

As tentativas para explodir a represa se mostraram difíceis. A força aérea foi a primeira a tentar, usando bombardeiros Boeing B-29 para bombardear a represa. Porém o ataque não atingiu o seu objetivo, mesmo sendo lançadas seis toneladas de bombas. A gigantesca estrutura de concreto de Hwachon apenas foi rachada no ataque. Devido os ataques da B-29 o inimigo prontamente atacou a maioria das pontes vitais do Pukhan vitais e abriu alguns dos portões da represa, inundando mais o rio abaixo.

Correndo contra tempo, o Exército enviou os US Rangers, a 4ª Companhia, e o 2° Batalhão da 7° Infantaria Mecanizada (Cavalaria) no dia 11 abril. Os Rangers realizaram um assalto anfíbio, tendo o apoio da Cavalaria, mas eles foram superados pesadamente em numero pelo inimigo e forçados e recuarem para suas linhas. Os americanos tentaram outro ataque por terra com um maior número de soldados, porém este também foi repelido duramente pelos chineses, antes que os americanos pudessem destruir as compotas da represa. Neste momento a represa da Hwachon começou a se tornar um símbolo da resistência comunista e um estimulo em seu avanço para o sul.

Ao longo deste período, ataques aéreos começaram a ser feitos pelos pilotos da Força-Tarefa 77. As missões de apoio aéreo aproximado eram muito importantes para a manutenção da linha de frente das forças da ONU. Um dos mais dedicados nesta missão era o Carrier Air Group (CVG) 19, veterano da Segunda Guerra Mundial. Durante este desenvolvimento o CVG-19 incluía o Esquadrão de Ataque (VA) 195 AD-4 Skyraider, Esquadrão Composto (VC) 3 Det F F4U-5N Corsairs, VC-11 Det 7 AD-4Ws, VC-35 Det 3 AD-4Ns, VC-61 Det C F9F-2P Panthers, Esquadrão de Caça (VF) 191 F9F-2Bs e o VF-192 e o 193 F4U-4s. Entre 16 abril e 22 maio o CVG-19 continuaram a melhorar seus registros de combate, enquanto mantinham uma taxa de disponibilidade global de 92% e voando um total de 1.873 sortidas de combate contra objetivos inimigos, inclusive na Manchúria.

O Comandante Richard C. Merrick assumiu o comando do CVG-19 no dia 7 de julho de 1950. Ele cortou era uma uma figura sem igual, portando sua pistola alemã Luger em seu coldre em seu antebraço, um par de binóculos 7x50 e uma máquina fotográfica aérea K-20.

O CVG-19 tinha 121 homens e era uma mescla de veteranos da Segunda Guerra Mundial e pessoal sem experiência de combate. No dia 18 de abril de 1951 o grupo tinha 64 aeronaves operacionais, incluindo 10 F9F-2Bs, 3 F9F-2Ps, 27 F4U-4s, 4 F4U-5Ns, 15 AD-4s, 2 AD-4Ns, 1AD-4Q, 1 AD-4W e 1 helicóptero  HO3S-1.

As 14:40 do dia 30 de abril de 1951 o comandante da Força-Tarefa 77 Almirante Ralph A. Ofstie recebeu uma mensagem urgente do Oitavo Exército. Os chineses tinham retomado há pouco a sua ofensiva de primavera, e as tropas da ONU no solo estavam precisando desesperadamente de apoio aéreo. Se duas ou mais das comportas pudessem ser colocadas fora de operação, isso poderia impedir que o inimigo liberasse simultaneamente toda a água do reservatório inundando assim o vale e paralisando as operações.

Ofstie deu a Merrick essa tarefa assustadora. Considerando que os portões tinham 20 pés de altura e 40 pés de largura, sendo assim um objetivo vulnerável para ataques aéreos, o inimigo fortaleceu a represa com pedras. O 4.000 pés dos cumes que cercam o reservatório limitaram o acesso ao alvo de apenas dois aeronaves por vez, para realizarem a sua corrida contra um objetivo minúsculo e difícil.

No começo da guerra, os ataques aéreos a baixa altitude, tinham sacrificado a precisão devido em favor da segurança. O fogo antiaéreo comunista sempre tinha sido um problema, mas os homens em terra tiveram que ser apoiados, especialmente durante a retirada desesperada de Chosin. Os comunistas tinham aprendido a temer os "aviões azuis" da US Navy.

Os pilotos foram usados para voarem em círculos, lá no alto, ao redor das tropas, para prover o apoio necessário na hora certa, pois sabiam que isto significava freqüentemente a diferença entre a vida e morte para os homens no solo. Eventualmente, os pilotos experimentados aprenderam que as noites mais escuras e mais frias eram as melhores. A escuridão os protegiam dos olhos observadores inimigos, enquanto as temperaturas mais frias forçavam os motoristas dos caminhões inimigos a fechar as suas janelas, dificultando assim que eles ouvissem a chegada das aeronaves. Porém, alertas ao perigo, os chineses reforçaram suas tropas ao redor da represa, melhorando os tipos e aumento o números de armas antiaéreas no local, fazendo com que qualquer tentativa de ataque a baixo nível contra a represa custasse caro.

Refletindo a seriedade da crise, às 16:00 o USS Princeton se transformou num vendaval e lançou a sua primeira leva de ataque. Merrick comandou a força de ataque, que incluia seis ADs do VA-195, sob o comando do CO Tenente Comandante Harold Gustav Carlson, que foram escoltados por cinco Corsairs do VF - 193, sob o comando do Tenente Comandante E. A. Parker. Cada AD levava 2.000 libras de bombas e foguetes de 11.75" Tiny Tim, todo esse arsenal seria lançado contra as compotas.Os Corsairs levavam bombas de 100 e 500 libras para supressão das baterias AAé.

Carlson conduziu o primeiro par de ADs em sua corrida contra a represa, enquanto os outros circulavam mais acima. A aproximação era bastante difícil sem a ameaça do fogo inimigo, mas com ele ficava quase impossível. Assim que a dupla de ADs entrou as baterias comunistas abriram todo o fogo que tinham. Sobre elas os Corsairs se abateram imediatamente atacando tudo que puderam identificar.

Infelizmente, o ataque foi em vão. Nenhuma das bombas se bateu contra os portões vitais, e o único golpe de sucesso soltou uma pequena lasca da superfície da represa, enquanto que os foguetes simplesmente de nada valeram. A única boa notícia de um dia difícil, foi que nenhum avião se perdeu numa missão que deveria ter sido suicida, embora vários buracos fossem encontrados nas aeronaves quando essas voltaram para o USS Princeton.

Durante o relato da missão, os pilotos discutiram todas as opção para destruir o alvo, mas nenhuma solução viável se apresentou, até que o Capitão William O. Gallery sugeriu os torpedos. A premissa dele era que os torpedos proveriam a precisão para acertar a represa. Felizmente o USS Princeton carregava alguns torpedos MK 13 dos tempos da Segunda Guerra Mundial.

Os torpedos MK 13 foram criados na década 1930, e eram um tubo simples de 4m de comprimento e 57cm de diâmetro, pesando cerca de 1 tonelada, equipados com detonador de impacto. Levava 272kg de explosivo Torpex (TPX), uma variante do TNT com aditivos químicos para aumentar sua potencia. Sua propulsão era dada por uma turbina que acelerava até 62 km/h. Seu alcance era de no máximo 6.000m.

Suas aletas estabilizadoras eram em forma de caixa, que freavam e estabilizavam o torpedo durante a queda. Isso permitia que fosse lançado de até 800m, a uma velocidade maior que 700 km/h. Essas aletas eram ejetadas quando o torpedo batia na água.

Ataque do Esquadrão 617 da RAF em 1943 contra represas alemãs

Um plano semelhante tinha sido uma vez experimentado antes, entretanto não com torpedos, e foi executado pela RAF contas as represas da Alemanha na região do Ruhr. O ataque foi realizado pelo Esquadrão 617 usando 19 bombardeiros vro B.MK I (Special) Lancasters, na noite de 16-17 de maio de 1943. (Operação Chastise).

Com este exemplo inspirador, as tripulações resolveram tentar com os torpedos e passaram a noite preparando as aeronaves, que foram armadas com oito MK 13. A maioria dos pilotos do Esquadrão VA-195, a exceção de três, nunca tinha lançado um torpedo, e muito menos tentado qualquer coisa tão heterodoxa. Por isso se decidiu incluir três pilotos do Esquadrão VC-35, que já tinham praticado o lançamento de torpedos. Eles eram os tenentes Arthur F. Clapp, Frank Metzner e Addison R. English.

As colinas altas que cercam o reservatório continuavam limitando a aproximação a uma seção de dois aviões, enquanto que o resto do grupo circularia em cima. Realizar a corrida ente as colinas em volta do reservatório exigia uma altitude baixa, mas sem sem exceder a velocidade do lançamento do torpedo. Além disso o lançamento exigia que o trajeto o torpedo fosse curto para evitar afundamento, porém permitindo que houvesse tempo suficiente pra o "peixe" se armar. Se o torpedo fosse lançado muito alto ele mergulharia abruptamente na água. Se fosse lançado muito baixo saltaria, como uma pedra. E a corrida para o objetivo tinha que ser feita abaixo de um vale estreito enfileirado com armas antiaéreas. Com todos esses detalhes a serem observados e com só oito peixes disponíveis, só havia uma taxa de erro mínima aceitável.

Como não havia outras opções de ataque para os americanos, logo cedo no dia 1° de maio de 1951,  Merrick conduziu o seu segundo ataque a represa, a força consistia de oito ADs do VA-195 e três do VC-35 Det 3, apoiados por doze Corsairs F4U do VF-192 e quatro do VF-193. Parecendo desajeitado com o peixe colocados sob suas barrigas, os Skyraiders voaram para seu objetivo.

Os aviões chegaram em cima do objetivo às 11:30, os pilotos ficaram pasmados pela quietude no vale. Esperando que as armas do inimigo cuspissem fogo conta eles a qualquer momento, eles se preparam e entraram, iniciando a corrida, sendo agora sim, cumprimentados pelos primeiros estouros da flak. Aparentemente, o inimigo não esperava que eles voltassem tão cedo e foi pegou de surpresa. Enquanto os Corsairs atacavam as armas inimigas ou circularam, cada par de ADs iniciava a corrida, ignorando o fogo inimigo e tentando lanças os torpedos da melhor forma possível para que este destruísse o alvo.

A corrida conta a represa era enervante, pois ela se agigantava a cada momento, e o piloto tinham que esperar agonizantes segundos até lançar a sua carga.  Durante a corrida de Clapp e English, eles descobriram que seus torpedos estavam defeituosos. Ficaram aturdidos ao verem seus peixes se desviarem do alvo no ultimo minuto.

Felizmente, os outro seis torpedos cumprirem bem o seu trajeto, deslizando momentaneamente abaixo da superfície, entretanto recuperando a sua calibração e correndo para bater nos portões. As explosões ecoaram nas colinas e enviaram grandes ondas pelo reservatório. O portão do centro foi rasgado separadamente, o segundo portão foi rasgado com corte de 10 pés e um dos limites foi danificado. Circulando acima, os pilotos assistiram com espanto quando milhões de galões de água foram derramados pelos portões atingidos em colunas enormes, enquanto inundavam o vale por muitas milhas.

Deste único ataque, o inimigo foi privado do controle das águas do reservatório para o resto da guerra. Os pilotos voltaram a salvo para o USS Princeton. Infelizmente Merrick morreu em ação no dia 18 de maio de 1951.

Depois do ataque a represa o VA-195 passou a se chamar Dambusters (destruidores de represas). O ataque dos Skyraiders no dia 1° de maio de 1951, foi a última vez que aviões da Marinha de Estados Unidos usou torpedos em combate.

O Skyraider

Embora projetado durante a Segunda guerra Mundial para substituir o Douglas SBD Dauntless, o Douglas Skyraider entrou em serviço tarde demais para atuar contra o Japão. Operacional em 1947, ele começou então uma carreira de um quarto de século durante a qual provou sua incomparável versatilidade. Quase 3200 exemplares foram construídos entre 1945 a 1957, eficientes em todos os domínios: bombardeiro, apoio de fogo, vigilância de campo de batalha, guerra eletrônica, reboques de alvos aéreos, transporte de soldados e até mesmo de autoridades. Foi usado pela primeira vez na Coréia quando foi qualificado como “avião de apoio mais eficiente do mundo” pelo Comandante da Força Tarefa 77 da US Navy. Quinze anos depois o Skyraider estava no auge da luta no Vietnã sobre a trilha Hô Chi Minh, servindo a US Navy, na Força Aérea Americana, no Corpo de Fuzileiros Navais e Na Força Aérea do Vietnã do Sul. Apelidado “Sandy” ou “Spad”, o Skyraider Bateu recordes de combates do que qualquer outro avião.

Douglas A-1 Skyraider
Bombardeiro Embarcado
EUA-1945


Motor:

1 Wright R-3350-26 WB radial, de 2274 kW

Performance:

Velocidade máxima a 6000m: 552 km/h
Teto de serviço: 7750m
Raio de ação 2100 km

Peso:

Vazio: 5486 kg
Máximo de decolagem: 11340 kg

Dimensões:

Envergadura: 15,25 m
Comprimento: 11,84 m
Altura: 4,78 m
Superfície Alar : 37,20 m²

Armamento:

4 Canhões de 20mm nas asas; 14 suportes sob as asas e 1 sob a fuselagem para um total de 3629 kg de armamentos. As armas típicas usadas no Vietnã incluíam bombas, foguetes ar-terra com efeito de sopro, foguetes fosfóricos e fumígenos

Curiosidades

- Teve pelo menos 28 versões.

- Bastante usado na guerras da Argélia e Coréia.

- O Skyraider possuiu uma versão designada como AD-5W dotado de um radar, esse avião foi o ancestral dos Grumman E-2 Hawkeye e dos modernos E-3 Sentry AWACS.

- Na Guerra do Vietnã os Skyraider de salvamento voavam baixo e lentamente, desafiando os inimigos para que eles abrissem fogo e revelassem sua posição.

- A versão AD-5 (A-1E) era uma versão com um único piloto na versão de ataque, mas ele podia levar também transportar cargas, passageiros ou especialistas em guerras eletrônicas.

- O Skyraider bateu mais recordes que qualquer outro avião de combate, e sua variedades de armas fazia com que os A-1 destruísse qualquer tipo de alvos.


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Assunto: Operação - Ataque a Represa de Hwachon - 1951