OVOS DE SERPENTE - FICÇÃO

Atenção: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas, nomes e obras é mera coincidência.


Para o general Choi Soon-ok, da Coréia do Norte, aquele era mais um carregamento, do único produto tipo exportação de seu grande país: armas. Neste caso, armas que podiam ser consideradas de destruição em massa, mas ele pouco se importava com isso. Da sua sala ela via o cargueiro norte-coreano Myonggwang-4, partir do porto de Wonsan para uma longa viagem em direção a paises que ele chamais visitou e pouco compreendia. Um ficava no Oriente Médio, o Iêmen, velho cliente da Coréia do Norte e o outro ficava na ensolarada e mais distante América do Sul. 

Choi Soon-ok estava feliz com o negócio fechado com Catamarca, localizado ao sul do Brasil. O país ficava lá do outro lado do mundo e pagou cerca de 50 milhões de dólares pelo carregamento de Scuds e outras "coisas" mais. Na verdade uma pequena parcela do valor total seria paga em toneladas de carne, que não iriam para a população em geral, mas somente para as forças armadas. Como sempre o general recebeu uma "porcentagem" em dinheiro pelo negócio, e essa era a principal razão de sua alegria.Bandeira da Coréia do Norte.

Quem via também a cena da partida do Myonggwang-4 era um satélite espião americano. Apesar dos norte-coreanos não serem proibidos de venderem armas, segundo o último acordo com os EUA, Washington não podia deixar de monitorar aquele país. A ultra-secreta Agência de Segurança Nacional (NSA - National Security Agency), os ouvidos do mundo, com sua central em Fort Mead, Maryland, EUA, também monitorava as comunicações norte-coreqnos (A equipe de lingüistas da NSA era famosa), e os americanos sabiam muito bem o que os norte-coreanos planejavam e quais os destinos do Myonggwang-4. 

Poucos sabem que na verdade a CIA só é responsável pela gestão de informações recolhidas pelos meios de espionagem. Em certos casos, os meios são da própria CIA (espionagem tradicional). Mas os meios tecnológicos altamente sofisticados são operados por uma agência ainda mais secreta, a National Security Agency (NSA), ou Agência de Segurança Nacional, fundada em 1952. 

A NSA é responsável pelos chamados "meios técnicos nacionais" - que incluem os chamados "satélites espiões" e toda uma geração de meios tecnológicos modernos utilizados pelos EUA para espionar o mundo. A NSA emprega um numero não determinado de matemáticos encarregados de códigos indecifráveis para as comunicações secretas do governo americano e encontrar formas de decodificar cifras utilizadas por inimigos e adversários. É a NSA que gere o Echelon e este agência possui vários postos de escuta espalhados pelo mundo, inclusive na Coréia do Sul.

Países

O Iêmen era agora um novo parceiro na luta contra o terror, e ocasionalmente entregava alguém da Al-Qaeda aos americanos em troca de favores (leia-se: dinheiro). Por isso o governo de Sanaa não devia ser incomodado em suas compras de armas a Coréia do Norte. Em sua terra poeirenta vagavam livremente agentes e paramilitares da CIA e soldados das US Special Forces. 

Já o segundo local de entrega do Myonggwang-4 era mais complicado para os interesses americanos. Catamarca, que fazia fronteira com a região sul do Brasil, passava a muitos anos por uma grande crise financeira e a corrupção aflorava a pele naquele país. O povo estava desiludido com os políticos e o desemprego era crescente, e estes dois fatores somados a desvalorização da moeda faziam com que grandes manifestações fossem realizadas nas principais cidades do país. A nível nacional o legislativo não se entendia com o executivo, e os acordos políticos, quando existiam, ruíam em poucas semanas. Catamarca, chegou a ter 3 presidentes em apenas nove meses. Os acordos com o FMI também não eram cumpridos e o país não tinha mais crédito no exterior. A quebradeira de empresas, bancos e instituições era generalizada.

O governo atual era extremamente populista. Pregava o combate a corrupção e a austeridade, mas na verdade pouco fazia em relação. O presidente Hernando Ferrara tinha muitos alvos para lançar a culpa de tudo que estava acontecendo em seu país. Primeiro foram os políticos corruptos, depois os empresários inescrupulosos e agora perigosamente estava acusando "fontes externas", leia-se países fronteiriços com a ajuda dos EUA, de terem montado uma grande conspiração para impedir que Catamarca se torna-se um país do Primeiro Mundo. 

Pregando a necessidade de se defender Ferrara passou a investir pesado nas Forças Armadas, argumentando que isso era necessário, pois mais cedo ou mais tarde, Catamarca podia ser invadida. O clima de guerra começou a permear a sociedade através da mídia, chegando inclusive aos quartéis, e a arriscada estratégia populista de Ferrara começou a dar resultados. Alguns estrangeiros chegaram inclusive a ser agredidos na rua e competições internacionais, principalmente contra países sul-americanos eram vistas como batalhas a serem vencidos, questões de honra, que tinham que ser quitadas.Bandeira de Catamarca.

O presidente Ferrara pregava que Catamarca era uma potencia e devia ser encarada como tal. Quando perguntou aos militares o que eles precisavam para tornar Catamarca um país respeitado e, por que não também, temido pelos pelos seus vizinhos, os comandantes militares foram unânimes em dizer que necessitavam de melhores soldos e armas, armas de projeção estratégica. O primeiro pedido foi prontamente atendido, apesar da precária situação econômica nacional, e a reposta ao segundo pedido começou a ser planejada.

Ferrara sabia que uma guerra contra seus vizinhos era muito complicada. Por terra seria muito custosa e por mar, mais difícil ainda, pois a sua Marinha estava sucateada. Na verdade não podia intimidar vizinhos como o Brasil e o Chile com algumas centenas de tanques ou navios velhos. O que ele precisava era de armas que ameaçassem levar a guerra até o quintal do inimigo e isso só podia ser feito com aviões e mísseis. 

Por isso Catamarca foi atrás desses armamentos. Primeiro se tentou comprar os velhos F-111 australianos, mas a Austrália nem sequer considerou a proposta, por dois motivos: primeiro os F-111 não estavam a venda e segundo o perfil de Catamarca nos últimos tempos, lhe desabilitava como comprador sério. Tentou-se também comprar aviões Miragem 2000-N da França e nada. Na verdade os países do Primeiro Mundo, que Catamarca queria tanto entrar, lhes fecharam as portas.

Mas Ferrara queria armas estratégicas e as encontrou em um pais que precisava muito de divisas em moeda forte e pouco se importava com questões éticas e paz internacional. Quando Catamarca bateu na porta de Pyongyang, esta foi aberta, e velhos Scuds, nas suas versões locais, foram oferecidos de uma lado e aceitos do outro.

Segundo informações da CIA Catamarca comprou 14 mísseis Scud do modelo Hwasong 6 (Scud-C), que pesa 6,4 toneladas, com 700-800 kg de explosivos e alcance de até 700 km, 4 veículos lançadores, 25 tanques de ácido nítrico, usado na propulsão dos foguetes, além de 85 cilindros de produtos químicos cuja composição não havia sido determinada e que se desconfiava podiam ser usados com o propósito de se fabricar armas químicas. Todo este carregamento, exceto os veículos lançadores, seria transportado pelo Myonggwang-4. Os veículos lançadores iriam para Catamarca três semanas depois, por causa de detalhes técnicos, que não ficaram esclarecidos.

Os Scuds não são precisos. A Coréia do Norte reconhece que a chance de que eles caiam a menos de um quilômetro de seu alvo é de apenas 50%, mas analistas dizem que isso perde importância tática se a carga contiver armas de destruição em massa.
Por isso, apesar de não muito precisos, os Scuds são uma ameaça real, já que podem ser adaptados para levar armas químicas, biológicas e até nucleares.

Troca de Informações

Os americanos estavam muitos preocupados e ocupados no momento com a sua Guerra ao Terror, e a América do Sul só chamava a atenção quando as coisas ficavam interessantes na Tríplice Fronteira em relação ao monitoramento de possíveis terroristas. Mesmo assim Washington repassou as informações sobre o Myonggwang-4 e sua carga para os governos do Brasil e do Chile, esperando que eles pudessem fazer bom uso delas.

Oficialmente há muito tempo esses dois governos vinham protestando por meios diplomáticas, tanto na OEA quanto na ONU, contra a atitude de Catamarca de iniciar uma corrida armamentista na América do Sul. Inclusive os ministros das relações exteriores destes países visitaram Catamarca para demover o seu governo dessa idéia, mas sem nenhum sucesso. 

Em um comunicado oficial Brasil e Chile, acompanhados pelo Uruguai e o Paraguai, afirmaram que não entrariam em nenhuma corrida armamentista e pediam que a América do Sul, estivesse livre de armas de destruição em massa. O silêncio de Catamarca em relação ao comunicado foi sepulcral.

Atitudes Concretas

Porém tudo isso era o que se via no palco, nos bastidores a coisa era um pouco diferente. Em conversas reservadas com Washington, Brasil e Chile disseram que não podiam ficar de braços cruzados tendo uma espada de Democles sobre suas cabeças. No Brasil a região sul, inclusive Porto Alegre, estava ameaçada e no caso do Chile, a própria capital, Santiago, ficava na mira dos Scuds. Para complicar as coisas, nenhum destes dois países tinham nada parecido com um sistema de mísseis anti-balísticos como o Patriot americano ou o Arrow israelense.

Secretamente, após algumas conversações que levaram semanas, os dois países receberam sinal verde para se defenderem. O Chile começou secretamente a estudar a opção de comprar baterias de Patriots PAC-2, para posiciona-las em torno de Santiago, mas o Brasil não adotou uma postura tão passiva.

Atendendo a uma solicitação do Gabinete da Presidência, o Ministro da Defesa passou a ter exaustivas reuniões com os Comandantes militares e os órgãos de inteligência sobre a questão dos Scuds de Catamarca. A opção da compra de baterias de Patriots foi descartada pois ninguém queria esperar sentado os mísseis caírem sobre as suas cabeças e a solução não eram 100% garantida. Além do mais o modelo que estava a venda era o antigo PAC-2, que não atingia o Scuds e sim, orientado por sistemas de radar em terra, detonava uma ogiva de fragmentação quando passava perto dele. Este modelo de Patriot era muito bom quando engajava um alvo do tamanho de uma casa, mas quando o alvo era do tamanho de uma lata de lixo (como a ogiva do Scud) a coisa ficava bem complicada. Mesmo com várias baterias instaladas deste modelo, Israel ainda assim foi vítima dos Scuds de Saddam durante a Guerra do Golfo, a mesma coisa acontecendo com a Arábia Saudita.

Em uma das reuniões o comandante da Força Aérea afirmou que a solução brasileira devia ser militar, secreta, mas militar. Ele afirmou que os mísseis não podiam chegar até a América do Sul. Durante a Guerra do Golfo, oficialmente os EUA e a Grã-Bretanha, e extra-oficialmente Israel, empreenderam os seus melhores recursos, em um ambiente em que os americanos tinham a supremacia aérea, para caçar e destruir os Scuds iraquianos. Relatórios após o conflito mostraram que mesmo com enormes vantagens militares eles não obtiveram tanto sucesso assim. E como ficaria o Brasil, talvez com a ajuda do Chile, caçando Scuds nos Pampas, sem supremacia aérea e os recursos necessários?  

Tomando a palavra, e concordando com o seu colega da FAB, o Comandante da Marinha afirmou que os Scuds eram "como ovos de serpente que deveriam ser todos destruídos de uma só vez no seu ninho peçonhento, antes que quebrassem e espalhassem serpentes por nossas fronteiras". A melhor opção seria então afundar o navio com carga e tudo. Nasceu ai a Operação Ovos de Serpente.

Rotas e Planos

Segundo informações das agências de inteligência o Myonggwang-4 iria da Coréia do Norte direto para o Iêmen e de lá para um porto ainda a ser definido em Catamarca. Mas uma coisa era certa, em águas territoriais próximo a África do Sul, o  Myonggwang-4 receberia uma escolta de navios de guerra de Catamarca e em um determinado ponto no Atlântico aviões P-3 de Catamarca começariam a dar cobertura aérea ao comboio. Ou seja até chegar próximo a África do Sul o Myonggwang-4 estaria por sua própria conta e risco. 

Uma opção seria afundar o Myonggwang-4 usando torpedos lançados de um submarino. A opção era silenciosa e mortífera, mas quantos países possuíam submarinos para lança-los um ataque destes? Certamente que as suspeitas cairiam, entre outros países, sobre o Brasil e o governo não queria isto.

Depois de muitas discussões os estrategistas pensaram então em afundar o navio, na verdade destruir o navio, usando minas magnéticas, não em alto mar, mas no último porto que ele passaria antes de chegar em Catamarca. Sendo assim o Myonggwang-4 deveria ser afundado em Aden. 

Após o ataque seria "plantada" uma história que atribuía a Al-Qaeda a responsabilidade do "atentado", pois os terroristas  estavam profundamente insatisfeitos com o governo do Iêmen, por este ter entregue aos americanos um dos principais tenentes da rede terrorista dois meses atrás.  

Aprofundando-se nos planejamentos os estrategistas brasileiros chegaram a seguinte proposta:

Flavius Andersen

A vida do capitão sueco Flavius Andersen, era o mar. Ele amava a vida no mar e comandar navios era o que mais gostava de fazer. Andersen falava fluentemente inglês, francês, holandês e português. Foi casado uma única vez, com uma brasileira durante vinte e cinco anos e teve duas filhas com ela. A ex-esposa e a filha caçula moravam em São Paulo. A filha mais velha, já casada,  morava em Brasília e trabalhava como tradutora para o Ministério das Relações Exteriores. Flavius Andersen era um antigo contato do Cenimar. A alguns anos atrás, na década de 1980, Andersen chegou mesmo a morar no Brasil e até a dar algumas aulas na Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante.

Há anos que Andersen servia como um dos olhos e ouvidos do Cenimar, principalmente quando navegava pelas águas territoriais brasileiras ou próximo a elas. Navios, aviões e até mesmo submarinos (um Schnorkel, por exemplo) não passavam desapercebidos de Andersen, que repassava tudo no devido tempo para o Brasil. Ele planejava para a aposentadoria comprar um barco viajar um pouco, se naturalizar brasileiro e passar mais tempo com as filhas e os netos.

Por motivos óbvios Andersen foi o capitão do navio mercante escolhido, de bandeira panamenha, para levar a equipe do GRUMEC até Aden. A fachada seria a entrega de uma carga de cimento e tratores no Iêmen e em Singapura. Os mergulhadores de combate seriam pegos em Santos onde o cimento e os tratores seriam carregados. A empresa que contratou o serviço tinha sede nas Ilhas Caymans, nas Bahamas, e sempre negociava a venda de produtos brasileiros para o Oriente Médio e Ásia.

De acordo com o cronograma estabelecido o navio de Andersen, o North Star IV, chegaria um dia antes do navio norte-coreano em Aden. Após descarregar as sacas de cimento destinadas ao Iêmen, o North Star IV, "sofreria" problemas em sua casa de máquinas e teria de passar pelo menos mais um dia ao largo do porto de Aden para reparos. Na noite do dia seguinte, no momento do ataque, toda tripulação estaria de folga a exceção de Andersen, seu imediato e os quatro brasileiros que subiriam a bordo em Santos. 

Seleção e Treinamento

No Grupamento de Mergulhadores de Combate a missão foi recebida com muito entusiasmo. O Comandante do GRUMEC juntamente com o seu Oficial de Operações selecionou um capitão, um tenente e dois sargentos para a missão. A equipe de mergulhadores foi reunida na sala de instruções do GRUMEC. Nesta reunião também estavam presentes alguns oficias do Cenimar. A Equipe de Ataque treinou arduamente para a missão de sapotagem.A equipe de ataque era formada pelo capitão Lopes, tenente Carlos e os sargentos Nunes e Santos. Todos eram mergulhadores veteranos e alguns tinham experiência em combate em operações que oficialmente nunca existiram.

O tempo era bastante exíguo, pois o North Star IV estaria em Santos dali a 5 dias e a operação só tinha sido autorizada pelo Presidente da República no dia anterior, a noite. Durante o briefing a equipe de mergulhadores foi instruída sobre todos os detalhes possíveis da operação. Falaram os homens do Cenimar, o Oficial de Operações e o comandante do GRUMEC. Na verdade esta reunião foi bastante longa.  

A equipe de mergulhadores recebeu fotos e mapas do porto de Aden; fotos e esquemas do Myonggwang-4; informações sobre os pontos sensíveis do navio mercante; além de informações sobre o seus procedimentos como disfarçados, durante a viagem no North Star IV até Aden. Tratou-se também de possíveis rotas de fuga, armamentos usados, comunicações, segurança e planos emergenciais. 

No final da reunião o comandante do GRUMEC também falou da importância da missão, de seu valor estratégico, dos risco, mas também da certeza do sucesso, atribuindo isto ao alto nível dos mergulhadores e sua motivação para com a missão.

A equipe de mergulhadores passou os dias restantes, antes da viagem para Santos, revendo os detalhes da missão e treinando, treinando muito. Inclusive um dia antes do embarque para Santos foi realizado um ataque noturno simulado contra um navio da Petrobrás.

Rumo a Aden

O North Star IV partiria as 16:50h de Santos em direção ao Iêmen e por volta das 07:15 o capitão Flavius Andersen, um oficial do Cenimar e os quatro mergulhadores estavam tomando café em um discreto hotel da cidade e acertando os últimos detalhes da viagem. As 11:00h os mergulhadores "marinheiros" chegaram ao North Star IV e como solicitado, o capitão foi imediatamente informado da chegada do grupo, liberando o seu acesso ao navio. 

Algumas bolsas dos "marinheiros" foram guardadas por eles em uma cabine que só o capitão tinha a chave. Logo após isso os homens do GRUMEC foram encaminhados pelo imediato para os seus postos de trabalho. Até chegarem a Aden eles seriam tripulantes normais, para não levantar suspeitas.

A travessia do Atlântico foi tranqüila, o North Star IV, desenvolvendo de 8 a 10 nós, levou cerca de 15 dias para chegar a África do Sul e contornar o Cabo da Boa Esperança. Mais 7 dias eles chegaram a Aden numa ensolarada manhã de terça-feira.

O capitão Andersen ordenou os preparativos para o desembarque das sacas de cimento por voltas das 15:00h. No inicio da noite quando a tarefa estava completada o capitão foi informando por seu imediato de que o North Star IV estava com "problemas" em sua casa de máquinas. O capitão Andersen informou a administração do porto que o problema levaria mais ou menos um dia para ser solucionado e que o North Star IV ficaria o largo de Aden para reparos. 

O Myonggwang-4

No dia seguinte como previsto o Myonggwang-4 foi visto se aproximando de Aden, estava na data certa, mas quatro horas atrasado. Os membros da equipe de mergulhadores sentiram uma mistura de alívio e frio na espinha com a visão do navio que dali a algumas horas eles tinham a missão de afundar.

O desembarque dos Scuds do Iêmen, no total de 10 mísseis, por algum motivo ficou para o outro dia, talvez porque já era quase noite e ninguém queria mexer com carga tão importante neste período do dia.

Após os "reparos" terem sido concluídos o capitão Andersen liberou a maior parte da tripulação para uma noitada em Aden, se é que ali eles podiam encontrar alguma diversão. Ficaram no navio apenas o próprio capitão, seu fiel imediato, que sabia do plano e tinha seu preço, e os 4 "marinheiros".

Por volta das 21:15h, o capitão Andersen abriu a cabine secreta e o pessoal do GRUMEC começou a vestir os trajes de mergulho e checar pela ultima vez todo o equipamento, armas e as minas de cascos temporizadas modificadas. Normalmente esse tipo de mina usada pelo GRUMEC tinham a carga explosiva de 6Kg de Plastex, pensavam 15kg fora d´água e apenas 1kg submersa. As minas modificadas nesta missão tinham 18Kg de Plastex e pesavam cerca de 30kg fora d´água e mais ou menos  2,3kg submersa, pois o objetivo não era promover danos no navio norte-coreano e mantê-lo temporariamente fora de operação, mas sim afundá-lo.  

Os mergulhadores não teriam que nadar muito, pois a distância entre o North Star IV e o Myonggwang-4 era de apenas 500m. As 22:05h os mergulhadores começaram a descer por um escada colocada a bombordo do North Star IV, visto que nesta condição não seriam vistos de forma algum por qualquer observador posicionado no porto. Por falar nisso o porto estava bem calmo, pois a esta hora todos os trabalhos tinham cessado e apenas uns poucos guardas armadSoldado de Catamarca de guarda em uma base naval.os com fuzis AK-47 vigiavam o Myonggwang-4 a partir do cais. Neste navio, o pessoal do GRUMEC não avistou, com seus potentes binóculos militares, nenhum guarda ou vigia.

O primeiro a entrar na água foi o sargento Nunes, que sentiu a água um pouco fria, mas não reclamou pois já estava acostumado a este tipo de incomodo. Depois de Nunes vieram o tenente Carlos, o sargento Santos e finalmente o capitão Lopes. Todos estavam armados com submetralhadoras HK MP-5. Silenciosamente eles mergulharam em direção ao Myonggwang-4. Todos agradeceram pelos dados da inteligência estarem certos e não existirem em Aden holofotes, lanchas patrulhas ou redes anti-mergulhadores.

As luzes do cais iluminavam um pouco as águas em torno do Myonggwang-4, o que fez com que nenhum dos mergulhadores colocasse a sua cabeça para fora. Todos estavam usando aparelhos de mergulho que não produziam bolhas e a não ser por um grande azar não chamariam a atenção de ninguém durante a sua incursão.

Bem debaixo do navio norte-coreano os mergulhadores de combate começaram a colocar silenciosamente as suas minas de cascos temporizadas nos costados do navio: uma próxima a praça de máquina e três próximas ao porão de cargas. As minas foram preparadas para explodirem 25 minutos após serem acionadas. Assim que terminaram o serviço os mergulhadores voltaram submersos o mais rápido que podiam para o North Star IV pois as coisas iriam ficar bem agitadas por ali em pouco tempo.

Assim que todos subiram a bordo os mergulhadores ouviram as explosões seqüenciadas. Era como se o Myonggwang-4 tivessem levado um soco vindo das profundezas. As minas que detonaram próximas ao porão atingiram em cheio os Scuds e os tanques de ácido nítrico e cilindros de produtos químicos. A explosão que se seguiu foi mais espetacular do que as primeiras e todo o cais foi iluminado por uma gigantesca bola de fogo. Os homens do GRUMEC aproveitaram a confusão e se desfizeram de seus equipamentos de mergulho, jogando-os no mar presos a barras de ferro. À explosão do Myonggwang-4 seguiu-se um incêndio que atingiu o porto e levou a noite toda para ser controlado.

Pela madrugada toda a tripulação do North Star IV estava de volta e o capitão solicitou permissão para zarpa visto que o seu navio já estava atrasado em seu cronograma e por temer novas explosões vindas do Myonggwang-4, pois segundo informações este navio transportava produtos químicos altamente inflamáveis e tóxicos. A administração do porto muito agitada e nervosa, autorizou a partida do North Star IV, bem como de dois outros navios, um de bandeira liberiana e outro de bandeira japonesa.

Bem longe de Aden todos os envolvidos na missão puderam comemorar e os quatro "marinheiros" desembarcaram alguns dias depois em Singapura onde tomaram um avião de volta para o Brasil, sendo secretamente recebidos como heróis. Graças aos mergulhadores do GRUMEC todos os "ovos de serpentes" foram destruídos em seu ninho e os planos de projeção estratégica de Catamarca e de seu presidente Ferrara fora literalmente por água a baixo.


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