OPERAÇÃO TUCANO II - FICÇÃO

Atenção: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas, nomes e obras é mera coincidência.


Carlos David

Contribuição: André Lopes

Prólogo
O Capitão Dornelles estava feliz na cabine de seu caça. Bem na verdade não era um "caça", a aeronave não tinha turbinas, pois era um turboélice, na era dos jatos. Mas a aeronave possuía metralhadoras, aviônicos avançados e até mísseis ar-ar debaixo das asas. O importante era que para o capitão, o A-29 era o seu "caça". Era um avião tão bom que podia até operar a noite, sem problemas. As missões de Dornelles partiam da base de São Gabriel da Cachoeira.

A aquela seria a sétima intercepção do capitão desde que ele começou a operar como um dos pilotos da FAB na vigilância aérea da Amazônia em missão de apoio ao SIVAM. O seu ala, o Ten. Klaus, também estava feliz, afinal de contas estava voando a sua terceira interceptação ao lado de um dos "guerreiros do mundo verde". Dornelles tinha grande reputação com os jovens oficiais, pois além de ser um grande profissional, tinha abatido um avião do narcotráfico a dois meses atrás e antes disso tinha destruído com foguetes uma barcaça das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) em uma operação punitiva do governo brasileiro na fronteira com a Colômbia.

Dornelles achava que algo estranho estava acontecendo nos céus do Norte do Brasil. Antes, os aviões do narcotráfico que saiam de algumas regiões da Colômbia, principalmente ao sul da "cabeça de cachorro", com destino a Guiana, Suriname e até mesmo a região sul da Republica Democrática de Perija - RDP, eram "pegos" como patos pelos A-29 auxiliados pelos radares do SIVAM, mas agora, nos últimos cinco ou seis meses, parecia que eles "pressentiam" a chegada dos aviões da FAB. Muito antes de um contato visual ou pelo rádio, eles já iniciavam uma rota de fuga, tentando desesperadamente voltar para a Colômbia ou cruzar a fronteira da RDP.

Mas naquela tarde, Dornelles e Klaus, estavam determinados a não permitir que o Cessna 182-P (levando talvez 400 kg de cocaína) fugisse. A intercepção orientada pelo R-99 A de plantão, foi perfeita. Os pilotos foram notificados que o avião suspeito tentava fugir, voando baixo e rápido. O piloto não teve sucesso desta vez, sendo rapidamente alcançado pelos A-29. Dornelles e seu ala se colocaram atrás do Cessna e o capitão entrou na freqüência do alvo, questionando-lhe sobre sua procedência, destino e finalidade do vôo. Dornelles falou em português e inglês, e não houve resposta. O capitão tentou até mesmo se comunicar por sinais visuais para que o piloto interceptado pudesse saber do que se tratava, e nada. O piloto do Cessna continuava tentando fugir.

Diante da resistência do piloto, Dornelles se colocou ao lado esquerdo da aeronave desconhecida, e determinou ao piloto do Cessna a mudança de rota em direção ao aeródromo mais próximo para que a aeronave fosse fiscalizada pelas autoridades em terra. 

Porém neste momento o piloto do Cessna adotou uma manobra brusca. Ele simplesmente jogou o seu avião contra o A-29 de Dornelles. O choque foi inevitável. A ponta da asa do Cessna bateu na cabine de Dornelles matando-o na hora. Apesar de ter pedido a ponta da asa o Cessna continuou voando em direção a fronteira da RDP. 

Diante daquela cena horrível e inesperada, o avião de Dornelles indo rapidamente para o chão, nenhum pára-quedas a vista e o Cessna fugindo, o Ten. Klaus rapidamente comunicou ao R-99 A o fato e foi informado que a classificação da aeronave interceptada agora era de hostil. Klaus suando um pouco, disparou duas rápidas rajadas que atingiram o Cessna, vindo este a se precipitar em chamas na selva Amazônica. 

Resgate na Selva
A selva impenetrável estava cobrando um grande tributo dos homens que tentavam atravessá-la. Após haverem descido em uma clareira próxima a um grande igarapé, os seis homens avançavam com dificuldade em direção a fronteira com a Venezuela. Suas coordenadas os levariam ao provável ponto da queda do A-29 da FAB. A aeronave encontrava-se em patrulha na fronteira, em missão de interceptação de aeronaves não identificadas quando o radar da base de São Gabriel da Cachoeira perdeu o contato. O Comando Aéreo da Amazônia solicitou ajuda ao Exército, que enviou uma patrulha para a região.

Os homens do 5º Batalhão de Infantaria de Selva que compunham a patrulha tinha grande conhecimento da área. Abrindo uma picada na selva, iam progredindo lenta mas firmemente. Desde que o dia havia amanhecido eles estavam em busca do local do acidente mas como a progressão era lenta, não faltaria muito para escurecer totalmente e então resolveram parar. A patrulha monta suas redes de selva e se acomoda para passar a noite. O comandante da patrulha, Tenente Fulano, faz uma verificação da distância percorrida e se dirigindo aos seus homens, informa-os que é provável que no dia seguinte eles encontrem o avião. O Tenente monta os turnos de sentinela e enquanto o Cabo Fulano assume seu turno, o restante da patrulha se recolhe às suas redes. 

A noite transcorre sem incidentes e assim que os primeiros raios de sol conseguem penetrar a abundante vegetação, a patrulha inicia seu deslocamento rumo a seu objetivo. Após três horas de marcha, a patrulha começa a encontrar sinais da aeronave. À beira de um igarapé é encontrado um pedaço da asa do avião. Em seguida, os homens avistam o avião. É uma visão triste. Mesmo de longe, conseguem avistar o piloto com a cabeça caída de lado. Rapidamente, o Tenente determina que seja montada a antena do rádio e entra em contato com a Base da FAB. São passadas as coordenadas exatas do local e relatadas as condições dos destroços e o óbito do piloto. Os homens retiram o piloto do avião abatido, envolvem-no em um poncho e o colocam em uma maca improvisada. Em seguida, a patrulha demarca uma área próxima do local de desastre e utilizando explosivos, derrubam várias árvores e abrem uma clareira. Isso possibilitará que os helicópteros da FAB retirem os destroços da aeronave do local e recolha o corpo do piloto, juntamente com a patrulha. Após algumas horas chega um helicóptero e deixa na clareira um pessoal especializado da FAB para examinar o avião. O mesmo helicóptero recolhe o piloto morto. Enquanto os especialistas vistoriam o avião, chega outro helicóptero e começa a recolher os destroços. É levado primeiramente o corpo da aeronave. Outros dois helicóptero chegam em seguida e enquanto um recolhe as asas, que foram arrancadas na queda, o outro recolhe a patrulha e os especialistas da FAB.  

Descobertas
O Governo brasileiro já desconfiava porque os aviões do narcotráfico estavam "pressentindo" a presença das aeronaves interceptadoras. Elas podiam está sendo avisadas por aviões com radares aerotransportados da RDP , que faziam a varredura da área de fronteira e alertavam as aeronaves do narcotráfico contra as interceptações da FAB. Esta informação foi passada ao Ministério da Defesa pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

A Republica Democrática de Perija, a mais de 10 anos estava sob o governo de um ex-militar ultra-nacionalista, aparentemente de direita, mas com estranhas ligações com Cuba. Em governos anteriores a RDP era uma forte aliada dos EUA, mas não agora. Várias agências de inteligência estrangeiras suspeitavam que os narcotraficantes estavam encontrando no governo da RDP um porto seguro para fugir da campanha antidrogas americana e a o governo da RDP estava encontrando no narcotráfico uma fonte de enriquecimento pessoal. Segundo a Abin, na RDP a presidência, ministros e altos comandantes militares estavam envolvidos neste esquema.

As três anos atrás, mesmo com algumas dificuldades financeiras o governo da RDP comprou 3 velhos aviões Turboélice Fairchild Metro III AEW dotados de radares do tipo ErieEye. O que foi aventado na época era que parte do dinheiro era das drogas e que em um acordo secreto, as aeronaves deviam "tirar serviço" algumas vezes na fronteira sul da RDP em apoio a vôos clandestinos, monitorando as patrulhas da FAB e passando aos pilotos criminosos coordenadas de fuga cifradas.

Reação
A morte de Dornelles, por um avião do narcotráfico, orientado por aeronaves com radares aerotransportados da RDP foi a gota d´água para os militares brasileiros. A FAB, em especial, já não agüentava mais, ela estava sendo duramente prejudicada em suas missões de patrulha e intercepção a cerca de seis meses por causa dos Faircheild Metro 100. E agora, militares estavam sendo mortos.Bases Aéreas da FAB

Logo após a morte de Dornelles, no prédio do Ministério da Defesa, aconteceu uma reunião de emergência entre o Ministro da Defesa e os Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica. O ambiente era carregado, pois a situação era muito tensa. Após horas muita discussão, a reunião foi encerrada, tendo os comandantes das três forças recebido ao missão de montar um estudo de viabilidade específico em resposta ao ataque sofrido. Porém uma coisa o Ministro da Defesa deixou claro: Uma ação armada aberta contra as forças de RDP estava fora de cogitação. O Brasil não queria se passar por agressor. 

Além do mais, segundo a Abin, tanto a CIA quanto o MI6 já tramavam a queda do governo atual da RDP e as agitações na ruas que aconteciam diariamente por lá, e as sabotagens a portos e terminais de petróleo, já faziam parte do processo de queda. O estudo dos militares deveria ser direcionado para uma ação de retaliação secreta e envolver as três forças. O alvo: os 3 Fairchild Metro III AEW baseados em Puerto Requena, a segunda maior cidade de RDP. 

Ficou decidido também que o ataque à aeronave brasileira seria abafado e se trataria do assunto como uma queda acidental. Além do comandante da base de São Gabriel da Cachoeira e dos técnicos que examinaram os destroços do avião, somente o Gabinete da Presidência, o Ministro da Defesa, os Comandantes Militares, algumas altas patentes militares e as agências de informações oficiais saberiam do versão oficial. Todos os documentos referentes as fatos foram classificados como ultra-secretos.  

Ficou decidido também que como medida imediata, a fronteira com a RDP seria reforçada com uma brigada do Exército, a Marinha mandaria mais embarcações de patrulha fluvial e um batalhão do Corpo de Fuzileiros Navais e a FAB deslocaria aeronaves A-1 e A-29 para Boa Vista. Oficialmente toda esta movimentação faria parte de um grande exercício militar.
Planejamento e Escolhas

Alguns dias depois o Ministro da Defesa, teve uma nova reunião com os Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica. Após receber os estudos de viabilidade dos comandantes das Forças, o ministro decidiu em conjunto com os mesmos e por consenso, acolher o estudo do Comandante do Exército. No estudo, o comandante informava que o EB dispunha da Bga Op Esp, altamente treinada e motivada para a execução de uma missão de retaliação secreta. A Bga Op Esp era uma força de pronto emprego e estava apta a realizar missões emergenciais e altamente secretas. O EB também dispunha de instalações militares onde a Força de Assalto poderia treinar para a missão. A Força de Assalto poderia ser infiltrada no TO por pára-quedas ou por meio aquático, com um submarino. 

Logo após a reunião o Comandante do Exército determinou ao coronel do Centro de Inteligência do Exército (CIE) que o acompanhava que efetuasse os procedimentos necessários para comunicar a Bga Op Esp de sua ativação para a operação que foi aprovada e que ela não era maus um exercício rotina. 

O Plano
A operação apresentada, em linhas gerais, consistia em destruir os 3 Fairchild Metro III AEW em terra em sua base na cidade de Puerto Requena. Uma unidade de ataque seria inserida por ar através de um salto HALO a partir de um C-130 da FAB, que simularia um vôo comercial. 

O reconhecimento da base aérea em Puerto Requena, de seus arredores, segurança, ameaças e das possíveis rotas de fuga, seria feito por uma Equipe de Reconhecimento encoberta, num período de três semanas antes do ataque. Seus membros entrariam em RDP disfarçados de repórteres. Eles também teriam a responsabilidade de prover o transporte que a Equipe de Assalto usaria para chegar até a base aérea partindo de sua Zona de Lançamento (ZL). Como os aviões ficavam em hangares abertos eles seriam destruídos com armas antitanque LAW (Light Anti-armor Weapon) M72 de 66 mm, muito comuns no mercado negro, e que não comprometeriam o Brasil. 

Um M72

A Equipe de Assalto treinaria em uma réplica da base aérea inimiga, construída no centro de treinamento que ficaria próxima a cidade de Goiânia. Por razões de segurança, a réplica feita de tapumes, seria montada todas as noites e desmontada de madrugada por soldados da Bda Op Esp. Os treinamentos de assalto seriam realizados somente a noite com equipamentos NVG. A exfiltração seria realizada por mar. A Equipe de Assalto seria resgatada por um submarino.

Segundo informações colhidas pela Abin o melhor período para o ataque seria entre os dias 26, 27 e 28 do mês seguinte, pois neste período os aviões estariam passando por uma revisão na sua base em Puerto Requena e não deveriam voar neste período. 

Equipe de Reconhecimento
A passagem pele Alfândega de Puerto Requena foi tranqüila. O repórter Carlos Moura e o fotografo Marcos Macedo demonstravam calma, eram simpáticos e conversavam normalmente, ou seja não chamaram a atenção de ninguém. Oficialmente eles estavam ali como enviados especiais de um Jornal de Campinas-SP, com a tarefa de cobrir os distúrbios políticos nas ruas e também para fazer uma reportagem sobre a industria do turismo em Puerto Requena, neste caso para o Caderno Rotas e Trilhas do mesmo jornal.

Na verdade o "fotografo" era o tenente Paulo Moura, que tinha por hobby a fotografia e o "repórter' era o sargento Antonio Murilo, que cursava o 2° ano de jornalismo. Ambos falavam espanhol, eram do Cenimar (Centro de Informações da Marinha) e estavam bem a vontade em seus disfarces. Por razões obvias eles sequer entraram em contato com o agente da Abin, lotado na Embaixada brasileira que trabalhava como ajudante de ordens do adido militar do Brasil.

Convocação - EB
O general Alberto Silva, comandante da Bda Op Esp, juntamente com seu segundo em comando, seu Oficial de Operações e seu Oficial de Inteligência convocaram o capitão Robson para uma reunião. Robson era um dos melhores oficias da brigada, oriundo da Bda Pqd, tinha os cursos de Comandos, Forças Especiais, Guerra na Selva e Caatinga, além de Mergulho de Combate. Inclusive tinha recentemente participado de um intercâmbio com os US Seals, referente a guerra e esclarecimento anfíbio. O capitão foi informado que juntamente com 7 outros homens (2 tenentes e 5 graduados) iria participar de uma simulação de uma missão secreta, que envolvia a infiltração em território inimigo por salto HALO, invasão de uma base aérea, a destruição de aeronaves e a exfiltração por mar através de um submarino. O capitão juntamente com o Oficial de Operações iria selecionar o pessoal da Equipe de Assalto. Todos deveriam atender as exigências do escopo da missão. 

Equipe de Assalto
Os homens da Equipe de Assalto estavam divididos em: Comandante da EA, motorista do furgão e três equipes de lança-rojões com 2 operadores cada. As equipes de lança-rojões serão compostas de um atirador e de um spotter cada. O spotter de cada equipe fará a segurança. 

O armamento individual usado seria: Fuzil M-16 com lançador de granadas ou Fuzil M-4, Submetralhadora HK MP5-SD, Pistola Beretta PT-92 e granadas de mão (fumaça, fósforo e anti-pessoal). Todos os operadores (exceto o motorista) estariam com o rosto camuflado, gorros pretos e uniforme preto. Todos estariam também com coletes a prova de bala. Aparelhos de visão noturna, rádios de curto alcance (para controle das equipes), rádio via satélite (com antena parabólica) e aparelho GPS estariam a disposição da EA.

Convocação - MB
O Comandante da Marinha do Brasil, um Almirante-de-Esquadra, convocou uma reunião semelhante a realizada na Bda Op Esp. Só que nesta estava presente o comandante da Força de Submarinos. Logo após esta reunião, em que foram passados os parâmetros da missão e a parte que caberia a MB, o comandante da Força de Submarinos realizou a sua própria reunião, neste caso na sua sede de comando, e nesta reunião estavam presentes além de seu estado-maior, um comandante de submarino e o comandante do Grupamento de Mergulhadores de Combate - GRUMEC.

Equipe de Resgate
Formada por homens do GRUMEC em embarcações pneumáticas, que resgatariam a Equipe de Assalto na praia. Os GRUMECs sairiam de um submarino estrategicamente colocado em um ponto fora do mar territorial do país, que num horário determinado faria uma aproximação da praia para resgatar os comandos do EB.

Treinamento
Selecionadas as equipes do EB e da MB, as mesmas em seus quartéis passaram os primeiros dias se dedicando ao treinamento físico-militar e treinamento de tiro com várias armas. Foram executados também deslocamentos noturnos com e sem aparelhos de visão noturna e atividades de orientação com bússola e com GPS. O tempo informado para durar o treinamento seria de quatro semanas.

A Equipe de Assalto (EA) ainda sem saber de nada sobre o verdadeiro propósito de tudo aquilo, foi isolada e instalada em um galpão, próximo a réplica da base aérea inimiga, que foi construída rapidamente por um Btl Eng. Na verdade a construção era apenas um simulacro de edificações totalmente feito em madeira e que podia ser desmontada de dia e facilmente camuflado.   
A medida que o tempo passava o treinamento da EA se tornava mais duro. Os homens praticavam infiltração e evasão, operações helitransportadas, saltos de pára-quedas (inclusive os do tipo HALO) e tiro real com armamento orgânico. A segurança era total e ninguém poderia se ausentar da área de treinamento sem ordens superiores. A alimentação era fornecida diariamente pela Bda Op Esp e a segurança do perímetro era feita por soldados desta OM sem nenhum contato com a EA. 

Após 15 dias de treinamento os comandos já podiam reconhecer praticamente de olhos vendados todos os pontos da base aérea simulada. Por qualquer lado que entrassem se sentiam altamente familiarizados com o ambiente. O militar destacado para ser motoristas, um sargento, recebeu também um treinamento especial de direção ofensiva e defensiva. 

Na terceira semana os comandos do EB foram até o Rio de Janeiro, precisamente até a ilha de Marambaia, onde treinaram infiltração e exfiltração por mar a partir de um submarino, em operações conjuntas com o pessoal do GRUMEC, que já treinava a exaustão o resgate dos comandos do Exército.

Apesar desgastante, todos estava achando altamente produtivo o treinamento e o Capitão Robson os avisara que faltando 8 dias para o fim do treinamento, o Comandante da Bda Op Esp e seu estado-maior iriam visitar o campo de treinamento e iriam assistir aos exercícios, inclusive a um ataque noturno simulado a "base aérea inimiga" e dariam seu parecer quanto ao resultado obtido. Isso elevou o moral e todos se dedicaram cada vez mais. Homens da Bda Op Esp serviriam como defensores da base inimiga. 
No dia marcado, às 14:00, com a segurança reforçada, chegaram ao local de helicóptero, não só o Comandante da Bda Op Esp e seu estado-maior, como vieram também oficiais graduados da Marinha e Força Aérea, e alguns figurões a paisana, provavelmente ligados aos órgãos de inteligência.

O dia anterior tinha sido de descanso, pois os comandos tinha passado três dias ao lado dos homens do GRUMEC treinando em Marambaia onde concluíram o período ali fazendo uma abordagem da base inimiga, depois de um salto de pára-quedas. Após atacarem a base, fizeram uma retirada até a praia, onde foram resgatados pela equipe do GRUMEC em botas pneumáticos e levados para um submarino especialmente deslocado até o local para melhor ilustrar o treinamento. Na noite passada, tinham treinado uma infiltração e exfiltração por mar, mas sem submarino. 

O general Alberto Silva saudou seus comandados que estavam em forma e pediu a todos empenho nos treinamentos vindouros. Após estas palavras iniciais a tropa foi dispensada para iniciar os preparativos da demonstração noturna. Após dispensar a tropa, o general Alberto Silva se reuniu com os outros oficiais e o capitão Robson no galpão onde este havia montado uma sala de briefing. O general entregou ao Capitão Robson um novo cronograma das atividades de treinamento. A partir do dia seguinte o cronograma de treinamento seria tremendamente puxado, com atividades noturnas e diurnas. A EA devia está apta para qualquer convocação de emergência na próxima quarta-feira. O tempo restante da reunião foi utilizado para tratar de assuntos técnicos e questões puramente burocráticas. 

Logo após esta reunião, os visitantes percorreram a área onde foi construída a réplica da base aérea e as outras instalações da base de treinamento. O Capitão foi dispensado para se juntar a sua tropa, pois todos iriam ser levados para a base aérea de Anápolis, onde um C-130 os aguardava para realizarem o salto HALO daquela noite. As 18:30 foi servido um jantar em barracas de campanha para os convidados e o restante do tempo, até o início da demonstração foi dedicado a conversas informais.
Poucos minutos antes do inicio da demonstração os oficiais superiores e os civis se dirigiram para uma grande torre de vigilância especialmente construída como ponto de observação para acompanhar o exercício noturno. Foram distribuídos a todos os presentes, aparelhos de visão noturna, cronômetros e rádios, para uma melhor avaliação do ataque simulado. Breves instruções de uso dos equipamentos distribuídos foram dadas aos presentes. 

Às 21:00, com os observadores já postados na torre de vigilância, foi notificado que o ataque simulado iria iniciar. Passado alguns minutos os visitantes foram convidados a olharem para um lado da área de treinamento, onde os pára-quedistas estavam descendo.

Ao tocarem no solo os comandos se reagrupam e se dirigiram rapidamente para a réplica da base. Os convidados observam a EA se posicionando próximo a cerca improvisada. Foram necessários apenas 20 minutos para que a equipe entrasse na base, fosse até os "hangares", disparasse contras as "aeronaves" e saísse da base. O percurso até o "submarino" foi feito sem problemas.
Ao finalizar a demonstração, todos estavam entusiasmados, e o Comandante da Bda Op Esp reuniu a tropa de maneira informal para um breve bate-papo, em que distribuiu elogios a todos. Ao findar a conversa com a tropa, o general e os outros convidados embarcaram em seus helicópteros e foram embora. O Capitão Robson deu por encerrado o período de instrução do dia. Todos trataram de descansar bastante pois sabiam que o dia seguinte seria bem intenso.    

Desenvolvimento
Enquanto isso, como " jornalistas" os homens do Cenimar tinham plena liberdade para fazer perguntas e tirar fotos, muitas fotos na RDP. O material coletado era passado por e-mail para o "jornal" no Brasil. A dupla levantou toda inteligência possível a respeito da base entre elas: 

Os dois "jornalistas" fizeram um vôo panorâmico sobre a cidade para fotografar as praias locais. Aproveitaram e tiraram algumas fotos da base, que vieram a ser comparadas com outras fotos tiradas por pilotos dos A-1 quando de uma visita de cortesia a alguns anos atrás. A única diferença entre as fotos foi que a cantina dos oficiais foi aumentada. Os pilotos dos A-1 foram é claro, interrogados a respeito da base inimiga e sua segurança.Soldado da Guarda Nacional da RDP.

A medida que novas informações iam chegando por parte da Equipe de Reconhecimento o planejamento da operação ia se desenvolvendo. Os treinamentos na réplica da base aérea inimiga eram duros e exaustivos. Com a aproximação do período propício para o assalto, o submarino juntamente com a Equipe de Resgate do GRUMEC se direcionou para a sua posição de guarda. 

A Equipe Reconhecimento fez o levantamento da ZL que estava localizada num grande descampado dentro do perímetro urbano, entre um velho supermercado de um lado, e uma Subestação da Companhia Elétrica Nacional do outro. Uma das avenidas que levava a base passava ao lado do terreno. A Equipe de Reconhecimento deixaria um furgão (sem janelas) de aluguel próximo a ZL, para que a Equipe de Assalto pudesse usá-lo para chegar até a base e depois se evadir até o ponto de exfiltração. A segurança da ZL seria feita discretamente pela Equipe de Reconhecimento 1 hora antes do salto do pessoal do EB, pois o vôo dos "jornalistas" de volta para o Brasil, estava marcado precisamente para 30 min antes do ataque aos Fairchild.  

Sinal Verde
Logo pela manhã da segunda-feira da semana marcada para o ataque, o Ministro da Defesa teve uma reunião secreta com o Presidente da República, o Ministro das Relações Exteriores e alguns outros assessores presidências. Nesta reunião o Ministro da Defesa relatou o exercício da semana passada e o andamento geral dos treinamentos. Também expôs que os aviões inimigos continuavam auxiliando o narcotráfico na fronteira, segundos as últimas informações dos órgãos de inteligência. Diante do exposto, e depois de algumas discussões, o presidente deu o sinal-verde para a operação de retaliação. 

Após esta reunião o Ministro da Defesa se reuniu com os Comandantes Militares das três armas e comunicou a decisão presidencial. A sala de reuniões ficou como que eletrizada com a informação e todos vibraram muito. Os Comandantes Militares e o Ministro se cumprimentam e o Comandante da Marinha pediu a palavra. De modo solene, solicitou que a operação fosse batizada de Tucano, como forma de homenagem à FAB e ao piloto morto. Todos aprovaram a sugestão e após mais cumprimentos efusivos, o Comandante do Exército, comunicou ao General Alberto Silva a decisão tomada.

No mesmo dia a tarde no campo de treinamento, o General e seu estado-maior se reuniram primeiro com o Capitão Robson e lhe passaram o objetivo da missão. Depois os oficiais superiores se reuniram com os demais operadores e passaram a mesma informação.

Fotos detalhadas do local e outras informações foram passadas para a equipe que teve que estudá-las com afinco. Os comandos foram informados que iam ser transferidos para Manaus na madrugada de quinta-feira, um dia antes do ataque. Até a manhã da sexta-feira eles deviam está perfeitamente familiarizados com o local do ataque, rotas de fuga, etc. 

O ataque
Um fato curioso sobre a data e hora do ataque é que ele aconteceria justamente no mesmo momento em que a Seleção Brasileira de Futebol (a principal) estaria disputando o título da Copa América contra a seleção da RDP em Lima. Por causa de uma campanha fulminante, inclusive com vitórias contra a Argentina e Uruguai, a seleção da RDP era vista como favorita, pois o Brasil, com desempenho duvidoso, só chegou a final depois de uma enervante disputa de pênaltis contra o Peru, os donos da casa. 

Os planejadores da operação acreditavam que o jogo distrairia a atenção da segurança da base e haveria poucas pessoas nas ruas na hora da fuga, pois o futebol na RDP também era uma paixão nacional e grandes telões foram colocados na praça principal da capital nacional e também na praça principal de Puerto Requena. Como previu a Abin, na noite do dia 27 (sexta-feira), noite de um jogo do Brasil x RDP, não haveria nenhum vôo marcado para os aviões-radares.

Um dia antes da data da missão a Equipe de Assalto chegou discretamente a Manaus a bordo de um C-130 da FAB. Foi para um local secreto especialmente reservado para ela e passou o resto do tempo descansando e revendo o roteiro da missão.
Todas as sextas a Global Airlines, empresa portuguesa, fazia um vôo Natal-Fortaleza-São Luís-Manaus-Lisboa e nas terças um vôo Lisboa-Manaus-São Luís-Fortaleza-Natal, levando e trazendo turistas europeus para o Norte e Nordeste brasileiro. Mas naquela sexta-feira seria diferente. 

Em São Luís a Infraero "encontrou" algumas irregularidades no vôo da Global Airlines e ele não poderia se dirigir para Manaus. O avião ficaria retido por algumas horas no Maranhão, mas só seria liberado para voar diretamente para a Europa em um rota alternativa. Os poucos passageiros do vôo da Global Airlines em Manaus naquela semana foram informados do cancelamento da viagem e nenhum deles notou ao sair do aeroporto que o vôo de uma outra "Global Airlines" descolou no horário originalmente marcado, com rumo a "Portugal".

Dentro do C-130 os comandos estavam preparados. Alguns tentavam dormir, outros batiam papo, tentando afastar a tensão. O vôo num C-130 nunca é totalmente confortável, especialmente durante uma operação de guerra. Depois de um tempo que durou uma eternidade, os comandos receberam a luz verde acendeu e a rampa do C-130 se abriu. O mestre de salto iniciou os comandos: 

Preparar! 
Levantar! (O que todos tiveram que fazer com ajuda, pois cada pára-quedistas carregava mais de 100 kg, devido aos dois pára-quedas, principal e reserva, capacete, máscara de oxigênio, mochila, rádio, armamentos, altímetro e GPS, este últimos presos ao braço.) 
Verificar equipamento!
Contar! 
À porta! Caminhando com dificuldade até a rampa todos os oito comandos pareciam meio desengonçados por causa do peso que carregavam.
JÁÁÁ! O primeiro a saltar de 30.000 pés ( 9.150 m) foi o capitão Robson, comandante da Equipe de Assalto, seguido imediatamente de seus homens.

Durante uma parte da queda os homens adotaram a "posição de rã", com braços e pernas bem abertos e rapidamente se reorganizaram. A velocidade da queda era estonteante, cerca de 200 km/h e fazia muito frio (-40 Cº). O silêncio era enorme, só quebrado pelo silvo baixinho do vento passando junto ao rosto dos pára-quedistas. Por volta dos 2.000 pés (600 m) os pára-quedas se abriram e os soldados navegaram até a ZL.

O Capitão Robson recebeu o tranco violento e muitas vezes dolorido com alívio. Instintivamente, mesmo em plena escuridão, olhou, primeiro para cima e para a direita e depois par a esquerda, para ver se os outros também tinham aberto os seus pára-quedas, e em seguida, olhou para baixo. Lá estava a clareira. Tinha certeza de que não erraria, mas mesmo assim puxou um dos tirantes para mirar bem no meio da clareira e aumentar a margem de segurança. Finalmente, largou a mochila, que caiu cinco metros e ficou pendurada na ponta do cabo de segurança. Os quarenta quilos de equipamento chegariam primeiro no chão diminuindo o choque da queda.  

Finalmente em terra a Equipe de Assalto se reagrupou, recolheu as mochilas e escondeu os pára-quedas pretos. De armas em punho, gorros pretos como cobertura e rostos camuflados, os comandos se dirigiram para perto do local onde estava o furgão. Chegando lá fizeram um reconhecimento da área, e depois de constatar que o perímetro estava seguro, Robson sinalizou para que o motorista, com roupas civis e uma Beretta por baixo da jaqueta, fosse até o veículo e o abrisse (uma cópia das chaves tinha sido enviada por encomenda aérea, três atrás, para Manaus). 

O motorista entrou no furgão calmamente, ligou o veículo, mas não acendeu os faróis e manobrou o mesmo em direção ao terreno baldio. Ali na escuridão, abriu as portas traseiras do furgão e o restante da Equipe de Assalto entrou. O motorista pegou estão a avenida que levava a base aérea. Enquanto o motorista ia na frente o resto da equipe ficava atrás sentada no chão. O motorista por uns estantes ligou o rádio, sintonizou no jogo e um locutor entusiasmado dizia que o jogo estava equilibrado. O placar do jogo? 0x0! O motorista, sgt. Rodrigues, levou toda a Equipe de Assalto por uma estrada pouco iluminada que passava ao lado do terminal abandonado perto da base. Rodrigues estacionou o furgão, desceu do veículo inspecionou rapidamente a área e como tudo estava seguro sinalizou para a equipe, que imediatamente saiu do veículo e se direcionou para cerca da base.

O sgt. Rodrigues dirigiu o carro para um lugar mais escuro e seguro, e procurou se esconder a uns 10 m do furgão, para não ser pego de surpresa dentro do carro por causa dos seus pontos cegos. Como o pessoal da Equipe de Reconhecimento havia dito a cerca próximo ao terminal não tinha alarmes e a câmera de vigilância colocada ali era mera figuração, sendo assim a EA não teve nenhum problema de entrar no perímetro da base. 

Após avançar 250 m por entre as árvores e moitas as três equipes lideradas pelo Capitão Robson estavam em posição de tiro. Até assumirem as posições, os comandos usaram os seus óculos de visão noturna, mas para o ataque eles os retiram, pois seriam afetados pelos clarões das explosões. Ao comando do capitão os atiradores apontaram as suas armas antitanque e dispararam.

Os impactos foram mortíferos para as aeronaves, mas o Tenente Mendonça errou o primeiro tiro, que acertou um deposito da intendência sem grandes danos. Um pouco envergonhado e contrariado, Mendonça tentou novamente e desta vez mandou a sua aeronaves pelos ares.

Duas equipes avançaram 50 m e atacaram os veículos da base, destruindo-os com alguns disparos. Mendonça e o Sargento Silas, seu spotter, correram para destruir os dois helicópteros. Mendonça ficou surpreso com um alvo de ocasião, um Beech 80 Queen Air. Bem, como tinham projéteis de sobra destruiu todas as aeronaves sem remorso. Mendonça pensou brincando que se pudesse destruir mais uma aeronave podia se considerar uma "ás". 

Neste momento a base estava um verdadeiro caos. A segurança estava relaxada por causa do jogo e todos demoraram um pouco para entender o que estava acontecendo, o que foi ótimo para os comandos que aproveitaram a confusão para fugir em direção ao furgão. Na retirada, no meio da escuridão por entre as árvores e moitas, os comandos colocaram novamente os seus óculos de visão noturna. Perto da cerca Robson avisou a Rodrigues por rádio, para assumir posição, e este entrou no furgão, ligou o veículo e o posicionou com as portas abertas em direção a cerca. 

Em poucos minutos os homens apareceram e entraram direto no furgão, que saiu em alta velocidade por outro caminho em direção a praia. Ao longe se ouviam várias sirenes e um foguete luminoso foi disparado.No caminho até o ponto de resgate os comandos cruzaram com alguns caminhões da Guarda Nacional e carros da polícia que passaram rápido demais para se preocuparem com um veículo qualquer. Mais uma vez o jogo ajudou, pois o transito estava tranqüilo, devido os torcedores que estavam em casa, na praça principal ou nos bares naquele horário.

Na hora marcada a EA chegou ao local do resgate e esconderam o furgão, camuflando-o com galhos entre algumas dunas. O capitão Robson foi para a praia e sinalizou em direção ao mar, apesar de não está vendo nada ali, tão grande era a escuridão. Como resposta recebeu um rápido piscar de luz. Em minutos uma equipe do GRUMEC apareceu na praia com botes pneumáticos com seus motores desligados. Não houve muita conversa e todos entraram rapidamente nos botes em direção ao submarino. Chegando ao submarino a EA foi introduzida na embarcação junto com os homens do GRUMEC e todos sumiram na escuridão em direção ao Brasil. 

Dentro do submarino houveram muitos abraços e cumprimentos, pois com certeza todos os alvos foram destruídos e não se sofreu nenhuma baixa. Uma mensagem cifrada foi transmitida notificando o sucesso da missão e em Brasília a notícia foi comemorada com muito, muito entusiasmo. A propósito o placar do jogo daquela noite foi: Brasil 3 x 0 RDP. Coincidente para os comandos brasileiros o placar foi o mesmo também!

Submarino usado no resgate dos comandos de volta a sua base.


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