Perfil da Unidade

EXÉRCITO PRIVADO DE POPSKI


Introdução:

O Popski's Private Army,  o Exército Privado de Popski, comandado por Vladimir Peniakoff, oficial belgo-russo, foi uma das mais espetaculares e bem sucedidas unidades irregulares da Segunda Guerra Mundial. O Exército britânico no Cairo deu a Peniakoff, apelidado de "Popski" pelos soldados neozelandeses, a oportunidade de criar a sua unidade especial para realizar incursões e sabotagens contra as instalações inimigas e reconhecimento profundo atrás das linhas alemãs.

Mesmo não sendo tão famoso quanto o LRDG, o SBS e o fantástico SAS de David Stirling, o P.P.A foi uma unidade que escreveu a sua história nas areias da África do Norte, lutando contra o Afrika Korps e depois combatendo os alemães na Itália, sempre usando jeeps em seus ataques estilo commandos, e seus reconhecimentos arrojados.

Fase Preliminar  - 1941 - 1942:

Antes de criar o P.P.A, Popski tinha a idéia de criar um levante árabe contra os alemães no melhor estilo de Lawrence da Arábia. Peniakoff falava árabe fluentemente, e a partir de outubro de 1940 começou a trabalha com esse povo. Ele defendia a idéia de que uma pequena força árabe podia juntar excelente inteligência para o Exército britânico. Durante esta fase Popski fez várias viagens a Cirenaica, ocupada pelo inimigo. No princípio ele operou exclusivamente com árabes SENUSSI, com o objetivo de construir uma organização para a coleta de informação militar e organizar as Forças Senussi politicamente. Em março de 1942 Popski recebeu sinal verde do QG britânico no Cairo para iniciar suas operações com um grupo maior. Ele conseguiu recruta 25 soldados britânicos para essa missão. Aparte seus dos deveres de inteligência habituais eles empreenderam a destruição de dutos de petróleo.

Esses destacamentos eram transportados por patrulhas do LRDG, Grupo do Deserto de Longo Alcance, para DJEBEL AKHDAR onde eles eram deixados por longos períodos de serviço. Eles vivam principalmente se deslocando com camelos ou cavalos. Explosivos e outros necessidades eram providos pelo L.R.D.G. através de patrulhas a intervalos de 2 ou 3 meses. Eles usavam telegrafo sem fio para manter contato diário com QG no Cairo, distante cerca de 600 milhas.

Durante o período que se estende de maio a agosto de 1942, além de prover o QG do 8º Exército com inteligência estratégica e atacar objetivos inimigos, o destacamento de Popski destruiu mais de  200.00 galões combustível, boa parte escondido em locais descobertos pela inteligência árabe. Os homens de Popski também libertaram 45 soldados sul-africanos da sua prisão em Derna e também libertaram 16 homens da RAF, que tinha sido feitos prisioneiros quando suas aeronaves fizeram pousos forçados ou foram abatidos em pleno deserto. Todos foram enviados de volta ao Cairo.  

Depois de cinco meses no deserto, juntando bastante inteligência e salvando soldados aliados de prisões nazistas, ele voltou ao Cairo só para saber que na sua ausência, a sua minúscula unidade árabe havia sido licenciada oficialmente. Peniakoff ficou muito furioso e iniciou uma campanha contra o QG no Cairo. As notícias da invasão Aliada no Norte da África, serviu de apoio para o seu argumento de formar outra unidade irregular. A idéia seria de uma pequena unidade especializada em incursões e sabotagens contra as instalações inimigas entre o Oitavo e o Primeiro Exército que se aproximam da Argélia.

Organização do P.P.A.:

Em setembro de 1942, quando do planejamento da ofensiva britânica a EL ALAMEIN, o Coronel Hackett foi encarregado das Forças Especiais - Oriente Médio. Ele queria que uma força operasse nos moldes dos destacamentos de Popski, só que maior e com transporte próprio. Certamente esse força poderia fazer um serviço muito útil, molestando a retaguarda inimiga durante a sua retirada.

O objeto, na ocasião, de criar uma unidade independente das forças especiais que já operam no deserto em tarefas similares era que, devido às fontes especiais de informação de Popski junto aos árabes e da colaboração que ele poderia esperar com esse povo, era desejável habilitá-lo com seus próprios meios e lhe dar objetivos de acordo com os seus próprios métodos, e isso ele não poderia fazer se ele estivesse comandado um destacamento de uma unidade maior com táticas e métodos diferentes dos seus.

Por conseguinte o M.E.W.E. 886/1 do No. 1 Demolition Sqdn foi submetido a W.E. Commission e finalmente passou a existir no dia 10 de dezembro de 1942. Era provido de 5 oficiais e 18 soldados, 4 Jipes armados e 2-3 Tonners.

Entretanto em 23 de setembro de 1942 Popski tinha participado da incursão a BARCE com o L.R.D.G. onde tinha sido levemente ferido e tinha sido levado  para um hospital em Heluan. Assim que ele teve alta se encarregou do recrutamento do seu pessoal e de juntar o seu equipamento para nova unidade. O tempo era curto e ele partiu do Cairo no dia 26 de novembro de 1942 com veículos e equipamento completos, mas com só 1 oficial, 12 soldados e 4 árabes.



A Origem do Nome

Quando Peniakoff  voltou para o Cairo em agosto de 1942 depois de uma permanência no deserto de 5 meses, ficou surpreso com muitas coisas. O seu telegrafo sem fio dele não funcionava a muito tempo, e ele não sabia muita coisa sobre as últimas noticias, como o avanço alemão para El Alamein, e que sua unidade tinha sido licenciada, tendo deixado de existir e que ele tinha parado de receber seu soldo, por ter desaparecido.

Porém, quando tentou expressar seu aborrecimento justificado (como pensava ele) pelo estado das coisas, ele não foi bem recebido, e recebeu várias reprimendas por ter desaparecido por completo no deserto por meses a fio para travar a sua guerra privada com um exército privado para o satisfazer o seu prazer privado e ainda esperava ser pago por isso. O nome Exército Privado de Popski pegou a partir dai, e era melhor do que a designação oficial de No 1 L.R. Demolition Squadron. O QG no Oriente Médio decidiu que se referiria ao nova unidade como P.P.A.; o designação oficial foi então alterada para No 1 L.R. Demolition Squadron, P.P.A. e foram sancionados o distintivo da boina e as insígnia do ombro.

Distintivo e Insígnia:

O distintivo do boné do Exército Privado de Popski era tão individualista quanto o seu comandante. Peniakoff escolheu o astrolábio, o instrumento astronômico usado antigamente com o qual se media a altura dos astros acima do horizonte, como referência a navegação astronômica que era praticada nas longas travessias do deserto. O distintivo era usado em uma boina preta. A insígnia do ombro, em um fundo preto, eram as letras brancas (P.P.A.). Que na verdade eram semi-incógnitas. 

África do Norte:

A pequena força  chegou ao oásis de Kufra no começo de dezembro de 1942, e depois foi para o Norte pretendendo localizar o inimigo em Jebel Akhdar, mas a retirada alemã era muito rápida e alguns dias depois se ouvia falar da queda de BENGHAZI. Assim eles se ajustaram de modo a se manterem atrás do inimigo que se retirava. Uma sucessão de ações de combate foram travadas em FEZZAN e eventualmente em GARET ALY. Dois jipes foram destacados para um reconhecimento do fim da linha ocidental de MARETH e eles quando voltaram encontraram todos os veículos restantes e todos equipamentos destruídos por dois ME 109. Os árabes na região eram muito hostis, e tinham informado aos alemão a presença de veículos britânicos em GARET ALY.

Os dois jipes restantes foram enviados para TEBESSA na Argélia com dois homens feridos e o resto do destacamento caminhou 140 milhas para o oásis francês de TOZEUR. Esta viagem era mais um feito de diplomacia que de resistência, com o objetivo de enganar alguns árabes locais muito suspeitos em acreditar (ou fingindo acreditar) que a pequena unidade de homens praticamente desarmados representavam uma patrulha alemã penetrando no odiado território francês. A chegada do P.P.A. em GAFSA no dia o 7 de  fevereiro de 1943 foi marcado com o primeiro contato de uma unidade do 8º Exército com uma do 1º Exército. Cerca de 4.500 milhas tinham sido cobertas desde que a unidade deixou Cairo.

Vinte dias depois a unidade já re-equipada e reforçada, chegando a uma força total de 25 homens estava mais uma vez na estrada. Condições no sul da Tunísia eram muito fluidas na ocasião, e eram ideais para operações do P.P.A, e durante os próximos dois meses (até 19 de abril de 1943) as patrulhas do P.P.A. estavam dando a volta no flanco inimigo regularmente para atacar veículos, semear minas nas linhas inimigas de comunicação, atcar depósitos de combustível e realizar outras incrusões.

No princípio eles operaram a Oeste de Gafsa onde em uma noite eles tiveram a sorte de achar a estrada FERIANA - GAFSA cheia de tráfico da retirada de KASSERINE; depois, ao longo da costa norte de SHOTT JERID e posteriormente a Leste linha montanhosa de GAFSA para a planície de MAKNASSY. O lado Oeste destas montanhas estavam em mãos Aliadas e a planície a Leste era alemã. Popski e seus homens vagaram por este território se maiores problemas por cerca de um mês, passando por uma trilha de mulas, até essa ser descoberta e fechada pelo inimigo. Devido à natureza do país e a atitude hostil dos árabes a estas incursões eles tiveram que realizar missões de no máximo três dias, mas em alguns casos elas foram completadas em menos de 24 horas.

No dia 19 de março de 1943 o P.P.A realizou a sua maior captura de prisioneiros de guerra depois de uma pequena escaramuça perto de SENED. Foram 600 italianos que estavam passando por um wady tentando escapar pelas montanhas. Esse número só foi superado quando os homens de Popski alcançaram CHIOGGIA perto de Veneza ns últimos dias da Campanha italiana, quando uma multidão inteira se rendeu a um sargento e dois soldados. Em SENED também foi recapturado um caminhão que tinha sido perdido para os alemães perto de Trípoli dois meses antes. Ainda tinha as marcas da unidade de Popski e apesar de um pouco danificado ainda era útil. Foi posteriormente trocado por uma caminhão de uma unidade americana que queria um souvenir da guerra.

No dia 19 de abril de 1943 foi estabelecido o contato a 1º Div Blindada que subia a costa e o P.P.A.avançando das linhas do 8º Exército. O P.P.A. terminou a Campanha da África do Norte em Enfidaville no dia 7 de maio de 1943. Os resultados materiais alcançados pelo P.P.A. no curso das operações são os seguintes:

Aeronaves destruídas

: 34

blindados destruídos

: 6

Veículos destruídos

: 112

Combustível destruído

: 450.000 galões

Prisioneiros de guerra

: 600 (todos italianos)

Baixas sofridas:

Feridos

2

Capturados

1 (depois recapturado em Tripoli)

Veículos perdidos

7

Campanha do Sul da Itália:

No verão de 1943 o PPA estava se preparando para operações na Itália. A unidade foi reorganizada e aumentada, os treinamentos foram intensificados e o equipamento melhorado. A intenção original era de usar o PPA anexado a 1ª Divisão Aerotransportada britânica, que estava em Tunesia e treinar os homens de Popski em operações com planadores. Porém tempo depois o PPA desembarcou com seus jeeps por mar tendo por alvo Taranto com  a 1ª Div. no dia 9 de setembro de 1943.

Os homens de Popski se dirigiram para o interior para realizar reconhecimentos e descobrir o poderio a disposição dos alemães, visto que os britânicos quase nada sabiam a respeito. Por um golpe de sorte o QG alemão foi capturado com os seus documentos no dia 14 de setembro, lá tinham informações detalhadas das unidades alemãs em GRAVINNA, ALTAMURA e GIOIA DEL COLLE. Depois o PPA foi usada para adquirir informações sobre as forças alemãs que se retiravam da CALABRIA. Nesta operação eles capturaram um blindado de comando e conseguiram mais informações sobre as forças alemãs. Depois a patrulha alcançou BOVINO, evitando FOGGIA e CAMPOBASSO e terminou nas redondezas de BARI, operando cerca de  20 dias atrás do território inimigo.

Depois o PPA voltou a carga. Havia muita confusão nas linhas inimigas, que tentavam se retirar e manter alguma ordem. Os comboios inimigos eram uma presa fácil pois não tinham nenhuma proteção. Cinco jipes ao longo de uma estrada poderiam atacar um comboio à noite e poderiam atirar em um veículos após outro. Os jipes vagavam pela zona rural e depois entravam por algumas estradas principais e depois voltavam para estradas secundárias. Não havia nenhuma força para perseguí-los e o fato do inimigo não ter praticamente nenhuma aeronave disponível era muito favorável as operações, mais favorável do que na época do deserto africano.

Em outubro com a direção das batalhas indo para o norte, a geografia mudou e o terreno ficou mais montanhoso. Os alemães reforçaram as suas linhas de defesa e, não havia mais tanta liberdade de movimento. A frente de batalha ficou estática e o PPA foi retirado de ação depois de 47 dias.

Reorganização:

Durante os próximos dois meses a unidade foi re-organizada mais uma vez e reformulada para operar nas novas condições de combate. As duras condições de combate exigiam armamento mais pesado, melhor treinamento, mais homens e novos métodos de provisão. Por outro lado, as distâncias a serem cobertas seriam muito menores e por conseguinte a carga transportada pelas patrulhas poderia ser reduzida substancialmente. O número de homens no PPA passou de cem. Todos os membros do PPA eram voluntários de outras unidades do Exército, e eram pessoalmente entrevistados por Popski e por ele aprovados ou não. Se a qualquer momento um desses homens fossem considerados inadequados eles poderiam ser devolvidos à sua unidade de origem. Reciprocamente se qualquer homem quisesse partir isso lhe era permitido na primeira oportunidade. A proporção de pessoal disponível para combate variava em torno de 65%. A unidade também tinha neozelandeses, rodesianos, sul africanos, canadenses e um francês. A proporção de escoceses era bem alta. A maioria deles tinham entrando no inicio e pouco eram soldados regulares. Muitos eram balconistas, motoristas de ônibus, representantes comerciais, fazendeiros, mineiros e trabalhadores de fábrica. A idade média era de 28 anos. A disciplina era informal, tanto no comportamento quanto no uniforme, para a insubordinação ou ou cumprimento de ordens de forma negligente era punida com a demissão imediata da unidade. Todos os homens foram treinados em pára-quedismo e a maioria deles falavam italiano.

A organização da unidade era a seguinte:

Três patrulhas de combate, cada uma com 16 homens e 6 jeeps, comandadas por um oficial, com um sargento, um corporal, um lance corporal e dois operadores de rádio. Um QG da patrulha apelidado de 'Blitz' cuja composição variava de acordo com a natureza da operação, e um QG básico.

O equipamentos básico de uma patrulha era seis metralhadoras .50 e seis .30, montadas nos jeeps, duas brens, uma bazuca, um morteiro de 3 polegadas, 8 submetralhadoras Tommy, 8 carabinas, 16 pistolas .45, granadas, explosivos, minas, geradores de fumaça fixados na traseira dos jeeps e acionados do painel do veículo. Nas fases posteriores da guerra um lança-chama "Wasp" foi montado em um jeep. A potência de fogo de uma patrulha era assim bastante formidável, e a tudo isso era acrescentada sua mobilidade e o fato de que geralmente o PPA  tinha a vantagem da surpresa.

Operações de Montanha no centro da Itália:

Durante janeiro, fevereiro e março de 1944, durante os desembarques em ANZIO, o PPA operou a frente do 5º Exército dos EUA na frente de GARIGLIANO. Uma sucessão de pequenas operações foi levada a cabo a frente da linha inimiga e nas montanhas imediatamente ao norte destas. Em junho de 1944 junto com o avanço geral para ROMA, uma patrulha foi posta atrás das linhas inimigas à boca do rio TENNA na costa do Adriático. 12 jeeps levados por um L.C.T. deveriam ter sido desembarcados ao mesmo tempo, mas devido a quebra do embarcação não foi possível o desembarque e os jeeps se perderam, tendo o restante do pessoal sendo salvo por M.L. que escoltava a embarcação. Porém Popski não desistiu e enviou uma patrulha com 10 jeeps por terra. Quatro dias trabalharam com ajuda de partisans para construir uma estrada pelas montanhas até SIBELLINI, a cerca de cinco mil pés de altitude. O avanço foi bem difícil. Os alemães foram tomados de completa surpresa em CAMERINO e com a ajuda dos partisans a cidade foi tomada e assegurada até a chegada das tropas aliadas. Duas outras patrulhas do PPA repetiram a mesma tática contra as cidades de ESANATOGLIA, GUALDO TADINO, FABRIANI e BOVESECCA. No curso dessas operações todos os rios tiveram que ser vadeados ou cruzados em pontes improvisadas. O  PPA eventualmente se lançou contra as defesas da Linha Gótica e teve algum progresso adicional em seu avanço. No final de julho de 1944 a unidade se reuniu as forças principais do avanço Aliado.

Operações Anfíbias do rio Savio para Ravenna:

O P.P.A. foi feito responsável para uma seção da frente de aproximadamente 4 milhas a Leste da estrada Rimini-Ravenna em direção ao Adriático. A área era largamente inundada, em parte arborizada e cruzada por rios fundos que corriam entre bancos altos. A costa era uma tira de baixas dunas de areia com uma praia. Os alemão estavam em posições preparadas isoladas debaixo dos bancos de rio e nas dunas do litoral. Todas as posições eram cercadas por campos minados e apoiadas por morteiros e peças de artilharia.

Uma sucessão de desembarques foi feita à noite na costa com jeeps em DUKW'w. Barcos de Assalto eram usados nos rios e nos campos inundados. OS jeeps foram rebocados por bois ao longo das estradas inundadas. Foram emboscadas patrulhas inimigas em FOSSA DI GHIAIO, e várias posições inimigas foram intimidadas a se renderem, diante do fogo devastados de 10 jeeps. Foram capturadas cinco outras posições, onde se renderam 76 prisioneiros sem ser disparado um único tiro.

Um exemplo de captura bem sucedida aconteceu contra a guarnição alemã em Caserma Fiumi Uniti, que era uma posição fortificada estabelecida em uma torre de relógio mediaeval na costa à boca do rio que cobre as aproximações para Ravenna. A torre foi mantida primeiro debaixo de forte observação durante dois dias por uma pequena equipe do PPA. Quando tinham recolhido informações suficiente sobre o inimigo, um destacamento de 15 homens desembarcou à noite na costa. Eles foram para um celeiro localizado cerca de 40 jardas da torre onde esperaram até as 08:30, quando os alemães iam tomar café da manhã. No horário marcado os homens sorrateiramente entraram na torre e capturaram todo o posto, sem um único tiro. Os prisioneiros foram evacuados e os homens do PPA se organizaram e esperaram por outros alemães. Por volta do meio-dia Sobre meio-dia um destacamento alemão apareceu vindo de um posto nas vizinhanças e caminharam até a torre, onde foram feitos prisioneiros. Ao entardecer uma patrulha fortemente armada, comandada por um oficial, apareceu. Os homens de Popski esperaram eles chegarem até a porta e dominaram a todos. Nestas operações o PPA nunca teve mais que 45 homens empenhados. As forças que se opunham a eles nesta área eram 2 Batalhões. Foram cobertas cerca 45 milhas de território inimigo, e foram mortos 40 soldados inimigos e feitos 152 prisioneiros. O PPA teve 3 mortos e 5 feridos. Alguns dia depois, a 18 de dezembro de 1944, a unidade foi enviada para retaguarda, depois de três meses e vinte seis dias de combate.

Fase Final - Operações Anfíbias para cruzar os rios Pó, Adige e Brente, indo até Veneza

Nesta fase, a última da guerra na Itália, o PPA operou sem assistência, com exceção dos partisans, passando mares e lagunas, rios e canais dos deltas do Po, Adige e Brenta. Os jeeps foram levados em embarcações R.C.L quando de suas travessias dos rios. Era uma embarcação projetada para  fluviais, mas que se provou também bastante própria para ações em alto-mar.

As operações começaram em 21 de abril de 1945 do Lago Comacchio quando uma Patrulha entrou em ação e capturou 22 alemães. O dia seguinte a mesma Patrulha capturou 27 outros alemães. No dia 23 de abril duas Patrulhas construíram uma ponte em cima do canal de VOLANO, e perseguiu o inimigo até IOLANDA DI SAVOLA que era fortemente defendida. 

A 26 de abril, três patrulhas do PPA e uma 'Blitz' velejou através de RCls do PORTO CORSINI no Adriático e desembarcou em plena luz do dia à boca do rio Pó. Os jeeps combateram por terra enquanto as R.C.L com suprimentos seguiam ao longo das vias fluviais. No dia seguinte ao desembarque chegaram ao ADIGE e o cruzaram e foram capturados 192 prisioneiros. No dia 28 foi cruzado o BRENTA e a guarnição de CHIOGGIA, por causa de um blefe se rendeu. No dia 29 eles entraram em CHIOGGIA. A guarnição que consistia de 17 oficiais e 670 soldados com três baterias de 88mm, baterias costeiras, 120 canhões de 20mm e suprimento para três meses se rendeu a 12 homens em 5 jeeps.No seguinte a área entre Chioggia e Padova foi limpa. A 6 de maio de 1945 uma patrulha do PPA entrou em TARVISIO na fronteira austríaca. A 7 de maio 1945 a guerra contra a Alemanha tinha terminado. No dia 14 de setembro 1945 O PPA foi licenciado.

Resumo:

Quando os exércitos do Eixo na África Norte se renderam em maio, o Exército Privado de Popski, em apenas 24 semanas de assaltos e reconhecimento, tinha destruído 34 aviões, 112 veículos e 450.000 galões de combustível, além de capturou 600 prisioneiros às custas de dois homens feridos e 7 veículos perdidos.

Até que fosse licenciado, 191 homens, dos quais 10 foram mortos, 17 feridos e 1 feito prisioneiro, tinham servido na unidade de Popski. O Exército Privado de Popski durante as suas operações na Itália nunca excedeu 120 homens. Operou independentemente, bem à frente das forças principais aliadas, e alcançou sucessos que uma brigada completa teria se sentindo orgulhosa de conquistar. Em uma série de assaltos ao estilo Commandos pelo litoral do rio Savio até Ravenna, o P.P.A. arrancou cerca de 45 milhas de território inimigo de dois batalhões alemães, matando 40 soldados e levando 152 prisioneiros. O contingente do P.P.A. nestas operações nunca foi maior que 45 homens, dos quais 3 foram mortos e 5 feridos.

Armas:

As principais armas do P.P.A foram aquelas usadas regularmente pelo Exército britânico. Apesar de ter as armas aliadas como padrão, os homens de Popski também treinavam com armas capturadas do inimigo.

Submetralhadora Thompson M1 -Estados Unidos
Famosa graças aos gangsters e o cinema americano, a Thompson (Tommy) era uma arma refinada, com coronha e empunhadura de madeira. Utilizada durante a 2ª guerra pelo exército americano e seus aliados, com modificações para facilitar sua produção, incluindo a substituição do complicado (e sujeito a falhas) carregador de tambor, por um carregador reto convencional (modelo M1A1).



Especificações
Modelo: M1A1
Calibre: 11,43 mm (.45)
Comprimento: 813 mm (total) / 267 mm (cano)
Peso: 4,74 Kg (com carregador)
Carregador: Pente com 20 ou 30 cartuchos
Cadência de Tiro: 700 tpm
Velocidade Inicial do Projétil: 280 m/s

Metralhadora Bren Gun Mk I

Baseada na metralhadora tcheca ZB vz.33, a Bren (da junção das letras BR, de Brno, sede da firma ZB e EN de Enfield Lock, onde foi produzida na Inglaterra), era robusta e confiável, sendo produzida durante toda a guerra. Após a derrota em Dunquerque, onde milhares delas foram perdidas, foi simplificada para produção em massa, sendo ainda empregada no pós-guerra por muitos anos.

Especificações

Modelo: Bren Mk I
Calibre: 7,7 mm
Comprimento: 115,6 cm
Comprimento do Cano: 63,5 cm
Peso: 10 Kg
Carregador: Pente para 20 cartuchos
Cadência de Fogo: 500 tiros/min.
Velocidade Inicial: 744 m/seg.
 

Fuzil Lee Enfield No. 4- Inglaterra
O fuzil Lee Enfield nº 4 Mark I era uma versão simplificada para produção em massa do fuzil da 1ª Guerra I Mark III, do mesmo fabricante. Fabricado às centenas de milhares, tanto na Ing
laterra quanto nos Estados Unidos, entrou em serviço a partir de 1940. Havia uma versão especial para "snipers", retrabalhada e com mira telescópica.


Especificações
Modelo: Lee Enfield nº 4 Mark I
Calibre: 7,7 mm
Comprimento: 1.129 mm
Comprimento do cano: 640 mm
Peso: 4,14 Kg
Carregador: 10 cartuchos
Velocidade Inicial do Projétil: 751 m/s

Granada Mills - Inglaterra
Apesar de ser uma idéia simples, a granada de mão foi uma das armas mais revolucionárias da primeira
Guerra Mundial, dando ao infante a possibilidade de atingir um inimigo abrigado, tornando-se comum em todos os exércitos do mundo. A granada Mills foi introduzida em 1915 (68 milhões delas foram produzidas na 1ª Guerra - 56 mil por dia), continuando em fabricação até bem depois da 2ª Guerra (modelo 36M). Foi copiada por muitos países, inclusive o Brasil, onde os Paulistas fabricaram milhares em 1932.

Especificações
Modelo: 36M (M=Mesopotâmia, impermeável)
Tipo: Apenas defensivo - invólucro de fragmentação fixo
Peso: 700 gramas
Carga Explosiva: Amonal/amatol ou trotil
Área de Ação: Cerca de 50 metros
Fragmentação: Cerca de 46 fragmentos letais
Retardo: 6 segundos (5 segundos antes do modelo 23, de lançamento manual apenas)
Alcance Lançamento Manual: 25-30 metros
Alcance Lançamento por Fuzil: 100 metros (com haste de lançamento ou bocal especial)

Revólver Webley Mk IV - Inglaterra
Arma de longa tradição nas forças armadas inglesas, o primeiro revólver Webley foi adotado em 1887. Durante os anos diversas variantes foram adotadas, tanto pelo exército, como pela marinha e RAF, o último deles em 1942, no calibre .38 (Webley Mark 4), os Webley, apesar de terem começado a ser substituídos em 1932, ainda foram muito usados na 2ª Guerra Mundial.


 


Especificações
Modelo: Mark IV (1915-1932)
Calibre: 11,56 mm
Comprimento: 28,6 cm
Comprimento do Cano: 15,2 cm
Raiamento: Sete raias a direita
Peso Descarregado: 1,05 Kg
Carregador: Tambor de 6 cartuchos
Velocidade Inicial: 198 m/seg.

Pistola Colt .45 - Estados Unidos
Uma das armas mais produzidas no mundo, chegando a casa dos milhões de unidades. Planejada para ser potente o suficiente para derrubar os guerreiros filipinos que, durante as operações militares dos Estados Unidos na região (final do séc. 19), continuavam a atacar, mesmo após atingidos. Teve sua produção iniciada em 1911; sendo licenciada ou copiada por várias empresas, que mantiveram sua produção até a década de 80. Embora de difícil manuseio, pois era grande, pesada e com um forte recuo, era muito apreciada pela sua robustez e potência. A Colt M1911A1 foi adotada no Brasil em 1937, sendo fabricada anos depois pela Imbel.

Especificações
Modelo: M1911A1
Calibre: 11,43 mm (.45 M1911)
Comprimento: 216 mm (total) / 127 mm (cano)
Peso: 1,36 Kg

Carregador: Pente com 7 cartuchos
Velocidade Inicial: 262 m/s.

Transporte

O Exército Privado de Popski usou o jeeps WILLYS americano para as suas ações. Também era possível se ver caminhões de 3 toneladas que transportavam provisão para as patrulhas. Mas os jeeps eram seu principal transporte, esse normalmente tinham placas blindadas na frente para o motorista e o carona, que era normalmente um artilheiro. Eles eram muito semelhantes aos jeeps usados pelo SAS, como o da ilustração ao lado. Com aproximadamente 250 litros de combustível, cada jipe tinha uma autonomia aproximada de 800 km. Eram de fato veículos vigorosos e confiáveis. Eles transportavam um terrível poder de fogo. Suas armas principais eram as metralhadoras americanas Browning tanta as de .50 pol quanto as de .30 pol. As .50 eram as mesmas usadas pelos bombardeiros B-17 da USAAF. Os ocupantes também usavam uma grande variedade de armas (inclusive inimiga) como os fuzis britânicos Lee Enfield .303 (para os snipers) e as submetralhadoras americanas Thompson (Tommy), além de cargas explosivas, detonadores, etc.

Normalmente os jeeps levavam galões de combustível, além de provisões para vários dias. Nas traseiras dos jeeps haviam as vezes equipamentos geradores de fumaça, acionados eletricamente a parir do painel. Todas as armas e equipamentos, ficavam sempre ao alcance da tripulação e podiam ser usados a qualquer momento.

Equipamentos e Uniformes

A semelhança dos armamentos, a maioria dos equipamentos do P.P.A.eram do tipo padrão do Exército britânico, como o rádio WS 38 MkII, os binóculos, máscaras contra gás, cintos de guarnição de lona, mochilas, canivetes, jaquetas de combate, pás, picaretas, compasso, alicates, etc. Os soldados de Popski normalmente usavam uniforme padrão do Exército britânico, porém nem sempre se prendiam aos padrões ditados.

Tenente-Coronel
Vladimir Peniakoff
D.S.O. - M.C.
POPSKI "

Vladimir Peniakoff, também conhecido como Popski e o Corporal Ron Cokes, na Universidade de Padua, Italia, em maio de 1945

Vladimir Peniakoff nasceu em Huy, Bélgica, em 30 de março de 1897. Os pais dele tinham emigrado da Rússia e permaneceram russos todas os dias de suas vidas, mas Vladimir optou pela nacionalidade do país onde ele nasceu. O pai de Vladimir era um cientista notável na Rússia Czarista e dedicou a maior parte de sua vida à pesquisa e produção de alumínio, patenteando a produção deste metal nos anos 1890s. Ele construiu duas fábricas uma no norte da França e outra na Bélgica em Zelzate. Porém, todas estas fábricas foram destruídas pelos exércitos do Kaiser na Primeira Guerra Mundial. E assim o pai de Peniakoff achou as suas fábricas em ruínas no retorno da sua família para a Bélgica em 1918. Os pais de Vladimir decidiram que o primeiro idioma dele seria inglês. Embora ele fosse fluente em vários idiomas, Vladimir nunca dominou a língua dos pais totalmente.

Quando ele tinha dezessete anos durante a Primeira Guerra Mundial - Vladimir entrou no St. John's College, em Cambridge e dali em diante, ele não pediu a nacionalidade britânica até novembro de 1946, pois considerava a Inglaterra como seu primeiro país. Depois, Vladimir quebrou todas as suas amarras com a Bélgica e velejou para o Egito em 1924, e como o diretor de um moinho de açúcar ele solicitou a entrada no Exército britânico quando guerra foi declarada em 1939. A Bélgica foi invadida em maio de 1940 e a Sede Geral em Cairo reconheceu Vladimir como um Aliado, e o aceitou no Exército britânico. Ele os acertou detalhes dos seus negócios, enviou sua esposa e suas duas filhas para a África e foi para a guerra.

A Vladimir Peniakoff foi concedida uma comissão na Libyan Arab Force - Uma companhia que ele transformou em um unidade estilo comando, com a idéia de operar atrás das linhas inimigas. Mas ele ficou conhecido como um solitário operador  - sendo levado e trazido de trás das linhas inimigas por pelo famoso LRDG, o Grupo de Longo Alcance do Deserto. Perto do fim da Campanha do deserto solicitaram a Vladimir para formar uma unidade de incursão própria, no seu estilo. O resultado foi o "No 1 Long Range Demolition Squadron".

Durante as suas incursões com o L.R.D.G., os neozelandeses acharam o nome Peniakoff muito complicado, e então passaram a chamá-lo de "POPSKI". Quando  Vladimir não tinha um nome para a sua nova unidade, o General Sir John Hackett que estava a cargo do Special Operations in the Middle East, chamou a unidade dele de o "Exército Privado de Popski". A formação da unidade demorou e só foi completada pouco antes da El Alamein, e o P.P.A. não pode participar muito nas batalhas do Egito e Líbia, mas fez boas contribuições nas lutas na Tunísia e Argélia. Depois da Campanha do Norte de África, o P.P.A. operou extensivamente na Itália e Áustria até o último dia da guerra. Depois da guerra P.P.A. foi licenciado e Popski casou com uma moça de Suffolk. Depois foi morar na Inglaterra onde morreu em maio de um tumor no cérebro.

A maior parte deste material foi pesquisado no site: http://users.pandora.be/ppa/homepage.htm
 


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Assunto: Exército Privado de Popski