Perfil da Unidade

Great Britain - World War 2 Flag

Special Operations Executive - SOE


O Special Operations Executive - SOE foi criado pelo primeiro-ministro Winston Churchill e pelo Ministro da Economia de Guerra Hugh Dalton, em 22 de julho de 1940, com a missão de levar a guerra até o inimigo por outros meios que não o envolvimento militar direto. Sua missão era a de facilitar a espionagem e a sabotagem atrás das linhas inimigas e servir de núcleos para as unidades auxiliares. Ficou também conhecido por "Churchill's Secret Army" ou "The Ministry of Ungentlemanly Warfare", e também tinha o apelido de Baker Street Irregulars. O SOE diretamente empregou ou controlou pouco mais de 13.000 pessoas. Estima-se que SOE apoiou ou deu suporte para mais de 1.000.000 operativos ao redor do mundo. O SOE foi desativado no dia 15 de janeiro de 1946.

Origens

A organização era formada a partir da fusão dos três departamento de ações secretas existentes na época. Imediatamente após a Alemanha anexa a Áustria em Março de 1938, o Foreign Office criou uma organização de propaganda conhecida como Departamento EH (de Electra House, sua sede), que era chefiado pelo magnata dos jornais o canadense Sir Stuart Campbell. Mais tarde naquele mês, o Secret Intelligence Service (SIS, também conhecido como MI6) formou um seção conhecida como Section D, sob as ordens do Major Lawrence Grand, para estudar o uso de sabotagem, propaganda e outros meios irregulares para enfraquecer o inimigo. No Outono do mesmo ano, o War Office criou um departamento, nominalmente destinado a pesquisar sobre guerrilha e conhecido inicialmente como GS (R), e era comandando pelo Major JC Holland. GS (R) foi renomeado para MI R em 1939.

Estes três departamentos trabalharam com poucos recursos até a eclosão da guerra. Houve muita sobreposição entre as suas atividades. As seções D e EH duplicavam suas ações sem praticamente nenhum compartilhamento, ao contrário das seções D e MI R. Os comandantes destas duas últimas eram ambos oficiais dos Reais Engenheiros e se conheciam. Eles acertaram uma divisão informal de atividades. A MI R pesquisava sobre operações irregulares que pudessem ser aplicadas contras tropas regulares e a Seção D se encarregava de pesquisa sobre ações disfarçadas .Durante os primeiros meses da guerra, a Seção D tentou sem sucesso sabotar as entregas de materiais estratégicos vitais para a Alemanha a partir de países neutros. A Seção MI R passou a produzir folhetos e manuais técnicos para líderes guerrilheiros. A seção também foi envolvido na formação das "companhias independentes", que viriam a dar origem aos Commandos britânicos, e as unidades auxiliares, que eram unidades secretas especialmente treinadas para resistir a esperada invasão das ilhas britânicas pela Alemanha nazista. Após ter tido a vantagem de ver a queda de várias nações continentais, a Grã-Bretanha foi o único país durante a guerra a ter sido capaz de criar um tal movimento de resistência, antes de uma invasão.

Homens do SOE treinam operações atrás das linhas inimigas em 1940

Formação

Em 13 de Junho de 1940, por iniciativa da recém-nomeado primeiro-ministro Winston Churchill, Lord Hankey persuadiu as seções D e MI R que as suas operações deviam ser coordenadas. Em 1 de Julho, uma reunião a nível de Gabinete foi organizada para se preparar a formação de uma única organização responsável por ações de sabotagem. Em 16 de Julho, Hugh Dalton, o ministro da econômica, foi nomeado para assumir a responsabilidade política para a nova organização, que foi formalmente criada em 22 de Julho. Segundo algumas informações Dalton usou o Exército Republicano Irlandês (IRA), durante a guerra da Independência da Irlanda como um modelo para a nova organização. O diretor da organização era habitualmente conhecido pela sigla "CD". O primeiro a ser nomeado diretor foi Sir Frank Nelson, um ex-chefe de uma firma na Índia, membro do partido Conservador no Parlamento e cônsul em Berna. Os Majores Grand and Holland retornou ao serviço no exército regular, e Stuart Campbell deixou a organização.

Desenvolvimento

Em Agosto de 1941, após disputas entre o Ministério da Economia e Guerra e o Ministério da Informação sobre as suas responsabilidades, o departamento de propaganda (que tinha sido renomeado para SO1) foi removido do SOE e se tornou uma organização independente, o Political Warfare Executive. Dalton foi substituído como ministro da Economia e Guerra por Lord Selborne, em Fevereiro de 1942. Selborne, por sua vez, substituiu Nelson, que sofreu problemas de saúde como resultado do seu trabalho árduo, com Sir Charles Hambro, assumindo o SOE. Hambro tinha sido um amigo íntimo de Churchill antes da guerra e tinha recebido a Cruz Militar pelos seus esforços na I Grande Guerra.

Selborne e Hambro trabalharam bem próximos até Agosto de 1943, quando se chegou a questão de saber se SOE devia continuar a ser um organização independente ou se devia coordenar as suas atividades com as do Exército britânico nos vários teatros de guerra. Hambro considerava que essa perda de controle poderia causar uma série de problemas para SOE no futuro. Quando Hambro não conseguiu passar adiante informações vitais para Selborne foi demitido e designado para chefiar uma comissão de compra de matérias-primas, em Washington, DC, onde esteve envolvido na troca de informações nucleares. Como parte da subseqüente cooperação entre o  Estado-Maior Imperial e SOE, Hambro foi substituído em setembro de 1943 pelo antigo diretor-adjunto, o Major-General Colin Gubbins. Gubbins tinha uma vasta experiência como commando e em operações clandestinas, e tinha desempenhado um importante papel nas primeiras operações da Seção MI R. Ele também colocou em prática muitas das lições que aprendeu combatendo o IRA durante a guerra da independência irlandesa.

Soldados alemães - A missão do SOE era levar a guerra até o inimigo (alemães, italianos e japoneses) por outros meios que não o envolvimento militar direto. Sua missão era a de fomentar movimentos de resistência, facilitar a espionagem e a sabotagem atrás das linhas inimigas, e prioritariamente ajudar os Aliados a liberarem a Europa do julgo nazista.

 

O SOE colaborou bastante com o QG da Operações Combinadas pela metade da Segunda Guerra, geralmente auxiliando em questões técnicas sobre equipamentos do SOE foram prontamente aprovadas pelos comandos e outros raiders. Este apoio foi perdido pelo Vice-Almirante Louis Mountbatten a frente das Operações Combinadas, pois nesta época o SOE tinha o seu próprio transporte e não tinha necessidade de recorrer aos recursos das Operações Combinadas. Por outro lado, o Almirantado foi contra o SOE desenvolver seus próprios barcos subaquáticos, fora isso as relações eram quase sempre amigáveis. Já o relacionamento com o Foreign Office e com o SIS, controlado pelo Foreign Office, eram geralmente mais difíceis. Enquanto o SIS preferia formas mais sutis de coletar inteligência, como influenciando pessoas ou autoridades, o SOE promovia situações turbulentas e, muitas vezes apoiava organizações anti-governo, como os comunistas em vários países. No início o SIS dificultou ativamente as infiltrações dos agentes do SOE na França ocupada. As atividades do SOE nos territórios ocupados também trouxe conflitos com o Foreign Office em várias ocasiões, com vários governos no exílio, protestando que as operações se realizavam sem seu conhecimento ou aprovação, e isto por vezes resultava em  represálias contra as populações civis por parte do Eixo.

Organização

A organização do SOE evoluiu continuamente e foi alterada durante a guerra. O diretor do SOE tinha um adjunto do Exército, ou (quando Gubbins era diretor) um oficial do Exército como Chefe do seu Estado-Maior. O principal organismo de controlo do SOE era seu Conselho, composto por cerca de quinze chefes de departamentos ou seções. Cerca da metade dos membros do SOE eram oriundos das Forças Armadas (apesar de que alguns especialistas foram comissionados após a eclosão da guerra), o resto eram funcionários públicos, advogados, executivos ou comerciantes. As operações eram controladas por secções, cada uma responsável por um único país. Alguns países ocupados tinham duas ou mais seções designadas para trabalhar com movimentos da resistência politicamente díspares. A França tinha pelo menos seis seções.

O treinamento dos agentes também fazia parte das ocupações do vasto Departamento de "Operações". Os outros departamentos estavam ocupados com diversas desenvolvimentos ou aquisição de equipamentos e produção, pesquisa, e administração, embora o SOE não tenha tido um registro central ou sistema de arquivamento.

Havia também vários QGs subsidiários do SOE e estações criadas para gerir as operações que eram demasiadas distantes para Londres controlar. As operações do SOE no Médio Oriente e nos Bálcãs eram controladas a partir de um QG no Cairo, que era famoso por seus conflitos com outras agências. Esse QG ficou conhecido em Abril de 1944 como Operações Especiais (Mediterrâneo).  Uma subsidiária foi criada na Itália sob o controle do Cairo para controlar as operações nos Bálcãs. Houve também uma estação perto de Argel, criada em 1942, que tinha o codinome "Massingham", que operava no Sul da França. Uma estação, chamada a principio Missão Índia, foi criada na Índia nos fins de 1940. Posteriormente, mudou-se para o Ceilão e ficou conhecida como Força 136. A Força 136 operou nas regiões do Sudeste Asiático, nas áreas ocupadas pelo Japão entre 1941 e 1945. Apesar de ser comandada por britânicos (militares e civis) a maioria de seus agentes eram nativos das regiões onde a Força 136 agiu. Britânicos, americanos ou outros europeus não poderiam agir clandestinamente nas cidades ou zonas povoadas da Ásia, a não ser que o movimento de resistência se envolvessem em uma rebelião aberta, mesmo assim o pessoal Aliado conhecia os idiomas locais e povos e eram inestimáveis para a ligação com forças convencionais. Na Birmânia, em particular, o SOE poderia acionar muitos ex-gerentes de fazendas que tinham fluência nas línguas locais, antes da guerra, e que tinha sido comissionados para o Exército, quando os japoneses invadiram a Birmânia.

A Missão Singapura não foi capaz de superar a oposição oficial as suas tentativas para formar movimentos de resistência na Malásia antes que os japoneses tomassem Singapura. A Força 136 conseguiu sobreviver com seu pessoal. Houve também um gabinete de ligação em Nova Iorque, formalmente intitulado British Security Coordination, presidido pelo empresário canadense Sir William Stephenson. Este gabinete também coordenou os trabalhos do SIS e do MI5 com o Federal Bureau of Investigation e Office of Strategic Services.

Localizações

SOE tinha um grande número de centro de treinamento, administrativos, de pesquisa e desenvolvimento. Depois de trabalhar a partir de escritórios temporários no centro de Londres, o QG do SOE foi transferido em 31 de Outubro de 1940 para 64 Baker Street (daí a alcunha "Baker Street Irregulars"). Em última análise, o SOE ocupou grande parte do lado oeste de Baker Street. Outra base importante em Londres foi Aston House, onde as armas e táticas de investigação foram realizados. No entanto, as principais armas e dispositivos de investigação foram pesquisados ou desenvolvidos em outros dois estabelecimentos: The Firs, perto de Aylesbury em Buckinghamshire, e na Estação IX em The Frythe, um antigo hotel fora de Welwyn Garden City, onde, sob o nome de cobertura de ISRB (Inter Services Research Bureau) o SOE desenvolveu rádios, armas, explosivos e armadilhas. A Estação XV, em Thatched Barn, próximo a Borehamwood, era destinada a camuflagem, o que normalmente significava equipar os agentes com autênticos vestuários, equipamentos e documentos. Várias sub-estações, em Londres, e a Estação XIV perto de Roydon em Essex,  também foram envolvidos nesta tarefa de falsificação.

O centro de formação inicial do SOE estava em Wanborough Manor, Guildford. Agentes destinados a servir no campo recebiam treinamento de COMMANDOS em Arisaig na Escócia, onde eram ensinadas técnicas de combate armado e desarmado por William E. Fairbairn e Eric A. Sykes, ex-inspectores da Shanghai Municipal Police. Eles também participavam dos cursos de segurança e "tradecraft" no Grupo B de escolas perto de Beaulieu, em Hampshire. Finalmente, eles recebiam treinamento especializado em técnicas de demolição ou código Morse em vários lugares na Inglaterra, e treinamento em pára-quedismo (se necessário) nas STS 51 e 51a situadas perto de Altrincham, com o apoio da No.1 Parachute Training School RAF em na base áerea de Ringway (posteriormente Aeroporto de Manchester).

A parte final do treinamento para qualquer pessoa do SOE que fosse operar em território inimigo era a criação da sua "história de cobertura". Cada agente do SOE tinha que viver a sua "nova vida". O menor erro poderia ser fatal. Por isso um verdadeiro cidadão francês, jamais usaria sapatos ingleses ou fumaria cigarros britânicos.

Operações

França

As operações do SOE eram normalmente montadas, a fim de sentir qual dos grupos de resistência estavam dispostos a colaborar com os Aliados, em preparação para a invasão. Na França, o pessoal estava sob a direção de duas seções. A Seção F estava sob controle britânico, enquanto a Seção RF estava ligada ao General de Gaulle é ao governo dos franceses livres no exílio.

A maioria dos nativos franceses serviam na Seção RF. Havia também duas pequenas seções: A Seção EU/P, que tratava com a comunidade polonesa na França, e a Seção DF, que era responsável por estabelecer as rotas de evasão. Durante a última parte de 1942 uma outra secção denominada FMAs foi estabelecido em Argel, para  operar no sul da França.

Em 5 de Maio de 1941, Georges Bégué (1911-1993) se tornou o primeiro agente SOE a ser enviado de pára-quedas para a França ocupada. Ele tinha estabelecido comunicações via rádio com a Grã-Bretanha e tinha recolhido os agentes lançados de pára-quedas na França. Entre a chegada de Bégué em Maio de 1941e Agosto de 1944, mais de quatrocentos agentes da Seção F foram enviados para a França ocupada. Esse agentes desempenham uma grande variedade de funções, incluindo treinamento em armas e sabotagem, correio, agentes de ligação, e operadores de rádio. A Seção RF enviou aproximadamente o mesmo número de agentes; A Seção MGLA enviou 600 (embora nem todos estes pertenciam ao SOE). A Seção EU/P e DF enviou algumas dezenas de agentes cada.

O SOE incluiu um grande numero de mulheres (que muitas vezes eram recrutadas entre as mulheres que serviam no First Aid Nursing Yeomanry (enfermeiras)); A Seção F sozinha enviou 39 agentes do sexo feminino para o campo, das quais 13 não retornaram.

Para apoiar a invasão Aliada da França no Dia-D, em 6 Junho de 1944, destacamentos de três homens foram lançados em várias partes da França, como parte da chamada Operação Jedburgh, para coordenar as ações das resistência. Um total de 100 homens foram lançados, juntamente com 6.000 toneladas de equipamento militar (4.000 toneladas tinham sido lançados anos antes do Dia-D) Ao mesmo tempo, todas as diversas seções que operavam na França (com exceção da EU/P) foram nominalmente colocados sob as ordens de um QG em Londres intitulado EMFFI.

Membros da resistência francesa aprisionam militar alemão e capturam documentos e mapas

No Dia-D, em 6 de Junho de 1944 o SOE tinha-se tornado uma temida organização que poderia atacar o inimigo a qualquer hora, em qualquer lugar. Um alvo imediato foi a "Das Reich", a 2ª Divisão Panzer SS, que começou a marchar para o norte através da França em direção as praias da Normandia. Agentes do SOE sabotaram a sua linha de abastecimento de combustível e a rede ferroviária. Nas estradas as colunas da Das Reich foram emboscados constantemente, permitindo que a RAF as localizasse e as destruíssem. Esta divisão quebrada levou 17 dias para chegar a seu destino, e nesta altura os Aliados já tinham se firmado nas praias e avançavam para pelo interior.

Polônia

O SOE não tinha necessidade de incentivar a resistência polonesa a lutar contra os nazistas, porque ao contrário dos franceses, os poloneses esmagadoramente se recusavam a colaborar com os nazistas. No início da guerra os poloneses estabeleceram a maior força de resistência da Europa, o Exército Nacional polonês, liderado por um governo de resistência clandestino conhecido como o estado secreto polonês.  No entanto, havia muitos membros poloneses no SOE e muita cooperação entre o SOE e da resistência polonesa.

O Cichociemni

O SOE assistiu o governo polonês no exílio com instalações para treinamento e apoio logístico para os seus 605 operativos das Forças Especiais conhecidos como Cichociemny, ou "Trevas silenciosas". Os membros da unidade, que foi baseada em Audley End House, Essex, foram rigorosamente treinados antes de serem lançados de pára-quedas na Polônia ocupada.  Em 20 de setembro de 1940, o Comandante-em-chefe, o general Władysław Sikorski, exilado na Inglaterra, ordenou a criação da Secção III do Staff do Comandante-em-Chefe. O objetivo da Secção III era preparar planos de contingência para operações secretas na Polônia, entrega de armas e suprimentos por via aérea, e a formação de pára-quedistas. Pouco depois o 3 º Destacamento começou a aceitar voluntários. Aqueles que foram escolhidos deixaram suas unidades silenciosamente e à noite - daí o nome, Cichociemni. Dos 2.413 candidatos, apenas 605 conseguiram terminar o treinamento e passar em todos os exames. Deste 579 foram qualificados para o transporte aéreo. O treinamento foi preparado pelo 6º Destacamento do Estado-Maior e pelo SOE. Este treinamento era constituído de cinco partes:

  • preparação e treinamento físico e militar - Durante a primeira fase da treinamento todos os voluntários foram ensinados a utilizar todos os tipos de armas (incluindo britânicas, polonesas, alemãs, russas e italianas) e minas.

  • técnicas de investigação

  • treinamento de pára-quedismo

  • operações secretas e guerra de guerrilha

  • final do curso - Aqui eles recebiam uma nova identidade. As identidades dos agentes eram conhecidas apenas pelo Estado-maior polonês. Todos os soldados que passaram na formação foram empossados como membros do Exército Clandestino polonês- Armia Krajowa/AK.

Entre os soldados que foram transportados para a Polônia, existia uma diversidade de qualidades. O mais velho deles tinha 54 anos, o mais jovem 20. Como regra geral, todos os voluntários foram promovidos um posto acima no momento de seu salto.

Na Polônia, os Cichociemni foram transferidos principalmente para as várias unidades especiais da ZWZ e do AK. A maioria deles ingressou no Wachlarz, Zwiazek Odwetu e KeDyw. Muitos se tornaram oficiais  importantes do Exército Clandestino e tomaram parte na Operação Tempest (uma série de revoltas em cidades alvos do avanço soviético) e nas revoltas em Wilno, Lwów e Varsóvia.

Dos 344 homens que foram transportados para a Polônia 112 morreram. Destas baixas 84 morreram em combates contra os alemães ou torturados até à morte pela Gestapo após serem presos; 10 cometeu suicídio em prisões ou nos  campos de concentração; 10 foram executados pelos soviéticos  durante e depois da guerra; 9 morreram quando seus aviões de transporte foram abatidos, antes de atingirem o local de lançamento; Dos 91 cichociemni que tomaram parte no Levante de Varsóvia, 18 foram mortos em ação.

O primeiro livro sobre Cichociemni foi publicado na Polônia comunista em 1985. comunista na Polônia foi publicado em 1985. As memórias de Stefan Bałuk, Byłem Cichociemnym (eu era um Cichociemny) foi publicado em 2008. Bałuk tinha 94 anos quando o seu livro apareceu pela primeira vez nas livrarias. Em 4 de agosto de 1995, a unidade das forças especiais polonesas GROM adotou o nome e as tradições dos Cichociemni.

Devido à distância percorrida nas viagens aéreas para a Polônia, aeronaves com configuração especial para aumentar a sua de combustível foram utilizadas nas operações chamadas Operação Wildhorn III.

Membro do Batalhão Gurt, do Exército Clandestino polonês em Varsóvia, em agosto de 1944. Sua unidade lutou na defesa do centro do cidade no Levante. Seu "uniforme" improvisado era um mistura de itens roupas civis,  uniformes de serviço civil e itens alemães capturados. Uma braçadeira vermelho e branco era seu único item de identificação. Os membros do Gurt usavam principalmente azul escuro, normalmente com um boné, como no exemplo, de um ferroviário alemão, 
somado com distintivo da águia polonesa.
Ele está armado com uma Blyskawica ou 'Lightning' SMG, de 9mm parabellum. Esta arma "caseira" foi projetada por  Waclaw Zawrotny e Seweryn Wielanier, e era baseada nos desenhos da MP40 e e da Sten pesava um pouco mais de 3kg. Foram fabricadas cerca de 700, os componentes eram atarraxados e não soldados o que facilitava a fabricação. Era uma arma efetiva até 100 jardas, o que era perfeitamente adequado para as batalhas de rua.

No fundo, note o emblema do Exército Clandestino ou a "ancora". Ela imcorpora as letras PW (de lutador polonês) e o P algumas vezes lembrava o cabo de um sabre.

 

Krystyna Skarbek, membro do Secret Intelligence Service, foi uma membro fundador do SOE e ajudou a criar uma celular polonesa de espiões na Europa Central. Ela executou várias operações na Polônia, o Egito, e Hungria (com Andrzej Kowerski) e na França, muitas vezes utilizando expatriados poloneses anti-nazistas em uma rede internacional segura.

Os agentes Elzbieta Zawacka e Jan Nowak-Jezioranski aperfeiçoou uma rota para Gibraltar a partir da Europa ocupada. Maciej Kalenkiewicz foi lançado de pára-quedas na Polônia ocupada, apenas para ser executado pelos soviéticos. Um agente polonês foi integrante da do SOE, Operação Foxley, que tinha por objetivo assassinar Hitler.

Graças à cooperação entre SOE e o Exército Clandestino polonês, os poloneses foram capazes de entregar a Londres as primeiras informações seguras sobre o Holocausto. Witold Pilecki do Exército doméstico polonês concebeu uma operação conjunta com o SOE para libertar Auschwitz, mas o governo britânico rejeitou-o como inviável.

Operações conjuntas britânico-polonesas proveram a Londres vital inteligência sobre os temíveis foguetes V-2, movimento de tropas alemãs na Frente Ocidental e dados sobre a repressão soviética contra cidadãos poloneses.

Houve dois levantes em Varsóvia: o Levante do Gueto de Varsóvia feito pelos judeus, que não tinha chances reais de sucesso e foi encarado por seus participantes mais como uma forma digna de morrer do que como uma tentativa de resistência (este episódio aparece no filme “O Pianista”).

No bairro onde antes ficava o gueto, existem diversos monumentos lembrando esse episódio, como este em homenagem aos heróis do levante, o lugar onde ficava um dos bunkers da resistência, e também um monumento na Umschlagplatz, o local onde os judeus eram reunidos para serem levados aos campos de concentração.

O outro levante foi o Levante de Varsóvia propriamente dito, que foi muito mais organizado pelo Exército Clandestino, contando com apoio externo dos aliados (que bombardeavam posições inimigas e enviavam suprimentos). Além dos soldados regulares, lutaram crianças no conflito. Infelizmente esse foi também suprimido.
A RAF realizou vôo especiais sobre a Polônia para apoiar o Levante de Varsóvia.

Isoladas e mal equipadas, as milícias do AK, depois de sustentarem um combate urbano desproporcional durante 63 dias dentro de Varsóvia, foram dizimadas pelas divisões blindadas da Wehrmacht e da brigada SS Dielenburg.

Obedecendo a ordem de Hitler, suas tropas destruíram com canhões, em conjunto com os bombardeios aéreos rasantes feitos pela Luftwaffe, praticamente nove décimos da capital polonesa (98% dos edifícios públicos foram dinamitados).

A rebelião foi derrotada com uma perda de 200.000 vidas (principalmente civis executados pelos alemães), depois que o Exército Vermelho que estava próximo se recusou a dar assistência militar para os poloneses (Exército Vermelho, que tinha prometido invadir Varsóvia poucos dias após o início do levante mas na realidade o avanço soviético é contido na margem leste do rio Vístula, as bordas da cidade) e impedindo a RAF de partir de aeródromos russos para ajudar os poloneses, apesar da URSS ser oficialmente um estado Aliado. Os soviéticos foram extremamente cruéis nesse episódio. Além deste incidente, após a libertação do país eles “julgaram” e condenaram os líderes do levante como traidores da Polônia, e os mandaram para a prisão perpétua.

Alemanha

Devido aos perigos inerentes e a quase inexistência de simpatizantes entre a população alemã poucas operações foram realizadas na Alemanha em si. a Seção alemã e austríaca do SOE foi comandada pelo Tenente Coronel Ronald Thornley durante a maior parte da guerra e esteve principalmente envolvido em "propaganda negra" e administração de sabotagem, em colaboração com a Seção alemã do Political Warfare Executive. Após o Dia-D, a secção foi reorganizado e ampliado com o General Sir Gerald Templer na posição de Diretor com Thornley como seu adjunto.

Vários grandes operações foram planeadas, incluindo a Operação Foxley, um plano para assassinar Hitler, e a Operação Periwig, um engenhoso plano para simular a existência de um grande movimento de resistência anti-nazista na Alemanha. A Foxley nunca foi levada adiante, mas a Periwig foi em frente, apesar das restrições impostas sobre ela pelo SIS e SHAEF. Vários alemães prisioneiros de guerra foram treinados como agentes, preparados para fazerem contato com a suposta resistência anti-nazista e realizar sabotagem. Eles foram então lançados de pára-quedas na Alemanha, na esperança de que eles próprios, na esperança de que eles ou se entregariam a Gestapo ou seriam capturados por ela, e revelariam a sua suposta missão. Falsas transmissões foram direcionadas para a Alemanha e vários apetrechos tais como livros de código e receptores sem fio foram lançados com o propósito de cair nas mãos das autoridades alemãs e confundi-las

Países Baixos

A Secção N do SOE era responsável pelas operações na Holanda. Ela cometeu alguns dos piores erros do SOE em termos de segurança, o que permitiu que os alemães capturassem muitos agentes enviados para missões de sabotagem e muito material, numa operação chamada pelos alemães de Englandspiel. O SOE aparentemente ignorou a ausência de controles de segurança nas transmissões de rádio, e outros avisos do seu chefe de criptografia, Leo Marks, de que os alemães estavam monitorando a rede montada pelo SOE. Eventualmente, os dois agentes capturados escaparam para a Suíça (em Agosto de 1943). Depois de alguns percalços o SOE foi, finalmente, mais cauteloso. O SOE parcialmente se recuperou desta catástrofe com a criação de novas redes, que continuaram a operar até os Países Baixos foram libertados no final da guerra.

Bélgica

A Secção T estabeleceu algumas redes eficazes na Bélgica, mas após a Batalha da Normandia, as forças blindadas britânicas cruzaram o país em menos de uma semana, dando a resistência pouco tempo para executar um levante. Eles prestaram assistência ao Exército britânico para contornar a retaguarda alemã, o que permitiu aos Aliados capturarem as essenciais docas de Antuérpia intactas.

Itália

Uma vez que a Itália era um país inimigo, e supostamente um estado fascista monolítico sem oposição organizada, o SOE tinha pouco espaço para manobrar e pouco esforço foi realizado na Itália até meados de 1943, quando governo fascista de Mussolini ruiu e as forças aliadas já ocupavam Sicília. O SOE realizou algumas ações de recrutamento de prisioneiros de guerra italianos. No rescaldo do colapso italiano, o SOE ajudou a construir uma grande rede de resistência nas cidades do Norte de Itália, e nos Alpes. Os partisans Italianos assediaram as forças alemãs na Itália ao longo do Outono e do Inverno de 1944, e na ofensiva da primavera 1945 na Itália eles capturaram Gênova e outras cidades. O SOE estabeleceu uma base em Bari no sul da Itália, que operava redes e agentes nos Bálcãs. Esta organização tinha o código de "Force 133".

Partisan iugoslavo da Brigada Vojvodina, no verão de 1944. Ele está armado com um metralhadora alemã MG34.

Iugoslávia

Na seqüência da invasão alemã em 1941, o Reino da Iugoslávia foi fragmentado. Na Croácia, houve um substancial movimento pró-Eixo, chamado Ustaše. No resto da Iugoslávia, dois movimentos de resistência foram formados; o monárquico Chetniks liderado por Draža Mihailović, e os partisans comunistas sob Josip Broz Tito. Mihailovic foi a primeira tentativa dos Aliados, e o SOE despachou um destacamento em 20 de Setembro de 1941 sob o comando do Major "Marko" Hudson. Hudson também se encontrou com as forças de Tito. Por causa do governo iugoslavo no exílio, o SOE apoiou o Chetniks, mas tornou-se evidente para a British Military Intelligence através de mensagens de rádio decodificados dos alemão que o Chetniks eram menos eficazes, e até mesmo colaboravam com os italianos e os alemães contra os partisans em algumas áreas.

Daí o apoio britânico foi redirecionado para o partisans de Tito, antes mesmo da Conferência Teerã em 1943. Embora as relações fossem freqüentemente delicadas em toda a guerra, pode-se argumentar que o SOE foi incansável em seu apoio a Tito o que foi um fator para que a Iugoslávia se mantivesse em uma posição de neutralidade durante a Guerra Fria. No entanto, as contas que foram acertadas com o Chetnik tiveram conseqüências históricas.

Hungria

SOE foi incapaz de estabelecer relações ou contatos na Hungria antes que o regime de Miklós Horthy se alinhasse com a Alemanha. A distância e a falta de tais contatos impediu qualquer esforço feito pelo SOE até que os húngaros enviaram um diplomata (László Veress), em uma tentativa de entrar em contato com a rede  clandestina dos Aliados ocidentais.

O SOE facilitou o seu retorno, com o envio de alguns equipamentos de rádio. Antes que os Aliados pudessem concordar com os termos de um acordo, a Hungria foi colocada sob ocupação militar alemã e Veress foi forçado a fugir do país.

Duas missões posteriormente foram lançadas de pára-quedas "às cegas", ou seja, sem um acordo prévio para a sua recepção e a missão falhou. Como também falhou uma tentativa, por Basil Davidson para incitar um movimento de partisans na Hungria, depois que ele chegou ao partir do nordeste da Iugoslávia.

Grécia

A Grécia foi conquistada pelo Eixo só depois de uma defesa desesperada durante vários meses. Em fins de 1942, o SOE montou a sua primeira operação, chamada Operação Harling, na Grécia, em uma tentativa de perturbar o transporte ferroviário que estava sendo utilizado para mover materiais para o Exército alemão na África. Um destacamento, sob as ordens do Brigadeiro Eddie Myers, assistido por Christopher Woodhouse, descobriu dois grupos guerrilheiros que operam nas montanhas, o pró-comunista ELAS e o republicano EDES. Com a ajuda destas duas organizações, o destacamento de Myer destruiu o viaduto ferroviário Gorgopotamos em 14 de Novembro de 1942.

Relações entre os grupos de resistência e os britânicos azedou. O EDES recebia mais ajuda do SOE, mas o ELAS conseguiu muitas armas quando a Itália entrou em colapso e as forças militares italianas na Grécia se dissolveram. O ELAS e o EDES lutaram uma terrível guerra civil em 1943 até que o SOE negociou um armistício desconfortável (o acordo Plaka). Alguns agentes de campo do SOE, foram executados por grupos indisciplinados do ELAS. O exército britânico ocupou Atenas e Piraeus no rescaldo da retirada alemã, e lutou uma batalha de rua a rua para expulsar o ELAS dessas cidades e impor um governo provisório sob Arcebispo Damaskinos. O último ato do SOE foi a evacuação de várias centenas de combatentes desarmados do EDES para Corfu, impedindo seu massacre por parte do ELAS.

Albânia

Albânia tinha estado sob influência italiana desde 1923, e foi ocupada pelo exército italiano em 1939. Em 1943, um pequeno destacamento deligação entrou Albânia pelo noroeste da Grécia. Entre os agentes do SOE que entraram Albânia, em seguida, ou mais tarde estavam Julian Amery, Anthony Quayle, David Smiley e Neil "Billy" McLean. Eles descobriram uma outra guerra de extermínio mútuo entre os partisans comunistas sob Enver Hoxha, e os republicanos de Balli Kombëtar. Quanto a este último de descobriu que tinha colaborado com os italianos, e Hoxha recebeu então o apoio Aliado. Enviado pelo SOE para a Albânia, o Brigadeiro "Trotsky" Davies, foi capturado pelos alemães no início de 1944. Alguns oficiais do SOE advertiram que Hoxha tinha por objetivo ganhar a guerra interna e garantir o poder no pós-guerra, em vez de lutar contra os alemães.  Eles foram ignorados, pois a Albânia nunca foi um fator importante no esforço contra os alemães.

Tchecoslováquia

SOE enviou várias missões para as áreas Checas chamadas de Protetorado da Boêmia e Moravia e, mais tarde, para a Eslováquia. A mais famosa ação do SOE foi a missão Operação Antropóide, que foi o assassinato do líder SS Reinhard Heydrich, em Praga. Freqüentemente as operações do SOE resultavam em represálias contra a população local. Após a morte de Heydrich, a SS exterminou cerca de 5.000 homens mulheres e crianças em duas aldeias perto de Praga. Para evitar retaliações contra civis, o SOE realizava muitas vezes "sabotagens invisíveis", que não deixavam vestígios e não implicada ninguém. Um exemplo foi o envio de uma composição ferroviária, carregada com tanques, para um destino errado - usando apenas um documento falsificado. De 1942 a 1943 os tchecos tinham a sua própria Escola Especial de Treinamento (STS) em Chicheley Hall em Buckinghamshire. Em 1944 SOE enviou homens para apoiar o levante eslovaco.

Noruega

Soldado norueguês da 2ª Cia de Montanha da Brigada norueguesa em treinamento na Escócia em 1943. Vários soldados noruegueses escaparam para a Grã-Bretanha junto com o Rei Haakon VII, ou voltaram com as expedições de commandos britânicos a Noruega. Os  soldados noruegueses formaram a Brigada norueguesa, unidades de pára-quedistas, a Tropa 5 do Commando 10 (Interaliado) e a Kompani Linge.

 

Em Março de 1941 foi organizada sob o comando do Capitão Martin Linge a Companhia Independente 1 (NOR.IC1), conhecida pelos noruegueses como Kompani Linge, que era uma unidade de commandos noruegueses a serviço do SOE.

O SOE deu uma grande contribuição para o esforço de guerra em uma série de ações na Noruega que vieram a negar aos nazistas a possibilidade de terem a bomba atômica. Um dos grandes problemas enfrentados pelos Aliados era a ameaça de que os nazistas conseguissem fabricar a bomba atômica. E a Noruega tinha na fábrica de água pesada de Vemork, uma contribuição extrema no esforço alemão.

Era muito importante destruir a fábrica de água pesada de Vemork. A primeira tentativa, realizada no final de 1942, foi um fracasso. Trinta e seis soldados ingleses foram capturados e executados pelos alemães e o plano de ataque a Vemork foi descoberto pela Gestapo, que encontrou mapas da região com um círculo vermelho em torno da usina junto de um dos cadáveres.

Durante Segunda Guerra Mundial, a Operação Gunnerside foi a segunda tentativa de destruir a fabrica Norsk Hydro responsável pela produção de água pesada em Vemork no Vale de Rjuken, na Noruega no dia 16 fevereiro de 1943. Quando a guerra começou esta era a única fabrica que produzia água pesada, óxido de deuterium (D2O), em quantidade. Hitler requereu quantias crescentes disto para o desenvolvimento de uma Bomba atômica.

A primeira tentativa, Operação Freshman, montada pelas Operações Combinadas, em Novembro de 1942. Esse foi o primeiro assalto da tropas aerotransportadas com planadores. A Operação Freshman tinha por objetivo destruir as instalações de água pesada, a principal da Europa, perto da cidade de Vermork na Noruega. Trinta e dois Reais engenheiros da 1ª Divisão Aerotransportada britânica, sob as ordens dos Tenentes o Allen e Methuen foram à Noruega no dia 19 de novembro de 1942. Os homens foram transportados em dois planadores e eram guiados pelo Rebecca - Eureka. Ambos os planadores bateram quando pousaram, matando muito dos homens lá dentro. Os sobreviventes foram depois capturaram pelos alemães. Depois que foram interrogados pela Gestapo eles foram mortos conforme a "Commando Befehl" de Hitler que considerava Commandos e Pára-quedistas não como soldados, mas sim sabotadores e dignos de fuzilamento.

Em apoio a Operação Freshman, o SOE antecipadamente tinha enviado de pára-quedas, uma equipe de cinco noruegueses, um mês antes, no dia 19 de outubro de 1942 para preparar a recepção dos Reais engenheiros e direcioná-los para o seu alvo. Essa era a Operação Grouse. A equipe "Grouse" era formada pelo segundo-tenente Jens Poulsson (líder), Sargent Arne Kjeldstrup (XO), segundo-tenente Knut Kjeldstrup (operador de rádio), Sargento Helleberg Knut e Claus Helberg. Eles foram lançados perto de Hardangervidda. A "Grouse" chegou a fazer contato com um dos aviões, mas o líder e os planadores caíram como sabemos no oeste da Noruega.

Com isso a equipe "Grouse" mudou de nome para "Swallow" e teve que enfrentar problemas de sobrevivência na dura tundra no inverno. Eles passaram por uma longa espera em um refúgio nas montanhas geladas, subsistindo praticamente de musgo e líquen durante o inverno, até que uma rena foi finalmente encontrada e abatida pouco antes do Natal. Eles comeram tudo não apenas carne, mas cérebro, fígado, língua e estômago. O único contato com o mundo exterior era através do rádio, e o SOE s instruiu a permanecer no local.

A Operação Gunnerside foi montada completamente pelo SOE e provou ser um dos, se não, o mais bem sucedido atos de sabotagem na guerra. Uma equipe de seis norueguês (membros da NOR.IC1) foi lançada de pára-quedas por um bombardeiro Halifax do Esquadrão 138 da RAF Tempsford, e tinha como objetivo primário entrar em contato com a equipe Grouse. Para sua comunicação segura, a equipe Grouse tinha um rádio da "Swallow".

Depois de vários dias, as equipes encontraram-se e começaram a trabalhar nos preparativos finais para o ataque marcado para a noite de 27/28 de Fevereiro de 1943. Os itens necessários pelos agentes para a sua missão foram lançados com eles em contêineres especiais, CLE. Um desses contêineres se perdeu, sendo enterrado na neve por um norueguês e devolvido a Inglaterra em 1976 indo para o museu Parachute (Airborne Museum), em Aldershot.

Na seqüência da tentativa da Operação Freshman  minas, holofotes e itens adicionais de segurança foram instalados pelos alemães ao redor da fabrica. Embora as minas e os holofotes permanecessem no local, a segurança na fábrica tinha sido um pouco relaxada ao longo dos meses de Inverno. No entanto, a única ponte de 75 metros sobre uma profunda ravina que levava à fábrica, a 200 metros acima do rio Maan, estava foi bem vigiada. Eles poderiam eliminar os guardas sem chamar a atenção da guarnição, detonar suas cargas e fugir, mas a morte dos guardas alemães traria duras represálias sobre a população norueguesa. Por isso a força de ataque decidiu descer pela ravina, vadiar o rio e subir pelo outro lado. Mas no Inverno o nível do rio era muito baixo e no outro lado, a terra nivelada, e eles seguiram uma única via férrea direto para a fábrica sem encontrar qualquer guarda.

Mesmo antes da equipe Grouse ter desembarcado na Noruega, o SOE tinha um agente norueguês dentro da fábrica que forneceu mapas e informações mais detalhadas. A equipe de demolição utilizou essa informação para entrar no porão de uma passagem principal e através de uma janela. Lá dentro a equipe se dividiu, o pessoal da Swallow montou guarda enquanto Rønneberg se preparava para colocar os explosivos. Os agentes ainda renderam um guarda noturno civil norueguês e um outro trabalhador norueguês. Colocaram as cargas explosivas nas câmaras da eletrólise da água pesada, usando um temporizador para acionar os detonadores com tempo suficiente para escaparem. Eles libertaram os civis presos, dizendo que eles corressem o mais rápido possível. Mas algo surrealista aconteceu quando as cargas estavam prestes a explodir: o porteiro esqueceu os seus óculos novos na sala (durante a guerra, era quase impossível obter novos óculos), e houve uma frenética busca por eles, que finalmente foram encontrados e todos saíram a salvo. A explosão destruiu dezoito células de água pesada e cerca de 500 kg de água pesada, bem como uma perda da produção de 400 kg de água pesada. Cerca de quatro ou cinco meses de produção, foram escoar pelo sistema de esgotos.

Um agente do SOE coloca as cargas explosivas, enquanto um vigia um civil e outro agente monta guarda.

Após o ataque uma Tommy Gun foi deixada propositadamente para indicar que este foi um raid britânico e não uma ação da resistência local, para tentar evitar represálias. Todos os dez agentes conseguiram escapar. Seis deles esquiaram 400 km até a fronteira com a Suécia e os outros quatro permaneceram na Noruega, dando apoio aos trabalhos da resistência.

A fábrica foi restaurada em Abril e o SOE concluiu que a realização de um novo raid seria extremamente difícil com a segurança alemã tendo sido consideravelmente reforçada. Em 16 de Novembro de 1943, a fábrica foi atacada por 143 bombardeios B-17 da 8ª Força Aérea do Exército dos EUA em um ataque diurno. Foram lançadas 711 bombas. Embora este ataque causou poucos danos a fábrica, 600 bombas erraram o alvo, os alemães estavam convencidos a abandonar a fábrica e mover os estoques restantes e componentes críticos para a Alemanha em 1944. Os agentes do SOE na área foram ordenados a evitar que qualquer "água pesada" deixasse a Noruega.

Cerca de 8,5kg de explosivo plástico com dois relógios-detonadores foram fixados a quilha de um ferry, o "Hydro", que ia transportar a carga secreta alemã em tanques ferroviários pelo Lago Tinnsjo. Em 20 fevereiro de 1944, o barco e afundou junto com a sua carga de tambores (cerca de 15.000 litros de água pesada) quando a embarcação navega em águas profundas, os detonadores foram programados para serem acionados no local mais fundo do lago. O ataque resultou na morte de 4 militares alemães e de 14 civis noruegueses tripulantes do navio. Para a equipe, esta foi a parte mais difícil de todas na operação, uma vez que eles sabiam que poderiam ser seus amigos e familiares no barco, mas não podiam dizer nada, devido à grave importância da missão. Apesar do preço pago em vidas inocentes, o plano alemão de produção de uma bomba atômica sofria então um duro golpe. O reduzido número de baixas alemãs deve-se a uma opção tomada deliberadamente, optando pela descrição no transporte com uma pequena escolta, em lugar de uma grande escolta que daria inevitavelmente nas vistas. Porém dois batalhões de soldados guardavam o transporte do outro lado do lago.

De qualquer modo, o transporte acabou mesmo por tornar-se conhecido dos aliados invertendo a suposta eficácia do método alemão. Assim se explica como um ferry que podia ter virado o curso da guerra estava tão mal guardado. Mas a destruição do carregamento de "água pesada" norueguesa não terminou a produção da bomba atômica nazista. Os Aliados, com efeito, souberam pela captura de alguns documentos alemães em Estrasburgo, que a fábrica Auer de Oranienburg dedicava-se ao processamento do minério de Urânio. O bombardeamento da unidade foi logo considerado um objetivo prioritário e encetadas as diligências para o início dos bombardeamentos, mas nesta altura os alemães já tinham perdido a corrida pela bomba atômica.

Desconhecido dos sabotadores do ferry, é que existia um plano "B" criado pelo SOE, que organizou uma segunda equipe para atacar o barco em Heroya se a primeira tentativa falhasse.

Circundando seu chefe Leif Tronstad (primeira fila, ao centro) alguns dos sabotadores de Vemork, incluindo (primeira fila da esquerda para a direita) Jens Anton Poulsson e Joachim Rønneberg, e (na última fila da esquerda para a direita) Hans Storhaug, Fredrik Kayser, Kasper Idland, Claus Helberg, e Birger Stromsheim.

Agentes noruegueses do SOE envolvidos:
O agentes dentro da fábrica: Einar Skinnarland
Equipe Grouse/Swallow: segundo-tenente Jens Anton Paulsson, sargento Arne Kjelstrup, radio-operador Knut Haugland e o sargento Claus Helberg.

Equipe Gunnerside: primeiro-tenente Joachim Rønneberg (líder), segundo-tenente Knut Haukelid (OX), sargento Fredrik Kayser, segundo-tenente Kasper Idland, sargento Hans Storhaug e sargento Birger Strømsheim

Equipe do Lago Tinnsjo: Knut Haukelid, Rolf Sorlie (resistência local), Einar Skinnarland (radio-operador), Gunnar Syverstad (planta laboratório assistente), Kjell Nielsen (planta transporte gerente), Larsen (engenheiro sênior planta), o motorista/vigia é desconhecido.

Dinamarca

A maioria das ações realizadas pela Resistência dinamarquesa foi de sabotagem contra a via férrea para impedir movimentos de tropa alemães de e para a Noruega. Porém, especialmente havia exemplos de outros tipos de sabotagem. Mais de 1000 operações foram realizadas de 1942 em diante. A resistência dinamarquesa também salvou quase todos os judeus dinamarqueses da morte certa nos campos de concentração alemães em 1943 de outubro. Esta foi uma grande operação realizada durante a noite e este dia é reconhecido entre judeus como um das exibições mais significantes de desafio público contra os alemães.

A Resistência dinamarquesa ajudou o SOE em suas atividades na Suécia neutra. Por exemplo, o SOE pôde obter vários shiploads de rolamento de esferas vitais que tinham sido internados em portos suecos. Os dinamarqueses também abriram caminho de várias comunicações seguras; por exemplo, um transmissor que transcrevia código Morse sobre uma fita de papel mais rapidamente que um operador humano pudesse controlar.

România

Em 1943 uma delegação do SOE foi lançada de pára-quedas na Romênia para instigar a resistência contra a ocupação nazista a "qualquer custo" (Operação Autonomous). A delegação, que incluía o Coronel Gardyne de Chastelain, o Capitão Silviu Metianu e Ivor Porter, foi capturada pela Gendarmerie romena. Eles ficaram presos até a noite de 23 agosto 1944, a noite do golpe de estado.

Outras operações na Europa

Através da cooperação com o SOE e o serviço de inteligência britânico, um grupo de voluntários judeu da Palestina foram enviados em missões a vários países na Europa ocupada pelos nazistas entre 1943-1945.

Abissínia

Abissínia foi palco de alguns dos mais bem sucedidos esforços do SOE. O SOE e o Exército britânico no Cairo organizou em 1940 uma força de etíopes irregulares sob o comando de Charles Orde Wingate em apoio do exilado Imperador Haile Selassie. Esta força (chamado de Gideon Force por Wingate) causou pesadas baixas às forças de ocupação italiana, e contribuiu para o êxito da campanha britânica lá. Wingate usou sua experiência para criar os Chindits na Birmânia.

Sudeste asiático

O SOE estava preparando planos para operações no sudeste da Ásia já em 1940. Como na Europa, depois dos desastres iniciais dos exércitos Aliados, o SOE construiu organizações de resistência nativas e forças guerrilheiras nos territórios ocupados pelos japoneses. O SOE também lançou a Operação Remorse (1944-45) que foi apontado no final das contas para proteger o estado econômico e político de Hong Kong. A Força 136 do SOE se ocupou de proteger os bens e o tesoura britânico na China. Seus agentes se provaram notavelmente prósperos, levantando £77m pelas suas atividades que foram usadas para prover ajuda para prisioneiros de guerra Aliados e, mais controversamente, comprar a influencia local para facilitar um retorno tranquilo a condições antes da guerra.

Agentes

Uma variedade de pessoas de todas as classes e ocupações serviram no SOE em missões de campo. Na maioria dos casos, a qualidade primária requerida era um conhecimento profundo do país no qual o agente iria operar, e especialmente seu idioma, se o agente fosse passar por um nativo do país. A dupla nacionalidade era freqüentemente um atributo computado. Isto foi muito usado na França. Muitos dos agentes da Seção eram das classes trabalhadoras (alguns supostamente do mundo do crime).

Especialmente nos Bálcãs, e em outros casos, um menor grau de fluência foi requerido, pois os grupos de resistência com que o SOE trabalhava já estavam em rebelião aberta e uma existência clandestina era desnecessária. Um talento para diplomacia combinada com um gosto pela áspera vida soldadesca era muito necessário. Alguns oficiais do exército regular se mostraram peritos hábeis, embora outros (como o ex-diplomata Fitzroy Maclean ou o estudante clássico Christopher Woodhouse) só foram  comissionados durante o tempo de guerra.

Exilado ou membros das forças armados dos pises ocupados que conseguiram escapar eram fontes óbvias de agentes. Isto era particularmente verdade no caso da Noruega e da Holanda. Em outros casos (como no caso dos franceses ligados a Charles de Gaulle e especialmente os poloneses), os agentes primeiro tinha sua lealdade direcionada pra os seus líderes ou governos em exílio, e eles só usavam o SOE como um meio para um fim. Isto poderia conduzir a desconfiar ocasionalmente e a relações tensas com a Inglaterra.

O SOE empregou muitos canadenses; o governo canadense recrutou os voluntários canadenses para serviço clandestino para SOE ou para o MI9. O SOE estava preparado para ignorar quase qualquer convenção social contemporânea em sua luta contra o Eixo. Ele empregou homossexuais, pessoas com antecedentes criminais ou registros de conduta ruim nas forças armadas, comunistas, nacionalistas anti-britânicos, etc. Embora alguns destes pudessem ter sido considerados um risco de segurança, praticamente não há nenhum caso conhecido de um agente SOE agente que tenha se passado para o inimigo.

Comunicações

O SOE era altamente dependente da segurança das suas transmissões de rádio. Havia três fatores envolvidos nesta história: as qualidades físicas e as capacidades do aparelho de rádio, a segurança da transmissão e a provisão de boas mensagens cifradas.

Os primeiros rádios do SOE foram fornecidos pelo SIS. Eles eram grandes, desajeitados e exigia grandes quantidades de energia. O SOE adquiriu com os poloneses alguns modelos muito mais adequado, como o Paraset. Alguns destes, juntamente com as suas baterias, pesava apenas 4,1 kg, e poderiam ser facilmente encobertos, embora maiores conjuntos de rádio tinham maior alcance, uns 800 km.

Os procedimentos operacionais não eram seguros no começo; os operadores eram obrigados a transmitir suas mensagens verbalmente as vezes em pontos fixos e em intervalos. Isso permitiu que os alemães conseguissem encontrar a tempo essas posições por meio de triangulações. Depois que vários operadores foram capturados ou mortos, os procedimentos se tornaram mais flexíveis e seguros. Tal como aconteceu com o seu primeiro aparelho de rádio, o SOE também recebeu suas primeiras cifras do SIS. Leo Marks, chefe da criptografia do SOE, foi responsável pelo desenvolvimento de melhores códigos para substituir os inseguro códigos do SIS. Eventualmente, o SOE resolveu pelo uso único de cifras, impressas em seda.

Equipamentos

O SOE estava forçado devido as circunstâncias a desenvolver uma gama extensiva de equipamento para uso clandestino. Entre os produtos desenvolvidos em sua Estação IX estavam uma miniatura de motocicleta dobradiça (a Welbike) para uso por pára-quedistas, uma pistola silenciada (a Welrod) e vários submarinos miniatura (o submarino Welman e o Sleeping Beauty). A unidade de testes navais estava localizada em Gales ocidental na cidade de Goodwick, era a Fishguard (Estação IXa) onde estes testes eram ralizados. No início de 1944 um mini-submarino foi despachado para a Austrália à Agência de Inteligência Aliada (SRD), para testes em uma região tropical.

Um agente que trabalhava clandestinamente no campo obviamente exigia roupas, documentos e outros utensílios que não levantassem suspeita. O SOE manteve centros que se especializaram produzindo roupa estrangeira e cartões de identidade forjandos, cartões de ração, etc (até mesmo marcas estrangeiras de cigarros passaram a ter produção local).

O SOE tinha a idéia de que as armas usadas para assassinatos não deveriam requerer treinamento extenso ou cuidadoso. A Sten, era rude e barata, sendo a favorita. Para prover os partisans na Iugoslávia, com armas maiores, o SOE usava armas capturadas aos alemães e italianos. Muitas armas italianas ficaram disponíveis em quantidades grandes após a rendição da Itália, e os partisans puderam adquirir munição para estas armas de fontes inimigas.

Contêiner Tipo C (a esquerda) era perfeito para armas largas como a Bazooka ou a PIAT, ambas antitanque. Na ausência de morteiros estas armas eram bem eficientes contra veículos, instalações e até mesmo trens. Para cargas menores o recipiente poderia ser dividido em três compartimentos pela inserção de discos de madeira. O pára-quedas era colocado no topo do contêiner e fixo no lugar por uma correia em cada lateral. O Contêiner Tipo H (a direita) na realidade incluia cinco tambores que eram unidos através de duas varas de metal. O contêiner media 1.7m de altura, inclusive com o pára-quedas e o cone de impacto no fundo, com um diâmetro de 0.35m. O máximo de espaço interno do contêiner era de 1.3m. Os compartimentos menores eram perfeitos para armazenar armas pequenas e, em particular, equipamento de sabotagem e granadas. O tipo H tinha um absorvedor de choque distintivo na sua base. Para operações secretas os contêineres  eram pitados de preto.

O SOE usou bestas especialmente desenvolvidas para atirar parafusos incendiários. Havia dois tipos de bestas, a 'Big Joe' e 'Lil' Joe' respectivamente. Ambas eram um liga tubular que impulsionar o "projétil" através de faixas de borracha múltiplas. A besta do SOE foram projetados para ser desmontáveis para facilidade a sua ocultação.

O SOE desenvolveu uma gama extensiva de dispositivos explosivos para sabotagem, como as minas limpet, carga de pólvora amoldadas e fusíveis de tempo. Estes foram usados depois pelas unidades de Commando. O SOE abriu o caminho par o uso do explosivo plástico (o termo plástico surgiu porque o SOE empacotava em plástico o explosivo originalmente destinado para a França mas que foram levados para os EUA).Foi usado em tudo, desde carros-bomba, até ratos-bomba projetados para destruir caldeiras de carvão. Outros métodos de sabotagem era mais sutis.

Submetralhadora Sten
Necessitando repor os estoques de armas, após a derrota em Dunquerque, os militares britânicos encomendaram o desenvolvimento de uma submetralhadora simples, para produção acelerada. Baseados nos conceitos de produção em massa da MP38 alemã, engenheiros da Enfield desenvolveram a Sten. A arma de Sten era tão fácil de fabricar que muitas foram produzidas em pequenas lojas e garagens; mais que 4 milhões foram produzidos durante Segunda Guerra Mundial. Extremamente feia e rústica, foi no início encarada com desconfiança pelas tropas, porém provou ser eficiente, sendo usada pelos pára-quedistas e commandos britânicos, tropas regulares e movimentos de resistência por toda a Europa. Algumas delas eram munidas de silenciadores.

Especificações
Modelo: Mk II
Calibre: 9 mm
Comprimento: 762 mm (total) e 197 mm (cano)
Peso: 3,7 Kg (com carregador)
Carregador: Pente com 32 cartuchos (mas normalmente só se usavam 30)
Cadência de Tiro: 550 tpm
Velocidade Inicial do Projétil: 365 m/s.

Transportes

Com o continente europeu estava fechado para viagens normais, o SOE teve de procurar o seu próprio transporte marítimo ou aéreo para a circulação de pessoas, de armas e equipamentos. O Marechal do Ar Harris, Comandande-em-chefe do Comando de Bombardeiros da RAF,  parece ter se ressentido com o uso de bombardeiros para propósitos do SOE, mas ele voltou atrás em abril 1942 e o SOE teve os serviços dos esquadrões 138 e 161 da RAF, baseados em Tempsford.

O Esquadrão 161 era um dos mais experientes da RAF. Em 1944 o 161 operava as aeronaves Westland Lysander IIIA, Handley Page Halifax B.Mk V, Lockheed Hudson III e Hudson V, e Short Stirling III e IV. Suas missões envolviam o apoio as forças de resistência na Europa, através do lançamentos de pára-quedas na Europa ocupada de agentes (chamados de Joe, fossem homens ou mulheres) e suprimentos, e com os Lysander, chegavam a pousar em território ocupado, a coleta de pessoal.

Em plana noite um solitário Lysander da RAF pousa em território francês trazendo um agente do SOE (recebido por membros da resistência francesa) e se prepara para levar um membro da resistência para a Grã-bretanha.

Na verdade o Westland Lysander, que tinha dois lugares, era o avião ideal para as operações secretas do SOE. Como avião de combate estava completamente ultrapassado pois tinha uma velocidade máxima de apenas 341 km/h. O seu armamento era também demasiado leve: duas metralhadoras de calibre 7,7 mm disparando para a frente, localizadas nas “polainas” das rodas do trem de pouso. Ele podia levar também mais duas metralhadoras como essas na parte de trás da cabine e bombas leves, de menos de 50 kg, em suportes fixados nas “polainas”.

Mas para trabalhar junto como o SOE, como avião de transporte de agentes era fantástico. Sua capacidade de operar em pistas de pouso simples e de pousar e decolar em pistas curtas fez dele o avião ideal para levar e trazer agentes para a Europa ocupada pelos nazistas. A asa alta e uma cabine bem envidraçada davam a ele uma visibilidade excelente. O Lysander Mark III, tinha um motor de 870 hp, velocidade máxima de 341 km/h a 5.000 pés (1.525 metros). O teto de serviço era de 21.500 pés (6.555 metros) e o alcance era de 600 milhas (966 km). O peso do avião era de 1.980 kg vazio. Envergadura de 15,34 metros, comprimento de 9,30 metros, altura de 4,42 metros e área de asa de 24,15 metros quadrados são dados que mostravam que o Lysander, apesar de também ser um avião leve, era bem robusto.

Houve também dificuldades com a Royal Navy, que geralmente não estava disposta a permitir a utilização pelo SOE de submarinos ou lanchas-torpedeiras MTB. No entanto, o SOE freqüentemente utilizava embarcações clandestinas, como barcos de pesca ou caiques, e, eventualmente, chegou a montar grandes frotas destes, a partir de Argel, das Ilhas Shetland (um serviço chamado Shetland Bus), no Ceilão etc

Dissolução

Perto do final da guerra, Lord Selborne defendida a manutenção do SOE, ou de uma entidade similar a ele. Ele propôs que a organização poderia ser útil contra "a ameaça russa" e "os latentes vulcões do Médio Oriente", e que iria apresentar um relatório ao Ministério da Defesa. O ministro da Relações Exteriores Anthony Eden insistiu que o seu ministério, já responsável pelo MI6, deveria controlar o SOE ou seus sucessores. Selborne replicou que se SOE ficasse subordinado ao Foreign Office seria como convidar uma abadessa para supervisionar um bordel. Churchill não tomou nenhuma decisão, e depois que ele perdeu as eleições gerais em 1945, o assunto foi tratado pelo novo Primeiro-ministro, Clement Attlee. Embora Selborne dissesse a Attlee que o SOE ainda possuía uma rede clandestina mundial de operadores de rádio e simpatizantes, Attlee respondeu que ele não tinha desejo de possuir algo parecido, e fechou o trabalho de Selborne em cerca de 48 horas depois.

A maior parte do seu pessoal voltou para suas ocupações civis dos tempos de paz (ou para o serviço regular nas forças armadas), porém cerca de 280 pessoas foram enviadas o "Special Operations Branch" do MI6. Alguns destes tinham servido como agentes de campo, mas o MI6 estava mais interessada no treinamento e nas pesquisas do SOE. Sir Stewart Menzies, chefe do MI6 (que era geralmente conhecido simplesmente como "C") logo decidiu que uma sucursal distinta não seria nada agradável, e fundiu o SOB no corpo geral do MI6.

Os americanos do OSS

Para os americanos o serviço similar ao SOE era o Office of Strategic Services - OSS (Escritório de Serviços Estratégicos) que tecnicamente era uma agência militar sob o comando dos Chefes de Estado Maior, e na prática era bastante autônomo de controle militar e tinha acesso direto ao Presidente Franklin D. Roosevelt.

O Major General William Joseph Donovan era o chefe do OSS. Donovan tinha sido condecorado com a medalha de honra durante a primeira guerra. Ele também era advogado e colega de Roosevelt. Como a CIA que seria criada após a Segunda Guerra, o OSS realiza a coleta de inteligência através de agentes e possuía uma braço de operações especiais paramilitares. Sua Divisão de Inteligência Secreta era responsável por espionagem, enquanto suas equipes da Operação Jedburgh, era uma unidade conjunta de americanos, britânicos e franceses, era um antepassado dos grupos que criariam unidades de guerrilha, tal como as Forças Especiais do Exército norte-americano e os paramilitares da CIA.

A operação Jedburgh teve o seu nome, provavelmente atribuído aleatoriamente a partir de uma lista de nomes pré-aprovados código, a partir da cidade Jedburgh no Scottish Borders. After about two weeks of paramilitary training at commando training bases in the Scottish highlands, the Jeds moved to Milton Hall , which was much closer to London and Special Forces Headquarters. Após cerca de duas semanas de treinamento paramilitar no comando da formação bases na região dos Highlands escoceses, mudou-se para o Jeds Milton Hall, que era muito mais perto de Londres e de Forças Especiais Sede.

Membro da resistência norueguesa armado com uma submetralhadora Sten. Várias grupos da resistência recebem treinamento, apoio e armas do OSS e do SOE.

 

A OSS lançou 87 equipes Jedbourg na Europa ocupada a Segunda Guerra Mundial. A equipe consistia de um oficial americano, um operador de rádio e um oficial do país do local de operação (francês, holandês etc). A equipe treinava e comandava a guerrilha local em operações de sabotagem, inteligência e ação direta. As equipes Jedburgh armaram e treinaram mais de 20 mil guerrilheiros. Foram usados para cortar linhas ferroviárias, emboscar tropas e comboios de estrada com objetivo de desviar forças de outras frentes. Depois da invasão no dia D passaram a proteger as pontes e fontes elétricas das tropas alemães que se retiravam. O conhecimento do terreno, a mobilidade e o moral alto foram importantes para realizarem a missão. Os EUA consideram que tiveram um efeito equivalente a 12 divisões. Outras 19 equipes tipo OG formadas por 15 homens podiam operar sozinhas ou com ajuda da guerrilha local. Foram responsáveis por 928 mortes entre os soldados alemães com apenas 13 perdas.

Já o Destacamento 101 da OSS atuou no Teatro de Operações China-Índia-Birmânia de 14 abril de 1942 a 12 julho de 1945 com 684 americanos na maior parte do tempo controlando 11.000 guerrilheiros dos povos kachin. Uma poderosa força guerrilheira, chamada Kachin Rangers, foi comandada por Carl F. Eifler, embora muitas vezes o termo Kachin Rangers tem sido usado para descrever todas as forças Kachin levantadas durante a guerra pelos americanos no norte da Birmânia.

Em Julho de 1942 vinte homens foram deslocados pelo OSS para montar uma sede em Assam. Não ocorreu nenhuma operação significativa até o final de 1942.No começo de 1943, pequenos grupos ou indivíduos começaram a ser lançados de pára-quedas atrás das linhas japonesas indo para aldeias Kachin remota, estabelecendo a seguir um linha de abastecimento por pára-quedas. Para conseguir o respeito da guerrilha local tiveram que aprender e adotar a cultura e linguagem local. Grupos guerrilheiros foram formados, sendo sempre abastecidos pelo ar. As forças kachins realizaram uma série de missões não-convencionais: emboscadas as patrulhas japonesas, resgate de pilotos aliados abatidos, e abertura de pequenas pistas de pouso na selva. Em 1944 quando chegaram as tropas americanas de penetração de longo alcance, os MERRIL´S MARAUDERS, eles foram importantes fornecendo inteligência sobre a movimentação das forças japonesas.

Os americanos sofreram 22 mortos mais 184 baixas entre os guerrilheiros contra 5 a 10 mil japoneses mortos. Foram responsáveis por 90% da inteligência coletada e designaram 85 dos alvos da USAAF na região.  Em 17 de janeiro de 1946 o Destacamento 101 recebeu de Dwight Eisenhower a Presidential Distinguished Unit Citation.

Depois da Segunda Guerra Mundial a OSS foi debandada por competir com outras agências de inteligência como o FBI e a CIA. As operações da OSS são um dos poucos exemplos de operações de guerra não convencional com sucesso.

Os Grupos Operacionais do OSS eram unidades americanas maiores que levaram a cabo ação direta atrás das linhas inimigas. Até mesmo durante a Segunda Guerra, a idéia de juntar inteligência e unidades de operações especiais sem um controle militar rígido era controversa. O OSS operou principalmente no Teatro Europeu de Operações (ETO) e até certo ponto no Teatro de Operações China-Birmânia-Índia, enquanto o General de Exército Douglas MacArthur era extremamente relutante em ter qualquer pessoal do OSS dentro da sua área de operações.

De 1943-1945, o OSS desempenhou um papel importante treinando tropas chinesas nacionalistas na China e Birmânia, e recrutou forças irregulares nativas para realizarem sabotagem e servirem de guias para as forças Aliadas na Birmânia contra o Exército japonês. O OSS também ajudou a armar, treinar e provê os movimentos de resistência, inclusive o Exército de Libertação Popular de Mao na China e o Viet Minh na Indochina francesa, que eram áreas ocupadas pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Outras funções do OSS incluíram o uso de propaganda, espionagem, subversão, e planejamento para o pós-guerra.

Um das maiores realizações do OSS durante a Segunda Guerra Mundial foi sua penetração na Alemanha nazista. O OSS era responsável por treinar comandos alemães e austríacos para missões dentro da Alemanha. Alguns destes agentes, muitos deles comunistas exilados e membros do partido socialista, ativistas trabalhistas, prisioneiros de guerra alemães anti-nazistas, e os refugiados alemães e judeus. No auge de sua influência durante a Segunda Guerra Mundial, o OSS empregou quase 24.000 pessoas. Os oficiais paramilitares do OSS eram lançados de pára-quedas em muitos países ocupados pelos nazistas, como a França, Noruega e Grécia. Em Creta, os homens do OSS equiparam e lutaram ao lado da resistência grega contra as forças de ocupação nazista.

O OSS foi licenciado logo após o fim da guerra, com suas funções de analise de inteligência passando temporariamente ao Departamento de Estado. A espionagem e contra-inteligência foram entregues as unidades militares. As funções paramilitares e relacionadas a eles passaram a ser executadas por variados grupos ad hoc como o Office of Policy Coordination. Entre a criação da CIA original pelo Ato de Segurança Nacional de 1947 e suas várias fusões e reorganizações em 1952, as funções do OSS do tempo da guerra geralmente foram passadas para a CIA. A missão de treinar e geralmente conduzir guerrilhas ficou as Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos, mas as missões que exigiam permanecer encobertas foram para o braço paramilitar da CIA. O descendente direto das operações especiais do OSS é a Divisão de Atividades Especiais da CIA.


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Assunto: SOE